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{"id":1379,"date":"2016-12-30T11:58:55","date_gmt":"2016-12-30T13:58:55","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1379"},"modified":"2016-12-30T11:58:55","modified_gmt":"2016-12-30T13:58:55","slug":"livros-profeticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1379","title":{"rendered":"Livros Prof\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 O profeta<\/p>\n<p>1.1 Conceito de \u201cprofeta\u201d<\/p>\n<p>1.2 Verdadeira e falsa profecia<\/p>\n<p>2 A profecia escrita na B\u00edblia Hebraica<\/p>\n<p>2.1 Da palavra oral \u00e0 palavra escrita<\/p>\n<p>2.2 Os livros prof\u00e9ticos<\/p>\n<p>2.2.1 Os profetas \u201cmaiores\u201d<\/p>\n<p>2.2.2 Os profetas \u201cmenores\u201d<\/p>\n<p>2.3 A doutrina dos livros prof\u00e9ticos<\/p>\n<p>2.4 Significado dos livros prof\u00e9ticos<\/p>\n<p>3 Livros associados \u00e0 profecia<\/p>\n<p>3.1 Daniel<\/p>\n<p>3.2 Lamenta\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>3.3. Baruc<\/p>\n<p>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p><strong>1 O profeta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 Conceito de \u201cprofeta\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cprofeta\u201d prov\u00e9m do grego (<em>proph\u00e9tes<\/em>) e deriva do verbo <em>phem\u00ed<\/em>, que significa \u201cdizer, anunciar, proclamar\u201d. Segundo o sentido do prefixo <em>pr\u00f3<\/em>-, o termo pode significar: aquele que <em>transmite<\/em> uma mensagem a ele confiada (<em>pr\u00f3<\/em>&#8211; em sentido substitutivo: em lugar de, em nome de); aquele que <em>fala<\/em> <em>diante<\/em> de algu\u00e9m (<em>pr\u00f3<\/em>&#8211; em sentido espacial); aquele que <em>prediz<\/em> acontecimentos futuros (<em>pr\u00f3<\/em>&#8211; em sentido temporal: antes de). A acep\u00e7\u00e3o que mais conv\u00e9m ao \u201cprofeta\u201d \u00e9 a primeira: ele \u00e9 antes de tudo mensageiro, que transmite a palavra a ele confiada por Deus ou pelos deuses (no caso de povos polite\u00edstas), uma palavra que n\u00e3o tem nele mesmo sua origem. O profeta pode tamb\u00e9m falar do futuro, mas suas palavras dirigem-se primeiramente ao presente e, mesmo quando dizem respeito a acontecimentos ainda por vir, visam seus ouvintes imediatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pessoa \u00e9 caracterizada como profeta, portanto, quando se apresenta como portador de uma palavra divina (\u201cor\u00e1culo\u201d), recebida por revela\u00e7\u00e3o. Nisso, o profeta se distingue das outras formas de se obter respostas divinas para quest\u00f5es humanas (adivinha\u00e7\u00e3o pela observa\u00e7\u00e3o de astros, animais, por interpreta\u00e7\u00e3o de objetos, a necromancia, \u00eaxtases, dentre outras), pois sua mensagem n\u00e3o deriva de t\u00e9cnicas para obter o conhecimento, mas unicamente da comunica\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia hebraica usou nomenclatura variada para se referir a figuras prof\u00e9ticas, sendo mais comuns termos ligados \u00e0s ra\u00edzes Hzh (ter vis\u00f5es, receber uma revela\u00e7\u00e3o) e r\u2019h (ver, ter vis\u00f5es) bem como a express\u00e3o \u2019\u00ee\u0161 [h\u00e4]\u2019\u00e9l\u00f6h\u00eemi (\u201chomem de Deus\u201d). A terminologia mais utilizada \u00e9 ligada \u00e0 raiz nB\u00b4, da qual prov\u00e9m o termo n\u00e4b\u00ee\u00b4, traduzido na Setenta preferencialmente por <em>proph\u00e9tes<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 Verdadeira e falsa profecia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O controle se a palavra que o profeta transmite prov\u00e9m realmente de Deus ou \u00e9 imagina\u00e7\u00e3o ou inven\u00e7\u00e3o sua n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de f\u00e1cil solu\u00e7\u00e3o. Como muitas personagens b\u00edblicas que aparecem como \u201cprofetas\u201d reivindicam falar em nome do Senhor, houve a necessidade de serem estabelecidos crit\u00e9rios para discernir as caracter\u00edsticas daqueles que realmente transmitem a mensagem divina:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>julgam a realidade a partir da vontade divina (cf. Mq 2,11);<\/li>\n<li>s\u00e3o obedientes \u00e0 palavra recebida (cf. Jr 23,28-29; 28,1-17);<\/li>\n<li>n\u00e3o usam a profecia como meio de vida (cf. Mq 3,5; Am 7,12-14);<\/li>\n<li>sua vida est\u00e1 de acordo com o que anunciam (cf. Jr 23,14; Os 3,1-4);<\/li>\n<li>s\u00e3o enviados por Deus para esta miss\u00e3o, muitas vezes contra a sua pr\u00f3pria vontade (cf. Jr 1,4-10; 20,7-18).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta enviado por Deus, no AT, \u00e9, assim, seu porta-voz fiel. A palavra que Deus lhe comunica o envolve pessoalmente. N\u00e3o \u00e9 somente uma informa\u00e7\u00e3o que recebe, mas toca sua pr\u00f3pria vida; ele a assimila e se identifica com ela antes de transmiti-la. Isso aparece em diversas narrativas simb\u00f3licas que ocorrem nos livros prof\u00e9ticos. Ezequiel come o rolo da Palavra (Ez 3,1-4); Isa\u00edas tem seus l\u00e1bios purificados para poder anunciar (Is 6,6-7); Jeremias recebe em sua boca a palavra de Deus (Jr 1,9-10); Oseias passa por uma experi\u00eancia matrimonial para expressar o amor do Senhor (Os 1,2; 3,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A profecia escrita na B\u00edblia hebraica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Da palavra oral \u00e0 palavra escrita<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta \u00e9 sobretudo aquele que \u201cfala\u201d. Por isso, normalmente h\u00e1 uma diferen\u00e7a temporal entre o profeta como personagem que anuncia a Palavra de Deus e o escrito que leva o seu nome. Embora haja alguns testemunhos de palavras escritas na \u00e9poca mesma do profeta (Jr 36; Is 8,16-17; 30,8), via de regra o profeta n\u00e3o escreve sua mensagem. O texto do livro prof\u00e9tico deixa perceber que a coloca\u00e7\u00e3o por escrito foi feita posteriormente, por aqueles que receberam essa palavra como palavra de Deus e perceberam seu valor. Essas palavras escritas s\u00e3o conservadas e transmitidas pelos cultores das tradi\u00e7\u00f5es religiosas israelitas. Ao serem percebidas como permanentemente v\u00e1lidas, s\u00e3o reinterpretadas e aplicadas para outras \u00e9pocas e situa\u00e7\u00f5es, sofrendo transforma\u00e7\u00f5es e acr\u00e9scimos. Neste processo de \u201creleitura\u201d, feito \u00e0 luz das tradi\u00e7\u00f5es religiosas israelitas e guiado por Deus, n\u00e3o h\u00e1 um desvirtuamento da palavra inicial, mas sim um desdobramento de suas possibilidades de significado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, o livro prof\u00e9tico \u00e9 formado pouco a pouco, a partir da sele\u00e7\u00e3o e agrupamento de textos que passam por um processo de reelabora\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegar a uma forma considerada conclu\u00edda. Assim sendo, os profetas, enquanto personagens, est\u00e3o ligados a um determinado per\u00edodo; o livro a eles referido, por\u00e9m, n\u00e3o prov\u00e9m necessariamente de sua \u00e9poca, pode ter sido conclu\u00eddo num tempo muito posterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 Os livros prof\u00e9ticos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na B\u00edblia Hebraica, os profetas s\u00e3o a segunda parte da Escritura e compreendem:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>os profetas anteriores: Josu\u00e9, Ju\u00edzes, Samuel e Reis;<\/li>\n<li>os profetas posteriores: Isa\u00edas, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas (Oseias, Joel, Am\u00f3s, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia Grega (Setenta) chama de livros prof\u00e9ticos somente os \u201cprofetas posteriores\u201d da B\u00edblia Hebraica e inclui ainda outros textos: o livro de Baruc, o livro das Lamenta\u00e7\u00f5es, a Carta de Jeremias, Daniel, com os trechos deuterocan\u00f4nicos (Dn 13\u201314; 3,24-90). No uso atual, em geral por \u201clivro prof\u00e9tico\u201d se entende o conjunto que compreende Isa\u00edas, Jeremias, Ezequiel e os Doze profetas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.1 Os profetas \u201cmaiores\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas livros prof\u00e9ticos s\u00e3o conhecidos como \u201cmaiores\u201d, devido \u00e0 sua dimens\u00e3o: Isa\u00edas, Jeremias e Ezequiel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>a. Isa\u00edas<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Isa\u00edas remonta ao profeta que, no s\u00e9culo VIII aC, em Jud\u00e1, exerceu seu minist\u00e9rio. Recolhe or\u00e1culos e narra\u00e7\u00f5es que prov\u00eam desta \u00e9poca, al\u00e9m de outros que, sob influ\u00eancia de seu ensinamento, foram redigidos s\u00e9culos ap\u00f3s. Desde o final do s\u00e9culo XIX dC \u00e9 grandemente aceita a distin\u00e7\u00e3o do\u00a0 livro em tr\u00eas partes: o Primeiro (Proto) Isa\u00edas (que compreende os cap\u00edtulos 1 a 39); o Segundo (D\u00eautero) Isa\u00edas (c. 40 a 55); e o Terceiro (Trito) Isa\u00edas (c. 56 a 66). A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 percebida por diferen\u00e7as de \u00e9poca hist\u00f3rica e de cunho liter\u00e1rio e teol\u00f3gico. Embora haja muitas passagens acrescentadas em \u00e9pocas posteriores, no Primeiro Isa\u00edas boa parte dos textos prov\u00e9m do s\u00e9culo VIII aC. O Segundo Isa\u00edas \u00e9 da \u00e9poca do ex\u00edlio babil\u00f4nico adiantado (por volta de 550 aC) e anuncia para um tempo pr\u00f3ximo o fim do cativeiro. O Terceiro Isa\u00edas \u00e9, no conjunto, situado no per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico, embora contenha textos que possam provir de \u00e9pocas anteriores. O Terceiro Isa\u00edas \u00e9 respons\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 pela terceira parte do escrito mas tamb\u00e9m pela forma final do livro como um todo e, por esse seu trabalho, o livro, apesar das diferentes partes, apresenta unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>b. Jeremias<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Jeremias recolhe or\u00e1culos e a\u00e7\u00f5es do profeta hom\u00f4nimo, que exerceu seu minist\u00e9rio nas \u00faltimas d\u00e9cadas antes da queda de Jerusal\u00e9m, at\u00e9 o in\u00edcio do ex\u00edlio babil\u00f4nico (Jr 1,1-3). Anunciando numa das \u00e9pocas mais conturbadas da hist\u00f3ria de Israel, Jeremias entra em grave confronto com os reis e regentes. Prega que os pecados de Jud\u00e1 levar\u00e3o inevitavelmente \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o e ao ex\u00edlio em Babil\u00f4nia, a grande dominadora de ent\u00e3o. Por esse motivo, muitas vezes \u00e9 exposto a graves sofrimentos. Do seu livro, com isso, pode-se depreender com nitidez o que \u00e9 o profeta segundo Deus e como ele experimenta em sua vida a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo se numerosos textos do livro podem provir da \u00e9poca do profeta, o escrito foi retrabalhado em \u00e9pocas posteriores e tem particular rela\u00e7\u00e3o com a teologia deuteronomista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>c. Ezequiel<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Ezequiel exerceu seu minist\u00e9rio em Babil\u00f4nia, entre os anos 593 e 571 aC (Ez 1,1-3; 29,17). Sacerdote, foi levado para Babil\u00f4nia na primeira deporta\u00e7\u00e3o (598) e anunciou para breve o fim do Reino de Jud\u00e1. Ap\u00f3s a queda de Jerusal\u00e9m nas m\u00e3os do ex\u00e9rcito babil\u00f4nico (587\/6), o profeta procura velar pela vida religiosa do povo, a fim de que mantenha a fidelidade ao Senhor. A origem sacerdotal do profeta evidencia-se por sua preocupa\u00e7\u00e3o com o templo e o culto e com sua concep\u00e7\u00e3o de Deus particularmente sob a ideia da \u201cgl\u00f3ria\u201d (Ez 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora haja acr\u00e9scimos aos textos do livro, atualmente aceita-se que ele, em seu n\u00facleo, pode ser referido ao Ezequiel dos s\u00e9culos VII-VI, sem ser necess\u00e1rio recorrer a uma fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.2 Os profetas \u201cmenores\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o assim denominados por serem de menor extens\u00e3o, se comparados aos outros tr\u00eas livros prof\u00e9ticos. Atualmente, discute-se se os profetas menores s\u00e3o independentes ou est\u00e3o unidos em um s\u00f3 livro, o \u201cLivro dos Doze\u201d. Se de um lado h\u00e1 elementos que unem alguns desses escritos, h\u00e1 tamb\u00e9m caracter\u00edsticas pr\u00f3prias a cada um. N\u00e3o \u00e9 claro, portanto, se eles formam uma unidade e, caso isso ocorra, em que sentido e em que medida estariam unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>a. Oseias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oseias \u00e9 o \u00fanico profeta dos Doze oriundo do Reino do Norte. Seu minist\u00e9rio \u00e9 datado de meados do s\u00e9culo VIII at\u00e9 os \u00faltimos anos antes da queda de Samaria (por volta de 722\/721 aC). Com a imagem do matrim\u00f4nio e dos filhos, Oseias aponta para a grave infidelidade de Israel para com Deus. Atrav\u00e9s da puni\u00e7\u00e3o, Deus purifica seu povo e ent\u00e3o lhe oferece a salva\u00e7\u00e3o (Os 2,16-25; 3,1-5; 14,2-9)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>b. Joel<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro traz muitas refer\u00eancias a Jerusal\u00e9m. Jerusal\u00e9m possui muros (Jl 2,7-9) e o culto parece estar organizado no Templo (Jl 2,12-17). A partir da\u00ed, sup\u00f5e-se que o livro tenha sido composto ap\u00f3s Esdras e Neemias (entre os s\u00e9culos V e IV aC). Mas h\u00e1 muita controv\u00e9rsia quanto \u00e0 sua data\u00e7\u00e3o. Sua tem\u00e1tica est\u00e1 centrada na vinda do Dia do Senhor, que, no final do livro, se tornar\u00e1 ju\u00edzo para os pag\u00e3os e salva\u00e7\u00e3o para Jud\u00e1 (Jl 4,15-17.18-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>c. Am\u00f3s<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Am\u00f3s \u00e9 o mais antigo profeta que tem seus or\u00e1culos recolhidos num livro. Oriundo do Reino de Jud\u00e1 (Am 7,10-17), anunciou a Palavra de Deus no Reino de Israel, no s\u00e9culo VIII aC, provavelmente pouco antes de 750 (Am 1,1). Ponto central de sua mensagem \u00e9 a forte cr\u00edtica ao povo e a seus dirigentes, em virtude do desprezo do direito e da justi\u00e7a (Am 2,6; 6,1-7; 5,7-27; 8,4-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>d. Abdias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta \u00e9 desconhecido. O livro, de apenas um cap\u00edtulo, apresenta poucos ind\u00edcios para uma data\u00e7\u00e3o exata. Como traz o julgamento contra Edom, parece dever ser colocado ap\u00f3s a queda de Jerusal\u00e9m (587\/6 aC). Edom aproveitou-se da ru\u00edna de Jud\u00e1 para ocupar alguns territ\u00f3rios e saquear a regi\u00e3o (Ab 10-14), o que teria dado ensejo ao livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>e. Jonas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Jonas n\u00e3o \u00e9 um livro prof\u00e9tico. Foi acrescentado aos \u201cpequenos profetas\u201d provavelmente para completar o n\u00famero de doze, considerado perfeito. \u00c9 uma narra\u00e7\u00e3o fict\u00edcia, de autor desconhecido, entre os s\u00e9culos IV e III aC. Seu tema central \u00e9 a reflex\u00e3o sobre o sentido do profetismo e o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus, que ultrapassa as fronteiras de Israel. O profeta Jonas referido em 2Rs 14,25 n\u00e3o \u00e9 o mesmo Jonas do livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>f. Miqueias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miqueias exerce seu minist\u00e9rio sob os reis Joat\u00e3o (740-736 aC), Acaz (736-716 aC) e Ezequias (716-686 aC) (Mq 1,1). Embora profetize em Jud\u00e1, refere-se tamb\u00e9m ao Reino do Norte (Mq 1,5-6). Condena fortemente os desmandos sociais e pol\u00edticos de sua \u00e9poca (Mq 1,2-16). Os pecados do povo acarretar\u00e3o o ju\u00edzo de Deus, concretizado na invas\u00e3o e no dom\u00ednio ass\u00edrio. Mas Deus prepara um futuro de salva\u00e7\u00e3o (Mq 4,1\u20135,8; 7,8-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>g.<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>Naum<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro versa sobre a ru\u00edna de N\u00ednive, capital da Ass\u00edria (Na 2,4\u20133,19). Deus \u00e9 justo e punir\u00e1 os opressores (Na 1,11-13; 2,1). Com esse tema, o livro se situa provavelmente entre a tomada de Tebas pelos ass\u00edrios (entre 668 e 663 aC; a cidade \u00e9 citada em Na 3,8) e a queda de N\u00ednive (612).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>h. Habacuc<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Hab 1,5-11 fala da amea\u00e7a dos babil\u00f4nios, a \u00e9poca de seu an\u00fancio \u00e9 possivelmente anterior \u00e0s deporta\u00e7\u00f5es para a Babil\u00f4nia (598\/7 e 587\/6 aC). O problema central do livro \u00e9 a quest\u00e3o do mal: por que Deus permite que um povo estrangeiro, pecador, avance e ameace Jud\u00e1? A resposta \u00e9 que Deus governa a hist\u00f3ria e, atrav\u00e9s do que ocorre, prepara a salva\u00e7\u00e3o final para o povo eleito. Para isso \u00e9 exigida a fidelidade a Deus (Hab 2,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>i. Sofonias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o t\u00edtulo do livro (Sf 1,1), o profeta exerceu sua atividade no Reino do Sul, nos dias de Josias (640-609 aC), no tempo dos ass\u00edrios (Sf 2,13-15). Sofonias aponta os desvios do povo: a injusti\u00e7a e a idolatria (Sf 1,4-6.8-13; 3,1-8). Mas acentua que no meio de Jerusal\u00e9m\/Jud\u00e1 est\u00e1 a presen\u00e7a de Deus (Sf 3,5), que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, vencer\u00e1: Deus eliminar\u00e1 todo o pecado (Sf 3,14-18). O profeta anuncia o <em>Dia do Senhor<\/em>, quando tanto Jerusal\u00e9m como os pag\u00e3os ser\u00e3o punidos (Sf 1,14-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>j. Ageu<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profetizou no p\u00f3s-ex\u00edlio imediato, na \u00e9poca de Dario I, por volta do ano 520 aC (Ag 1,1; 2,1.10.20). Incentiva o povo a reconstruir o templo. Dessa empresa derivar\u00e1 a prosperidade no pa\u00eds (Ag 1,6-10) e a b\u00ean\u00e7\u00e3o (Ag 2,19). Ageu anuncia a esperan\u00e7a de, na pessoa de Zorobabel, ser restaurada a dinastia dav\u00eddica (Ag 2,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>l<\/em><\/strong><em>. <\/em><strong><em>Zacarias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro apresenta duas partes distintas. O Proto-Zacarias (c. 1 a 8) cont\u00e9m vis\u00f5es e or\u00e1culos; o D\u00eautero-Zacarias (c. 9 a 14), or\u00e1culos escatol\u00f3gicos (\u00f0 <em>escatologia<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Proto-Zacarias remonta ao final do s\u00e9culo VI, a partir de 520 aC (Zc 1,7), embora algumas partes possam ser posteriores (Zc 3,1-10, entre outros). O profeta anuncia a proximidade da era salv\u00edfica para Jerusal\u00e9m (Zc 1,14-17; 8,1-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O D\u00eautero-Zacarias anuncia a realiza\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o, com a vinda de um rei messi\u00e2nico (Zc 9,1-17), e os grandes acontecimentos que ent\u00e3o ter\u00e3o lugar (Zc 12,1-14). O povo ser\u00e1 purificado da idolatria e dos profetas que anunciam falsamente (Zc 13,1-6). A data\u00e7\u00e3o desta parte \u00e9 muito discutida; pode ser do final do s\u00e9culo III aC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>m. Malaquias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de an\u00fancio \u00e9 provavelmente posterior \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o do templo (515 aC), antes da reforma de Esdras e Neemias: a metade do s\u00e9culo V. Critica, sobretudo, o culto e os sacerdotes, chamando a aten\u00e7\u00e3o para o louvor que se deve dar a Deus (Ml 1,6-14) e a fiel observ\u00e2ncia das normas rituais (Ml 2,6; 3,9). Os pecadores podem progredir na vida cotidiana, mas Deus far\u00e1 justi\u00e7a ao fiel (Ml 2,17; 3,14.18). Ap\u00f3s a purifica\u00e7\u00e3o, o povo ser\u00e1 reunido e participar\u00e1 da salva\u00e7\u00e3o (Ml 3,3-4.17.20). O profeta anuncia o <em>Dia do Senhor<\/em>, antes do qual enviar\u00e1 seu mensageiro (Ml 3,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3. A doutrina dos livros prof\u00e9ticos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas desempenham uma fun\u00e7\u00e3o de grande import\u00e2ncia na f\u00e9 do AT. S\u00e3o int\u00e9rpretes da Tor\u00e1, que confrontam com o agir de indiv\u00edduos e comunidades, desfazendo falsas esperan\u00e7as, apontando desvios, exortando a um comportamento adequado \u00e0s exig\u00eancias divinas e anunciando o ju\u00edzo devido ao fechamento do povo \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es divinas. Parte essencial de sua mensagem, contudo, diz respeito \u00e0 expectativa por uma salva\u00e7\u00e3o futura, tematizada de diversas formas conforme as \u00e9pocas e as perspectivas de cada escrito. No centro da mensagem prof\u00e9tica est\u00e1 sempre a pessoa de Deus. A partir da imagem de Deus s\u00e3o tematizados os outros pontos de seu an\u00fancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>a. Deus<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os livros prof\u00e9ticos apresentam uma imagem viva de Deus. \u00c9 o Deus santo (Is), que demonstra sua gl\u00f3ria (Ez), o Deus de amor e miseric\u00f3rdia (Os, Jr), pronto a perdoar (Am, Jl). Mas tamb\u00e9m um Deus que exige fidelidade e que n\u00e3o aceita os desmandos, seja do povo eleito seja dos outros povos (Na, Hab, os or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es estrangeiras, em diversos livros), desmandos que s\u00e3o tanto a infidelidade para com o pr\u00f3prio Deus (culto) como as transgress\u00f5es na conviv\u00eancia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o ex\u00edlio babil\u00f4nico, aprofundou-se a concep\u00e7\u00e3o de Deus como Criador de todas as coisas, do que derivou o monote\u00edsmo absoluto e a universalidade de salva\u00e7\u00e3o: se Deus criou tudo, ent\u00e3o s\u00f3 pode ser \u00fanico e, assim, todos s\u00e3o chamados a participar de sua salva\u00e7\u00e3o (Segundo e Terceiro Isa\u00edas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>b. O pecado<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante deste Deus, que se demonstrou como Santo que acompanha, cheio de amor, a vida de Israel, sobressai, por contraste, o pecado do povo. O pecado \u00e9 tematizado de diversas formas: \u00e9 o contr\u00e1rio da santidade de Deus, \u00e9 desobedi\u00eancia e falta de f\u00e9 (Is), trai\u00e7\u00e3o do amor (Os), oposi\u00e7\u00e3o ao Deus justo (Am); \u00e9 abomina\u00e7\u00e3o aos olhos de Deus (Ez) e mentira (Jr). Israel \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 pecador, mas fechado \u00e0 convers\u00e3o e \u00e9 essa atitude que o exp\u00f5e ao ju\u00edzo de Deus. Na vida concreta, o pecado se manifesta em tr\u00eas \u00e2mbitos: pol\u00edtico, social e cultual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>c. A pol\u00edtica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas falam contra a condu\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica desvinculada da vontade de Deus. S\u00e3o criticadas as classes dirigentes, que conduzem a na\u00e7\u00e3o sem respeitar as exig\u00eancias divinas ou que, ao procurar alian\u00e7as estrangeiras, o fazem em detrimento da confian\u00e7a em Deus. No Reino do Norte, Oseias acusa a sucess\u00e3o mon\u00e1rquica atrav\u00e9s de intrigas e assassinatos. Em Jud\u00e1, a quest\u00e3o diz respeito sobretudo \u00e0 confian\u00e7a nos meios b\u00e9licos e em articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sem a f\u00e9 em Deus, \u00fanico que realmente pode salvar (Is).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>d. Justi\u00e7a social<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justi\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es sociais ocupa parte significativa da mensagem de numerosos livros (Am, Is, Mq, Sf, dentre outros). \u00c0 honra de Deus devem corresponder as justas rela\u00e7\u00f5es na comunidade. \u00c9 apontada, sobretudo, a injusti\u00e7a para com os mais desprotegidos. Recrimina-se a riqueza que convive com a pen\u00faria dos mais pobres, bem como a corrup\u00e7\u00e3o dos magistrados e governantes, a falta de compaix\u00e3o dos credores, as fraudes no com\u00e9rcio e o falso testemunho no tribunal, tudo isso fruto da transgress\u00e3o da Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>e. Cr\u00edtica ao culto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No aspecto cultual, a mensagem prof\u00e9tica segue duas grandes linhas: (a) a cr\u00edtica \u00e0 idolatria ou ao sincretismo; (b) a cr\u00edtica ao culto israelita. Nesta \u00faltima perspectiva, recrimina-se o culto ao Senhor realizado em proveito dos pr\u00f3prios sacerdotes e das classes dirigentes em geral (Os) ou como meio para \u201capaziguar\u201d Deus em vez de se realizar uma real convers\u00e3o (Os; Am). Critica-se ainda, particularmente, a pr\u00e1tica cultual desvinculada da observ\u00e2ncia dos mandamentos, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a (Is; Am; Mq). Malaquias levanta-se contra o desrespeito e a falta de temor de Deus, manifestada na apresenta\u00e7\u00e3o de animais defeituosos e ofertas ritualmente impuras (Ml 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>f. Esperan\u00e7a escatol\u00f3gica (<\/em><\/strong><strong><em>\u00f0<\/em><\/strong><strong><em> escatologia)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relevante na mensagem prof\u00e9tica \u00e9 tamb\u00e9m a esperan\u00e7a de um futuro promissor. Essa se baseia no fato que Deus domina a hist\u00f3ria e quer conduzi-la \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o. Deus restaurar\u00e1 seu povo, far\u00e1 com que habite em paz na sua terra pr\u00f3pria. Jerusal\u00e9m ser\u00e1 purificada (Is, Ez, Zc), novamente habitada por Deus e, assim, se tornar\u00e1 o centro do mundo (Is 2; Mq 4). Os que dominaram o povo eleito ser\u00e3o eliminados (Na, Hab, Ab, Jl) e com isso Israel viver\u00e1 para sempre em seguran\u00e7a, em completa felicidade (Sf, Mq).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>g. O rei ungido (Messias)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a promessa feita a Davi de que sua dinastia permaneceria para sempre (2Sm 7), desenvolveu-se, em alguns livros prof\u00e9ticos, a expectativa de um rei justo e s\u00e1bio, que inauguraria uma \u00e9poca de completo bem-estar para Israel (Is, Jr, Mq 5). Endere\u00e7ada primeiramente a futuro iminente, esta expectativa ser\u00e1 deslocada sempre para um futuro mais distante (\u00f0 <em>escatologia<\/em>), preparando, dessa forma, a vinda definitiva de um rei Messias da parte do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.4. Significado dos livros prof\u00e9ticos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas gozavam de grande prest\u00edgio nas sociedades antigas. Eram respeitados e, quando ligados ao pal\u00e1cio, faziam parte das classes dirigentes, acompanhando as decis\u00f5es dos governantes pela consulta a Deus. A Palavra da qual o profeta \u00e9 portador julga o povo e as classes dominantes. Isto lhe confere grande autoridade: \u00e9 cr\u00edtico da sociedade e do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Israel, o profetismo teve particular import\u00e2ncia. No contexto de todo o Antigo Oriente Pr\u00f3ximo, somente nesse povo foram conservados livros prof\u00e9ticos. Isto significa que a palavra prof\u00e9tica, embora proferida num determinado momento, em vista de circunst\u00e2ncias precisas, foi considerada v\u00e1lida tamb\u00e9m para outras situa\u00e7\u00f5es. A mensagem prof\u00e9tica \u00e9 perene, pois a Palavra do Deus de Israel n\u00e3o volta atr\u00e1s; tem valor permanente (Is 40,8; 55,10-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Livros associados \u00e0 profecia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Septuaginta e as B\u00edblias crist\u00e3s associaram \u00e0 profecia os livros de Daniel, Lamenta\u00e7\u00f5es e Baruc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.1 Daniel<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocado na Setenta e na Vulgata entre os livros prof\u00e9ticos, Daniel encontra-se, na B\u00edblia Hebraica, entre os \u201cescritos\u201d. Por seu conte\u00fado, de fato, o livro n\u00e3o se enquadra como profecia. Em sua primeira parte (c. 1\u20136), s\u00e3o narradas hist\u00f3rias edificantes. A segunda parte (c. 7\u201312) \u00e9 composta por vis\u00f5es apocal\u00edpticas (\u00f0 <em>apocal\u00edptica<\/em>). Da Setenta constam ainda dois cap\u00edtulos que trazem narra\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas (c. 13\u201314).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel aparece no livro como um personagem do tempo do ex\u00edlio babil\u00f4nico (s\u00e9culo VI aC). O conte\u00fado do livro, por\u00e9m, indica que ele foi composto em \u00e9poca helenista. A alus\u00e3o \u00e0 morte de Ant\u00edoco IV (175-164 aC), em 11,45, leva a finaliza\u00e7\u00e3o do livro para os anos em torno de 164.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro encontra-se redigido em tr\u00eas l\u00ednguas: aramaico (2,4\u20137,28), hebraico (1,1\u20132,3; 8,1\u201312,13) e grego (3,24-90; 13,1\u201314,42). Esta diversidade \u00e9 de dif\u00edcil explica\u00e7\u00e3o. Sup\u00f5e-se que foi composto, em parte, a partir de materiais vindos por tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A finalidade do livro \u00e9 sustentar a f\u00e9 e a esperan\u00e7a diante de persegui\u00e7\u00f5es e adversidades (2,36-45; 3,33; 4,31; 7,14). \u00c9 poss\u00edvel ao judeu viver sua f\u00e9 com fidelidade. Deus interv\u00e9m em favor dos justos e mesmo os estrangeiros reconhecer\u00e3o o Deus de Israel (c. 1\u20136). Deus \u00e9 o senhor da hist\u00f3ria e conhece seu sentido (2,28). Toda a hist\u00f3ria caminha para sua consuma\u00e7\u00e3o, na qual os reinos da terra dar\u00e3o lugar ao reino de Deus (2,18.19.37.44; 4,34; 5,23; 7,9-14). Os c. 7\u201312, seguindo a mentalidade apocal\u00edptica, ensinam que o inimigo ser\u00e1 aniquilado no tempo do fim (8,17-19; 11,36-45). No reino de Deus, o poder caber\u00e1 ao \u201cFilho do Homem\u201d (7,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos \u00e9 testemunhada em 12,1-3.13. Trata-se da ressurrei\u00e7\u00e3o de justos e \u00edmpios, com sortes diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte final do escrito, a hist\u00f3ria de Susana (c. 13) mostra que Deus julga e faz justi\u00e7a ao injusti\u00e7ado; a narra\u00e7\u00e3o de Bel e da serpente (c. 14) critica as imagens idol\u00e1tricas e defende o monote\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.2 Lamenta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo hebraico (\u201cComo&#8230;!\u201d: 1,1) caracteriza um canto f\u00fanebre. O Talmud d\u00e1 ao livro o t\u00edtulo de \u201cLamenta\u00e7\u00e3o\u201d, assim como a Setenta e a Vulgata. O \u201ccomo\u201d inicial resume o tom de todo o texto, o sentimento que perpassa toda a obra. O livro comp\u00f5e-se de cinco cantos sobre a queda de Jerusal\u00e9m, cada um ocupando um cap\u00edtulo: os quatro primeiros s\u00e3o acr\u00f3sticos; o quinto tem 22 versos (n\u00famero de letras do alfabeto hebraico). Apresentam a destrui\u00e7\u00e3o da cidade, a situa\u00e7\u00e3o de seus habitantes e mostram a infidelidade do povo, especialmente de profetas e sacerdotes, como a causa da cat\u00e1strofe (1,8.14-15; 2,14; 3,42; 4,5.13; 5,7.16). O Senhor \u00e9 justo, mas a medida dos pecados transbordou e p\u00f4s em xeque a prote\u00e7\u00e3o divina (1,18; 4,12). H\u00e1, por\u00e9m, esperan\u00e7a, em virtude da miseric\u00f3rdia de Deus. Importante \u00e9 a f\u00e9 e a convers\u00e3o para que Deus intervenha e salve (3,24-26.31-33.40-42; 5,19-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro, obra comp\u00f3sita, pode datar da \u00e9poca do ex\u00edlio ou pouco ap\u00f3s. Embora atribu\u00edda a Jeremias a partir da not\u00edcia de 2Cr 35,25, n\u00e3o remonta ao profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.3 Baruc<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consiste numa colet\u00e2nea de textos de natureza variada, sendo uma parte em prosa (1,1\u20133,8) e outra em poesia (3,9\u20135,9). Na tradu\u00e7\u00e3o da Setenta est\u00e1 colocado entre Jeremias e Lamenta\u00e7\u00f5es; na Vulgata, ap\u00f3s Lamenta\u00e7\u00f5es. Br 1,1-14 traz uma introdu\u00e7\u00e3o e situa o texto penitencial que vem a seguir. Nesse (1,15\u20133,8), explica-se o ex\u00edlio como resultado do pecado do povo (1,21-22; 3,5). O texto que segue (3,9\u20134,4) \u00e9 um hino de louvor \u00e0 sabedoria. Finalmente, tem lugar uma prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica (4,5\u20135,9) que retoma temas do Segundo Isa\u00edas e de Jeremias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro usa a pseudon\u00edmia de Baruc, secret\u00e1rio de Jeremias (cf. Jr 36,4). \u00c9 conhecido somente em grego, embora o original possa ter sido hebraico. Os muitos contatos de 1,15\u20133,8 com Dn 9,4-19 e de 4,5\u20135,9 com os Salmos de Salom\u00e3o (ap\u00f3crifo do s\u00e9culo II aC) indicam para a reda\u00e7\u00e3o final do livro o s\u00e9culo II aC. A situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pressuposta \u00e9 a da crise helenista que teve lugar neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro ensina que o caminho para o povo superar as dificuldades \u00e9 confessar a culpa (1,15-20) e suplicar o perd\u00e3o de Deus (2,11-18; 3,1-8). Br 3,9\u20134,4 trata da excel\u00eancia da sabedoria, que reside em Israel (3,22-28) e \u00e9 identificada com a revela\u00e7\u00e3o divina (3,37\u20134,1; cf. Sir 24,23). A \u00faltima parte do escrito (4,5\u20135,9) abre a perspectiva da futura restaura\u00e7\u00e3o (4,30\u20135,9). Deus \u00e9 fiel, mesmo diante da infidelidade de Israel. Jerusal\u00e9m ter\u00e1 de volta a alegria, a paz, a gl\u00f3ria (5,1-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Vulgata acrescentou ao livro um sexto cap\u00edtulo, contendo a chamada \u201cCarta de Jeremias\u201d, que na Setenta figura como um livro \u00e0 parte. Baseia sua pseudon\u00edmia provavelmente em Jr 29. \u00c9 um tratado que condena a idolatria (6,3-5) e ironiza os \u00eddolos (6,7-14.15-72). Sua data\u00e7\u00e3o deve ser do tempo helenista (final do s\u00e9culo IV ou no s\u00e9culo III aC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Maria de Lourdes Corra Lima<\/em>, PUC Rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ABREGO, J. M. <em>Os livros prof\u00e9ticos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ave Maria, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALONSO, L.; SICRE, J. L. <em>Profetas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002. 2004. 2v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARANDA, G.; GARCIA, F.; PEREZ, M. <em>Literatura judaica intertestament\u00e1ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ave Maria, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ASURMENDI, J. M. Daniel e a apocal\u00edptica. In: GONZALEZ LAMADRID, A. et al<em>. Hist\u00f3ria, narrativa, apocal\u00edptica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ave Maria, 2004, p. 413-62.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BEAUCAMP, E. <em>Los Profetas de Israel<\/em>: o el drama de una alianza. Estella: Verbo Divino, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COLLINS, J. J. <em>A Imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LES, R. <em>Los profetas, traductores de Dios<\/em>. Salamanca: San Esteban, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HERNANDEZ, J. M. <em>Los profetas<\/em>: boca de Dios y voceros del pueblo. M\u00e9xico: Dabar, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, M. L. C. <em>Mensageiros de Deus<\/em>: profetas e profecias no antigo Israel. Rio de Janeiro: PUC-Rio; S\u00e3o Paulo: Reflex\u00e3o, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORLA, V. O livro das Lamenta\u00e7\u00f5es. In: ___. <em>Livros sapienciais e outros escritos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ave Maria, 1997, p. 427-56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NICKELSBURG, G. W. E. <em>Literatura judaica, entre a B\u00edblia e a Mixn\u00e1<\/em>. Uma introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e liter\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAVASI, G. <em>Los Profetas<\/em>. Bogot\u00e1: Paulinas, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R\u00d6MER, T.; MACCHI, J.-D.; NIHAN, C. <em>Antigo Testamento<\/em>. Hist\u00f3ria, escritura, teologia. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHMID, K. <em>Hist\u00f3ria da literatura do Antigo Testamento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SICRE, J. L. <em>Introducci\u00f3n al Profetismo b\u00edblico<\/em>. Estella: Verbo Divino, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Profetismo em Israel<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WILSON, R. R. <em>Profecia e sociedade no antigo Israel<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZENGER, E. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Antigo Testamento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O profeta 1.1 Conceito de \u201cprofeta\u201d 1.2 Verdadeira e falsa profecia 2 A profecia escrita na B\u00edblia Hebraica 2.1 Da palavra oral \u00e0 palavra escrita 2.2 Os livros prof\u00e9ticos 2.2.1 Os profetas \u201cmaiores\u201d 2.2.2 Os profetas \u201cmenores\u201d 2.3 A doutrina dos livros prof\u00e9ticos 2.4 Significado dos livros prof\u00e9ticos 3 Livros associados \u00e0 profecia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1379"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1380,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1379\/revisions\/1380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}