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{"id":1362,"date":"2016-12-30T09:54:41","date_gmt":"2016-12-30T11:54:41","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1362"},"modified":"2016-12-30T09:58:20","modified_gmt":"2016-12-30T11:58:20","slug":"concilio-ecumenico-vaticano-ii-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1362","title":{"rendered":"Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Antecedentes hist\u00f3ricos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Conc\u00edlio Vaticano I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 Movimentos anteriores ao Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 Reformas dos papas Pio X e Pio XI<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.4 Reformas do papa Pio XII<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O papa Jo\u00e3o XXIII<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A novidade do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Documentos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 As quatro constitui\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.1 <em>Sacrosanctum Concilium<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.2 <em>Lumen gentium<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.3 <em>Dei Verbum<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.4 <em>Gaudium et spes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Os nove decretos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 As tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 O episcopado latino-americano no Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 Atualidade e recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Antecedentes hist\u00f3ricos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 Conc\u00edlio Vaticano I<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano I (1869-1870) passou \u00e0 hist\u00f3ria como um \u201cconc\u00edlio inacabado\u201d. Em raz\u00e3o de circunst\u00e2ncias que lhes foram impostas pelo momento hist\u00f3rico-pol\u00edtico na Europa de ent\u00e3o, os padres conciliares n\u00e3o puderam concluir satisfatoriamente a agenda proposta nesse conc\u00edlio do s\u00e9culo XIX. Em raz\u00e3o da guerra franco-prussiana, e mais precisamente da invas\u00e3o de Roma pelas tropas italianas no dia 20 de setembro de 1870, o Papa Pio IX, no dia 20 de outubro do mesmo ano, suspendeu as atividades do Conc\u00edlio <em>sine die<\/em>. Desta forma, restou aos papas posteriores a Pio IX a tarefa de retomar e concluir os trabalhos do Conc\u00edlio Vaticano I, o que normalmente deveria ser feito atrav\u00e9s da convoca\u00e7\u00e3o de uma nova assembleia conciliar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 Movimentos anteriores ao Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos anteriores ao Vaticano II, em mosteiros beneditinos europeus, deram-se os primeiros passos na dire\u00e7\u00e3o da reforma da liturgia, uma vez que monges cultivavam o estudo das fontes da liturgia e o faziam mediante a leitura ass\u00eddua dos Padres da Igreja. Tal movimento fez com que a liturgia deixasse de ser entendida como mero centro da piedade crist\u00e3 individualista e fosse compreendida como din\u00e2mica de renova\u00e7\u00e3o espiritual da sociedade como um todo. Iniciativas de Dom Prosper Gu\u00e9ranger (1805-1875), j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, abriram portas para tal rejuvenescimento da vida lit\u00fargica, antes nos mosteiros e, em seguida, nas comunidades cat\u00f3licas, enquanto que Dom Lambert Beauduin (1873-1960) iniciou o movimento lit\u00fargico propriamente dito. Digna de nota foi tamb\u00e9m a influ\u00eancia exercida pelo jesu\u00edta austr\u00edaco Josef Andreas Jungmann (1889-1975), que em 1948 publicou, em dois volumes, uma importante hist\u00f3ria da missa segundo o rito romano, <em>Missarum Solemnia<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no campo da reflex\u00e3o teol\u00f3gica, emergiram esfor\u00e7os no sentido de renovar o modo de se fazer teologia. Te\u00f3logos como Johann Adam M\u00f6hler (1796-1838), da Escola de T\u00fcbingen, e Matthias Scheeben (1835-1888), de Col\u00f4nia, foram pioneiros na articula\u00e7\u00e3o entre eclesiologia e liturgia. Al\u00e9m disso, mencione-se a <em>Nouvelle th\u00e9ologie<\/em> (<em>Nova teologia<\/em>), nascida da Fran\u00e7a, e que propunha a substitui\u00e7\u00e3o da teologia escol\u00e1stica por uma s\u00edntese teol\u00f3gica que respondesse mais adequadamente \u00e0s leg\u00edtimas necessidades e aspira\u00e7\u00f5es humanas. A <em>Nouvelle th\u00e9ologie <\/em>defendia a articula\u00e7\u00e3o entre B\u00edblia, liturgia e Padres da Igreja. Ora, estas novas imposta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas foram decisivas enquanto rea\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia segundo a qual se elaboraram os primeiros esquemas preparat\u00f3rios a serem entregues aos padres conciliares, teologia esta marcada pela mentalidade curial e pela incapacidade de se abrir \u00e0s quest\u00f5es que a hist\u00f3ria e a sociedade de ent\u00e3o propunham \u00e0 Igreja. Nesses textos provis\u00f3rios, percebiam-se ran\u00e7os da linguagem da Contrarreforma e do combate ao modernismo. Neste horizonte de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, foi not\u00e1vel a contribui\u00e7\u00e3o que diversos te\u00f3logos deram aos padres conciliares atrav\u00e9s de confer\u00eancias realizadas em diversos lugares de Roma, levando-os a se abrirem a novas perspectivas teol\u00f3gicas e a se sensibilizarem em face dos \u201csinais dos tempos\u201d que vinham da sociedade como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode olvidar a influ\u00eancia do movimento ecum\u00eanico sobre o Conc\u00edlio Vaticano II. Nascido em \u00e2mbito protestante, o movimento ecum\u00eanico acabou por motivar l\u00edderes e te\u00f3logos cat\u00f3licos a trabalharem, cada qual em sua compet\u00eancia, na dire\u00e7\u00e3o da busca da unidade vis\u00edvel dos crist\u00e3os. \u00c0 guisa de exemplo, recorde-se a obra do te\u00f3logo dominicano franc\u00eas, Yves Congar, <em>Vraie et fausse r\u00e9forme dans l\u2019\u00c9glise<\/em> (<em>Verdadeira e falsa reforma na Igreja<\/em>), publicada em 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As d\u00e9cadas anteriores ao Conc\u00edlio foram marcadas ainda pelo resgate do estudo dos Padres da Igreja. Digno de men\u00e7\u00e3o neste particular foi o empreendimento de Jacques-Paul Migne, cujo esfor\u00e7o de editar os textos patr\u00edsticos de tradi\u00e7\u00e3o latina, bem como aqueles de tradi\u00e7\u00e3o grega com a tradu\u00e7\u00e3o ao latim, tornou tais escritos acess\u00edveis a estudiosos que n\u00e3o mais deveriam recorrer a edi\u00e7\u00f5es esparsas dos textos dos Padres da Igreja. Posteriormente, por volta do ano 1952, surgiu na Fran\u00e7a a cole\u00e7\u00e3o <em>Sources Chr\u00e9tiennes<\/em> (<em>Fontes Crist\u00e3s<\/em>), sob a responsabilidade dos te\u00f3logos jesu\u00edtas Jean Dani\u00e9lou e Henri de Lubac, que editava textos patr\u00edsticos com a tradu\u00e7\u00e3o ao franc\u00eas. Desnecess\u00e1rio dizer o quanto a revisita\u00e7\u00e3o dos Padres da Igreja foi enriquecedora para a renova\u00e7\u00e3o da teologia nas d\u00e9cadas anteriores ao Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o sucesso do Conc\u00edlio Vaticano II, foi tamb\u00e9m decisiva a contribui\u00e7\u00e3o do movimento b\u00edblico, o qual ensejou a ado\u00e7\u00e3o, em campo cat\u00f3lico, de uma hermen\u00eautica b\u00edblica que se distanciava de uma leitura fundamentalista da Sagrada Escritura. Tal avan\u00e7o significou a supera\u00e7\u00e3o de uma interpreta\u00e7\u00e3o moralista dos escritos sacros, mormente nas prega\u00e7\u00f5es, bem como o uso da Escritura na apolog\u00e9tica, em face dos protestantes, por exemplo. O movimento b\u00edblico ensejou ainda a supera\u00e7\u00e3o de certa concep\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica, como se os textos da Escritura fossem pura e simplesmente a transcri\u00e7\u00e3o, feita pelo hagi\u00f3grafo, de um ditado do Esp\u00edrito Santo. De singular import\u00e2ncia para que se respirassem novos ares em termos de leitura da B\u00edblia na Igreja cat\u00f3lica romana foi a publica\u00e7\u00e3o da carta enc\u00edclica <em>Divino afflante Spiritu<\/em>, do papa Pio XII, que abriu portas aos biblistas cat\u00f3licos para que eles se dedicassem a estudos b\u00edblicos fazendo uso de recursos interpretativos modernos, tais como a cr\u00edtica das formas, o m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, a hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es que circundavam o povo judeu, a arqueologia, os resultados dos estudos sobre a linguagem e a hermen\u00eautica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.3. Reformas dos papas Pio X e Pio XI<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devem ser reconhecidas algumas iniciativas de reforma da da Igreja cat\u00f3lica romana, imediatamente anteriores ao Vaticano II, assumidas por papas do s\u00e9culo XX. Tais medidas contribu\u00edram para amadurecer a decis\u00e3o de se convocar um novo conc\u00edlio. Citemos alguns poucos exemplos. Visando promover a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na liturgia, o papa Pio X (1903-1914) determinou a utiliza\u00e7\u00e3o do canto gregoriano nas par\u00f3quias, atrav\u00e9s do <em>motu proprio Inter Sollicitudines<\/em> sobre a m\u00fasica sacra, de 1903, bem como incentivou a recep\u00e7\u00e3o frequente da eucaristia. E por seu turno, o papa Pio XI (1922-1939) incentivou a participa\u00e7\u00e3o dos leigos na vida de Igreja, em sintonia com a hierarquia, nos tempos da ent\u00e3o influente \u201cA\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.4 Reformas do papa Pio XII<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Pio XII (1939-1958) tamb\u00e9m promoveu reformas significativas para a vida da Igreja, das quais mencionemos apenas alguns exemplos. No que concerne aos estudos da Escritura Sagrada, o papa Pacelli concedeu liberdade para a pesquisa b\u00edblica, com os consequentes ganhos da utiliza\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico na exegese atrav\u00e9s da j\u00e1 mencionada carta enc\u00edclica <em>Divino afflante Spiritu<\/em> (cf. PIO XII, 1943). Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liturgia, citem-se a publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica <em>Mediator Dei<\/em>, em 1947, e a promulga\u00e7\u00e3o, em 1955, da Semana Santa restaurada (cf. SAGRADA CONGREGA\u00c7\u00c3O DOS RITOS, 1955), de modo particular, a reestrutura\u00e7\u00e3o do Tr\u00edduo pascal, com ganhos substanciais em termos de enriquecimento da experi\u00eancia lit\u00fargica do Povo de Deus. Em todo o caso, a convoca\u00e7\u00e3o de um conc\u00edlio, mesmo que fosse para t\u00e3o somente concluir o Vaticano I, veio a dar-se com o sucessor de Pio XII: o papa Jo\u00e3o XXIII (1958-1963).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O Papa Jo\u00e3o XXIII<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Angelo Giuseppe Roncalli foi eleito papa no dia 28 de outubro de 1958, aos 76 anos de idade. Antes de ter sido escolhido como sucessor de Pedro, havia atuado por 27 anos no servi\u00e7o diplom\u00e1tico da Santa S\u00e9, tanto no Oriente como no Ocidente, iniciado na Bulg\u00e1ria em 1925. Ademais, por seis anos havia exercido o minist\u00e9rio pastoral como Patriarca de Veneza. Seu lema episcopal dizia <em>Obedi\u00eancia e Paz<\/em>. O papa Roncalli tornou p\u00fablica sua inten\u00e7\u00e3o de convocar o Conc\u00edlio Vaticano II no dia 25 de janeiro de 1959, transcorridos apenas noventa dias de sua elei\u00e7\u00e3o como bispo de Roma! Jo\u00e3o XXIII inaugurou solenemente os trabalhos conciliares no dia 11 de outubro de 1962 com o discurso <em>Gaudet Mater Ecclesia<\/em>, proferido diante de mais de 2.800 bispos, al\u00e9m de abades e superiores gerais de ordens religiosas masculinas, procedentes de 116 pa\u00edses. Nesse discurso, Jo\u00e3o XXIII advertiu que o Vaticano II n\u00e3o proporia novas doutrinas, mas apresentaria o mesmo e imut\u00e1vel conte\u00fado da f\u00e9 crist\u00e3 atrav\u00e9s de uma linguagem acess\u00edvel aos homens e mulheres do s\u00e9culo XX. E mais, Roncalli enfatizou a orienta\u00e7\u00e3o pastoral do Conc\u00edlio e reafirmou que, frente aos erros, a Igreja \u201cprefere usar mais o rem\u00e9dio da miseric\u00f3rdia do que o da severidade\u201d (JO\u00c3O XXIII, 1962, 7,2). Como dir\u00e1 o papa Paulo VI (1963-1978), pouco mais de tr\u00eas anos depois, \u00e0 v\u00e9spera da solene conclus\u00e3o do Conc\u00edlio: \u201cA antiga hist\u00f3ria do Samaritano foi o paradigma da espiritualidade do Conc\u00edlio\u201d (Vian, 2006, p.156).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o <em>Ordo Concilii<\/em>, regulamento promulgado por Jo\u00e3o XXIII no dia 6 de agosto de 1962 e que dava indica\u00e7\u00f5es para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos conciliares, foi constitu\u00edda uma Comiss\u00e3o Preparat\u00f3ria Central, bem como dez comiss\u00f5es tem\u00e1ticas, com a tarefa de preparar textos que seriam submetidos \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos bispos uma vez reunidos no Vaticano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A novidade do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), o 21\u00ba da hist\u00f3ria da Igreja e, quem sabe, a maior assembleia da hist\u00f3ria da humanidade, a Igreja adotou postura totalmente diversa daquelas assumidas nos conc\u00edlios passados, de Niceia at\u00e9 o Vaticano I. Pode-se falar de um estilo totalmente original. Desta feita, a Igreja n\u00e3o empregar\u00e1 a linguagem condenat\u00f3ria peculiar aos conc\u00edlios anteriores, sinalizadora de intransig\u00eancia da Igreja em face de grupos cism\u00e1ticos e\/ou her\u00e9ticos, ou diante daqueles que, fora dela, lhe faziam oposi\u00e7\u00e3o. Com efeito,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">o Vaticano II modificou t\u00e3o radicalmente o modelo legislativo e judicial que havia prevalecido desde o primeiro conc\u00edlio de Niceia [\u2026] a ponto de virtualmente abandon\u00e1-lo. Em seu lugar, o Vaticano II instaurou um modelo amplamente baseado no convencimento e no convite. (O&#8217;Malley, 2012, p.28)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tocante ao problema da divis\u00e3o entre os crist\u00e3os, a Igreja cat\u00f3lica romana passar\u00e1 a participar decididamente do movimento ecum\u00eanico, e diante do mundo, ela assumir\u00e1 uma atitude de di\u00e1logo, abertura e compreens\u00e3o (cf. <em>Gaudium et spes<\/em>). Enquanto evento extremamente original, o Vaticano II introduziu algo de novo na tradi\u00e7\u00e3o conciliar: buscar a corre\u00e7\u00e3o de alguns desvios no modo de a Igreja atuar no mundo sem assumir uma atitude defensiva e combativa. Tratou-se, com certeza, de um \u201cconc\u00edlio de transi\u00e7\u00e3o de \u00e9poca\u201d, na express\u00e3o de Giuseppe Alberigo, autorizado historiador do Vaticano II (cf. Alberigo, 2005, p.26 e 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Documentos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magist\u00e9rio do Conc\u00edlio Vaticano II encontra-se consignado em dezesseis documentos: quatro constitui\u00e7\u00f5es (<em>Sacrosanctum concilium<\/em>, <em>Lumen gentium<\/em>, <em>Dei verbum<\/em> e <em>Gaudium et spes<\/em>), nove decretos (<em>Unitatis redintegratio<\/em>, <em>Orientalium ecclesiarum<\/em>, <em>Ad gentes<\/em>, <em>Christus dominus<\/em>, <em>Presbyterorum ordinis<\/em>, <em>Perfectae caritatis<\/em>, <em>Optatam totius<\/em>, <em>Apostolicam actuositatem<\/em> e <em>Inter mirifica<\/em>) e tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es (<em>Gravissimum educationis<\/em>, <em>Dignitatis humanae<\/em> e <em>Nostra aetate<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 As quatro constitui\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6.1 <em>Sacrosanctum Concilium<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, sobre a sagrada liturgia, foi o primeiro documento conciliar a ser promulgado pelo Papa Paulo VI, a 4 de dezembro de 1963. Texto que menos dificuldades trouxe \u00e0 assembleia conciliar, prop\u00f5e a reforma lit\u00fargica em vista do bem de toda a Igreja. O pro\u00eamio da constitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 traz uma s\u00e9rie de motivos pelos quais se faz necess\u00e1ria \u201ca reforma e o incremento da liturgia\u201d (cf. <em>SC<\/em> 1; 3,1), o que deve ser feito em fidelidade \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o (cf. <em>SC<\/em> 4). A reforma lit\u00fargica proposta pelo Vaticano II, portanto, nada teve de busca da novidade pela novidade, mas consistiu em recuperar, no bimilenar patrim\u00f4nio lit\u00fargico da Igreja, uma s\u00e9rie de valores que foram esquecidos ao longo de sua hist\u00f3ria. Desta forma, tal reforma lit\u00fargica materializou-se como resgate da centralidade do mist\u00e9rio pascal de Cristo, Senhor e Esposo da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os par\u00e1grafos de 5 a 8 da constitui\u00e7\u00e3o apresentam o mist\u00e9rio de Cristo no amplo horizonte da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Assim sendo,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">para realizar a obra da reden\u00e7\u00e3o, Cristo est\u00e1 sempre presente na sua Igreja, especialmente nas a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Presente ele est\u00e1 no sacrif\u00edcio da missa, quer na pessoa do ministro, quer, sobretudo, sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas. Ele est\u00e1 presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando algu\u00e9m batiza, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que batiza. Ele est\u00e1 presente na sua palavra, pois \u00e9 Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Enfim, ele est\u00e1 presente quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: \u201cOnde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles\u201d (Mt 18,20). (<em>SC<\/em> 7,1)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na grande obra da reden\u00e7\u00e3o, \u201cCristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai\u201d (<em>SC<\/em> 7,2). Com tais palavras, o Conc\u00edlio evidencia que a liturgia n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o qualquer da Igreja, mas \u201c\u00e9 considerada como o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o sacerdotal de Cristo\u201d (<em>SC<\/em> 7,3); portanto, \u201cpor ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que \u00e9 a Igreja, \u00e9 a\u00e7\u00e3o sagrada por excel\u00eancia\u201d (<em>SC<\/em> 7,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digna de nota \u00e9 a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica da liturgia. Ela n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o circunscrita \u00e0s realidades deste mundo, mas tem a faculdade de impulsionar a Igreja em busca de sua realiza\u00e7\u00e3o na plena comunh\u00e3o com o seu Senhor e Esposo. Assim explica o Conc\u00edlio:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">pela Liturgia terrena participamos, j\u00e1 a saboreando, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa Jerusal\u00e9m, para a qual, como peregrinos, nos dirigimos e onde Cristo est\u00e1 sentado \u00e0 direita de Deus, ministro do santu\u00e1rio e do verdadeiro tabern\u00e1culo (<em>SC<\/em> 8).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o Conc\u00edlio apresenta a liturgia como din\u00e2mica eclesial vivida, sim, neste mundo, mas que permanentemente anima a Igreja \u201ca aguardar o Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, at\u00e9 que apare\u00e7a como nossa vida e n\u00f3s apare\u00e7amos com ele na gl\u00f3ria\u201d (cf. ibid.). E mais: segundo o Conc\u00edlio, a venera\u00e7\u00e3o dos santos insere-se neste horizonte escatol\u00f3gico (cf. ibid.). Assim, o Vaticano II pretende fazer ver ao Povo de Deus, no conjunto da vida lit\u00fargica da Igreja, a justa medida da devo\u00e7\u00e3o aos santos, a ser praticada com a devida modera\u00e7\u00e3o, uma vez que Jesus Cristo, modelo e refer\u00eancia \u00faltima da vida crist\u00e3, \u00e9 o \u00fanico mediador entre os homens e Deus Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscando salvaguardar o compromisso querigm\u00e1tico da Igreja, a constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> afirma que \u201ca sagrada Liturgia n\u00e3o esgota toda a a\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d (<em>SC<\/em> 9,1). Ou seja, o fato de se reconhecer o car\u00e1ter sagrado da liturgia n\u00e3o pode levar a Igreja a se eximir de sua responsabilidade de anunciar o Evangelho \u00e0queles que ainda n\u00e3o receberam a f\u00e9 crist\u00e3. Al\u00e9m disso, a liturgia n\u00e3o esgota toda a a\u00e7\u00e3o da Igreja na medida em que ela \u201c\u00e9 simultaneamente a meta para a qual se encaminha a a\u00e7\u00e3o da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua for\u00e7a\u201d (<em>SC<\/em> 10,1). Ou seja, o trabalho apost\u00f3lico deve-se inspirar na liturgia, precisamente no que esta tem de din\u00e2mica de louvor e glorifica\u00e7\u00e3o de Deus por interm\u00e9dio do Cristo na virtude do Esp\u00edrito Santo. E tamb\u00e9m a liturgia, de modo especial a Eucaristia, \u00e9 o lugar em que a Igreja se alimenta para prosseguir em sua a\u00e7\u00e3o pastoral (cf. <em>SC<\/em> 10,2). Merece destaque aqui o tema da <em>eclesiologia eucar\u00edstica<\/em>, altamente considerada pela Tradi\u00e7\u00e3o oriental e valorizadora da Igreja particular:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos devem dar a maior import\u00e2ncia \u00e0 vida lit\u00fargica da diocese, em torno do bispo, sobretudo na igreja catedral, convencidos de que a principal manifesta\u00e7\u00e3o da Igreja se faz numa participa\u00e7\u00e3o plena e ativa de todo o Povo santo de Deus na mesma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na mesma Eucaristia, numa \u00fanica ora\u00e7\u00e3o, ao redor do \u00fanico altar a que preside o bispo rodeado pelo presbit\u00e9rio e pelos ministros (<em>SC<\/em> 41,2).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6.2 <em>Lumen gentium<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica<em> Lumen gentium<\/em> (promulgada em 21 de novembro de 1964) traz o ensino conciliar sobre o mist\u00e9rio da Igreja. J\u00e1 em sua estrutura, revela uma total mudan\u00e7a de perspectiva em compara\u00e7\u00e3o a anteriores posturas da Igreja cat\u00f3lica romana. Uma vez que o projeto de constitui\u00e7\u00e3o proposto pela comiss\u00e3o teol\u00f3gica da C\u00faria romana (centrado no tema da \u201cIgreja militante\u201d) foi rejeitado e que uma nova s\u00e9rie de grandes temas foi apresentada para a confec\u00e7\u00e3o da aludida constitui\u00e7\u00e3o \u2212 a saber: a Igreja como mist\u00e9rio, o episcopado, o laicato e a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade \u2212, os Bispos tomaram uma decis\u00e3o revolucion\u00e1ria. Passadas algumas discuss\u00f5es \u2212 o que levou \u00e0 defini\u00e7\u00e3o da seguinte ordem de assuntos que viriam a ser os primeiros cap\u00edtulos da <em>Lumen gentium<\/em>: Mist\u00e9rio da Igreja, Hierarquia e Povo de Deus \u2212, os padres conciliares decidiram apresentar a Igreja, antes de tudo, como comunidade crist\u00e3 que se espelha na comunidade perfeita que \u00e9 Sant\u00edssima Trindade (cap. I: \u201cO mist\u00e9rio da Igreja\u201d) e que se insere na hist\u00f3ria dos homens (cap. II: \u201cO Povo de Deus\u201d), para, s\u00f3 em seguida, tratar da configura\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da Igreja (cap. III: \u201cA constitui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da Igreja e em especial o Episcopado\u201d). Essa op\u00e7\u00e3o foi significativa na medida em que atesta o desejo da grande maioria dos padres conciliares em propor uma \u201ceclesiologia total\u201d, isto \u00e9, uma autocompreens\u00e3o de Igreja que reconhece todos os batizados como a ela pertencentes. A express\u00e3o \u201ceclesiologia total\u201d deve ser entendida no contexto da cr\u00edtica de Yves Congar, ao dizer que, num tempo em que a reflex\u00e3o teol\u00f3gica a respeito da Igreja levava em conta t\u00e3o somente os minist\u00e9rios de governo eclesi\u00e1stico, ignorando os leigos e religiosos, o que se fazia era, pura e simplesmente, <em>hierarcologia<\/em>, e n\u00e3o <em>eclesiologia<\/em>. Vale dizer: na compreens\u00e3o do Vaticano II, a Igreja n\u00e3o \u00e9 feita s\u00f3 de bispos, padres e religiosos, mas de todos os que seguem Cristo, cada qual em sua voca\u00e7\u00e3o e estado de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os seguintes tr\u00eas cap\u00edtulos da <em>Lumen gentium<\/em> concernem \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de todos os batizados \u00e0 santidade (cap. V: \u201cA voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade\u201d), e \u00e0s formas espec\u00edficas de viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3 (cap. IV: \u201cOs leigos\u201d e cap. VI: \u201cOs religiosos\u201d). O pen\u00faltimo cap\u00edtulo trata da experi\u00eancia da Igreja que, em meio a tribula\u00e7\u00f5es e dificuldades neste mundo, caminha em demanda de sua consuma\u00e7\u00e3o final como feliz Esposa do Cordeiro (cf. Ap 19,7; 21,9): cap. VII: \u201c\u00cdndole escatol\u00f3gica da Igreja peregrina e sua uni\u00e3o com a Igreja celeste\u201d. Quanto \u00e0 mariologia conciliar, optou-se pela inser\u00e7\u00e3o do tema de Maria na <em>Lumen gentium<\/em>, com a anexa\u00e7\u00e3o de um \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica (cap. VIII: \u201cA bem-aventurada Virgem Maria M\u00e3e de Deus no mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja\u201d). Maria \u00e9, assim, reconhecida como seguidora e disc\u00edpula de Jesus, e como \u00edcone da Igreja, por sua fidelidade e exemplaridade nesta mesma voca\u00e7\u00e3o de seguidora e disc\u00edpula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6.3 <em>Dei Verbum<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em> (promulgada em 18 de novembro de 1965) apresenta o tema da revela\u00e7\u00e3o divina. Ora, uma vez que se tinha chegado \u00e0 conclus\u00e3o de que a revela\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o \u00e9 uma mera comunica\u00e7\u00e3o de ideias, mas a autocomunica\u00e7\u00e3o de um Deus que quer estar junto aos homens, pensou-se em falar da revela\u00e7\u00e3o em termos de presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus na hist\u00f3ria dos homens, sendo que a Palavra de Deus por excel\u00eancia \u00e9 uma Pessoa: o Verbo de Deus feito carne (cf. Jo 1,14). Ou seja, mais do que revelar sua vontade mediante a comunica\u00e7\u00e3o de doutrinas, Deus se revela como o Emanuel, Deus-conosco. Da\u00ed, ent\u00e3o, se falar de uma \u00fanica autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus, que se d\u00e1 ao longo de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e culmina no evento Cristo, e que se manifesta atrav\u00e9s de duas vias: a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o. Reconheceu-se, portanto, a primazia e a centralidade da Palavra de Deus na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um retorno mais atento ao Conc\u00edlio de Trento (1545-1563) p\u00f4s em relevo o car\u00e1ter exclusivamente interpretativo da Tradi\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 f\u00e9, pois na Escritura se encontram \u201cas verdades necess\u00e1rias para a salva\u00e7\u00e3o\u201d (cf. TOM\u00c1S DE AQUINO, <em>Suma de Teologia<\/em>, I-II, qq. 106 e 108). Desta forma, a Tradi\u00e7\u00e3o tem car\u00e1ter constitutivo s\u00f3 para as quest\u00f5es de disciplina e de costumes. Ocorreu, aqui, uma solu\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria significativa: o Vaticano II estabeleceu uma diferen\u00e7a entre os <em>dados constitutivos<\/em> da Escritura e a <em>fun\u00e7\u00e3o criteriol\u00f3gica<\/em> da Tradi\u00e7\u00e3o. Ou dizendo de modo diverso: a Escritura \u00e9 a \u201cnorma que norma\u201d (<em>norma normans<\/em>) e a Tradi\u00e7\u00e3o, uma \u201cnorma normada\u201d (<em>norma normata<\/em>). Alcan\u00e7ou-se, desta forma, um equil\u00edbrio ecum\u00eanico de grande valor: nem a doutrina das duas fontes (pr\u00f3pria do pensamento cat\u00f3lico romano), nem a doutrina da <em>sola Scriptura<\/em> (caracter\u00edstica do pensamento luterano). Para a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em>, a Tradi\u00e7\u00e3o tem dois sentidos: (a) o conte\u00fado que n\u00e3o est\u00e1 na Escritura; e (b) o processo de transmiss\u00e3o vital da Revela\u00e7\u00e3o na Igreja. A Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a Escritura na Igreja. A Igreja, mediante a Tradi\u00e7\u00e3o, com seu ensino, vida, culto etc, conserva e transmite a todas as gera\u00e7\u00f5es \u201caquilo que ela \u00e9\u201d e \u201caquilo em que ela cr\u00ea\u201d, gra\u00e7as ao \u201cEsp\u00edrito Santo, por quem a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja, e atrav\u00e9s dela ao mundo inteiro\u201d (<em>DV<\/em> 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tradi\u00e7\u00e3o concretiza-se nos Santos Padres, na liturgia, nos s\u00edmbolos da f\u00e9 (= os <em>credos<\/em>), nos textos dos conc\u00edlios, nas interven\u00e7\u00f5es magisteriais, nas vidas dos santos, no testemunho cotidiano dos fi\u00e9is crist\u00e3os de todos os tempos e lugares etc. A Igreja \u00e9 a Tradi\u00e7\u00e3o viva e o eixo de toda a transmiss\u00e3o da Revela\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos tempos. Assim sendo, a revisita\u00e7\u00e3o do passado, que nada tem a ver com saudosismo, e muito menos com tradicionalismo, proporciona \u00e0 Igreja rejuvenescer-se e, desse modo, manter-se fiel e dinamicamente obediente ao Senhor. Voltando-se para o passado enquanto exerc\u00edcio de \u201cmem\u00f3ria no Esp\u00edrito\u201d, a Igreja ser\u00e1 sempre obediente e fiel a seu Esposo, como a mulher enamorada que procura ouvir a voz do amado (cf. o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um detalhe significativo na <em>Dei Verbum<\/em>: enquanto o Conc\u00edlio de Trento fala de \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d (no plural e com \u201ct\u201d min\u00fasculo), o Conc\u00edlio Vaticano II fala de \u201cTradi\u00e7\u00e3o\u201d (no singular e com \u201ct\u201d mai\u00fasculo). Isto torna claro que o Vaticano II entendeu a Tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o como mera comunica\u00e7\u00e3o de doutrinas e ideias, mas como um todo \u00fanico, em que as partes se articulam harmonicamente, e que, afinal de contas, se confunde com a pr\u00f3pria vida da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6.4 <em>Gaudium et spes<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui\u00e7\u00e3o pastoral <em>Gaudium et spes<\/em> (promulgada em 7 de dezembro de 1965) volta-se para a quest\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o mundo no qual ela se insere. Se em Trento e no Vaticano I as atitudes da Igreja foram de clara hostilidade \u2013 no primeiro, frente aos reformadores protestantes, e no segundo, frente aos defensores das ideias secularizantes que remontam \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o francesa \u2013, agora a Igreja assume uma postura otimista frente ao mundo. Ela se entende servidora da humanidade, o que j\u00e1 deixara claro na <em>Lumen gentium<\/em> e repete na <em>Gaudium et spes<\/em>: \u201cA Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00eanero humano\u201d (<em>LG<\/em> 1, cf. <em>GS<\/em> 42,3). Desta forma, a Igreja se reconhece \u201cperita em humanidade\u201d (Paulo VI, 1965, p.878-85), o que a faz sens\u00edvel a todas as experi\u00eancias pelas quais passam os homens, sejam boas, sejam ruins (cf. <em>GS<\/em> 1). Sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 servir, raz\u00e3o pela qual ela pode dizer que n\u00e3o \u00e9 movida por \u201cnenhuma ambi\u00e7\u00e3o terrestre\u201d (<em>GS<\/em> 3,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque \u201cperita em humanidade\u201d, a Igreja se debru\u00e7a sobre o homem dotado de aspira\u00e7\u00f5es elevadas (cf. <em>GS<\/em> 9) e cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 inquieto em consequ\u00eancia de interroga\u00e7\u00f5es as mais profundas (cf. <em>GS<\/em> 10; 21,4). E ela o faz de modo respeitoso tendo em vista o \u00e2mbito mais \u00edntimo do homem: \u201ca consci\u00eancia \u00e9 o centro mais secreto e o santu\u00e1rio do ser humano, no qual se encontra a s\u00f3s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser\u201d (<em>GS<\/em> 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o do problema do homem \u00e9 formulada pelo Conc\u00edlio de modo lapidar: \u201cO mist\u00e9rio do ser humano s\u00f3 se ilumina de fato \u00e0 luz do mist\u00e9rio do Verbo encarnado\u201d (<em>GS<\/em> 22,1). E isso vale n\u00e3o s\u00f3 para os crist\u00e3os, pois, ao assumir a condi\u00e7\u00e3o humana em todas as suas dimens\u00f5es, o Verbo associou-se de certo modo a todo homem (cf. <em>GS<\/em> 22,2). E ressalte-se, ainda, que o assumir a condi\u00e7\u00e3o humana por parte do Filho de Deus conta com a participa\u00e7\u00e3o amorosa do Esp\u00edrito Santo; com efeito, \u201co Esp\u00edrito Santo a todos d\u00e1 a possibilidade de se associarem a este mist\u00e9rio pascal, de maneira conhecida somente por Deus\u201d (<em>GS<\/em> 22,5). A antropologia centrada em Cristo \u2212 ou seja, o homem entendido a partir do mist\u00e9rio de Cristo \u2013 \u00e9, \u201cno fundo, uma <em>tomada de posi\u00e7\u00e3o<\/em> que afirma que o homem se humaniza s\u00f3 gra\u00e7as \u00e0 diviniza\u00e7\u00e3o: a finalidade de plenitude \u00e0 qual estamos chamados \u00e9 inalcan\u00e7\u00e1vel sem os aux\u00edlios da gra\u00e7a\u201d (ARCE, 2008, p.434-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem-se acusado a <em>Gaudium et spes<\/em> de ser excessivamente otimista em sua formula\u00e7\u00e3o. Atento a esta cr\u00edtica, o S\u00ednodo dos Bispos de 1985, celebrado para comemorar os vinte anos de conclus\u00e3o do Conc\u00edlio, prop\u00f4s a teologia da cruz como polo de equil\u00edbrio para o conte\u00fado desta constitui\u00e7\u00e3o pastoral. Ou seja, as intui\u00e7\u00f5es e os horizontes abertos pela <em>Gaudium et spes<\/em> devem ser tomados como princ\u00edpios propulsores de uma a\u00e7\u00e3o pastoral que leva em conta com realismo os desafios e as dificuldades colocados pelo mundo contempor\u00e2neo \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Os nove decretos do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social naturalmente despertaram o interesse dos padres conciliares, j\u00e1 que n\u00e3o se podia pensar a evangeliza\u00e7\u00e3o nos novos tempos ignorando-se os recursos de comunica\u00e7\u00e3o de massa, mormente os eletr\u00f4nicos. Em resposta a essa quest\u00e3o, promulgou-se o decreto <em>Inter mirifica<\/em> (5 de dezembro de 1963).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O decreto <em>Unitatis redintegratio<\/em> (21 de novembro de 1964) sinaliza a inequ\u00edvoca participa\u00e7\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica romana no movimento ecum\u00eanico. Sua for\u00e7a est\u00e1 na decisiva orienta\u00e7\u00e3o em superar os preconceitos frente aos \u201cirm\u00e3os separados\u201d e em propor princ\u00edpios teol\u00f3gicos para a discuss\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o de problemas em torno \u00e0 divis\u00e3o dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o decreto <em>Orientalium ecclesiarum<\/em> (21 de novembro de 1964) trata especificamente das Igrejas orientais cat\u00f3licas. Reconhecem-se os valores mantidos pela Tradi\u00e7\u00e3o nestas Igrejas, tanto quanto os sacramentos e o governo eclesi\u00e1stico, o que contribuir\u00e1 enormemente para o incremento do di\u00e1logo ecum\u00eanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Christus dominus<\/em> (28 de outubro de 1965) \u00e9 o decreto que trata do encargo pastoral dos bispos. Antes de tratar das responsabilidades particulares dos bispos \u2013 ensinar, santificar e reger \u2013, apresenta-se o car\u00e1ter colegial de seu minist\u00e9rio, dado da tradi\u00e7\u00e3o eclesial que aponta para a solicitude de todos os bispos para com a Igreja de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Institutos de vida consagrada s\u00e3o convidados a se renovarem segundo o esp\u00edrito do Conc\u00edlio. \u00c9 o que fica patente no decreto <em>Perfectae caritatis<\/em> (28 de outubro de 1965). Os padres conciliares reconheceram o valor da vida religiosa na Igreja, manifestado em suas diversas e fecundas concretiza\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o negligenciando a forma\u00e7\u00e3o dos presb\u00edteros, os padres conciliares tratam desse tema no decreto <em>Optatam totius<\/em> (28 de outubro de 1965). Destaque-se aqui a inten\u00e7\u00e3o de se promover uma melhor prepara\u00e7\u00e3o espiritual dos futuros presb\u00edteros, sem esquecer uma forma\u00e7\u00e3o intelectual que os capacite para dialogar com o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa configura\u00e7\u00e3o eclesial sugerida pelo conceito de Igreja Povo de Deus, contemplado na <em>Lumen gentium<\/em>, o Conc\u00edlio n\u00e3o poderia esquecer o apostolado dos leigos, trabalhado no decreto <em>Apostolicam actuositatem<\/em> (18 de novembro de 1965). Valores da tradi\u00e7\u00e3o eclesial tais como o <em>sensus fidelium<\/em> e o sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is constituem fundamento robusto para o engajamento dos fi\u00e9is leigos na obra da evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os presb\u00edteros o Conc\u00edlio fala detidamente no decreto <em>Presbyterorum ordinis<\/em> (7 de dezembro de 1965). Como colaboradores da ordem episcopal, os presb\u00edteros devem, a exemplo dos bispos, zelar pelo bem de todo o corpo eclesial, e o fazem mediante as tarefas que assumem na Igreja. D\u00e3o-se, nesse documento, orienta\u00e7\u00f5es para o bom relacionamento dos presb\u00edteros entre si, bem como deles com os leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o conciliar de miss\u00e3o estabelece-se no decreto <em>Ad gentes <\/em>(7 de dezembro de 1965)<em>.<\/em> Digna de nota \u00e9 a imposta\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria do documento, ao tomar como ponto de partida o des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o do Pai, e as miss\u00f5es pr\u00f3prias do Filho e do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8 As tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es promulgadas no Conc\u00edlio Vaticano II, a saber: <em>Gravissimum educationis<\/em> (28 de dezembro de 1965), <em>Dignitatis humanae<\/em> (28 de dezembro de 1965) e <em>Nostra aetate<\/em> (7 de dezembro de 1965) concernem, respectivamente, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, \u00e0s religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s e \u00e0 liberdade religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 O episcopado latino-americano no Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Am\u00e9rica Latina era o \u00fanico continente que, ao chegar ao Conc\u00edlio, j\u00e1 contava com uma estrutura episcopal de car\u00e1ter colegial, o Conselho Episcopal Latino-Americano, o CELAM, fundado no Rio de Janeiro (RJ), em 1955\u201d (BEOZZO, 1998, p.823). Este esp\u00edrito colegial latino-americano, ainda incipiente no in\u00edcio do Conc\u00edlio, foi se desenvolvendo \u00e0 medida que o Conc\u00edlio avan\u00e7ava em suas discuss\u00f5es e decis\u00f5es. Ademais, o tema inspirador da \u201cIgreja dos Pobres\u201d, brotado de comunidades latino-americanas, ganhou certo relevo nos debates conciliares \u2013 embora tenha emergido em poucas passagens de todos os documentos aprovados \u2013 a tal ponto que deu ocasi\u00e3o \u00e0 iniciativa conhecida como \u201cPacto das Catacumbas\u201d. Essa iniciativa consistiu na op\u00e7\u00e3o de bispos, n\u00e3o exclusivamente latino-americanos, de viverem com simplicidade em suas dioceses e se comprometerem, efetivamente, com as causas dos empobrecidos. Al\u00e9m disso, reflexo destas inquieta\u00e7\u00f5es foi a promulga\u00e7\u00e3o, pelo Papa Paulo VI, da carta enc\u00edclica <em>Populorum Progressio<\/em>, no ano de 1967. Ora, coube ao episcopado latino-americano e caribenho, em suas sucessivas assembleias, de Medell\u00edn a Aparecida, com avan\u00e7os e recuos, acolher as inspira\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II e utiliz\u00e1-las na an\u00e1lise dos problemas vividos pelos povos latino-americanos, inseridos em estruturas marcadas pela explora\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 Atualidade e recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensinamento do Conc\u00edlio Vaticano II, de not\u00e1vel atualidade, ainda n\u00e3o foi suficientemente assimilado pelas comunidades cat\u00f3licas espalhadas por todo o mundo. Na realidade, encontramo-nos em pleno processo de recep\u00e7\u00e3o do conte\u00fado doutrinal desse grande e surpreendente evento eclesial, conclu\u00eddo em dezembro de 1965. E al\u00e9m deste esfor\u00e7o \u2013 o de receber o conte\u00fado do Vaticano II \u2013, devemos defend\u00ea-lo de interpreta\u00e7\u00f5es dos documentos conciliares que tendem a n\u00e3o respeitar o mais profundo significado da doutrina neles contida e o novo modo de propor aos homens e mulheres de todos os tempos \u201ca beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova que \u00e9 Cristo Senhor\u201d (cf. SANTO AGOSTINHO, <em>Conf<\/em>. 10,27). Isto significa, al\u00e9m de reler seus documentos, resgatar as inspira\u00e7\u00f5es mais profundas \u2013 valer dizer: divinas \u2013 que est\u00e3o \u00e0 raiz deste que \u00e9 considerado, com justi\u00e7a, o mais significativo e promissor evento eclesial do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><em>Paulo C\u00e9sar Barros, SJ,<\/em> Departamento de teologia da FAJE<\/p>\n<p><strong>11 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Alberigo, G. <em>Breve storia del concilio Vaticano II <\/em>(1959-1965). Bologna: Il Mulino, 2005.<\/p>\n<p>ARCE, R. <em>La recepci\u00f3n del Concilio Vaticano II en la Arquidi\u00f3cesis de Montevideo <\/em>(1965-1985). Montevideo: Observatorio del Sur \/ Facultad de Teolog\u00eda del Uruguay Mons. Mariano Soler, 2008.<\/p>\n<p>BEOZZO, J. O. Medell\u00edn: inspira\u00e7\u00e3o e ra\u00edzes. <em>Revista Eclesi\u00e1stica Brasileira, <\/em>v.58, n.232, p.822-50. 1998.<\/p>\n<p>______<em>.<\/em> <em>A Igreja do Brasil no Conc\u00edlio Vaticano II. <\/em>1959-1965. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005.<\/p>\n<p>Camara, Helder. <em>Obras completas<\/em>. Vaticano II: Correspond\u00eancia Conciliar. Circulares \u00e0 Fam\u00edlia do S\u00e3o Joaquim 1962-1964. v.I, t.I. Recife: Instituto Dom Helder C\u00e2mara \/ Editora Universit\u00e1ria UFPE, 2004.<\/p>\n<p>JO\u00c3O XXIII. Discurso <em>Gaudet Mater Ecclesia<\/em> (11 de outubro de 1962). <em>Acta Apostolicae Sedis<\/em>, Roma, v.54, p.786-95, 1962.<\/p>\n<p>KLOPPENBURG, B. <em>Conc\u00edlio Vaticano II: <\/em>V. I: Document\u00e1rio preconciliar. Petr\u00f3polis: Vozes, 1962.<\/p>\n<p><em>______.<\/em> <em>Conc\u00edlio Vaticano II: <\/em>V. II: Primeira sess\u00e3o (set-dez 1962), Petr\u00f3polis: Vozes, 1963.<\/p>\n<p><em>______. Conc\u00edlio Vaticano II: <\/em>V. III: Segunda sess\u00e3o (set-dez 1963), Petr\u00f3polis: Vozes, 1964.<\/p>\n<p><em>______. Conc\u00edlio Vaticano II: <\/em>V. IV: Terceira sess\u00e3o (set-nov 1964), Petr\u00f3polis: Vozes, 1965.<\/p>\n<p><em>______. Conc\u00edlio Vaticano II: <\/em>V. V: Quarta sess\u00e3o (set-dez 1965), Petr\u00f3polis: Vozes, 1966.<\/p>\n<p>LIBANIO, j. b. <em>La Iglesia desde el Vaticano II hasta el nuevo milenio<\/em>. Bilbao: Mensajero, 2004.<\/p>\n<p><em>______. Conc\u00edlio Vaticano II.<\/em> Em busca de uma primeira compreens\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n<p>Lima, A. A. <em>Cartas do pai<\/em>. De Alceu Amoroso Lima para sua filha madre Maria Teresa, OSB. S\u00e3o Paulo: Instituto Moreira Salles, 2003.<\/p>\n<p>MARQUES, L. C. L.; FARIA R. A. (orgs.). <em>Dom Helder C\u00e2mara: Circulares Conciliares<\/em>, v. I, t. I; v. I, t. II; v. I, t. III. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2009.<\/p>\n<p>O&#8217;Malley, J. W. <em>\u00bfQu\u00e9 pas\u00f3 en el Vaticano II?<\/em>. Santander: Sal Terrae, 2012.<\/p>\n<p>Passos J. D.; Sanchez, W. L. (orgs.). <em>Dicion\u00e1rio do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas; Paulus, 2015.<\/p>\n<p>Paulo VI. Alocu\u00e7\u00e3o diante da Assembleia plen\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u201cAu moment de prendre\u201d (4 de outubro de 1965). <em>Acta Apostolicae Sedis<\/em>, Roma, v.57, p. 878-85. 1965.<\/p>\n<p>PIO XII. Carta enc\u00edclica <em>Divino afflante Spiritu<\/em> (30 de setembro de 1943). <em>Acta Apostolicae Sedis<\/em>, Roma, v.35, p. 309-19. 1943.<\/p>\n<p>ROCHA, Z. (org.). <em>Dom Helder C\u00e2mara: <\/em>Circulares Interconciliares, v. II, t. I; v. II, t. II; v. II, t. III. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2009.<\/p>\n<p>SAGRADA CONGREGA\u00c7\u00c3O DOS RITOS. <em>Maxima redemptionis:<\/em> Liturgicus hebdomadae sanctae ordo instauratur. <em>Acta Apostolicae Sedis<\/em>, Roma, v.47, n.17, p. 838-47. 1955.<\/p>\n<p>Vian, G. M. (org.). <em>Paolo VI \u2013 <\/em>Giovanni Battista Montini. Carit\u00e0 intellettuale. Testi scelti (1921-1978). 2.ed. Milano: Biblioteca di Via Senato, 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Antecedentes hist\u00f3ricos do Conc\u00edlio Vaticano II 1.1 Conc\u00edlio Vaticano I 1.2 Movimentos anteriores ao Conc\u00edlio Vaticano II 1.3 Reformas dos papas Pio X e Pio XI 1.4 Reformas do papa Pio XII 2 O papa Jo\u00e3o XXIII 3 Prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II 4 A novidade do Conc\u00edlio Vaticano II 5 Documentos do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1362"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1367,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1362\/revisions\/1367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}