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{"id":1407,"date":"2016-12-30T16:51:37","date_gmt":"2016-12-30T18:51:37","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1407"},"modified":"2016-12-30T16:51:59","modified_gmt":"2016-12-30T18:51:59","slug":"uncao-dos-enfermos-sacramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1407","title":{"rendered":"Un\u00e7\u00e3o dos enfermos (Sacramento)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O ser humano frente \u00e0 enfermidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A enfermidade e a cura na Sagrada Escritura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 No Antigo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 No Novo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A enfermidade e a cura na pr\u00e1tica da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Dos s\u00e9culos III ao VIII<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 Do s\u00e9culo VIII ao Conc\u00edlio de Trento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3 De Trento ao Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Desafios pastorais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem sobre o sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos vir\u00e1 apresentada a partir dos seguintes pontos: 1) O ser humano frente \u00e0 enfermidade; 2) A enfermidade e a cura na Sagrada Escritura; 3) A enfermidade e a cura na pr\u00e1tica da Igreja; 4) Desafios pastorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 O ser humano frente \u00e0 enfermidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os muitos dramas enfrentados pelo ser humano est\u00e1 a doen\u00e7a. Sem marcar dia e hora ela chega, e sem previs\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o de tempo ela se instala, trazendo consequ\u00eancias tanto para o paciente como para as pessoas que est\u00e3o ao seu redor, sobretudo familiares e amigos. A busca da cura nem sempre \u00e9 caminho f\u00e1cil. Dependendo do lugar social em que o paciente se encontra, o drama pode transformar-se em pesadelo, como escassez de centros e profissionais da sa\u00fade, prec\u00e1ria infraestrutura para atendimento dos enfermos. Nos tempos atuais, h\u00e1 o paradoxo do avan\u00e7o da medicina e o consequente prolongamento da vida a qualquer custo. Em muitos casos, esse prolongamento tem levado pacientes e pessoas idosas ao isolamento, \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o, ao abandono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum, no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, o dilema dos pobres que, n\u00e3o tendo condi\u00e7\u00f5es de arcar com elevadas taxas dos planos de sa\u00fade, se veem obrigados a enfrentar a dura realidade do descaso dos poderes p\u00fablicos quanto \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e ao atendimento m\u00e9dico e hospitalar. A privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, al\u00e9m de seu car\u00e1ter restritivo e elitista, tem se convertido em empreendimento rent\u00e1vel e lucrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses e outros fen\u00f4menos t\u00eam impacto direto na comunidade de f\u00e9. Vale recordar, aqui, a cl\u00e1ssica imagem do corpo e de seus membros descrita pelo ap\u00f3stolo Paulo: \u201cO corpo n\u00e3o \u00e9 feito de um membro apenas, mas de muitos. [&#8230;] Se um membro sofre, todos sofrem com ele\u201d (1Cor 12,13.26). Em aten\u00e7\u00e3o a esses membros sofredores, a Igreja, desde seus prim\u00f3rdios, tem marcado presen\u00e7a e prestado assist\u00eancia aos seus filhos e filhas enfermos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A enfermidade e a cura na Sagrada Escritura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que os textos escritur\u00edsticos foram compilados em \u00e9pocas e contextos bem distintos, buscar uma compreens\u00e3o do sentido da doen\u00e7a e da cura na B\u00edblia \u00e9 tarefa complexa. Por quest\u00e3o de espa\u00e7o e pela brevidade deste estudo, limitar-nos-emos a apresentar apenas alguns elementos que poder\u00e3o servir de base para o entendimento do sentido teol\u00f3gico-lit\u00fargico do sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.1 No Antigo Testamento<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bin\u00f4mio doen\u00e7a-cura no Antigo Testamento deve ser compreendido a partir do contexto cultural do Oriente Antigo. Aqui, a doen\u00e7a aparece relacionada com as for\u00e7as do mal e com o pecado. Uma forma comum de se obter a cura era a pr\u00e1tica de exorcismos e ritos m\u00e1gicos de cura. Na B\u00edblia, a quest\u00e3o da doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 abordada de forma isolada ou mesmo do ponto de vista estrito da ci\u00eancia, mas sim a partir da perspectiva religiosa, da rela\u00e7\u00e3o do enfermo com Deus e vice-versa. A doen\u00e7a \u00e9 tida como algo que afeta o ser humano na sua inteireza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que perguntar sobre a causa natural da doen\u00e7a, a Sagrada Escritura se ocupa de sua significa\u00e7\u00e3o ou de seu porqu\u00ea. Disso decorrem interpreta\u00e7\u00f5es diversas, sendo comum a vincula\u00e7\u00e3o da enfermidade ao pecado, ao castigo de Deus e \u00e0 possess\u00e3o demon\u00edaca. Tamb\u00e9m continuam sem respostas satisfat\u00f3rias quest\u00f5es relacionadas com o sofrimento, sobretudo dos justos, como bem aparecem retratadas no livro de J\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a cura de enfermidades, recorre-se a meios terap\u00eauticos extra\u00eddos da natureza, especialmente das plantas. Dentre esses produtos, destaca-se o \u00f3leo, que al\u00e9m de ser empregado na cura e purifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as era tamb\u00e9m utilizado na consagra\u00e7\u00e3o de objetos (altares e monumentos) ou de pessoas (sacerdotes, profetas e reis). O comportamento com os doentes consiste a dupla atitude: por um lado, aconselha-se a pr\u00e1tica de visit\u00e1-los e dar-lhes a devida aten\u00e7\u00e3o (cf. Sl 40,4; J\u00f3 2,11); por outro, a lei prescreve a exclus\u00e3o da comunidade de todas as pessoas v\u00edtimas de doen\u00e7as contagiosas como a lepra (cf. Lv 13-14; Nm 12,10.15). \u00c9 nesse contexto que se deve compreender determinadas atitudes de Jesus para com os enfermos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 No Novo Testamento<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Novo Testamento, h\u00e1 in\u00fameras refer\u00eancias sobre diferentes tipos de doen\u00e7a (febre, hemorragia, hidropisia&#8230;), bem como sobre pessoas deficientes (coxos, cegos, surdos, mudos, paral\u00edticos&#8230;). Os meios empregados para a cura s\u00e3o: \u00f3leo (Mc 6,13; Lc 3,18; Tg 5,14), vinho (Lc 10,34), col\u00edrio para os olhos (Ap 3,18), \u00e1guas termais (Jo 5,2ss.), saliva (Mc 7,33; Jo 9,6), barro (Jo 9,6ss.). Jesus se utiliza desses meios terap\u00eauticos para dar novo sentido ao mist\u00e9rio do sofrimento humano. Longe do curandeirismo, as curas realizadas por Jesus s\u00e3o, na verdade, sinais messi\u00e2nicos da salva\u00e7\u00e3o acontecendo aqui e agora e apontam para a escatologia plena do Reino do Pai, onde n\u00e3o haver\u00e1 sofrimento, nem choro, nem dor. Tais curas realizadas s\u00e3o sinais simb\u00f3lico-sacramentais do poder libertador de Jesus em favor do ser humano integral, a saber: a cura da enfermidade do corpo e a liberta\u00e7\u00e3o da pessoa do pecado e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, por um lado, desvincula a concep\u00e7\u00e3o de que a doen\u00e7a \u00e9 consequ\u00eancia do pecado ou castigo de Deus. Por outro, procura incutir na mente de seus contempor\u00e2neos que a enfermidade pode ser enfrentada no \u00e2mbito da f\u00e9, como algo relacionado ao plano de Deus: \u201cNem ele nem seus pais pecaram, mas \u00e9 para que nele sejam manifestadas as obras de Deus\u201d (Jo 9,3). Ali\u00e1s, Jesus deu novo sentido ao sofrimento e \u00e0 morte, gra\u00e7as \u00e0 sua entrega incondicional nas m\u00e3os do Pai, assumindo e redimindo a dor da humanidade. Desde ent\u00e3o,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a dor, a enfermidade e a morte n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos para o plano salv\u00edfico que Deus manifestou em Jesus Cristo. O caminho libertador de Cristo, e agora da Igreja, passa pelo acontecimento da P\u00e1scoa, em sua dupla vertente de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. E como Cristo, tamb\u00e9m a Igreja luta e vence o mal, a enfermidade e a morte (ALDAZ\u00c1BAL, 1999, p.865).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos de Jesus deram continuidade ao exemplo do Mestre. Curar os enfermos era tarefa primordial da miss\u00e3o evangelizadora da comunidade apost\u00f3lica: \u201cEles sa\u00edram para proclamar que o povo se convertesse. Expulsavam muitos dem\u00f4nios, ungiam com \u00f3leo numerosos doentes e os curavam\u201d (Mc 6,12-13). O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, especialmente nos cap\u00edtulos 2 e 3, descreve como a comunidade dos fi\u00e9is crescia mediante a prega\u00e7\u00e3o, a convers\u00e3o, o batismo, a eucaristia e outras a\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias realizadas em nome de Cristo, como, por exemplo, a \u201ccura do paral\u00edtico\u201d (At 3,1-26). Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o como uma repeti\u00e7\u00e3o daquelas que Jesus realizou e t\u00eam as mesmas sequ\u00eancias do que vem narrado nos evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A enfermidade e a cura na pr\u00e1tica da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As comunidades crist\u00e3s, desde cedo, buscaram p\u00f4r em pr\u00e1tica os gestos (rituais) de cura realizados por Jesus. O texto da Carta de Tiago \u00e9 um importante testemunho disso. Esse texto serviu de base para a reflex\u00e3o teol\u00f3gica posterior sobre o que chamamos hoje de \u201cSacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos\u201d. Ei-lo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m de v\u00f3s est\u00e1 sofrendo? Recorra \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m est\u00e1 alegre? Entoe hinos. Algu\u00e9m de v\u00f3s est\u00e1 doente? Mande chamar os presb\u00edteros da igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com \u00f3leo no nome do Senhor. A ora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 salvar\u00e1 o enfermo, e o Senhor o levantar\u00e1. E se tiver cometido pecados, receber\u00e1 o perd\u00e3o (Tg 5,13-16).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ap\u00f3stolo Tiago, al\u00e9m de apresentar uma pr\u00e1tica em vias de institucionaliza\u00e7\u00e3o, utiliza termos que expressam a complexidade existencial da situa\u00e7\u00e3o do doente e a a\u00e7\u00e3o pastoral da comunidade: ora\u00e7\u00e3o, un\u00e7\u00e3o, conforto e al\u00edvio, cura, perd\u00e3o dos pecados. Diferente das demais refer\u00eancias neotestament\u00e1rias sobre a enfermidade e a cura, o texto de Tiago apresenta, de forma mais expl\u00edcita, a inten\u00e7\u00e3o sacramental do gesto, unido \u00e0 palavra de ora\u00e7\u00e3o que a comunidade eleva a Deus em favor do enfermo. Ao falar do sofrimento e da alegria, o Ap\u00f3stolo deixa entrever que, seja qual for a circunst\u00e2ncia vital, tudo deve ser visto a partir de Deus e para Deus (ora\u00e7\u00e3o e canto). Em seguida, fala da enfermidade como tal, e \u00e9 quando se chama os presb\u00edteros da comunidade. Esses agem com um gesto simb\u00f3lico, a un\u00e7\u00e3o com \u00f3leo e uma ora\u00e7\u00e3o feita com f\u00e9. O efeito dessa dupla a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o, o reerguimento e o perd\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, Tiago fala de ritos destinados a quem est\u00e1 doente, n\u00e3o necessariamente moribundo. Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter eclesial e comunit\u00e1rio, uma vez que \u00e9 ministrada pelos presb\u00edteros da Igreja. A efic\u00e1cia est\u00e1 relacionada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de f\u00e9 no Senhor. Os efeitos se referem ao ser humano, na sua totalidade, embora n\u00e3o excluam a cura corporal e n\u00e3o se restrinjam a ela. Todavia, o texto em quest\u00e3o, para ser entendido no sentido do sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos, deve ser lido \u00e0 luz da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e n\u00e3o isoladamente dessa, como veremos a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da pr\u00e1tica e da teologia desse sacramento pode ser dividida em tr\u00eas per\u00edodos, a saber: a) Dos s\u00e9culos III ao VIII, b) Do s\u00e9culo VIII ao Conc\u00edlio de Trento, c) De Trento ao Conc\u00edlio Vaticano II (cf. SCICOLONE, 1989, p.235-64).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.1 Dos s\u00e9culos III ao VIII<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, tidos como tempo de \u201cimprovisa\u00e7\u00e3o\u201d das f\u00f3rmulas lit\u00fargico-sacramentais, encontramos poucos registros de textos eucol\u00f3gicos para a celebra\u00e7\u00e3o da un\u00e7\u00e3o. O texto mais eloquente desse per\u00edodo \u00e9 a \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00f3leo\u201d, contido na Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica e atribu\u00eddo a Hip\u00f3lito de Roma (ano 215):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como, santificando este \u00f3leo, com o qual ungistes reis, sacerdotes e profetas, concedei, \u00f3 Deus, a santidade aos que com ele s\u00e3o ungidos e aos que o recebem, assim tamb\u00e9m ele d\u00ea al\u00edvio \u00e0queles que vierem a prov\u00e1-lo e sa\u00fade aos que dele se servirem (ANTOLOGIA LIT\u00daRGICA, 2003, p.231).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o aparece enxertada na prece eucar\u00edstica, com a cl\u00e1usula: \u201cSe algu\u00e9m oferece \u00f3leo\u201d. Nela, o bispo rende gra\u00e7as a Deus e pede santidade, al\u00edvio e sa\u00fade para quem se servisse daquele \u00f3leo. Ao se referir \u00e0 un\u00e7\u00e3o de reis, sacerdotes e profetas, \u00e9 poss\u00edvel que esse \u00f3leo aben\u00e7oado tamb\u00e9m fosse usado para outros fins, n\u00e3o se restringindo aos enfermos. O texto nada diz sobre o ministro da un\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um importante documento pontif\u00edcio que gozou de not\u00e1vel influ\u00eancia tamb\u00e9m sobre autores posteriores \u00e9 a carta de Inoc\u00eancio I a Dec\u00eancio, bispo de G\u00fabio (ano 416). \u00c0 pergunta de Dec\u00eancio \u2013 se o bispo pode dar a un\u00e7\u00e3o aos doentes, pois Tiago fala apenas de presb\u00edteros \u2013, Inoc\u00eancio responde:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tua caridade mencionou o que est\u00e1 escrito na carta do bem-aventurado Ap\u00f3stolo Tiago: \u201cSe h\u00e1 um enfermo entre v\u00f3s, chame os presb\u00edteros, e rezem sobre ele, ungindo-o com \u00f3leo no nome do Senhor, e a ora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 salvar\u00e1 aquele que sofre, e que o Senhor o levantar\u00e1; e, se cometeu algum pecado, lhe perdoar\u00e1\u201d. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que isto deva ser recebido e entendido a respeito dos fi\u00e9is enfermos, os quais podem ser ungidos com o santo \u00f3leo do crisma, que, consagrado pelo bispo, pode ser usado para un\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente pelos sacerdotes, mas tamb\u00e9m por todos os crist\u00e3os para necessidade pr\u00f3pria ou dos parentes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, consideramos sup\u00e9rfluo o acr\u00e9scimo que pergunta se \u00e9 l\u00edcito ao bispo o que certamente o \u00e9 aos presb\u00edteros. Pois nesta mat\u00e9ria s\u00e3o mencionados os presb\u00edteros porque os bispos, empenhados em outros afazeres, n\u00e3o podem visitar cada doente. Mas se um bispo pode ou julga digno visitar algu\u00e9m, pode tamb\u00e9m, j\u00e1 que lhe compete a consagra\u00e7\u00e3o do crisma, sem d\u00favida, tanto benzer como ungir com o crisma. Ora, n\u00e3o pode ser derramado sobre quem \u00e9 penitente, pois \u00e9 do g\u00eanero do sacramento. Como pensar que \u00e0queles aos quais s\u00e3o negados outros sacramentos possa ser concedido um g\u00eanero \u201cde Sacramento\u201d? (DENZINGER-H\u00dcNERMANN, 2007, n.216).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, n\u00e3o somente o bispo, mas tamb\u00e9m presb\u00edteros e todos os crist\u00e3os (com exce\u00e7\u00e3o dos penitentes) podem ministrar o sacramento. No entanto, a \u201cconfec\u00e7\u00e3o\u201d do \u00f3leo destinado a este sacramento (\u00e0 semelhan\u00e7a da eucaristia) compete ao bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo VI, merecem destaque os serm\u00f5es de Ces\u00e1rio de Arles (503-543). Neles, Ces\u00e1rio fala da un\u00e7\u00e3o no contexto da luta contra os ritos m\u00e1gicos pag\u00e3os de cura. Al\u00e9m de apresentar a un\u00e7\u00e3o como rem\u00e9dio mais seguro contra as for\u00e7as diab\u00f3licas, o bispo de Arles acena para o perd\u00e3o dos pecados, especialmente daqueles cometidos em pr\u00e1ticas pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As principais conclus\u00f5es que compreendem o arco entre s\u00e9culos III e VIII da hist\u00f3ria do sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) A continuidade da pr\u00e1tica das primeiras comunidades, sobretudo no que tange \u00e0 visita e aten\u00e7\u00e3o aos doentes. Consciente de que devia prolongar o minist\u00e9rio de Cristo e dos ap\u00f3stolos, a Igreja se serve do testemunho e do sinal: a un\u00e7\u00e3o com \u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) A documenta\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas eucol\u00f3gicas (b\u00ean\u00e7\u00e3os do \u00f3leo) para os enfermos, a partir do s\u00e9culo III. Nessas f\u00f3rmulas se suplica a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo para que cure os doentes das doen\u00e7as e lhes restitua a sa\u00fade do corpo, da alma e do esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) O ministro da b\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00f3leo \u00e9 o bispo, que a faz durante a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica (na eucaristia da quinta-feira santa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) Os destinat\u00e1rios da un\u00e7\u00e3o s\u00e3o todos os crist\u00e3os enfermos, exceto os penitentes, uma vez que o \u00f3leo pertence ao g\u00eanero dos sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) O efeito esperado da un\u00e7\u00e3o \u00e9, sobretudo, a restitui\u00e7\u00e3o da sa\u00fade corporal. S\u00f3 a partir do s\u00e9culo VIII \u00e9 que se come\u00e7a a acentuar o efeito espiritual, ou seja, a remiss\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.2 Do s\u00e9culo VIII ao Conc\u00edlio de Trento<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do s\u00e9c. VIII ao s\u00e9c. XI, encontramos diversos rituais de un\u00e7\u00e3o dos enfermos. Nesses rituais aparecem, al\u00e9m de formul\u00e1rios para a ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre o \u00f3leo, outros ritos com especifica\u00e7\u00f5es bem precisas. Nesse per\u00edodo, al\u00e9m da prolifera\u00e7\u00e3o de rituais, acontecem mudan\u00e7as significativas na teologia e na pr\u00e1tica pastoral do sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos, como: a) clericaliza\u00e7\u00e3o e consequente monop\u00f3lio do clero na administra\u00e7\u00e3o do sacramento; b) espiritualiza\u00e7\u00e3o dos efeitos do sacramento, ficando \u00e0 margem o efeito corporal de cura; c) penitencializa\u00e7\u00e3o do sacramento, ou seja: para receb\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1rio o perd\u00e3o dos pecados pela penit\u00eancia; d) extremiza\u00e7\u00e3o dos sujeitos: a un\u00e7\u00e3o passou a ser considerada como sacramento de prepara\u00e7\u00e3o para a morte. O sujeito passa a ser de simples enfermo a doente que se encontra em perigo de morte. Da\u00ed, o nome que prevaleceu at\u00e9 o s\u00e9culo XX: \u201cExtrema Un\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, esses ritos da extrema un\u00e7\u00e3o obedecem \u00e0 seguinte ordem: entrada na casa, b\u00ean\u00e7\u00e3o e aspers\u00e3o da \u00e1gua, confiss\u00e3o e ritos penitenciais (salmos e ora\u00e7\u00f5es), un\u00e7\u00f5es (em geral, dos cinco sentidos), comunh\u00e3o como vi\u00e1tico. Na realidade, a partir do s\u00e9c. XIII,\u00a0por influ\u00eancia da crescente \u201cescatologiza\u00e7\u00e3o\u201d, muda-se a sequ\u00eancia: penit\u00eancia \u2013 un\u00e7\u00e3o \u2013 vi\u00e1tico, para: penit\u00eancia \u2013 eucaristia \u2013 un\u00e7\u00e3o (esta deve ser o \u00faltimo sacramento, pois prepara imediatamente para a gl\u00f3ria do c\u00e9u, apagando os \u00faltimos resqu\u00edcios do pecado). Essa sequ\u00eancia permanecer\u00e1 nos rituais at\u00e9 a reforma lit\u00fargica do Vaticano II, quando se voltar\u00e1 \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o mais antiga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do s\u00e9c. XI ao Conc\u00edlio de Trento (s\u00e9c. XVI), a celebra\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica da extrema un\u00e7\u00e3o n\u00e3o sofrem mudan\u00e7as significativas. Contudo, nesse per\u00edodo d\u00e1-se a \u201csistematiza\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica\u201d desse sacramento. Os te\u00f3logos escol\u00e1sticos (Pedro Lombardo, Alberto Magno, Tom\u00e1s de Aquino, Boaventura, Jo\u00e3o Duns Scotus etc) desenvolvem uma teologia da un\u00e7\u00e3o que, de certa forma, se distancia da tradi\u00e7\u00e3o primitiva. Insistem no efeito espiritual do sacramento, no sujeito em perigo de morte e no car\u00e1ter secund\u00e1rio da cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio de Trento, preocupado em rebater as contesta\u00e7\u00f5es dos reformadores, toma como base de argumenta\u00e7\u00e3o da legitimidade e efic\u00e1cia do sacramento da un\u00e7\u00e3o a teologia escol\u00e1stica, especialmente a de Tom\u00e1s de Aquino. Apoiando-se nos textos neotestament\u00e1rios de Mc 6,13 e de Tiago 5,14-16, Trento ensina, dentre outras coisas, que a un\u00e7\u00e3o \u00e9 sacramento que remonta, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e0 vontade de Cristo, como se v\u00ea na miss\u00e3o dos doze e em seu comportamento com os doentes. O conte\u00fado do sacramento \u00e9 a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, cuja un\u00e7\u00e3o (efeito) apaga os delitos e as sequelas do pecado, consola e confirma a alma do doente, excitando nele uma grande confian\u00e7a na miseric\u00f3rdia divina e, eventualmente, obt\u00e9m a sa\u00fade do corpo quando for conveniente \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da alma. O ministro da sagrada un\u00e7\u00e3o \u00e9 o presb\u00edtero, e o momento da administra\u00e7\u00e3o do sacramento \u00e9, de prefer\u00eancia, quando o enfermo estiver correndo risco iminente de morte (cf. DENZINGER-H\u00dcNERMANN, 2007, n.1695-1697).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.3 De Trento ao Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos quatro s\u00e9culos que separam o Conc\u00edlio de Trento e o Conc\u00edlio Vaticano II, n\u00e3o se pode dizer que tenha havido grandes progressos na teologia e na pr\u00e1tica da un\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o estudo desse sacramento praticamente ficou vinculado ao tratado sobre a penit\u00eancia. Com o Movimento Lit\u00fargico, especialmente a partir da d\u00e9cada de 1940, \u00e9 que se desencadeou uma renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Isso gra\u00e7as ao estudo das fontes da genu\u00edna Tradi\u00e7\u00e3o e ao desejo de superar a concep\u00e7\u00e3o m\u00e1gica dos sacramentos. Duas linhas de renova\u00e7\u00e3o merecem destaque: a escola alem\u00e3 e a escola francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os te\u00f3logos alem\u00e3es acentuam a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica do sacramento, relacionando a \u00faltima un\u00e7\u00e3o com a un\u00e7\u00e3o batismal. A un\u00e7\u00e3o \u00e9 tida como \u201cconsagra\u00e7\u00e3o para a \u00faltima luta\u201d, como \u201csacramento da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d, como lugar da autorrealiza\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a escatol\u00f3gica da Igreja no momento definitivo. Os franceses, por sua vez, enveredam por uma teologia de cunho mais existencial. Seguem de perto a teologia subjacente da Igreja primitiva, acentuam a destina\u00e7\u00e3o da un\u00e7\u00e3o dos enfermos (n\u00e3o necessariamente em perigo de morte) em seu car\u00e1ter curativo e terap\u00eautico para o ser humano integral. Nesse entendimento, s\u00f3 o vi\u00e1tico deve ser \u201csacramento na perspectiva da morte\u201d (cf. BOROBIO, 1993, p.557-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o teve pretens\u00e3o de oferecer uma doutrina completa sobre a un\u00e7\u00e3o e muito menos dirimir quest\u00f5es ainda discut\u00edveis. Contudo, concentrou a aten\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito lit\u00fargico-pastoral. Dentre os documentos conciliares que aludem ao sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos, al\u00e9m da <em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, merece destaque a Constitui\u00e7\u00e3o <em>Lumen Gentium<\/em> (n.11). Aqui, v\u00eam sublinhadas as dimens\u00f5es eclesiol\u00f3gica, cristol\u00f3gica e antropol\u00f3gica do sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tr\u00eas n\u00fameros dedicados a esse sacramento, a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> determina: a) Que seu melhor nome \u00e9 \u201cun\u00e7\u00e3o dos enfermos\u201d e que n\u00e3o se trata de um sacramento s\u00f3 para quem est\u00e1 em perigo de morte, mas para outros doentes e pessoas idosas (cf. <em>SC<\/em> n.73); b) Que, al\u00e9m dos ritos separados da un\u00e7\u00e3o dos enfermos e do vi\u00e1tico, fa\u00e7a-se um rito conjunto pelo qual se administre a un\u00e7\u00e3o ao enfermo depois da confiss\u00e3o e antes da recep\u00e7\u00e3o do vi\u00e1tico (cf. <em>SC<\/em> n.74). Essa ordena\u00e7\u00e3o penit\u00eancia-un\u00e7\u00e3o-vi\u00e1tico reproduz, de alguma forma, aquela dos sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o: batismo-confirma\u00e7\u00e3o-eucaristia; c) Que o n\u00famero de un\u00e7\u00f5es seja acomodado \u00e0s circunst\u00e2ncias dos enfermos e que os ritos sejam revistos para melhor corresponderem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos destinat\u00e1rios do sacramento (cf. <em>SC<\/em> n.75). Outras orienta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gico-lit\u00fargico-pastorais s\u00e3o encontradas na \u201cConstitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica sobre o sacramento da un\u00e7\u00e3o dos enfermos\u201d de Paulo VI e na \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o\u201d do novo ritual da un\u00e7\u00e3o dos enfermos, publicado em janeiro de 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cConstitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u201d foi oportuna pelo fato de ter havido mudan\u00e7as de elementos essenciais do rito, como a mat\u00e9ria, a forma e as disposi\u00e7\u00f5es sobre a reiterabilidade do sacramento. Para a mat\u00e9ria, ficou estabelecido que se pode utilizar outro tipo de \u00f3leo vegetal, n\u00e3o exclusivamente o de oliveira. A f\u00f3rmula do sacramento foi alterada em fun\u00e7\u00e3o de exprimir maior clareza sobre sua natureza e seus efeitos. O texto definitivo, na tradu\u00e7\u00e3o oficial brasileira, ficou assim: \u201cPor esta santa un\u00e7\u00e3o e pela sua infinita miseric\u00f3rdia, o Senhor venha em teu aux\u00edlio com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, para que, liberto dos teus pecados, ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos\u201d. O n\u00famero de un\u00e7\u00f5es \u00e9 reduzido a duas (na fronte e nas m\u00e3os), podendo ser restringido a uma s\u00f3, na fronte, ou em outra parte do corpo. O sacramento pode ser administrado mais vezes, dependendo da dura\u00e7\u00e3o da enfermidade ou de seu agravamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o\u201d do novo ritual cont\u00e9m cinco se\u00e7\u00f5es intituladas: 1) \u201cA enfermidade humana e seu significado no mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o\u201d. Aqui, vem apresentada uma s\u00edntese do pensamento crist\u00e3o sobre o estado de doen\u00e7a e seu significado na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. 2) \u201cOs sacramentos a serem conferidos aos doentes\u201d. Nesta se\u00e7\u00e3o, v\u00eam claramente expressos os dois sacramentos: a un\u00e7\u00e3o e o vi\u00e1tico. 3) \u201cFun\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios em rela\u00e7\u00e3o aos enfermos\u201d. Aqui s\u00e3o contemplados os diversos of\u00edcios e servi\u00e7os em favor dos doentes. \u00c9 avaliado como positivo e louv\u00e1vel o esfor\u00e7o de toda a humanidade (especialmente os profissionais da sa\u00fade e cientistas) na tarefa de aliviar os sofrimentos provocados pela doen\u00e7a e o consequente prolongamento da vida. Tamb\u00e9m os familiares s\u00e3o contemplados pela especial participa\u00e7\u00e3o nesse \u201cminist\u00e9rio de consola\u00e7\u00e3o\u201d. Por fim, os ministros (presb\u00edteros) s\u00e3o lembrados de seu dever de visitar pessoalmente os enfermos, de administrar-lhes os sacramentos, de cuidar da catequese tanto para os enfermos como para os fi\u00e9is em geral, tendo em vista sua participa\u00e7\u00e3o ativa e frutuosa na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. 4) \u201cAdapta\u00e7\u00f5es que competem \u00e0s confer\u00eancias episcopais\u201d. Nesta se\u00e7\u00e3o, s\u00e3o apresentadas v\u00e1rias possibilidades de adapta\u00e7\u00f5es do novo ritual, de acordo com as tradi\u00e7\u00f5es e culturas de cada povo. 5) \u201cAdapta\u00e7\u00f5es que competem ao ministro\u201d. Cabe ao ministro, em sua solicitude pastoral, levar em conta as circunst\u00e2ncias em que se encontram os enfermos e a melhor maneira de celebrar o sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rito como tal (Ordo) compreende sete cap\u00edtulos, a saber: 1) Visita e a comunh\u00e3o dos enfermos; 2) Rito ordin\u00e1rio da un\u00e7\u00e3o (rito comum, rito durante a Missa, rito em grande concentra\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is); 3) O vi\u00e1tico (dentro e fora da missa); 4) A administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos a enfermo em perigo de morte (rito cont\u00ednuo penit\u00eancia-un\u00e7\u00e3o-vi\u00e1tico, un\u00e7\u00e3o sem vi\u00e1tico e un\u00e7\u00e3o na d\u00favida se o enfermo ainda est\u00e1 vivo); 5) A confirma\u00e7\u00e3o em perigo de morte; 6) Rito de encomenda\u00e7\u00e3o dos agonizantes; 7) Textos b\u00edblicos e outras f\u00f3rmulas eucol\u00f3gicas a serem usados nos ritos de assist\u00eancia aos enfermos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da teologia lit\u00fargica, o \u201cRitual da un\u00e7\u00e3o dos enfermos e sua assist\u00eancia pastoral\u201d (1973) traz expressivos avan\u00e7os, se comparado ao precedente (1614). Dentre as inova\u00e7\u00f5es, merecem destaque:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) A centralidade do mist\u00e9rio pascal de Cristo que veio salvar o ser humano integral. O sacramento dos enfermos \u00e9 memorial desse mist\u00e9rio, pois continua e atualiza a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Cristo em favor dos doentes, completando, assim, neles, o que falta \u00e0 sua paix\u00e3o (cf. Cl 1,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) A redescoberta do valor pneum\u00e1tico do sacramento, especialmente na f\u00f3rmula de b\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) A dimens\u00e3o eclesial e comunit\u00e1ria que perpassa todo o ritual. A Igreja se faz presente junto ao enfermo com solicitude pastoral permanente, pois tem consci\u00eancia de que o doente \u00e9 membro (sofredor) do corpo vivo de Cristo e que espera participar da sua glorifica\u00e7\u00e3o. O enfermo, por sua vez, imerso no mist\u00e9rio de seu sofrimento, tamb\u00e9m edifica a Igreja. As diversas possibilidades e formas de celebra\u00e7\u00e3o do sacramento \u2013 sobretudo com v\u00e1rios enfermos ao mesmo tempo e com numerosa assembleia \u2013 atestam sua \u00edndole comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista antropol\u00f3gico, o novo ritual avan\u00e7a na compreens\u00e3o hol\u00edstica do ser humano e o consequente efeito (hol\u00edstico) do sacramento para quem o recebe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Desafios pastorais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme dito acima, o novo ritual da un\u00e7\u00e3o dos enfermos possui forte apelo pastoral, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio nome: \u201cRitual da un\u00e7\u00e3o dos enfermos e sua assist\u00eancia pastoral\u201d. As celebra\u00e7\u00f5es ali previstas devem ser \u201ccume e fonte\u201d de uma a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja que leva a s\u00e9rio o drama vivido por quem enfrenta o peso da doen\u00e7a, da idade avan\u00e7ada e de toda sorte de sofrimento. Disso decorre a necessidade de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-lit\u00fargica para toda a comunidade com os seguintes objetivos, dentre outros:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Romper a antiga mentalidade de que o sacramento da un\u00e7\u00e3o \u00e9 somente para quem est\u00e1 \u00e0 beira da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Obter uma vis\u00e3o global dos efeitos do sacramento. Essa vis\u00e3o tamb\u00e9m livrar\u00e1 os fi\u00e9is do risco de se fixarem na ideia de cura da doen\u00e7a ou do sentido do sacramento como algo m\u00e1gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Ampliar a compreens\u00e3o do que constitui a pastoral da sa\u00fade. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, essa pastoral dever\u00e1 abranger todas as etapas e momentos da vida humana, n\u00e3o apenas restringindo seu campo de a\u00e7\u00e3o a quem se encontra gravemente enfermo. Enfim, uma pastoral que tenha implica\u00e7\u00f5es no contexto familiar, comunit\u00e1rio, social. Mais que uma pastoral de conserva\u00e7\u00e3o e rem\u00e9dio ante a doen\u00e7a que se imp\u00f5e, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que promove a sa\u00fade e o bem-estar de todas as pessoas, \u00e0 luz do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) Recuperar a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja Primitiva, buscando desvincular a un\u00e7\u00e3o dos enfermos do sacramento da penit\u00eancia. Nesse caso, seria desej\u00e1vel que houvesse leigos institu\u00eddos ministros extraordin\u00e1rios da un\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) Incrementar a pr\u00e1tica de celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias do sacramento da un\u00e7\u00e3o, reafirmando sua \u00edndole eclesial. Valendo o alerta de que essa pr\u00e1tica n\u00e3o resulte na banaliza\u00e7\u00e3o do sacramento, ou seja, ministrando-o a qualquer pessoa, de forma indiscriminada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Joaquim Fonseca, OFM. <\/em>ISTA. Texto original Portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALDAZ\u00c1BAL, J. Un\u00e7\u00e3o dos enfermos. In: SAMANES, C. F.; TAMOYO-ACOSTA, J-J. (Ed.). <em>Dicion\u00e1rio de conceitos fundamentais do cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1999, p.864-9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANTOLOGIA LIT\u00daRGICA. Textos lit\u00fargicos, patr\u00edsticos e can\u00f4nicos do primeiro mil\u00eanio. F\u00e1tima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOROBIO, D. Un\u00e7\u00e3o dos enfermos. In: ____. (Ed.). <em>A celebra\u00e7\u00e3o da Igreja II \u2013 Sacramentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1993, p.539-614.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. Antropolog\u00eda y pastoral de la salud. <em>Phase<\/em>, Barcelona, n. 325, p. 25-38, ene.\/feb. 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COLOMBO, G. Un\u00e7\u00e3o dos enfermos. In: SARTORE, D.; TRIACCA, A. (Ed.). <em>Dicion\u00e1rio de liturgia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1992, p.1203-13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DENZINGER \u2013 H\u00dcNERMANN. <em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas \/ Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORTEMANN, C. <em>A for\u00e7a dos que sofrem<\/em>; hist\u00f3ria e significa\u00e7\u00e3o do sacramento dos enfermos. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCICOLONE, H. Un\u00e7\u00e3o dos enfermos. In: NOCENT, A. et al. <em>Os sacramentos: teologia e hist\u00f3ria da celebra\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1989, p.223-64.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O ser humano frente \u00e0 enfermidade 2 A enfermidade e a cura na Sagrada Escritura 2.1 No Antigo Testamento 2.2 No Novo Testamento 3 A enfermidade e a cura na pr\u00e1tica da Igreja 3.1 Dos s\u00e9culos III ao VIII 3.2 Do s\u00e9culo VIII ao Conc\u00edlio de Trento 3.3 De Trento ao Conc\u00edlio Vaticano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1407","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1407"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1408,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1407\/revisions\/1408"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}