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{"id":1493,"date":"2017-12-24T14:57:10","date_gmt":"2017-12-24T16:57:10","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1493"},"modified":"2018-02-27T15:41:20","modified_gmt":"2018-02-27T18:41:20","slug":"pastoral-dos-lgbt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1493","title":{"rendered":"Pastoral dos LGBT"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Um novo contexto na sociedade e na Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A B\u00edblia e a hist\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O ensinamento moral da Igreja em perspectiva inclusiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Palavras e gestos prof\u00e9ticos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Caminhos a percorrer<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Um novo contexto na sociedade e na Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Quando o papa Francisco retornou do Brasil a Roma, em 2013, disse algo que teve muita repercuss\u00e3o: \u201cSe uma pessoa \u00e9 gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar? [\u2026] N\u00e3o se deve marginalizar estas pessoas por isso\u201d (FRANCISCO, 2003b). Nesse mesmo ano, ele convocou o S\u00ednodo dos Bispos para tratar da fam\u00edlia e de seus desafios atuais. No question\u00e1rio preparat\u00f3rio, enviado a todas as dioceses do mundo, perguntou-se que aten\u00e7\u00e3o pastoral se pode dar \u00e0s pessoas que escolheram viver em uni\u00f5es do mesmo sexo e, caso adotem crian\u00e7as, o que fazer para lhes transmitir a f\u00e9 (S\u00cdNODO, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja Cat\u00f3lica vive um tempo de renova\u00e7\u00e3o pastoral impulsionada pelo papa. Ele a convoca a ir \u00e0s \u201cperiferias existenciais\u201d, ao encontro dos pobres e dos que sofrem com as diversas formas de injusti\u00e7as, conflitos e car\u00eancias. \u00c9 preciso abrir-se \u00e0 novidade que Deus traz \u00e0 nossa vida, que nos realiza e nos d\u00e1 a verdadeira alegria e serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas nosso bem. Francisco critica uma Igreja ensimesmada, entrincheirada em estruturas caducas incapazes de acolhimento e fechada aos novos caminhos que Deus lhe apresenta.\u00a0A a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo ergue o olhar dos fi\u00e9is para o horizonte, impelindo-os a essas periferias (FRANCISCO, 2013a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos sinais mais not\u00e1veis do mundo atual \u00e9 a ampla visibilidade da popula\u00e7\u00e3o LGBT (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Conv\u00e9m esclarecer os termos. Travestis s\u00e3o pessoas que vivenciam pap\u00e9is femininos, mas n\u00e3o se reconhecem como homens ou como mulheres. Transexuais s\u00e3o pessoas que n\u00e3o se identificam com o sexo que lhes \u00e9 atribu\u00eddo ao nascerem, e sim com o outro sexo. Pode haver homem transexual, que reivindica o reconhecimento social e legal como homem, e mulher transexual, que reivindica o reconhecimento social e legal como mulher. Tanto travestis como transexuais s\u00e3o transg\u00eanero, isto \u00e9, pessoas que n\u00e3o se identificam com o sexo que lhes \u00e9 atribu\u00eddo ao nascerem. O contr\u00e1rio s\u00e3o cisg\u00eanero, pessoas identificadas com o sexo atribu\u00eddo ao nascerem (JESUS, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado, muitos deles viviam \u00e0 margem da sociedade ou mesmo no anonimato. V\u00e1rios gays e l\u00e9sbicas se escondiam no casamento tradicional, constitu\u00eddo pela uni\u00e3o heterossexual. Alguns formavam guetos em espa\u00e7os de conviv\u00eancia bastante reservados, como forma de se protegerem. Mas hoje, os LGBT fazem grandes paradas, est\u00e3o presentes em filmes e telenovelas, buscam reconhecimento, exigem ser respeitados e reivindicam os mesmos direitos e deveres dos demais cidad\u00e3os. Esta popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em toda parte. Quem n\u00e3o faz parte dela tem parentes pr\u00f3ximos ou distantes que fazem, velada ou manifestamente, bem como vizinhos ou colegas de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ampla visibilidade tamb\u00e9m manifesta os problemas que afligem essa popula\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma forte avers\u00e3o a homossexuais: a homofobia; e a travestis e transexuais: a transfobia. Essa avers\u00e3o produz diversas formas de viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e simb\u00f3lica contra estas pessoas. H\u00e1 pais de fam\u00edlia que j\u00e1 disseram: \u201cprefiro um filho morto a um filho gay\u201d. Entre os palavr\u00f5es mais ofensivos que existem, constam a refer\u00eancia \u00e0 condi\u00e7\u00e3o homossexual e ao sexo anal, comum no homoerotismo masculino. Ou seja, \u00e9 xingamento. Muitas vezes, quando se diz que algu\u00e9m \u00e9 \u201chomem\u201d ou \u201cmulher\u201d, entende-se que \u00e9 heterossexual, excluindo da masculinidade ou da feminilidade a pessoa homossexual. No Brasil e em muitos pa\u00edses, s\u00e3o frequentes os homic\u00eddios, sobretudo de travestis. H\u00e1 tamb\u00e9m suic\u00eddio de muitos adolescentes que se descobrem gays ou l\u00e9sbicas, e mesmo de adultos. Eles chegam a esta atitude extrema por pressentirem a rejei\u00e7\u00e3o hostil da pr\u00f3pria fam\u00edlia e da sociedade. Tal hostilidade gera in\u00fameras formas de discrimina\u00e7\u00e3o e, mesmo que n\u00e3o leve \u00e0 morte, traz frequentemente tristeza profunda ou depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O padre J\u00falio Lancellotti trabalha na cidade de S\u00e3o Paulo com a popula\u00e7\u00e3o de rua. Ele relata a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que encontra:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>Na miss\u00e3o pastoral tenho conversado com v\u00e1rios LGBT que est\u00e3o pelas ruas da cidade, alguns doentes, feridos, abandonados. Muitos relatam hist\u00f3rias de viol\u00eancia, abuso, ass\u00e9dio, torturas e crueldades. Alguns contam como foram expulsos das igrejas e comunidades crist\u00e3s, rejeitados pelas fam\u00edlias em nome da moral. Testemunhei l\u00e1grimas, feridas, sangue e fome. Imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer neles a presen\u00e7a do Senhor Crucificado! (LANCELLOTTI, 2015).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0H\u00e1 tamb\u00e9m muitos LGBT na Igreja Cat\u00f3lica. S\u00e3o pessoas que nasceram e foram criados neste ambiente, t\u00eam f\u00e9 e em certo momento descobriram esta condi\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios deles participam ativamente de suas comunidades, mas n\u00e3o poucos se afastaram, e se afastam, por se depararem com incompreens\u00e3o e hostilidade. \u00c9 preciso que eles encontrem fi\u00e9is e ministros religiosos sens\u00edveis \u00e0s suas feridas e dificuldades, e tamb\u00e9m aos seus talentos e potencialidades. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que os LGBT se situam nas periferias existenciais apontadas pelo papa. A solicitude pastoral da Igreja tamb\u00e9m deve contempl\u00e1-los. Com a devida compreens\u00e3o da sua realidade, eles podem ser ajudados na busca de Deus e de sentido para a vida, no cultivo da vida espiritual e da autoestima, na cura de feridas exteriores e interiores, no fomento do apoio m\u00fatuo, da vida eclesial, do apostolado e da a\u00e7\u00e3o no mundo. Para melhor ajud\u00e1-los neste caminho, conv\u00e9m refletir sobre sua realidade com alguns subs\u00eddios teol\u00f3gico-pastorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>2 A B\u00edblia e a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>A Igreja ensina que a lei de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 pregar a Palavra de Deus de maneira adaptada \u00e0 realidade dos povos, como diz o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965). Deve haver um interc\u00e2mbio permanente entre a Igreja e as diversas culturas. Para isto, ela necessita da ajuda dos que conhecem bem as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es e disciplinas, sejam eles crentes ou n\u00e3o. Os fi\u00e9is precisam saber ouvir e interpretar as v\u00e1rias linguagens ou sinais do nosso tempo para avali\u00e1-los adequadamente \u00e0 luz da Palavra de Deus, de modo que a verdade revelada seja melhor percebida, compreendida e apresentada de um modo conveniente (<em>GS<\/em> 44). A correta evangeliza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 uma estrada de duas m\u00e3os, de interc\u00e2mbio entre a Igreja e as culturas contempor\u00e2neas. A f\u00e9 crist\u00e3 necessita dialogar com os saberes leg\u00edtimos. S\u00f3 se pode saber o que a Palavra de Deus significa hoje, e que implica\u00e7\u00f5es ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilidade da popula\u00e7\u00e3o LGBT, o reconhecimento de seus direitos humanos e de sua cidadania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode negligenciar o que o livro sagrado dos crist\u00e3os diz sobre a atra\u00e7\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo, nem os desdobramentos hist\u00f3ricos que da\u00ed se seguiram. Mas \u00e9 preciso se tratar deste assunto com a devida profundidade, indo al\u00e9m da leitura ao p\u00e9 da letra. A Revela\u00e7\u00e3o divina testemunhada na B\u00edblia \u00e9 expressa de diversos modos. Segundo o Conc\u00edlio, o leitor deve buscar o sentido que os autores sagrados, em determinadas circunst\u00e2ncias, segundo as condi\u00e7\u00f5es do seu tempo e da sua cultura, pretenderam exprimir servindo-se dos g\u00eaneros liter\u00e1rios ent\u00e3o usados. Devem-se levar em conta as maneiras pr\u00f3prias de sentir, dizer ou narrar em uso no tempo deles, como tamb\u00e9m os modos que se empregavam frequentemente nas rela\u00e7\u00f5es entre os homens daquela \u00e9poca (<em>DV<\/em> 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No juda\u00edsmo antigo, acreditava-se que o homem e a mulher foram criados um para o outro, para se unirem e procriarem. Sup\u00f5e-se uma heterossexualidade universal, expressa no imperativo \u201ccrescei e multiplicai-vos\u201d (Gn 1,28). Isto foi escrito no tempo do ex\u00edlio judaico na Babil\u00f4nia. Para o povo expulso de sua terra e submetido a uma pot\u00eancia estrangeira, crescer era fundamental para a sobreviv\u00eancia da na\u00e7\u00e3o e da religi\u00e3o. N\u00e3o se nega o des\u00edgnio divino que a humanidade se espalhe pela terra, mas a necessidade de sobreviv\u00eancia do povo judeu naquele tempo era urgente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00eamen do homem supostamente continha o ser humano inteiro, e devia ser colocado no ventre da mulher assim como a semente \u00e9 depositada na terra. N\u00e3o se conhecia o \u00f3vulo. O pr\u00f3prio nome s\u00eamen est\u00e1 ligado a semente. Ele jamais deveria ser desperdi\u00e7ado, como mostra a hist\u00f3ria de On\u00e3. Ele se casou com Tamar, vi\u00fava de seu irm\u00e3o Her, que morreu sem ter descendente. Conforme a lei (Dt 25,5-10), On\u00e3 deveria suscitar uma posteridade a seu irm\u00e3o, e o primeiro filho homem deveria ter o nome deste irm\u00e3o falecido, Her. Mas On\u00e3 praticou coito interrompido, ejaculando fora da vagina de sua esposa e impedindo-a de conceber. On\u00e3 foi fulminado por Deus, como puni\u00e7\u00e3o por esta transgress\u00e3o (Gn 38,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que a rela\u00e7\u00e3o sexual entre dois homens era inadmiss\u00edvel. Israel devia se distinguir das outras na\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias maneiras, com o seu culto, sua lei e seus costumes, segundo o c\u00f3digo de santidade do livro do Lev\u00edtico. A\u00ed se inclui a proibi\u00e7\u00e3o do homoerotismo, considerado abomina\u00e7\u00e3o (Lv 18,22). Pro\u00edbe-se tamb\u00e9m, e com rigor: trabalhar no s\u00e1bado, comer carne de porco ou frutos do mar, aparar o cabelo e a barba, tocar em mulher menstruada durante sete dias, usar roupa tecida com duas esp\u00e9cies de fio, plantar esp\u00e9cies diferentes de semente em um mesmo campo e acasalar animais de esp\u00e9cies distintas. Quando o cristianismo, nascido em Israel, expandiu-se entre os povos n\u00e3o judeus, a santidade do Lev\u00edtico n\u00e3o se tornou norma para estes povos, mas a proibi\u00e7\u00e3o do homoerotismo sim, conforme se ver\u00e1 adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta proibi\u00e7\u00e3o somou-se a hist\u00f3ria de Sodoma e Gomorra, cujo pecado clamou aos c\u00e9us e resultou no castigo divino destruidor (Gn 19). O pecado foi recusar a hospitalidade aos que visitavam o patriarca L\u00f3, a ponto de tentarem violentar sexualmente estes visitantes. Com frequ\u00eancia, a viol\u00eancia sexual era uma forma de humilha\u00e7\u00e3o imposta por ex\u00e9rcitos vencedores aos vencidos. Inicialmente, o delito de Sodoma era visto como \u201corgulho, alimenta\u00e7\u00e3o excessiva, tranquilidade ociosa e desamparo do pobre e do indigente\u201d (Ez 16,49). Atrav\u00e9s do profeta, o Senhor diz: \u201cTornaram-se arrogantes e cometeram abomina\u00e7\u00f5es em minha presen\u00e7a\u201d (Ez 16,50). V\u00e1rios s\u00e9culos depois, tal pecado foi identificado com o homoerotismo, mas na origem ele nada tem a ver com o amor entre pessoas do mesmo sexo, ou mesmo com rela\u00e7\u00f5es sexuais livremente consentidas entre pessoas adultas do mesmo sexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Novo Testamento, a Carta aos Romanos afirma que quem ama o pr\u00f3ximo cumpriu a lei, pois os mandamentos se resumem em amar ao pr\u00f3ximo como a si mesmo (Rm 13,8-10). Este \u00e9 o esp\u00edrito dos mandamentos e o crit\u00e9rio de sua interpreta\u00e7\u00e3o. Mas ao refutar o polite\u00edsmo, o ap\u00f3stolo Paulo o associa ao homoerotismo (Rm 1,18-32). Os pag\u00e3os s\u00e3o acusados de n\u00e3o adorar o Deus \u00fanico, mas as criaturas, e de permitir essa pr\u00e1tica sexual vista como abomina\u00e7\u00e3o pelos judeus. Tal comportamento \u00e9 considerado castigo divino por causa de uma pr\u00e1tica religiosa errada: \u201cPor tudo isso, Deus os entregou a paix\u00f5es vergonhosas\u201d. Outros escritos paulinos t\u00eam a mesma posi\u00e7\u00e3o, em que prov\u00e1veis refer\u00eancias ao homoerotismo est\u00e3o ligadas \u00e0 idolatria e \u00e0 irreligi\u00e3o (1Cor 6,9-11; 1Tm 1,8-11). No contexto judaico-crist\u00e3o da Antiguidade, este argumento era compreens\u00edvel. N\u00e3o havia o conceito de \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d, estrutura profundamente enraizada na pessoa, com relativa estabilidade, levando-a \u00e0 atra\u00e7\u00e3o pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo. A \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d nada tem a ver com a cren\u00e7a em um ou em v\u00e1rios deuses, ou com qualquer pr\u00e1tica religiosa. Mas, no contexto da Antiguidade, a Igreja herdou a vis\u00e3o antropol\u00f3gica judaica da heterossexualidade universal com suas interdi\u00e7\u00f5es. Hoje, tudo isto deve ser levado em conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A religi\u00e3o crist\u00e3 se expandiu e se tornou hegem\u00f4nica em muitos pa\u00edses, chegando a se tornar religi\u00e3o de Estado. O homoerotismo foi classificado como \u201csodomia\u201d e criminalizado por muitos s\u00e9culos. Para a Igreja, a sodomia era um crime horrendo: provocava tanto a ira de Deus a ponto de causar tempestades, terremotos, pestes e fome, que destru\u00edam cidades inteiras. Era algo indigno de ser nomeado, um \u201cpecado nefando\u201d do qual nem se deve falar, e muito menos se cometer (VIDE, 2007, p. 331-332). Tribunais civis e mesmo eclesi\u00e1sticos, como a Inquisi\u00e7\u00e3o, julgavam os acusados deste delito. Os culpados eram entregues ao poder civil para serem punidos, at\u00e9 mesmo com a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o advento do Iluminismo e da raz\u00e3o aut\u00f4noma, independente da Revela\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica sexual exercida sem viol\u00eancia ou indec\u00eancia p\u00fablica n\u00e3o devia cair sob o dom\u00ednio da lei. Teve in\u00edcio uma crescente descriminaliza\u00e7\u00e3o da sodomia. A modernidade, impulsionada pelo Iluminismo, trouxe a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, a autonomia das ci\u00eancias e os direitos humanos, que restringem o poder do soberano sobre o s\u00fadito e ampliam a liberdade da pessoa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coletividade. No s\u00e9culo XIX, o termo sodomia foi substitu\u00eddo por \u201chomossexualidade\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 trazida do \u00e2mbito religioso e moral para o \u00e2mbito m\u00e9dico. O que at\u00e9 ent\u00e3o era visto como abomina\u00e7\u00e3o passa a ser considerado doen\u00e7a. Por muitas d\u00e9cadas, pessoas homossexuais eram internadas em sanat\u00f3rios. Chegou-se at\u00e9 mesmo ao uso de choque el\u00e9trico no tratamento m\u00e9dico dessas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos anos 1970, houve uma progressiva despatologiza\u00e7\u00e3o da homossexualidade, impulsionada pelo crescimento do movimento gay. Nos anos 1990, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade a retirou da lista de doen\u00e7as. Organiza\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos e de psic\u00f3logos declararam que a homossexualidade n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a, nem dist\u00farbio, nem pervers\u00e3o; e proibiram seus profissionais de colaborarem em servi\u00e7os que prop\u00f5em o seu tratamento e cura. Assim, algumas pessoas s\u00e3o gays ou l\u00e9sbicas e o ser\u00e3o por toda a vida. N\u00e3o se trata de op\u00e7\u00e3o, mas de condi\u00e7\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o. Com rela\u00e7\u00e3o a travestis e a transexuais, permitem-se hoje tratamentos de transexualiza\u00e7\u00e3o, inclusive na rede p\u00fablica de sa\u00fade. A mudan\u00e7a do nome social \u00e9 prevista em certos casos, podendo-se at\u00e9 chegar \u00e0 mudan\u00e7a do nome no registro civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 O ensinamento moral da Igreja em perspectiva inclusiva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Alguns princ\u00edpios da modernidade foram assimilados pela Igreja Cat\u00f3lica no Conc\u00edlio Vaticano II. Al\u00e9m do novo enfoque da evangeliza\u00e7\u00e3o e da leitura da B\u00edblia, o Conc\u00edlio legitimou a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, a autonomia da ci\u00eancia e reconheceu a liberdade de consci\u00eancia, que \u00e9 o direito de a pessoa agir segundo a norma reta da sua consci\u00eancia, e o dever de n\u00e3o agir contra ela. Nela est\u00e1 o \u201csacr\u00e1rio da pessoa\u201d, onde Deus est\u00e1 presente e se manifesta. Pela fidelidade \u00e0 voz da consci\u00eancia, os crist\u00e3os est\u00e3o unidos aos outros homens no dever de buscar a verdade, e de nela resolver os problemas morais que surgem na vida individual e social (<em>GS<\/em> 16). Nenhuma palavra externa substitui a reflex\u00e3o e o ju\u00edzo da pr\u00f3pria consci\u00eancia. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica aprofunda este ensinamento e cita o cardeal Newman: \u201ca consci\u00eancia \u00e9 o primeiro de todos os vig\u00e1rios de Cristo\u201d (n.1778). \u00c9 ela quem primeiro representa Cristo para o fiel. A vida espiritual e a reflex\u00e3o muito ajudam o fiel a ouvir a voz do Senhor e a discernir os seus sinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, o papa Bento XVI afirmou que o cristianismo n\u00e3o \u00e9 um conjunto de proibi\u00e7\u00f5es, mas uma op\u00e7\u00e3o positiva. E acrescentou que \u00e9 muito importante evidenciar isso novamente, porque essa consci\u00eancia hoje quase desapareceu completamente (BENTO XVI, 2006). \u00c9 muito bom que um Papa tenha reconhecido isto, pois h\u00e1 no cristianismo uma hist\u00f3ria multissecular de insist\u00eancia na proibi\u00e7\u00e3o, no pecado, na culpa, na amea\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o e no medo. Pode-se falar de uma \u201cpastoral do medo\u201d, que com veem\u00eancia culpabiliza as pessoas e as amea\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o eterna para obter a sua convers\u00e3o. Isto n\u00e3o se restringe ao passado. Ainda hoje, em diversas igrejas e ambientes crist\u00e3os, muitos interpretam a doutrina de maneira extremamente restritiva e condenat\u00f3ria, com obsess\u00e3o pelo pecado, sobretudo a respeito de sexo. As proibi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 mensagem crist\u00e3 frequentemente repercutem mais do que o seu conte\u00fado positivo. Isto se observa tanto dentro da Igreja, entre os fi\u00e9is, quanto fora, entre os que a criticam. H\u00e1 um foco excessivo na proibi\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental buscar na mensagem crist\u00e3 o seu componente positivo, para que ela seja boa nova, Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Francisco segue esta linha com determina\u00e7\u00e3o. Ele diz que \u201co an\u00fancio do amor salv\u00edfico de Deus precede a obriga\u00e7\u00e3o moral e religiosa. Hoje, por vezes, parece que prevalece a ordem inversa\u201d (FRANCISCO, 2013c). Este an\u00fancio deve concentrar-se no essencial, que \u00e9 tamb\u00e9m o que mais apaixona e atrai, procurando curar todo tipo de ferida e fazer arder o cora\u00e7\u00e3o, como o dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas que se encontraram com Cristo ressuscitado. A proposta evang\u00e9lica deve ser mais simples, profunda e irradiante. \u00c9 desta proposta que v\u00eam depois as consequ\u00eancias morais. Nesta perspectiva, o confession\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma sala de tortura, mas um lugar de miseric\u00f3rdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos (FRANCISCO, 2013c).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e nos salva, reconhecendo-o nos outros e saindo de n\u00f3s mesmos para procurar o bem de todos. A Igreja n\u00e3o deve ser uma alf\u00e2ndega dos sacramentos, mas a casa paterna onde h\u00e1 lugar para todos que enfrentam fadigas em suas vidas. Todos podem participar da vida eclesial e fazer parte da comunidade. A Eucaristia, plenitude da vida sacramental, n\u00e3o \u00e9 um pr\u00eamio para os perfeitos, mas um rem\u00e9dio generoso e um alimento para os que necessitam de for\u00e7as (<em>EG<\/em> 39 e 47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conhecimento da verdade \u00e9 progressivo, observa o papa. A compreens\u00e3o do homem muda com o tempo, e sua consci\u00eancia se aprofunda. Recorde-se o tempo em que a escravatura era aceita e a pena de morte era admitida sem nenhum problema. Os exegetas e os te\u00f3logos, como tamb\u00e9m as outras ci\u00eancias e a sua evolu\u00e7\u00e3o, ajudam a Igreja a amadurecer o pr\u00f3prio ju\u00edzo. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 normas e preceitos eclesiais secund\u00e1rios que em outros tempos foram eficazes, mas que hoje perderam valor ou significado. Uma vis\u00e3o da doutrina da Igreja como um bloco monol\u00edtico a ser defendido sem matizes \u00e9 errada (FRANCISCO, 2013c). Portanto, os fi\u00e9is crist\u00e3os, incluindo os LGBT, devem procurar ser adultos na f\u00e9, atentos \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias que ajudam a Igreja a amadurecer seu ju\u00edzo. Eles n\u00e3o devem se encapsular em posturas intransigentes avessas \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica e ao di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio afirma que h\u00e1 uma ordem ou hierarquia de verdades no ensinamento da Igreja, segundo o seu nexo com o fundamento da f\u00e9 crist\u00e3. Alguns conte\u00fados s\u00e3o mais importantes por estarem estreitamente ligados a este fundamento. Outros, por sua vez, s\u00e3o menos importantes por estarem menos ligados a ele (<em>UR<\/em> 11). Para Francisco, esta ordem \u00e9 v\u00e1lida tanto para os dogmas de f\u00e9 como para os demais ensinamentos da Igreja, incluindo a sua mensagem moral. Nesta, h\u00e1 uma\u00a0hierarquia\u00a0nas virtudes e a\u00e7\u00f5es. A miseric\u00f3rdia \u00e9 a maior das virtudes. As obras de amor ao pr\u00f3ximo s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o externa mais perfeita da gra\u00e7a interior do Esp\u00edrito. Os preceitos dados por Cristo e pelos Ap\u00f3stolos ao povo de Deus s\u00e3o pouqu\u00edssimos. E os preceitos adicionados posteriormente pela Igreja devem ser exigidos com modera\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o tornar pesada a vida aos fi\u00e9is e nem transformar a religi\u00e3o numa escravid\u00e3o (<em>EG<\/em> 36-37 e 43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta moral matizada que o papa exp\u00f5e, tem grande import\u00e2ncia o bem poss\u00edvel. Sem diminuir o valor do ideal evang\u00e9lico, \u00e9 preciso acompanhar, com miseric\u00f3rdia e paci\u00eancia, as poss\u00edveis etapas de crescimento das pessoas, que v\u00e3o se construindo dia a dia. Um pequeno passo no meio de grandes limita\u00e7\u00f5es humanas pode ser mais agrad\u00e1vel a Deus do que uma vida externamente correta, de quem n\u00e3o enfrenta maiores dificuldades. A consola\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a do amor salvador de Deus devem chegar a todos. Deus opera misteriosamente em cada pessoa, para al\u00e9m dos seus defeitos e das suas quedas. Um cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1rio n\u00e3o renuncia ao bem poss\u00edvel, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada (EG 44-45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A moral sexual tem como uma de suas principais refer\u00eancias o mandamento do Dec\u00e1logo \u201cn\u00e3o pecar contra a castidade\u201d. Originalmente, o mandamento \u00e9 \u201cn\u00e3o cometer\u00e1s adult\u00e9rio\u201d (Ex 20,14), mas a catequese crist\u00e3 nele incorporou outros ensinamentos b\u00edblicos e tradicionais relativos \u00e0 sexualidade. O Catecismo define hoje a castidade primeiramente como a integra\u00e7\u00e3o da sexualidade na pessoa, na sua unidade de corpo e alma (n.2337). Esta integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho gradual, um crescimento pessoal em etapas, que passa por fases marcadas pela imperfei\u00e7\u00e3o e at\u00e9 pelo pecado (n.2343). A gradualidade na aplica\u00e7\u00e3o da lei moral \u00e9 quase desconhecida em muitos ambientes cat\u00f3licos, e por isso deveria ser amplamente ensinada. Muitas vezes h\u00e1 o triunfo do tudo ou nada, fruto de um radicalismo est\u00e9ril, e n\u00e3o a busca do bem poss\u00edvel. E s\u00f3 pode haver uma integra\u00e7\u00e3o bem-sucedida se a pessoa viver em paz com a sua pr\u00f3pria sexualidade, amando o seu semelhante e a si mesma. Os caminhos e as condutas neste campo n\u00e3o podem prescindir jamais desta integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma carta pastoral da C\u00faria Romana afirma que nenhum ser humano \u00e9 um mero homo ou heterossexual. Ele \u00e9, acima de tudo, criatura de Deus e destinat\u00e1rio de sua gra\u00e7a, que o torna filho de Deus e herdeiro da vida eterna (CDF, 1986, n.16). Isto tamb\u00e9m vale para o restante da diversidade sexual. Seja a pessoa LGBT ou n\u00e3o, ela \u00e9 criatura divina, destinada a participar da vida em Cristo e da sua salva\u00e7\u00e3o. A carta acrescenta que toda viol\u00eancia f\u00edsica ou verbal contra pessoas homossexuais \u00e9 deplor\u00e1vel, merecendo a condena\u00e7\u00e3o dos pastores da Igreja onde quer que se verifique. Os atos homossexuais, por sua vez, s\u00e3o considerados intrinsecamente desordenados e, como tais, n\u00e3o podem ser aprovados em nenhum caso. Sobre a culpabilidade da pessoa, por\u00e9m, deve haver prud\u00eancia no julgamento. S\u00e3o reconhecidos certos casos em que a tend\u00eancia homossexual n\u00e3o \u00e9 fruto de op\u00e7\u00e3o deliberada da pessoa, e que esta pessoa n\u00e3o tem alternativa e \u00e9 compelida a se comportar de modo homossexual. Por conseguinte, em tal situa\u00e7\u00e3o ela age sem culpa. Alerta-se para o risco de generaliza\u00e7\u00f5es, mas podem existir circunst\u00e2ncias que reduzem ou at\u00e9 mesmo eliminam a culpa da pessoa (CDF, 1986, n.10, 3 e 11). Nesta situa\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o se pode dizer jamais que a pessoa est\u00e1 em pecado mortal e que deve se afastar dos sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 simples propor aos LGBT viverem a castidade no celibato. Como a castidade \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o da sexualidade na pessoa, na sua unidade de corpo e alma, n\u00e3o se deve anular a pessoa afetiva e humanamente. Na forma\u00e7\u00e3o para o sacerd\u00f3cio, por exemplo, ensina-se que o caminho formativo deve ser interrompido no caso de um candidato ter excessiva dificuldade com o celibato, \u201cvivido como uma obriga\u00e7\u00e3o t\u00e3o penosa a ponto de comprometer o equil\u00edbrio afetivo e relacional\u201d (CEC, 2007, n.10). Esta norma \u00e9 s\u00e1bia. \u00c9 algo que conv\u00e9m tamb\u00e9m aos religiosos de congrega\u00e7\u00f5es e aos fi\u00e9is leigos, incluindo pessoas homossexuais e trans. N\u00e3o se deve viver o celibato a qualquer pre\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As confer\u00eancias episcopais tamb\u00e9m trazem contribui\u00e7\u00f5es importantes \u00e0 pastoral, que s\u00e3o fruto de reflex\u00f5es e pr\u00e1ticas contextualizadas em diferentes realidades com suas necessidades e urg\u00eancias. Francisco menciona um documento dos bispos franceses sobre o reconhecimento civil da uni\u00e3o homossexual (<em>EG<\/em> 66, nota 60). Eles se opuseram \u00e0 lei que equipara totalmente esta uni\u00e3o \u00e0 uni\u00e3o heterossexual. Mas n\u00e3o s\u00f3. Os bispos repudiam a homofobia, e felicitam a evolu\u00e7\u00e3o do direito que hoje condena toda discrimina\u00e7\u00e3o e incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio em raz\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual. Reconhecem que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para a pessoa homossexual assumir a sua condi\u00e7\u00e3o, pois os preconceitos s\u00e3o duradouros e as mentalidades s\u00f3 mudam lentamente, inclusive nas comunidades e nas fam\u00edlias cat\u00f3licas. Estas fam\u00edlias s\u00e3o chamadas a acolher toda a pessoa como filha de Deus, qualquer que seja a sua situa\u00e7\u00e3o. E numa uni\u00e3o dur\u00e1vel entre pessoas do mesmo sexo, para al\u00e9m do aspecto meramente sexual, a Igreja estima o valor da solidariedade, da liga\u00e7\u00e3o sincera, da aten\u00e7\u00e3o e do cuidado com o outro (CEF, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes passos s\u00e3o muito importantes. Se n\u00e3o h\u00e1 um ambiente livre de hostilidade que possibilite \u00e0s pessoas homossexuais assumirem a sua condi\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 qualquer reconhecimento social ou estima pelas uni\u00f5es entre indiv\u00edduos do mesmo sexo, a homofobia presente na sociedade as leva a contra\u00edrem uni\u00f5es heterossexuais para fugirem do preconceito. Isto acontece h\u00e1 s\u00e9culos e traz muito sofrimento \u00e0s pessoas envolvidas. \u00c9 necess\u00e1rio p\u00f4r fim a esta situa\u00e7\u00e3o opressiva. Conforme o direito eclesi\u00e1stico, o sacramento do matrim\u00f4nio nestas circunst\u00e2ncias \u00e9 inv\u00e1lido (CDC, C\u00e2n. 1095, n.3). \u00c9 preciso que os fi\u00e9is saibam disto. A uni\u00e3o heterossexual n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para a pessoa homossexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os bispos brasileiros t\u00eam um documento sobre a renova\u00e7\u00e3o pastoral das par\u00f3quias, em que se contemplam as novas situa\u00e7\u00f5es familiares com realismo e abertura, incluindo as uni\u00f5es do mesmo sexo. Os bispos reconhecem que, nas par\u00f3quias, participam pessoas unidas sem o v\u00ednculo sacramental e outras em segunda uni\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m as que vivem sozinhas sustentando os filhos, av\u00f3s que criam netos e tios que sustentam sobrinhos. H\u00e1 crian\u00e7as adotadas por pessoas solteiras ou do mesmo sexo, que vivem em uni\u00e3o est\u00e1vel. Os bispos exortam a Igreja, fam\u00edlia de Cristo, a acolher com amor todos os seus filhos. Conservando o ensinamento crist\u00e3o sobre a fam\u00edlia, \u00e9 necess\u00e1rio usar de miseric\u00f3rdia. Constata-se que muitos se afastaram e continuam se afastando das comunidades porque se sentiram rejeitados, porque a primeira orienta\u00e7\u00e3o que receberam consistia em proibi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o em viver a f\u00e9 em meio \u00e0 dificuldade. Na renova\u00e7\u00e3o paroquial, deve haver convers\u00e3o pastoral para n\u00e3o se esvaziar a Boa Nova anunciada pela Igreja e, ao mesmo tempo, n\u00e3o deixar de se atender \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es da vida familiar. \u201cAcolher, orientar e incluir\u201d nas comunidades os que vivem em outras configura\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o desafios inadi\u00e1veis (CNBB, 2014, n.217-218).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 Palavras e gestos prof\u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>O S\u00ednodo dos Bispos sobre a fam\u00edlia gerou um debate amplo e fecundo, e teve como fruto uma exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal do papa. Ele reitera o seu apelo \u00e0 Igreja de ir ao encontro dos que vivem nas mais variadas periferias existenciais. A Igreja \u00e9 chamada a conformar a sua a\u00e7\u00e3o \u00e0 de Cristo, que em um amor sem fronteiras ofereceu-se por todos sem exce\u00e7\u00e3o. Aos que manifestam a orienta\u00e7\u00e3o homossexual, deve-se assegurar um acompanhamento respeitoso para que possam dispor dos aux\u00edlios necess\u00e1rios para compreender e realizar a vontade de Deus em suas vidas (AL 312 e 250). Francisco faz um alerta incisivo contra o moralismo que muitas vezes reina em ambientes crist\u00e3os e na hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica, visando fomentar o devido respeito \u00e0 consci\u00eancia e \u00e0 autonomia dos fi\u00e9is:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0(&#8230;) nos custa dar espa\u00e7o \u00e0 consci\u00eancia dos fi\u00e9is, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites, e s\u00e3o capazes de realizar o seu pr\u00f3prio discernimento perante situa\u00e7\u00f5es onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consci\u00eancias, n\u00e3o a pretender substitu\u00ed-las. (<em>AL<\/em> 37)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Al\u00e9m desta palavra oportuna, o papa fez um gesto surpreendente em 2015, recebendo em sua casa a visita do transexual espanhol Diego Neria e de sua companheira. A hist\u00f3ria de Diego \u00e9 emblem\u00e1tica da condi\u00e7\u00e3o transexual, do preconceito atroz e do seu enfrentamento. Ele nasceu com corpo de mulher, mas desde crian\u00e7a sentia-se homem. No Natal, escrevia aos reis magos pedindo como presente tornar-se menino. Ao crescer, resignou-se \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o. \u201cMinha pris\u00e3o era meu pr\u00f3prio corpo, porque n\u00e3o correspondia absolutamente ao que minha alma sentia\u201d, confessa. Diego escondia esta realidade o quanto podia. Sua m\u00e3e pediu-lhe que n\u00e3o mudasse o seu corpo enquanto ela vivesse. E ele acatou este desejo at\u00e9 a morte dela. Quando ela morreu, Diego tinha 39 anos. Um ano depois, ele come\u00e7ou o tratamento transexualizador. Na igreja que frequentava, despertou a indigna\u00e7\u00e3o das pessoas: \u201ccomo se atreve a entrar aqui na sua condi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 digno\u201d. Certa vez, chegou a ouvir de um padre: \u201cVoc\u00ea \u00e9 filha do diabo\u201d! Mas, felizmente, ele teve o apoio do bispo de sua diocese, que lhe deu \u00e2nimo e consolo. Isto encorajou Diego a escrever ao papa Francisco e a pedir um encontro com ele. O papa o recebeu e o abra\u00e7ou no Vaticano, na presen\u00e7a da sua companheira. Hoje, Diego Neria \u00e9 um homem em paz (HERN\u00c1NDEZ, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorreram outros encontros do papa com LGBT, como a visita a um pres\u00eddio na It\u00e1lia, em que ele teve uma refei\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa na companhia de presos transexuais. Nos Estados Unidos, Francisco se encontrou, na nunciatura apost\u00f3lica, com seu antigo aluno e amigo gay Yayo Grassi, e com o companheiro dele. Grassi j\u00e1 tinha apresentado o seu companheiro ao papa dois anos antes. Este relacionamento homoafetivo nunca foi problema na amizade entre Grassi e o papa (GRASSI, 2015). Sobre os encontros que teve com pessoas homossexuais, transexuais e seus respectivos companheiros, o papa comentou: \u201cas pessoas devem ser acompanhadas como as acompanha Jesus. (&#8230;) em cada caso, acolh\u00ea-la, acompanh\u00e1-la, estud\u00e1-la, discernir e integr\u00e1-la. Isto \u00e9 o que Jesus faria hoje\u201d (FRANCISCO, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gestos como estes do papa valem mais que mil palavras. Se todas as fam\u00edlias que t\u00eam filhos ou parentes LGBT fizessem o mesmo, recebendo-os em casa com seus companheiros, muitos problemas e dramas humanos seriam resolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>5 Caminhos a percorrer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>A realidade dos LGBT \u00e9 complexa e delicada, traz apelos urgentes e constitui um desafio \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. A leitura cr\u00edtica da Sagrada Escritura, a devida aten\u00e7\u00e3o aos resultados das ci\u00eancias, os diversos matizes da moral e a fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia s\u00e3o elementos que tornam o ensinamento da Igreja um conte\u00fado rico e din\u00e2mico na vida dos fi\u00e9is. Estes elementos podem ajudar muito a a\u00e7\u00e3o evangelizadora junto \u00e0quela popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se deve buscar no ensinamento da Igreja, e nem mesmo na B\u00edblia, um manual de instru\u00e7\u00f5es de eletrodom\u00e9stico ou um c\u00f3digo moral completo, universal e imut\u00e1vel. Muitas vezes se fazem cita\u00e7\u00f5es descontextualizadas da B\u00edblia e simplifica\u00e7\u00f5es indevidas da doutrina, com extrema rigidez e um terr\u00edvel \u00edmpeto condenat\u00f3rio dirigido aos LGBT. Alguns falam de \u201ctextos do terror\u201d ou de \u201cbalas b\u00edblicas\u201d usadas contra estas pessoas. A prega\u00e7\u00e3o, em vez de curar feridas e aquecer o cora\u00e7\u00e3o, traz mais devasta\u00e7\u00e3o, e a Palavra do Deus da vida se torna palavra de morte. N\u00e3o se deve jamais tratar estes indiv\u00edduos como endemoninhados a serem exorcizados, ou submet\u00ea-los \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de \u201ccura e liberta\u00e7\u00e3o\u201d para mudarem a sua condi\u00e7\u00e3o ou identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Igreja Cat\u00f3lica, hoje, h\u00e1 diferentes tipos de apostolado junto aos LGBT. Um deles \u00e9 o grupo <em>Courage<\/em>, apoiado pela Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos dos Estados Unidos, que desaconselha pessoas homossexuais a se definirem primeiramente pela sua inclina\u00e7\u00e3o sexual, bem como de participarem de \u201csubculturas gays\u201d, que tendem a promover um estilo de vida imoral (USCCB, 2006, p.22 e nota 44). H\u00e1 outros grupos cuja \u00eanfase \u00e9 a inclus\u00e3o e a cidadania dos LGBT na Igreja e na sociedade, a cura das feridas, o crescimento na f\u00e9 e o respeito pela consci\u00eancia nas escolhas de vida. Estes grupos formaram a Rede Global de Cat\u00f3licos Arco-\u00edris (GNRC, 2015). A Diocese de Westminster (Inglaterra), que abrange a cidade de Londres, possui a Capelania LGBT (<em>LGBT Chaplaincy<\/em>) para atendimento pastoral a estes fi\u00e9is. As Arquidioceses de Santiago, Chile (ALDEA, 2013), e de Belo Horizonte (CIPRIANI, 2017) possuem a Pastoral da Diversidade Sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faltam diverg\u00eancias e conflitos a respeito da diversidade sexual e de g\u00eanero. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esperar a sua resolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 posi\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas j\u00e1 legitimadas que podem ser adotadas e difundidas. A descriminaliza\u00e7\u00e3o da homossexualidade e da transexualidade no mundo inteiro deve ser defendida com vigor, bem como o enfrentamento da viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e simb\u00f3lica feita aos LGBT. O exemplo do papa Francisco, recebendo-os em sua casa com seus companheiros, deve ser seguido. \u00c9 atrav\u00e9s deste acolhimento que o verdadeiro encontro se torna poss\u00edvel, dando \u00e0s pessoas a oportunidade de se conhecer mutuamente e de interagir positivamente, sem escamotear realidades vitais e sem deixar que o preconceito e o medo criem fantasmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher, orientar e incluir, como diz a CNBB sobre as novas configura\u00e7\u00f5es familiares, \u00e9 uma ponte que conduz \u00e0s periferias existenciais. N\u00e3o faltam \u00e0 Igreja recursos te\u00f3ricos e testemunhos marcantes para pregar a Palavra de Deus de maneira adaptada \u00e0 realidade dos povos, a fim de que a vida em Cristo seja comunicada, as feridas curadas e os cora\u00e7\u00f5es aquecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, uma senhora devota me procurou desconsolada por descobrir que seu filho era gay. Tivemos uma boa conversa, e eu lhe recomendei o filme <em>Ora\u00e7\u00f5es para Bobby<\/em> <span style=\"color: #000000;\">(<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Russell_Mulcahy\">MULCAHY<\/a><\/span>, 2009).\u00a0Tempos depois, ela me disse exultante: \u201cJesus tirou o preconceito do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d! De fato, Jesus age na vida das pessoas e liberta do preconceito. O seu Esp\u00edrito impele a Igreja a transpor as estruturas caducas, externas e internas, incapazes de acolhimento. Os disc\u00edpulos de Jesus devem acolher com amor pessoas homossexuais e trans para manifestar ao mundo o rosto do seu mestre, e alegrar-se com as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus Pai. Se muitos LGBT sentem que precisam da Igreja, cabe reconhecer que ela tamb\u00e9m precisa deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima, SJ<\/em>. PUC-Rio. Texto original em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>ALDEA, S. La pastoral de la diversidad sexual. <em>Paula<\/em>, 8 mai 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.paula.cl&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. Entrevista de Bento XVI em previs\u00e3o de sua viagem \u00e0 Baviera (I). 16\/8\/2006. Dispon\u00edvel em: &lt;www.zenit.org&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>CDC<\/em> <em>(C\u00f3digo de direito can\u00f4nico)<\/em>. 1983. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\">www.vatican.va<\/a>. Acesso em: 20 dez 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CEC (Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica).\u00a0<em>Orienta\u00e7\u00f5es para a utiliza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias psicol\u00f3gicas na admiss\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o dos candidatos ao sacerd\u00f3cio<\/em>. 2007. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\">www.vatican.va<\/a>&gt;. Acesso em\u00a0: 20 dez 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CEF (Conf\u00e9rence des \u00c9v\u00eaques de France).<em> Elargir le mariage aux personnes de m\u00eame sexe? <\/em><em>Ouvrons le d\u00e9bat!<\/em>\u00a02012. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.eglise.catholique.fr\">www.eglise.catholique.fr<\/a> Acesso em: 20 dez 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CDF (Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9).\u00a0<em>Homosexualitatis problema<\/em>: sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais. 1986. Dispon\u00edvel em: &lt;www.vatican.va&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CIPRIANI, J. Santu\u00e1rio S\u00e3o Judas Tadeu tem primeira Pastoral da Diversidade Sexual de BH. <em>Estado de Minas<\/em>, 12 jun 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.em.com.br&gt;. Acesso em: 18 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil).\u00a0<em>Comunidade de comunidades<\/em>: uma nova par\u00f3quia. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Homilia<\/em>. 19 mai 2013a. Dispon\u00edvel em: &lt;w2.vatican.va&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Encontro do santo padre com os jornalistas durante o voo de regresso<\/em>. 28 jul 2013b. Dispon\u00edvel em: &lt;w2.vatican.va&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. Entrevista exclusiva do papa Francisco \u00e0s revistas dos jesu\u00edtas. <em>Brot\u00e9ria<\/em>. 19 ago 2013c. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.diocese-porto.pt&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Confer\u00eancia de imprensa do santo padre\u00a0durante o voo Baku-Roma<\/em>. 2 out 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;w2.vatican.va&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GNRC (GLOBAL NETWORK OF RAINBOW CATHOLICS). 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;rainbowcatholics.org&gt;. Acesso em 12 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRASSI, Y. Em Francisco, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a homofobia. Entrevista com Yayo Grassi, o ex-aluno gay do papa. 6 out 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;www.ihu.unisinos.br&gt;. Acesso em 14 nov 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JESUS, J. <em>Orienta\u00e7\u00f5es sobre identidade de g\u00eanero<\/em>: conceitos e termos. Bras\u00edlia, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;www.sertao.ufg.br&gt;. Acesso em: 15 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HERN\u00c1NDEZ, A. El bendito encuentro entre Francisco y Diego. 26 jan 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;www.hoy.es&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LANCELLOTTI, J. <em>Postagem<\/em>. 9 jun 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;www.facebook.com\/AmigoseTribos&gt;. Acesso em 20 nov 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Russell_Mulcahy\">MULCAHY<\/a>,<\/span> R. <em>Ora\u00e7\u00f5es para Bobby<\/em> (filme). EUA, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;www.youtube.com&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00cdNODO DOS BISPOS.\u00a0<em>Os desafios pastorais sobre a fam\u00edlia no contexto da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em>: documento de prepara\u00e7\u00e3o. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;www.vatican.va&gt;. Acesso em: 15 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">USCCB (UNITED STATES CONFERENCE OF CATHOLIC BISHOPS). <em>Ministry to persons with a homosexual inclination<\/em>: guidelines for pastoral care. Washington, 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;www.usccb.org&gt;. Acesso em: 12 nov 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>VIDE, S. M. Constitui\u00e7\u00f5es primeiras do arcebispado da Bahia<\/em>\u00a0(1707). Bras\u00edlia: Senado Federal, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para aprofundar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALISON, J. <em>Una fe mas alla del resentimiento<\/em>: fragmentos catolicos en clave gay. Barcelona: Herder, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____<em>. F\u00e9 al\u00e9m do ressentimento<\/em>: fragmentos cat\u00f3licos em voz gay. S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BESSON, C. <em>Homossexuais cat\u00f3licos<\/em>: como sair do impasse. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EMPEREUR, J. <em>Dire\u00e7\u00e3o espiritual e homossexualidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GAMBERINI, P. Parejas homosexuales: vivir, sentir y pensar de los creyentes.\u00a0<em>Selecciones de Teolog\u00eda<\/em>, n.216, 2015, p.267-280. Dispon\u00edvel em: &lt;www.seleccionesdeteologia.net&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOERTZ, S. Una forma de amor: para un cambio de perspectivas en la valoraci\u00f3n de la homosexualidad. <em>Selecciones de Teolog\u00eda<\/em>, n.215, 2015, p.163-170. Dispon\u00edvel em: &lt;www.seleccionesdeteologia.net&gt;. Acesso em: 20 nov 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUNG, P.; CORAY, J. (org.). <em>Diversidade sexual e catolicismo<\/em>: para o desenvolvimento da teologia moral<em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MUSSKOPF, A. <em>Via(da)gens teol\u00f3gicas<\/em>: itiner\u00e1rios para uma teologia queer no Brasil. S\u00e3o Paulo: Fonte, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POPE, S. Argumentos del magisterio contra los \u201cmatrimonios homosexuales\u201d: un an\u00e1lisis \u00e9tico y cr\u00edtico. <em>Selecciones de Teolog\u00eda<\/em>, n.180, 2006, p.342-356. Dispon\u00edvel em: &lt;www.seleccionesdeteologia.net&gt;. Acessso em 15 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Site do Grupo de Pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religi\u00e3o da PUC-Rio: &lt;www.diversidadesexual.com.br&gt;. Acesso em: 20 dez 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIDAL, M. <em>Sexualidade e condi\u00e7\u00e3o homosexual na moral crist\u00e3<\/em>. Aparecida: Santu\u00e1rio, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Sexualidad y cristianismo<\/em>: orientaciones \u00e9ticas y perspectivas sobre la homosexualidad. Madri: El Perpetuo Socorro, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIDAL, M.; GAFO, J. et al<em>.<\/em>. <em>Homosexualidad<\/em>: ciencia y consciencia. Santander: Sal Terrae, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Homossexualidade<\/em>: ci\u00eancia e consci\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1985.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Um novo contexto na sociedade e na Igreja 2 A B\u00edblia e a hist\u00f3ria 3 O ensinamento moral da Igreja em perspectiva inclusiva 4 Palavras e gestos prof\u00e9ticos 5 Caminhos a percorrer 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Um novo contexto na sociedade e na Igreja \u00a0Quando o papa Francisco retornou do Brasil a Roma, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1493"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1594,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1493\/revisions\/1594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}