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{"id":1343,"date":"2016-12-29T18:54:59","date_gmt":"2016-12-29T20:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1343"},"modified":"2016-12-29T18:54:59","modified_gmt":"2016-12-29T20:54:59","slug":"aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1343","title":{"rendered":"Aborto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>2 O aborto numa Igreja Mestra e M\u00e3e<\/p>\n<p>3 A Igreja Mestra: defender a vida<\/p>\n<p>4 A Igreja M\u00e3e: crescer na acolhida<\/p>\n<p>5 Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aborto, compreendido como retirar o feto antes que ele tenha condi\u00e7\u00f5es de sobreviver fora do \u00fatero, \u00e9 um dos temas mais debatidos na hist\u00f3ria da Igreja e continua a dividir opini\u00f5es nos nossos dias. \u00c9 necess\u00e1rio explicitar que quando se trata do aborto no contexto da reflex\u00e3o moral e \u00e9tica refere-se, evidentemente, ao aborto provocado. O aborto espont\u00e2neo, que ocorre por in\u00fameras causas, n\u00e3o implica em quest\u00f5es morais, por mais doloroso que possa ser para as pessoas envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem do tema no \u00e2mbito da teologia se torna necess\u00e1ria, para que possamos ter uma vis\u00e3o mais complexa da problem\u00e1tica. Gostar\u00edamos de ir al\u00e9m da dicotomia pobre que se instalou sobre o assunto: \u201cser contra ou a favor\u201d. Certamente o alerta de Bernard H\u00e4ring, j\u00e1 pronunciado h\u00e1 quadro d\u00e9cadas, \u00e9 bastante atual e prop\u00edcio \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica nos nossos dias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condena\u00e7\u00e3o da Igreja ao aborto \u00e9 plenamente aceit\u00e1vel apenas se ao mesmo tempo todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis forem feitos para eliminar as causas principais do aborto. Estes esfor\u00e7os deveriam incluir uma verdadeira aplica\u00e7\u00e3o pastoral da doutrina, bem como todo tipo de a\u00e7\u00e3o social em favor daqueles que s\u00e3o especialmente expostos ao perigo de \u201cresolver\u201d seus dif\u00edceis problemas pelo aborto (1970, p.35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicamos recentemente artigos que abordaram a tem\u00e1tica do aborto numa perspectiva pastoral<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> onde apontamos que uma vis\u00e3o mais completa da posi\u00e7\u00e3o da Igreja sobre o aborto \u00e9 poss\u00edvel se o fizermos numa dupla perspectiva: a posi\u00e7\u00e3o da Igreja Mestra e a posi\u00e7\u00e3o da Igreja M\u00e3e. A proposta n\u00e3o sugere um conflito entre estas duas posi\u00e7\u00f5es, mas mostra que toda vez que uma \u00e9 enfatizada em detrimento da outra, o ensinamento da Igreja sobre o assunto fica gravemente lesado. \u00a0Entendemos que a falta de uma vis\u00e3o conjunta destas posi\u00e7\u00f5es se d\u00e1 porque o aborto n\u00e3o tem sido pensado numa dimens\u00e3o pastoral, ou seja, isto reflete a dificuldade de percebermos que quando discutimos o aborto estamos avaliando duas realidades: o ato em si e a pessoa que o praticou. Estas realidades s\u00e3o diferentes: uma coisa \u00e9 avaliar a moralidade do ato do aborto, outra coisa \u00e9 pensar qual a melhor postura pastoral frente \u00e0 pessoa que praticou o ato e que est\u00e1 inserida em condi\u00e7\u00f5es sociais, hist\u00f3ricas e pessoais bem determinadas. Precisamos estar atentos ao fato de que na teologia cat\u00f3lica distinguimos o n\u00edvel da teologia moral e o n\u00edvel pastoral (H\u00c4RING, 1970, p. 139).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O aborto numa Igreja Mestra e M\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordar estas duas realidades \u00e9 extremamente importante para se fazer justi\u00e7a \u00e0 vis\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica perante o aborto. Para isto, destacamos que a Igreja muitas vezes se apresenta como Mestra e M\u00e3e<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>: como mestra ela ensina com fidelidade a mensagem que recebeu de seu fundador e n\u00e3o poder\u00e1 ser condescendente com verdades de ocasi\u00e3o; como m\u00e3e ela est\u00e1 ciente dos conflitos e condicionamentos que envolvem a vida dos seus filhos e filhas e n\u00e3o assume uma atitude de condena\u00e7\u00e3o, ciente de que essa atitude n\u00e3o os ajudaria a crescer e a cumprir a elevada miss\u00e3o a que s\u00e3o chamados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, percebemos que \u00e9 poss\u00edvel indicar \u2013 e o faremos a seguir \u2013 que a Igreja compreende que a quest\u00e3o do aborto, na maioria das vezes, n\u00e3o \u00e9 um ato de uma pessoa isolada, mas de uma rede de rela\u00e7\u00f5es, e que, portanto, antes de culpar a mulher, a Igreja atribui a responsabilidade do aborto ao homem e ao meio social, principalmente numa sociedade machista, hedonista, permissiva e agressiva contra a mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos propondo, portanto, que apresentar uma vis\u00e3o completa sobre o aborto na Igreja s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir deste delicado equil\u00edbrio: rejeitar com firmeza o ato em si e acolher com miseric\u00f3rdia a mulher que praticou o ato. Por um lado, a miseric\u00f3rdia crist\u00e3 n\u00e3o poder\u00e1 ser confundida com falsa piedade. Ela significa todo o empenho em buscar a \u201covelha desgarrada\u201d e n\u00e3o construir mecanismos de justifica\u00e7\u00e3o para deix\u00e1-la na exclus\u00e3o. Significa pronto acolhimento de todos que buscam o perd\u00e3o e n\u00e3o negar a gravidade do conflito. Por outro lado, a miseric\u00f3rdia na Igreja n\u00e3o pode ser vista como algo que os fortes dispensam aos fracos, assumindo a postura daqueles que, na sociedade, t\u00eam o poder de distribuir privil\u00e9gios. Levar a boa nova aos pobres (Lc 7,22) \u00e9 a ess\u00eancia da miss\u00e3o da Igreja e n\u00e3o podemos amaciar a for\u00e7a prof\u00e9tica do Evangelho, pois se de fato buscamos o Reino precisamos nos colocar a servi\u00e7o dos exclu\u00eddos, cientes de que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre comunit\u00e1ria, como nos afirma Bento XVI: \u201cNingu\u00e9m vive s\u00f3. Ningu\u00e9m peca sozinho. Ningu\u00e9m se salva sozinho\u201d (<em>Spe Salvi<\/em> n.48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A Igreja Mestra: defender a vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o da Igreja sobre o aborto \u2013 nesta perspectiva do que estamos chamando de Igreja Mestra \u2013 tem sido muito bem definida nos pronunciamentos recentes do Magist\u00e9rio. Pio XI, em 1930, na Enc\u00edclica <em>Casti Connubii<\/em>, assinala que algumas pessoas exigiam o aborto como direito da mulher, enquanto outras o consideravam aceit\u00e1vel para salvar a vida da m\u00e3e ou como controle populacional. O Pont\u00edfice afirma que a vida da m\u00e3e e do filho s\u00e3o igualmente sagradas e ningu\u00e9m, nem sequer a autoridade p\u00fablica, pode ter o direito de destru\u00ed-las, rejeitando, portanto, os argumentos que pretendiam justificar o aborto nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grisez (1972) em sua grandiosa obra sobre o aborto, enfatiza que tamb\u00e9m Pio XII repete incansavelmente a doutrina cat\u00f3lica tradicional \u2013 aos m\u00e9dicos, bi\u00f3logos, parteiras e pol\u00edticos de seu tempo \u2013 recha\u00e7ando a morte direta do feto, dizendo que nunca se pode suprimir a vida de um inocente e que a paz social depende da inviolabilidade da vida humana. Pio XII recusa o \u201cou a m\u00e3e ou o filho\u201d em favor de ambos, \u201ca m\u00e3e e o filho\u201d. Levar isto a cabo pertence \u00e0 t\u00e9cnica m\u00e9dica; quando essa n\u00e3o consegue, h\u00e1 de recorrer \u00e0 divina provid\u00eancia e n\u00e3o \u00e0 escolha humana de uma vida em prefer\u00eancia \u00e0 outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se precisa escolher entre a vida da m\u00e3e ou do filho, a teologia moral tradicional claramente distinguiu o aborto direto e indireto, condenando o primeiro e aceitando o segundo. No entanto, aborto indireto pode ser l\u00edcito apenas quando n\u00e3o se trata de um aborto no sentido moral. Os casos aceitos sem questionamento t\u00eam sido a gravidez ect\u00f3pica ou tub\u00e1ria \u2013 quando a gravidez se localiza fora da cavidade uterina, que \u00e9 a sede normal de sua implanta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento \u2013 e os casos em que o \u00fatero precisa ser retirado por alguma doen\u00e7a, como c\u00e2ncer. Nesses casos, o objetivo da a\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 a sa\u00fade da m\u00e3e, e o aborto ocorre como efeito secund\u00e1rio. Por outro lado, Noonan observa que o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida ser\u00e1 sempre um ato de generosidade, fruto da liberdade e nunca uma obriga\u00e7\u00e3o moral (NOONAN JR, 1970, p. xi).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II aborda diretamente a quest\u00e3o do aborto. A Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> se refere a ele em duas situa\u00e7\u00f5es: no n\u00famero 27 o aborto aparece entre os crimes contra a pessoa humana, ao lado de homic\u00eddio e outros crimes. No n\u00famero 51 a outra refer\u00eancia ao aborto est\u00e1 no contexto do matrim\u00f4nio e indica formalmente que o aborto \u00e9 um crime desde o momento da concep\u00e7\u00e3o, num di\u00e1logo claro com o conhecimento cient\u00edfico atual e abandonando as distin\u00e7\u00f5es entre embri\u00e3o inanimado ou animado \u2013 muitas vezes presente nos debates sobre o aborto ao longo da hist\u00f3ria (<em>GS<\/em>, n.51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1968, Paulo VI repetiu a condena\u00e7\u00e3o tradicional ao aborto na <em>Humanae Vitae<\/em>, e Jo\u00e3o Paulo II se torna o papa que vai enfatizar a posi\u00e7\u00e3o da Igreja sobre o assunto, se pronunciando sobre o tema em v\u00e1rios momentos do seu pontificado e mais claramente na Enc\u00edclica <em>Evangelium Vitae<\/em> (<em>EV<\/em>) onde o aborto \u00e9 classificado como crime abomin\u00e1vel (n.58), numa clara refer\u00eancia ao mandamento divino: n\u00e3o matar\u00e1s (Dt 5,17). Nesse documento, Jo\u00e3o Paulo II se expressa \u2013 com toda consci\u00eancia e responsabilidade de um sucessor de Pedro: \u201cdeclaro que o aborto direto, isto \u00e9, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente\u201d (<em>EV<\/em> n.62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos aspectos da vis\u00e3o da Igreja que a sociedade nem sempre compreende \u00e9 que, juntamente com o conceito de que a vida \u00e9 dom, tamb\u00e9m a dignidade humana \u00e9 gratuidade. A vida \u00e9 dom e o reconhecimento de seu valor se funda no fato ser um dom de Deus, aspecto muito destacado no Documento de S\u00e3o Domingos (SD n.215). O valor de cada pessoa se funda no modo como o pr\u00f3prio Deus a cria: como imagem e semelhan\u00e7a sua (Gn 1,27). Exatamente por isso a dignidade n\u00e3o \u00e9 uma conquista humana, n\u00e3o \u00e9 algo que se acrescenta, se perde ou se ganha, mas \u00e9 gratuidade e se estabelece no simples existir de cada ser humano, pois cada um existe por um gesto do Criador que o chama \u00e0 exist\u00eancia. O mist\u00e9rio da pessoa de Jesus Cristo \u2013 humano e divino \u2013 coloca um fundamento ainda mais palp\u00e1vel para a dignidade humana, pois cada ser humano \u00e9 co-humano com todos os outros humanos e igualmente co-humano com Cristo, destinado a participar da vida divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de conhecimento geral na teologia que esta posi\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio da Igreja no s\u00e9culo XX sobre o aborto \u00e9 fruto de uma longa e bem definida tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sobre o assunto. Por fim, esta posi\u00e7\u00e3o da Igreja Mestra representa uma for\u00e7a prof\u00e9tica nos nossos tempos onde o valor da vida humana passa por um processo de relativiza\u00e7\u00e3o. A legaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 causa e fruto de uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica na sociedade atual, onde o bem estar de alguns se consegue \u00e0s custas de sacrif\u00edcios de muitos. \u00c9 bom destacar que a posi\u00e7\u00e3o da Igreja n\u00e3o \u00e9 isolada, pois muitas outras Igrejas crist\u00e3s e outras religi\u00f5es assumem conjuntamente a posi\u00e7\u00e3o de que o aborto \u00e9 inaceit\u00e1vel e configura um grave problema moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A Igreja M\u00e3e: crescer na acolhida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo estudo dos documentos da Igreja que revela uma clara posi\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o do aborto tamb\u00e9m indica que a Igreja manifesta claramente a sua preocupa\u00e7\u00e3o pastoral ao explicitar uma posi\u00e7\u00e3o de acolhida \u00e0s pessoas que praticaram o aborto. Por mais que esta postura da Igreja \u2013 que chamamos aqui de Igreja M\u00e3e \u2013 esteja expressa em in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio, as nossas sociedades parecem n\u00e3o receber esta mensagem com clareza, ou talvez n\u00e3o estejamos insistindo tamb\u00e9m nessa perspectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para desenvolver a posi\u00e7\u00e3o que revela essa Igreja M\u00e3e, podemos iniciar por um recente documento da Igreja na Am\u00e9rica Latina e Caribe \u2013 o Documento de Aparecida (DAp) \u2013 que \u00a0em sintonia com o Sumo Pont\u00edfice, exorta todos a \u201cacolher com miseric\u00f3rdia aquelas que abortaram, para ajud\u00e1-las a curar suas graves feridas e convid\u00e1-las a ser defensoras da vida\u201d (n.469). Esta exorta\u00e7\u00e3o a \u201cacolher com miseric\u00f3rdia aquelas que abortaram\u201d nasce da compreens\u00e3o que a mulher que praticou o aborto muitas vezes \u00e9 uma v\u00edtima \u2013 e como tal ela sofre com a situa\u00e7\u00e3o, mais do que a promove \u2013 ou se torna uma v\u00edtima de seu ato ao pratic\u00e1-lo. \u201cO aborto faz duas v\u00edtimas: por certo a crian\u00e7a, mas tamb\u00e9m a m\u00e3e\u201d (n.469). A Igreja na Am\u00e9rica Latina tem consci\u00eancia de que oferece um \u201cservi\u00e7o de caridade\u201d (n.98) aos povos deste Continente e, em situa\u00e7\u00f5es concretas, precisa ser r\u00e1pida em prestar servi\u00e7o e lenta no julgamento, manifestando ci\u00eancia de que est\u00e1 inserida num contexto dram\u00e1tico, pois se estima que na Am\u00e9rica Latina e no Caribe ocorram anualmente 18 milh\u00f5es de gesta\u00e7\u00f5es, sendo que, dessas, 23% terminam em abortamento e no Brasil o \u00edndice estimado \u00e9 de 31% (BRASIL, 2005, p.7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Jo\u00e3o Paulo II, no mesmo documento onde confirma a posi\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o do aborto, a <em>Evangelium Vitae,<\/em> demonstra conhecimento do drama em torno do mesmo, assumindo a face da Igreja M\u00e3e, e assim se expressa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pensamento especial quereria reserv\u00e1-lo para v\u00f3s, <em>mulheres, que recorrestes ao aborto. <\/em>A Igreja est\u00e1 a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influ\u00eddo sobre a vossa decis\u00e3o, e n\u00e3o duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decis\u00e3o dif\u00edcil, talvez dram\u00e1tica. Provavelmente a ferida no vosso esp\u00edrito ainda n\u00e3o est\u00e1 sarada (<em>EV<\/em> n.99).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faz isto sem negar a crueldade do aborto, mas como um servi\u00e7o de caridade que acolhe e promove as pessoas, oferecendo-lhes o bem mais precioso da Igreja, o perd\u00e3o, num momento em que elas precisam de \u00e2nimo e esperan\u00e7a: \u201co Pai de toda a miseric\u00f3rdia espera-vos para vos oferecer o seu perd\u00e3o e a sua paz no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d (<em>EV<\/em> n.99). Esta posi\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio da Igreja reafirma um ponto central da moral cat\u00f3lica em sua preocupa\u00e7\u00e3o pastoral, que faz a distin\u00e7\u00e3o entre a moralidade do ato praticado e a pessoa que o praticou, rejeitando o erro e acolhendo as pessoas. A atitude de acolhida \u00e0 mulher que praticou o aborto pode se tornar uma medida eficaz contra o aborto, pois h\u00e1 estudo que indica que dentre as mulheres que praticaram aborto 12% j\u00e1 haviam feito aborto antes (ASANDI; BRAZ, 2010, p.135).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Igreja v\u00ea a mulher que pratica o aborto como v\u00edtima, ela manifesta uma clara percep\u00e7\u00e3o da realidade social que promove uma cultura da morte (<em>EV<\/em> n.12) com situa\u00e7\u00f5es viciadas por uma cultura de \u201cpermissividade hedonista e de machismo agressivo\u201d. \u00c9 nesse contexto que Jo\u00e3o Paulo II se pronuncia tamb\u00e9m na Carta \u00e0s Mulheres: \u201cNestas condi\u00e7\u00f5es, a escolha do aborto, que permanece sempre um pecado grave, antes de ser uma responsabilidade atribu\u00edvel \u00e0 mulher, \u00e9 um crime que deve ser imputado ao homem e \u00e0 cumplicidade do ambiente circundante\u201d (CM n.5). Esse pronunciamento de Jo\u00e3o Paulo II demonstra que a Igreja tem uma vis\u00e3o da complexidade dos contextos sociais que levam ao aborto, e indica que atribuir a responsabilidade do aborto primeiramente \u00e0 mulher que abortou seria injusto, e refletiria uma vis\u00e3o reducionista que ocultaria \u2013 e ocultando inocenta \u2013 os outros agentes morais envolvidos na problem\u00e1tica do aborto. Aqui a Igreja, e junto com ela muitos movimentos feministas, se perguntam: Onde est\u00e1 o homem? Ou ser\u00e1 que a mulher engravidou sozinha? Qual a atitude do homem quando soube que sua companheira estava gr\u00e1vida? O aborto come\u00e7a a ocorrer quando um homem n\u00e3o assume a paternidade e diz para sua companheira que \u201cisto \u00e9 problema dela\u201d. Esta fuga da responsabilidade por parte do homem tem sido denunciada por estudiosos na Am\u00e9rica Latina (PESSINI e BARCHIFONTAINE, 1997, p.266) e o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Paulo II deixa claro que a responsabilidade do aborto \u2013 em tal situa\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 antes atribu\u00edvel a este homem do que \u00e0 mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mais escandaliza a sociedade brasileira atual no contexto da discuss\u00e3o sobre o aborto \u00e9 o inaceit\u00e1vel n\u00famero de casos de viol\u00eancia sexual contra as mulheres \u2013 infelizmente um dado tamb\u00e9m presente em outras sociedades. Entre as causas do abortamento est\u00e1 a viol\u00eancia de g\u00eanero e, particularmente, a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Esse tem sido o motivo que leva muitas mulheres a procurar o aborto: quando a consequ\u00eancia do estupro \u00e9 uma gravidez indesejada, o que, conforme estudos indicam, \u00e9 tamb\u00e9m uma das causas de mortalidade materna (MARSTON e CLELAND, 2004, p.15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras passagens dos documentos da Igreja j\u00e1 demonstravam o reconhecimento de que a mulher, muitas vezes, aborta sobre press\u00e3o. \u201cA mulher, n\u00e3o raro, \u00e9 sujeita a press\u00f5es t\u00e3o fortes que se sente psicologicamente constrangida a ceder ao aborto\u201d (<em>EV<\/em> n.59).\u00a0 Esse trecho n\u00e3o se refere exclusivamente ao caso de estupro, mas, certamente sofrer viol\u00eancia sexual \u00e9 um forte fator que constrange a mulher a \u201cceder ao aborto\u201d, lembrando a reflex\u00e3o da teologia moral que reconhece que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es onde a pessoa se torna incapaz de lidar com certos imperativos morais. A passagem da <em>Evangelium Vitae<\/em> tamb\u00e9m conclui que, nesses casos, a responsabilidade moral do aborto \u201cpesa particularmente sobre aqueles que direta ou indiretamente a for\u00e7aram a abortar\u201d (n.59).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa fala tamb\u00e9m da responsabilidade do \u201cambiente circundante\u201d \u2013 e assim traz para o contexto do debate sobre o aborto, o papel da fam\u00edlia, da comunidade e do Estado<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. A fam\u00edlia \u2013 principalmente os pais da mulher e do homem que praticam o aborto \u2013 pode assumir atitudes irrespons\u00e1veis frente \u00e0 not\u00edcia de uma gravidez: indiferen\u00e7a, n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o, rejei\u00e7\u00e3o e at\u00e9 press\u00e3o para que o aborto ocorra para salvar a honra da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u2013 como comunidade \u2013 est\u00e1 chamando a si tamb\u00e9m a responsabilidade e quer desenvolver em seu seio uma postura que possibilite de fato \u201capoiar e acompanhar pastoralmente e com especial ternura e solidariedade as mulheres que decidiram n\u00e3o abortar\u201d (DAp, n.469), esperan\u00e7osa que o desenvolvimento da acolhida com ternura e solidariedade leve muitas mulheres a n\u00e3o \u201cceder ao aborto\u201d. O acolhimento com miseric\u00f3rdia daquelas que abortaram pode criar, nelas, condi\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o abortem novamente. Mais ainda, a Igreja acredita que elas possam se tornar agentes de pastoral em nossas comunidades, como aut\u00eanticas \u201cdefensoras da vida\u201d (DAp, n.469).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta mesma perspectiva de miseric\u00f3rdia tem sido a orienta\u00e7\u00e3o principal assumida pelo papa Francisco no seu pontificado. J\u00e1 na <em>Evangelii Gaudium <\/em>ele insiste que a \u201cIgreja \u00e9 chamada a ser sempre a casa aberta do Pai\u201d (<em>EG<\/em> n.47), posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m assumida pastoralmente na Carta por ocasi\u00e3o do jubileu extraordin\u00e1rio da miseric\u00f3rdia de 2015, em que a quest\u00e3o do aborto foi enfatizada e o papa concede a \u201ctodos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de cora\u00e7\u00e3o, pedirem que lhes seja perdoado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Indicamos que a posi\u00e7\u00e3o da Igreja Mestra e M\u00e3e convida \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Esta constata\u00e7\u00e3o de que a Igreja assume uma posi\u00e7\u00e3o de Mestra e M\u00e3e em rela\u00e7\u00e3o ao aborto nos desafia a pensar de modo propositivo o papel de cada um em sua fam\u00edlia e em sua comunidade. Visto que estamos evitando reduzir nossas possibilidades a uma posi\u00e7\u00e3o dual \u2013 ser contra ou a favor \u2013 percebemos que o desafio maior da sociedade \u00e9 superar a realidade do aborto, sen\u00e3o de todo, ao menos daqueles abortos que ocorrem por uma gravidez indesejada induzida por fatores socioecon\u00f4micos e culturais. Assumimos, assim, a consci\u00eancia de que, como Igreja, somos tamb\u00e9m parte do \u201cambiente circundante\u201d, igualmente respons\u00e1vel, principalmente porque as causas s\u00e3o pass\u00edveis de serem trabalhadas numa evangeliza\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9 tamb\u00e9m um desafio para a teologia. Por isso, gostar\u00edamos de indicar alguns dos pontos relacionados com a realidade do aborto que precisam ser mais bem compreendidos e pensados \u00e0 luz da reflex\u00e3o teol\u00f3gica, num di\u00e1logo com outras ci\u00eancias, principalmente na esfera da bio\u00e9tica: altos \u00edndices de aborto nos pa\u00edses latino-americanos; a maternidade no contexto da sa\u00fade da mulher e dos altos \u00edndices de morbidade e mortalidade materna; a viol\u00eancia institucionalizada contra a mulher; o papel da fam\u00edlia e da comunidade crist\u00e3 como espa\u00e7o de acolhimento; a quest\u00e3o dos direitos sexuais e reprodutivos; a figura masculina nas rela\u00e7\u00f5es familiares. Alguns desses desafios apontam para \u00e1reas onde a Igreja tem uma atua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que a teologia precisa aprender a valorizar mais. Outros desafios s\u00e3o novos, onde a presen\u00e7a da Igreja ainda \u00e9 inusitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos, como conclus\u00e3o, apontar que o fato da Igreja se posicionar claramente contra o aborto \u2013 e o far\u00e1 sempre, por uma quest\u00e3o de coer\u00eancia \u2013 tem levado muitos crist\u00e3os a concluir que a Igreja condena, exclui e expulsa a mulher que abortou do conv\u00edvio eclesial. Essa \u00e9 uma conclus\u00e3o precipitada, simplista, reducionista e que n\u00e3o reflete o ensinamento da Igreja expresso nos documentos do Magist\u00e9rio. Por uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, n\u00e3o podemos lan\u00e7ar pedras \u00e0s m\u00e3es que julgaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de criar um filho n\u00e3o desejado (PESSINI e BARCHIFONTAINE, 1997, p.270). A Igreja Mestra rejeita sempre o aborto e a Igreja M\u00e3e quer acolher a mulher que praticou o aborto, como um pai e uma m\u00e3e acolhem os seus filhos sempre, e demostram maior carinho, aten\u00e7\u00e3o e amor nos momentos em que eles enfrentam dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>M\u00e1rio Ant\u00f4nio Sanches<\/em><strong><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/span>,<\/strong> PUC Paran\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6\u00a0Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ASANDI, Stella de Faro; BRAZ, Marlene. <em>As mulheres brasileiras e o aborto: <\/em>uma abordagem bio\u00e9tica na sa\u00fade p\u00fablica. Revista Bio\u00e9tica, 2010; v.18 n.1, Bras\u00edlia: CFM, p. 131-53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <em>Aten\u00e7\u00e3o Humanizada ao Abortamento<\/em>: norma t\u00e9cnica. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CELAM. <em>S\u00e3o Domingo \u2013 conclus\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: CELAM \/ Loyola, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Documento de Aparecida<\/em>. S\u00e3o Paulo: CNBB \/ Paulinas \/ Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRISEZ, Germain G. <em>El aborto: <\/em>mitos, realidades e argumentos. Edciones S\u00edgueme, 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO.<em> Carta por ocasi\u00e3o do jubileu extraordin\u00e1rio da miseric\u00f3rdia. <\/em>Vaticano, 2015. Dispon\u00edvel em:<span style=\"color: #000000;\"> <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015<\/a><\/span>. Acessado em: 3 jan 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Evangelii Gaudium.<\/em> Vaticano, 2013. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents<\/a><\/span>. Acesso em: 3 jan 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00c4ERING, Bernard. A theological evaluation. In: NOONAN JR., John Thomas. <em>The morality of abortion<\/em>: legal and historical perspectives. Harvard University Press \/ Cambridge, Massachusetts, 1970, p.123-45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Evangelium Vitae. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____ . <em>Familiaris Consortio<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____ . <em>Cartas \u00e0s Mulheres<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PESSINI, Leo; BARCHIFONTAINE, Christian de Paul. <em>Problemas atuais de Bio\u00e9tica<\/em>. 4.ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARSTON, Cicely; CLELAND, John. <em>The effects of contraception on obstetric outcomes<\/em>. Department of Reproductive Health and Research, World Health Organization, Geneva, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOONAN JR. John Thomas. <em>The morality of abortion: <\/em>legal and historical perspectives. Harvard University Press \/ Cambridge, Massachusetts, 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANCHES, M. A. <em>Aborto em uma perspectiva pastoral<\/em><em>. <\/em>Revista Eclesi\u00e1stica Brasileira. fasc.285, janeiro, 2012, p.119-37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VATICANO II. <em>Gaudium et Spes<\/em> (1965). Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents<\/a>.<\/span> Acesso em: 3 jan 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SANCHES, M. A. O Aborto numa Perspectiva Pastoral. \u00a0<em>REB \u2013 Revista Eclesi\u00e1stica Brasileira<\/em>, Fasc. 285, Janeiro, 2012, p.119 et seq.. SANCHES, M. A.; CASAGRANDE, C. H. V.; GOMES, E. M. D. Aborto numa Igreja mestra e m\u00e3e: na perspectiva de agentes de pastoral. <em>Atualidade Teol\u00f3gica<\/em> (PUC-Rio), v.48, 2014, p.359 et seq..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Mater et Magistra<\/em> de Jo\u00e3o XXIII, em 1961, onde ele aborda o problema de excesso de popula\u00e7\u00e3o e se refere \u00e0s leis divinas inviol\u00e1veis e imut\u00e1veis que governam o matrim\u00f4nio e a transmiss\u00e3o da vida humana. \u00a0A express\u00e3o em outros documentos da Igreja, como em <em>Familiaris Consortium,<\/em> de Jo\u00e3o Paulo II, \u00e9 claramente relacionada ao contexto familiar: \u201cTamb\u00e9m no campo da moral conjugal a Igreja \u00e9 e age como Mestra e M\u00e3e.\u201d (n.33)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Tamb\u00e9m na <em>Evangelium Vitae<\/em> n.59 Jo\u00e3o Paulo II amplia a responsabilidade do aborto para a fam\u00edlia, os legisladores, os que promovem uma mentalidade hedonista, enfim, toda a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> M\u00e1rio Ant\u00f4nio Sanches \u00e9 Doutor em Teologia pela EST\/IEPG, RS, com p\u00f3s-doutorado em Bio\u00e9tica (2011) pela Pontif\u00edcia Universidade de Comillas (Madrid). \u00c9 professor titular da PUCPR onde atua no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Teologia e coordena o Mestrado de Bio\u00e9tica. E-mail: m.sanches@pucpr.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Introdu\u00e7\u00e3o 2 O aborto numa Igreja Mestra e M\u00e3e 3 A Igreja Mestra: defender a vida 4 A Igreja M\u00e3e: crescer na acolhida 5 Considera\u00e7\u00f5es finais 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Introdu\u00e7\u00e3o O aborto, compreendido como retirar o feto antes que ele tenha condi\u00e7\u00f5es de sobreviver fora do \u00fatero, \u00e9 um dos temas mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1343"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1344,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1343\/revisions\/1344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}