
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1375,"date":"2016-12-30T11:24:09","date_gmt":"2016-12-30T13:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1375"},"modified":"2018-02-28T18:23:21","modified_gmt":"2018-02-28T21:23:21","slug":"a-modernidade-e-a-igreja-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1375","title":{"rendered":"A modernidade e a Igreja cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Mudan\u00e7as da modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 O processo de seculariza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 O in\u00edcio das \u201cguerras culturais\u201d na Europa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 A crise modernista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Compromisso social do catolicismo conservador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Consolida\u00e7\u00e3o dos Estados e das Igrejas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 Catolicismo social na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Complexa rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 As tentativas de reconcilia\u00e7\u00e3o da Igreja com a modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Conc\u00edlio Vaticano II e Confer\u00eancias do Episcopado Latino-Americano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 O di\u00e1logo necess\u00e1rio com os tempos hist\u00f3ricos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A modernidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.1 Mudan\u00e7as da modernidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo ocidental passou por profundas mudan\u00e7as a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII. Por um lado, a revolu\u00e7\u00e3o industrial provocou mudan\u00e7as econ\u00f4micas e sociais irrevers\u00edveis, com consequ\u00eancias muito significativas para a Am\u00e9rica Latina, que ingressou no com\u00e9rcio atl\u00e2ntico com um novo protagonismo. Por outro lado, no campo pol\u00edtico, o regime das liberdades civis e religiosas simbolizado pela \u201cDeclara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o\u201d levou a um per\u00edodo de turbul\u00eancia que muitos temiam. Parecia haver \u201cuma rela\u00e7\u00e3o direta entre o in\u00edcio de 1789 e a destrui\u00e7\u00e3o dos valores tradicionais na ordem moral, social e religiosa\u201d (AUBERT, 1977, p.44). O mundo ocidental entrou na \u201cera das revolu\u00e7\u00f5es\u201d, segundo a express\u00e3o cl\u00e1ssica de Jacques Godechot \u2013 que se estenderia por v\u00e1rias d\u00e9cadas. A revolu\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias inglesas, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a revolu\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica espanhola e as revolu\u00e7\u00f5es liberais de 1830 e 1848 suscitaram diversas realidades pol\u00edticas e sociais. Novos atores coletivos \u2013 movimentos ideol\u00f3gicos, partidos, ex\u00e9rcitos, estados, rep\u00fablicas, na\u00e7\u00f5es \u2013\u00a0 se tornariam os novos protagonistas da hist\u00f3ria. O liberalismo, a democracia e a cidadania entraram em jogo, tanto na Europa quanto na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes processos envolveram mudan\u00e7as de ideias, nas cren\u00e7as, nos imagin\u00e1rios, nos valores, nos comportamentos. Foi gerado, segundo Fran\u00e7ois-Xavier Guerra, \u201cum novo sistema de refer\u00eancias: a vit\u00f3ria do indiv\u00edduo, considerado como o valor supremo e crit\u00e9rio de refer\u00eancia com o qual devem ser medidas as institui\u00e7\u00f5es e os comportamentos\u201d. Guerra assinala que esta vit\u00f3ria do indiv\u00edduo teve consequ\u00eancias significativas no campo da sociabilidade. A nova sociabilidade moderna foi caracterizada pela associa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos de origem diversa, que se reuniram para discutir em comum e tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Sal\u00f5es, clubes, reuni\u00f5es sociais e associa\u00e7\u00f5es eram sociedades igualit\u00e1rias, onde surgiu a \u201copini\u00e3o p\u00fablica moderna, produto da discuss\u00e3o p\u00fablica e consenso dos seus membros&#8221; (GUERRA, 2009, p.40) .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se deve, por\u00e9m, considerar que a modernidade surgiu contra a Igreja Cat\u00f3lica. Por um lado, isso envolveria identificar, na \u00edntegra, as origens da modernidade com alguns princ\u00edpios do Iluminismo do s\u00e9culo XVIII. E houve, certamente, iluministas cat\u00f3licos. Por outro lado, n\u00e3o pode ser ignorado, como salienta Christopher Clark, o car\u00e1ter seletivo e ideol\u00f3gico, no s\u00e9culo XIX, do uso dos termos \u201cmoderno\u201d ou \u201cantimoderno\u201d (CLARK, 2003, p.46). Em suma,\u00a0 deve ser matizada a imagem antit\u00e9tica da Igreja e dos cat\u00f3licos que rejeitam em bloco a modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.2 O processo de seculariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da moderniza\u00e7\u00e3o industrial e de mudan\u00e7a nas refer\u00eancias e costumes, foram desenvolvidos processos de seculariza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos quais algumas\u00a0 esferas da vida social come\u00e7aram a ganhar autonomia do \u00e2mbito religioso. N\u00e3o devemos simplificar o conceito de seculariza\u00e7\u00e3o, certamente muito complexo; tamb\u00e9m n\u00e3o se pode limitar seu desenvolvimento a determinados per\u00edodos da hist\u00f3ria. \u00c9 prefer\u00edvel conceber a seculariza\u00e7\u00e3o como \u201cdesenvolvimento cont\u00ednuo, como um trabalho permanente da religi\u00e3o que nas nossas sociedades modernas \u00e9 recomposta, realocada e adquire modalidades m\u00faltiplas, fragmentadas, subjetivas, talvez esquivas\u201d. A seculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 \u2013 declara Di Stefano \u2013 \u201c(&#8230;) por um lado, a transi\u00e7\u00e3o dos regimes da cristandade para os da modernidade religiosa; por outro, a permanente recria\u00e7\u00e3o das identidades religiosas que essa passagem colocou em movimento\u201d (DI STEFANO, 2011, p.4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este processo se desenvolveu em diferentes n\u00edveis e com diversas consequ\u00eancias. De acordo com a proposta de Karel Dobbelaere, podem-se distinguir tr\u00eas n\u00edveis de seculariza\u00e7\u00e3o. A \u201cseculariza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d refere-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre sociedade e religi\u00e3o e \u00e0 dessacraliza\u00e7\u00e3o progressiva da vida social, estando ligada \u00e0 laiciza\u00e7\u00e3o promovida pela pol\u00edtica. No n\u00edvel m\u00e9dio, a \u201cseculariza\u00e7\u00e3o organizacional\u201d implica a progressiva autonomia das organiza\u00e7\u00f5es, a maioria de origem eclesi\u00e1stica, que se afastam das suas refer\u00eancias morais e religiosas e, gradualmente, se adaptam ao ambiente profano. Finalmente, a \u201cseculariza\u00e7\u00e3o individual\u201d est\u00e1 ligada \u00e0 menor influ\u00eancia eclesi\u00e1stica nas cren\u00e7as e comportamentos das pessoas, o que n\u00e3o implica necessariamente uma diminui\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a em Deus ou do esp\u00edrito religioso. (DOBBELAERE, 2002, p.29-43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina, este intrincado processo \u00e9 mais evidente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX e impactou mais os setores intelectuais \u2013 influenciados por correntes de pensamento racionalistas\u00a0 e positivistas \u2013 e nas sociedades de cristianiza\u00e7\u00e3o tardia. A seculariza\u00e7\u00e3o seria sentida especialmente nos grupos de elite que, embora pequenos, desempenharam um papel de lideran\u00e7a na vida pol\u00edtica, cultural e social. De qualquer forma, a Igreja Cat\u00f3lica continuou a exercer ampla e profunda influ\u00eancia sobre vastos setores sociais e culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, na maioria das rep\u00fablicas latino-americanas, o processo de seculariza\u00e7\u00e3o coincidiu com dois outros processos importantes, o que multiplicou debates e conflitos. Na verdade, a constru\u00e7\u00e3o dos estados nacionais e a configura\u00e7\u00e3o\u00a0 das Igrejas cat\u00f3licas locais e romanizadas convergiram como\u00a0 processos n\u00e3o isentos de tens\u00f5es. Al\u00e9m disso, estes processos tamb\u00e9m foram agentes e consequ\u00eancias do processo de seculariza\u00e7\u00e3o, que obrigava a estabelecer limites, determinar espa\u00e7os espec\u00edficos e redefinir a rela\u00e7\u00e3o entre o religioso e o pol\u00edtico (DI STEFANO, 2012, p.220-222).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1 O in\u00edcio das \u201cguerras culturais\u201d na Europa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reafirma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que come\u00e7ou na Europa a partir de 1815, foi consolidada com a Restaura\u00e7\u00e3o, que revitalizou a alian\u00e7a entre o trono e o altar. Embora as revolu\u00e7\u00f5es liberais fossem acompanhadas por novas ondas anticlericais, ao mesmo tempo em que acontecia o nascimento da sociedade industrial, a vida crist\u00e3 vivia um per\u00edodo de fortalecimento que durou at\u00e9 1880. Por um lado, consolidava-se a revitaliza\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o das ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas. Por outro lado, a a\u00e7\u00e3o pastoral se desenvolvia de acordo com um novo esp\u00edrito, que conferia especial valor \u00e0 religiosidade popular. Eram tempos de festas dos padroeiros e prociss\u00f5es, obras de juventude e livros religiosos populares, de devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e piedade mariana, de constru\u00e7\u00e3o de \u00a0igrejas e grande impulso \u00e0s peregrina\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meados de 1846, Giovanni Mastai Ferretti, que percorrera as capitais do Cone Sul na d\u00e9cada de 1820, tornou-se o papa Pio IX. Seu pontificado, que durou mais de 30 anos, coincidiu com esse renascimento religioso e com o processo de centraliza\u00e7\u00e3o romana, que parecia estar baseado em alguma apreens\u00e3o sobre a multiplicidade de igrejas locais e apoiava a subordina\u00e7\u00e3o dos bispos \u00e0s diretrizes de Roma. O papa e seus assessores estavam convencidos que esse era o modo de garantir\u00a0 a restaura\u00e7\u00e3o da vida cat\u00f3lica e de reagrupar as for\u00e7as da Igreja para enfrentar os desafios do liberalismo anticrist\u00e3o. Com o apoio das nunciaturas e das congrega\u00e7\u00f5es religiosas, entre as quais se destacou a Companhia de Jesus, a romaniza\u00e7\u00e3o marcou por d\u00e9cadas a vida da Igreja e teve a entusiasta ades\u00e3o das massas cat\u00f3licas, atra\u00eddas pela integridade e carisma de Pio IX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na defesa dos valores crist\u00e3os, os cat\u00f3licos romanos e os romanizados adotaram todos os meios modernos de organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Eles fundaram jornais e revistas que criticavam o liberalismo pol\u00edtico e a cultura secularizada, e apoiaram a cria\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos para manter a solidariedade e moral dos cat\u00f3licos, criando uma verdadeira rede na Europa e, um pouco mais tarde, na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.2 A crise modernista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde meados do s\u00e9culo XIX, a afirma\u00e7\u00e3o da Igreja de Roma como uma refer\u00eancia para a Igreja universal, bem como as progressivas condena\u00e7\u00f5es das ideias liberais e dos avan\u00e7os do racionalismo levaram \u00e0 crescente rejei\u00e7\u00e3o dos grupos dominantes e daqueles que interpretavam a posi\u00e7\u00e3o do Vaticano como um an\u00fancio de ruptura com a modernidade. Al\u00e9m disso, entre 1861 e 1870, a \u201cquest\u00e3o romana\u201d, sobre o papel de Roma como a capital dos Estados Pontif\u00edcios ou como capital do Reino da It\u00e1lia em forma\u00e7\u00e3o, motivou o alinhamento da sociedade cat\u00f3lica europeia com o papa, cuja plena liberdade foi reivindicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<em> Ineffabilis Deus<\/em>, de 1854,\u00a0 Pio IX definiu o dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria. Em 8 de dezembro do mesmo ano, festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, foi promulgado o decreto correspondente. Maria, chamada a ser a M\u00e3e de Deus, foi preservada do pecado original, a partir do qual veio a fraqueza inicial da raz\u00e3o humana. Exatamente dez anos depois, em 8 de dezembro de 1864, Pio IX publicou a enc\u00edclica <em>Quanta Cura<\/em>, acompanhada por um cat\u00e1logo de oitenta proposi\u00e7\u00f5es que foram consideradas inaceit\u00e1veis, conhecido como <em>Syllabus errorum<\/em>. Neste documento, Pio IX condenou erros rejeitados por todas as escolas teol\u00f3gicas e incluiu advert\u00eancias contra o totalitarismo do Estado e contra os excessos do liberalismo econ\u00f4mico. Ele tamb\u00e9m se op\u00f4s abertamente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o liberal da religi\u00e3o e da sociedade \u2013 o monop\u00f3lio estatal da educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 seculariza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de Igreja e Estado, \u00e0 liberdade de culto e de imprensa. O \u00faltimo dos erros condenados era o seguinte: \u201cO Romano Pont\u00edfice pode e deve se reconciliar com o progresso, o liberalismo e a civiliza\u00e7\u00e3o moderna\u201d. O <em>Syllabus<\/em> foi um texto controverso e provocou rea\u00e7\u00f5es complexas dentro e fora da Igreja Cat\u00f3lica, especialmente entre os cat\u00f3licos liberais da Fran\u00e7a e da B\u00e9lgica (AUBERT, 1977, p.49-50). O avan\u00e7o das tropas italianas, a desconfian\u00e7a diante da Pr\u00fassia protestante, a press\u00e3o exercida pela burguesia anticlerical prevalecente em rep\u00fablicas liberais e os impulsos do socialismo, consolidado com a reuni\u00e3o da Primeira Internacional em Londres, em 1864, a propaga\u00e7\u00e3o do positivismo cientificista e o evolucionismo de Charles Darwin, al\u00e9m do desenvolvimento da propaganda secularista tinham provocado um forte alarme, levando \u00e0 exaspera\u00e7\u00e3o dos \u00e2nimos e\u00a0 a condena\u00e7\u00f5es contundentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invas\u00e3o dos Estados Pontif\u00edcios e a queda de Roma, em setembro de 1870, agravariam a \u201cquest\u00e3o romana\u201d. No Conc\u00edlio Vaticano I, aberto em 8 de dezembro de 1869 e suspenso pela entrada das tropas italianas em Roma, foram aprovados, ap\u00f3s tensos debates, dois documentos importantes: a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Dei Filius<\/em> \u2013 que reafirmou os fundamentos do cristianismo diante dos erros modernos: o racionalismo, o materialismo e o ate\u00edsmo \u2013 e a constitui\u00e7\u00e3o <em>Pastor Aeternus<\/em> \u2013 que determinou o primado do bispo de Roma e a infalibilidade papal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1870 e 1914, a \u201ccrise modernista\u201d atingiu seu \u00e1pice e afetou as principais na\u00e7\u00f5es da Europa ocidental: o Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, a Alemanha, a Inglaterra, a Fran\u00e7a, a B\u00e9lgica e a It\u00e1lia. A exegese b\u00edblica de origem protestante e a publica\u00e7\u00e3o das primeiras obras evolucionistas de Charles Darwin influenciaram esse processo. O papado e as sociedades cat\u00f3licas resistiram, de v\u00e1rios modos, aos avan\u00e7os da seculariza\u00e7\u00e3o e ao anticlericalismo. No entanto, em 1878 come\u00e7ara o pontificado do Papa Le\u00e3o XIII, marcado pela prud\u00eancia e o estilo pedag\u00f3gico. Embora o novo pont\u00edfice mantivesse a condena\u00e7\u00e3o ao liberalismo \u2013 a liberdade de religi\u00e3o, imprensa, educa\u00e7\u00e3o e de consci\u00eancia \u2013 ao indiferentismo e ao secularismo, suas propostas foram renovadoras no campo social e mesmo no pol\u00edtico, com as enc\u00edclicas <em>Catholicae Ecclesiae <\/em>(1890), <em>Rerum Novarum<\/em> (1891) e\u00a0 <em>Graves de Communi Re<\/em> (1901).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a revitaliza\u00e7\u00e3o do denominado modernismo teol\u00f3gico, influenciado pela teologia protestante, especialmente a Escola de T\u00fcbingen, causou novos atritos. Nesta nova fase, destacaram-se o te\u00f3logo franc\u00eas Alfred Loisy (1857-1940) e o jesu\u00edta irland\u00eas George Tyrrell (1861-1909), ambos condenados. Segundo o cardeal Desejo Mercier, Arcebispo de Malines, renomado te\u00f3logo neotomista e reitor da Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina, o modernismo teol\u00f3gico tinha, na sua origem, dois grandes erros: primeiro, \u201co suposto antagonismo entre a Igreja e o progresso\u201d, e segundo, \u201ca assimila\u00e7\u00e3o inconsciente da constitui\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das sociedades modernas\u201d, ignorando a autoridade do Papa e dos bispos como \u201ccontinuadores da miss\u00e3o apost\u00f3lica\u201d de Jesus Cristo (MERCIER, 1907, p.35-38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1907, a enc\u00edclica <em>Pascendi<\/em> <em>Dominici gregis,<\/em> de Pio X, condenou o modernismo como \u201ca s\u00edntese de todas as heresias\u201d. Tamb\u00e9m foi institu\u00eddo o \u201cjuramento antimodernista\u201d, obrigat\u00f3rio para \u201ctodo o clero, os pastores, confessores, pregadores, superiores religiosos e professores de filosofia e teologia nos semin\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.3 Compromisso social do catolicismo conservador<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente \u00e0 condena\u00e7\u00e3o da modernidade, manifestou-se, tanto na Europa como no continente americano, um compromisso progressivo dos cat\u00f3licos conservadores contra a \u201cquest\u00e3o social\u201d. V\u00e1rias propostas e diversas den\u00fancias\u00a0 tinham em comum a rejei\u00e7\u00e3o contundente do liberalismo individualista e do socialismo, associado com o uso da viol\u00eancia. Em 1848, Frederico Ozanam lan\u00e7ou seu chamado \u201cVamos aos b\u00e1rbaros e sigamos Pio IX\u201d; os \u201cb\u00e1rbaros\u201d eram os trabalhadores \u2013 considerados perigosos por muitos crist\u00e3os \u2013 acuados pela mecaniza\u00e7\u00e3o e cujas necessidades Ozanam conhecia bem. Seguiram as advert\u00eancias de numerosos bispos: Dom Wilhelm Ketteler, em Mainz, o bispo Maurice de Bonald, em Lyon, o arcebispo Henry Edward Manning, em Westminster, o ent\u00e3o bispo Vincenzo Pecci, em Perugia, futuro Le\u00e3o XIII, apelando ao compromisso dos leigos cat\u00f3licos. Os objetivos eram a defesa da Igreja, acossada em v\u00e1rias frentes, e a reconquista da sociedade para Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o catolicismo social nascente inclu\u00edsse v\u00e1rias tend\u00eancias, a corrente mais antiliberal prevaleceu, em parte como resultado das revoltas de 1848. Neste contexto, houve o encontro das v\u00e1rias fontes do catolicismo social. Prisioneiros durante a guerra franco-prussiana, os franceses Albert de Mun e Rene de la Tour du Pin descobriram o catolicismo social alem\u00e3o e a figura de Mons. Ketteler. Uma vez livres, De Mun e La Tour du Pin promoveram os C\u00edrculos Cat\u00f3licos de Oper\u00e1rios na Fran\u00e7a. Esta obra se difundiu por toda a Europa e contribuiu significativamente para a recristianiza\u00e7\u00e3o das classes dominantes e o fortalecimento dos n\u00facleos de oper\u00e1rios crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coordena\u00e7\u00e3o do catolicismo social europeu foi estimulada a partir da queda de Roma, com a associa\u00e7\u00e3o de leigos cat\u00f3licos conservadores, muito pr\u00f3ximos \u00e0s quest\u00f5es sociais. Em outubro de 1870, com o apoio papal, surgiu em Genebra o \u201cComit\u00ea de Defesa Cat\u00f3lica\u201d, tamb\u00e9m chamado \u201cComit\u00ea de Genebra\u201d, presidido por Mons. Gaspard Mermillod, bispo auxiliar de Lausanne-Genebra. Composto por importantes cat\u00f3licos da \u00c1ustria, Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a, B\u00e9lgica e Pa\u00edses Baixos, o Comit\u00ea desenvolveu duas tarefas importantes: por um lado, a publica\u00e7\u00e3o do jornal <em>Correspondance de Gen\u00e8ve<\/em>, que\u00a0 transmitia informa\u00e7\u00f5es que vinham secretamente do Vaticano; por outro, o impulso da sociedade cat\u00f3lica atrav\u00e9s de contatos permanentes com comit\u00eas cat\u00f3licos europeus e com o Vaticano. A partir de 1871, os membros do Comit\u00ea denominaram-se \u201cInternacional crist\u00e3 ou cat\u00f3lica\u201d, e \u201cInternacional Preta\u201d e a \u201cquest\u00e3o social\u201d ocupou uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada entre os temas das suas reuni\u00f5es anuais. Eles argumentavam que o grande desafio social da Igreja era o combate \u00e0 pobreza e recomendavam um maior compromisso social do clero, o estabelecimento de associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores crist\u00e3os, a organiza\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias populares, a cria\u00e7\u00e3o de uma imprensa popular e, acima de tudo, \u201ca restaura\u00e7\u00e3o do direito p\u00fablico crist\u00e3o\u201d, fundamento social indispens\u00e1vel. Em 1875, o Comit\u00ea aprovou o princ\u00edpio do intervencionismo social do Estado e pediu aos cat\u00f3licos para promover o controle do trabalho de mulheres e crian\u00e7as, melhorar a habita\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e preservar o descanso dominical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Personalidades vinculadas ao Comit\u00ea de Genebra ou seus congressos integraram os c\u00edrculos de estudo e comiss\u00f5es que deram origem \u00e0 Uni\u00e3o de Friburgo, presidida por Mermillod, criada em 1885 e ativa at\u00e9 1891. Sob a influ\u00eancia da Escola vienense e de La Tour du Pin, a Uni\u00e3o de Friburgo deu forma ao corporativismo organicista que era\u00a0 frontalmente oposto ao capitalismo liberal. Com la\u00e7os com o antigo Comit\u00ea de Genebra, este laborat\u00f3rio de ideias influenciou, em alguns aspectos, a prepara\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em> e a defini\u00e7\u00e3o da doutrina social da Igreja, que incluia, tamb\u00e9m, elementos mais democr\u00e1ticos (LAMBERTS, 2002, p.15-101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3\u00a0 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.1\u00a0 Consolida\u00e7\u00e3o dos Estados e das Igrejas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao complexo in\u00edcio da vida independente dos jovens estados ibero-americanos, seguiu-se o desenvolvimento de dois processos paralelos de concentra\u00e7\u00e3o de poder. Por um lado, no n\u00edvel do governo civil, houve a consolida\u00e7\u00e3o gradual do poder do Estado nas novas na\u00e7\u00f5es. Por outro, as autoridades eclesi\u00e1sticas reivindicavam a sua autonomia e se aproximaram gradualmente de Roma, o que envolvia a revis\u00e3o do conceito hist\u00f3rico do padroado r\u00e9gio. Como resultado, se multiplicaram os conflitos em torno dos dois eixos, a diferente interpreta\u00e7\u00e3o do alcance jur\u00eddico do direito de padroado e a concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diferente de Igreja, para uns, uma institui\u00e7\u00e3o dependente do Estado, para outros, uma sociedade independente e soberana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos confrontos das autoridades eclesi\u00e1sticas, zelosas de sua autonomia, com as reivindica\u00e7\u00f5es dos governos republicanos para serem herdeiros do padroado real, o apoio da Santa S\u00e9 foi decisivo. Al\u00e9m disso, a defesa do ultramontanismo e as duras condena\u00e7\u00f5es \u00e0s ideias liberais por parte do papado provocaram a crescente rejei\u00e7\u00e3o dos grupos intelectuais, dos l\u00edderes pol\u00edticos e de todos aqueles que interpretavam as posi\u00e7\u00f5es do Vaticano e das Igrejas locais como um an\u00fancio do afastamento \u2013 e at\u00e9 \u00a0ruptura \u2013 com a modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este processo de consolida\u00e7\u00e3o das Igrejas cat\u00f3licas locais, em comunh\u00e3o com o papa, ocorreu atrav\u00e9s de instrumentos precisos. Al\u00e9m da presen\u00e7a, em algumas cidades, dos legados papais, pode-se mencionar, tamb\u00e9m,\u00a0 o trabalho constante para uma melhor forma\u00e7\u00e3o do clero, atrav\u00e9s do estabelecimento ou restabelecimento de semin\u00e1rios, muitas vezes sob a dire\u00e7\u00e3o da Companhia de Jesus, e a forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes em Roma. Neste sentido, em 1858, foi fundado o Col\u00e9gio Pio Latino-americano, sob responsabilidade dos padres jesu\u00edtas, que recebeu seminaristas de todo o continente, futuros bispos e formadores do clero. Tamb\u00e9m se desenvolveram a imprensa cat\u00f3lica, os centros culturais e os centros de ensino cat\u00f3licos, com o objetivo de atingir todos os n\u00edveis socioecon\u00f4micos. A chegada de numerosas congrega\u00e7\u00f5es religiosas de vida ativa, dedicadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou ao trabalho social, vindas da Europa, foi outra contribui\u00e7\u00e3o fundamental neste per\u00edodo. Analogamente, seguindo o modelo europeu, se organizaram Congressos Cat\u00f3licos com importante participa\u00e7\u00e3o do laicato: em Buenos Aires, em 1883, em Montevid\u00e9u, em 1889, no M\u00e9xico, em 1903. Por fim, os bispos latino-americanos reafirmaram sua lealdade a Roma com a participa\u00e7\u00e3o no Conc\u00edlio Vaticano I \u2013 48 dos 700 participantes eram da Am\u00e9rica Latina \u2013 e no Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Latino-americano em 1899 (LYNCH, 2000, p.78-79).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante todo este processo, foi determinante o papel dos bispos, que marcaram profundamente as igrejas locais. Uma gera\u00e7\u00e3o de prelados nomeados pelo Papa Pio IX a partir do final da d\u00e9cada de 1840 caracterizou-se por um forte perfil mission\u00e1rio, por sua proximidade com Roma e pelos confrontos com os governos liberais, que muitas vezes culminaram com o ex\u00edlio. Em 1847, Rafael Valentin Valdivieso foi nomeado arcebispo de Santiago do Chile; em 1852, Silvestre Guevara e Lira foi nomeado arcebispo de Caracas; em 1853, Pedro Espinosa e Davalos assumiu como bispo de Guadalajara (M\u00e9xico) e como primeiro arcebispo em 1863; em 1854, Mariano Jos\u00e9 de Escalada foi nomeado bispo de Buenos Aires e, em 1866, primeiro arcebispo. Todos participaram do Conc\u00edlio Vaticano I. Sob a lideran\u00e7a de Le\u00e3o XIII, se consolidou uma nova gera\u00e7\u00e3o, formada no Col\u00e9gio Pio-Latino-americano, doutorada na Universidade Gregoriana e mais comprometida com a a\u00e7\u00e3o educativa e social da Igreja. Entre eles estavam os participantes do Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Latino-americano: Pedro Rafael Gonz\u00e1lez e Calixto, bispo de Ibarra em 1876 e arcebispo de Quito em 1893; Mariano Soler, bispo de Montevid\u00e9u em 1881 e primeiro arcebispo em 1897; Jer\u00f4nimo Tom\u00e9 da Silva, bispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 desde 1890 e arcebispo de Salvador em 1893.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos representavam, nas palavras de Christopher Clark, o \u201cNovo Catolicismo\u201d, cujo discurso reafirmou a influ\u00eancia \u201ccivilizadora\u201d da Igreja Cat\u00f3lica ao longo da hist\u00f3ria ocidental. O cristianismo era sin\u00f4nimo de civiliza\u00e7\u00e3o e a melhor sociedade poss\u00edvel era a fundada na f\u00e9 crist\u00e3, na pr\u00e1tica das virtudes religiosas e na presen\u00e7a docente e orientadora da hierarquia cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.2\u00a0 Catolicismo social na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como na Europa, os c\u00edrculos cat\u00f3licos conservadores expressaram um forte compromisso com as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da \u201cquest\u00e3o social\u201d. A forma\u00e7\u00e3o de c\u00edrculos de trabalhadores, associa\u00e7\u00f5es de socorro m\u00fatuo e cooperativas foram as primeiras a\u00e7\u00f5es do movimento social crist\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. A partir da d\u00e9cada de 1870, foram fundados c\u00edrculos cat\u00f3licos de trabalhadores em v\u00e1rias cidades latino-americanas. Em 1878, o padre Ram\u00f3n Angel Jara e Abdon Ruiz Cifuentes promoveram a funda\u00e7\u00e3o do primeiro C\u00edrculo Cat\u00f3lico dos Trabalhadores em Santiago do Chile e o modelo foi replicado em outras cidades do Chile. Tamb\u00e9m em Santiago, em 1885, foi criada a Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores S\u00e3o Jos\u00e9, impulsionada pelo padre espanhol\u00a0 Hilario Fernandez e pelo vig\u00e1rio geral da Arquidiocese de Santiago, Joaqu\u00edn Larra\u00edn Gandarillas. Nesse mesmo ano, nasceu, em Montevid\u00e9u, o primeiro C\u00edrculo Cat\u00f3lico dos Trabalhadores, por iniciativa de um grupo de leigos da Ordem Terceira Franciscana. Na Argentina, o primeiro C\u00edrculo dos Trabalhadores foi fundado em Buenos Aires, em fevereiro de 1892, pelo alem\u00e3o redentorista padre Federico Grote. No M\u00e9xico, a primeira Uni\u00e3o de C\u00edrculos Cat\u00f3licos de Trabalhadores, ou Uni\u00e3o Cat\u00f3lica Oper\u00e1ria, emergiu do Congresso Cat\u00f3lico de 1907. Em todos os casos, os c\u00edrculos de trabalhadores foram uma das propostas mais not\u00f3rias para combater as consequ\u00eancias da pobreza e instruir os trabalhadores na doutrina social crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recep\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em> de Le\u00e3o XIII, em maio de 1891, assumiu caracter\u00edsticas diversas nas Igrejas da Am\u00e9rica Latina, em fun\u00e7\u00e3o tanto do desenvolvimento econ\u00f4mico e social de cada na\u00e7\u00e3o, quanto do grau de comprometimento da hierarquia, do clero e do laicato com a \u201cquest\u00e3o social\u201d. Sua implementa\u00e7\u00e3o se deu primeiro na Argentina, Chile, Uruguai, Brasil e M\u00e9xico, e mais tarde na Col\u00f4mbia e em Cuba. De qualquer forma, prevaleceu o que Gerard Cholvy chamou de \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o minimalista\u201d da <em>Rerum Novarum<\/em>, pr\u00f3pria dos cat\u00f3licos conservadores, que consideraram excessivas algumas das propostas da enc\u00edclica ou que conclu\u00edram que ela n\u00e3o estava dirigida \u00e0s suas respectivas sociedades. Na Argentina, a imprensa cat\u00f3lica divulgou amplamente a enc\u00edclica, mas n\u00e3o houve coment\u00e1rios de Mons. Federico Aneiros, arcebispo de Buenos Aires. No Chile, a divulga\u00e7\u00e3o do documento foi acompanhada por uma carta pastoral do arcebispo de Santiago, Dom Mariano Casanova, insistindo na amea\u00e7a do desenvolvimento do socialismo e do ressentimento entre os grupos sociais. No M\u00e9xico, no regime de Porfirio Diaz, a enc\u00edclica foi publicada e divulgada em v\u00e1rias regi\u00f5es pelo clero e organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas; os bispos mantiveram um relacionamento mais conciliador ou ambivalente com o governo. A recep\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica de Le\u00e3o XIII foi tardia no Uruguai; Mariano Soler, bispo de Montevid\u00e9u desde 1890, publicou, seis anos depois, a <em>Carta Pastoral sobre a Igreja e as Quest\u00f5es Sociais<\/em> e um volumoso ensaio complementar <em>A quest\u00e3o \u00a0social ante as teorias racionalistas e o crit\u00e9rio cat\u00f3lico<\/em> (SARANYANA, 2001, p.199-255).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4\u00a0\u00a0 Complexa rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a modernidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1 As tentativas de reconcilia\u00e7\u00e3o da Igreja com a modernidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de meados do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX, houve momentos de particular intensidade nas controv\u00e9rsias, entre os pr\u00f3prios cat\u00f3licos, sobre as rela\u00e7\u00f5es da Igreja com as liberdades modernas. A \u00eanfase dessas discuss\u00f5es transitou por temas pol\u00edticos, sociais ou puramente teol\u00f3gicos; seu eixo se situaria no complexo equil\u00edbrio entre o respeito \u00e0 doutrina e ao magist\u00e9rio da Igreja e a necessidade de di\u00e1logo e integra\u00e7\u00e3o na sociedade em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio, a crise do catolicismo liberal, tanto na Europa como na Am\u00e9rica Latina, centrou-se nas novas propostas pol\u00edticas e nas rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado. Ele enfrentou os apoiantes do antigo regime e aqueles que aderiram \u00e0, depois denominada, \u201cautonomia do temporal\u201d; ambas posi\u00e7\u00f5es manifestaram suas fraquezas quando se tornaram extremas (AUBERT, 1977, p.45). Este epis\u00f3dio motivou a primeira manifesta\u00e7\u00e3o do chamado \u201ccatolicismo de concilia\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 um retorno \u00e0s fontes e com vontade de ajustar-se aos tempos da democracia pol\u00edtica, do liberalismo econ\u00f4mico e da liberdade cultural. Seria confrontado com o \u201ccatolicismo de rejei\u00e7\u00e3o\u201d, que significava a aceita\u00e7\u00e3o, por parte de alguns setores da Igreja, de firmes posi\u00e7\u00f5es defensivas da tradi\u00e7\u00e3o, mesmo de fechamento (MALLIMACI, 2004, p.27-28). Nesse sentido, a publica\u00e7\u00e3o do <em>Syllabus<\/em>, em 1864, criaria uma confus\u00e3o acentuada entre as mentes modernas, tamb\u00e9m \u201cmembros\u201d da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, deu-se o segundo momento de pol\u00eamica aguda, com a propriamente dita \u201ccrise modernista\u201d, de car\u00e1ter marcadamente intelectual. Seus protagonistas tentaram abrir o di\u00e1logo entre a cultura cat\u00f3lica e as modernas correntes de pensamento no campo cient\u00edfico, hist\u00f3rico e cr\u00edtico. As tentativas de relacionar f\u00e9 e hist\u00f3ria, de aprofundar e comparar os ensinamentos de Jesus de Nazar\u00e9 e os ensinamentos da Igreja necessitavam trabalho bem fundamentado e consistente, exigiam guias e mestres; nem sempre o conseguiram. A nova tentativa de \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d provocou uma nova \u201crejei\u00e7\u00e3o\u201d. Em 1907, a enc\u00edclica <em>Pascendi<\/em>, de Pio X, condenou os trabalhos de exegeses b\u00edblicas como iniciativas anticat\u00f3licas e definiu os \u201cmodernistas\u201d como \u201cinimigos internos\u201d. As consequ\u00eancias foram complexas: por um lado, consolidou-se a corrente fundamentalista, que passou a resistir \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da sociedade e a confrontar as poss\u00edveis mudan\u00e7as dentro da pr\u00f3pria Igreja, mesmo atrav\u00e9s de obras lament\u00e1veis como <em>La Sapini\u00e8re;<\/em> por outro lado, deu-se um desenvolvimento constante dos estudos b\u00edblicos e da hist\u00f3ria das religi\u00f5es \u2013 o Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, a Escola B\u00edblica de Jerusal\u00e9m \u2013 com o acompanhamento romano, com a cria\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um terceiro momento se manifestou, a partir do final da d\u00e9cada de 1940, quando reapareceram o \u201ccatolicismo de concilia\u00e7\u00e3o\u201d e o \u201ccatolicismo de rejei\u00e7\u00e3o\u201d com base nas\u00a0 renovadoras obras teol\u00f3gicas desenvolvidas pelos dominicanos em Le Saulchoir (Etioles-sur \u2013 Seine, Fran\u00e7a) e pelos jesu\u00edtas em Fourvi\u00e8re (Lyon, Fran\u00e7a). Esta <em>Nouvelle Th\u00e9ologie<\/em> se op\u00f4s ao intelectualismo escol\u00e1stico, aprofundou o estudo dos Padres da Igreja e questionou a dist\u00e2ncia entre a teologia e a cultura moderna. Tamb\u00e9m motivou as censuras promovidas pela enc\u00edclica <em>Humani Generis<\/em>, do Papa Pio XII, em 1950, e os expurgos de Fourvi\u00e8re e Le Saulchoir alguns anos mais tarde. Menos de quinze anos mais tarde, v\u00e1rios dos te\u00f3logos censurados atuariam como peritos no Conc\u00edlio Vaticano II. Jean Dani\u00e9lou, SJ, Yves Congar, O.P., e Henri de Lubac, SJ, seriam nomeados cardeais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.2 Concilio Vaticano II e Confer\u00eancias do Episcopado latino-americano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de reunifica\u00e7\u00e3o das Igrejas da Am\u00e9rica Latina rec\u00e9m havia come\u00e7ado, com a reuni\u00e3o da Primeira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americanos no Rio de Janeiro, em 1955 \u2013 da qual surgiria\u00a0 o CELAM \u2013 quando se iniciaram os trabalhos preparat\u00f3rios para o Conc\u00edlio Vaticano II em 1959, impulsionado por Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II representou, de acordo com Alberto Methol Ferr\u00e9, a primeira supera\u00e7\u00e3o da modernidade pela Igreja. \u201cPara este <em>aggiornamiento<\/em> a Igreja tinha de reassumir o conjunto da modernidade, da qual se tinha defendido no processo de decomposi\u00e7\u00e3o da antiga cristandade medieval e barroca\u201d (METHOL e METALLI, 2006, p.64) N\u00e3o sem dificuldade, a Igreja teria conseguido, no Vaticano II, responder aos desafios da Reforma protestante e do Iluminismo secularista, assumindo seus desafios e assimilando o melhor de cada um desses processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o Conc\u00edlio Vaticano II,\u00a0 que abriria uma nova era na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica, foi vivido de forma t\u00eanue pelas Igrejas latino-americanas. \u201cAs Igrejas da Am\u00e9rica Latina recriaram o Conc\u00edlio, uma vez conclu\u00eddo\u201d \u2013 diz Methol. De fato, ao final dos anos sessenta, \u201ca l\u00f3gica do Conc\u00edlio\u201d entrou na Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s da Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudium et Spes<\/em>, de dezembro de 1965, da enc\u00edclica <em>Populorum Progressio<\/em>, de mar\u00e7o de 1967, e da reuni\u00e3o da Segunda Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano em Medell\u00edn, em meados de 1968 (METHOL e METALLI, 2006, p. 62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos ap\u00f3s o encerramento do Conc\u00edlio, realizou-se a Confer\u00eancia de Medell\u00edn, que causou uma mudan\u00e7a sem precedentes nas igrejas e nas sociedades latino-americanas. A partir da revaloriza\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o humanista, n\u00e3o por isso\u00a0 menos transcendente, do cristianismo, a Confer\u00eancia de Medell\u00edn contribuiu para o aumento da preocupa\u00e7\u00e3o com a justi\u00e7a e para a revaloriza\u00e7\u00e3o do enfoque da pol\u00edtica com sentido de servi\u00e7o. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o [foi] a \u2018defesa da f\u00e9\u2019, como no Rio de Janeiro, mas a radical solidariedade da Igreja com os pobres e oprimidos da Am\u00e9rica Latina e no sentido b\u00edblico da irrup\u00e7\u00e3o do Deus\u00a0 libertador na hist\u00f3ria\u201d ( METHOL, 1986).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja latino-americana atravessou, na d\u00e9cada seguinte, um processo de riscos e de valiosas defini\u00e7\u00f5es. Os resultados da elabora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o teol\u00f3gica latino-americana se manifestaram na III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano em Puebla, em 1979. Fortemente inspirada pela Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<em> Evangelii Nuntiandi<\/em>, a Confer\u00eancia de Puebla focou no tema da evangeliza\u00e7\u00e3o continental e concluiu com uma reafirma\u00e7\u00e3o da necessidade de convers\u00e3o de toda a Igreja a uma op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, com vista \u00e0 sua completa liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3 O di\u00e1logo necess\u00e1rio com os tempos hist\u00f3ricos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua rela\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as dos tempos hist\u00f3ricos se manifesta a complexidade das defini\u00e7\u00f5es eclesiais. A Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 certamente <em>una<\/em>, por sua f\u00e9 em Jesus Cristo, suas verdades doutrinais e seu seguimento do magist\u00e9rio doutrinal; a Igreja tamb\u00e9m \u00e9 diferente porque deve se inserir dentro de circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e culturais em constante mudan\u00e7a, e deve dialogar com elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o compromisso com a unidade e com a pluralidade envolve riscos. O olhar que se concentra exclusivamente na unidade poderia levar a atitudes fundamentalistas e \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de toda manifesta\u00e7\u00e3o de \u201ccatolicismo de concilia\u00e7\u00e3o\u201d. De outro modo, o olhar que enfatiza somente a diversidade poderia cair em posi\u00e7\u00f5es relativistas, porque a concilia\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDialogar com o mundo exige ser perfeitamente bil\u00edngues, ou seja, levar a revela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo na pr\u00f3pria carne e conhecer as linguagens contempor\u00e2neas dos homens\u201d (POUPARD, 2005, p.26), afirmou o cardeal Poupard, em 2004, convidando a serem fi\u00e9is \u00e0 f\u00e9 e ao mesmo tempo abertos e inovadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Susana Monreal,<\/em>\u00a0Universidad Cat\u00f3lica de Uruguay. Texto original em espanhol.<\/p>\n<p><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUBERT, R. La Iglesia Cat\u00f3lica desde la crisis de 1848 hasta la Primera Guerra Mundial. In: AUBERT, R. y otros (Ed.). <em>Nueva Historia de la Iglesia. <\/em>Tomo V<em>.<\/em> Madrid: Cristiandad, 1977. p.13-204.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DI ST\u00c9FANO, R. De qu\u00e9 hablamos cuando decimos \u201cIglesia\u201d? Reflexiones sobre el uso historiogr\u00e1fico de un t\u00e9rmino polis\u00e9mico. <em>Ariadna<\/em> <em>hist\u00f3rica. <\/em>Lenguajes, conceptos, met\u00e1foras, n.1, p.197-222, 2012. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.ehu.eus\/ojs\/index.php\/Ariadna\/issue\/view\/476\">www.ehu.eus\/ojs\/index.php\/Ariadna\/issue\/view\/476<\/a>. Acesso em: 20 out 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">DI ST\u00c9FANO, R. Por una historia de la secularizaci\u00f3n y de la laicidad en la Argentina. <em>Quinto Sol, <\/em>v.15, n.1,\u00a0 2011. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/ojs.fchst.unlpam.edu.ar\/ojs\/index.php\/quintosol\/article\/viewFile\/116\/94\">http:\/\/ojs.fchst.unlpam.edu.ar\/ojs\/index.php\/quintosol\/article\/viewFile\/116\/94<\/a> Acesso em: 20 ou<\/span>t 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DOBBELAERE, K. <em>Secularization<\/em>: an analysis at three levels. Bruxelles: P.I.E.-Peter Lang, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUERRA, F.-X. <em>Modernidad e independencias. <\/em>Ensayos sobre las revoluciones hisp\u00e1nicas. Madrid: Encuentro, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LYNCH, J. La Iglesia Cat\u00f3lica en Am\u00e9rica Latina. 1830-1930. In: BETHELL, L. (Ed.). <em>Historia de Am\u00e9rica Latina. <\/em>8. Am\u00e9rica Latina: Cultura y sociedad. 1830-1930<em>.<\/em> Barcelona: Cr\u00edtica, 2000. p.65-122.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MALLIMACI, F. Catolicismo y liberalismo: las etapas del enfrentamiento por la definici\u00f3n de la modernidad religiosa en Am\u00e9rica Latina. In: BASTIAN, R. (Coord.) <em>La modernidad religiosa. <\/em>Europa latina y Am\u00e9rica Latina en perspectiva comparada. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 2004. p.19-44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MERCIER, D. <em>Le modernisme, sa position vis-\u00e0-vis de la science, sa condamnation par le Pape Pie X<\/em>.\u00a0 Bruxelas: L\u2019Action Catholique, 1907.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">METHOL FERR\u00c9, A. La Iglesia en Am\u00e9rica Latina. <em>Revista Nexo<\/em>, v.4, n.10, dic 1986. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.ili-metholferre.com\/detalle_de_pagina.php?entidad%20=articulo&amp;pagina=88\">http:\/\/www.ili-metholferre.com\/detalle_de_pagina.php?entidad =articulo&amp;pagina=88<\/a> \u00a0Acesso em: 3 fev 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">METHOL FERR\u00c9, A.; METALLI A. <em>La Am\u00e9rica Latina del siglo XXI<\/em>. Buenos Aires: Edhasa, 2006.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POUPARD, P. La identidad de los Centros Culturales y los j\u00f3venes en busca de la belleza que cautiva. In: <em>Encuentro de Responsables de Centros Culturales Cat\u00f3licos del Cono Sur. <\/em>Documentos<em>.<\/em> Salta: Consejo Pontificio de la Cultura, Arzobispado de Salta, 2005. p.17-32.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0CLARK, Christopher; KAISER, Wolfram. <em>Culture Wars<\/em><em>:\u00a0<\/em>secular-catholic conflict in Nineteenth-Century Europe. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>FOUILLOUX, E. <\/em><em>Une \u00c9glise en qu\u00eate de libert\u00e9<\/em>. La pens\u00e9e catholique fran\u00e7aise entre modernisme et Vatican II (1914- 1962). Paris: Descl\u00e9e de Brouwer,\u00a01998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAMBERTS, E. (ed.) <em>The Black International. L\u2019Internationale noire (1870-1878)<\/em>. Leuven: Leuven University Press, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MICELI, S\u00e9rgio.\u00a0 <em>A Elite Eclesi\u00e1stica Brasileira<\/em>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RODRIGUES, C\u00e2ndido; ZANOTTO, Gizele; CALDEIRA, Rodrigo Coppe (org.). <em>Manifesta\u00e7\u00f5es do pensamento cat\u00f3lico na Am\u00e9rica do Sul<\/em>. S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 A modernidade 1.1 Mudan\u00e7as da modernidade 1.2 O processo de seculariza\u00e7\u00e3o 2 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica 2.1 O in\u00edcio das \u201cguerras culturais\u201d na Europa 2.2 A crise modernista 2.3 Compromisso social do catolicismo conservador 3 A modernidade e a Igreja Cat\u00f3lica na Am\u00e9rica Latina 3.1 Consolida\u00e7\u00e3o dos Estados e das Igrejas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1375"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1596,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1375\/revisions\/1596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}