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{"id":1458,"date":"2017-12-22T11:51:55","date_gmt":"2017-12-22T13:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1458"},"modified":"2017-12-22T11:51:55","modified_gmt":"2017-12-22T13:51:55","slug":"fe-crista-e-inculturacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1458","title":{"rendered":"F\u00e9 crist\u00e3 e incultura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Itiner\u00e1rio conceitual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Inova\u00e7\u00f5es pr\u00e9-conciliares<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 Assun\u00e7\u00e3o da Patr\u00edstica no Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 <em>Evangelii nuntiandi<\/em>: a ruptura entre o Evangelho e a cultura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.4 Incultura\u00e7\u00e3o latino-americana p\u00f3s-conciliar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Escolhas conceituais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Culturas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Encarna\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Incultura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3, sua confiss\u00e3o em palavras e seus desdobramentos em obras, existe somente em determinadas configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e culturais. Culturas s\u00e3o sistemas sujeitos a c\u00e2mbios hist\u00f3ricos. N\u00e3o obstante, setores fundamentalistas e, pretensamente, ortodoxos desejam desvendar os artigos da f\u00e9 de seu car\u00e1ter misterioso atrav\u00e9s de defini\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas e procuram substituir a dimens\u00e3o hist\u00f3rico-cultural dos artigos da f\u00e9 por uma seguran\u00e7a atemporal e univocidade universal. No rastro do Vaticano II (1962-1965), o paradigma da \u201cf\u00e9 inculturada\u201d assume a revela\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria e, por conseguinte, trabalha a hist\u00f3ria como lugar teol\u00f3gico. A revela\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o acontece fora da hist\u00f3ria e a interpreta\u00e7\u00e3o dessa revela\u00e7\u00e3o \u00e9 igualmente hist\u00f3rica e culturalmente determinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m desta premissa fundamental da historicidade, trata-se do paradigma da incultura\u00e7\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o cultural. Ela pode ter duas finalidades diferentes: a transforma\u00e7\u00e3o da cultura do destinat\u00e1rio da evangeliza\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o da cultura do agente evangelizador. Ela pode aceitar a coloniza\u00e7\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 em roupagem cultural forasteira ou pode reformular a roupagem cultural dos artigos da f\u00e9 e as estruturas eclesiais do pr\u00f3prio evangelizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em situa\u00e7\u00f5es de uma longa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, \u00e9 preciso perscrutar a g\u00eanese da chamada primeira evangeliza\u00e7\u00e3o e perguntar se ela ocorreu em condi\u00e7\u00f5es coloniais ou se ela, atrav\u00e9s do tempo, cristalizou certos momentos dessa primeira evangeliza\u00e7\u00e3o e perdeu a capacidade de ouvir a voz de Deus em novas configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-culturais. Deste modo, \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d pode significar \u201cdescoloniza\u00e7\u00e3o\u201d, onde a f\u00e9 foi transmitida em condi\u00e7\u00f5es coloniais, e \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d (desaliena\u00e7\u00e3o), onde essa f\u00e9 n\u00e3o responde mais \u00e0s perguntas de seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser hist\u00f3rica, a pr\u00f3pria incultura\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser inconclusa. Na conquista das Am\u00e9ricas se encontraram as tradi\u00e7\u00f5es religiosas de muitos s\u00e9culos, as tradi\u00e7\u00f5es amer\u00edndias e a tradi\u00e7\u00e3o do cristianismo medieval. O reconhecimento rec\u00edproco dessas tradi\u00e7\u00f5es exigiu o di\u00e1logo e a catequese do encontro. As raz\u00f5es econ\u00f4micas exigiram submiss\u00e3o pol\u00edtica e, em fun\u00e7\u00e3o dessa hegemonia pol\u00edtico-econ\u00f4mica, imposi\u00e7\u00e3o do credo do vencedor e coloniza\u00e7\u00e3o dos vencidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradigma da incultura\u00e7\u00e3o tem cabe\u00e7a de Janus. Olhando para tr\u00e1s, e face ao cristianismo colonial, significa uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Olhando para frente e ao lado, significa uma recupera\u00e7\u00e3o da credibilidade e das ra\u00edzes fundantes do pr\u00f3prio cristianismo e das raz\u00f5es pelas quais o Verbo de Deus se fez carne: di\u00e1logo e liberta\u00e7\u00e3o, reconhecimento na igualdade e <em>shalom<\/em> na diversidade. Ambos os olhares s\u00e3o prec\u00e1rios. A voz de Deus clama sempre por uma escuta melhor e por uma pr\u00e1tica mais relevante e radicalmente nova. Atr\u00e1s do paradigma da \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o inculturada\u201d est\u00e1 uma luta hist\u00f3rica, n\u00e3o pelo conceito, mas pela pr\u00e1tica de uma evangeliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial e pelos artigos libertadores da f\u00e9, enraizados na vida dos povos (cf. SUESS, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Itiner\u00e1rio conceitual <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neologismo \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d remete a desafios e pr\u00e1ticas mission\u00e1rios, presentes na Igreja desde suas origens. Tamb\u00e9m Jesus, o mission\u00e1rio encarnado em sua cultura, n\u00e3o conseguiu plenamente transmitir os mist\u00e9rios de Deus que n\u00e3o cabem nas culturas humanas. Procurou aproximar-se a esses mist\u00e9rios n\u00e3o atrav\u00e9s de conceitos, mas de par\u00e1bolas, que at\u00e9 hoje interpretamos porque n\u00e3o permitem desvendar plenamente seu sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da era constantiniana, o cristianismo tornou-se religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano e de imp\u00e9rios posteriores, e a pr\u00e1tica de expressar a f\u00e9 na cultura do outro caiu progressivamente em desuso. Uma das premissas da incultura\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a desvincula\u00e7\u00e3o do poder em suas dimens\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e ideol\u00f3gicas, raras vezes foi cumprida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde as origens do cristianismo, quando descartou a convers\u00e3o de Israel e se dirigiu <em>ad gentes<\/em>, duas doutrinas e pr\u00e1ticas mission\u00e1rias estavam concomitantemente presentes. Uma declara que as culturas pag\u00e3s se encontram fora da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e nada podem acrescentar ao cristianismo que se considerou qualitativamente pleno. A plenitude quantitativa \u2013 a convers\u00e3o de toda a humanidade ao cristianismo \u2013 se considerou tarefa da miss\u00e3o e de uma metodologia mission\u00e1ria que p\u00f4de variar entre convite desarmado at\u00e9 o uso da for\u00e7a militar. A outra corrente admitiu as culturas pag\u00e3s como precursoras e facilitadoras para o encontro com o Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.1 Inova\u00e7\u00f5es pr\u00e9-conciliares<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de experi\u00eancias pastorais confrontadas com o olhar cr\u00edtico das censuras e proibi\u00e7\u00f5es da C\u00faria Romana de Pio XII, um setor prof\u00e9tico da Igreja cat\u00f3lica procurou, na primeira metade do s\u00e9culo XX, responder \u00e0 demanda hist\u00f3rica da descoloniza\u00e7\u00e3o e ao desafio de uma f\u00e9 muito distante da realidade social. Esse setor procurou aproximar o cristianismo \u00e0 realidade concreta dos povos e classes sociais. A presen\u00e7a das Irm\u00e3zinhas de Jesus de Charles de Foucauld (1858-1916) junto ao povo Tapirap\u00e9, por exemplo, desde 1952 constituiu um referencial de inspira\u00e7\u00e3o para a ruptura com o trabalho mission\u00e1rio colonial no Brasil. Na mesma perspectiva vale lembrar a lucidez da op\u00e7\u00e3o pelos oper\u00e1rios, de um Joseph Cardijn, fundador da Juventude Oper\u00e1ria (JOC) e inspirador da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, em 1925, com seu m\u00e9todo da \u201crevis\u00e3o de vida\u201d. Posteriormente, toda a Pastoral da Am\u00e9rica Latina e os documentos eclesiais se beneficiaram do m\u00e9todo da JOC e do seu \u201cver-julgar-agir\u201d. Tamb\u00e9m a sobriedade vivencial e pastoral do padre Antoine Chevrier (1826-1879) e dos seus seguidores no movimento do Prado (Lyon), o movimento dos padres oper\u00e1rios e da Mission de France, o despojamento de um Abb\u00e9 Pierre, fundador do movimento dos maltrapilhos-construtores de Ema\u00fas, j\u00e1 apontavam para a op\u00e7\u00e3o pelos pobres e pelos que mais sofrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precursores pr\u00e9-conciliares da incultura\u00e7\u00e3o havia tamb\u00e9m nos movimentos lit\u00fargico e b\u00edblico que abriram horizontes para a celebra\u00e7\u00e3o da vida e a leitura da palavra de Deus hist\u00f3rica e vivencialmente contextualizada. Seguindo a reflex\u00e3o teol\u00f3gica de um Melchior Cano, te\u00f3logo do Conc\u00edlio Tridentino (1545-1563), que colocou a hist\u00f3ria como lugar teol\u00f3gico na pauta teol\u00f3gica de seu tempo, a hermen\u00eautica da realidade como lugar teol\u00f3gico \u2013 a teologia das realidades terrestres de um padre Chenu, por exemplo \u2013 contribuiu para uma nova proximidade teol\u00f3gica e pastoral do mundo moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu conjunto, todas essas pr\u00e1ticas de inser\u00e7\u00e3o que precederam o Vaticano II, e a reflex\u00e3o teol\u00f3gica que as acompanhou, foram consideradas marginais, suspeitas e, \u00e0s vezes, abruptamente proibidas, como, por exemplo, a experi\u00eancia dos padres oper\u00e1rios. A maioria dos te\u00f3logos relevantes da \u00e9poca \u2013 Henri de Lubac, Yves Congar, Marie-Dominique Chenu e Karl Rahner, entre outros \u2013 chegaram arrastados na corrente da proibi\u00e7\u00e3o \u00e0 porta do Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.2 Assun\u00e7\u00e3o da Patr\u00edstica no Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II e, em seguida, o magist\u00e9rio universal da Igreja e o magist\u00e9rio latino-americano das Confer\u00eancias Episcopais de Medell\u00edn (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), resgataram alguns t\u00f3picos teol\u00f3gicos dos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, de Justino (\u0085165), Irineu (\u0085202), Tertuliano (\u0085220) e Eus\u00e9bio de Cesar\u00e9ia (\u0085339), por exemplo, que permitiram configurar o novo conceito da evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada (cf. SUESS, 1986; 1994 p.41 et seq.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os padres conciliares, em sua maioria, admitiram encontrar nas culturas pag\u00e3s \u201clampejos da Verdade\u201d (<em>Nostra aetate<\/em>, n.2) e \u201csementes do Verbo\u201d (<em>Ad gentes<\/em>, n.11). Estes \u201clampejos\u201d e \u201csementes\u201d tampouco acrescentam algo \u00e0 dimens\u00e3o macroecum\u00eanica do cristianismo, porque lan\u00e7am seus vest\u00edgios em outras religi\u00f5es e culturas. A <em>Gaudium et spes<\/em> (n.57), com a sua recep\u00e7\u00e3o positiva do mundo, afirma, referindo-se a Irineu, que o Verbo de Deus, antes de encarnar-se para salvar e recapitular em si todas as coisas, j\u00e1 estava no mundo como \u201cluz verdadeira que ilumina todo o homem\u201d (Jo 1,9s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas discuss\u00f5es em torno da \u201cConstitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et spes<\/em>\u201d do Vaticano II (GS n.53-62), observa-se na Igreja cat\u00f3lica uma preocupa\u00e7\u00e3o coletiva com a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura e com a proximidade e a dist\u00e2ncia entre elas. O Conc\u00edlio nomeou a busca de uma maior proximidade entre ambas com algumas palavras balbuciantes, como \u201c<em>aggiornamento<\/em>\u201d e \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d (SC n.37s; GS n.91), \u201cautonomia da realidade terrestre\u201d (GS n.36; 56) e da cultura, \u201csinais dos tempos\u201d (GS n.4a; 11) e \u201cdi\u00e1logo\u201d (ChD n.13b; UR n.4; ES, n.34-68), \u201cencarna\u00e7\u00e3o\u201d e \u201csolidariedade\u201d (GS n.32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.3 <em>Evangelii nuntiandi<\/em>: a ruptura entre o Evangelho e a cultura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As articula\u00e7\u00f5es entre f\u00e9, cultura e evangelho repercutiram dez anos depois do Vaticano II na \u201cExorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii nuntiandi<\/em>\u201d (1975), que resume as discuss\u00f5es do \u201cS\u00ednodo sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo\u201d de 1974. O lamento de Paulo VI chamou a aten\u00e7\u00e3o da Igreja: \u201cA ruptura entre o Evangelho e a cultura \u00e9 sem d\u00favida o drama da nossa \u00e9poca, como o foi tamb\u00e9m de outras \u00e9pocas\u201d (EN n.20). No referido S\u00ednodo, os bispos da \u00c1frica divulgaram uma declara\u00e7\u00e3o onde afirmam que a acultura\u00e7\u00e3o religiosa produziu \u201cum cristianismo insuficientemente encarnado e vivido, muitas vezes, como desde fora, sem vincula\u00e7\u00e3o real com os valores aut\u00eanticos das religi\u00f5es tradicionais\u201d (SUESS, 1990, p.404).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Costurar a ruptura entre cultura e Evangelho e romper com uma evangeliza\u00e7\u00e3o \u201cdesde fora\u201d \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o profunda da incultura\u00e7\u00e3o. O Evangelho n\u00e3o tem cultura pr\u00f3pria. Por isso pode ir ao encontro de todas as culturas. A incultura\u00e7\u00e3o visa a uma nova proximidade entre a mensagem e doutrina da Igreja e a realidade em que vive a fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A EN opera, ainda, com o conceito da \u201cEvangeliza\u00e7\u00e3o das culturas\u201d (EN n.20) que, embora sendo incorreto, prepara os conceitos posteriores da \u201cassun\u00e7\u00e3o das culturas\u201d (DP n.400) e da \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d (DSD n.13). A \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o das culturas\u201d, que tem como foco a mudan\u00e7a da cultura do outro enquanto n\u00e3o est\u00e1 de acordo com o Evangelho e que se serve apenas de \u201celementos da cultura\u201d (EN n.20), n\u00e3o leva suficientemente em conta a cultura na qual o pr\u00f3prio Evangelho est\u00e1 sendo transmitido. Por apontar para uma \u201ccultura pura\u201d se esquece da historicidade das culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.4 Incultura\u00e7\u00e3o latino-americana p\u00f3s-conciliar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo p\u00f3s-conciliar, a Igreja latino-americana assumiu inten\u00e7\u00f5es profundas do Vaticano II, cunhou express\u00f5es pr\u00f3prias e sacudiu as colunas de uma teologia dedutiva cristalizada. A teologia conciliar foi indutiva. A leitura latino-americana das palavras-chave dessa teologia indutiva, que constr\u00f3i seu argumento a partir da realidade concreta (cf. GS n.62,2), forjou a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Seu dicion\u00e1rio incorporou novos verbetes: \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cop\u00e7\u00e3o pelos pobres\u201d (<em>Medell\u00edn<\/em>, 1968), \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cassun\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ccomunidades de base\u201d (<em>Puebla<\/em>, 1979), \u201cinser\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Santo Domingo<\/em>, 1992), \u201cmiss\u00e3o\u201d, \u201ctestemunho\u201d e \u201cservi\u00e7o\u201d de uma Igreja samaritana e advogada da justi\u00e7a e dos pobres (<em>Aparecida<\/em>, 2007). A <em>Evangelii gaudium <\/em>(2013), do Papa Francisco, com suas palavras-chave \u201cdi\u00e1logo\u201d (EG n.142), \u201cencontro\u201d (EG n.239) e \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d (EG n.20 et seq.), oferece novos verbetes para esse dicion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois de <em>Medell\u00edn<\/em>, que enfatizava a quest\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres, alguns setores do magist\u00e9rio pensavam que a \u201cquest\u00e3o da cultura\u201d poderia se prestar como substitutivo da preocupa\u00e7\u00e3o com a \u201cquest\u00e3o da classe\u201d e seu anexo da \u201cop\u00e7\u00e3o pelos pobres\u201d. No decorrer do tempo, a pretendida substitui\u00e7\u00e3o da causa dos pobres pela causa dos outros n\u00e3o ocorreu, porque os pobres vivem numa multiplicidade de culturas, e os outros pertencem a determinada classe social. Tamb\u00e9m o outro-rico n\u00e3o deve ser colonizado no processo de sua evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Documento de Puebla<\/em> (DP, 1979), que destaca com certo peso a quest\u00e3o da cultura, nos fala da encarna\u00e7\u00e3o nos povos que acolheram o Evangelho e enfatiza a assun\u00e7\u00e3o de suas culturas, revalidando \u201co princ\u00edpio da encarna\u00e7\u00e3o formulado por Santo Irineu: \u201cO que n\u00e3o \u00e9 assumido n\u00e3o \u00e9 redimido\u201d (DP 400).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde as <em>Conclus\u00f5es de Santo Domingo<\/em> (DSD, 1992), o magist\u00e9rio latino-americano acrescentou, explicitamente, ao paradigma da liberta\u00e7\u00e3o o paradigma da incultura\u00e7\u00e3o. A incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e de todas as atividades eclesiais que emergem dessa f\u00e9 (pastoral, liturgia, teologia, kerigma, obras sociais), s\u00e3o \u201cimperativos do seguimento de Jesus\u201d (DSD n.13) que redimiu a humanidade na proximidade hist\u00f3rico-cultural da encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradigma da incultura\u00e7\u00e3o, na s\u00edntese do DAp, foi novamente proposto como caminho para expressar cada vez melhor a catolicidade. Palavras como \u201cassumir\u201d (DAp n.280b, 330, 348), \u201ccontexto\u201d (DAp n.276, 331), \u201cinserir\u201d (DAp n.329, 517h), e \u201cpresen\u00e7a\u201d (DAp n.215, 474b) pertencem ao campo sem\u00e2ntico da incultura\u00e7\u00e3o: \u201cCom a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a Igreja se enriquece com novas express\u00f5es e valores, manifestando e celebrando cada vez melhor o mist\u00e9rio de Cristo, conseguindo unir mais a f\u00e9 com a vida e assim contribuindo para uma catolicidade mais plena, n\u00e3o s\u00f3 geogr\u00e1fica, mas tamb\u00e9m cultural\u201d (DAp n.479).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois desse \u201citiner\u00e1rio conceitual\u201d e da compreens\u00e3o normativa da incultura\u00e7\u00e3o como imperativo do seguimento de Jesus, precisamos delimitar alguns conceitos que configuram o campo sem\u00e2ntico da incultura\u00e7\u00e3o e verificar seu uso correto ou incorreto na transmiss\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Escolhas conceituais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No encontro entre f\u00e9 e cultura, os evangelizadores procuram traduzir a mensagem do Evangelho nas l\u00ednguas e linguagens, nos mitos e ritos, nos s\u00edmbolos e sinais, nos costumes e no etos de todos os povos e grupos sociais. A relev\u00e2ncia do Evangelho para o mundo de hoje \u2013 e este mundo pode ser um mundo secularizado e n\u00e3o-confessional, como pode ser um mundo tradicional e religioso \u2013 depende da capacidade de traduzir contribui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do cristianismo em linguagens particulares e universais, privadas e p\u00fablicas, religiosas e secularizadas, sem perder seu referencial e suas ra\u00edzes. Sempre se trata da tarefa axial da Igreja, \u201cenviada por Cristo para manifestar e comunicar a caridade de Deus a todos os homens e mulheres e povos\u201d (<em>Ad gentes<\/em>, n.10). Nessa tarefa, os conceitos s\u00e3o instrumentos historicamente constru\u00eddos, muletas de um coxo que procura aprender a caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1 Culturas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, a antropologia cunhou o conceito \u201ccultura\u201d para descrever a experi\u00eancia humana. Originalmente, a no\u00e7\u00e3o de cultura era aplicada no singular, quase id\u00eantica ao conceito de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA cultura\u201d era a cultura do observador ex\u00f3geno, do antrop\u00f3logo, mission\u00e1rio ou viajante, que serviu como ponto de chegada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, o conceito \u201cculturas\u201d, quase sempre usado no plural, nos permite observar a diversidade das experi\u00eancias humanas, sem recorrer a esquemas meramente evolucionistas (primitivo x civilizado), racistas (inferior x superior) ou totalizantes (universalismo x relativismo). N\u00e3o existe um ponto de chegada de uma cultura-civiliza\u00e7\u00e3o que possa servir para a constitui\u00e7\u00e3o da identidade de todos os povos. H\u00e1, concomitantemente, diferentes experi\u00eancias humanas, uma multiplicidade de culturas, todas elas v\u00e1lidas e prec\u00e1rias (cf. GS n.372 et seq.). A presen\u00e7a do Evangelho nas culturas \u00e9 sempre prec\u00e1ria, porque os mist\u00e9rios de Deus n\u00e3o cabem nos vasos culturais, que s\u00e3o humanos. Tamb\u00e9m a \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o das culturas\u201d \u00e9 uma evangeliza\u00e7\u00e3o revestida com uma determinada cultura imperfeita que se aproxima de uma cultura que pretende aperfei\u00e7oar e, parcialmente, desmontar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A observa\u00e7\u00e3o cultural lida sempre com uma dimens\u00e3o sist\u00eamica, com a sincronia est\u00e1tica, compar\u00e1vel \u00e0 fotografia de um evento, e uma dimens\u00e3o hist\u00f3rica, com a diacronia din\u00e2mica que \u00e9 como a filmagem do mesmo evento. Portanto, as culturas s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em processo, heran\u00e7as sociais apreendidas que desafiam cada gera\u00e7\u00e3o a discernir entre a conveni\u00eancia de \u201cassun\u00e7\u00e3o\u201d e a necessidade de \u201ctransforma\u00e7\u00e3o\u201d. A vida humana \u00e9 sempre cultural e socialmente vivida (cf. SUESS, 1997, p.22 e seg.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, compreendemos as culturas como projetos hist\u00f3ricos de vida, codificados nas diferentes esferas sociais: nos campos sociopol\u00edtico, econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico. As culturas, enquanto projetos de vida, sempre lutam contra a morte. Por isso, n\u00e3o faz sentido falar em \u201ccultura da vida\u201d nem em \u201ccultura da morte\u201d. Se \u201ccultura da vida\u201d \u00e9 o \u00f3bvio, a \u201ccultura da morte\u201d \u00e9 o absurdo. Cada grupo social se junta para viver e n\u00e3o para se matar reciprocamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o de que nenhuma cultura \u00e9 perfeita quer apenas enfatizar sua historicidade. Por causa dessa relatividade hist\u00f3rica, a cultura de um povo nunca \u00e9 normativa para outro povo. Para os sujeitos que pertencem a uma determinada cultura, ela \u00e9, contudo, internamente normativa. Nenhuma cultura, por\u00e9m, pode reivindicar sua normatividade frente a outras culturas. O equil\u00edbrio entre a estima do pr\u00f3prio e o reconhecimento do alheio, \u00e0s vezes, \u00e9 dif\u00edcil. Todos os grupos sociais s\u00e3o tentados pelo ufanismo, etnocentrismo e racismo (SUESS, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.2 Encarna\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradigma da incultura\u00e7\u00e3o se inspira no mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo. Contudo, h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre incultura\u00e7\u00e3o e encarna\u00e7\u00e3o. Trata-se apenas, com as palavras da <em>Lumen gentium<\/em>, de \u201cuma n\u00e3o med\u00edocre analogia\u201d (LG n.8). Jesus, segundo sua natureza humana, nasceu em Bel\u00e9m e foi criado em Nazar\u00e9, onde se <em>enculturou<\/em>, quer dizer, onde aprendeu a sua pr\u00f3pria cultura. At\u00e9 aqui n\u00e3o houve incultura\u00e7\u00e3o numa cultura estranha. Desde crian\u00e7a, o Nazareno aprendeu a cultura dos nazarenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que consiste essa \u201cn\u00e3o med\u00edocre analogia\u201d entre encarna\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o? Como pessoa divina, Jesus n\u00e3o era apenas um nazareno; era tamb\u00e9m filho de Deus, preexistente desde antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo. Podemos, portanto, analogicamente, dizer que Ele veio de sua \u201ccultura\u201d ou \u201cp\u00e1tria\u201c celeste para nascer em uma determinada cultura humana e se <em>enculturou<\/em> como crian\u00e7a e inculturou, como Deus, na cultura de Israel. Como ser humano aprendeu a cultura de seu povo e como Deus Ele trabalhou com o culturalmente dispon\u00edvel para falar ao seu povo dessa outra p\u00e1tria, de onde o Pai o enviou (SUESS, 1998 p.127 et. seq.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A encarna\u00e7\u00e3o, portanto, tem algo espec\u00edfico e n\u00e3o pode ser sem mais nem menos identificada com a incultura\u00e7\u00e3o. Precisamos sempre distinguir esses dois momentos: Deus despojou-se \u2013 S\u00e3o Paulo fala da <em>kenose<\/em> \u2013 de sua divindade e entrou na cultura de Israel (incultura\u00e7\u00e3o). Mas esse Deus tamb\u00e9m nasceu como pessoa humana e se <em>enculturou<\/em> aprendendo l\u00edngua, religi\u00e3o e costumes com os nazarenos. A compreens\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o como despojamento e proximidade, despojamento da pr\u00f3pria cultura para poder assumir a cultura do outro, preparou o paradigma da incultura\u00e7\u00e3o. A analogia entre encarna\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a crist\u00e3 nas m\u00faltiplas culturas do mundo fez a reflex\u00e3o missiol\u00f3gica cunhar o paradigma da incultura\u00e7\u00e3o (cf. <em>Lumen gentium<\/em> n.8; <em>Santo Domingo<\/em> n.30 e 243).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.3 Incultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 precedida pelo aprendizado da pr\u00f3pria cultura em casa, na rua e na escola. A essa apropria\u00e7\u00e3o cultural denominamos <em>encultura\u00e7\u00e3o<\/em>, endocultura\u00e7\u00e3o ou socializa\u00e7\u00e3o cultural. Nascemos \u201cnaturais\u201d e morremos com os aprendizados culturais acrescentados a nossa \u201cnaturalidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado desse primeiro aprendizado da pr\u00f3pria cultura, chamado \u201cencultura\u00e7\u00e3o\u201d, existem outras possibilidades de aproxima\u00e7\u00e3o cultural: a acultura\u00e7\u00e3o e a incultura\u00e7\u00e3o. A acultura\u00e7\u00e3o \u00e9, teoricamente, a aproxima\u00e7\u00e3o de duas culturas diferentes. Cada uma aprende algo da cultura do outro e assim nasce uma nova cultura. Na realidade, a acultura\u00e7\u00e3o acontece em condi\u00e7\u00f5es de assimetria social, devido \u00e0 hegemonia pol\u00edtica de uma das duas culturas sobre a outra. Nessa situa\u00e7\u00e3o, a cultura politicamente dominante se imp\u00f5e aos demais fazendo concess\u00f5es perif\u00e9ricas ou folcl\u00f3ricas em campos secund\u00e1rios (comida, roupa, dan\u00e7a, enfeites). A cultura \u201csubalterna\u201d se descaracteriza progressivamente. A acultura\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre uma forma de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 o intento de assumir a cultura de um outro grupo social, a fim de comunicar, reviver e assumir o Evangelho com express\u00f5es, linguagens, e em contextos hist\u00f3ricos e sociais totalmente diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a incultura\u00e7\u00e3o, a Igreja se torna \u201cum sinal mais transparente\u201d e \u201cum instrumento mais apto\u201d (RMi n.52) para anunciar o Evangelho, n\u00e3o como uma alternativa \u00e0s culturas, mas como uma das suas realiza\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Na incultura\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am meta e m\u00e9todo, o universal da salva\u00e7\u00e3o com o particular da presen\u00e7a. O universal \u201ctanto mais promove e exprime a unidade do g\u00eanero humano quanto melhor respeita as particularidades das diversas culturas\u201d (GS n.54). A meta da incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o, e o caminho da liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 a incultura\u00e7\u00e3o (cf. DSD n.243). A incultura\u00e7\u00e3o visa a descoloniza\u00e7\u00e3o de certas pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas na comunica\u00e7\u00e3o do Evangelho e, ao mesmo tempo, uma proximidade respeitosa em face da alteridade, cr\u00edtica frente ao pecado e solid\u00e1ria no sofrimento. A nossa aproxima\u00e7\u00e3o \u2013 presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o \u2013 encontra a sua matriz na proximidade de Deus. Ela s\u00f3 vale a pena se nossa vida \u00e9 marcada pelo Deus-conosco, sua abertura, gratuidade, liberdade e solidariedade. Na incultura\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de uma identifica\u00e7\u00e3o do Evangelho com uma determinada cultura, porque a Evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada visa \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel de cada projeto de vida (cultura) \u201cdas estruturas de pecado\u201d (DSD n.243) e \u201cdos poderes da morte\u201d (DSD n.13). A incultura\u00e7\u00e3o, enquanto inser\u00e7\u00e3o na cultura do outro, \u00e9 um aprendizado sempre prec\u00e1rio que tem como alvo a revis\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o colonial e a corre\u00e7\u00e3o das estruturas de pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incultura\u00e7\u00e3o que passou pela peneira da op\u00e7\u00e3o pelos pobres visa a assun\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos como pr\u00f3ximos e primeiros. Sua vida \u00e9 o lugar preferencial da epifania de Deus. Se o ponto de partida da incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 a perseveran\u00e7a no meio da vida fragmentada, o ponto de chegada \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o da vida integral. Vida fragmentada e vida integral s\u00e3o articuladas por uma proposta, o Evangelho, e por um caminho a percorrer, a miss\u00e3o como encontro, di\u00e1logo da f\u00e9 e enredo de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Paulo Suess, <\/em>ITESP. Texto original em portugu\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AZEVEDO, M. <em>Viver a f\u00e9 crist\u00e3 nas diferentes culturas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMBLIN, J. As aporias da incultura\u00e7\u00e3o. <em>Revista Eclesi\u00e1stica Brasileira<\/em>, n.223\/224, set\/dez, 1996, p.664-84 e 903-29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTANA, J. O grande paradigma da incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho nos prim\u00f3rdios da Igreja<em>. Ciberteologia<\/em> &#8211; Revista de Teologia &amp; Cultura, Ano II, n.7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IRARR\u00c1ZAVAL, D. <em>Inculturaci\u00f3n: <\/em>amanecer eclesial en Am\u00e9rica Latina. Lima: Centro de Estudios y Publicaciones (CEP), 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MIRANDA, M. F.\u00a0<em>Incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI. <em>A Evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo (Evangelli Nuntiandi)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUESS, P. Questionamentos e perspectivas a partir da causa ind\u00edgena: Doutrina patr\u00edstica. In: BRAND\u00c3O, C. et al. <em>Incultura\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o:<\/em> Semana de Estudos Teol\u00f3gicos CNBB\/Cimi. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1986, p.160-75.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Inculturaci\u00f3n. In: ELLACUR\u00cdA, I.; SOBRINO, J. (orgs.) <em>Mysterium liberationis<\/em>. Conceptos fundamentales de la Teolog\u00eda de la Liberaci\u00f3n. v.2, Madrid: Trotta, 1990, p.377-422.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Evangeliza\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o: Conceitos, questionamentos, perspectivas. In: FABRI DOS ANJOS, M. (org.) <em>Incultura\u00e7\u00e3o. <\/em>Desafios de hoje. Petr\u00f3polis: Vozes, 1994, p.13-47.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. A disputa pela incultura\u00e7\u00e3o. In: FABRI DOS ANJOS, M. (org.) <em>Teologia da incultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o da teologia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995, p.113-32.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Apontamentos para a evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada. In: COUTO, M.; BATAGIN, S. (orgs.). <em>Novo mil\u00eanio: <\/em>perspectivas, debates, sugest\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997, p.11-52.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Desafios da incultura\u00e7\u00e3o: reflex\u00f5es teol\u00f3gicas e pistas pastorais. In: BEOZZO. J. . (org.) <em>Culturas e incultura\u00e7\u00e3o<\/em>: F\u00e9 crist\u00e3, ecumenismo e di\u00e1logo inter-religioso. Curso de ver\u00e3o &#8211; Ano XII. S\u00e3o Paulo: Paulus\/Cesep, 1998, p.119-39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. O paradigma da incultura\u00e7\u00e3o revisitado. In: <em>Caminhos<\/em>. Revista do Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, v.2, n.1, jan\/jul 2004, p.31-50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAVARES, S. S. (org.)<em> Incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/em> Petr\u00f3polis: Vozes, 2001.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Itiner\u00e1rio conceitual 1.1 Inova\u00e7\u00f5es pr\u00e9-conciliares 1.2 Assun\u00e7\u00e3o da Patr\u00edstica no Vaticano II 1.3 Evangelii nuntiandi: a ruptura entre o Evangelho e a cultura 1.4 Incultura\u00e7\u00e3o latino-americana p\u00f3s-conciliar 2 Escolhas conceituais 2.1 Culturas 2.2 Encarna\u00e7\u00e3o 2.3 Incultura\u00e7\u00e3o 3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas A f\u00e9 crist\u00e3, sua confiss\u00e3o em palavras e seus desdobramentos em obras, existe somente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1458"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1459,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1458\/revisions\/1459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}