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{"id":1357,"date":"2016-12-30T09:23:18","date_gmt":"2016-12-30T11:23:18","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1357"},"modified":"2016-12-30T09:25:18","modified_gmt":"2016-12-30T11:25:18","slug":"catolicismo-contemporaneo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1357","title":{"rendered":"Catolicismo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Revolu\u00e7\u00e3o francesa e a Igreja cat\u00f3lica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Revolu\u00e7\u00e3o inspirada no iluminismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Catolicismo e o processo de restaura\u00e7\u00e3o (1814-1846)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Restaura\u00e7\u00e3o, um conceito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Estrat\u00e9gia agressiva contra a modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Catolicismo e o combate ao liberalismo (1846-1878)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Quest\u00e3o social e o catolicismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 Le\u00e3o XIII (1878-1903) e a quest\u00e3o social<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Rerum Novarum (1891)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Condena\u00e7\u00e3o do modernismo e as reformas intereclesiais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.1 Contra o modernismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.2 Reformas intereclesiais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Movimentos de renova\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Catolicismo e as Grandes Guerras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7.1 Per\u00edodo entre Guerras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7.2 Pio XII: pastoral, teologia e a 2\u00aa Guerra Mundial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 Transi\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, o papa crist\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.1 Jo\u00e3o XXIII (1958-1963)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2 Vaticano II (1962-1965) e sua rela\u00e7\u00e3o com a modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.3 Paulo VI, reformador e incompreendido (1963-1978)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 O santo criticado e seu continuador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9.1 Jo\u00e3o Paulo II (1978-2005)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9.2 Bento XVI (2005-2013)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 O retorno ao Cristianismo: Francisco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Revolu\u00e7\u00e3o francesa e a Igreja cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 Revolu\u00e7\u00e3o inspirada no iluminismo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na transi\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos XVIII-XIX, a sociedade europeia entra no enorme palco de transforma\u00e7\u00f5es impulsionado pelas revolu\u00e7\u00f5es iluminista (pensamento), francesa (social burguesa) e industrial (econ\u00f4mica capitalista). O iluminismo, no \u201cs\u00e9culo das luzes\u201d (XVIII), rompe com o determinismo religioso, imprime for\u00e7a incondicional na a\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da raz\u00e3o, questiona a obedi\u00eancia submissa, organiza o saber criando m\u00e9todos de pesquisa, critica autoridade e poder. Suas cr\u00edticas n\u00e3o pouparam a Igreja cat\u00f3lica: abismo social entre alto e baixo clero, indiferen\u00e7a diante das dificuldades do povo. A revolu\u00e7\u00e3o social francesa afetou todo o Ocidente, deixando profundas marcas no catolicismo. A luta est\u00e1 alicer\u00e7ada nos resultados da sociedade medieval (clero, nobreza, artes\u00e3os) e a sociedade industrial (burguesia e trabalhadores). A revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica provoca mudan\u00e7as no sistema de produ\u00e7\u00e3o, o capitalismo explora as riquezas naturais, se beneficia do avan\u00e7o cient\u00edfico, mas o progresso porta consigo consequ\u00eancias grav\u00edssimas para a sociedade. Dentre elas, a explora\u00e7\u00e3o humana: longas jornadas de trabalho, \u00eaxodo rural, fim dos artes\u00e3os, divis\u00e3o social do trabalho, concentra\u00e7\u00f5es urbanas, precariedade nas condi\u00e7\u00f5es de vida, prostitui\u00e7\u00e3o, alcoolismo, criminalidade, epidemias e uma imensid\u00e3o de despossu\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Revolu\u00e7\u00e3o francesa foi um acontecimento inesperado para a Igreja cat\u00f3lica, gestado no ber\u00e7o do iluminismo. No seu desdobramento se sucederam outras revolu\u00e7\u00f5es at\u00e9 a ditadura militar de Napole\u00e3o Bonaparte. O s\u00e9culo XIX inicia, para a Igreja, com um novo pontificado, Pio VII (1800-1823). Ap\u00f3s v\u00e1rias tratativas, o papa assina, juntamente com Napole\u00e3o, a Concordata (1801). O documento \u00e9 uma tentativa de recuperar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre ambos Estados. Assim, a Igreja renunciava aos bens expropriados e aceitava que a remunera\u00e7\u00e3o do clero fosse efetuada pelo Estado franc\u00eas. Bonaparte, secretamente, acrescentou \u00e0 Concordata 77 \u2018artigos org\u00e2nicos\u2019, que aboliam em parte as conquistas da mesma. O protesto do papa n\u00e3o surtiu efeito, e Pio VII ainda sofreria outras humilha\u00e7\u00f5es por parte de Napole\u00e3o, que em 1808 ordenou a ocupa\u00e7\u00e3o de Roma e do Estado Pontif\u00edcio. O papa excomunga Napole\u00e3o e este faz Pio VII prisioneiro em Fontainebleau, sendo pressionado a abdicar o Estado Pontif\u00edcio. Com a queda de Napole\u00e3o, na sequ\u00eancia da campanha da R\u00fassia (1812) e da batalha de Leipzig (1813), e de tropas aliadas terem invadido Paris (1814), a reordena\u00e7\u00e3o da Europa pode ser empreendida pelo Congresso de Viena (1814-1815).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, o papado parecia atravessar um dos momentos mais dif\u00edceis da era moderna. Pio VI havia morrido (1799) s\u00f3 e abandonado, prisioneiro da Revolu\u00e7\u00e3o francesa. O episcopalismo parecia que triunfaria, sendo o sistema papal e a infalibilidade, segundo alguns autores alem\u00e3es e franceses, quest\u00f5es antiquadas e sem import\u00e2ncia hist\u00f3rica. Nenhum outro acontecimento hist\u00f3rico contribuiu tanto para o triunfo do papado no Vaticano I (1869-70) como a Revolu\u00e7\u00e3o francesa. Com Pio VII realiza-se a reorganiza\u00e7\u00e3o da Igreja francesa (1801), e 36 bispos que viviam fora da Fran\u00e7a foram depostos, demonstrando, apesar de tudo, que o papado possu\u00eda poder. Este foi um passo para o ultramontanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Catolicismo e o processo de restaura\u00e7\u00e3o (1814-1846)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.1 Restaura\u00e7\u00e3o, um conceito<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o t\u00e9rmino da Revolu\u00e7\u00e3o francesa e do per\u00edodo napole\u00f4nico, a Europa estava em situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultural e religiosa de total desordem. Era fundamental, pensavam a institui\u00e7\u00e3o religiosa e v\u00e1rios membros da sociedade, restabelecer a ordem restaurando os princ\u00edpios da autoridade, da religi\u00e3o e da moral, assim como eram no Antigo Regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 Estrat\u00e9gia agressiva contra a modernidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O programa de restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente no pontificado do papa Le\u00e3o XII (1823-1829). Sua preocupa\u00e7\u00e3o era recuperar tudo o que a seculariza\u00e7\u00e3o e a revolu\u00e7\u00e3o haviam destru\u00eddo. A inten\u00e7\u00e3o nunca foi a de adaptar a Igreja \u00e0s exig\u00eancias dos novos tempos, mas uma restaura\u00e7\u00e3o aos tempos anteriores. Seu sucessor, Pio VIII (1829-1830), n\u00e3o era um papa de objetivos diferentes. Sua a\u00e7\u00e3o era defensiva da Igreja e da f\u00e9 cat\u00f3lica, defender dos erros daquelas doutrinas, segundo ele mentirosas e perversas, que atacavam a f\u00e9. A educa\u00e7\u00e3o deveria estar nas m\u00e3os da religi\u00e3o cat\u00f3lica. Era evidente que este pontificado ficaria numa escala de transi\u00e7\u00e3o. A grande reviravolta viria com seu sucessor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rea\u00e7\u00e3o agressiva da institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica contra a modernidade n\u00e3o tardaria. Greg\u00f3rio XVI (1831-1846), o novo papa, realizou um pontificado dentro de uma linha program\u00e1tica da situa\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica de seu tempo. A cultura era dominada pelo iluminismo, anticlericalismo, ma\u00e7onaria e pelo elemento antirreligioso, enquanto na pol\u00edtica oficial predominava a restaura\u00e7\u00e3o. Neste contexto, o papa publica a enc\u00edclica <em>Mirari vos<\/em> (1832). Entre as tem\u00e1ticas tratadas, em termos dur\u00edssimos, est\u00e3o as duas fontes do mal: liberdade de imprensa e o indiferentismo religioso. Na mentalidade da cristandade medieval e da sociedade perfeita reinantes, o papa n\u00e3o consegue constatar nenhum sinal positivo em seu tempo e, por sua vez, n\u00e3o identifica as situa\u00e7\u00f5es preocupantes dentro da institui\u00e7\u00e3o religiosa que necessitam de transforma\u00e7\u00e3o. A ideia de renova\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 rejeitada, considerada um ultraje. Condena as ferrovias, pontes, energia el\u00e9trica. Tudo \u00e9 sinal da modernidade e, por consequ\u00eancia, erros que devem ser condenados. O modelo de Igreja da cristandade prevalecer\u00e1 durante todo o s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aspecto significativo deste per\u00edodo foi a vitalidade da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja atrav\u00e9s de muitas comunidades religiosas e um interessante florescimento de novas congrega\u00e7\u00f5es, sobretudo no campo da educa\u00e7\u00e3o, da assist\u00eancia aos enfermos e empenho mission\u00e1rio. As contradi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria se sucedem no decorrer do s\u00e9culo XIX. Se, por um lado, um segmento da institui\u00e7\u00e3o constr\u00f3i um embate com a modernidade, outros setores se veem dentro de uma febre mission\u00e1ria, de funda\u00e7\u00e3o de congrega\u00e7\u00f5es dedicadas exclusivamente \u00e0s miss\u00f5es, assim como de prepara\u00e7\u00e3o para as futuras igrejas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Catolicismo e o combate ao liberalismo (1846-1878)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final do pontificado de Greg\u00f3rio XVI foi para os romanos uma liberta\u00e7\u00e3o. O papa e o seu secret\u00e1rio de Estado, cardeal Lambruschini, n\u00e3o eram amados e seu governo foi considerado tir\u00e2nico e obscurantista. Todos esperavam um novo papa capaz de enfrentar, de maneira diplom\u00e1tica, a situa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Eleito Pio IX (1846-1878), os liberais e democratas constru\u00edram a imagem do papa liberal, embora depois tenha sido acusado de inimigo da liberdade de consci\u00eancia e de culto e de promover uma Igreja hostil \u00e0 sociedade moderna. Defendia a plena independ\u00eancia do papa e da Igreja em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, opositor combativo do galicanismo. Se, por um lado, os anticlericais se tornaram grandiosos inimigos do papa, especialmente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, por outro lado, os ultramontanos cultuavam t\u00e3o exageradamente o papa que atribu\u00edam a ele o t\u00edtulo de \u201cGrande\u201d. S\u00e3o tr\u00eas os pontos fundamentais de seu pontificado: proclama\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (1854); publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica <em>Quanta Cura <\/em>e seu anexo <em>Sylabus<\/em> (1864); e o Conc\u00edlio Vaticano I (1869-70).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pio IX n\u00e3o aceitava o regime constitucional, n\u00e3o somente por entender que n\u00e3o era apto para a Igreja, mas porque o julgava ruim em si mesmo. Enorme era sua avers\u00e3o aos cat\u00f3licos liberais. O auge de sua pol\u00edtica antiliberal se d\u00e1 com a publica\u00e7\u00e3o da <em>Quanta Cura <\/em>e <em>Sylabus<\/em>. A enc\u00edclica tem por objetivo apontar os \u201cerros modernos\u201d que colocam a f\u00e9 da Igreja em perigo e demonstrar sua supera\u00e7\u00e3o, afirmando a autoridade da Igreja, fundamentada na autoridade divina. Esses erros, decorrentes da emerg\u00eancia das filosofias modernas como teorias de um novo estado de esp\u00edrito, distorcem a consci\u00eancia humana e a consci\u00eancia eclesial. Perderam-se os valores morais e o car\u00e1ter sacral da sociedade atual. Os erros modernos em destaque s\u00e3o o naturalismo e o pante\u00edsmo, o liberalismo, o comunismo e o socialismo, a dissocia\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado. O anexo \u00e0 enc\u00edclica, o <em>Sylabus<\/em>, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de 80 erros da modernidade que j\u00e1 haviam sido expostos e condenados em documentos anteriores. O documento \u00e9 publicado no momento em que h\u00e1 disson\u00e2ncia entre os cat\u00f3licos. Al\u00e9m das motiva\u00e7\u00f5es da sociedade para elencar estes erros, o papa analisa de maneira negativa os cat\u00f3licos que estavam abertos ao di\u00e1logo com a sociedade moderna, democr\u00e1ticos, progressistas, constitucionais. Contudo, os papistas, tradicionalistas e ultramontanos, estavam demasiadamente cultuando o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas de Pio IX objetivavam salvaguardar a f\u00e9 da Igreja e a pr\u00f3pria autoridade da Igreja na sociedade moderna. Sua apolog\u00e9tica, incluindo o dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, real\u00e7ou a postura da Igreja em defender-se da modernidade e em afirmar sua identidade, constru\u00edda no Conc\u00edlio de Trento (1545-63). As cr\u00edticas serviram tamb\u00e9m para apontar os maximalismos tanto dos defensores quanto dos opositores da modernidade. Essa apolog\u00e9tica possibilitou estabelecer um clima necess\u00e1rio para buscar o equil\u00edbrio na rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, f\u00e9 e raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na festa da Imaculada de 1869, foi aberto o Conc\u00edlio Vaticano I, que se organizou com um objetivo principal: completar e confirmar a obra de exposi\u00e7\u00e3o doutrinal anterior contra o racionalismo te\u00f3rico e pr\u00e1tico do s\u00e9culo XIX. Duas constitui\u00e7\u00f5es foram aprovadas, uma sobre a f\u00e9 cat\u00f3lica e outra sobre o papel do Romano Pont\u00edfice e sua autoridade doutrinal. Em julho de 1870, a guerra franco-prussiana obrigou a suspens\u00e3o do Vaticano I, que nunca mais foi reaberto. Tamb\u00e9m em 1870, o Estado Pontif\u00edcio foi anexado oficialmente ao territ\u00f3rio italiano, situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o conflitiva que o papa excomungou o rei Vittorio Emanuelle e se refugiou em sua resid\u00eancia, o Quirinal. Pio IX n\u00e3o autorizava os italianos a serem candidatos ou votarem nas elei\u00e7\u00f5es. Essa situa\u00e7\u00e3o durou mais de trinta anos. Estava iniciada a Quest\u00e3o romana (1870-1929).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das pol\u00eamicas historiogr\u00e1ficas, o papa Jo\u00e3o Paulo II solicitou a continuidade do processo de beatifica\u00e7\u00e3o de Pio IX, que ocorreu, juntamente com a do papa Jo\u00e3o XXIII, em 3 de setembro do ano 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Quest\u00e3o social e o catolicismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1 Le\u00e3o XIII (1878-1903) e a quest\u00e3o social<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse pontificado conseguiu alcan\u00e7ar um prest\u00edgio n\u00e3o obtido em tempos anteriores. A conjuntura final do s\u00e9culo XIX coincidiu com um conjunto de mudan\u00e7as radicais no campo pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social e cient\u00edfico. Em 1892, o papa orienta os franceses a aceitar a Rep\u00fablica, significando o final, para o mundo cat\u00f3lico, da cristandade. Seu magist\u00e9rio tratou de diversos assuntos de grande import\u00e2ncia naquele contexto, da vida religiosa \u00e0 social. A sociedade estava dividida pelo conflito entre o capital e o trabalho: eis a quest\u00e3o social. Essa preocupa\u00e7\u00e3o social havia come\u00e7ado na segunda metade do s\u00e9culo XIX, quando em diversos pa\u00edses foram fundadas associa\u00e7\u00f5es e c\u00edrculos em favor dos oper\u00e1rios. Le\u00e3o XIII publicar\u00e1 um emblem\u00e1tico documento que tratou de maneira objetiva a quest\u00e3o oper\u00e1ria e social: a enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 Rerum Novarum (1891)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enc\u00edclica conferiu \u00e0 Igreja cat\u00f3lica uma esp\u00e9cie de carta de cidadania. Sem d\u00favida, a enc\u00edclica foi para a a\u00e7\u00e3o social crist\u00e3 aquilo que foi o \u201cManifesto do Partido Comunista\u201d e o \u201cCapital\u201d, de Karl Marx, para a a\u00e7\u00e3o socialista. O documento trata da quest\u00e3o oper\u00e1ria, contendo os princ\u00edpios b\u00e1sicos da Doutrina Social da Igreja, que ser\u00e3o retomados, aprofundados e aplicados em sucessivos documentos e pronunciamentos do Magist\u00e9rio. Essa enc\u00edclica \u00e9 o primeiro texto do magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico a estudar seriamente o problema social ocasionado pela industrializa\u00e7\u00e3o. O texto, ao mesmo tempo, condenava o liberalismo e o socialismo, mas reconhecia o direito natural \u00e0 propriedade e sublinhava o valor social, atribu\u00eda ao Estado o papel de promotor do bem comum, da prosperidade p\u00fablica e da privada, superando o absolutismo social do Estado liberal, e reconhecia ao oper\u00e1rio o direito a um sal\u00e1rio justo. Condenava a luta de classes e aceitava o direito do oper\u00e1rio associar-se para defender seus interesses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enc\u00edclica foi publicada 44 anos depois do aparecimento do \u2018Manifesto\u2019 de Marx, e aparentemente n\u00e3o foi t\u00e3o importante para o movimento de emancipa\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Muitas vezes utiliza uma linguagem abstrata, sem analisar a situa\u00e7\u00e3o real criada pelo capitalismo e tamb\u00e9m n\u00e3o apresenta uma an\u00e1lise estrutural das causas da mis\u00e9ria da classe oper\u00e1ria. Apesar dessas e outras lacunas, o documento representa uma importante postura na hist\u00f3ria da Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas mudan\u00e7as na postura da Igreja produziram tamb\u00e9m dificuldades: n\u00e3o foram poucas as pessoas que pediam a convers\u00e3o de Le\u00e3o XIII, que o consideravam entregue \u00e0s teses marxistas. A outra face da moeda \u00e9 que em pa\u00edses como a Fran\u00e7a, B\u00e9lgica e It\u00e1lia nasceu um movimento que se denominou democrata crist\u00e3o, unindo as aspira\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas, a vontade de reformas sociais e uma preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o sempre clara, mas favor\u00e1vel \u00e0 democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Condena\u00e7\u00e3o do modernismo e reformas intereclesiais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.1 Contra o modernismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modernismo e sua consequente crise tiveram in\u00edcio nos tempos de Le\u00e3o XIII, mas seu ponto fulcral se deu no pontificado de Pio X (1903-1914). Esse movimento surge em ambiente universit\u00e1rio liberal. Elaborou um pensamento que consistia na aplica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos modernos de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0 teologia. O objetivo era abrir o cristianismo \u00e0s exig\u00eancias filos\u00f3ficas e hist\u00f3ricas da sociedade contempor\u00e2nea. Uma tentativa de acolher o pensamento modernista foi realizada na obra filos\u00f3fica de Maurice Blondel, <em>L\u2019Action<\/em> (1893).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ideias do modernismo foram aplicadas \u00e0 teologia e \u00e0 Sagrada Escritura. As proposi\u00e7\u00f5es aplicadas no campo eclesiol\u00f3gico tendiam a reduzir a Igreja a uma forma democr\u00e1tica. O modernismo foi a tentativa de conciliar a Igreja cat\u00f3lica com os resultados conseguidos pela cr\u00edtica hist\u00f3rica. Neste sentido, a Igreja n\u00e3o \u00e9 hierarquia, mas \u00e9 origin\u00e1ria da consci\u00eancia coletiva, nascida n\u00e3o da vontade divina, mas da necessidade. Gerada de baixo para cima. As proposi\u00e7\u00f5es modernistas foram censuradas pela Igreja, mas encontraram ades\u00e3o na medida que afastavam-se do projeto de cristandade. Alguns representantes do modernismo tiveram suas obras submetidas ao Index. Alguns se reconciliaram com a Igreja e outros foram excomungados. Dois dos protagonistas s\u00e3o o padre franc\u00eas Alfred Loisy (1857-1940) e o jesu\u00edta ingl\u00eas George Tyrrell (1861-1909). O primeiro foi excomungado, interpretava em sentido escatol\u00f3gico a prega\u00e7\u00e3o de Jesus; negava a imutabilidade e o valor objetivo dos dogmas; reduzia o valor da autoridade eclesi\u00e1stica, pregava total separa\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a hist\u00f3ria. O segundo afirmava que se poderia ficar no catolicismo sob condi\u00e7\u00e3o de distinguir entre a f\u00e9 viva e a teologia morta, entre a Igreja real e a autoridade que a governa. Foi expulso da Companhia de Jesus e n\u00e3o foi aceito em nenhuma diocese. Mais tarde, foi decretada sua exclus\u00e3o aos sacramentos, mas n\u00e3o a excomunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da enc\u00edclica <em>Pascendi Dominici Gregis <\/em>e do decreto <em>Lamentabili <\/em>(1907), Pio X apresenta uma forte condena\u00e7\u00e3o ao modernismo, reprimindo a reconcilia\u00e7\u00e3o da doutrina crist\u00e3 com a ci\u00eancia e o conhecimento moderno. Foi realizada uma ca\u00e7a formal \u00e0 heresia dos te\u00f3logos reformistas, de maneira especial a exegetas e historiadores. S\u00e3o exclu\u00eddas do ensinamento as obras de Lagrange, Funk, Delehaye, Duchesne. Em 1910, \u00e9 imposto aos professores de semin\u00e1rios o juramento antimodernista. S\u00e3o realizadas visitas apost\u00f3licas nos semin\u00e1rios italianos, resultando em relat\u00f3rios \u00e0s vezes duros por parte dos visitadores. Um dos avaliados nestas visitas foi \u00c2ngelo Roncalli, futuro Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.2 Reformas intereclesiais\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Sarto foi um dos grandes reformadores da Igreja.\u00a0 \u00c9 de sua iniciativa a organiza\u00e7\u00e3o legislativa da Igreja atrav\u00e9s do C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico. Sua apresenta\u00e7\u00e3o final realizou-se em 1917, no pontificado de Bento XV. Outras reformas aconteceram na catequese e na liturgia. Organizou um catecismo da doutrina crist\u00e3. Na liturgia, lan\u00e7ou documentos sobre a m\u00fasica sacra (restaura\u00e7\u00e3o do canto gregoriano), brevi\u00e1rio (harmoniza\u00e7\u00e3o do brevi\u00e1rio e ano lit\u00fargico) e sobre a eucaristia (comunh\u00e3o frequente e idade para primeira eucaristia). Pio X foi canonizado por Pio XII em 1954.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Movimentos de renova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os movimentos b\u00edblico, lit\u00fargico e ecum\u00eanico foram a porta de entrada do sujeito moderno na Igreja. Surgem no s\u00e9culo XIX e deslancham no s\u00e9culo XX. Os albores do Vaticano II tamb\u00e9m tem sua gesta\u00e7\u00e3o nesses movimentos.\u00a0 O movimento ecum\u00eanico, por exemplo, nasceu fora da Igreja cat\u00f3lica. Em Edimburgo (Esc\u00f3cia), em 1910, mission\u00e1rios protestantes organizaram uma confer\u00eancia para estudar as possibilidades e os meios de uni\u00e3o, em vistas de uma \u00fanica evangeliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Nascia o movimento ecum\u00eanico. Em 1960, no pontificado de Jo\u00e3o XXIII, foi criado o Secretariado para a Uni\u00e3o dos Crist\u00e3os, presidido pelo cardeal jesu\u00edta alem\u00e3o Augustin Bea. O movimento nasce no mundo protestante por raz\u00f5es de evangeliza\u00e7\u00e3o e assume relev\u00e2ncia na Igreja cat\u00f3lica \u00e0 medida que os te\u00f3logos desposam tal projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Catolicismo e as grandes Guerras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa linha intermedi\u00e1ria e de grande import\u00e2ncia hist\u00f3rica para a compreens\u00e3o da modernidade est\u00e1 o pontificado de Bento XV (1914-1922). O papa envolveu-se na media\u00e7\u00e3o com a 1\u00aa Guerra Mundial, mas sem sucesso. O caos global da Guerra (1914-1918) tornou evidente que os principais valores da modernidade estavam em crise: a absolutiza\u00e7\u00e3o moderna da raz\u00e3o, do progresso, da na\u00e7\u00e3o e da ind\u00fastria. A total cren\u00e7a na raz\u00e3o, no progresso, no nacionalismo, no capitalismo e no socialismo fracassara. A Europa estava pagando um pre\u00e7o alto com os movimentos reacion\u00e1rios do fascismo, nazismo e comunismo. Esses movimentos idealizavam, de uma maneira moderna, a ra\u00e7a, a classe e seus l\u00edderes impediram uma ordem mundial nova e melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa Guerra colocou em marcha a revolu\u00e7\u00e3o global que se tornaria expl\u00edcita ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial: <em>a mudan\u00e7a do paradigma euroc\u00eantrico de modernidade<\/em>, que tinha uma marca colonialista, imperialista e capitalista. O novo paradigma, que come\u00e7ara a se desenvolver, da p\u00f3s-modernidade seria global, polic\u00eantrico e de orienta\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica. A Igreja cat\u00f3lica reconhecera isto somente em parte, e um pouco tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>7.1 Per\u00edodo entre Guerras<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido do pontificado de Pio XI (1922-1939), no entre guerras, deve ser compreendido dentro dos acontecimentos pol\u00edticos de seu tempo: uma humanidade oprimida pelos totalitarismos gerados pela sociedade de massa, as profundas diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas que tornaram, particularmente durante a guerra civil, os valores crist\u00e3os e a Igreja hostilizados e perseguidos. O desenrolar deste pontificado acontece durante a dramaticidade de grandes eventos que marcam o mundo contempor\u00e2neo: fascismo, nazismo e totalitarismo stalinista. Todo este contexto justificava, de certo modo, sua pol\u00edtica concordat\u00e1ria realizada na It\u00e1lia atrav\u00e9s dos Pactos Lateranenses (1929). O desenvolvimento de suas atividades ser\u00e1 explicitado atrav\u00e9s das enc\u00edclicas: <em>Non abbiamo bisogno <\/em>(1931)<em>, Quadragesimo anno <\/em>(1931),<em> Mit brennender Sorge <\/em>(1937), e, em seguida, a condena\u00e7\u00e3o do comunismo ateu na <em>Divini Redemptoris <\/em>(1937).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica (movimento de leigos), organizada neste pontificado, est\u00e1 na base da prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II. Apesar desta inten\u00e7\u00e3o inicial, os leigos da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica levaram os colegiais (JEC), os universit\u00e1rios (JUC), os oper\u00e1rios (JOC, ACO), o mundo rural (JAC) e pessoas dos meios independentes (JIC) a inserirem-se nos seus ambientes espec\u00edficos, a tal ponto que eles trouxeram para dentro da Igreja toda a problem\u00e1tica e reflex\u00e3o moderna que em tais situa\u00e7\u00f5es se vivia. Essa atua\u00e7\u00e3o do laicato no mundo, seu engajamento, assumindo compromissos pol\u00edticos, levou a uma maior participa\u00e7\u00e3o dentro da Igreja, requerendo maior forma\u00e7\u00e3o espiritual e teol\u00f3gica.\u00a0 \u00c9 a\u00ed que esse laicato se defronta com os problemas da modernidade. Os grandes pensadores Yves Congar, Jacques Maritain e Emmanuel Mounier desenvolveram reflex\u00f5es teol\u00f3gicas sobre a presen\u00e7a do leigo crist\u00e3o na Igreja e no mundo. Toda essa mentalidade estava caracterizada pelos sinais da modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das medidas fascistas baixadas na It\u00e1lia, em junho de 1938, e tamb\u00e9m porque na Alemanha o problema judaico ia se agravando, Pio XI confiou ao padre jesu\u00edta americano John La Farge a tarefa de preparar um texto sobre a unidade do g\u00eanero humano, destinada a condenar em especial o racismo e o antissemitismo. O esbo\u00e7o do texto chegou \u00e0s m\u00e3os do papa somente no final de 1938. O papa estava doente e em seguida morreria, a enc\u00edclica jamais foi publicada. No Brasil a <em>enc\u00edclica<\/em> (e um longo coment\u00e1rio) foi publicada pela Editora Vozes com o t\u00edtulo \u201cA enc\u00edclica escondida de Pio XI\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>7.2 Pio XII: pastoral, teologia e a 2\u00aa Guerra Mundial<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pio XII (1939-1958) fazia ressurgir o projeto de uma civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Eug\u00eanio Pacelli, que havia sido n\u00fancio em Munique, teve um pontificado de extremos. Isto se explica pelo not\u00e1vel contraste entre sua figura e orienta\u00e7\u00e3o e as de seu sucessor Jo\u00e3o XXIII (o papa do s\u00e9culo). Representava a encarna\u00e7\u00e3o do papado em toda a sua dignidade e superioridade. Herdara de seu antecessor uma Igreja fortemente centralizada. As atividades desse papa foram adquirindo outro tom diante, principalmente, de suas rela\u00e7\u00f5es com a Alemanha e o nazismo. Nesse sentido, seu pontificado foi extremamente criticado por uns, que afirmavam a aus\u00eancia de manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do papa na quest\u00e3o judaica do holocausto, e defendido por outros, que diziam que o papa estava realizando tudo o que estava a seu alcance por vias diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magist\u00e9rio de Pio XII poder\u00e1 ser compreendido atrav\u00e9s de suas mensagens, discursos e enc\u00edclicas. Seu pontificado pode ser considerado o \u00faltimo da era antimoderna medieval. Teve diversos aspectos autorit\u00e1rios: rejeitou as doutrinas evolucionistas, existencialistas, historicistas e suas infiltra\u00e7\u00f5es na teologia cat\u00f3lica foram de grande impacto, como as censuras aos estudiosos Maritain, Congar, Chenu, De Lubac, Mazzolari, Milani e os padres oper\u00e1rios franceses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o mundial e mesmo, em muitos aspectos, o interior da Igreja respiravam um ar desejoso de novidades. Pio XII via de forma positiva as reformas, mas sua atitude tendia para uma prud\u00eancia exagerada. Sua preocupa\u00e7\u00e3o cada vez maior com uma Igreja envolvida num mundo de agita\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es revolucion\u00e1rias explica, em parte, porque come\u00e7ou a concentrar o governo em suas m\u00e3os. Eugenio Pacelli via na exposi\u00e7\u00e3o da doutrina da Igreja em face dos muitos problemas do mundo moderno sua miss\u00e3o mais importante. Publicou grande n\u00famero de enc\u00edclicas. As principais foram <em>Mystici Corporis <\/em>(1950) e <em>Humani Generis <\/em>(1950). A primeira trata da identidade e ordenamento da Igreja, com franco combate \u00e0 nova teologia. A segunda determina a posi\u00e7\u00e3o do pont\u00edfice a respeito da moderna teoria evolucionista, contendo recusa a algumas hip\u00f3teses da escola de Teilhard de Chardin (sem citar nomes). Uma especial aten\u00e7\u00e3o dispensou \u00e0 quest\u00e3o sobre Maria. Em 1950, proclamou o dogma da Assun\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8 Transi\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, o papa crist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>8.1 Jo\u00e3o XXIII (1958-1963)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pontificado de Jo\u00e3o XXIII se caracterizou por uma eclesiologia prof\u00e9tica e sua pastoralidade em continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Seus primeiros gestos pastorais indicavam uma nova orienta\u00e7\u00e3o para a Igreja. Em 1959, anunciou tr\u00eas acontecimentos eclesiais: S\u00ednodo Diocesano de Roma, revis\u00e3o do C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico e um Conc\u00edlio, o Vaticano II. Seu pontificado de <em>aggiornamento<\/em> marcou uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sua intui\u00e7\u00e3o na convoca\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c2ngelo Giuseppe Roncalli nasceu no povoado de Sotto il Monte na prov\u00edncia de B\u00e9rgamo, It\u00e1lia, no dia 25 de novembro de 1881, de fam\u00edlia pobre de camponeses. O jovem Roncalli estudou os dois primeiros anos de teologia no semin\u00e1rio de B\u00e9rgamo, sendo admitido no ano de 1896 na ordem franciscana secular, onde professou as regras em maio de 1897. Com uma bolsa de estudos que ganhou de sua diocese, foi aluno do Pontif\u00edcio Semin\u00e1rio Romano, onde recebeu a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal em agosto de 1904 &#8211; Roma. No ano de 1905, foi nomeado secret\u00e1rio do bispo de B\u00e9rgamo, D. Giacomo Radini Tedeschi, o que lhe possibilitou fazer in\u00fameras viagens, visitas pastorais e colaborar com m\u00faltiplas iniciativas apost\u00f3licas como s\u00ednodos, reda\u00e7\u00e3o de boletim diocesano e obras sociais. Colaborou com o jornal cat\u00f3lico da diocese de B\u00e9rgamo e foi assistente da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Feminina. Foi como professor no semin\u00e1rio da mesma diocese que aprofundou seus estudos sobre tr\u00eas pregadores cat\u00f3licos:\u00a0 S\u00e3o Francisco de Sales, S\u00e3o Greg\u00f3rio Barbarigo (na ocasi\u00e3o era beato e depois foi canonizado pelo pr\u00f3prio Roncalli em 1960), e S\u00e3o Carlos Borromeu, de quem publicou as Atas das visitas realizadas na diocese de B\u00e9rgamo no ano de 1575. Ap\u00f3s a morte do bispo de sua diocese, em 1914, do qual foi secret\u00e1rio, o padre Roncalli prosseguiu seu minist\u00e9rio sacerdotal na diocese, onde pretendia permanecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1915, Roncalli foi \u00e0 guerra defender seu pa\u00eds, pois nos anos de seminarista em Roma havia prestado um ano de servi\u00e7o militar. Roncalli foi convocado como sargento sanit\u00e1rio e nomeado capel\u00e3o militar dos soldados feridos que regressavam da linha de combate, quando a It\u00e1lia, ap\u00f3s o Tratado de Londres de 26 de abril de 1915 renunciou ao acordo com a Tr\u00edplice Alian\u00e7a, entrando na guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda fase de sua vida teve in\u00edcio em 1921, com sua convoca\u00e7\u00e3o, pelo papa Bento XV (1914-1922), para integrar o Conselho das Obras Pontif\u00edcias para a Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9, da qual foi presidente, fun\u00e7\u00e3o que o obrigou a percorrer in\u00fameras dioceses italianas organizando c\u00edrculos mission\u00e1rios. Essa fase romana e a vida aparentemente tranquila de presb\u00edtero n\u00e3o duraram muito tempo. No papado de Pio XI (1922-1938), o padre do pequeno vilarejo de Sotto il Monte foi elevado ao episcopado em 1925 e nomeado como Visitador Apost\u00f3lico para a Bulg\u00e1ria. Em 1934, foi nomeado para a fun\u00e7\u00e3o de Delegado Apost\u00f3lico na Turquia e Gr\u00e9cia e, ao mesmo tempo, administrador do Vicariato Apost\u00f3lico de Istambul, onde se destacou no di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos e os ortodoxos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1944, Pio XII nomeou Roncalli para ser N\u00fancio Apost\u00f3lico em Paris. Sua nomea\u00e7\u00e3o teve a interven\u00e7\u00e3o direta do pr\u00f3-secret\u00e1rio de Estado, Mons. Montini. Aos cinquenta e tr\u00eas anos de idade, Roncalli foi al\u00e7ado a cardeal e dois anos mais tarde patriarca de Veneza. Aos setenta e sete anos chegou ao conclave e foi eleito papa Jo\u00e3o XXIII. Sua enc\u00edclica <em>Pacem in terris <\/em>(1963) foi o \u00faltimo ato de um pontificado t\u00e3o breve, mas intenso, din\u00e2mico e incisivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte do papa no dia 3 de junho de 1963 \u2013 Dia de Pentecostes \u2013 foi recebida com grande como\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias partes do mundo cat\u00f3lico. Impressionante esse momento, diferente de outros tempos, em que homens e mulheres de todos os pa\u00edses e de todas as religi\u00f5es choraram a sua morte. Jo\u00e3o XXIII foi canonizado em abril de 2014, pelo papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>8.2 Vaticano II (1962-1965) e sua rela\u00e7\u00e3o com a modernidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 11 de outubro de 1962, Jo\u00e3o XXIII abriu a primeiro per\u00edodo do Conc\u00edlio. O texto de abertura \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia (Gaudet Mater Ecclesia) e exerceu profunda influ\u00eancia na reda\u00e7\u00e3o de todos os documentos conciliares. Tr\u00eas pontos merecem destaque. Em primeiro lugar, o papa dirige-se aos profetas que anunciam apenas desgra\u00e7as, vendo no mundo moderno somente decl\u00ednio e cat\u00e1strofes, comportando-se como se n\u00e3o aprendessem nada da hist\u00f3ria. Em segundo lugar, o ponto central do Conc\u00edlio. N\u00e3o ser\u00e1 somente uma discuss\u00e3o de um ou outro artigo da doutrina fundamental da Igreja, repetindo e proclamando o ensino dos padres e dos te\u00f3logos antigos e modernos, pois sup\u00f5e que isso j\u00e1 seja bem presente e familiar. Para isso, n\u00e3o haveria necessidade de um Conc\u00edlio. Trata-se de uma renovada, com serena e tranquila ades\u00e3o a todo o ensino da Igreja. Em terceiro lugar, a Igreja sempre se op\u00f4s aos erros; muitas vezes at\u00e9 condenou com maior severidade. A Igreja, agora, levando por meio do Conc\u00edlio o facho da verdade religiosa, deseja mostrar-se m\u00e3e amorosa de todos, benigna, paciente e cheia de miseric\u00f3rdia com seus filhos dela separados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II promulgou dezesseis constitui\u00e7\u00f5es, decretos e declara\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um consenso de que a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium <\/em>e a constitui\u00e7\u00e3o pastoral <em>Gaudium et spes <\/em>sejam o eixo do Conc\u00edlio. A Igreja teve coragem de olhar para o seu passado, refletir e criar uma rela\u00e7\u00e3o nova no presente. A continuidade do di\u00e1logo e de todos os frutos que ele gerou continuam acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evento conciliar teve duas grandes personalidades \u00e0 sua frente: Jo\u00e3o XXIII, que morreu ap\u00f3s o primeiro per\u00edodo do Conc\u00edlio, aos 82 anos, e Paulo VI (1963-1978), que o substituiu. Montini (Paulo VI \u2013 beatificado em 2014 pelo papa Francisco) tomou a s\u00e9rio sua grande tarefa de continuidade do Conc\u00edlio, evidentemente com uma t\u00f4nica diferente. Roncalli (Jo\u00e3o XXIII) era pastor e Montini era personagem da C\u00faria. Nesse sentido, a an\u00e1lise do p\u00f3s-Conc\u00edlio merece uma reflex\u00e3o sobre os avan\u00e7os e os retrocessos dentro do pr\u00f3prio evento conciliar. Apesar das concess\u00f5es sobre a reforma da liturgia, a renova\u00e7\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica e o di\u00e1logo ecum\u00eanico com as outras Igrejas Crist\u00e3s, desejado por Jo\u00e3o XXIII, o Conc\u00edlio n\u00e3o teve um avan\u00e7o, mas sim uma estabilidade. Historicamente era muito cedo, apesar da janela aberta, para perceber na pr\u00e1tica cotidiana rela\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00f5es absolutas, abrindo a janela, portas, limpando o grande p\u00f3 dos m\u00f3veis e, principalmente, dos seus interiores. J\u00e1 era um grande passo para o di\u00e1logo com a modernidade. Algumas vezes tornou-se, novamente, mon\u00f3logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>8.3<\/strong> <strong>Paulo VI, reformador e incompreendido (1963-1978)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Paulo VI, Giovanni Battista Montini, nasceu em Concesio, pr\u00f3ximo \u00e0 Brescia, no ano de 1897. De fam\u00edlia abastada, sua m\u00e3e, muito cat\u00f3lica, era presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Feminina de Brescia; o pai era doutor em direito, escritor e fundador do di\u00e1rio \u201cIl cittadino de Brescia\u201d, foi presidente da Uni\u00e3o Eleitoral Cat\u00f3lica de Brescia e deputado no parlamento pelo Partido Popular, do qual era um dos fundadores. Ordenado sacerdote em 1920, Montini estudou direito eclesi\u00e1stico na Universidade Gregoriana (Roma) e ap\u00f3s um exame de admiss\u00e3o tornou-se professor por um curto per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de seus trabalhos na Secretaria de Estado da Santa S\u00e9, Montini foi nomeado arcebispo de Mil\u00e3o. No per\u00edodo de seu arcebispado em Mil\u00e3o (1955-1963), aproximou-se dos oper\u00e1rios, e das reivindica\u00e7\u00f5es da esquerda, que atuavam na sua arquidiocese, e tamb\u00e9m n\u00e3o se esqueceu dos que estavam afastados da Igreja. Um dos eventos de maior import\u00e2ncia que realizou em Mil\u00e3o foi a <em>Miss\u00e3o de Mil\u00e3o <\/em>(5-24 de novembro de 1957). Foi um enorme trabalho pastoral que envolveu toda a imensa cidade. Preparada durante dois anos, participaram 500 agentes de pastoral, dois cardeais, 24 bispos, e foram realizadas sete mil interven\u00e7\u00f5es e palestras nas igrejas, estabelecimentos industriais, entidades culturais. O tema central de todas as prega\u00e7\u00f5es foi Deus Pai. O arcebispo Montini participou diretamente dessas atividades atrav\u00e9s do r\u00e1dio, escritos e confer\u00eancias. Procurou implantar uma reforma pastoral favorecendo a renova\u00e7\u00e3o da liturgia e promovendo a constru\u00e7\u00e3o de novas igrejas. Consagrou 72 igrejas no per\u00edodo em que permaneceu em Mil\u00e3o. No momento de sua elei\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia, outras 19 igrejas estavam em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o, Paulo VI anunciava, atrav\u00e9s de uma mensagem radiof\u00f4nica, a sua inten\u00e7\u00e3o de continuar o Conc\u00edlio. Coordenou os tr\u00eas per\u00edodos seguintes do Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da Am\u00e9rica Latina, o papa recebeu den\u00fancias da situa\u00e7\u00e3o aviltante das popula\u00e7\u00f5es empobrecidas, que viviam em situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel e em grande parte debaixo de regimes ditatoriais funestos, apoiados pelo capitalismo \u201cdemocr\u00e1tico\u201d americano. O papa n\u00e3o ficou imune a essa situa\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando a enc\u00edclica <em>Populorum Progressio<\/em> (1967), que provocou grande debate nos meios eclesiais e fora dele, principalmente entre os conservadores da C\u00faria, que achavam que o papa havia excedido em suas coloca\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda, como, por exemplo, quando citou e questionou a supremacia da propriedade privada em detrimento dos direitos coletivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa publicou outras enc\u00edclicas, mas a que causou maiores discuss\u00f5es foi a <em>Humanae vitae <\/em>(1968). A enc\u00edclica tratava de um assunto altamente complexo para a sociedade: o controle de natalidade.\u00a0 Nunca uma enc\u00edclica provocou tantas pol\u00eamicas externas e internas. O texto trata da tem\u00e1tica da sexualidade humana. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que a sexualidade deve ser vista n\u00e3o como prazer animalesco. A incompreens\u00e3o do documento \u00e9, sobretudo, devido a uma leitura redutiva da enc\u00edclica, levando em considera\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o da p\u00edlula e ignorando outra parte altamente positiva: a fun\u00e7\u00e3o criativa da sexualidade, n\u00e3o s\u00f3 biol\u00f3gica, mas personal\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jerusal\u00e9m (1964), abra\u00e7ou com o patriarca Anten\u00e1goras o di\u00e1logo com todos os crist\u00e3os. No Congresso Eucar\u00edstico de Bombaim (\u00cdndia \u2013 1964), marcou presen\u00e7a no encontro com os fi\u00e9is cat\u00f3licos. Discursou na ONU (1965) diante de 117 delegados de diversos pa\u00edses, marcando assim o di\u00e1logo com a sociedade. Celebrou missa em F\u00e1tima, Portugal, em 1967, comemorando os 50 anos da apari\u00e7\u00e3o de Maria aos pastorzinhos. No Congresso Eucar\u00edstico de Bogot\u00e1 (1968), abriu a II Confer\u00eancia do Episcopado Latino-americano de Medell\u00edn, um encontro com os pobres do ent\u00e3o terceiro mundo. No encontro de ora\u00e7\u00e3o no Congresso Ecum\u00eanico das Igrejas em Genebra (1969), abra\u00e7a todos os irm\u00e3os crist\u00e3os de outras denomina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da colegialidade foi, para Paulo VI, fundamental, por estar ligada a outra que o preocupava, o ecumenismo. A essas quest\u00f5es internas se junta a grande quest\u00e3o que na atualidade ainda \u00e9 de enorme import\u00e2ncia e com a qual a institui\u00e7\u00e3o religiosa tem dificuldade de lidar: o di\u00e1logo com a sociedade. Para encaminhar estas quest\u00f5es tratadas no Vaticano II, o papa tinha consci\u00eancia que dentro da institui\u00e7\u00e3o havia dois polos opostos, em alta conflituosidade: novidade e tradi\u00e7\u00e3o, verdade e caridade, historicidade e perman\u00eancia, autoridade e liberdade, poder e fraternidade, superioridade e humildade, separa\u00e7\u00e3o do mundo e unidade com o mundo. Paulo VI tamb\u00e9m tinha plena consci\u00eancia que deveria conciliar esses bin\u00f4mios. Ainda importante destacar que esse pontificado teve in\u00edcio dentro de um per\u00edodo conciliar e sua continuidade dif\u00edcil nos primeiros anos de um p\u00f3s-Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo VI faleceu no dia 6 de agosto de 1978 em Castel Gandolfo, com 81 anos de idade. Foi sepultado na cripta da Bas\u00edlica S\u00e3o Pedro, numa tumba humilde, como ele mesmo pediu em seu testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 O santo criticado e seu continuador<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>9.1 Jo\u00e3o Paulo II (1978-2005)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karol Wojtyla, o papa Jo\u00e3o Paulo II, eleito em 1978 ap\u00f3s a morte repentina de Jo\u00e3o Paulo I, com 33 dias de pontificado, recebeu a heran\u00e7a espiritual deixada por Paulo VI e o esp\u00edrito pastoral do Vaticano II. Seu longo pontificado (1978-2005) \u00e9 marcado por diversos fatores, um deles \u00e9 o religioso. Incrementando esse car\u00e1ter religioso, o papa prop\u00f4s uma Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Escreveu 14 enc\u00edclicas (3 sociais) e outros documentos e catequeses. O C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (1983) e o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica foram o auge de um processo iniciado e enriquecido neste pontificado. Apresentou duras cr\u00edticas ao sistema totalit\u00e1rio comunista e ao capitalismo. Incentivou o ecumenismo e o di\u00e1logo inter-religioso. Visitou 114 pa\u00edses, arrebanhando multid\u00f5es. O jubileu, no ano 2000, foi uma grandiosa celebra\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0 nova evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pontificado de Wojtyla tamb\u00e9m sofreu cr\u00edticas, como as do jesu\u00edta brasileiro Jo\u00e3o Batista Lib\u00e2nio (2005) sobre o C\u00f3digo e o Catecismo, e se referem \u00e0s pontes que n\u00e3o criaram na continuidade ao Vaticano II. V\u00e1rios te\u00f3logos apresentaram suas observa\u00e7\u00f5es sobre o S\u00ednodo Extraordin\u00e1rio de 1985, convocado para avaliar o Vaticano II, mas visto, por\u00e9m, como um retorno ao pr\u00e9-conc\u00edlio. Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 criticado, apesar da afirma\u00e7\u00e3o da colegialidade, pela centraliza\u00e7\u00e3o, que tinha como pilar a C\u00faria Romana, com uma eclesiologia hier\u00e1rquica, desfavorecendo a concretiza\u00e7\u00e3o da Igreja Povo de Deus. S\u00e3o questionadas as restri\u00e7\u00f5es feitas \u00e0s mulheres nos diversos n\u00edveis ministeriais e a condena\u00e7\u00e3o de in\u00fameros te\u00f3logos. Renasce um autoritarismo e clericalismo durante o pontificado, ao contr\u00e1rio das diretrizes do Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa enfrentou diversos sofrimentos particulares relativos \u00e0 sua sa\u00fade, inclusive um atentado em 1981 em plena Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro. Sua sa\u00fade passou por muitos momentos de dificuldade, levando a um sofrimento geral dos fi\u00e9is nos \u00faltimos anos de seu pontificado. Uma multid\u00e3o acompanhou o seu longo vel\u00f3rio em Roma e pedia que fosse feito santo imediatamente. Sua canoniza\u00e7\u00e3o ocorreu em 2014, juntamente com Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>9.2 Bento XVI (2005-2013)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucessor de Jo\u00e3o Paulo II foi seu bra\u00e7o direito na C\u00faria Romana, o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, o cardeal alem\u00e3o Joseph Ratzinger. A escolha feita no conclave foi recebida com in\u00fameras reservas em \u00e2mbitos eclesi\u00e1sticos. Enfrentou diversas dificuldades e passar\u00e1 para a hist\u00f3ria como o papa te\u00f3logo e o que renunciou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 11 de fevereiro de 2013, na Cidade do Vaticano, na sala do Consist\u00f3rio, Bento XVI presidiu um consist\u00f3rio p\u00fablico para a canoniza\u00e7\u00e3o de beatos. Em seguida, continuou lendo uma breve declara\u00e7\u00e3o em latim que levava a sua assinatura e a data do dia anterior, na qual anunciava sua decis\u00e3o de renunciar ao pontificado por motivos de idade, comunicando que a S\u00e9 de Pedro ficaria vacante a partir das 20 horas do dia 28 de fevereiro. A declara\u00e7\u00e3o consta de 22 linhas, linhas destinadas a mudar a hist\u00f3ria da Igreja. Sua ren\u00fancia \u00e9 um grande gesto, que se tornar\u00e1 revolucion\u00e1rio. Bento XVI trouxe o papado para os tempos modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu pontificado foi extremamente dif\u00edcil. Carregado de obst\u00e1culos, ataques, crises, esc\u00e2ndalos (pedofilia) e tens\u00f5es no governo da C\u00faria romana, carreirismo, lutas internas. Seus poucos anos de pontificado foram marcados por outras situa\u00e7\u00f5es pol\u00eamicas: relacionamento com os bispos lefebvrianos; a autoriza\u00e7\u00e3o da missa em latim atrav\u00e9s do Motu Proprio <em>Summorum Pontificum<\/em> (2007), trazendo \u00e0 tona a ora\u00e7\u00e3o pela convers\u00e3o dos judeus; as discuss\u00f5es sobre as hermen\u00eauticas do Vaticano II; o discurso em Regensburg (Alemanha 2006); o caso Richard Williamson, da Fraternidade S\u00e3o Pio X, excomungado por Jo\u00e3o Paulo II e reabilitado pelo papa Ratzinger; as notifica\u00e7\u00f5es da Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9 para v\u00e1rios te\u00f3logos. Dentre eles est\u00e3o: Roger Haight, Jon Sobrino, Jacques Dupuis, Peter Phan, Torres Queiruga, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Pagola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Alguns projetos iniciados por Bento XVI foram paralisados, da \u201creforma da reforma\u201d da liturgia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com os lefebvrianos, passando pelo di\u00e1logo ecum\u00eanico. O caso Vatileaks, no \u00faltimo ano do pontificado, trouxe \u00e0 tona uma complexa realidade, certamente n\u00e3o limitada somente \u00e0 trai\u00e7\u00e3o do mordomo Paolo Gabriele, entregando documentos sigilosos a terceiros n\u00e3o autorizados, que foram depois publicados. Essa \u00e9 a conjuntura em que o papa Bento XVI renuncia e, ao mesmo tempo, \u00e9 o cen\u00e1rio de crise em que \u00e9 eleito Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco. Sua elei\u00e7\u00e3o (2013) parece evocar aquela vis\u00e3o de oito s\u00e9culos atr\u00e1s: \u201cVai Francisco, e restaura a minha Igreja em ru\u00ednas\u201d. Sua miss\u00e3o, outorgada pelos seus cardeais eleitores, \u00e9 a de mudar a arranhada imagem da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 O retorno ao Cristianismo: Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Eleito em 2013, Francisco \u00e9 o primeiro papa jesu\u00edta e latino-americano (Argentina) em 20 s\u00e9culos da Igreja cat\u00f3lica. Seu nome \u00e9 um programa de pontificado: proximidade com os pobres e compromisso de renova\u00e7\u00e3o da Igreja. O cardeal Bergoglio nasceu em 1936, no bairro de Flores, cora\u00e7\u00e3o de Buenos Aires. Em 1957, entra para a Companhia de Jesus. Seus anos de estudo de teologia e filosofia se deram na Argentina e no Chile. Em dezembro de 1969, foi ordenado padre. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defini-lo como um grande carreirista, foi prior provincial dos jesu\u00edtas na Argentina de 1973 a 1979. Entre 1980 e 1986, foi reitor da Faculdade de Teologia em San Miguel. No ano de 1992, foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Buenos Aires, guiada pelo ent\u00e3o cardeal Ant\u00f4nio Quarracino. A partir de 1998, com a morte de Quarracino, Bergoglio ser\u00e1 o novo arcebispo de Buenos Aires. Foi criado cardeal por Jo\u00e3o Paulo II em 2001. Na tarde de 13 de mar\u00e7o de 2013, na Capela Sistina, cidade do Vaticano, \u00e0s 16h30, na quarta vota\u00e7\u00e3o, \u00e9 eleito o novo papa. Francisco ter\u00e1 pela frente uma miss\u00e3o imensa, n\u00e3o s\u00f3 pelo servi\u00e7o em si, mas pelas enormes dificuldades que a institui\u00e7\u00e3o vive neste contexto. S\u00e3o desafios que o papa jesu\u00edta sabe bem; \u00e9 importante plantar a semente, mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio colher os frutos no tempo presente. Afirma Francisco: \u201cdesconfio das decis\u00f5es tomadas de modo repentino\u201d (SPADARO, 2013, p.11). Nesse primeiro ano de pontificado, foi lan\u00e7ada a enc\u00edclica <em>Lumen Fidei, <\/em>iniciada por Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de neoliberalismo, nada \u00e9 t\u00e3o atual quanto elaborar ensinamentos sociais em situa\u00e7\u00f5es sempre novas e a\u00ed anunci\u00e1-los prof\u00e9tica e criticamente. O papa Francisco, preocupado com a tarefa incompleta do Vaticano II e em andamento, afirma que o mandamento n\u00e3o matar p\u00f5e um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim, hoje, devemos dizer \u201cn\u00e3o \u00e0 economia da exclus\u00e3o e da desigualdade social\u201d (<em>Evangelii Gaudium<\/em> n.53)<em>.<\/em> A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica do papa, <em>Evangelii Gaudium<\/em>, publicada em 2013, j\u00e1 causou enorme debate mundo afora. De um lado, muitos analisam o documento como um grande passo na quest\u00e3o social, mas, por outro lado, empres\u00e1rios, especialmente americanos, ficaram extremamente descontentes com as cr\u00edticas feitas ao capitalismo. Cr\u00edticas que Jo\u00e3o Paulo II j\u00e1 havia realizado. Na exorta\u00e7\u00e3o, Francisco denuncia que \u201co ser humano \u00e9 considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lan\u00e7ar fora\u201d (EG n.53)<em>. <\/em>Portanto, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, uma necessidade de atualizar o Vaticano II, valorizando a dignidade da pessoa e dizendo, sem medos, um enorme n\u00e3o \u00e0 sacraliza\u00e7\u00e3o do mercado. N\u00e3o a um dinheiro que governa ao inv\u00e9s de servir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que o papa est\u00e1 realizando foi um sonho de Jo\u00e3o XXIII, ou seja, que a Igreja sa\u00edsse do Vaticano II e ficasse bem pr\u00f3xima dos pobres, de modo que esses se sentissem em casa no seu seio, mas, no acervo documental do Conc\u00edlio, os pobres se perdem. Os empobrecidos n\u00e3o podem sair da \u00f3tica de uma Igreja que segue as inspira\u00e7\u00f5es do Vaticano II. Este tema \u00e9 evangelicamente sempre atual, embora muitas vezes tenha sido silenciado na sociedade e mesmo no interior da Igreja, em determinados setores eclesi\u00e1sticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa tem demonstrado sua capacidade de se relacionar com os judeus, os isl\u00e2micos e com outros de diversas denomina\u00e7\u00f5es religiosas, na perspectiva de uma eclesiologia mission\u00e1ria: Igreja em sa\u00edda, voltada para a sociedade e a servi\u00e7o da humanidade. Igreja que saiba escutar e realizar a urgente encultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, encultura\u00e7\u00e3o que foi obstaculizada nos \u00faltimos anos pela centraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um evento hist\u00f3rico e emblem\u00e1tico do in\u00edcio de seu pontificado foi a celebra\u00e7\u00e3o da XXVIII Jornada Mundial da Juventude (julho de 2013), no Rio de Janeiro \u2013 Brasil. Seus discursos, homilias, gestos e a presen\u00e7a imensa de fi\u00e9is revelaram o relacionamento que j\u00e1 marca esse pontificado: pr\u00f3ximo do povo, n\u00e3o s\u00f3 no discurso mas tamb\u00e9m em uma sadia rebeldia diante de sua seguran\u00e7a pessoal. Visitou periferias da cidade maravilhosa e celebrou no Santu\u00e1rio de Aparecida do Norte, em S\u00e3o Paulo. Encontrou com argentinos na Catedral de S\u00e3o Sebasti\u00e3o no Rio de Janeiro. Por onde passou deixou um sinal diferente do bispo de Roma, no caminho de Assis em busca de reformas da Igreja e de uma Igreja mission\u00e1ria. Nesse mesmo ano visitou ainda, na It\u00e1lia, Cagliari, Assis e a emblem\u00e1tica ida a Lampedusa e seu pronunciamento diante da trag\u00e9dia global da imigra\u00e7\u00e3o e das in\u00fameras mortes no mar, especialmente o naufr\u00e1gio de africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa visitou, em 2014, a Turquia, Tirana (Alb\u00e2nia), o Parlamento Europeu, a Coreia do Sul e a Terra Santa. Na It\u00e1lia, realizou visitas em 2014: Redipuglia, Caserta, Campobasso e Boiano, Isernia-Vesafro e Cassano allo Jonio. Convocou e participou do S\u00ednodo Extraordin\u00e1rio sobre a Fam\u00edlia em 2014, que teve sua continuidade e t\u00e9rmino em outubro de 2015. Em 2015, visitou as Filipinas, onde mais de 6 milh\u00f5es de pessoas compareceram \u00e0 missa realizada em Manila, e o Sri Lanka; Equador, Bol\u00edvia, Paraguai, B\u00f3snia, Cuba e Estados Unidos e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). E ainda \u00a0em novembro visitou o Qu\u00eania, Uganda e Rep\u00fablica Centro Africana. Na It\u00e1lia, j\u00e1 visitou, em 2015, Prato, Floren\u00e7a, Turim, Pomp\u00e9ia e N\u00e1poles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando insisto na fronteira, de modo particular, refiro-me \u00e0 necessidade de o homem da cultura estar inserido no contexto em que opera e sobre o qual reflete. Est\u00e1 sempre \u00e0 espreita o perigo de viver em um laborat\u00f3rio\u201d e ainda continua Francisco afirmando que \u201cnossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9-laborat\u00f3rio, mas uma f\u00e9-caminho, uma f\u00e9 hist\u00f3rica. Deus revelou-Se como hist\u00f3ria, n\u00e3o como um comp\u00eandio de verdades abstratas\u2026\u00e9 preciso viver na fronteira\u201d (SPADARO, 2013, p.33-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra enc\u00edclica de 2015, <em>Laudato Si\u2019 \u2013 <\/em>\u201cLouvado Sejas, sobre o cuidado da casa comum\u201d, o papa oferece uma grandiosa reflex\u00e3o para os debates sobre a tem\u00e1tica da ecologia integral. O texto apresenta uma an\u00e1lise do que est\u00e1 acontecendo no planeta (polui\u00e7\u00e3o, clima, \u00e1gua, biodiversidade, deteriora\u00e7\u00e3o da vida e degrada\u00e7\u00e3o social). Em seguida, trata da Cria\u00e7\u00e3o e aborda a quest\u00e3o da raiz humana da crise ecol\u00f3gica. \u00c9, sem d\u00favida, um documento do magist\u00e9rio que apresenta enorme contribui\u00e7\u00e3o e cr\u00edticas ao sistema econ\u00f4mico gerador das crises da integralidade ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua bula <em>Misericordiae Vultus<\/em> (2015), convida para a realiza\u00e7\u00e3o do Ano Santo do Jubileu extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia a ser realizado entre 8 de dezembro de 2015 (festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o) e 20 de novembro de 2016 (festa de Cristo Rei).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ney de Souza,\u00a0<\/em>PUC S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11. Refer\u00eancia<\/strong><strong>s bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALBERIGO, G. <em>\u00c2ngelo Jos\u00e9 Roncalli.<\/em> Jo\u00e3o XXIII. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Formazione, contenuto e fortuna dell\u2019allocuzione. In: <em>Fede Tradizione Profezia.<\/em> Brescia: Paidea, 1984, p.187-222.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______ (Org.). <em>Hist\u00f3ria dos Conc\u00edlios Ecum\u00eanicos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Il pontificato di Giovanni XXIII. In: FLICHE, A.; MARTIN, V. (dir.). <em>Storia dela Chiesa. <\/em>XXXV\/1, Milano, San Paolo, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. La condenaci\u00f3n de los comunistas en 1949. In: <em>Concilium <\/em>107 (1975). p.114-22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BASTANTE, J.; VIDAL, J. M. <em>Francisco o novo Jo\u00e3o XXIII.<\/em> Jorge Mario Bergoglio, o primeiro pont\u00edfice americano para uma nova primavera da Igreja. Petr\u00f3polis: Vozes, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00c1RCEL, V. <em>Historia de la Iglesia.<\/em> III. La Iglesia em la \u00e9poca contempor\u00e2nea.\u00a0 Madrid: Ediciones Palabra, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DREHER, M. N. <em>A Igreja latino-americana no contexto mundial.<\/em> S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ENGLISCH, A. <em>Francisco o papa dos humildes.<\/em> S\u00e3o Paulo: Universo dos Livros, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FLICHE, A.; MARTIN, V. (orgs.). <em>Storia della Chiesa.<\/em> XXV\/1. La Chiesa del Vaticano II (1958-1978). Milano: San Paolo, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO<strong>. <\/strong><em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium.<\/em> A Alegria do Evangelho. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOBSBAWN, E. <em>Era dos Extremos.<\/em> O breve s\u00e9culo XX (1914-1991). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LABOA, J. M. <em>Historia de la Iglesia cat\u00f3lica.<\/em> V. Idade Contempor\u00e2nea. Madrid: BAC, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIBANIO, J. B. <em>Igreja contempor\u00e2nea.<\/em> Encontro com a modernidade. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEVILLAIN, Philippe (Dir.). <em>Dizionario Storico del Papato. <\/em>Bompiani: Milano, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARTINA, G. <em>La Chiesa nell\u2019et\u00e1 del totalitarismo.<\/em> V. 4. Brescia: Morcelliana, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>La Chiesa nell\u2019Et\u00e1 del Liberalismo.<\/em> V. 3. Brescia: Morcelliana, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MATOS, H. C. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria da Igreja.<\/em> V. 2. Belo Horizonte: O Lutador, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MONDIN, B. <em>Dizionario Enciclopedico dei Papi.<\/em> Storia e insegnamenti. Roma: Citt\u00e0 Nuova, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00c9R\u00c9, J. <em>Hist\u00f3ria contempor\u00e2nea.<\/em> Rio de Janeiro: Difel, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POLITI, M. <em>Joseph Ratzinger crisi de um papato.<\/em> Roma-Bari: Laterza, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POTEST\u00c0, G. L.; VIAN, G. <em>Hist\u00f3ria do Cristianismo.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUZA, N.; GON\u00c7ALVES, P. S. L. <em>Catolicismo e sociedade contempor\u00e2nea.<\/em> Do Conc\u00edlio Vaticano I ao contexto hist\u00f3rico-teol\u00f3gico do Conc\u00edlio Vaticano II. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Contexto e desenvolvimento hist\u00f3rico do Vaticano II. In: BOMBONATO, V.; GON\u00c7ALVES, P. S. L. <em>Concilio Vaticano II.<\/em> An\u00e1lise e prospectivas. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPADARO, A. <em>Entrevista exclusiva do papa Francisco.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus \u2013 Loyola, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TILLARD, Jean-Marie. O relat\u00f3rio final do S\u00ednodo de 1985. In: <em>Concilium <\/em>208 (1986) 725-38.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TORNIELLI, A. <em>Bento XVI o guardi\u00e3o da f\u00e9.<\/em> Biografia. S\u00e3o Paulo: Record, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZAGHENI, G. <em>A idade contempor\u00e2nea.<\/em> Curso de Hist\u00f3ria da Igreja. IV. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Revolu\u00e7\u00e3o francesa e a Igreja cat\u00f3lica 1.1 Revolu\u00e7\u00e3o inspirada no iluminismo 2 Catolicismo e o processo de restaura\u00e7\u00e3o (1814-1846) 2.1 Restaura\u00e7\u00e3o, um conceito 2.2 Estrat\u00e9gia agressiva contra a modernidade 3 Catolicismo e o combate ao liberalismo (1846-1878) 4 Quest\u00e3o social e o catolicismo 4.1 Le\u00e3o XIII (1878-1903) e a quest\u00e3o social 4.2 Rerum [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1357"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1358,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions\/1358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}