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{"id":1454,"date":"2017-12-22T10:16:08","date_gmt":"2017-12-22T12:16:08","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1454"},"modified":"2017-12-22T10:16:08","modified_gmt":"2017-12-22T12:16:08","slug":"ritual-da-iniciacao-crista-de-adultos-rica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1454","title":{"rendered":"Ritual da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adultos (RICA)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A necessidade pastoral atual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A estrutura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 O conte\u00fado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 A primeira etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1.1 O pr\u00e9-catecumenato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 A segunda etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 A terceira etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3.2 Os sacramentos (\u00e0Sacramentos, centro da liturgia)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3.2 A mistagogia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3.3 Orienta\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a pedido do Conc\u00edlio Vaticano II (SC, n.64; CD, n.14; AG, n.14) que se restabeleceu o catecumenato de adultos, culminando, ap\u00f3s a considera\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias de catecumenato em diversos pa\u00edses, na publica\u00e7\u00e3o do RICA, em 1972. O pr\u00f3prio desejo conciliar de restaurar o catecumenato expressa a consci\u00eancia de que a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (\u00e0 INICIA\u00c7\u00c3O CRIST\u00c3) de ent\u00e3o havia perdido, ao menos em parte, seu sentido origin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 compreendia, at\u00e9 o s\u00e9culo V, as seguintes etapas: 1) O an\u00fancio de Jesus Cristo para suscitar a f\u00e9 e a convers\u00e3o; 2) o catecumenato, com dura\u00e7\u00e3o aproximada de tr\u00eas anos; 3) inscri\u00e7\u00e3o dos eleitos e protocatequese (homilia) pelo bispo, durante a quaresma; 4) catequese mistag\u00f3gica, durante o tempo pascal. (CAVALLOTTO, 1996, p.8-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do s\u00e9culo V, com a convers\u00e3o massiva de crist\u00e3os, as exig\u00eancias pastorais acabaram por simplificar drasticamente a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Aprofundou-se paulatinamente a separa\u00e7\u00e3o entre liturgia e catequese. Perdeu-se a unidade dos tr\u00eas sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o: batismo, crisma e eucaristia (ANCILLI, 1985, p.200). Por fim, at\u00e9 o Conc\u00edlio Vaticano II a catequese ficou praticamente reduzida \u00e0 transmiss\u00e3o de verdades conceituais, em detrimento da linguagem lit\u00fargico-simb\u00f3lica da patr\u00edstica; e os sacramentos passaram a ser compreendidos a partir de categorias filos\u00f3ficas tais como hilemorfismo, causalidade, subst\u00e2ncia etc. (CHAUVET, 1988, p.87). \u00c9 bem verdade que nesse longo per\u00edodo n\u00e3o faltaram tentativas isoladas de restaura\u00e7\u00e3o da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mas n\u00e3o alcan\u00e7aram grande \u00eaxito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, por detr\u00e1s do restabelecimento do catecumenato, encontra-se n\u00e3o uma mera volta ao passado da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mas a recupera\u00e7\u00e3o de um dado fundamental daquele per\u00edodo, a centralidade do mist\u00e9rio pascal de Cristo. Obviamente que essa centralidade do mist\u00e9rio esteve sempre \u201csuposta\u201d, mas nem sempre \u201csignificada\u201d. Essa sutil distin\u00e7\u00e3o entre \u201csupor\u201d (<em>supponieren<\/em>) e \u201csignificar\u201d (<em>bezeichnen<\/em>), proposta por K. Rahner (RAHNER, 1967, p.145-7), \u00a0nos ajuda a perceber que, de tanto estar impl\u00edcita, a centralidade do mist\u00e9rio pascal de Cristo acabou por ficar em segundo plano, se n\u00e3o at\u00e9 esquecida, como insinua o pr\u00f3prio Conc\u00edlio (SC, n.21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, \u00e9 somente a partir do encontro pessoal com o mist\u00e9rio de Cristo que se inicia o processo da convers\u00e3o que culminar\u00e1 na ades\u00e3o livre \u00e0 sua pessoa e miss\u00e3o, como explicita a <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Rito da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adultos<\/em>, n.1:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este rito de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 destinado a adultos que, iluminados pelo Esp\u00edrito Santo, ouviram o an\u00fancio do mist\u00e9rio de Cristo e, conscientes e livres, procuram o Deus vivo e encetam o caminho da f\u00e9 e da convers\u00e3o. Por meio dele, ser\u00e3o fortalecidos espiritualmente e preparados para uma frutuosa recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos no tempo oportuno.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Nessa breve introdu\u00e7\u00e3o descortina-se todo um horizonte de \u201cvolta \u00e0s fontes\u201d, como desejavam os padres conciliares. A men\u00e7\u00e3o \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito refere-se ao contexto profundamente mistag\u00f3gico da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos primeiros s\u00e9culos, caracterizada, entre outras coisas, por uma pneumatologia e por uma cristologia mais explicitamente desenvolvidas. A express\u00e3o \u201couviram o an\u00fancio\u201d refere-se \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o ou an\u00fancio querigm\u00e1tico, que antecedia a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a ela conduzia. Logo, a primazia do processo de atra\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 passava pelo an\u00fancio do <em>kerygma<\/em> e n\u00e3o tanto pelo an\u00fancio de verdades abstratas. Por fim, o indicador de uma verdadeira inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 se dava n\u00e3o tanto pelo dom\u00ednio cognitivo da doutrina, mas, sobretudo, pela convers\u00e3o \u00e9tica, testemunhada particularmente pelos que mais proximamente acompanhavam o catec\u00fameno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O RICA, portanto, n\u00e3o \u00e9 mera colet\u00e2nea de rubricas, gestos e palavras normativamente estabelecidas. \u00c9, antes de tudo, um itiner\u00e1rio que nasceu no seio das primeiras comunidades crist\u00e3s, visando conduzir n\u00e3o apenas aquele que deseja aderir \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, mas, juntamente com ele, toda a comunidade dos fi\u00e9is ao mergulho no mist\u00e9rio pascal de Cristo. Trata-se do car\u00e1ter eminentemente soteriol\u00f3gico da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Por isso o ritual n\u00e3o se destina t\u00e3o somente ao catec\u00fameno, mas principalmente \u00e0 comunidade crist\u00e3 (RICA, <em>Observa\u00e7\u00f5es preliminares gerais<\/em>, n.7) que uma e outra vez \u201cvolta \u00e0s fontes\u201d de sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de existir, porque ela \u00e9 \u201c<em>ecclesia semper initianda<\/em>\u201d (O\u00d1ATIBIA, 2000, p.6). Da\u00ed a import\u00e2ncia da unidade entre catequese, inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e liturgia (DGC, n.66). Enfim, a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 algo que diz respeito a toda a comunidade crist\u00e3 (RICA, n.41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A necessidade pastoral atual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando-se o fato ineg\u00e1vel de que uma por\u00e7\u00e3o significativa dos batizados cat\u00f3licos n\u00e3o teve propriamente uma inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3; que os pa\u00edses de miss\u00e3o e at\u00e9 os pa\u00edses que outrora foram predominantemente cat\u00f3licos e que agora se deparam com um significativo contingente de adultos que se convertem ao cristianismo cat\u00f3lico; que ainda persiste, em nossos dias, uma compreens\u00e3o d\u00e9bil da vida crist\u00e3 como frequ\u00eancia \u00e0 liturgia e defesa de algumas verdades de f\u00e9, sem a consequente implica\u00e7\u00e3o \u00e9tica; que a pr\u00f3pria liturgia \u00e9 muitas vezes desfigurada pelo ritualismo e rubricismo; e que ainda permanece certo distanciamento entre catequese, inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e liturgia, compreende-se, ao menos em parte, por qual raz\u00e3o ainda urge que a comunidade crist\u00e3 \u201cvolte \u00e0s fontes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado essa \u201cvolta \u00e0s fontes\u201d, alentada pelos padres conciliares, pode ser compreendida como um apelo para retornar-se \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o mais antiga da f\u00e9, por outro, pode-se tamb\u00e9m compreend\u00ea-la, de modo ainda mais radical, como volta \u00e0s fontes dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e, por conseguinte, \u00e0 fonte batismal. \u00c9 aqui que o RICA oferece para toda a comunidade crist\u00e3 uma \u201crica\u201d possibilidade de renova\u00e7\u00e3o, na medida em que sua progressiva implementa\u00e7\u00e3o pode conduzir todos os fi\u00e9is a reencontrarem n\u00e3o apenas as raz\u00f5es de sua f\u00e9, mas o pr\u00f3prio \u201cautor e consumador da f\u00e9\u201d (Hb 12,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A estrutura <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 estrutura, pode-se notar que cada confer\u00eancia episcopal fez pequenas adapta\u00e7\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o das necessidades pastorais locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em linhas gerais a estrutura b\u00e1sica do RICA \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Observa\u00e7\u00f5es gerais preliminares sobre a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/li>\n<li>Introdu\u00e7\u00e3o ao Rito da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de adultos<\/li>\n<li>O catecumenato e suas etapas<\/li>\n<li>1\u00aa etapa:<\/li>\n<li>Entrada: acolhida, apresenta\u00e7\u00e3o, exorcismos, entrega dos Evangelhos;<\/li>\n<li>Catecumenato: exorcismos, b\u00ean\u00e7\u00e3os, un\u00e7\u00e3o, entrega do S\u00edmbolo, entrega da Ora\u00e7\u00e3o do Senhor;<\/li>\n<li>2\u00aa etapa: Tempo da purifica\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o:<\/li>\n<li>Elei\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Tr\u00edplice escrut\u00ednio<\/li>\n<li>3\u00aa etapa: Sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/li>\n<li>Batismo, confirma\u00e7\u00e3o e eucaristia<\/li>\n<li>Mistagogia<\/li>\n<li>Ritos especiais: ritos simplificados\/abreviados, para adultos j\u00e1 batizados, para crian\u00e7as, para acolhida dos batizados v\u00e1lidos em outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00f3pria estrutura do RICA j\u00e1 aparece claramente o resgate da gradualidade do processo de introdu\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da f\u00e9 crist\u00e3. Al\u00e9m disso, o RICA demarca claramente a necessidade de um rito distinto para o batismo de adultos e outro para o de crian\u00e7as, realidade que pastoralmente ainda n\u00e3o havia sido solucionada em todos os lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que tange \u00e0 estrutura e ao conte\u00fado, o RICA se inspira basicamente na <em>Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<\/em> de Hip\u00f3lito (s\u00e9c. III) e no <em>Sacrament\u00e1rio Gelasiano<\/em> (s\u00e9c. V).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 O conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As <em>Observa\u00e7\u00f5es preliminares gerais<\/em> que abrem o RICA se destinam basicamente a apresentar uma profunda teologia do batismo, instru\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre os pap\u00e9is de cada um com rela\u00e7\u00e3o ao rito e ao batizado, as exig\u00eancias b\u00e1sicas para a realiza\u00e7\u00e3o do batismo e poss\u00edveis adapta\u00e7\u00f5es. Especialmente o primeiro par\u00e1grafo \u00e9 de uma capacidade de s\u00edntese teol\u00f3gica dif\u00edcil de superar:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os seres humanos, libertos do poder das trevas, gra\u00e7as aos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mortos com Cristo, com ele sepultados e ressuscitados, recebem o Esp\u00edrito de filhos adotivos e celebram com todo o povo de Deus o memorial da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A longa <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em> (RICA, n.1-67) mescla orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, teologia da inicia\u00e7\u00e3o e uma verdadeira catequese mistag\u00f3gica. Destacam-se o acento no papel do testemunho e da participa\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 para a inicia\u00e7\u00e3o dos catec\u00famenos; as etapas e \u201ctempos de informa\u00e7\u00e3o e amadurecimento\u201d; a recomenda\u00e7\u00e3o de que determinadas etapas aconte\u00e7am concomitantemente ao ciclo pascal (RICA, n.1-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das observa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias e da introdu\u00e7\u00e3o geral, o RICA apresenta antes de cada rito uma s\u00e9rie de novas orienta\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es. Todas elas ser\u00e3o analisadas conjuntamente aqui segundo a etapa da inicia\u00e7\u00e3o a que se referem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a Liturgia da Palavra, o RICA oferece uma abundante e criteriosa sele\u00e7\u00e3o de textos b\u00edblicos mais adequados ao contexto teol\u00f3gico de cada rito, al\u00e9m de acolher tamb\u00e9m algumas sugest\u00f5es do Elenco das Leituras da Missa (RICA, n.92).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1 A primeira etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1.1 O pr\u00e9-catecumenato<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Merece especial men\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia dada na <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o ou pr\u00e9-catecumenato. O texto insiste no an\u00fancio querigm\u00e1tico como o caminho pelo qual o Esp\u00edrito conduz a pessoa \u201csimpatizante\u201d (RICA, n.12) \u00e0 experi\u00eancia da f\u00e9 (RICA, n.9-10). \u00c9 somente ap\u00f3s essa experi\u00eancia inicial de ser alcan\u00e7ada pela gra\u00e7a que a pessoa \u00e9 acolhida ao catecumenato. Essa preocupa\u00e7\u00e3o com a evangeliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 bastante consequente, na medida em que, ao ignor\u00e1-la, corre-se o risco de reduzir novamente a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de verdades doutrinais e manter o catec\u00fameno \u00e0 margem da experi\u00eancia salv\u00edfica do encontro com o mist\u00e9rio de Cristo, especialmente naqueles casos em que as motiva\u00e7\u00f5es para a convers\u00e3o s\u00e3o esp\u00farias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1.2 O catecumenato<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fim de evitar equ\u00edvocos sobre o significado da etapa do pr\u00e9-catecumenato, o RICA orienta para que se observe no candidato ao catecumenato os sinais ou as seguintes condi\u00e7\u00f5es: o \u201cin\u00edcio de convers\u00e3o, de f\u00e9 e de senso eclesial\u201d (RICA, n.68), o \u201cdesejo de mudar de vida e entrar em rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus em Cristo\u201d, o \u201ccostume de rezar\u201d, e a \u201cexperi\u00eancia da comunidade e do esp\u00edrito dos crist\u00e3os\u201d (RICA, n.15). S\u00f3 ent\u00e3o o candidato poderia ser acolhido ao catecumenato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ritos relativos ao catecumenato s\u00e3o divididos em dois momentos, o da celebra\u00e7\u00e3o de entrada no catecumenato e os ritos relativos ao tempo do catecumenato propriamente dito. \u00c9 importante notar que o catecumenato pode durar v\u00e1rios anos (RICA, n.98), ao longo dos quais os v\u00e1rios ritos propostos para o catecumenato s\u00e3o distribu\u00eddos. Especial lugar cabe \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es da Palavra de Deus que t\u00eam por finalidade: gravar nos cora\u00e7\u00f5es dos catec\u00famenos o ensinamento recebido quanto aos mist\u00e9rios de Cristo e a maneira de viver que da\u00ed decorre, lev\u00e1-los a saborear a ora\u00e7\u00e3o e introduzi-los na liturgia da comunidade (RICA, n.106).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do rito de entrada no catecumenato, os catec\u00famenos \u201cj\u00e1 fazem parte da fam\u00edlia de Cristo\u201d (RICA, n.18). Da\u00ed a import\u00e2ncia da ativa participa\u00e7\u00e3o de toda a comunidade (RICA, n.70). Essa celebra\u00e7\u00e3o de acolhida ao catecumenato compreende apenas a recep\u00e7\u00e3o dos candidatos, que fazem uma primeira ades\u00e3o a Cristo, a assinala\u00e7\u00e3o da fronte e dos sentidos, a Liturgia da Palavra e a despedida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo do catecumenato propriamente dito, v\u00e1rios meios s\u00e3o oferecidos ao catec\u00fameno para sua matura\u00e7\u00e3o na f\u00e9: 1) a catequese, marcada pela liturgia, pelo conhecimento dos dogmas e preceitos e, fundamentalmente, pela \u201c\u00edntima percep\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o\u201d; 2) a familiaridade com as pr\u00e1ticas da vida crist\u00e3: testemunho, ora\u00e7\u00e3o, caridade, progressiva convers\u00e3o; 3) ritos lit\u00fargicos e celebra\u00e7\u00f5es da Palavra para os catec\u00famenos; 4) a coopera\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do testemunho e da profiss\u00e3o de f\u00e9, com a miss\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o; 5) os exorcismos, b\u00ean\u00e7\u00e3os e un\u00e7\u00f5es; 6) a escolha de padrinhos (RICA, n.19-20; 98-105).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As entregas do S\u00edmbolo e da Ora\u00e7\u00e3o do Senhor podem acontecer durante o catecumenato ou serem adiadas para a segunda etapa, conforme se julgar mais oportuno (RICA, n.125).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.2 A segunda etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em>, o tempo da purifica\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o, que normalmente deveria ocorrer durante a quaresma, se consagra a \u201cpreparar mais intensamente o esp\u00edrito e o cora\u00e7\u00e3o\u201d (RICA, n.22) dos catec\u00famenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) <em>Elei\u00e7\u00e3o<\/em> ou <em>inscri\u00e7\u00e3o do nome<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nessa etapa que s\u00e3o \u201celeitos\u201d aqueles catec\u00famenos que j\u00e1 alcan\u00e7aram a maturidade suficiente da f\u00e9 e da caridade e desejam participar dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A partir desse momento, esses catec\u00famenos passam a ser chamados \u201celeitos\u201d, \u201ccopetentes\u201d ou \u201ciluminados\u201d, referindo-se \u00e0 luz da f\u00e9 (RICA, n.22-24). A elei\u00e7\u00e3o marca o fim do catecumenato propriamente dito e s\u00f3 deve acontecer ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do catec\u00fameno por aqueles que o acompanharam de perto, entre eles, os padrinhos, que, a partir de agora, assumem diante da comunidade sua miss\u00e3o (RICA, n.133-139).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o, que deveria ocorrer no primeiro domingo da Quaresma, compreende a Liturgia da Palavra, a apresenta\u00e7\u00e3o dos candidatos, o exame e a peti\u00e7\u00e3o dos candidatos, as ora\u00e7\u00f5es e a despedida (RICA, n.140-150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>b)Tr\u00edplice escrut\u00ednio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cpurifica\u00e7\u00e3o\u201d pr\u00f3pria desta etapa consiste em acentuar mais a vida interior que a catequese, nos exerc\u00edcios do exame de consci\u00eancia e da penit\u00eancia, culminando nos escrut\u00ednios realizados aos domingos e que levam os eleitos a uma maior liberta\u00e7\u00e3o do pecado e do mal. J\u00e1 a \u201cilumina\u00e7\u00e3o\u201d refere-se especialmente \u00e0 f\u00e9, ritualizada pela entrega do S\u00edmbolo, e a acolhida do esp\u00edrito de filia\u00e7\u00e3o que permite chamar Deus de Pai e que \u00e9 ritualizada pela entrega da Ora\u00e7\u00e3o do Senhor (RICA, n.25-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cescrut\u00ednio\u201d significa, etimologicamente, o ato de examinar rigorosamente. No contexto do rito, o exame \u00e9 feito pela pr\u00f3pria Trindade, que nas preces pelos eleitos e nos exorcismos \u00e9 invocada para sondar o eleito, purific\u00e1-lo, orient\u00e1-lo em seus prop\u00f3sitos, despertar-lhe a consci\u00eancia do pecado e estimular-lhe a vontade e os desejos (RICA, n. 154-164). Por fim, os tr\u00eas escrut\u00ednios, realizados durante o 3\u00ba, 4\u00ba e 5\u00ba domingos da Quaresma, s\u00e3o tematizados em fun\u00e7\u00e3o dos respectivos Evangelhos: samaritana (\u00e1gua viva), cego de nascen\u00e7a (luz) e a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro (ressurrei\u00e7\u00e3o e vida).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A etapa da purifica\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o se conclui com uma celebra\u00e7\u00e3o prevista para o S\u00e1bado Santo, antes da Vig\u00edlia Pascal. Trata-se dos ritos da recita\u00e7\u00e3o do S\u00edmbolo, do <em>\u00c9feta<\/em> (Ouvir) e da escolha do nome crist\u00e3o, se for o caso. (RICA, n.194-203)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3 A terceira etapa da inicia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3.1 Os sacramentos<\/strong> (Sacramentos, centro da liturgia)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta etapa compreende os sacramentos do batismo, confirma\u00e7\u00e3o e eucaristia e conclui-se com a mistagogia. O RICA, embora n\u00e3o se estenda muito sobre a teologia dos sacramentos, apresenta de maneira sint\u00e9tica o sentido teol\u00f3gico de cada um dos tr\u00eas sacramentos. Sobre o batismo, destaca o seu car\u00e1ter trinit\u00e1rio, a alian\u00e7a que se realiza com Cristo, a participa\u00e7\u00e3o em seu mist\u00e9rio pascal e em sua filia\u00e7\u00e3o e a consequente agrega\u00e7\u00e3o ao povo de Deus, a import\u00e2ncia do s\u00edmbolo da \u00e1gua, dos ritos da ren\u00fancia e da profiss\u00e3o de f\u00e9 (RICA, n.28-33, 210-211). Sobre a confirma\u00e7\u00e3o, acentua-se a efus\u00e3o do Esp\u00edrito como em Pentecostes e o nexo entre os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o (RICA, n.34-35, 229-231). E sobre a Eucaristia, destaca-se a eleva\u00e7\u00e3o dos ne\u00f3fitos \u00e0 dignidade do sacerd\u00f3cio real, participando da \u201ca\u00e7\u00e3o sacrifical\u201d e recitando a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor, e, por fim, o sentido da comunh\u00e3o do Corpo e Sangue do Senhor como confirma\u00e7\u00e3o dos dons recebidos e antegozo dos eternos (RICA, n.36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 s\u00e3o realizados de uma s\u00f3 vez, preferencialmente durante a Vig\u00edlia Pascal. O RICA destaca a import\u00e2ncia de se manter o rito da b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, mesmo que os sacramentos n\u00e3o ocorram na Vig\u00edlia Pascal, dada a fun\u00e7\u00e3o mistag\u00f3gica dessa b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3.2 A mistagogia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao tempo da mistagogia, ele \u00e9 definido como um tempo de \u201cconhecimento mais completo e frutuoso dos \u2018mist\u00e9rios\u2019 atrav\u00e9s das novas explana\u00e7\u00f5es e sobretudo da experi\u00eancia dos sacramentos recebidos\u201d (RICA, n.38).\u00a0 O que se deseja \u00e9 que os ne\u00f3fitos adquiram um \u201cnovo senso da f\u00e9, da Igreja e do mundo\u201d e estabele\u00e7am um relacionamento mais proveitoso e estreito com os fi\u00e9is da comunidade (RICA, n.235). \u00c0 mistagogia destinam-se especialmente as \u201cmissas pelos ne\u00f3fitos\u201d ou as missas dos domingos de P\u00e1scoa (RICA, n.236).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00e9rmino do tempo da mistagogia coincide com o t\u00e9rmino do tempo Pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3.3 Orienta\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Introdu\u00e7\u00e3o <\/em>conclui-se com orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e exorta\u00e7\u00f5es sobre a participa\u00e7\u00e3o da comunidade em todo o processo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a come\u00e7ar pela evangeliza\u00e7\u00e3o ou pr\u00e9-catecumenato. Estende-se sobre a fun\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia do introdutor, do padrinho, do bispo local, dos presb\u00edteros, dos di\u00e1conos e dos catequistas. E conclui com orienta\u00e7\u00f5es sobre as adapta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do ritual da inicia\u00e7\u00e3o, conforme as exig\u00eancias pastorais de cada lugar; e sobre os tempos mais adequados para cada etapa (RICA, n.41-67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O RICA oferece uma s\u00e9rie de ritos adaptados \u00e0s diversas circunst\u00e2ncias: 1) simplificado para os casos em que o candidato n\u00e3o pode percorrer todas as etapas da inicia\u00e7\u00e3o (RICA, n.240-277); 2) abreviado para adultos em perigo de morte (RICA, n.278-294); 3) para adultos batizados na inf\u00e2ncia e que n\u00e3o receberam a devida catequese (RICA, n.295-305); 4) para inicia\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em idade de catequese e que n\u00e3o foram batizadas (RICA, n.306-369). O RICA conclui com um ap\u00eandice, em que se apresenta o rito para a admiss\u00e3o na plena comunh\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica das pessoas j\u00e1 batizadas validamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando que o Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II estava interessado sobretudo em atender \u00e0s necessidades pastorais mais prementes da Igreja, em especial um di\u00e1logo mais profundo com o mundo, cabe destacar as principais contribui\u00e7\u00f5es possibilitadas pela restaura\u00e7\u00e3o do catecumenato como proposto pelo RICA:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) O resgate da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em seu v\u00ednculo com a liturgia, a catequese e a vida comunit\u00e1ria. A comunidade crist\u00e3 \u00e9, em sua totalidade, aquela que, pela gra\u00e7a divina, conduz o candidato \u00e0 participa\u00e7\u00e3o progressiva no mist\u00e9rio de Deus. E enquanto faz a inicia\u00e7\u00e3o, a comunidade crist\u00e3 \u00e9 ela mesma reintroduzida no mesmo processo de volta \u00e0s fontes da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) A recupera\u00e7\u00e3o da mistagogia, t\u00e3o utilizada na Patr\u00edstica. O termo mistagogia, utilizado pelos Padres, possu\u00eda in\u00fameros significados: a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a catequese sobre os sacramentos; uma teologia que se nutre da experi\u00eancia lit\u00fargica; o \u00faltimo per\u00edodo do catecumenato; o caminho de inicia\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio de Deus etc. (FEDERICI, 1985, p.163-245). A mistagogia se apresenta, hoje, como muito prop\u00edcia para o di\u00e1logo com o contexto p\u00f3s-moderno, na medida em que ultrapassa aquele discurso excessivamente gnosiol\u00f3gico e racional da Idade M\u00e9dia tardia, acolhendo a riqueza do s\u00edmbolo, da met\u00e1fora, da express\u00e3o e dos sentidos corporais para atrair, apresentar e introduzir os mist\u00e9rios da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) O acento na verifica\u00e7\u00e3o \u00e9tica do processo iniciat\u00f3rio como crit\u00e9rio para a recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3; ao mesmo tempo em que se apresenta como um desafio para a sua implementa\u00e7\u00e3o, valoriza a centralidade do seguimento de Jesus como o verdadeiro sinal da identidade crist\u00e3. Isso significa que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o somente a ortodoxia, mas sobretudo a ortopraxia que identifica o verdadeiro disc\u00edpulo de Cristo, o que nada mais \u00e9 do que a reafirma\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio joanino: \u201cSe algu\u00e9m disser: \u2018Amo a Deus\u2019, e odeia seu irm\u00e3o, \u00e9 um mentiroso\u201d (1Jo 4,20). No entanto, a \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 apenas o crit\u00e9rio de entrada \u00e0 comunidade dos crist\u00e3os. O pr\u00f3prio RICA, e por extens\u00e3o toda liturgia crist\u00e3, visa a configurar a assembleia reunida a Cristo, levando-a a pensar, sentir e agir como Cristo. Trata-se, portanto, da recupera\u00e7\u00e3o do conhecido axioma teol\u00f3gico: <em>lex orandi, lex credendi, lex agendi<\/em> (a norma do orar \u00e9 a norma do crer e do agir). Da\u00ed a insist\u00eancia do RICA no tema da convers\u00e3o ao longo dos v\u00e1rios ritos, utilizando-se com frequ\u00eancia, especialmente no caso do batismo, das ant\u00edteses \u201cvida-morte\u201d, \u201cluz-trevas\u201d, \u201cvelho-novo\u201d etc. Eloquente a esse respeito \u00e9 o rito de entrada no catecumenato, ao sugerir a seguinte alocu\u00e7\u00e3o \u00e0quele que preside a celebra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida eterna consiste em conhecermos o verdadeiro Deus e Jesus Cristo, que ele enviou. Ressuscitando dos mortos, Jesus foi constitu\u00eddo, por Deus, Senhor da vida e de todas as coisas, vis\u00edveis e invis\u00edveis. Se voc\u00eas querem ser disc\u00edpulos seus e membros da Igreja, \u00e9 preciso que voc\u00eas sejam instru\u00eddos em toda a verdade revelada por ele; que aprendam a ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo e procurem viver segundo os preceitos do Evangelho; e, portanto, que voc\u00eas amem o Senhor Deus e o pr\u00f3ximo como Cristo nos mandou fazer, dando-nos o exemplo. (RICA, n.76)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) A reiterada refer\u00eancia \u00e0 centralidade do mist\u00e9rio pascal de Cristo. A implementa\u00e7\u00e3o do RICA pode efetivamente ser uma fonte cont\u00ednua de catequese e de espiritualidade para a comunidade crist\u00e3 na medida em que, pedagogicamente, a conduz ao n\u00facleo da f\u00e9 crist\u00e3, o que favorece enormemente o discernimento sobre a hierarquia das verdades na Igreja, impedindo assim que o secund\u00e1rio acabe por ocupar o primeiro posto, coisa que infelizmente ainda aflige in\u00fameras comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) A valoriza\u00e7\u00e3o da B\u00edblia para a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9. Todas as ora\u00e7\u00f5es e gestos propostos pelo RICA s\u00e3o acompanhados de uma fundamenta\u00e7\u00e3o b\u00edblica em algum evento da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, como explicita de forma paradigm\u00e1tica a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua para o batismo. Dessa forma, o RICA recoloca a liturgia e as Sagradas Escrituras como os lugares incontorn\u00e1veis da catequese. De fato, uma catequese que se afaste da liturgia crist\u00e3 e das Escrituras deixa de ser inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 e torna-se possivelmente uma introdu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3. A diferen\u00e7a entre ambas \u00e9 que naquela o indiv\u00edduo \u00e9 conduzido \u00e0 experi\u00eancia da f\u00e9, e nesta \u00e0 experi\u00eancia cognitiva sobre a religi\u00e3o crist\u00e3. Naquela nasce um disc\u00edpulo, nesta um conhecedor da religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) O RICA ressitua, atrav\u00e9s de sua proposta, a liturgia como atualiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es simb\u00f3lico-sacramentais (\u2192S\u00cdMBOLO E SACRAMENTO), como express\u00e3o da a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus na hist\u00f3ria (SC, 9-10). E, justamente por seu car\u00e1ter simb\u00f3lico, a liturgia abre o fiel \u00e0 infind\u00e1veis experi\u00eancias com o mist\u00e9rio de Deus Uno e Trino. \u00c9 nesse horizonte que a pr\u00e1xis humana \u00e9 mistagogicamente movida \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com a causa e a pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, na obedi\u00eancia ao Pai, na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) Por fim, o RICA se apresenta como uma forma de resgate da liturgia como l\u00edngua materna do crer. Antes mesmo que o catec\u00fameno compreenda mais profundamente o mist\u00e9rio da f\u00e9, ele \u00e9 introduzido \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Deus feita pela comunidade crist\u00e3, valendo-se de termos como: Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo, Senhor, Luz, Amor, Criador, Redentor etc. Confirma-o, por exemplo, o rito de entrega do S\u00edmbolo ao catec\u00fameno, o rito de entrega da Ora\u00e7\u00e3o do Senhor e o rito de entrega do Evangelho. Toda essa inicia\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado da f\u00e9, que, insistimos, tamb\u00e9m \u00e9 inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem da f\u00e9 e, mais exatamente, inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Deus, expressa que a nomea\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o \u00e9 acess\u00f3ria, nem ing\u00eanua. O modo como Deus \u00e9 nomeado liga-se estreitamente ao modo como Deus \u00e9 compreendido e acolhido. De fato, por detr\u00e1s de cada nomea\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 uma peculiar revela\u00e7\u00e3o divina (L\u00d6HRER, 1972, p.276-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00e9rgio Mendes,<\/em> PUC Rio, Original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANCILLI, Ermanno (Dir.) <em>Mistagogia e direzione spirituale<\/em>. Roma: Pontificio Istituto di spiritualita del Teresianum; Mil\u00e3o: Ed. O.R., 1985. (Collana della &#8220;Rivista di vita spirituale&#8221;, n.18)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ASSOCIAZIONE PROFESSORI DI LITURGIA. <em>Iniziazione cristiana degli adulti oggi<\/em>: Atti della XXVI Settimana di Studio dell\u2019Associazione Professori di Liturgia. Roma: C.L.V. \u2013 Edizioni Liturgiche, 1998. (Collana Studi di Liturgia \u2013 Nuova Serie, 36. Bibliotheca \u201cEphemerides Liturgicae\u201d \u2013 \u201cSubsidia\u201d, 99)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAVALLOTTO, Giuseppe (Org<em>.). Iniziazione cristiana e catecumenato: <\/em>Diventari cristiani per essere battezzati<em>. <\/em>Bologna: Dehoniane Bologna, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHAUVET, Louis-Marie. <em>Symbole et sacrement: <\/em>une relecture sacramentelle de l\u2019existence chr\u00e9tienne. Paris: Les \u00c9ditions du Cerf, 1988. Collection Cogitatio Fidei, 144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO ECUM\u00caNICO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar Sacrosanctum Concilium. <\/em>Sobre a Sagrada Liturgia<em>.<\/em> Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.vatican.va \/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19631204_ sacrosanctum-concilium_po.html. Acesso em: 12 jun 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO ECUM\u00caNICO VATICANO II. <em>Decreto Ad Gentes sobre a atividade mission\u00e1ria da Igreja.<\/em> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/<\/a> ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_ decree_19651207_ad-gentes_po.html. Acesso em 31 jan 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO ECUM\u00caNICO VATICANO II. <em>Decreto Christus Dominus. <\/em>Sobre o m\u00fanus pastoral dos Bispos na Igreja. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/<\/a> hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19651028_christusdominus_ po.html. Acesso em: 20 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO. <em>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese<\/em><strong>.<\/strong> Vaticano, 1997. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cclergy\/\">http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cclergy\/<\/a> documents\/rc_con_ccatheduc_doc_17041998_directory-for-catechesis_po.html. Acesso em 10 set 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUILARTE, Manuel del Campo. Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. In: PEDROSA, V. M.; NAVARRO, M.; L\u00c1ZARO, R.; SASTRE, J. <em>Dicion\u00e1rio de catequ\u00e9tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004. p. 602-614.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FEDERICI,\u00a0 T.\u00a0 La\u00a0 mistagogia\u00a0 della\u00a0 Chiesa.\u00a0 In:\u00a0 ANCILLI.\u00a0 E.\u00a0 (ed.) <em>Mistagogia e direzione spirituale<\/em>. Roma\/Milano: Teresianum, 1985. p.163-245.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FLORIST\u00c1N, Casiano. <em>Para comprender el catecumenado<\/em>. Estella: Verbo Divino, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00d6HRER, M. Observa\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas sobre a quest\u00e3o dos atributos e atividades livres de Deus. In: ______ (Ed.). <em>Fundamentos de dogm\u00e1tica hist\u00f3rico-salv\u00edfica. <\/em>A hist\u00f3ria salv\u00edfica antes de Cristo. Petr\u00f3polis: Vozes, 1972. Cole\u00e7\u00e3o Mysterium Salutis, v.II\/1. p. 276-8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAZZA, Enrico. <em>La mistagogia: <\/em>Le catechesi liturgiche della fine del quarto secolo e il loro metodo<em>.<\/em> 2.ed. Roma: C.L.V.- Edizioni Liturgiche, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOCENT, A. Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. In: SARTORE, Domenico. <em>Dicion\u00e1rio de Liturgia<\/em>. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1992. p.593-606.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Liturgia semper reformanda: <\/em>Rilettura della riforma liturgica. Comunit\u00e0 di Bose (Magnano, VC): Edizioni Qiqajon, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00d1ATIBIA, Ignacio. <em>Bautismo y Confirmaci\u00f3n<\/em>: Sacramentos de iniciaci\u00f3n<em>.<\/em> Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 2000. Sapientia Fidei. Serie de Manuales de Teolog\u00eda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, Karl. <em>Escritos de Teologia<\/em>. v.I. Madrid: Taurus, 1967.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITUAL DA INICIA\u00c7\u00c3O CRIST\u00c3 DE ADULTOS. 6.ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Introdu\u00e7\u00e3o 2 A necessidade pastoral atual 3 A estrutura 4 O conte\u00fado 4.1 A primeira etapa da inicia\u00e7\u00e3o 4.1.1 O pr\u00e9-catecumenato 4.2 A segunda etapa da inicia\u00e7\u00e3o 4.3 A terceira etapa da inicia\u00e7\u00e3o 4.3.2 Os sacramentos (\u00e0Sacramentos, centro da liturgia) 4.3.2 A mistagogia 4.3.3 Orienta\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es 5 Conclus\u00e3o Refer\u00eancias 1 Introdu\u00e7\u00e3o Foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1454","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1454"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1455,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1454\/revisions\/1455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}