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{"id":1477,"date":"2017-12-23T17:35:20","date_gmt":"2017-12-23T19:35:20","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1477"},"modified":"2018-04-21T17:16:16","modified_gmt":"2018-04-21T20:16:16","slug":"creio-na-ressurreicao-da-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1477","title":{"rendered":"Creio na Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e a nossa ressurrei\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Fundamentos e caracter\u00edsticas da ressurrei\u00e7\u00e3o segundo S\u00e3o Paulo (1Cor 15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne: antecedentes hist\u00f3rico-dogm\u00e1ticos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 S\u00edntese sistem\u00e1tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 A ressurrei\u00e7\u00e3o da carne implica a salva\u00e7\u00e3o da totalidade humana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria-social<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>1 A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e a nossa ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>A comunidade crist\u00e3 celebra e continua proclamando ao mundo que Jesus de Nazar\u00e9, o crucificado, ressuscitou. Com esta mensagem sem precedentes culminam os quatro Evangelhos do Novo Testamento (Mt 28,5-7; Mc 16,5-7; Lc 24,4-7; Jo 20,12-13). Cristo ressuscitou vencendo a morte e sua vit\u00f3ria \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o daqueles que morreram, ensina S\u00e3o Paulo quando reflete sobre a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o (1Cor 15,20). \u201cE, se Cristo n\u00e3o ressuscitou, logo \u00e9 v\u00e3 a nossa prega\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e3 a vossa f\u00e9\u201d (1Cor 15,14). A comunidade apost\u00f3lica ensina que Jesus, o Nazareno, que \u201candou fazendo bem\u201d (At 10,38) e realizando v\u00e1rios sinais, anunciando o reinado de Deus, foi condenado \u00e0 morte numa cruz, pendurado em uma \u00e1rvore, e esse mesmo Jesus foi ressuscitado por Deus e constitu\u00eddo <em>Kyrios<\/em> e Cristo, Senhor e Messias (At 2,14-36; 3,12-26; 4,8-12; 10,34-43; 13,16-41). Jesus \u00e9 o Senhor (<em>Kyrios<\/em>) e Cristo porque o pr\u00f3prio Deus o ressuscitou no Esp\u00edrito. Pelo mesmo motivo, desde o in\u00edcio da f\u00e9 crist\u00e3 existe a convic\u00e7\u00e3o que Deus antecipou em uma pessoa concreta, no Nazareno, o evento escatol\u00f3gico fundamental: a supera\u00e7\u00e3o definitiva e permanente da morte, o Crucificado ressuscitou. No Cristo ressuscitado, todas as promessas de Deus s\u00e3o cumpridas e, portanto, ele \u00e9 constitu\u00eddo Senhor da vida e da hist\u00f3ria humana, fundamento da nossa esperan\u00e7a e da nossa futura ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Jesus viveu \u00e9 uma esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s: \u201cporque se voc\u00ea confessar com a sua boca que Jesus \u00e9 Senhor e crer em seu cora\u00e7\u00e3o que Deus o ressuscitou dentre os mortos, ser\u00e1 salvo\u201d (Rm 10,9). Por esta raz\u00e3o, celebramos e fazemos festa na\u00a0 permanente liturgia e louvor da Igreja, porque a morte j\u00e1 n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. Nossa vida n\u00e3o \u00e9 mais a cr\u00f4nica de uma morte anunciada, mas, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma vida na qual j\u00e1 experimentamos o amor de Deus e sua presen\u00e7a constante, e onde por sua gra\u00e7a se podem antecipar sinais de alegria, paz, fraternidade e justi\u00e7a que um dia viveremos plenamente. A esperan\u00e7a de uma vida eterna, de uma felicidade ilimitada, de uma comunh\u00e3o plena de vida e amor com Deus e com todos os bem-aventurados j\u00e1 tem seu fundamento em Jesus Cristo ressuscitado. \u201cE, se o Esp\u00edrito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em v\u00f3s, aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos tamb\u00e9m dar\u00e1 vida a vossos corpos mortais, por meio do seu Esp\u00edrito, que habita em v\u00f3s\u201d (Rm 8,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Fundamentos e caracter\u00edsticas da ressurrei\u00e7\u00e3o de acordo com S\u00e3o Paulo (1Cor 15)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A exegese considera que o cap\u00edtulo 15 da primeira carta aos Cor\u00edntios \u00e9 fundamental para entender o alcance da f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o. Na comunidade de Corinto, se manifestavam certas dificuldades doutrin\u00e1rias devido \u00e0 cultura do mundo grego ou a interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o. O mundo grego podia admitir facilmente a ideia de uma imortalidade da alma, mas teve s\u00e9rias dificuldades em admitir a ressurrei\u00e7\u00e3o. Para Paulo, \u201ca nega\u00e7\u00e3o de uma ressurrei\u00e7\u00e3o corporal desintegra os pr\u00f3prios fundamentos da f\u00e9 e termina com a genu\u00edna esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 pode ser uma salva\u00e7\u00e3o <em>encarnada e escatol\u00f3gica<\/em>\u201d (RUIZ DE LA PE\u00d1A, 2000, p.153).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sublinhando sua perspectiva cristoc\u00eantrica, Paulo reitera enfaticamente que o fundamento da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo; os mortos ressuscitam porque Cristo ressuscitou (vv.12-19). Na mesma linha, o Cristo ressuscitado \u00e9 chamado duas vezes de \u201cprim\u00edcias\u201d, pelo qual \u201cvem a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos\u201d (vv.20-28). Para responder \u00e0 pergunta sobre o modo da ressurrei\u00e7\u00e3o (como ressuscitou?), Paulo escolhe um caminho anal\u00f3gico. Usa a imagem da semente; Deus dar\u00e1 um corpo segundo sua vontade: a cada semente (semeada) seu corpo. Descreve, em seguida, a rela\u00e7\u00e3o entre o corpo terrestre, animado (<em>ps\u00edquico<\/em>) e o corpo do homem ressuscitado, corpo espiritual (<em>soma<\/em> <em>pneumatikon<\/em>), estabelecendo quatro ant\u00edteses delineadas nos seguintes termos: \u201cSemeia-se o corrupt\u00edvel, ressuscita incorrupt\u00edvel; semeia-se miser\u00e1vel, ressuscita o glorioso; semeia-se o d\u00e9bil, ressuscita forte; semeia-se um corpo animado, ressuscita um corpo espiritual\u201d (1Cor 15,42-44). Longe dos modelos de oposi\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o entre mat\u00e9ria e esp\u00edrito, caracter\u00edsticos do pensamento grego, o que prop\u00f5em essas ant\u00edteses \u00e9 estabelecer a continuidade e a descontinuidade entre o corpo terreno da condi\u00e7\u00e3o peregrina e o corpo dos ressuscitados. Paulo mostra e ensina que a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos s\u00f3 pode ter seu fundamento na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">se esta n\u00e3o puder ser conceitualizada ou explicada adequadamente (&#8230;) tampouco aquela. No entanto, podemos falar de nossa ressurrei\u00e7\u00e3o, em analogia com a de Cristo \u2013 como o faz Paulo \u2013 e proclam\u00e1-la como obra do poder de Deus efetuada atrav\u00e9s do Esp\u00edrito vivificante (&#8230;) Por isso, podemos esperar que vivamos \u201csempre com o Senhor\u201d e tamb\u00e9m com os demais ressuscitados. (KREMER, 1970, p.85)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Para Paulo, \u00e9 inimagin\u00e1vel a vida futura sem soma. Nas palavras de J. Gnilka \u201cnesta totalidade (soma) sentimentos, pensamentos, experi\u00eancias e a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o separados um dos outros (&#8230;) Para Paulo, o corpo \u00e9 absolutamente insepar\u00e1vel do eu humano\u201d (1970, p.133). De qualquer forma, \u00e9 um corpo que se transforma (1Cor 15,51) pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que \u201cd\u00e1 origem a um \u2018corpo espiritual\u2019, cheio de \u2018poder\u2019 e sem fraqueza, incorrupt\u00edvel e imortal\u201d, explicita A. Puig i Tarrech (2014, p. 278).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo J. Ratzinger, de acordo com o pensamento de Paulo, o modelo de interpreta\u00e7\u00e3o para entender a corporeidade do homem ressuscitado surge da experi\u00eancia do Cristo ressuscitado e da sua nova corporeidade. \u201cAo realismo fisicista n\u00e3o se contrap\u00f5e um espiritualismo, mas um realismo pneum\u00e1tico\u201d (2007, p.185). O pr\u00f3prio te\u00f3logo faz ver que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Quanto \u00e0 materialidade da ressurrei\u00e7\u00e3o, praticamente tudo permanece aberto. Sua condi\u00e7\u00e3o do totalmente diferente \u00e9 afirmada. N\u00e3o se pode dizer com certeza o que significa positivamente o seu realismo pneum\u00e1tico, que se contrap\u00f5e \u00e0s espiritualiza\u00e7\u00f5es. A ideia que, no final e, em todo caso, a <em>totalidade<\/em> da cria\u00e7\u00e3o de Deus entra na salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 t\u00e3o clara que qualquer sistematiza\u00e7\u00e3o reflexiva do material b\u00edblico deve levar essa ideia em considera\u00e7\u00e3o (cf. especialmente 1Cor 15,20-28). (RATZINGER, 2007, p.187)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Por sua vez, B. Sesbo\u00fc\u00e9, tamb\u00e9m reiterando que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 modelo exemplar e causa da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, acrescenta: \u201cA afirma\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o geral dos mortos est\u00e1 em estreita correspond\u00eancia com o interesse que Jesus mostra continuamente durante todo o seu minist\u00e9rio pelo corpo humano\u201d (2000, p.612). O que a exegese b\u00edblica quer enfatizar sobre o pensamento de Paulo \u00e9 que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0[ele] n\u00e3o postula uma corporeidade imaterial ou uma espiritualidade separada do corpo. \u00c9 uma unidade em que o material e o espiritual convergem. O pneuma \u00e9 a for\u00e7a que informa o corpo. Soma n\u00e3o designa em Paulo uma parte do homem, mas todo o homem, sua pr\u00f3pria realidade ontol\u00f3gica. \u201cCorpo espiritual\u201d, portanto, n\u00e3o significa um corpo de mat\u00e9ria et\u00e9rea, mas o homem totalmente divinizado pelo Esp\u00edrito do Senhor. (NOEMI, 1996, p.91-92).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0De fato, \u201co corpo n\u00e3o \u00e9 dado somente de modo ad\u00e2mico, de \u2018corpo animado\u2019, mas tamb\u00e9m ao modo cristol\u00f3gico devido \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, enquanto corporeidade gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo\u201d (RATZINGER, 2007, p.185).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, S\u00e3o Paulo quer superar dois extremos poss\u00edveis em seu tempo: 1) o espiritualismo grego fundado exclusivamente na imortalidade da alma, e 2) a ideia judaica de identidade quase f\u00edsica do corpo ressuscitado com o mortal. Nada sugere que o corpo ressuscitado seja entendido como reanima\u00e7\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver. Mas tampouco pode ser entendido sem o soma transformado. Em suma, existe, entre o corpo do ser humano hist\u00f3rico-peregrino e o ressuscitado, descontinuidade e tamb\u00e9m continuidade (PUIG I TARRECH, 2014, p.276-278; SESBO\u00dc\u00c9, 2000, p.610-612; KREMER, 1970, p.76-87; GNILKA, 1970, p.127-135; NOCKE, 1984, p.80-83).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne; antecedentes hist\u00f3rico-dogm\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica evidente, a partir dos antecedentes b\u00edblicos, que o essencial \u00e9 que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas o fundamento da nossa f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o corporal, mas, de fato, torna poss\u00edvel e implica a ressurrei\u00e7\u00e3o de todos os mortos no final da hist\u00f3ria. Os primeiros s\u00edmbolos da f\u00e9 refletem essa convic\u00e7\u00e3o fundamental de maneiras diferentes. Sobre isso, B. Sesbo\u00fc\u00e9, mostra que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">os dois credos crist\u00e3os usam, a esse respeito, uma linguagem algo diferente: Oriente (Niceia-Constantinopla) menciona \u201ca ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo futuro\u201d; O Ocidente, por outro lado, fala da \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne e da vida eterna\u201d. Por este termo \u201ccarne\u201d \u00e9 necess\u00e1rio compreender n\u00e3o a totalidade de nossos m\u00fasculos, mas o \u201ccorpo\u201d humano, enquanto humano e, como foi analisado aqui, de acordo com sua condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, limitada e fr\u00e1gil. A linguagem de S\u00e3o Jo\u00e3o n\u00e3o hesita diante deste termo bastante \u201ccru\u201d de \u201ccarne\u201d. \u00c9 por isso que ele diz: \u201cA Palavra se tornou carne\u201d (Jo 1,14), isto \u00e9, assumiu verdadeiramente nossa condi\u00e7\u00e3o humana corporal e carnal. (2000, p.611)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Para refutar e se distanciar das redu\u00e7\u00f5es espiritualizantes da categoria \u201ccorpo espiritual\u201d, que surgiram com os crist\u00e3os do segundo s\u00e9culo sob influ\u00eancia gn\u00f3stica, come\u00e7ou-se a usar a express\u00e3o \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d. Os especialistas mostram que, por esta raz\u00e3o, teria sido inclu\u00edda no antigo s\u00edmbolo romano para neutralizar as interpreta\u00e7\u00f5es espiritualistas de tipo dualista e a mesma raz\u00e3o explica que a f\u00f3rmula tenha sido transferida e mantida em muitos credos. C. Pozo observa que \u201cinclusive deve se reconhecer uma progressiva acentua\u00e7\u00e3o do realismo nas f\u00f3rmulas da f\u00e9: da f\u00f3rmula \u2018ressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u2019, se come\u00e7a posteriormente a sublinhar que a ressurrei\u00e7\u00e3o se far\u00e1 \u2018nesta carne em que vivemos agora\u2019 (<em>Fides Damasi<\/em>, DH 72)\u201d (1993, p.42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J. Ratzinger, em seu livro <em>Escatologia<\/em>, e depois de estudar o uso da f\u00f3rmula \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d nos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos (recolhendo as contribui\u00e7\u00f5es de Irineu de Lyon e Justino em pol\u00eamica com o gnosticismo de Valentin), conclui que \u201cno final, ficou claro que a \u2018ressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u2019 significa a ressurrei\u00e7\u00e3o das criaturas apenas na suposi\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m signifique a ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo\u201d (RATZINGER, 2007, p.191). Diante do risco de gnosticismo e dualismo, a defesa e valoriza\u00e7\u00e3o da \u201ccarne\u201d, como uma express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da corporeidade e integridade do ser humano, tornou-se, nos primeiros s\u00e9culos, uma quest\u00e3o crucial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os Padres, Irineu de Lyon e Tertuliano destacam-se por sua manifesta op\u00e7\u00e3o nesse esfor\u00e7o e valorizam a salva\u00e7\u00e3o da carne como central para a f\u00e9 e a esperan\u00e7a crist\u00e3s<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Comentando o mesmo texto <em>Sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne<\/em>, de Tertuliano<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que em outro lugar se refere \u00e0 carne como \u201ca irm\u00e3 de Cristo\u201d e ressalta que Deus \u201cama a carne\u201d, Sesbo\u00fc\u00e9 observa que este escrito:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">traz a marca dos acentos cordiais de um crist\u00e3o do in\u00edcio do terceiro s\u00e9culo: nossa \u201ccarne\u201d \u00e9 a <em>irm\u00e3 de Cristo<\/em>. Se salvar\u00e1 na ressurrei\u00e7\u00e3o, como na de Cristo, com o mesmo direito que tudo o que faz parte da nossa condi\u00e7\u00e3o concreta, e com a mesma continuidade e a mesma descontinuidade entre nosso estado atual e nosso estado futuro (2000, p.613).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confrontado com o dualismo, o Magist\u00e9rio sempre ensinou que os mortos ressuscitar\u00e3o com seus pr\u00f3prios corpos. Ainda ecoam as palavras do XI Conselho de Toledo no ano 675: \u201cacreditamos que ressuscitaremos, n\u00e3o em uma carne a\u00e9rea ou de qualquer outro tipo como alguns deliram, mas nesta em que vivemos, subsistimos e trabalhamos\u201d (DH 540). Ou seja, ressuscita um corpo humano e o mesmo corpo humano (identidade espec\u00edfica e num\u00e9rica) transfigurado, corpo glorioso. Pela mesma convic\u00e7\u00e3o de unicidade da pessoa humana e do valor pr\u00f3prio do corpo, criatura de Deus, desde os primeiros s\u00e9culos ouviram-se vozes cr\u00edticas que n\u00e3o aceitaram a doutrina da transmigra\u00e7\u00e3o de almas, entre outras raz\u00f5es, por causa de seu desprezo pela corporeidade. Al\u00e9m de Irineu e Tertuliano, destacam-se as opini\u00f5es de Justino, Minucio Felix, Te\u00f3filo de Antioquia e Santo Agostinho, que em diferentes momentos culturais manifestam a sua rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias reencarnacionistas entre os s\u00e9culos II e V (POZO, 1993, p.165-185). No ano 561, tamb\u00e9m o II Conc\u00edlio de Braga rejeita ideias semelhantes defendidas pelas tend\u00eancias manique\u00edstas dos seguidores de Prisciliano (DH 456). Na Idade M\u00e9dia, o IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o, XII ecum\u00eanico, realizado em 1215, em sua defini\u00e7\u00e3o contra o dualismo radical dos c\u00e1taros, que tamb\u00e9m rejeitaram o corpo por o considerarem perverso, lembra que Jesus Cristo \u201cdeve vir no final dos tempos, h\u00e1 de julgar os vivos e os mortos e dar\u00e1 a cada um de acordo com suas obras, tanto aos r\u00e9probos quanto aos eleitos: os quais ressuscitar\u00e3o todos com os pr\u00f3prios corpos que agora possuem\u201d (DH 801).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do desafio dualista em suas v\u00e1rias express\u00f5es, a teologia crist\u00e3 sustenta a bondade da cria\u00e7\u00e3o e das criaturas, da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito e, portanto, combina argumentos criacionais e escatol\u00f3gicos para afirmar tanto a bondade original quanto o destino eterno e glorioso do corpo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o corpo como o esp\u00edrito t\u00eam um futuro de plenitude pelo dom de Deus Criador e Consumador da hist\u00f3ria. O cristianismo acredita em um Deus Criador de tudo o que \u00e9 vis\u00edvel e invis\u00edvel, em um Deus que se define como Amor e que criou por amor a exist\u00eancia do outro, do diferente de si mesmo, em sua diversidade e pluralidade. Tanto mat\u00e9ria quanto esp\u00edrito retornam a um \u00fanico des\u00edgnio criador de Deus. O corpo \u00e9, portanto, t\u00e3o digno, t\u00e3o aut\u00eantico e completo como a alma. O ser humano, homem\/mulher, \u00e9 alma encarnada, s\u00edntese de mat\u00e9ria e esp\u00edrito (PARRA, 2011, p.249).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ensina \u2013 nos tempos atuais \u2013 o Conc\u00edlio Vaticano II:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua unidade de corpo e alma, o homem, por sua mesma condi\u00e7\u00e3o corporal, \u00e9 uma s\u00edntese do universo material, o qual alcan\u00e7a, por meio do homem, sua mais alta eleva\u00e7\u00e3o e levanta a voz para o livre louvor do Criador. N\u00e3o deve, portanto, desprezar a vida corporal, mas, ao contr\u00e1rio, deve honrar e considerar bom seu corpo, como criatura de Deus h\u00e1 de ressuscitar no \u00faltimo dia. (<em>GS<\/em>, n.14)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 S\u00edntese sistem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A ressurrei\u00e7\u00e3o da carne implica a salva\u00e7\u00e3o da totalidade humana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com sua f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, o cristianismo expressa sua esperan\u00e7a que <em>toda<\/em> a pessoa e todas as pessoas tenham um futuro que v\u00e1 al\u00e9m da morte e que possam confiar que Deus cumprir\u00e1 sua promessa de consuma\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a apenas para uma parte da pessoa. \u00c0 totalidade do ser humano pertencem sua corporeidade, sua sociabilidade e historicidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza\u201d (PARRA, 2011, p.251).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 todo o ser humano, corpo e alma, que alcan\u00e7a \u2013 pela gra\u00e7a de Deus \u2013 sua plenitude. Com raz\u00e3o, Hans Urs Von Balthasar afirma que a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne seria melhor descrita como \u201cressurrei\u00e7\u00e3o do homem\u201d em sua totalidade &#8220;(2008, p.37-38). O que os te\u00f3logos querem enfatizar \u00e9 que a corporeidade humana tem valor em si mesma, juntamente com todas as dimens\u00f5es do humano. Nas palavras de J. Moltmann, \u201ca esperan\u00e7a na \u2018ressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u2019 nos permite n\u00e3o menosprezar nem degradar a vida corporal nem as experi\u00eancias dos sentidos, mas as afirma profundamente e concede sua suprema honra \u00e0 \u2018carne\u2019 menosprezada\u201d (2004, p.100).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em analogia com a ressurrei\u00e7\u00e3o do Crucificado e sua glorifica\u00e7\u00e3o corporal (Fl 3,21),<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">os crentes tamb\u00e9m consideram sua morte como parte do processo em que toda esta cria\u00e7\u00e3o mortal ser\u00e1 glorificada e renascer\u00e1 para o reino da gl\u00f3ria. Pela \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d entende-se a metamorfose <em>dessa<\/em> cria\u00e7\u00e3o perec\u00edvel que se tornar\u00e1 o reino eterno de Deus, e <em>dessa<\/em> vida mortal que se tornar\u00e1 vida eterna: <em>vita mutatur, non tollitur<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0(MOLTMANN, 2004, p.112-113).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gesch\u00e9, com raz\u00e3o, observa que \u201c\u00e9 esse corpo aqui que ressuscitar\u00e1 (&#8230;_ Este corpo aqui \u00e9 aquele que, como o gr\u00e3o de trigo, germinar\u00e1 na vida realizada, <em>porque \u00e9 a sua semente<\/em> (&#8230;) O segredo do corpo (&#8230;) \u00e9 ter um <em>germe<\/em> do corpo da gl\u00f3ria\u201d (1997, p.306). Lembremos que, de acordo com o pensamento de Paulo, o corpo semeado \u00e9 aquele que ressuscita. Por esta raz\u00e3o, Gesch\u00e9 pode afirmar que \u201co corpo desta terra tem uma estrutura de ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (1997, p.306). Desde Cristo, o crucificado ressuscitado, \u201ca ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 agora o ato do Pai, em Jesus, pelo poder do Esp\u00edrito, pelo qual ele remodela precisamente a cria\u00e7\u00e3o\u201d (GESCH\u00c9, 2002, p.203).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, a ressurrei\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 capacidade teologal do homem criado, <em>Homo capax Dei<\/em>, restitu\u00eddo assim \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de destino proposta na cria\u00e7\u00e3o e remodelada na ressurrei\u00e7\u00e3o, <em>Homo capax resurrectionis<\/em>. (&#8230;) A partir da\u00ed, o homem alcan\u00e7ar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o caminho do seu destino, sabendo dizer \u201csim\u201d a sua natureza de ressurrei\u00e7\u00e3o (GESCH\u00c9, 2002, p.204).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Se a <em>ressurrei\u00e7\u00e3o da carne<\/em> implica a ressurrei\u00e7\u00e3o do homem em sua totalidade, isso significa que existe uma identidade pessoal entre o ser humano que se desenvolveu na hist\u00f3ria terrena e aquele que ser\u00e1 ressuscitado. Para J. L. Ruiz de la Pe\u00f1a:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">ressuscitar \u201ccom o mesmo corpo\u201d significar\u00e1 (&#8230;) ressuscitar com um corpo <em>pr\u00f3prio<\/em>, isto \u00e9, um corpo que revela a pr\u00f3pria e definitiva mesmidade, sem nenhum equ\u00edvoco; um corpo que \u00e9 mais <em>meu<\/em> que nunca, enquanto supremamente comunicativo do meu eu. O corpo glorioso (<em>soma pneumatikon<\/em>) de que Paulo fala \u00e9 o <em>eu<\/em> que irradia a vida do Esp\u00edrito, livre de todo automatismo inconsciente, o reposit\u00f3rio de uma plenitude integral que vem do n\u00facleo mais \u00edntimo da pessoa e atinge e transfigura sua corporeidade. (2000, p.173-174)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0No mesmo sentido, o te\u00f3logo F. J. Nocke afirma que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0o corpo futuro, \u00e0 diferen\u00e7a do presente, ser\u00e1 imperec\u00edvel; mas nosso corpo atual n\u00e3o ser\u00e1 substitu\u00eddo por outro, mas transformado em outro (&#8230;) A esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o pretende que a exist\u00eancia atual seja simplesmente encurralada, jogada fora, esquecida em favor de outra exist\u00eancia totalmente distinta, mas que, em sua totalidade, seja elevada e transformada em uma exist\u00eancia indestrut\u00edvel (1984, p.82).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0De acordo com o te\u00f3logo brasileiro L. C. Susin, \u201ca \u2018carne\u2019 significa exatamente esse modo terreno, mortal, finito e fr\u00e1gil, marcado por l\u00e1grimas, alegrias, amores e trabalhos: esta carne, marcada pela hist\u00f3ria terrena, ser\u00e1 transfigurada\u201d (1995, p.127). Em suma,\u00a0 ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo <em>ou da carne<\/em> significa que todo o ser humano \u2013 com a hist\u00f3ria de sua vida, com suas rela\u00e7\u00f5es com os outros e com a natureza \u2013 tem um futuro e \u00e9 redimido por Deus. Em uma palavra, ressuscita\u00a0 a pessoa. Contra todo dualismo, que rejeita a carne ou o corpo, \u201ca f\u00e9 crist\u00e3 defende a radical unicidade da pessoa humana: unicidade em sua origem, unicidade em seu destino final; e de uma pessoa que se desenvolve e cresce num mundo radicalmente bom por des\u00edgnio e gra\u00e7a de um Deus Criador e Consumador\u201d (PARRA, 2011, p.249-250) do mundo e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4.2<\/strong> <strong>Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria-social<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom da plenitude consumada que traz consigo a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne n\u00e3o \u00e9 um presente que receber\u00e1 o indiv\u00edduo isolado do ambiente social e comunit\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio, a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne desejada e esperada ser\u00e1 um evento comunit\u00e1rio e social, e que, portanto, integra a rede de rela\u00e7\u00f5es humanas espa\u00e7o-temporais que acompanhou sempre e historicamente o desenvolvimento de cada pessoa. Em suma, ressuscitamos n\u00e3o s\u00f3 porque Cristo ressuscitou dentre os mortos e a imagem do Cristo ressuscitado \u00e9 causa exemplar nossa, mas tamb\u00e9m como membros participantes do corpo de Cristo. Com raz\u00e3o J. L. Ruiz de la Pe\u00f1a comenta sobre este \u00faltimo ponto: \u201ca <em>carne<\/em> que ressuscita \u00e9, portanto, feita de proximidade, foi amassada no molde da sociabilidade. A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 o resgate do n\u00e1ufrago solit\u00e1rio, mas a reconstitui\u00e7\u00e3o da unidade original de toda a fam\u00edlia humana\u201d (2000, p.170).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser precisamente uma esperan\u00e7a comunit\u00e1ria insepar\u00e1vel tanto da vida em comum como da comunh\u00e3o, bem como do desejo de uma sociedade inclusiva e do bem comum na hist\u00f3ria, na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode estar ausente a quest\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o final e da justi\u00e7a. Refletindo sobre a necessidade de justi\u00e7a e da repara\u00e7\u00e3o final de todo sofrimento injusto, Bento XVI declara que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, existe a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Existe uma justi\u00e7a<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Existe a \u201crevoga\u00e7\u00e3o\u201d do sofrimento passado, a repara\u00e7\u00e3o que restaura o direito. \u00c9 por isso que a f\u00e9 no Ju\u00edzo Final \u00e9 antes de tudo e sobretudo esperan\u00e7a, essa esperan\u00e7a cuja necessidade tornou-se evidente precisamente nas convuls\u00f5es dos \u00faltimos s\u00e9culos. (<em>Spe Salvi<\/em>, n.43)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ensina que, finalmente, haver\u00e1 justi\u00e7a e que a verdade oculta de cada um ser\u00e1 conhecida no momento da morte. A f\u00e9 da Igreja sustenta que, imediatamente ap\u00f3s a morte, pode haver comunh\u00e3o com Deus e os bem-aventurados ou purifica\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica, assim como tamb\u00e9m pode haver perdi\u00e7\u00e3o ou autoexclus\u00e3o eterna<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4<\/strong>.<strong>3. Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o corpo como o esp\u00edrito t\u00eam um futuro de plenitude pelo dom de Deus Criador e Consumidor da hist\u00f3ria. \u201cO mundo material tamb\u00e9m participar\u00e1 da glorifica\u00e7\u00e3o plena do homem.\u201d (LIBANIO e BINGEMER, 1985, p.201).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A uma humanidade ressuscitada corresponde tamb\u00e9m um mundo transfigurado. J\u00e1 foi dito que a promessa da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne assume o ser humano em sua integridade de maneira coerente com a antropologia crist\u00e3 essencialmente n\u00e3o dualista. O cosmos criado sempre foi parte do plano salv\u00edfico que atravessa toda a hist\u00f3ria. A f\u00e9 crist\u00e3 concebe o fim do mundo que a parusia traz consigo como sua consuma\u00e7\u00e3o e plenitude. A nova Terra e o novo c\u00e9u esperados implicam transfigura\u00e7\u00e3o, nova cria\u00e7\u00e3o como dom do Deus Criador e Consumador de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para L. Boff,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">em Jesus Cristo ressuscitado, temos um modelo que nos permite vislumbrar a realidade futura da mat\u00e9ria. Seu corpo material foi transfigurado pela ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deixou de ser um corpo e, por isso mesmo, uma por\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Mas essa mat\u00e9ria est\u00e1 t\u00e3o penetrada por Deus e pela vida eterna, que revela maximamente Deus e com isso manifesta capacidades latentes na mat\u00e9ria, que agora s\u00e3o plenamente realizadas: tudo \u00e9 gl\u00f3ria, luz e comunh\u00e3o, presen\u00e7a, transpar\u00eancia, ubiquidade c\u00f3smica. A mat\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 mais um princ\u00edpio de limita\u00e7\u00e3o, peso e opacidade, mas uma express\u00e3o total do sentido, encarna\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito e princ\u00edpio de comunh\u00e3o e presen\u00e7a total. (1981, p.105-106).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O te\u00f3logo J. Ratzinger pensa que, na verdade, \u201c\u00e9 o homem <em>inteiro<\/em> que alcan\u00e7a a salva\u00e7\u00e3o, e \u00e9 o mundo <em>inteiro<\/em> que participa nela\u201d (1976, p.228). Sintetizando sua vis\u00e3o do mundo novo e a consuma\u00e7\u00e3o que esperamos, o te\u00f3logo alem\u00e3o reitera:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como conclus\u00e3o, vamos ficar com isso: n\u00e3o h\u00e1 como imaginar o mundo novo. Nem temos quaisquer tipos de enunciados concretos que nos ajudem a imaginar, de alguma forma, como o homem se relacionar\u00e1 com a mat\u00e9ria no mundo novo e como ser\u00e1 o \u201ccorpo ressuscitado\u201d. Mas temos a certeza que a din\u00e2mica do cosmos leva a uma meta, a uma situa\u00e7\u00e3o em que a mat\u00e9ria e o esp\u00edrito estar\u00e3o entrela\u00e7ados de forma nova e definitiva. Essa certeza ainda \u00e9 hoje, e precisamente hoje, o conte\u00fado concreto da cren\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne (RATZINGER, 2007, p.210).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada a se transfigurar porque tamb\u00e9m tem que \u201cser libertada da escravid\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus\u201d (Rm 8,21). Retomando a sabedoria de S\u00e3o Bernardo de Claraval, o pensador franc\u00eas J. L. Chr\u00e9tien observou belamente que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a, mas a aus\u00eancia do corpo que impede a alma de \u201csair de uma certa maneira de si mesma e entrar toda ela em Deus\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, numa eterna embriaguez. Pois tudo deve ser glorificado; nada deve faltar ao louvor, e no h\u00e1lito com que damos gra\u00e7as a Deus, tudo deve estar presente para que n\u00e3o nos joguemos em Deus somente com nossa alma, mas com nosso corpo descoberto. Com o nosso corpo, tamb\u00e9m podemos dar-lhe tudo o que em nosso corpo trouxe a sua imagem, tudo aquilo diante do qual se manteve em p\u00e9, sinal do esp\u00edrito, as montanhas e os rios, as \u00e1rvores e as fontes, todo o mundo material santificado pela encarna\u00e7\u00e3o de Deus. Nada deve faltar ao \u00a0louvor (CHR\u00c9TIEN, 2005, p.219).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No gozo da glorifica\u00e7\u00e3o final participam todas as criaturas criadas por Deus e todos os seres louvar\u00e3o Deus, seu criador (MOLTMANN, 2004, p.427-430). A gl\u00f3ria de Deus comporta gozo e alegria eterna para todas as criaturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacando o dom da alegria da vida eterna na <em>Spe Salvi<\/em>, Bento XVI escreve que Jesus Cristo, \u201cverdadeiro Pastor\u201d, vencedor da morte, nos guia al\u00e9m da morte (n.6 e 27) e isso nos leva \u00e0 vida. A esperan\u00e7a da vida verdadeira e eterna, que implica a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, ultrapassa amplamente toda compreens\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o (<em>Spe Salvi<\/em>, n.12-13). No entanto, algo podemos balbuciar: \u201cquem foi tocado pelo amor come\u00e7a a intuir o que seria propriamente a <em>vida<\/em>\u201d. A vida verdadeira e eterna que, \u201ctotalmente e sem amea\u00e7as, \u00e9 simplesmente a vida em toda a sua plenitude\u201d (<em>Spe Salvi<\/em>, n.27), na qual seremos \u201cinundados simplesmente pela alegria\u201d (<em>Spe Salvi<\/em>, n.12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o s\u00f3 exclui a ideia de uma aniquila\u00e7\u00e3o do mundo no \u00faltimo dia, no evento consumador que traz a ressurrei\u00e7\u00e3o final, como, enfatizando que \u00e9 uma plenitude e felicidade que v\u00e3o al\u00e9m das expectativas, tamb\u00e9m ensina a continuidade entre este mundo e a bem-aventuran\u00e7a eterna:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ignoramos o tempo em que se dar\u00e1 a consuma\u00e7\u00e3o da terra e da humanidade. Tampouco conhecemos de que forma o universo ser\u00e1 transformado. A figura deste mundo, desfigurada pelo pecado, passa, mas Deus nos ensina que prepara um novo lar e uma nova terra onde habita a justi\u00e7a, e cuja bem-aventuran\u00e7a seja capaz de satisfazer e superar todos os anseios de paz que surgem no cora\u00e7\u00e3o humano. Ent\u00e3o, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitar\u00e3o em Cristo, e o que foi semeado sob o signo de fraqueza e corrup\u00e7\u00e3o ser\u00e1 revestido de incorruptibilidade e, permanecendo a caridade e suas obras, ser\u00e3o livres da servid\u00e3o da vaidade todas as criaturas que Deus criou pensando no homem (<em>GS<\/em>, n.39).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, e em conclus\u00e3o, ao dizer \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d, falamos de plenitude e extrema alegria do ser humano, de uma salva\u00e7\u00e3o do homem inteiro (corpo e alma), onde todas as suas rela\u00e7\u00f5es fundamentais s\u00e3o consumadas em Deus Uno e Trino no mundo dado e transfigurado: um mundo de Deus onde, como ensina o Apocalipse, \u201cn\u00e3o haver\u00e1 mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem j\u00e1 passou\u201d (Ap 21, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fredy Parra<\/em>. Faculdade de Teologia. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile. Texto original em espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. <em>Spe salvi<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERNARDO DE CLARAVAL. <em>De diligendo Deo<\/em>, III, 146.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, L. <em>La vida m\u00e1s all\u00e1 de la muerte<\/em>. Bogot\u00e1: CLAR, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHR\u00c9TIEN, J. L. <em>La mirada del amor.<\/em> Salamanca: S\u00edgueme, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DENZINGER, H.; H\u00dcNERMANN, P. <em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas\/Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GESCH\u00c9, A. <em>Deus para pensar<\/em>. v.4. O cosmo. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. \u00a0<em>Deus para pensar. <\/em>v.6. O Cristo. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GNILKA, J. La resurrecci\u00f3n corporal en la ex\u00e9gesis moderna. <em>Concilium, <\/em>n.60, 1970. p.127-135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IRENEO DE LYON<em>. Adv. haer<\/em>., 5, 14, 1, PG 7, 1161.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KREMER, J. La resurrecci\u00f3n de Jes\u00fas, fundamento y modelo de nuestra resurrecci\u00f3n, seg\u00fan San Pablo. <em>Concilium,<\/em> n.60, 1970. p.76-87.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIBANIO, J. B.; BINGEMER, M. C. <em>Escatologia crist\u00e3<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MOLTMANN, J. <em>A vinda de Deus: <\/em>escatologia crist\u00e3. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOCKE, F. J. <em>Escatolog\u00eda.<\/em> Barcelona: Herder, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOEMI, J. <em>El mundo, creaci\u00f3n y promesa de Dios<\/em>. Santiago: San Pablo, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PARRA, F., <em>Esperanza en la historia. <\/em>Idea cristiana del tempo. Santiago: Alberto Hurtado, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POZO, C. <em>La venida del Se\u00f1or en la gloria<\/em>. Valencia: Edicep, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PUIG I TARRECH, A. El cuerpo de Jesucristo resucitado como cuerpo c\u00f3smico y m\u00edstico. In: MARL\u00c9S, E. (ed.) <em>Trinidad, universo, persona<\/em>. Navarra: Estella, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, J. <em>Escatolog\u00eda.<\/em> Barcelona: Herder, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. \u00a0<em>Palabra en la Iglesia.<\/em> Salamanca: S\u00edgueme, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUIZ DE LA PE\u00d1A, J. L. <em>La pascua de la creaci\u00f3n. <\/em>Escatolog\u00eda. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos (BAC), 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SESBO\u00dc\u00c9, B. <em>Creer. <\/em>Madrid: San Pablo, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUSIN, L. C. <em>Assim na terra como no c\u00e9u. <\/em>Brevil\u00f3quio sobre Escatologia e Cria\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TERTULIANO. <em>De carnis resurrectione<\/em>, 8, 3; <em>PL<\/em> 2, 806.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>De carnis resurrectione, <\/em>9; <em>PL<\/em> 2, 807 ab.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VON BALTHASAR, H. U. <em>Escatolog\u00eda en nuestro tiempo<\/em>. Madrid: Encuentro, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Segundo Irineu\u00a0 \u201cse a carne n\u00e3o devesse ser salva, n\u00e3o teria se encarnado o Verbo de Deus\u201d (Irineu de Lyon<em>, \u00a0Adv. haer<\/em>., 5, 14, 1, PG 7, 116). No mesmo sentido, Tertuliano, no s\u00e9culo III, pensa que \u201c<em>caro salutis est cardo<\/em>\u201d, <em>\u201ca carne \u00e9 o princ\u00edpio essencial da salva\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (Tertuliano, <em>De carnis resurrectione<\/em>, 8, 3; <em>PL<\/em> 2, 806).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Tertuliano, <em>De carnis resurrectione, <\/em>9; <em>PL<\/em> 2, 807 ab.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Pref\u00e1cio de Defuntos I, Missal Romano: \u201c<em>A vida n\u00e3o termina, mas ser\u00e1 transformada<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, n.988-1004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, n.1040.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Op\u00e7\u00f5es livres que \u201cse estabeleceram no curso de toda a vida\u201d podem ter como consequ\u00eancia \u201cformas provis\u00f3rias\u201d de bem-aventuran\u00e7a ou condena\u00e7\u00e3o, de acordo com a ideia do juda\u00edsmo antigo sobre a condi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o que est\u00e1 presente na par\u00e1bola do rico e o pobre L\u00e1zaro (cf. Lc 16,19-31). Imediatamente ap\u00f3s a morte, pode haver comunh\u00e3o com Deus e os bem-aventurados (<em>Catecismo<\/em>, n.1023-1029), bem como a perdi\u00e7\u00e3o definitiva, uma \u201cautoexclus\u00e3o definitiva de comunh\u00e3o com Deus e os bem-aventurados\u201d, situa\u00e7\u00e3o designada pela palavra \u201cinferno\u201d (<em>Catecismo<\/em>, n.1033). Para al\u00e9m dessas situa\u00e7\u00f5es extremas, acrescenta Bento XVI, o mais normal \u00e9 que em grande parte dos homens permanece, \u201cna parte mais profunda de seu ser uma \u00faltima abertura interior \u00e0 verdade, ao amor, a Deus\u201d, que requer purifica\u00e7\u00e3o, no encontro com o Senhor, Juiz e Salvador (n.48), a fim de amadurecer plenamente para a comunh\u00e3o definitiva com Deus (n.47), em um \u201ctempo do cora\u00e7\u00e3o\u201d, momento da \u201cpassagem\u201d para a comunh\u00e3o com Deus no Corpo de Cristo (n.47, cf. <em>Catecismo<\/em>, n.1030-1032). O Papa reitera, mais uma vez, o car\u00e1ter comunit\u00e1rio da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3, destacando a convic\u00e7\u00e3o \u2013 herdada do juda\u00edsmo antigo \u2013 que o falecido pode ser ajudado em sua condi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o (ver, por exemplo, 2Mc 12,38-45: 1\u00ba s\u00e9culo aC). Cf. PARRA, 2011, p.265.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Bernardo de Claraval, <em>De diligendo Deo<\/em>, III, 146.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e a nossa ressurrei\u00e7\u00e3o 2 Fundamentos e caracter\u00edsticas da ressurrei\u00e7\u00e3o segundo S\u00e3o Paulo (1Cor 15) 3 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne: antecedentes hist\u00f3rico-dogm\u00e1ticos 4 S\u00edntese sistem\u00e1tica 4.1 A ressurrei\u00e7\u00e3o da carne implica a salva\u00e7\u00e3o da totalidade humana 4.2 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria-social 4.3 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e consuma\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-1477","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-sistematicadogmatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1477"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1612,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1477\/revisions\/1612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}