
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1451,"date":"2017-12-02T15:46:13","date_gmt":"2017-12-02T17:46:13","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1451"},"modified":"2017-12-02T15:46:13","modified_gmt":"2017-12-02T17:46:13","slug":"o-bem-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1451","title":{"rendered":"O Bem Comum"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 Defini\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>2 Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>2.1 Plat\u00e3o<\/p>\n<p>2.2 Arist\u00f3teles<\/p>\n<p>2.3 C\u00edcero<\/p>\n<p>2.4 Agostinho<\/p>\n<p>2.5 Tom\u00e1s de Aquino<\/p>\n<p>3 Magist\u00e9rio eclesial cat\u00f3lico<\/p>\n<p>4 Reflex\u00e3o teol\u00f3gica cat\u00f3lica<\/p>\n<p>4.1 Moral social<\/p>\n<p>4.2 Bio\u00e9tica<\/p>\n<p>4.3 Ecologia<\/p>\n<p>5 Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Defini\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum diz respeito \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o \u00faltima das capacidades individuais, seja em rela\u00e7\u00e3o a cada indiv\u00edduo em particular, seja no grupo. O bem comum n\u00e3o \u00e9 a soma dos bens desejados e buscados individualmente, nem o que concerne a cada um na busca de obter aquilo que se deseja. O bem comum n\u00e3o \u00e9 nem mesmo aquilo que a coletividade imp\u00f5e de modo totalizante e que n\u00e3o considera ou absolutamente elimina a aten\u00e7\u00e3o a cada cidad\u00e3o e \u00e0 autonomia individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto no Norte do mundo industrializado (WARD &amp; HIMES, 2014), como no Sul do mundo, em via de desenvolvimento (OROBATOR, 2010), injustas desigualdades caracterizam o contexto social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Ao contr\u00e1rio, o bem comum \u00e9 restritamente conexo \u00e0 justi\u00e7a social e \u00e0 igualdade. Atrav\u00e9s da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, o bem comum est\u00e1 a servi\u00e7o da busca de uma maior igualdade, atrav\u00e9s de um empenho firme e eficaz para reduzir e, oxal\u00e1, eliminar a causa da injusta desigualdade e para promover o bem comum em n\u00edvel global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tradi\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o cat\u00f3licas, o bem comum depende tanto da f\u00e9 crist\u00e3, que se preocupa com o bem de cada um, quanto da reflex\u00e3o racional sobre a experi\u00eancia humana, partilhada por cada um, independente de toda a diferen\u00e7a cultural, religiosa, lingu\u00edstica, social e pol\u00edtica. Deste modo, o bem comum \u00e9, ao mesmo tempo, espec\u00edfico da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica crist\u00e3 e caracterizante da experi\u00eancia humana, al\u00e9m de toda a diferen\u00e7a hist\u00f3rica, cultural, religiosa, pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reflex\u00e3o contempor\u00e2nea, o bem comum \u00e9 definido de v\u00e1rios modos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Em primeiro lugar, o bem comum \u00e9 identificado com o bem-estar geral, isto \u00e9, o bem maior que \u00e9 poss\u00edvel conseguir para um maior n\u00famero de cidad\u00e3os. Em tal defini\u00e7\u00e3o se reconhece o influxo do pensamento utilitarista. Considerar o bem comum deste modo privilegia uma aproxima\u00e7\u00e3o quantitativa (o bem maior) e distributiva (para o maior n\u00famero de cidad\u00e3os). Ocorre tamb\u00e9m verificar se o acesso ao bem comum \u00e9 garantido a todos os cidad\u00e3os igualmente ou se existem cidad\u00e3os aos quais o acesso ao bem comum \u00e9 limitado, ou se at\u00e9 chegam a ser exclu\u00eddos de participarem da promo\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, o bem comum \u00e9 considerado um bem p\u00fablico, isto \u00e9, um bem de todos, que \u00e9 dispon\u00edvel a cada membro da comunidade civil para todos, ou para ningu\u00e9m. Por exemplo, quando um Estado est\u00e1 em paz, a paz \u00e9 um bem p\u00fablico, pertence a todos e todos se beneficiam, sem exclus\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, se a paz \u00e9 uma amea\u00e7a por alguma guerra, ningu\u00e9m pode beneficiar-se. Isto pode ser afirmado tamb\u00e9m por outros bens p\u00fablicos: a sa\u00fade, o trabalho, o ambiente ecol\u00f3gico sadio, a beleza natural e a fertilidade da natureza. Al\u00e9m disso, o bem comum fundamental, e o bem p\u00fablico por excel\u00eancia, diz respeito \u00e0 perten\u00e7a de cada indiv\u00edduo \u00e0 comunidade humana e a certeza de que n\u00e3o pode ser exclu\u00eddo dela. Finalmente ocorre precisar que h\u00e1 a responsabilidade em proteger e promover tais bens p\u00fablicos, garantido o acesso a cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, o bem comum pode ser definido como um bem institucional, para indicar as condi\u00e7\u00f5es sociais e institucionais que s\u00e3o necess\u00e1rias para promover o bem comum de cada cidad\u00e3o e de toda a coletividade. Este modo de compreender o bem comum \u00e9 considerado por importantes documentos do magist\u00e9rio cat\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na carta enc\u00edclica <em>Mater et magistra<\/em> (1961), o papa Jo\u00e3o XXIII afirmou que o bem comum \u00e9 \u201co conjunto daquelas condi\u00e7\u00f5es sociais que consentem e favorecem nos seres humanos o desenvolvimento integral da sua pessoa\u201d (Jo\u00e3o XXIII, 1961, n.51). Poucos anos depois, o Conc\u00edlio Vaticano II, na Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo, a <em>Gaudium et spes<\/em>, indicou que \u201co bem comum \u00e9 o das condi\u00e7\u00f5es da vida social que permite tanto aos grupos, quanto a cada um de seus membros atingir de maneira mais completa poss\u00edvel a pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o\u201d (CONCILIO VATICANO II, 1965a, n.26). Outros documentos do magist\u00e9rio cat\u00f3lico tem confirmado esta quest\u00e3o: a declara\u00e7\u00e3o sobre a liberdade religiosa <em>Dignitatis humanae do Conc\u00edlio Vaticano II <\/em>(CONCILIO VATICANO II, 1965b, n.6), o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (1992, n.1006) e o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja (PONTIFICIO CONSIGLIO DELLA GIUSTIZIA E DELLA PACE, 2004, n.164).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, o bem comum institucional enfatiza a import\u00e2ncia dos bens comuns produzidos no contexto social, gra\u00e7as aos processos produtivos, econ\u00f4micos e financeiros (por ex. alimentos, servi\u00e7os sanit\u00e1rios e empregos). Al\u00e9m disso, o bem comum institucional exige verificar como tais bens s\u00e3o distribu\u00eddos, quem beneficia e quem \u00e9 exclu\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quarto lugar, o bem comum \u00e9 relacional ou solid\u00e1rio, para indicar que se trata de um bem partilhado entre todos os agentes morais e realizado junto, atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es e colabora\u00e7\u00f5es. O bem de cada um n\u00e3o se persegue de modo isolado porque o bem de cada um n\u00e3o \u00e9 separ\u00e1vel do bem de todos, mas \u00e9 interdependente. Ao mesmo tempo se define sobre o que o bem comum implica e exige. O bem comum da coletividade inteira se realiza no conjunto com respeito e sustenta\u00e7\u00e3o rec\u00edprocos. Al\u00e9m disso, o papa Jo\u00e3o Paulo II afirmou que a interdepend\u00eancia que o bem comum pressup\u00f5e n\u00e3o \u00e9 contingente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um dado de fato \u2013 vivemos juntos no planeta terra. Ao contr\u00e1rio, trata-se de uma interdepend\u00eancia do tipo moral, que depende da dignidade de cada um e que visa a realiza\u00e7\u00e3o e o bem de todos (Jo\u00e3o Paulo II, 1987, n.26). Em consequ\u00eancia, como sublinhou Jo\u00e3o Paulo II, o bem comum depende das realiza\u00e7\u00f5es de solidariedade que existem na sociedade civil, incluindo aqueles que s\u00e3o mais pobres e necessitados (Jo\u00e3o Paulo II, 1987, n.38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum \u00e9 um conceito com uma longa hist\u00f3ria. No \u00e2mbito judeu crist\u00e3o, o mandamento b\u00edblico que exorta a amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo pede que se fa\u00e7a o quanto poss\u00edvel para promover o bem de cada pessoa \u2013 perto ou longe, conhecido ou desconhecido, inclusive. Este mandamento do amor prop\u00f5e o bem comum, tende para a sua realiza\u00e7\u00e3o e o torna poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1 Plat\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto filos\u00f3fico grego, em Plat\u00e3o (428-348 aC) o bem comum \u00e9 aparentemente ausente, mesmo sendo expl\u00edcita a procura do bem em si mesmo. \u00a0Buscando o bem em si, Plat\u00e3o o identifica como a ideia suprema da qual depende o mundo ineleg\u00edvel. A deia do bem \u00e9 a fonte do conhecer, do ter e do ser e, portanto, de todas as outras ideias, como \u00e9 indicado no mito da caverna (PLAT\u00c3O, VII, 514 b\u2013520 a). Como o sol ilumina e torna vis\u00edvel todas as coisas concretas, assim a ideia do bem torna intelig\u00edvel \u00e0s outras ideias. Al\u00e9m disso, as ideias s\u00e3o valores morais; a ideia suprema, da qual dependem as outras ideias, \u00e9 o supremo valor moral do bem. O bem em si permite precisar a <em>eudaimon\u00eda, <\/em>isto \u00e9 a capacidade de conduzir uma vida boa, feliz, virtuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A felicidade pode ser alcan\u00e7ada somente na vida pol\u00edtica, por isso a comunidade perfeita e feliz \u00e9 a comunidade pol\u00edtica e, mediante as leis, a realiza\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis precede aquela de um indiv\u00edduo ou de classes particulares. Portanto, para Plat\u00e3o, o bem \u00e9 o bem comum. A reflex\u00e3o sobre a vida boa na p\u00f3lis depende da p\u00f3lis ideal da qual a p\u00f3lis concreta \u00e9 s\u00f3 uma aproxima\u00e7\u00e3o. O risco \u00e9 que isso fa\u00e7a perder de vista o bem de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.2 Arist\u00f3teles<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Arist\u00f3teles (384-322 aC), a pol\u00edtica consente definir aquilo que \u00e9 o bem para o ser humano. \u201cO bem \u00e9 aquilo a que todas as coisas tendem\u201d (ARIST\u00d3TELES, I, 1, 1094a, 3) e o tratado sobre o bem \u00e9 um tratado de pol\u00edtica (ARIST\u00d3TELES, I, 2, 1094b, 11). Por consequ\u00eancia, o bem do ser humano, qual animal social, pol\u00edtico (<em>z\u00f4on politik\u00f3n<\/em>), \u00e9 insepar\u00e1vel daquele da p\u00f3lis. \u00c9 s\u00f3 na p\u00f3lis que a vida boa e virtuosa do corpo social \u00e9 poss\u00edvel. Al\u00e9m disso, o bem da p\u00f3lis tem a supremacia sobre o bem do indiv\u00edduo, porque o bem cumulativo da coletividade \u00e9 mais importante do que o bem de cada indiv\u00edduo. A p\u00f3lis grega, por\u00e9m, \u00e9 de elite. \u00c9 a uni\u00e3o de muitas cidades, fam\u00edlias, estirpes e o bem da p\u00f3lis diz respeito apenas aos que s\u00e3o considerados cidad\u00e3os, mas n\u00e3o as mulheres, os escravos e os estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto Plat\u00e3o como Arist\u00f3teles situam o tema do bem em um contexto pol\u00edtico. O bem compreende a coletividade, todos aqueles que s\u00e3o considerados cidad\u00e3os. Em consequ\u00eancia, no mundo antigo, a compreens\u00e3o do termo \u201cbem comum\u201d n\u00e3o indica uma car\u00eancia, mas uma superabund\u00e2ncia. Era necess\u00e1rio falar do bem comum, pois era impl\u00edcito e pressuposto que o bem n\u00e3o pudesse ser sen\u00e3o comum \u2013 ao menos para aqueles que eram considerados cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.3 C\u00edcero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Marco T\u00falio, C\u00edcero (106-143 aC) traz uma vis\u00e3o cr\u00edtica do bem p\u00fablico (<em>res p\u00fablica<\/em>) porque, nos dez anos que precedem o nascimento de Jesus, o imp\u00e9rio romano n\u00e3o possui a capacidade de tender ao bem p\u00fablico, comum, necess\u00e1rio para ser povo. N\u00e3o obstante isso, o bem pessoal e social s\u00e3o insepar\u00e1veis (C\u00edcero I, 25,39). Pelo contr\u00e1rio, ocorreria antepor a utilidade geral \u00e0 pr\u00f3pria. Al\u00e9m disso, a exist\u00eancia da <em>res p\u00fablica<\/em> exige\u00a0 um acordo entre a pessoa e aquilo que seja correto, justo e sobre o bem que se compartilha em comum (HOLLENBACH, 2002, p.122). Tanto para C\u00edcero, como para Arist\u00f3teles, a igualdade entre os cidad\u00e3os n\u00e3o \u00e9 inanimada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.4 Agostinho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Agostinho (354-430), a express\u00e3o bem comum, que os tradutores reaproximam em suas obras, \u00e9 utilizada para traduzir m\u00faltiplas express\u00f5es em textos que lidam com quest\u00f5es do tipo pol\u00edtico. Em particular, o bem comum \u00e9 aquilo que a comunidade civil ama. Em consequ\u00eancia, ocorre que o bem comum seja intencionalmente procurado individualmente pelas autoridades civis. Para o jesu\u00edta David Hollenbach, isso o leva a afirmar que Agostinho pressup\u00f5e a possibilidade de uma forma de vida pol\u00edtica com objetivos comunit\u00e1rios (HOLLENBACH, 1988, p.85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho afirma, de um lado, a necessidade de refletir sobre o bem comum detendo-se sobre a cidade terrena e, de outro lado, convida a concentrar-se sobre a cidade eterna, reconhecendo Deus, o sumo bem, como \u00fanico bem comum. Deste modo, o bem comum admite combinar duas tens\u00f5es: de um lado a possibilidade de viver a radicalidade do mandamento evang\u00e9lico de amar o pr\u00f3ximo na vida social gra\u00e7as a Deus, sumo amor incondicional e gratuito; de outro lado, o bem comum permite interagir com igualdade, reciprocidade, mutualidade e colabora na sociedade civil buscando definir e promover o bem comum para todos os cidad\u00e3os, vivendo de tal modo o amor que foi recebido gratuitamente.\u00a0 Em consequ\u00eancia, para Hollenbach, Agostinho prop\u00f5e uma modalidade de presen\u00e7a na esfera civil onde a comunidade crist\u00e3 \u00e9 diferenciada da esfera p\u00fablica, por\u00e9m sem isolamento ou domina\u00e7\u00e3o sobre ela (HOLLENBACH, 2002, p.121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho afirma com clareza que nenhuma cidade terrena poder\u00e1 realizar a plena comunh\u00e3o com Deus que caracterizar\u00e1 a cidade de Deus, mas j\u00e1 agora \u00e9 poss\u00edvel a vida comum de uma <em>res p\u00fablica<\/em> com o bem comum partilhado (HOLLENBACH, 2002, p.126). Em outras palavras, a vis\u00e3o teol\u00f3gica agostiniana n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo para a vida comum. De tal modo, Agostinho integra a cr\u00edtica de C\u00edcero valorizando a rela\u00e7\u00e3o fundada sobre a amizade e o amor, que caracterizam a experi\u00eancia de cada pessoa e que consentem em construir o bem comum da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Agostinho pressup\u00f5e que o bem comum de uma sociedade precisa concordar com o que \u00e9 verdadeiramente justo, visando o amor rec\u00edproco e exprimindo, assim, o amor de Deus doado a cada um gratuita e incondicionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum pode ser encontrado em seu sentido absoluto s\u00f3 na cidade celeste, mas, em sentido relativo, ele plasma a cidade terrena, a exemplo das estruturas necess\u00e1rias para garantir os bens essenciais para viver e morrer bem (sa\u00fade, alimento, abrigo, seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, cultura, possibilidade de viver e de praticar o pr\u00f3prio credo religioso etc). Agostinho portanto, n\u00e3o partilha da afirma\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles que o bem da polis \u00e9 o m\u00e1ximo bem humano (HOLLENBACH, 2002, p.124-5). Deste modo, o bem comum pol\u00edtico \u00e9 a imagem imperfeita da vida eterna. Preservar a paz terrena faz parte, portanto, do bem comum. Em consequ\u00eancia, podemos tamb\u00e9m afirmar que o respeito \u00e0 diversidade e o prover os bens essenciais a todos os cidad\u00e3os fazem parte do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, para Agostinho o bem comum terreno \u00e9 imagem do bem comum celeste. Enquanto, por um lado, ele dessacraliza a pol\u00edtica e insiste sobre a transcend\u00eancia da cidade de Deus, por outro, ele tutela a capacidade do \u00e2mbito pol\u00edtico de se tornar uma parcial e imperfeita encarna\u00e7\u00e3o do bem humano total e de perseguir os bens, entre os quais os bens comuns que caracterizam a cidade terrestre (HOLLENBACH, 2002, p.125, 127-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.5 Tom\u00e1s de Aquino<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No conjunto de sua obra, Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274) n\u00e3o consagrou um tratado completo sobre o bem comum. Ele refletiu primeiramente sobre a no\u00e7\u00e3o de \u201cbem\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 no\u00e7\u00e3o do \u201cser\u201d e da \u201cbondade divina\u201d; em segundo lugar, ele precisou o \u201cbem\u201d moralmente, e, em terceiro, conotou o bem de modo pol\u00edtico mediante a no\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito do pensamento medieval, ao mesmo tempo que assinala que o bem comum realizado na comunidade civil \u00e9 mais divino que o bem de cada pessoa, Tom\u00e1s n\u00e3o indica como buscar o bem comum nas diversas circunst\u00e2ncias, mesmo o aplicando em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (por exemplo, o assassinato do outro para leg\u00edtima defesa; o assassinato de outros em casos de guerra; a propriedade privada). Todavia, o bem comum \u00e9 o crit\u00e9rio \u00e9tico que guia o comportamento individual e social porque \u00e9 a finalidade do <em>civitas<\/em>, isto \u00e9, da sociedade pol\u00edtica. Devemos tamb\u00e9m compreender se o adjetivo \u201ccomum\u201d para Tom\u00e1s compreende uma <em>civitas<\/em> identica \u00e0 p\u00f3lis aristot\u00e9lica, ou se se refere a grupos em posi\u00e7\u00f5es de poder dentro dela, ou, se diz respeito apenas \u00e0 autoridade cujas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o especificadas (por isso, seria mais p\u00fablico do que o bem comum), ou se inclui a humanidade inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tom\u00e1s esclarece, definindo o bem comum de tr\u00eas modos: primeiro, o bem comum \u00e9 o bem que diz respeito a cada pessoa, que \u00e9 predic\u00e1vel a cada um (por exemplo, a natureza humana \u00e9 comum a todos); segundo, o bem comum \u00e9 aquele partilhado por todos e que pertence a todos (por exemplo, a vit\u00f3ria por um ex\u00e9rcito); terceiro, o bem comum define os bens comuns de utilidades, que s\u00e3o ligados \u00e0 justi\u00e7a distributiva, isto \u00e9, que dizem respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos bens a servi\u00e7o do bem comum (por exemplo, dinheiro, \u00e1gua e recursos m\u00e9dicos). Enfim, na comunidade pol\u00edtica, estes tr\u00eas significados de bem comum s\u00e3o insepar\u00e1veis porque cada pessoa consegue a felicidade (um bem predicamente comum) s\u00f3 como parte da ordem civil (um bem causal comum), que \u00e9 mantido por uma justa distribui\u00e7\u00e3o dos bens comuns de utilidade (FROELICH, 1989, p.55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, para Tom\u00e1s, o adjetivo \u201ccomum\u201d pode indicar aquilo que \u00e9 comum a muitos por motivo de sua natureza (<em>secundum res<\/em>), como um lugar comum no qual nos reunimos, ou ent\u00e3o <em>secundum rationem, <\/em>isto \u00e9, que pertence a muitos, mas do qual a unidade depende de uma abstra\u00e7\u00e3o, como o g\u00eanero animal (TOM\u00c1S DE AQUINO, I, q. 13, a. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum n\u00e3o \u00e9 somente o bem individual, nem a soma aritm\u00e9tica dos bens individuais e privados. Isto criaria divis\u00f5es na sociedade. Ao contr\u00e1rio, o bem comum almeja uma ordem social de grau mais elevado em rela\u00e7\u00e3o ao que se pode conseguir somando os bens de cada cidad\u00e3o. Portanto, em Tom\u00e1s, a no\u00e7\u00e3o de bem comum depende da convic\u00e7\u00e3o que a pessoa humana \u00e9 intrinsecamente social, orientada naturalmente ao bem e parte de um universo ordenado naturalmente. Finalmente, o princ\u00edpio do bem comum tem um componente sobrenatural (Deus \u00e9 o sumo bem comum) e um natural (a exig\u00eancia pr\u00e1tica do viver social).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como em Agostinho, tamb\u00e9m para Tom\u00e1s o bem \u00faltimo de toda a criatura, o bem comum, no sentido mais pleno e completo, \u00e9 Deus, enquanto \u00e9 de Deus que depende o bem de todas as coisas. Os seres humanos se realizam plenamente somente quando est\u00e3o unidos a Deus, e, deste modo, unidos uns aos outros e unidos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa da tens\u00e3o entre o bem temporal e o bem \u00faltimo, entre o cidad\u00e3o, a <em>civitas<\/em> e Deus, a sociedade pol\u00edtica \u00e9 essencialmente rela\u00e7\u00e3o e \u00e9 caracterizada pelas rela\u00e7\u00f5es din\u00e2micas entre indiv\u00edduos, sociedade de Deus. Quanto mais se compreende e se vive tais rela\u00e7\u00f5es, tanto mais cada cidad\u00e3o compreende e vive na sociedade pol\u00edtica perseguindo o bem comum da sociedade civil. Ao mesmo tempo, cada uma destas rela\u00e7\u00f5es, e todas juntas, constituem aproxima\u00e7\u00f5es do bem comum, em menor medida do bem comum temporal e, em grau m\u00e1ximo, do bem comum \u00faltimo. Como consequ\u00eancia, ao se pretender definir o bem comum de modo n\u00e3o aproximado se recai num bem particular. Tom\u00e1s define tr\u00eas aproxima\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira aproxima\u00e7\u00e3o do bem comum indica que o ser humano \u00e9 naturalmente social, pol\u00edtico e, portanto, destinado a viver em comunidade, tendendo ao bem pessoal e comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda aproxima\u00e7\u00e3o do bem comum \u00e9 o bem-estar da comunidade social, isto \u00e9, do corpo pol\u00edtico. Para Tom\u00e1s, a comunidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, mas existe para facilitar e promover o bem comum, de modo que todos os cidad\u00e3os se beneficiem. Isto requer uma defini\u00e7\u00e3o articulada da virtude da justi\u00e7a, capaz de distinguir uma justi\u00e7a \u201cparticular\u201d, que Tom\u00e1s elabora a partir de Arist\u00f3teles e do direito romano (segundo o qual um d\u00e1 a cada um o quanto lhe cabe), e uma justi\u00e7a geral, que concerne ao bem comum. As autoridades pol\u00edticas t\u00eam o dever de oportunizar ao povo o bem comum, sem excluir o bem particular de cada um. Al\u00e9m disso, em \u00e2mbito pol\u00edtico e deliberativo, as virtudes da compaix\u00e3o e da prud\u00eancia orientam e enriquecem a capacidade dos cidad\u00e3os de promoverem o bem comum (BUSHLACK, 2015). \u00c0 luz das contribui\u00e7\u00f5es dos papas Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco, podemos acrescentar a caridade e a solidariedade \u00e0 lista das virtudes de Tom\u00e1s de Aquino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a terceira aproxima\u00e7\u00e3o do bem comum diz respeito \u00e0 bondade universal de Deus, que transcendendo o universo nutre, sustenta e abra\u00e7a o todo e cada uma de suas partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, ainda que Tom\u00e1s n\u00e3o descreva como se busca praticamente o bem comum da comunidade, ele pressup\u00f5e uma intera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre o bem humano, o bem individual e o bem da comunidade, entre a justi\u00e7a que concerne o cidad\u00e3o singular e a justi\u00e7a que diz respeito a toda a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Magist\u00e9rio eclesial cat\u00f3lico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Doutrina social cat\u00f3lica pede de cada crente, ou melhor, de cada cidad\u00e3o, um agir com justi\u00e7a. Neste sentido, as enc\u00edclicas sociais, algumas de modo expl\u00edcito, outras implicitamente, se voltam a todos os homens de boa vontade para reafirmar os direitos e deveres de cada um e para convidar a trabalhar juntos por uma sociedade mais justa (CURRAN, 2002, p.40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No magist\u00e9rio cat\u00f3lico recente, a aten\u00e7\u00e3o privilegiada aos menos favorecidos, aos pobres, \u00e9 a prioridade que guia o agir moral orientado para o bem comum \u00e0 luz do mandamento do amor evang\u00e9lico. O bem comum permite afirmar que todos, e em particular os mais pobres, devem dispor do que seja indispens\u00e1vel para viver. Al\u00e9m disso, a sociedade civil deve prover as necessidades concretas dos mais necessitados, tamb\u00e9m em detrimento da abund\u00e2ncia dos mais ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, juntos, como coletividade, deve haver o esfor\u00e7o de compreens\u00e3o para mudar as circunst\u00e2ncias que n\u00e3o favorecem os cidad\u00e3os partilharem os benef\u00edcios do bem comum. O princ\u00edpio do bem comum favorece tal processo transformador no mundo contempor\u00e2neo, globalizado, interdependente e pluralista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como em Tom\u00e1s de Aquino, nos documentos magisteriais, a autoridade p\u00fablica \u00e9 considerada um agente moral importante, com a responsabilidade espec\u00edfica de promover e realizar o bem comum. A Carta Enc\u00edclica do Papa Le\u00e3o XIII, <em>Rerum novarum<\/em> (1891), afirma que esta \u00e9 uma vis\u00e3o autorit\u00e1ria e paternalista do Estado, que n\u00e3o distingue entre sociedade e estado, no qual o bem comum da sociedade, incluindo o bem religioso e moral de todos os cidad\u00e3os, \u00e9 confiado aos governantes. Todo o poder prov\u00e9m de Deus e os governantes participam governando n\u00e3o para o seu pr\u00f3prio bem, mas para o bem de todos ((Le\u00e3o XIII, 1891, n.26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o Papa Pio XI, na Enc\u00edclica <em>Quadragesimo anno<\/em> (1931), a autoridade p\u00fablica declara o que pode ser considerado o bem comum (PIO XI, 1931, n.49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Jo\u00e3o XXIII, na Enc\u00edclica<em> Mater et magistra<\/em> (1961), afirma que o Estado existe para organizar o bem comum, com a responsabilidade de promover a justi\u00e7a social (GIOVANNI XXIII, 1961, n.12 e 41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na Enc\u00edclica <em>Pacem in terris<\/em> (1963), Jo\u00e3o XXIII pede que os poderes p\u00fablicos se esforcem para realizar o bem comum, promovendo os bens materiais e espirituais, criando uma comunidade mundial na qual todos os cidad\u00e3os sejam iguais. Ainda exorta que sejam protegidos e promovidos os direitos humanos (GIOVANNI XXIII, 1963, n.35 e 40). Como na <em>Mater et magistra, <\/em>a<em> Pacem in terris <\/em>\u00a0de Jo\u00e3o XXIII alarga a perspectiva de perten\u00e7a de toda a humanidade ao bem comum (GIOVANNI XXIII, 1963, n.54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Gaudium et spes<\/em> (1965), a Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo, que emerge do Conc\u00edlio Vaticano II, de um lado afirma que o bem comum \u00e9 responsabilidade da autoridade estatal e dos corpos sociais intermedi\u00e1rios; de outro lado, entende que o bem comum mant\u00e9m um car\u00e1ter din\u00e2mico (CONCILIO VATICANO II, 1965a, n.74). Entre os corpos intermedi\u00e1rios, s\u00e3o consideradas as organiza\u00e7\u00f5es profissionais, os sindicatos, os organismos internacionais, as fam\u00edlias, os grupos sem fins lucrativos, assim como os econ\u00f4micos, sociais, pol\u00edticos e culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica <em>Centesimus annus<\/em> (1991), reitera que o Estado deve harmonizar e orientar o desenvolvimento econ\u00f4mico para proteger o bem comum, bem como fazer interven\u00e7\u00f5es suplementares no sistema social e\/ou produtivo, que ocorrem em \u201csitua\u00e7\u00f5es excepcional e limitadas no tempo\u201d (JO\u00c3O PAULO II, 1991, n.11 e 48). Al\u00e9m disso, Jo\u00e3o Paulo II afirma que \u201cuma economia social que oriente o funcionamento do mercado em dire\u00e7\u00e3o ao bem comum deve ser constru\u00edda em n\u00edvel nacional e internacional\u201d (JO\u00c3O PAULO II, 1991, n.52).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecendo a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o individual dos cidad\u00e3os na promo\u00e7\u00e3o do bem comum, o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m aceita que \u00e9 sobretudo a comunidade pol\u00edtica encarregada desta tarefa (1992, 1913 e 1910). O Catecismo afirma que os estados tamb\u00e9m devem apontar para o bem universal comum, tanto nas \u00e1reas da vida social como na gest\u00e3o da sa\u00fade e emerg\u00eancias pol\u00edticas, como refugiados e emigrantes (1992, 1911 e 2241). Al\u00e9m disso, \u00e9 no Estado que a tarefa de proteger o bem comum da sociedade civil, dos cidad\u00e3os e dos corpos intermedi\u00e1rios \u00e9 reconhecida (1992, n.1910).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na vida pol\u00edtica e o respeito pelas autoridades respons\u00e1veis pela promo\u00e7\u00e3o do bem comum n\u00e3o devem ser separados do controle dos cidad\u00e3os diante destas autoridades, a fim de evitar poss\u00edveis abusos e assegurar que o que \u00e9 exigido pelas autoridades pol\u00edticas n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio aos requisitos morais da consci\u00eancia justa. O bem comum \u00e9, portanto, apresentado como crit\u00e9rio de discernimento e valida\u00e7\u00e3o pela autoridade (1992, n. 2242, 1903 e 1900).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos corpos intermedi\u00e1rios, o princ\u00edpio da subsidiariedade \u00e9 tamb\u00e9m uma inst\u00e2ncia cr\u00edtica e transformadora, que \u00e9 acompanhada por reflex\u00e3o sobre o bem comum, esclarecendo e qualificando-a. Este princ\u00edpio foi proposto por Pio XI na enc\u00edclica <em>Quadragesimo anno<\/em>, para proteger os direitos das comunidades ou grupos menores de interfer\u00eancias do Estado (PIO XI, 1931, n.81). Em<em> Mater et magistra<\/em>, ao reafirmar isso, Jo\u00e3o XXIII reformulou esse princ\u00edpio, indicando a obriga\u00e7\u00e3o do Estado, ou da autoridade mundial, de intervir contra as injusti\u00e7as sofridas por associa\u00e7\u00f5es e grupos dentro do pa\u00eds (JO\u00c3O XXIII, 1961, n.40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisa Cahill observa que uma compreens\u00e3o renovada do bem comum pode dar valor a redes hier\u00e1rquicas mais amplas e menos ordenadas, por exemplo, compostas por organiza\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es e grupos, mas que s\u00e3o capazes de trabalhar efetivamente para a promo\u00e7\u00e3o do bem comum (CAHILL 2004c, 2005a, p.130). Para Cahill, portanto, diante dos desafios atuais da descentraliza\u00e7\u00e3o progressiva e do aumento da mobilidade mundial, a multiplica\u00e7\u00e3o de redes e institui\u00e7\u00f5es internacionais atestam o princ\u00edpio do bem comum (CAHILL, 2005a, p.132) .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma nova compreens\u00e3o do princ\u00edpio da subsidiariedade, que enfatiza a participa\u00e7\u00e3o e a igualdade, e que tamb\u00e9m se expressa em formas de a\u00e7\u00e3o social a partir da base, oferece novas possibilidades. Na verdade, promove a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 na promo\u00e7\u00e3o do bem comum, por exemplo, delegando poderes a cidad\u00e3os, grupos e organismos internacionais, porque \u00e9 dever de todos os agentes sociais definir melhor o que constitui o bem comum, o que requer e como pode ser alcan\u00e7ado (CATHOLIC BISHOPS CONFERENCE OF ENGLAND AND WALES, 1996, n.22 e 52; CONFER\u00caNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, 2003, n.13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletir sobre a subsidiariedade exige agir de forma s\u00f3lida e optar preferencialmente pelos \u00faltimos. No Magist\u00e9rio cat\u00f3lico, a \u00eanfase na import\u00e2ncia da solidariedade e a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres emergiu gradualmente. Nos anos 1980 e 90, durante o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II, a partir das contribui\u00e7\u00f5es da teologia da liberta\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres e a solidariedade se tornaram os crit\u00e9rios orientadores para a compreens\u00e3o do bem comum e para sua implementa\u00e7\u00e3o. Em particular, Jo\u00e3o Paulo II afirmou que a solidariedade \u201cn\u00e3o \u00e9 um sentimento de compaix\u00e3o vaga ou inten\u00e7\u00e3o superficial pelos males de tantas pessoas, pr\u00f3ximas ou distantes. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a firme e perseverante determina\u00e7\u00e3o de se envolver no bem comum: isto \u00e9, para o bem de todos e de cada um, pois somos todos verdadeiramente respons\u00e1veis por todos\u201d (JO\u00c3O PAULO II, 1987, p.38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o Papa Bento XVI, na enc\u00edclica <em>Caritas in veritate<\/em> (2009), \u201cquerer o bem comum e trabalhar para isso \u00e9 uma exig\u00eancia de justi\u00e7a e caridade. O compromisso com o bem comum \u00e9 cuidar, por um lado, e usar, por outro lado, esse complexo de institui\u00e7\u00f5es que legalmente, civilmente, politicamente e culturalmente estruturam a vida social, que se torna uma cidade\u201d (BENTO XVI, 2009, n.7). Al\u00e9m disso, a atividade econ\u00f4mica \u201cdeve ser voltada para a busca do bem comum, e deve ser cuidada, sobretudo, pela comunidade pol\u00edtica\u201d (BENTO XVI, 2009, n.36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concentrando-se na situa\u00e7\u00e3o do continente africano, Agbonkhianmeghe Orobator S.J., lembra-nos, no entanto, que cada vez que refletimos sobre o bem comum \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o a contextos particulares, como quest\u00f5es relacionadas ao desenvolvimento econ\u00f4mico, \u00e0 din\u00e2mica pol\u00edtica e ao papel marginal atribu\u00eddo a mulheres. Em outras palavras, a promo\u00e7\u00e3o do bem comum universal deve considerar as especificidades de contextos particulares (OROBATOR, 2010). Outros autores tamb\u00e9m convidam a refletir sobre outros contextos particulares (NEUTZLING, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o Papa Francisco, na sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (2013) convida a perseguir com determina\u00e7\u00e3o o bem comum como meio de promover a paz social e reafirma que \u201ca dignidade de toda pessoa humana e o bem comum s\u00e3o quest\u00f5es que devem estruturar toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d (FRANCISCO, 2013, n.203).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Reflex\u00e3o teol\u00f3gica cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o teol\u00f3gica enfatiza que o bem comum n\u00e3o \u00e9 a soma dos bens particulares, nem a soma dos bens possu\u00eddos por muitos cidad\u00e3os, visando a sua utilidade pessoal, nem alguma coisa a ser alcan\u00e7ada (uma heran\u00e7a comum), contribuindo o m\u00ednimo poss\u00edvel e nem substituindo os bens individuais. O bem comum tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o bem da maioria dos membros da comunidade (NEBEL, 2006). O bem comum inclui todos os bens sociais, tamb\u00e9m os espirituais, morais e materiais, que o homem busca sobre a terra de acordo com as necessidades de sua natureza pessoal e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum visa a realiza\u00e7\u00e3o de uma conviv\u00eancia social caracterizada por uma verdadeira solidariedade, o que implica a vontade de servir aqueles que, na sociedade civil, t\u00eam mais necessidades e s\u00e3o menos beneficiados. Consequentemente, o bem comum exige justi\u00e7a, ordem, paz e bem-estar social. Uma vez que a autoridade pol\u00edtica \u00e9 a principal respons\u00e1vel pelo bem comum, \u00e9 responsabilidade das v\u00e1rias autoridades do Estado proteger e promover o bem comum de todos, sem prefer\u00eancia de algum cidad\u00e3o ou grupos sociais, com exce\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres. O objetivo \u00e9 favorecer a promo\u00e7\u00e3o social daqueles atualmente exclu\u00eddos, marginalizados ou socialmente desfavorecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, n\u00e3o se deve esperar que somente o Estado promova e realize o bem comum como o fim da sociedade. Mesmo os cidad\u00e3os individuais, grupos e organiza\u00e7\u00f5es civis t\u00eam responsabilidades sociais e contribuem para o bem comum. Isso permite que a realidade social seja valorizada em seus aspectos diversificados e em sua riqueza, no atual contexto globalizado e plural (VALADIER, 1980, p.128-9). No contexto pol\u00edtico, o bem comum \u00e9, portanto, uma din\u00e2mica, um processo que requer a contribui\u00e7\u00e3o de todos os agentes sociais, desde o Estado at\u00e9 as organiza\u00e7\u00f5es sociais e os cidad\u00e3os individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esta raz\u00e3o, na reflex\u00e3o cat\u00f3lica magisterial e teol\u00f3gica, o bem comum exige fortalecer e diversificar o princ\u00edpio da subsidiariedade, a fim de continuar e amplificar o dinamismo dos grupos e dos corpos intermedi\u00e1rios a servi\u00e7o da coletividade, para o bem desta e dos sujeitos lhe pertencem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a reflex\u00e3o teol\u00f3gica chama a aten\u00e7\u00e3o para o que j\u00e1 est\u00e1 sendo implementado na sociedade civil \u2013 por exemplo, atrav\u00e9s das ci\u00eancias sociais (FINN, 2017) \u2013 mesmo quando \u00e9 tematizada como uma promo\u00e7\u00e3o do bem comum. Somos convidados a reconhecer e identificar o que realmente promove o bem comum local e universal (MICHELINI, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos cidad\u00e3os e muitas associa\u00e7\u00f5es, por exemplo, est\u00e3o comprometidos com o bem universal, que \u00e9 a qualidade de vida no planeta Terra, procurando proteger a qualidade clim\u00e1tica e preservar o ecossistema. Outros promovem condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento no planeta e a sa\u00fade local e global. Outros, ainda, est\u00e3o construindo projetos concretos para salvar e usar recursos de energia mais eficientes, de curto, m\u00e9dio ou longo prazo, n\u00e3o reproduz\u00edveis. Entre esses, acrescenta-se a abnega\u00e7\u00e3o daqueles que lutam de maneira n\u00e3o violenta pela promo\u00e7\u00e3o do bem comum que \u00e9 a paz, que permite o desenvolvimento das pessoas, dos povos e da humanidade. Trata-se de prestar aten\u00e7\u00e3o, reconhecer (com o olhar agudo e respeitoso de contempla\u00e7\u00e3o e sabedoria do m\u00edstico) e discernir as muitas maneiras em que o compromisso com o bem comum j\u00e1 est\u00e1 presente no contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico e cultural contempor\u00e2neo, e o quanto ainda pode ser feito para aumentar esse compromisso de promover o bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade contempor\u00e2nea, caracterizada por desigualdades extremas e injusti\u00e7as entre continentes, pa\u00edses e mesmo no interior dos estados, recuperar o bem comum como justi\u00e7a geral, assim como na vis\u00e3o tom\u00edstica, implica um favorecimento para com os mais pobres, aqueles que foram e continuam sendo defraudados de bens, respeito, direitos e liberdades e cujo progresso humano, social e cultural \u00e9 dificultado por viola\u00e7\u00f5es manifestas em termos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, religiosos e intelectuais, omiss\u00f5es e satisfa\u00e7\u00f5es menos graves (CHARTERINA, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1 Moral Social<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum \u00e9 a categoria cl\u00e1ssica do pensamento social crist\u00e3o e \u00e9 o fim da sociedade civil (DIETRICH, 2003). Ao mesmo tempo, a \u00eanfase na import\u00e2ncia da dignidade da pessoa, presente na recente reflex\u00e3o magisterial e teol\u00f3gica, faz do bem comum da humanidade o fim de todo esfor\u00e7o humano, tanto dos indiv\u00edduos como da comunidade (PORCAR REBOLLAR &amp; COMISI\u00d3N PERMANENTE DE LA HERMANDAD OBRERA DE ACCI\u00d3N CAT\u00d3LICA, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres caracteriza ulteriormente o empenho pelo bem comum. Tal op\u00e7\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica da doutrina social da Igreja Cat\u00f3lica. Esta op\u00e7\u00e3o funda-se na B\u00edblia, \u00e9 encontrada na experi\u00eancia espiritual e na vida crist\u00e3 ao longo da hist\u00f3ria do cristianismo e constitui o compromisso di\u00e1rio de muitos crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os. \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria e urgente. Al\u00e9m disso, esta elei\u00e7\u00e3o inclui e refor\u00e7a a subsidiariedade e a aten\u00e7\u00e3o para o que j\u00e1 existe e \u00e9 implementada em termos de promo\u00e7\u00e3o do bem comum. A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres convida a sustentar, aprofundar e ampliar os processos de transforma\u00e7\u00f5es da sociedade e do mundo com empenho educativo e formativo apropriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como v\u00e1rios autores apontam, \u00e9 poss\u00edvel buscar e realizar o bem comum em uma comunidade civil que seja\u00a0 caracterizada por s\u00f3lidas formas de solidariedade entre todos os participantes da comunidade \u2013 seja entre indiv\u00edduos, grupos ou institui\u00e7\u00f5es. A solidariedade pressup\u00f5e n\u00e3o s\u00f3 o envolvimento dos m\u00faltiplos agentes morais, mas tamb\u00e9m sua igualdade (HOLLENBACH, 2002, \u00a0p.189; VIDAL, 1995; MEDINA VILLAGR\u00c1N, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisa Cahill acrescenta que, como parte de uma abordagem abrangente destinada a alcan\u00e7ar a justi\u00e7a social, o bem comum pressup\u00f5e a dignidade e a socialidade dos seres humanos, seus direitos e deveres, bem como a interpreta\u00e7\u00e3o da dignidade, da socialidade, dos direitos e deveres no contexto das muitas e interconectadas esferas religiosas, pol\u00edticas, culturais e econ\u00f4micas que visam a plena realiza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e dos diversos contextos sociais (CAHILL, 1987, p.393).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.2 Bio\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abordar as muitas quest\u00f5es que caracterizam a reflex\u00e3o da bio\u00e9tica no \u00e2mbito teol\u00f3gico, Lisa Cahill sempre recorreu \u00e0 moral social cat\u00f3lica, uma vez que as quest\u00f5es de bio\u00e9tica dizem respeito \u00e0 sociedade como um todo. Consequentemente, o bem comum \u00e9 eminentemente representado em todos os recursos \u00e9ticos que nos permitem examinar e enfrentar os desafios contempor\u00e2neos da bio\u00e9tica. Cahill mostrou que a justi\u00e7a social e a busca do bem comum que a caracteriza s\u00e3o essenciais para refletir sobre quest\u00f5es bio\u00e9ticas no tocante ao in\u00edcio da vida humana (desde o aborto at\u00e9 t\u00e9cnicas de procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida), \u00e0 sa\u00fade global e local (da pandemia da AIDS aos sistemas nacionais de sa\u00fade), \u00e0 pesquisa m\u00e9dica avan\u00e7ada (por exemplo, a gen\u00e9tica) e \u00e0s quest\u00f5es de bio\u00e9tica relacionadas ao fim da vida humana (CAHILL, 1987; 2000; 2001; 2004a; 2004b; 2004c; 2005a; 2005b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, para Cahill, o bem comum na esfera social exige a promo\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social e da coopera\u00e7\u00e3o (CAHILL, 2004a, p.8). No atual contexto globalizado, os problemas individuais e sociais causados pela pobreza, pelo sexismo e pelo racismo aumentaram o n\u00famero de pessoas vulner\u00e1veis a doen\u00e7as. Por esta raz\u00e3o, no campo cat\u00f3lico, a bio\u00e9tica deve favorecer o compromisso de promover a justi\u00e7a social e o bem comum (CAHILL, 2004a, p.75-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa abordagem que considera quest\u00f5es bio\u00e9ticas como quest\u00f5es sociais e enfatiza a import\u00e2ncia de promover o bem comum n\u00e3o est\u00e1 isolada. Na Gr\u00e3-Bretanha, os bispos cat\u00f3licos indicaram repetidamente o bem comum como um recurso e um objetivo \u00e9tico tanto para enfrentar os desafios pol\u00edticos como bio\u00e9ticos (CATHOLIC BISHOPS OF ENGLAND AND WALES SCOTLAND AND IRELAND JOINT COMMITTEE ON BIO-ETHICAL ISSUES, 2001; CATHOLIC BISHOPS CONFERENCE OF ENGLAND AND WALES, 1996, n.66-68).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos autores compartilham essa \u00eanfase (RYAN, 2004; ARIAS, 2007; VICINI, 2011), enquanto outros afirmam que a necessidade de promover o bem comum exige solidariedade (HOSSNE &amp; LEOPOLDO E SILVA, 2013; GARRAFA &amp; PEREIRA SOARES, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o brasileiro M\u00e1rcio Fabri dos Anjos, o bem comum exige uma abordagem legislativa nacional e internacional, uma vez que muitas empresas de biotecnologia s\u00e3o multinacionais e porque muitas popula\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o objeto de pesquisas gen\u00e9ticas \u2013 como tribos amaz\u00f4nicas e grupos \u00e9tnicos em v\u00e1rias partes do mundo \u2013 s\u00e3o geneticamente estudados sem a necess\u00e1ria prote\u00e7\u00e3o (FABRI DOS ANJOS, 2005, p.152-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo da sa\u00fade, o bem comum pressup\u00f5e o direito \u00e0 sa\u00fade para todos os cidad\u00e3os, independentemente da renda ou das habilidades de trabalho. Al\u00e9m disso, cada um \u00e9 chamado a contribuir para a realiza\u00e7\u00e3o do bem comum no campo da sa\u00fade, uma vez que a sa\u00fade \u2013 pessoal, local, nacional e global \u2013 depende do envolvimento diversificado de todos, daqueles diretamente envolvidos na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, m\u00e9dicos, enfermeiros (CAMPOS PAVONE ZOBOLI, 2007), t\u00e9cnicos de sa\u00fade, administradores, a pol\u00edticos, legisladores e l\u00edderes nacionais (respons\u00e1veis pelo desenvolvimento do sistema de sa\u00fade em cada pa\u00eds), grupos, organiza\u00e7\u00f5es, funda\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a servi\u00e7o da sa\u00fade global por exemplo, Parceiros na Sa\u00fade, M\u00e9dicos Sem Fronteiras, Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates, Centros para o Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) e tamb\u00e9m cada cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para explicitar seu empenho em favor da promo\u00e7\u00e3o do bem comum, no \u00e2mbito sanit\u00e1rio, em dezembro de 2016, a revista <em>Health Progress<\/em> da Catholic Health Association \u2013 a associa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade cat\u00f3lica que atende os 639 hospitais cat\u00f3licos dos Estados Unidos (ASSOCIA\u00c7\u00c3O DE SA\u00daDE CAT\u00d3LICA, 2016) \u2013 dedicou toda a quest\u00e3o ao bem comum [por exemplo: (NAIRN, 2016; CLARK, 2016; SPITALNIK, 2016)].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3 Ecologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na enc\u00edclica<em> Laudato Si<\/em> (2015), sobre o cuidado da casa comum que \u00e9 a nossa terra, o papa Francisco expande a compreens\u00e3o e o uso do bem comum para promover a justi\u00e7a e a sustentabilidade no contexto ecol\u00f3gico. O papa afirma que \u201co clima \u00e9 um bem comum, de todos e para todos. Existe um consenso cient\u00edfico muito grande que indica que estamos na presen\u00e7a de um aquecimento preocupante do sistema clim\u00e1tico\u201d (FRANCISCO, 2015, n.23). Al\u00e9m disso, \u201ca ecologia integral \u00e9 insepar\u00e1vel da no\u00e7\u00e3o de bem comum, um princ\u00edpio que desempenha um papel central e unificador na \u00e9tica social\u201d (FRANCISCO, 2015, n.156). Finalmente, reafirma todo o ensinamento magisterial e a reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre o bem comum, afirmando que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum pressup\u00f5e o respeito pela pessoa humana como tal, com direitos fundamentais e inalien\u00e1veis \u200b\u200bordenados para seu desenvolvimento integral. Tamb\u00e9m requer sistemas de seguran\u00e7a social e o desenvolvimento dos v\u00e1rios grupos intermedi\u00e1rios, aplicando o princ\u00edpio da subsidiariedade. Entre eles, a fam\u00edlia \u00e9 especialmente a c\u00e9lula prim\u00e1ria da sociedade. Finalmente, o bem comum exige a paz social, isto \u00e9, a estabilidade e a seguran\u00e7a de uma determinada ordem, que n\u00e3o se realiza sem aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 justi\u00e7a distributiva, cuja viola\u00e7\u00e3o sempre levanta viol\u00eancia. Toda a sociedade \u2013 e especialmente o Estado \u2013 tem a obriga\u00e7\u00e3o de defender e promover o bem comum (&#8230;.) Sob as condi\u00e7\u00f5es atuais da sociedade mundial, onde h\u00e1 tantas desigualdades e cada vez mais pessoas que est\u00e3o sendo privadas dos direitos humanos fundamentais, o princ\u00edpio do bem comum se torna imediato, como consequ\u00eancia l\u00f3gica e inevit\u00e1vel, em um apelo \u00e0 solidariedade e em uma op\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais pobres. (FRANCISCO, 2015, n.157-158)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, o papa Francisco acrescenta as vozes de muitos que nos convidam a tomar consci\u00eancia da urg\u00eancia em proteger nosso planeta, o bem comum da humanidade (CASTILLA, 2015; SCHEID, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os crist\u00e3os, a terra e os recursos naturais terrestres foram criados por Deus como bens comuns e confiados ao uso respons\u00e1vel da humanidade, para que todos possam se beneficiar num n\u00edvel suficiente, correspondente \u00e0s necessidades de cada um e, ainda, respeitando a dignidade de cada um. O compromisso com o bem comum requer uma convers\u00e3o pessoal e coletiva, implica reconhecer a terra como um dom de Deus e exige promover a vida comum na terra, habitando-a e tornando-a cada vez mais o lugar de b\u00ean\u00e7\u00e3o prometido para a humanidade e para as gera\u00e7\u00f5es futuras (FRANCISCO, 2015, n.159).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 poss\u00edvel definir e promover o bem comum nas sociedades civis multiculturais e pluralistas contempor\u00e2neas? Nas sociedades contempor\u00e2neas, buscar e promover o bem comum requer a participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o de todos os cidad\u00e3os e grupos no contexto social pluralista. Al\u00e9m disso, s\u00e3o necess\u00e1rios compromissos pol\u00edticos para enfrentar as muitas desigualdades que afligem diferentes sociedades em n\u00edvel mundial. Diferentes religi\u00f5es t\u00eam o potencial e a responsabilidade de contribuir para a promo\u00e7\u00e3o do bem comum (VOLF, 2015; 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, os m\u00faltiplos significados do bem comum e as v\u00e1rias dimens\u00f5es que precisam ser consideradas para promov\u00ea-lo pressup\u00f5em que os cidad\u00e3os se esforcem para viver com virtuosidade. Al\u00e9m disso, s\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias iniciativas pol\u00edticas \u2013 no n\u00edvel de grupos, associa\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, na\u00e7\u00f5es e organismos internacionais \u2013 e elas devem ser avaliadas \u00e0 luz dos dados e an\u00e1lises que as ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas oferecem sobre a situa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e produtiva contempor\u00e2nea, seja no n\u00edvel dos pa\u00edses seja no n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem comum pressup\u00f5e um grande senso de responsabilidade. A esperan\u00e7a crist\u00e3 espera que a humanidade possa promover o bem comum de maneira realista e eficaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Andrea Vicini, S.J.<\/em> Boston College (USA). Original italiano. Tradu\u00e7\u00e3o Valdete Guimar\u00e3es<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li><strong> Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Catechismo della Chiesa Cattolica. 1992. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/ITA0014\/_INDEX.HTM\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/ITA0014\/_INDEX.HTM<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARIAS, M. D. E. <em>Bien Comun y Dignidad Humana<\/em>. Alcal\u00e1: Formaci\u00f3n Alcal\u00e1, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARISTOTELE. <em>Etica Nicomachea<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENEDETTO XVI. <em>Caritas in Veritate<\/em>. 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/it\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/it\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BUSHLACK, T. J. <em>Politics for a Pilgrim Church: <\/em>A Thomistic Theory of Civic Virtue. Grand Rapids: William B. Eerdmans, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAHILL, L. S. AIDS, Justice, and the Common Good. In: KEENAN, J. F., S.J.; FULLER, J., S.J.; CAHILL, L. S.; KELLY, K., (Eds.). <em>Catholic Ethicists on HIV\/AIDS Prevention<\/em>. New York: Continuum, 2000, p.282-93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Bioethics and the Common Good<\/em>. The P\u00e8re Marquette Lecture in Theology 2004. Milwakee: Marquette University Press, 2004a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Catholic Consensus on Critical Care, Patient Welfare and the Common Good. <em>Christian Bioethics, <\/em>v<em>. <\/em>7, n. 2, p.185-92, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. The Catholic Tradition: Religion, Morality, and the Common Good. <em>Journal of Law and Religion, <\/em>v<em>. <\/em>5, n. 1, p.75-94, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Genetics, Theology, Common Good. In: CAHILL, L. S. (Ed.) <em>Genetics, Theology, Ethics: <\/em>An Interdisciplinary Conversation. New York: Crossroad, 2005a, p.117-36.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. The Global Common Good in the Twenty-First Century. In: KEATING, J. (Ed.) <em>Moral Theology: <\/em>New Directions and Fundamental Issues: Festschrift for James P. Hanigan. New York: Paulist Press, 2004b, p.233-51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Realigning Catholic Priorities: Bioethics and the Common Good. <em>America, <\/em>v<em>. <\/em>191\/6, n. 4661, p.11-3, 2004c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Theological Bioethics: <\/em>Participation, Justice, Change. Washington: Georgetown University Press, 2005b.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAMPOS PAVONE ZOBOLI, E. L. Cooperar Para el Bien Com\u00fan: \u00bfResponsabilidad Social de la Enfermer\u00eda? <em>Bioethikos, <\/em>v<em>. <\/em>1, n. 1, p.118-23, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASTILLA, J. C. Tragedia de los Recursos de Uso Com\u00fan y \u00c9tica Ambiental Individual Responsable Frente al Calentamiento Global. <em>Acta Bioethica, <\/em>v<em>. <\/em>21, n. 1, p. 65-71, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CATHOLIC BISHOPS CONFERENCE OF ENGLAND AND WALES. The Common Good and the Catholic Church&#8217;s Social Teaching. 1996. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.catholic-ew.org.uk\/Catholic-News-Media-Library\/Archive-Media-Assets\/Files\/CBCEW-Publications\/The-Common-Good-and-the-Catholic-Church-s-Social-Teaching\">http:\/\/www.catholic-ew.org.uk\/Catholic-News-Media-Library\/Archive-Media-Assets\/Files\/CBCEW-Publications\/The-Common-Good-and-the-Catholic-Church-s-Social-Teaching<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CATHOLIC BISHOPS OF ENGLAND AND WALES, SCOTLAND AND IRELAND JOINT COMMITTEE ON BIO-ETHICAL ISSUES. Catholic Social Teaching and the Allocation of Healthcare. In: FISHER, A.; GORMALLY, L. (Eds.). <em>Healthcare Allocation: <\/em>An Ethical Framework for Public Policy. London: Linacre Centre, 2001, p.145-61.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CATHOLIC HEALTH ASSOCIATION. Facts \u2013 Statistics. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.chausa.org\/About\/about\/facts-statistics\">https:\/\/www.chausa.org\/About\/about\/facts-statistics<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHARTERINA, A. M. Cooperativismo y Econom\u00eda del Bien Com\u00fan. <em>Bolet\u00edn de la Asociaci\u00f3n Internacional de Derecho Cooperativo, <\/em>v<em>. <\/em>47, p. 185-98, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CICERONE, M. T. <em>De Republica<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CLARK, M. Health Equity, Solidarity and the Common Good: Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story. <em>Health Progress, <\/em>v<em>. <\/em>97, n. 6, p. 9-12, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONCILIO VATICANO II. Costituzione Pastorale sulla Chiesa nel Mondo Contemporaneo <em>Gaudium et Spes<\/em>. 1965a. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_it.html\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_it.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Dichiarazione sulla Libert\u00e0 Religiosa <em>Dignitatis Humanae<\/em> 1965b. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_it.html\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_it.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONFER\u00caNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA. Responsabilidade Solid\u00e1ria pelo Bem Comum. 2003. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/responsabilidade-solidaria-pelo-bem-comum\/\">http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/responsabilidade-solidaria-pelo-bem-comum\/<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CURRAN, C. E. <em>Catholic Social Teaching 1891-Present: <\/em>A Historical, Theological, and Ethical Analysis. Washington: Georgetown University Press, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIETRICH, D. Catholic Social Thought and the Global Common Good: An Emerging Tradition. In: HAERS, J.; DE MEY, P. (Eds.). <em>Theology and Conversation: <\/em>Towards a Relational Theology. Leuven and Dudley: Peeters, 2003, p. 631-40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FABRI DOS ANJOS, M. Power and Vulnerability: A Contribution of Developing Countries to the Ethical Debate on Genetics. In: CAHILL, L. S. (Ed.) <em>Genetics, Theology, Ethics: <\/em>An Interdisciplinary Conversation. New York: Crossroad, 2005, p.137-57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FINN, D. K. (Ed.) <em>Empirical Foundations of the Common Good: <\/em>What Theology Can Learn from Social Science. New York: Oxford University Press, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCESCO. <em>Evangelii Gaudium<\/em>. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Laudato Si&#8217;<\/em>. 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FROELICH, G. The Equivocal Status of <em>Bonum Commune<\/em>. <em>The New Scholasticism, <\/em>v<em>. <\/em>63, n. 1, p.38-57, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GARRAFA, V.; PEREIRA SOARES, S. O Princ\u00edpio da Solidariedade e Coopera\u00e7\u00e3o na Perspectiva Bio\u00e9tica. <em>Bioethikos, <\/em>v<em>. <\/em>7, n. 3, p.247-58, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GIOVANNI PAOLO II. <em>Centesimus Annus<\/em>. 1991. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Lettera Enciclica <em>Sollicitudo Rei Socialis<\/em> nel 20\u00b0 Anniversario dell\u2019enciclica <em>Populorum Progressio<\/em>. 1987. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GIOVANNI XXIII. <em>Mater et Magistra<\/em>. 1961. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014\u2014\u2014. <em>Pacem in Terris<\/em>. 1963. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOLLENBACH, D. <em>The Common Good and Christian Ethics<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Religion, Morality, and Politics. <em>Theological Studies, <\/em>v<em>. <\/em>49, n. 1, p.68-89, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOSSNE, W. S.; LEOPOLDO E SILVA, F. Dos Referenciais Da Bio\u00e9tica: A Solidariedade. <em>Bioethikos, <\/em>v<em>. <\/em>7, n. 2, p. 150-6, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEONE XIII. <em>Rerum Novarum<\/em>. 1891. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/leo-xiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/leo-xiii\/it\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEDINA VILLAGR\u00c1N, G. Iglesia y Vida P\u00fablica en David Hollenbach: Aproximaci\u00f3n a Su M\u00e9todo en Teolog\u00eda Moral. <em>Theologica Xaveriana, <\/em>v<em>. <\/em>64, n. 177, p. 241-66, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MICHELINI, D. J. Bien Com\u00fan y \u00c9tica P\u00fablica: Alcances y L\u00edmites del Concepto Tradicional de Bien Com\u00fan. <em>T\u00f3picos, <\/em>v<em>. <\/em>15, p.31-54, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NAIRN, T. Health Care Decisions for the Common Good. <em>Health Progress, <\/em>v<em>. <\/em>97, n. 6, p. 4-7, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NEBEL, M. El Bien Com\u00fan Teol\u00f3gico: Ensayo Sistem\u00e1tico. <em>Revista Iberoamericana de Teolog\u00eda, <\/em>v<em>. <\/em>n. 2, p. 7-32, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NEUTZLING, I. (Ed.) <em>Bem Comum e Solidariedade: Por Uma E\u0301tica na Economia e na Poli\u0301tica do Brasil<\/em>, Colec\u0327a\u0303o Humanitas. Sa\u0303o Leopoldo: Unisinos, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OROBATOR, A. E. <em>Caritas in Veritate<\/em> and Africa&#8217;s Burden of (under)Development. <em>Theological Studies, <\/em>v<em>. <\/em>71, n. 2, p. 320-34, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIO XI. <em>Quadragesimo Anno<\/em>. 1931. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/pius-xi\/it\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/pius-xi\/it\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PLATONE. <em>Repubblica<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PONTIFICIO CONSIGLIO DELLA GIUSTIZIA E DELLA PACE. Compendio della Dottrina Sociale della Chiesa. 2004. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_it.html\">http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_it.html<\/a>&gt;. Acesso em: 28 dez 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PORCAR REBOLLAR, F.; COMISI\u00d3N PERMANENTE DE LA HERMANDAD OBRERA DE ACCI\u00d3N CAT\u00d3LICA (Eds.). <em>La Dignidad de la Persona y el Bien Com\u00fan<\/em>. Madrid: HOAC, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RYAN, M. A. Beyond a Western Bioethics? <em>Theological Studies, <\/em>v<em>. <\/em>65, n. 1, p.158-77, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHEID, D. P. <em>The Cosmic Common Good: <\/em>Religious Grounds for Ecological Ethics. New York: Oxford University Press, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPITALNIK, D. M. Disability Rights and the Common Good. <em>Health Progress, <\/em>v<em>. <\/em>97, n. 6, p.48-53, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TOMMASO D&#8217;AQUINO. <em>Summa Theologi\u00e6<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VALADIER, P. <em>Agir en Politique: <\/em>D\u00e9cision Morale et Pluralisme Politique. Paris: Cerf, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VICINI, A. <em>Gen\u00e9tica Humana e Bem Comum<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, S\u00e3o Camilo, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIDAL, M. La Solidaridad: Nueva Frontera de la Teolog\u00eda Moral. <em>Studia Moralia, <\/em>v<em>. <\/em>23, n. 1, p.99-126, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VOLF, M. <em>Flourishing: <\/em>Why We Need Religion in a Globalized World. New Haven: Yale University Press, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>A Public Faith: How Followers of Christ Should Serve the Common Good<\/em>. Grand Rapids: Brazos Press, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WARD, K.; HIMES, K. R. &#8216;Growing Apart&#8217;: The Rise of Inequality. <em>Theological Studies, <\/em>v<em>. <\/em>75, n. 1, p.118-32, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Nesta se\u00e7\u00e3o me refiro a um artigo n\u00e3o ainda publicado do professor David Hollenbach, S.J., apresentado e discutido no contexto do semin\u00e1rio de \u00c9tica, em Boston College em setembro de 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Defini\u00e7\u00e3o 2 Hist\u00f3ria 2.1 Plat\u00e3o 2.2 Arist\u00f3teles 2.3 C\u00edcero 2.4 Agostinho 2.5 Tom\u00e1s de Aquino 3 Magist\u00e9rio eclesial cat\u00f3lico 4 Reflex\u00e3o teol\u00f3gica cat\u00f3lica 4.1 Moral social 4.2 Bio\u00e9tica 4.3 Ecologia 5 Conclus\u00e3o 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Defini\u00e7\u00e3o O bem comum diz respeito \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o \u00faltima das capacidades individuais, seja em rela\u00e7\u00e3o a cada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1451"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3214,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1451\/revisions\/3214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}