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{"id":1511,"date":"2017-12-27T11:28:24","date_gmt":"2017-12-27T13:28:24","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1511"},"modified":"2018-12-25T15:33:01","modified_gmt":"2018-12-25T17:33:01","slug":"o-movimento-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1511","title":{"rendered":"O movimento de Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Defini\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Fontes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Fases da pesquisa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Contexto hist\u00f3rico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Jesus antes da sua atividade p\u00fablica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Soberania de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Organiza\u00e7\u00e3o do MJ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 Consequ\u00eancias da soberania divina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.1 Espiritualidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2 Curas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.3 Economia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.4 Poder<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 O julgamento de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Defini\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cmovimento de Jesus\u201d (MJ) se estabeleceu na pesquisa b\u00edblica principalmente a partir de impulsos oriundos da sociologia e da antropologia cultural. O conceito expressa um movimento religioso no juda\u00edsmo, que tinha como refer\u00eancia central a pessoa de Jesus de Nazar\u00e9 e a proclama\u00e7\u00e3o da soberania de Deus. Ainda que possa ser distinguido de outros movimentos ou grupos judaicos, a atividade do MJ n\u00e3o estava em contraposi\u00e7\u00e3o ao juda\u00edsmo. Jesus n\u00e3o se entendeu como fundador de uma nova religi\u00e3o. A separa\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo e o desenvolvimento do cristianismo tiveram sua origem em acontecimentos p\u00f3s-pascais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o de MJ pode variar, assim como a sua delimita\u00e7\u00e3o temporal. Al\u00e9m do per\u00edodo da atividade p\u00fablica de Jesus, \u00e9 poss\u00edvel incluir os primeiros anos da protocomunidade de Jerusal\u00e9m e da atividade de grupos mission\u00e1rios itinerantes. Aqui restringiremos o MJ ao per\u00edodo da atividade p\u00fablica de Jesus at\u00e9 a sua morte. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar com exatid\u00e3o o per\u00edodo e a dura\u00e7\u00e3o dessa atividade. Indica\u00e7\u00f5es dos evangelhos, como ocorr\u00eancia de esta\u00e7\u00f5es de ano e da festa da p\u00e1scoa, apontam para um per\u00edodo entre um e tr\u00eas anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Fontes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es relacionadas ao MJ s\u00e3o testemunhadas quase que exclusivamente nos evangelhos. Nas cartas paulinas, s\u00e3o ex\u00edguas as refer\u00eancias diretas a palavras ou a a\u00e7\u00f5es jesu\u00e2nicas. A mesma situa\u00e7\u00e3o se repete nos demais livros do Novo Testamento. Na obra do historiador judeu Fl\u00e1vio Josefo h\u00e1 observa\u00e7\u00f5es sobre Jesus. Algumas podem ser acr\u00e9scimos posteriores, mas \u00e9 poss\u00edvel que alguma refer\u00eancia b\u00e1sica provenha do autor. Embora raras, tamb\u00e9m se encontram alus\u00f5es em documentos romanos do in\u00edcio do segundo s\u00e9culo (T\u00e1cito, Suet\u00f4nio e Pl\u00ednio, o Jovem). Em todo caso, a exist\u00eancia hist\u00f3rica de Jesus de Nazar\u00e9 pode ser atestada a partir de escritos b\u00edblicos e de fontes n\u00e3o crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito de constitu\u00edrem fontes primordiais para a pesquisa, os evangelhos n\u00e3o foram elaborados como biografia ou registro hist\u00f3rico da atividade do MJ. Evangelhos s\u00e3o narrativas que surgiram como recurso prec\u00edpuo para a miss\u00e3o e a catequese crist\u00e3. Marcos foi, muito provavelmente, o primeiro evangelho a ser redigido. Se a data\u00e7\u00e3o, por volta do ano 70 dC, for adequada, h\u00e1 que se contar com um intervalo de cerca de 40 anos entre a morte de Jesus e a reda\u00e7\u00e3o desse evangelho. Neste per\u00edodo, as narrativas foram transmitidas de forma oral e em pequenos relatos escritos. No processo de transmiss\u00e3o e de reda\u00e7\u00e3o dos evangelhos podem ocorrer modifica\u00e7\u00f5es nas narrativas. A exegese \u00e9 a \u00e1rea da pesquisa que se ocupa com a cr\u00edtica hist\u00f3rica e liter\u00e1ria dos textos b\u00edblicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 Fases da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum sistematizar a pesquisa do Jesus hist\u00f3rico, respectivamente do MJ, em tr\u00eas grandes fases. As categoriza\u00e7\u00f5es, entretanto, n\u00e3o conseguem expressar a multiplicidade de abordagens e, na maioria dos casos, ficam restritas ao contexto europeu e norte-americano. Aproxima\u00e7\u00f5es latino-americanas, africanas ou asi\u00e1ticas normalmente n\u00e3o s\u00e3o consideradas. Tamb\u00e9m n\u00e3o se levam em conta as leituras populares, que pressup\u00f5em pesquisa e constru\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es do MJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do enfoque cient\u00edfico anglo-sax\u00e3o, as sistematiza\u00e7\u00f5es das fases da pesquisa demonstram que toda tentativa de reconstruir uma imagem do MJ \u00e9 parcial e subjetiva. Isto explica o fato de Jesus j\u00e1 ter sido caracterizado, entre outras designa\u00e7\u00f5es, como messias sofredor, mestre da sabedoria, guia \u00e9tico, profeta apocal\u00edptico, l\u00edder carism\u00e1tico, judeu marginal, taumaturgo, reformador social. As apresenta\u00e7\u00f5es variam de acordo com o m\u00e9todo, o contexto, o interesse e a parcialidade de quem investiga. Os pr\u00f3prios relatos b\u00edblicos n\u00e3o est\u00e3o imunes ao desenvolvimento teol\u00f3gico, al\u00e9m de n\u00e3o noticiarem toda a atividade do MJ, mas somente aquilo que foi considerado mais significativo. Neste sentido, a pesquisa hist\u00f3rica se caracteriza mais pela probabilidade do que pela certeza. N\u00e3o se pode afirmar: \u201cassim aconteceu\u201d; mas somente dizer: \u201cassim pode ter acontecido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio da atividade do MJ era a Terra de Israel. A administra\u00e7\u00e3o romana utilizava o termo Palestina, enquanto em escritos judaicos encontra-se a designa\u00e7\u00e3o Judeia. A maioria da popula\u00e7\u00e3o, estimada em um milh\u00e3o de habitantes, vivia em pequenas cidades e aldeias, que tinham entre 500 e 2.000 habitantes. A base da economia era a agricultura familiar. Na regi\u00e3o costeira e em torno do lago de Genesar\u00e9, tamb\u00e9m chamado de mar da Galileia ou mar de Tiber\u00edades, a pescaria era uma importante atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Terra de Israel estava ocupada militarmente pelo Imp\u00e9rio Romano desde 63 aC. Esse Imp\u00e9rio, cuja capital era Roma, abrangia territ\u00f3rios em tr\u00eas continentes: Europa, \u00c1sia Menor e \u00c1frica. O extenso dom\u00ednio estava baseado em um poderoso aparato militar. A assim chamada <em>paz romana<\/em> \u2013 per\u00edodo de relativa estabilidade nos territ\u00f3rios dominados e nas fronteiras do Imp\u00e9rio \u2013 era mantida com o rigor da espada. Os romanos permitiam que a administra\u00e7\u00e3o local fosse conduzida por reis vassalares, denominados s\u00f3cios ou clientes. Herodes, o Grande, governava a Palestina quando Jesus nasceu (Mt 2,1). Muito h\u00e1bil, ele conseguia manter boas rela\u00e7\u00f5es com os imperadores romanos. Internamente, preservava a ordem com for\u00e7a militar e rede de espionagem bem organizada. Revoltas eram combatidas com rigor e viol\u00eancia. Ap\u00f3s a sua morte, a Terra de Israel foi dividida entre tr\u00eas filhos: Arquelau (regi\u00f5es da Judeia, Idumeia e Samaria), Herodes Antipas (Galileia e Pereia) e Filipe (Transjord\u00e2nia do Norte).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa da not\u00e1vel crueldade, Arquelau foi chamado a Roma e destitu\u00eddo do cargo. Sua \u00e1rea de dom\u00ednio foi entregue a procuradores romanos. Dos sete procuradores que governaram a Judeia entre os anos 6 e 41 dC, Pilatos \u00e9 o \u00fanico do qual temos algumas informa\u00e7\u00f5es. O MJ de Jesus atuava sobretudo na pequena regi\u00e3o da Galileia, comandada por Herodes Antipas (Mc 6,14; Lc 3,1). Para a \u00e9poca, estima-se que a regi\u00e3o tivesse em torno de 200.000 habitantes. Mesmo que n\u00e3o fosse t\u00e3o cruel como o irm\u00e3o, Antipas n\u00e3o hesitava em tirar do caminho quem o incomodasse (Mc 6,16). Grupos revoltosos ou de oposi\u00e7\u00e3o eram aniquilados logo em seu nascedouro. O fato de evitar as grandes cidades poderia ser uma medida de preven\u00e7\u00e3o do MJ diante de amea\u00e7as deste soberano (Lc 13,31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Jesus antes da sua atividade p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o evangelista Lucas, a fam\u00edlia de Jesus morava em Nazar\u00e9 e foi para Bel\u00e9m por ocasi\u00e3o de um censo (Lc 2,1-7). O evangelho de Mateus, que n\u00e3o menciona o censo, d\u00e1 a entender que a fam\u00edlia de Jesus morava em Bel\u00e9m e se estabeleceu em Nazar\u00e9 somente ap\u00f3s a fuga para o Egito (Mt 2,19-23). Ambos informam que Jesus nasceu em Bel\u00e9m (Lc 2,1-7; Mt 2,19-23). O cristianismo assumiu esta tradi\u00e7\u00e3o e a cultiva at\u00e9 hoje, mas boa parte da pesquisa b\u00edblica aposta em Nazar\u00e9 como local de nascimento. Seja como for, Jesus cresceu e provavelmente passou a maior parte da sua vida em Nazar\u00e9. Por isto foi chamado de Nazareno e Jesus de Nazar\u00e9 (Mc 10,47; Lc 24,19; Mt 21,11; At 10,38). Como o pai, ele exerceu o of\u00edcio de carpinteiro (Mc 6,3). Entre as fun\u00e7\u00f5es de um carpinteiro, na \u00e9poca, contavam a constru\u00e7\u00e3o de casas e estruturas de madeira, a fabrica\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de mobili\u00e1rio, ferramentas e arados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade p\u00fablica de Jesus inicia ap\u00f3s contato com Jo\u00e3o Batista. Jo\u00e3o pregava o arrependimento e batizava junto ao rio Jord\u00e3o (Mt 13,1-12). Jesus se submeteu ao batismo e, algum tempo depois, passou a se dedicar ao an\u00fancio do reino de Deus (Mc 1,9-11). De acordo com Lucas, ele teria mais ou menos 30 anos de idade (Lc 3,21-23). \u00c9 poss\u00edvel que Jesus tivesse passado algum tempo com o Batista, mas n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o clara a respeito. Jo\u00e3o tinha um c\u00edrculo de adeptos e era muito conhecido, a ponto de Jesus ter sido visto como o Jo\u00e3o Batista redivivo (Mt 9,14; Mc 6,14ss; Lc 9,7ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>6 Soberania de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade do MJ foi caracterizada pela proclama\u00e7\u00e3o do reino de Deus, termo que \u00e9 mencionado mais de 100 vezes nos evangelhos. Mateus utiliza como correspond\u00eancia a express\u00e3o \u201creino dos c\u00e9us\u201d. <em>Reino de Deus<\/em> \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o mais comum para o sintagma grego <em>basileia to theou<\/em>, mas tamb\u00e9m se pode usar as express\u00f5es \u201csoberania de Deus\u201d ou \u201cdom\u00ednio de Deus\u201d. Estas alternativas s\u00e3o at\u00e9 mais adequadas, pois possuem menor conota\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fico-espacial e maior amplitude temporal. Soberania de Deus inclui a dimens\u00e3o futura e tamb\u00e9m possibilita falar de sua realiza\u00e7\u00e3o no presente. A soberania de Deus acontece ali onde Deus exerce o dom\u00ednio, onde pessoas se sujeitam \u00e0 sua vontade. Assim, o \u201creino de Deus\u201d pode ser anunciado como muito pr\u00f3ximo (Mc 1,15), como realidade j\u00e1 manifesta (Lc 11,20) ou que ainda est\u00e1 por vir (Mt 6,10; Lc 13,29). Jesus possivelmente entendeu a soberania de Deus como uma grandeza din\u00e2mica, na qual o presente e o futuro est\u00e3o unidos, da mesma maneira que a semente est\u00e1 ligada \u00e0 planta (Mt 13,31-33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa do estabelecimento pleno do dom\u00ednio de Deus era elemento fundamental da escatologia judaica. Ao anunciar a vinda eminente do reinado de Deus, o MJ falava de um ideal conhecido. As concep\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram uniformes, por\u00e9m havia pontos de conflu\u00eancia, especialmente no tocante \u00e0 expectativa de que o estabelecimento pleno da soberania divina traria um tempo de paz integral, alegria e abund\u00e2ncia. Nesse tempo, Deus colocar\u00e1 fim ao dom\u00ednio estrangeiro e reger\u00e1 seu povo com paz e justi\u00e7a. A domina\u00e7\u00e3o de Deus ser\u00e1 completa e infinita sobre toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concretiza\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio de Deus era, em boa parte, vinculada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um messias. A palavra messias significa \u201cungido\u201d. Inicialmente, a un\u00e7\u00e3o fazia parte do cerimonial de entroniza\u00e7\u00e3o de reis e servia como legitima\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio do poder (1Sm 10,1; 2Sm 5,3). Em algumas tradi\u00e7\u00f5es, o termo messias (ungido) tamb\u00e9m aparece ligado a sacerdotes (Ex 29,1-7; Zc 6,13). Nos \u00faltimos s\u00e9culos antes da era comum, o termo messias ganhou conota\u00e7\u00e3o de uma figura salv\u00edfica escatol\u00f3gica. Com a vinda do messias iniciaria o tempo da salva\u00e7\u00e3o. \u201cCristo\u201d \u00e9 a palavra grega que corresponde ao hebraico \u201cmessias\u201d (Jo 1,41). Quando Pedro declara que Jesus \u00e9 o Cristo (Mc 8,29), est\u00e1 dizendo que Jesus \u00e9 o Messias, aquele que inicia o novo tempo. A rigor, a designa\u00e7\u00e3o seria \u201cJesus, o Cristo\u201d ou \u201cJesus, o Messias\u201d (Mt 1,16; At 5,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>7 Organiza\u00e7\u00e3o do MJ<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>O cerne do MJ estava constitu\u00eddo por um grupo itinerante, que andava por aldeias e pequenas cidades da Galileia proclamando a vinda da soberania de Deus. O n\u00famero de doze disc\u00edpulos \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da reconstitui\u00e7\u00e3o de Israel e n\u00e3o indica o n\u00famero exato de seguidores de Jesus. O grupo itinerante era mais amplo, por\u00e9m dificilmente superior a duas dezenas. Locomo\u00e7\u00e3o, hospedagem e alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o seriam vi\u00e1veis com um grupo muito grande. A ades\u00e3o poderia se dar pelo chamado de Jesus ou pela atitude volunt\u00e1ria das pessoas (Mc 1,16-20; 10,52; Lc 9,57; Jo 1,43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina no MJ \u00e9 dificultada pela linguagem androc\u00eantrica, que silencia as mulheres ou as inclui nas refer\u00eancias a homens. Em textos antigos, uma alus\u00e3o a pessoas no masculino poderia incluir ou n\u00e3o mulheres. Apesar disso, e da escassa base textual, \u00e9 poss\u00edvel dizer que mulheres pertenceram ao MJ. Algumas mulheres citadas no relato da crucifica\u00e7\u00e3o podem ser identificadas como seguidoras de Jesus desde a Galileia: Maria de Magdala; Maria, m\u00e3e de Tiago e Jos\u00e9; Salom\u00e9 (Mc 15,40s). Textos de tradi\u00e7\u00f5es diferentes indicam que Maria de Magdala foi a primeira pessoa com a qual Jesus falou ap\u00f3s ressurgir (Jo 20,14-18; Mt 28,1-10; Mc 16,9-11). Chama a aten\u00e7\u00e3o que esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 omitida pelo ap\u00f3stolo Paulo (1Co 15,5-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As exig\u00eancias da vida itinerante s\u00e3o extremas: abandono da fam\u00edlia e do trabalho, ren\u00fancia a elementos b\u00e1sicos de subsist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o (Mc 1,16-20; 2,13s; Lc 9,3). Esta condi\u00e7\u00e3o, que pode ser resumida com a frase \u201ctudo deixamos e te seguimos\u201d (Mc 10,28), foi denominada de radicalismo itinerante. Talvez a ruptura n\u00e3o tenha sido t\u00e3o radical como sugerem alguns estudos, mas \u00e9 poss\u00edvel dizer que pessoas renunciaram, parcial ou completamente, a suas ocupa\u00e7\u00f5es cotidianas para seguir Jesus. Ainda que nem sempre houvesse um local para ficar ou algo para comer (Mt 12,1; 21,18; Lc 9,58), a hospitalidade foi decisiva na atividade do MJ. Jesus e o seu grupo recebiam provis\u00e3o e cuidado de uma rede de mecenas, constitu\u00edda pelo c\u00edrculo familiar e de amizades e tamb\u00e9m por simpatizantes. De acordo com Jo 12,6 e 13,29, o grupo itinerante tinha um caixa comum, possivelmente composto por doa\u00e7\u00f5es (Lc 8,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria adequado restringir o MJ ao grupo que deixou seus afazeres para seguir Jesus em suas andan\u00e7as. Tamb\u00e9m em suas liga\u00e7\u00f5es cotidianas as pessoas s\u00e3o desafiadas a viver sob os princ\u00edpios da soberania de Deus. Portanto, o MJ engloba o grupo itinerante e as pessoas que aderiam \u00e0s convic\u00e7\u00f5es sobre o dom\u00ednio de Deus, proclamadas por Jesus. O encontro com a mulher de origem siro-fen\u00edcia (Mc 7,24-30) revela certa resist\u00eancia a pessoas que n\u00e3o pertenciam ao povo de Israel, mas n\u00e3o se pode dizer que eram exclu\u00eddas. Talvez a posi\u00e7\u00e3o de Jesus possa ter se modificado de uma perspectiva \u00e9tnica restrita a Israel para uma vis\u00e3o mais abrangente (Mt 8,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8 Consequ\u00eancias da soberania divina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como grandeza din\u00e2mica, que abarca presente e futuro, o dom\u00ednio de Deus traz implica\u00e7\u00f5es para as pessoas e a sociedade. Ele abrange todas as dimens\u00f5es da vida e se manifesta, por exemplo, nos seguintes aspectos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8.1 Espiritualidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em casas, nas sinagogas e no templo, atrav\u00e9s da leitura das escrituras sagradas, de ora\u00e7\u00f5es e c\u00e2nticos, o MJ se nutria e estimulava a viv\u00eancia da espiritualidade. Espiritualidade \u00e9 mais do que ora\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 viv\u00eancia da f\u00e9 e envolve a dimens\u00e3o pessoal, comunit\u00e1ria (no sentido de um grupo religioso) e social (todas as rela\u00e7\u00f5es sociais). A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 elemento caracter\u00edstico da rela\u00e7\u00e3o entre o povo e Deus e tamb\u00e9m marcou a atividade do MJ. Jesus se retirou para orar a s\u00f3s (Mt 14,23; 26,39) e ensinou uma ora\u00e7\u00e3o ao seu grupo (Mt 6,9-13; Lc 11,1-4). O Pai-Nosso \u00e9 um resumo da pr\u00e1tica e da prega\u00e7\u00e3o de Jesus. As tr\u00eas primeiras peti\u00e7\u00f5es estabelecem as prerrogativas divinas: santifica\u00e7\u00e3o do seu nome, estabelecimento do seu reino, cumprimento da sua vontade. Nas peti\u00e7\u00f5es seguintes, a pessoa manifesta que n\u00e3o est\u00e1 sozinha, nem pede apenas para si: os pedidos est\u00e3o no plural, indicando o car\u00e1ter comunit\u00e1rio da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>8.2 Curas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curas e exorcismos desempenharam papel importante na atividade do MJ. A restaura\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do conv\u00edvio social eram interpretados como sinais de que o mal estava sendo vencido e que o dom\u00ednio de Deus estava se estabelecendo (Lc 7,22; 11,20). Os evangelhos relatam que Jesus n\u00e3o utilizava curas e outros sinais como meio de propaganda, nem requeria o seguimento ap\u00f3s uma cura. Em muitos casos, a pessoa \u00e9 solicitada a ir para casa e n\u00e3o contar a ningu\u00e9m (Mc 7,36; 8,26; Lc 14,4). A f\u00e9 aparece como elemento central em relatos de cura (Mt 9,29; 15,28; Mc 5,34), mas nem todos eles dizem algo sobre a f\u00e9 das pessoas doentes. Isto \u00e9 indicativo que Jesus curava sem estabelecer condi\u00e7\u00f5es. Curas e exorcismos eram demonstra\u00e7\u00e3o de amor e compaix\u00e3o (Mc 1,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8.3 Economia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a proclama\u00e7\u00e3o da soberania de Deus seja dirigida a todas as pessoas, o MJ tinha uma vincula\u00e7\u00e3o especial com estratos mais empobrecidos e grupos \u00e0 margem da sociedade (Mt 11,5; Lc 4,18-21; 6,20). Por oponentes, Jesus foi caracterizado como \u201camigo de publicanos e pecadores\u201d (Mt 11,19; Lc 7,34). Possivelmente as pessoas discriminadas e menos privilegiadas mostravam mais receptividade \u00e0 mensagem do MJ do que representantes do <em>status quo<\/em> religioso e pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discursos jesu\u00e2nicos s\u00e3o marcados por cr\u00edticas a pessoas ricas e \u00e0 riqueza (Mc 10,23; Lc 6,24-26; 8,14; 12,13-21; 16,19-31). O dinheiro \u00e9 um poder estranho e oposto ao dom\u00ednio de Deus (Mt 6,24). Enquanto a economia dominante estava baseada na gan\u00e2ncia e no ac\u00famulo (Lc 12,13-21), o MJ prega o perd\u00e3o das d\u00edvidas (Mt 18,23ss) e o desapego ao dinheiro (Mt 6,19-21). Pessoas pobres e famintas s\u00e3o chamadas de bem-aventuradas e recebem a promessa de que a fome ser\u00e1 substitu\u00edda pela satisfa\u00e7\u00e3o no reino de Deus (Lc 6,20s). Al\u00e9m de assegurar que Deus acolhe as pessoas necessitadas, a promessa \u00e9 tamb\u00e9m um apelo \u00e9tico que motiva a partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>8.4 Poder<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do MJ geralmente se mostram de forma velada ou indireta. Isto tinha um motivo: cr\u00edtica pol\u00edtica, protestos ou a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias eram duramente combatidos. A presen\u00e7a de um poder pol\u00edtico estrangeiro contrariava a concep\u00e7\u00e3o da terra de Israel como propriedade divina (Lv 25,23). Assim, mesmo que n\u00e3o fosse diretamente tematizada, a expectativa de liberta\u00e7\u00e3o do jugo romano estava impl\u00edcita na proclama\u00e7\u00e3o da soberania de Deus. Sob esta perspectiva, a resposta de Jesus na quest\u00e3o do pagamento dos impostos (Mc 12,13-17) tem consequ\u00eancias pol\u00edticas. A declara\u00e7\u00e3o \u201cdai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d pode significar devolver todos os den\u00e1rios, o s\u00edmbolo da domina\u00e7\u00e3o. \u201cDar a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d, por outro lado, pode significar devolver a terra de Israel, o que equivale a uma rejei\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio romano. No julgamento de Jesus, a quest\u00e3o do imposto \u00e9 associada com a acusa\u00e7\u00e3o de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (Lc 23,2ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente de grupos que estavam dispostos a lutar em guerra santa para libertar Israel, o MJ manifesta uma convic\u00e7\u00e3o de ren\u00fancia \u00e0 viol\u00eancia. Mas \u00e9 poss\u00edvel que internamente houvesse opini\u00f5es e expectativas divergentes. Pelo menos no tocante ao papel do messias parece ter havido disson\u00e2ncia entre a perspectiva de Pedro e a compreens\u00e3o de Jesus: o disc\u00edpulo n\u00e3o esperava por um messias que pudesse sofrer (Mt 16,21ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada da soberania de Deus transfigura os valores das rela\u00e7\u00f5es de poder. Enquanto os \u201cmaiorais\u201d abusam do poder e dele fazem uso para benef\u00edcio pessoal, no reino de Deus o poder s\u00f3 existe como servi\u00e7o \u00e0s pessoas (Mc 10,42-45). O princ\u00edpio do servir requer um movimento de dentro para fora. Quem aceita os princ\u00edpios da soberania divina, assume uma nova forma de vida: \u201centre v\u00f3s n\u00e3o \u00e9 assim\u201d (Mc 10,43). A a\u00e7\u00e3o das pessoas que se sujeitam ao dom\u00ednio de Deus tem car\u00e1ter exemplar e visa a uma mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, a a\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o pode apressar a vinda do reino. A soberania de Deus se estabelecer\u00e1 por definitivo no tempo que Ele mesmo determinar (Lc 17,20s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 O julgamento de Jesus<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No processo contra Jesus h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de diversos atores: autoridades judaicas, administra\u00e7\u00e3o romana, pessoas do povo. Do ponto de vista t\u00e9cnico, o processo e a pena estavam adequados \u00e0s normas do Imp\u00e9rio Romano. A crucifica\u00e7\u00e3o era pena imposta a pessoas consideradas subversivas e condenadas por crime pol\u00edtico. A acusa\u00e7\u00e3o \u201cRei dos Judeus\u201d, colocada sobre a cruz (Mc 15,26), indica que Jesus representava uma amea\u00e7a para a administra\u00e7\u00e3o romana. Uma parcela do povo e das autoridades judaicas empenhou-se na sua condena\u00e7\u00e3o. Jesus entrou em conflito com autoridades judaicas no tocante \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da lei mosaica e na cr\u00edtica ao templo (Mc 14,55ss). Mas as autoridades tamb\u00e9m devem ter considerado o fator pol\u00edtico, visto que eram respons\u00e1veis por preservar a ordem e a estabilidade. A parcela da popula\u00e7\u00e3o que pediu a crucifica\u00e7\u00e3o talvez fosse composta por habitantes de Jerusal\u00e9m que n\u00e3o gostaram das palavras sobre o templo (Mc 13,1s). Muitas pessoas dependiam economicamente do templo e poderiam ver nisso uma amea\u00e7a \u00e0 sua sobreviv\u00eancia. Em todo caso, n\u00e3o se pode colocar a responsabilidade sobre o povo judeu. Pilatos, o procurador romano, tinha a \u00faltima palavra. Ele decidiu pela crucifica\u00e7\u00e3o por entender que Jesus subvertia a estabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Emilio Voigt.\u00a0Coordenador do N\u00facleo de Produ\u00e7\u00e3o e Assessoria da IECLB &#8211; Porto Alegre<\/em>\u00a0(Brasil). Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CROSSAN, J. D. <em>O Jesus hist\u00f3rico: <\/em>a vida de um campon\u00eas judeu do mediterr\u00e2neo. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOLM\u00c9N, T.; PORTER, S. E. <em>Handbook for the Study of the Historical Jesus.<\/em> Leiden: Brill, 2010. 4v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOORNAERT, E. <em>O movimento de Jesus<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOHFINK, G. <em>Como Jesus queria as comunidades?<\/em> A dimens\u00e3o social da f\u00e9 crist\u00e3. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MALINA, B. <em>O evangelho social de Jesus<\/em>: o reino de Deus em perspectiva mediterr\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEIER, J. P. <em>Um judeu marginal<\/em>: repensando o Jesus hist\u00f3rico. 2.ed. Rio de Janeiro: Imago, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANDERS, E. P. <em>Jesus and Judaism<\/em>. Philadelphia: Fortress Press, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">STEGEMANN, W. <em>Jesus e seu tempo<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal\/EST, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAMEZ, E. <em>As mulheres no movimento de Jesus, o Cristo<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THEISSEN, G.; MERZ, A. <em>O Jesus hist\u00f3rico<\/em>: um manual. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VOIGT, E. <em>Contexto e surgimento do movimento de Jesus:<\/em> as raz\u00f5es do seguimento. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Defini\u00e7\u00e3o 2 Fontes 3 Fases da pesquisa 4 Contexto hist\u00f3rico 5 Jesus antes da sua atividade p\u00fablica 6 Soberania de Deus 7 Organiza\u00e7\u00e3o do MJ 8 Consequ\u00eancias da soberania divina 8.1 Espiritualidade 8.2 Curas 8.3 Economia 8.4 Poder 9 O julgamento de Jesus 10 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Defini\u00e7\u00e3o O termo \u201cmovimento de Jesus\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1511","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1511"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1694,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions\/1694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}