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{"id":1332,"date":"2016-11-20T16:47:59","date_gmt":"2016-11-20T18:47:59","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1332"},"modified":"2018-05-03T15:27:32","modified_gmt":"2018-05-03T18:27:32","slug":"fe-e-razao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1332","title":{"rendered":"F\u00e9 e Raz\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Quest\u00f5es fundamentais sobre a f\u00e9 no mundo de hoje<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 A virada hermen\u00eautica da raz\u00e3o: o terceiro horizonte do pensamento contempor\u00e2neo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 F\u00e9 e raz\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Dois modos complementares e n\u00e3o contradit\u00f3rios de acesso \u00e0 verdade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 A hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e raz\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 A virada hermen\u00eautica da f\u00e9 e a raz\u00e3o: da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>1 Quest\u00f5es fundamentais sobre a f\u00e9 no mundo de hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>1.1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 com a raz\u00e3o, a pol\u00edtica e a cultura se compreende melhor se considerarmos tanto a metaf\u00edsica da subst\u00e2ncia dos antigos quanto a metaf\u00edsica do sujeito dos modernos. A filosofia cl\u00e1ssica nos ensinou com os transcendentais do ser, que al\u00e9m de ser uno, \u00e9 simultaneamente verdadeiro, bom e belo. A filosofia moderna, com o pensamento transcendental de Kant, pergunta pelas faculdades do sujeito para conhecer o verdadeiro, agir segundo o bem e gostar-julgar do belo. Pelas virtudes teologais, sabemos que o dom da f\u00e9 \u00e9 sempre uma f\u00e9 que cr\u00ea que ama e que espera. Podemos, ent\u00e3o, vincular a f\u00e9 que cr\u00ea com a verdade e o conhecimento, a f\u00e9 que ama com o bom e o agir \u00e9tico, e a f\u00e9 que espera com a beleza e o gosto po\u00e9tico. A import\u00e2ncia da passagem da metaf\u00edsica cl\u00e1ssica \u00e0 redu\u00e7\u00e3o moderna \u2013 que contrasta a f\u00e9 apenas com a ci\u00eancia, com o dever moral e a teleologia \u2013 nos convida a dar um novo passo que supere tanto o deserto da cr\u00edtica como as tenta\u00e7\u00f5es de voltar atr\u00e1s, ao ref\u00fagio pr\u00e9-moderno: \u201cN\u00e3o nos encoraja a nostalgia das Atl\u00e2ntidas submersas, mas a esperan\u00e7a de uma recria\u00e7\u00e3o da linguagem; para al\u00e9m do deserto da cr\u00edtica, queremos ser novamente interpelados\u201d (RICOEUR, 1960). A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 novamente interpelada pela virada hermen\u00eautica da raz\u00e3o contempor\u00e2nea (GREISCH, 1993), pelo grande acontecimento de gra\u00e7a que significou a renova\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II (H\u00dcNERMANN, 2014) e pela plenitude da linguagem que se manifesta numa maior considera\u00e7\u00e3o da beleza e da po\u00e9tica em nossa situa\u00e7\u00e3o de pluralismo cultural. Como introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e raz\u00e3o, desenvolveremos brevemente a primeira interpela\u00e7\u00e3o que considera um terceiro horizonte no pensamento contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>1.2 A virada hermen\u00eautica da raz\u00e3o: o terceiro horizonte do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Sustentar que a raz\u00e3o contempor\u00e2nea deu uma virada ou que estamos em um novo horizonte, significa reconhecer n\u00e3o s\u00f3 a dist\u00e2ncia frente \u00e0 metaf\u00edsica cl\u00e1ssica (que sustenta os transcendentais do ser), mas a crise sofrida pela metaf\u00edsica do sujeito (que sustenta uma filosofia transcendental e interroga-se sobre as condi\u00e7\u00f5es de possibilidade). Assim \u00e9 afirmado por um grande n\u00famero de fil\u00f3sofos, de Ortega e Zubiri a Vattimo e Habermas. Ortega cunhou a imagem das duas met\u00e1foras, sugerindo um terceiro momento, paradigm\u00e1tico, horizonte do pensamento contempor\u00e2neo depois das met\u00e1foras (ou metaf\u00edsicas) da subst\u00e2ncia e do sujeito. Um terceiro horizonte aparece depois do pensamento antigo-medieval e do pensamento moderno (GONZALEZ, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o sobre se \u00e9 uma crise particular da metaf\u00edsica ou da metaf\u00edsica em geral se resolve se estamos de acordo sobre quem \u00e9 o paciente diagnosticado com a crise: o Iluminismo que v\u00ea como o romantismo volta com for\u00e7a; a modernidade liberal, que foi ultrapassada pela modernidade tardia ou pela chamada p\u00f3s-modernidade; ou a metaf\u00edsica do sujeito, superada por um terceiro horizonte. Mas, em todos os casos \u2013 seja o <em>cogito<\/em> cartesiano, os <em>a priori<\/em> da raz\u00e3o, o saber absoluto, ou o sujeito transcendental \u2013 podemos ver como as pretens\u00f5es da \u201cs\u00f3 raz\u00e3o\u201d (transcendental, sem atributos e constituinte de todo o real) empalidecem, porque temos um <em>cogito<\/em> ferido, bastante fr\u00e1gil, que procura poder se reassentar ao interior do ser e \u00e9 reconhecido constitu\u00eddo pelo outro, \u00a0diferente de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja qual for a profundidade da crise, a hip\u00f3tese de um terceiro horizonte do pensamento contempor\u00e2neo argumenta que a terceira met\u00e1fora n\u00e3o pensa o ser em termos de natureza nem em termos de consci\u00eancia (GEFFR\u00c9, 1992), mas em refer\u00eancia a outras met\u00e1foras que tentam ser relevantes nos novos tempos: a alteridade, a linguagem, a pr\u00e1xis e o acontecimento. \u201cA idade hermen\u00eautica da raz\u00e3o\u201d (GREISCH, 1985) parece ser o resultado de muitas viradas que deu a raz\u00e3o contempor\u00e2nea: virada hermen\u00eautica, virada lingu\u00edstica, virada pragm\u00e1tica, virada intersubjetiva, virada rumo \u00e0 alteridade etc. (SCANNONE, 2009). Independente de qual seja a categoria vencedora, existem provas suficientes de que a crise seja um sinal dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o que temos \u00e9 um novo horizonte de pensamento, este, obviamente, afetar\u00e1 os interlocutores da f\u00e9: a raz\u00e3o e o conhecimento, a pol\u00edtica e a justi\u00e7a e nossos valores (est\u00e9ticos e afetivos) e esperan\u00e7as (religiosas e seculares). Voltamos a nos perguntar pela verdade que podemos conhecer com o uso do entendimento e da raz\u00e3o, pela justi\u00e7a que devemos alcan\u00e7ar com nossas pr\u00e1ticas \u00e9ticas e pol\u00edticas, pela beleza que nossos ju\u00edzos est\u00e9ticos e reflexivos modelam em cada cultura. Mas, obviamente, tamb\u00e9m afetam a pr\u00f3pria experi\u00eancia crente e religiosa, cuja virada foi expressa para a comunidade eclesial cat\u00f3lica na renova\u00e7\u00e3o que fez o Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 F\u00e9 e raz\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1 Dois modos complementares e n\u00e3o contradit\u00f3rios de acesso \u00e0 verdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA f\u00e9 e a ra\u00e3o s\u00e3o como duas asas com as quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade\u201d. <em>Fides et ratio<\/em>, de Jo\u00e3o Paulo II, se conecta, assim, com o que o Vaticano II ensina-nos na <em>Dei Verbum \u2013 <\/em>que, por sua vez, segue quase literalmente os ensinamentos do Vaticano I em <em>Dei Filius<\/em>, que leva em conta os princ\u00edpios do Conc\u00edlio de Trento: \u201cPela revela\u00e7\u00e3o divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salva\u00e7\u00e3o dos homens, \u2018para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade da intelig\u00eancia humana\u2019\u201d(<em>DV<\/em> n.6). Indicado o caminho da revela\u00e7\u00e3o, o Vaticano II aponta o caminho da raz\u00e3o citando o Vaticano I: \u201cO sagrado Conc\u00edlio professa que Deus, princ\u00edpio e fim de todas as coisas, se pode conhecer com certeza pela luz natural da raz\u00e3o a partir das criaturas\u201d (cf. Rm 1,20); mas ensina, tamb\u00e9m, que deve atribuir-se \u00e0 Sua revela\u00e7\u00e3o \u201cpoderem todos os homens conhecer, com facilidade, firme certeza e sem mistura de erro, aquilo que nas coisas divinas n\u00e3o \u00e9 inacess\u00edvel \u00e0 raz\u00e3o humana, mesmo na presente condi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano\u201d (<em>DV<\/em> n.6). A verdade alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da reflex\u00e3o filos\u00f3fica ou das disciplinas cient\u00edficas n\u00e3o se confunde nem se contradiz, mas \u00e9 enriquecida com a verdade que vem da revela\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 duas ordens de conhecimento, distintas n\u00e3o s\u00f3 por seu princ\u00edpio, mas tamb\u00e9m por seu objeto; por seu princ\u00edpio, visto que uma conhecemos pela raz\u00e3o natural, e outra pela f\u00e9 divina; e por seu objeto, porque, al\u00e9m daquilo que a raz\u00e3o natural pode atingir, prop\u00f5em crer nos mist\u00e9rios escondidos em Deus, que n\u00e3o podemos conhecer sem a revela\u00e7\u00e3o divina\u201d (<em>Dei Filius<\/em>, DS 3015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento de uma diferen\u00e7a n\u00e3o implica qualquer dualismo ou contradi\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e raz\u00e3o, nem no plano epistemol\u00f3gico, opondo f\u00e9 e conhecimento, nem no plano ontol\u00f3gico, defendendo duas realidades separadas. F\u00e9 e raz\u00e3o s\u00e3o medidas pela verdade, e a verdade \u00e9 uma s\u00f3, embora haja aspectos dela que s\u00f3 sabemos pela f\u00e9, porque Deus nos revelou. \u201cO car\u00e1cter peculiar do texto b\u00edblico reside na convic\u00e7\u00e3o que existe uma unidade profunda e indivis\u00edvel entre o conhecimento da raz\u00e3o e o da f\u00e9.\u00a0 (&#8230;) N\u00e3o h\u00e1 motivo para existir concorr\u00eancia entre a raz\u00e3o e a f\u00e9: uma implica a outra, e cada qual tem o seu espa\u00e7o pr\u00f3prio de realiza\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Fides et ratio<\/em> n.16-17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contradi\u00e7\u00e3o aparece quando uma e outra n\u00e3o respeitam suas respectivas \u00e1reas de compet\u00eancia. Racionalismo e fide\u00edsmo s\u00e3o a express\u00e3o clara do excesso de uma e outra. Ent\u00e3o, o racionalismo \u00e9 uma \u201cconcep\u00e7\u00e3o que considera que a raz\u00e3o pode ou deve fundamentar a f\u00e9, e que deve demonstrar sua verdade com argumentos de raz\u00e3o, ou pelo menos torn\u00e1-la plaus\u00edvel\u201d (KNAUER, 1989, p.257). Pelo contr\u00e1rio, a verdade da f\u00e9 s\u00f3 pode ser reconhecida pela f\u00e9. A cor e a luz dos vitrais de uma catedral s\u00f3 podem ser vistas de dentro. Do lado de fora eles apenas parecem sombrios e cinzentos. A beleza de Deus \u00e9 reconhecida a partir da experi\u00eancia de f\u00e9, da acolhida na f\u00e9 do que Deus revelou. S\u00f3 pode entrar em comunh\u00e3o com Deus quem acredita que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que se autocomunicou. O fide\u00edsmo, enquanto isso, \u201cargumenta que a f\u00e9 n\u00e3o pode e n\u00e3o precisa ser justificada ante a raz\u00e3o\u201d (KNAUER, 1989, p.258). Pelo contr\u00e1rio, a f\u00e9 deve ser examinada pela raz\u00e3o para eliminar dela aquilo que possa contradiz\u00ea-la. \u201cToda obje\u00e7\u00e3o contra a f\u00e9 da parte da raz\u00e3o \u00e9 refutada no mesmo campo da raz\u00e3o\u201d (KNAUER, 1989, p.258).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambos os desentendimentos s\u00e3o superados ao se afirmar que a <em>f\u00e9 precisa da raz\u00e3o<\/em>. Longe de ser uma inimiga da f\u00e9 (porque a prejudicaria ou poderia contradiz\u00ea-la) ou alguma coisa da qual a f\u00e9 pudesse prescindir (porque bastando-se a si mesma n\u00e3o necessitaria de complementa\u00e7\u00e3o), a raz\u00e3o \u00e9 uma ajuda para a f\u00e9. Mas a f\u00e9 n\u00e3o necessita dela para ser seu fundamento: a f\u00e9 se fundamenta em si mesma, uma vez que se baseia na Palavra de Deus. N\u00e3o necessita para que a prove ou a demonstre: o pr\u00f3prio Deus se mostra, se autocomunica na revela\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 \u00e9 acolhida naquilo que Deus comunica. \u201cA mensagem crist\u00e3 se torna intelig\u00edvel por si s\u00f3; a f\u00e9 somente pode explicar-se por si mesma\u201d ( KNAUER, 1989, p.252). Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel provar a f\u00e9 pela for\u00e7a das raz\u00f5es, n\u00e3o pode ser enquadrada no marco da raz\u00e3o, n\u00e3o pode ser subordinada como se sua fundamenta\u00e7\u00e3o dependesse do nosso racioc\u00ednio. Da afirma\u00e7\u00e3o racional que Deus \u00e9 o criador do mundo e todo-poderoso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deduzir a possibilidade da comunh\u00e3o com ele. Isso depende do pr\u00f3prio Deus, do seu amor gratuito e livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 precisa da raz\u00e3o, n\u00e3o como seu fundamento, mas com a fun\u00e7\u00e3o negativa de ser um filtro para si mesma. A raz\u00e3o \u00e9 uma ajuda indispens\u00e1vel, ela nos ajuda a filtrar a f\u00e9 de supersti\u00e7\u00f5es, a purific\u00e1-la de irracionalidades, a ser peneira e crivo de poss\u00edveis fetiches. A mensagem crist\u00e3 quer e deve ser examinada pela raz\u00e3o, pois n\u00e3o deve se acreditar em qualquer coisa que contradiga a raz\u00e3o em sua autonomia, \u201ca autonomia da realidade criada n\u00e3o \u00e9 interrompida nem debilitada em nenhum lugar pela comunh\u00e3o com Deus (&#8230;) Isto exclui qualquer cren\u00e7a supersticiosa em milagres, que considera a interrup\u00e7\u00e3o de leis naturais como prova de especial interven\u00e7\u00e3o divina\u201d ( KNAUER, 1989, p.253-254).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo f\u00e9 n\u00e3o se fundamenta na raz\u00e3o, mas pode ser examinada por ela. A revela\u00e7\u00e3o de Deus na qual se baseia n\u00e3o \u00e9 dedut\u00edvel do mundo; \u00e9 reconhec\u00edvel apenas pela a f\u00e9. Portanto, nenhuma afirma\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o pode amea\u00e7ar a f\u00e9. \u201cComo tendo f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o se vive do temor, \u00e9 poss\u00edvel usar a raz\u00e3o sem \u00f3culos\u201d (KNAUER, 1989, p.257). H\u00e1 mais duas ajudas dispon\u00edveis: oferece alguns pressupostos e ajuda a pensar, dar unidade e coer\u00eancia ao conjunto do mist\u00e9rio crist\u00e3o. Uma colabora\u00e7\u00e3o externa \u00e0 f\u00e9, uma vez que \u201ca f\u00e9 pressup\u00f5e certas verdades que podem ser reconhecidas pela raz\u00e3o: o nosso pr\u00f3prio ser como criaturas e a nossa responsabilidade moral\u201d (KNAUER, 1989, p.257). Uma colabora\u00e7\u00e3o interna \u00e0 f\u00e9, porque \u201ca raz\u00e3o ajuda a uma compreens\u00e3o clara da f\u00e9. A raz\u00e3o, iluminada pela f\u00e9, abrange a unidade interna de todas as afirma\u00e7\u00f5es de f\u00e9\u201d ( KNAUER, 1989, p.257). Colabora\u00e7\u00e3o que impede um conflito insol\u00favel entre a f\u00e9 e a raz\u00e3o. Mas a historicidade da f\u00e9 \u2013 expressa na doutrina da Igreja \u2013 e a historicidade da raz\u00e3o \u2013 expressa nas aquisi\u00e7\u00f5es dos diversos saberes e ci\u00eancias \u2013 n\u00e3o t\u00eam a e impedido a exist\u00eancia de m\u00faltiplos conflitos e diverg\u00eancias entre essa doutrina e essas aquisi\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>2.2 A hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e raz\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distante da contraposi\u00e7\u00e3o entre crer e saber, que faz do primeiro um saber inseguro, a f\u00e9 aparece como fundamento na B\u00edblia. Enquanto no AT se proclama a confian\u00e7a em ser o povo escolhido e na esperan\u00e7a nas a\u00e7\u00f5es de Deus, no NT se trata de acreditar no que Deus j\u00e1 fez e manifestou em Cristo Jesus, que antecipa a plenitude escatol\u00f3gica: \u00a0\u201c A f\u00e9 \u00e9 a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que n\u00e3o vemos\u201d (Hb 11,1). O judeu-cristianismo, que acredita que o Deus salvador \u00e9 o mesmo que o Deus criador, confia na raz\u00e3o humana e n\u00e3o tem medo de ser julgado por ela ao tentar dar raz\u00e3o para a sua esperan\u00e7a. A reprova\u00e7\u00e3o do Livro da Sabedoria para aqueles que \u201cn\u00e3o foram capazes de conhecer, pelas coisas boas, \u00c0quele que \u00e9 (&#8230;) pois da grandeza e beleza das coisas criadas chega-se, por analogia, ao conhecimento do seu Autor\u201d (Sb 13,1.5), reitera Paulo, aos que \u201caprisionam a verdade na injusti\u00e7a (&#8230;) porque o invis\u00edvel de Deus, desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo, revela-se \u00e0 intelig\u00eancia atrav\u00e9s de suas obras\u201d (Rm 1,18.20). No in\u00edcio, S\u00e3o Pedro exorta os crist\u00e3os a estarem sempre prontos a dar resposta (<em>apo-logia<\/em>) a quem quer que perguntasse pelo <em>logos<\/em> (raz\u00e3o) de sua f\u00e9 (cf. 1 Pd 3,15). S\u00e3o Jo\u00e3o n\u00e3o teme identificar Cristo com o <em>logos<\/em> e abre um caminho que percorrer\u00e3o os Padres da Igreja que, de diferentes maneiras, identificar\u00e3o sabedoria b\u00edblica e filosofia grega na figura do logos. Justino \u00e9 exemplar neste ponto e v\u00ea na f\u00e9 crist\u00e3 a verdadeira filosofia e, na filosofia, os precursores do cristianismo. \u201cIsto significava que a f\u00e9 b\u00edblica devia entrar em discuss\u00e3o e em rela\u00e7\u00e3o com a cultura grega e aprender a reconhecer, mediante a interpreta\u00e7\u00e3o, a linha de separa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a converg\u00eancia e a afinidade entre elas na \u00fanica raz\u00e3o dada por Deus\u201d (BENTO XVI, 2005). Por isso, as Escrituras judaico-crist\u00e3s, o pensamento hebraico, n\u00e3o temer\u00e1 medir-se e articular-se com o pensamento grego, e aqueles que, filosoficamente, o suceder\u00e3o. Toda a hist\u00f3ria do cristianismo \u00e9 testemunho dessa apropria\u00e7\u00e3o da racionalidade filos\u00f3fica, em um esfor\u00e7o cont\u00ednuo de tradu\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem dos cada vez mais novos destinat\u00e1rios da Boa Nova. O esp\u00edrito secularista e desmistificador desta religi\u00e3o \u00e9 a consequ\u00eancia desta disposi\u00e7\u00e3o para ser purificada e criticada pela raz\u00e3o (TAYLOR, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho, \u201co mestre indiscut\u00edvel da Alta Idade M\u00e9dia, cuja influ\u00eancia permanece durante todo o segundo mil\u00eanio\u201d, acredita que uma f\u00e9 n\u00e3o pensada \u00e9 uma f\u00e9 morta e acredita que \u201co conhecimento do homem e o de Deus s\u00e3o convergentes\u201d, porque a pr\u00f3pria interioridade, \u201ca subjetividade \u00e9 o lugar por excel\u00eancia para conhecer Deus\u201d (ESTRADA, 1996, p.45). Por sua parte, Anselmo, o pai da escol\u00e1stica, como um bom disc\u00edpulo de Agostinho proclama os <em>Fides quaerens intellectum<\/em>: a f\u00e9 em busca de sua intelig\u00eancia. As palavras de Anselmo no <em>Proslogion<\/em> tornaram-se uma carta magna sobre a converg\u00eancia harm\u00f4nica entre f\u00e9 e raz\u00e3o: \u201cSenhor, n\u00e3o tenho a inten\u00e7\u00e3o de penetrar em sua profundidade: como eu poderia comparar a minha intelig\u00eancia com o seu mist\u00e9rio? Mas quero entender, de algum modo, esta verdade que acredito e meu cora\u00e7\u00e3o ama. Eu n\u00e3o procuro entender para crer, mas creio em primeiro lugar para, depois, fazer um esfor\u00e7o para entender. Porque acredito em algo: se eu n\u00e3o come\u00e7o por acreditar, nunca vou compreender\u201d. Nasce aqui uma teologia como <em>Intellectus fidei<\/em>, que tenta mostrar a razoabilidade da f\u00e9. Mas a raz\u00e3o encontra aquilo que a f\u00e9 j\u00e1 sabe; o racioc\u00ednio serve para ajudar a descobrir a verdade, n\u00e3o para determin\u00e1-la. A f\u00e9, dom de Deus que a Palavra revelada suscita, deve ser assumida racionalmente para que seja humana. O esfor\u00e7o de intelec\u00e7\u00e3o n\u00e3o elimina, mas pressup\u00f5e a contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XIII, gra\u00e7as aos fil\u00f3sofos judeus e \u00e1rabes, o pensamento aristot\u00e9lico entrou em contato com o cristianismo medieval formado na tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, de forma genial, entendeu que a <em>ratio<\/em> aristot\u00e9lica poderia ser uma media\u00e7\u00e3o mais apropriada do que a plat\u00f4nica para expressar f\u00e9 dos homens de seu tempo. Ele foi capaz de mediar \u201co novo encontro entre a f\u00e9 e a filosofia aristot\u00e9lica, colocando, assim, a f\u00e9 em uma rela\u00e7\u00e3o positiva com a forma de raz\u00e3o dominante de seu tempo\u201d (BENTO XVI, 2005). Com Tom\u00e1s, as diferen\u00e7as entre f\u00e9 e raz\u00e3o est\u00e3o claramente dispostas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade e integridade da verdade, ent\u00e3o a verdade n\u00e3o pode contradizer a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa clareza come\u00e7a a desvanecer-se at\u00e9 escurecer com a chegada da modernidade, o desenvolvimento da ci\u00eancia e a reivindica\u00e7\u00e3o de autonomia do mundo moderno. A pr\u00f3pria articula\u00e7\u00e3o entre Atenas e Jerusal\u00e9m para formar um ocidente que bebe da filosofia grega, do direito romano, da escol\u00e1stica medieval, da Renascen\u00e7a europeia, oferece raz\u00f5es para que tamb\u00e9m a modernidade seja constru\u00edda a partir de um ato de f\u00e9 na raz\u00e3o humana. Mas a confian\u00e7a na raz\u00e3o pode tornar-se excessiva, no caso de reivindicar-se somente pela raz\u00e3o o acesso exclusivo \u00e0 verdade. Com a luz da raz\u00e3o pode ser superada a escurid\u00e3o do mito e da religi\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o defensiva da Igreja e seu ref\u00fagio nas apologias e condena\u00e7\u00f5es, nem sempre razo\u00e1veis, n\u00e3o contribu\u00edram para melhorar as coisas. O \u00e9pico caso de Galileu \u00e9 apenas o sinal de uma disputa que ir\u00e1 aumentando com a s\u00f3 raz\u00e3o autossuficiente e uma revela\u00e7\u00e3o cada vez mais opaca e autorit\u00e1ria. A exorta\u00e7\u00e3o kantiana para se atrever a pensar por si mesmo (o <em>sapere aude<\/em>) enfrenta, de modo desafiador, todos os guardi\u00f5es que impedem a autonomia, entre eles a Igreja e f\u00e9. \u201cO confronto da f\u00e9 da Igreja com o liberalismo radical e tamb\u00e9m com umas ci\u00eancias naturais, que tentam abranger, com seus conhecimentos, toda a realidade at\u00e9 os seus limites, propondo, teimosamente tornar in\u00fatil a \u2018hip\u00f3tese Deus\u2019\u201d (BENTO XVI, 2005), provocou, da parte da Igreja, no s\u00e9culo XIX, \u201c\u00e1speras e radicais condena\u00e7\u00f5es desse esp\u00edrito dos tempos modernos\u201d. Tamb\u00e9m provocou, da parte dos representantes da idade moderna, \u201ca rejei\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica\u201d \u00e0 f\u00e9 eclesial. \u00c9 contra esta Igreja cat\u00f3lica, fechada diante de um mundo moderno hostil e adverso, que o Vaticano II assume o desafio de \u201cdeterminar de modo novo a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e a idade moderna\u201d (BENTO XVI, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bento XVI observa que \u201chavia se formado tr\u00eas c\u00edrculos de perguntas que aguardavam uma resposta. Em primeiro lugar, foi necess\u00e1rio definir, de um modo novo, a rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e as ci\u00eancias modernas\u201d \u2013 tanto as ci\u00eancias naturais como as ci\u00eancias hist\u00f3ricas. \u201cEm segundo lugar, era preciso definir, de um modo novo, a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado moderno (&#8230;) Em terceiro lugar, e com isso estava relacionado, de forma mais gera, o problema da toler\u00e2ncia religiosa\u201d \u2013 e a liberdade religiosa \u2013, \u201chavia uma quest\u00e3o que exigia uma nova defini\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 crist\u00e3 e as religi\u00f5es do mundo\u201d (2005) e as culturas em geral. S\u00e3o precisamente estes tr\u00eas problemas que podem ser abordados com uma renovada compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a raz\u00e3o, a pol\u00edtica e a cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.3 A virada hermen\u00eautica da f\u00e9 e a raz\u00e3o: da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 mutua colabora\u00e7\u00e3o<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, uma hermen\u00eautica, tanto da f\u00e9 como das ci\u00eancias, torna prop\u00edcia a finaliza\u00e7\u00e3o das condena\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas e permite uma aproxima\u00e7\u00e3o, reconhecendo cada uma o seu campo de a\u00e7\u00e3o. Houve um tempo em que as ci\u00eancias modernas competiam e amea\u00e7avam a f\u00e9, n\u00e3o s\u00f3 as ci\u00eancias naturais, mas tamb\u00e9m a ci\u00eancia hist\u00f3rica. As explica\u00e7\u00f5es religiosas e teol\u00f3gicas deviam recuar na explica\u00e7\u00e3o do mundo e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o das pr\u00f3prias sagradas Escrituras, pela pretens\u00e3o do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico em ser a \u00faltima palavra na interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Deste excesso da raz\u00e3o ilustrada, passou-se para uma atitude mais modesta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs ci\u00eancias naturais foram come\u00e7ando a refletir, cada vez mais claramente, sobre seu pr\u00f3prio limite, imposto pelo seu pr\u00f3prio m\u00e9todo que, apesar de realizar coisas grandiosas, n\u00e3o era capaz de entender a totalidade da realidade\u201d (BENTO XVI, 2005). Abandonando todo positivismo e todo dogmatismo, a ci\u00eancia torna-se mais modesta e j\u00e1 n\u00e3o pretende ser a \u00fanica abordagem v\u00e1lida sobre a realidade. Com consci\u00eancia hermen\u00eautica, o sonho da modernidade ilustrada em possuir o ponto de vista \u00fanico come\u00e7a a reconhecer v\u00e1rios instrumentos, sejam afirma\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas ou matem\u00e1ticas, das ci\u00eancias naturais ou das ci\u00eancias sociais, das humanidades ou da arte. A multiplicidade de saberes exige m\u00faltiplas abordagens. O caminho tem sido dif\u00edcil desde a diferencia\u00e7\u00e3o entre as ci\u00eancias da natureza e as ci\u00eancias do esp\u00edrito (Dilthey) para argumentar que quanto mais se explica melhor se compreende (Ricoeur), a partir do reconhecimento dos interesses dos diferentes tipos de conhecimento (Habermas) at\u00e9 a conclus\u00e3o que o observador nunca \u00e9 neutro e que, em certos casos, como a hist\u00f3ria, a linguagem ou a arte, ele pertence \u00e0 realidade que investiga (Gadamer).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, tamb\u00e9m o discurso da f\u00e9, as afirma\u00e7\u00f5es magisteriais e a teologia adquirem consci\u00eancia hermen\u00eautica. Tamb\u00e9m a teologia se tornou mais modesta e n\u00e3o pretende enfrentar as afirma\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ou hist\u00f3ricas com afirma\u00e7\u00f5es b\u00edblicas nem promover concordismos apaziguadores. O texto b\u00edblico n\u00e3o quer substituir ou contradizer os conhecimentos adquiridos pela raz\u00e3o. Sua pretens\u00e3o \u00e9 salv\u00edfica e n\u00e3o cient\u00edfica. Como aprendemos com Galileu, a B\u00edblia n\u00e3o ensina <em>como vai <\/em>o mundo, mas <em>para onde vai<\/em>. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para qualquer competi\u00e7\u00e3o entre raz\u00e3o e f\u00e9, mas sim a necessidade de coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Vimos que a f\u00e9 precisa da raz\u00e3o para purificar-se, para corrigir o curso se alguma das suas afirma\u00e7\u00f5es contradiz a raz\u00e3o. \u201cQuando, por causa da verdade, algu\u00e9m vira as costas para Cristo, corre diretamente para seus bra\u00e7os\u201d (KNAUER, 1989, p.248). O cristianismo tem \u201ca convic\u00e7\u00e3o que agir contra a raz\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a natureza de Deus\u201d (BENTO XVI, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel sustentar o contr\u00e1rio? Que agir contra a f\u00e9 est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a natureza humana. A raz\u00e3o necessita da f\u00e9? <em>Fides et ratio<\/em> afirma: \u201cConhecer a fundo o mundo e os eventos da hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem confessar, ao mesmo tempo, a f\u00e9 em Deus que neles age (n.16). <em>Caritas in veritate<\/em> reitera isso, defendendo a intera\u00e7\u00e3o de diferentes saberes, incluindo o papel da caridade: \u201cA caridade n\u00e3o exclui o saber, mas o requer, o promove e anima a partir de dentro. O saber nunca \u00e9 apenas obra da intelig\u00eancia (&#8230;) Sem o saber, o fazer \u00e9 cego, e o saber \u00e9 est\u00e9ril sem o amor\u201d (n.30). Por um lado, \u201cao enfrentar os fen\u00f4menos que est\u00e3o diante de n\u00f3s, a caridade, na verdade requer, antes de tudo, conhecer e compreender\u201d, respeitando a especificidade de cada saber. Por outro lado, \u201ca caridade n\u00e3o \u00e9 um acr\u00e9scimo posterior, mas dialoga (com as disciplinas) desde o in\u00edcio. As exig\u00eancias do amor n\u00e3o contradizem as da raz\u00e3o. O saber humano \u00e9 insuficiente e as condi\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias n\u00e3o podem indicar por si s\u00f3 o caminho para o desenvolvimento humano integral. Sempre \u00e9 preciso aventurar-se mais al\u00e9m: o exige a caridade na verdade\u201d (n.30). Mas a caridade deve respeitar os mesmos limites que tem a f\u00e9. Tanto a caridade como a f\u00e9, e ter\u00edamos que adicionar a esperan\u00e7a, sabem que \u201cir al\u00e9m\u201d do que elas encorajam, esta amplia\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o, \u201cnunca significa prescindir das conclus\u00f5es da raz\u00e3o, nem contradizer os seus resultados. N\u00e3o h\u00e1 intelig\u00eancia e depois o amor: <em>existe o amor rico de intelig\u00eancia e a intelig\u00eancia cheia de amor<\/em> (n.30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inclus\u00e3o do amor nos aproxima de nossa pr\u00e1xis e reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e pol\u00edtica, que dever\u00e1 considerar a rela\u00e7\u00e3o entre amor e pol\u00edtica. Terminemos com uma considera\u00e7\u00e3o final sobre se a raz\u00e3o necessita da f\u00e9 e do amor crist\u00e3o. Em seu famoso di\u00e1logo com Habermas, Ratzinger encoraja essa sugest\u00e3o. Sem aceitar o discurso positivista que a gradual elimina\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o \u00e9 o caminho do progresso humano, da liberdade e da toler\u00e2ncia universal, admite a exist\u00eancia de \u201cpatologias da religi\u00e3o\u201d (do mais extremo fundamentalismo ao mais sutil integrismo), para as quais o di\u00e1logo com a raz\u00e3o \u00e9 uma cura saud\u00e1vel. Mas continua a apontar uma condi\u00e7\u00e3o que se torna cada vez mais evidente no mundo de hoje: a \u201cpatologia da raz\u00e3o\u201d. \u201cAntes havia surgido a quest\u00e3o se devia-se considerar a religi\u00e3o como uma for\u00e7a moral positiva; agora, deve surgir a d\u00favida sobre a <em>confiabilidade da raz\u00e3o<\/em>. No final das contas, a bomba at\u00f4mica \u00e9 um produto da raz\u00e3o; e tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o de homens foram criadas pela raz\u00e3o. Neste caso, n\u00e3o haveria que colocar a raz\u00e3o sob observa\u00e7\u00e3o? Mas por meio de quem ou de qu\u00ea? Ou talvez n\u00e3o deveriam se circunscrever reciprocamente a religi\u00e3o e a raz\u00e3o, mostrarem mutuamente os respectivos limites e se ajudar a encontrar o caminho? (RATZINGER, 2008, p.43-44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ante as patologias da raz\u00e3o, devemos tamb\u00e9m exigir \u00e0 sua<em> hybris<\/em> (com perigos t\u00e3o amea\u00e7adores como a bomba at\u00f4mica e o ser humano entendido como um produto) \u201creconhecer os seus limites e aprender a ouvir as grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas da humanidade\u201d (RATZINGER, 2008, p.53). \u201cPor isso, podemos falar de uma correla\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de raz\u00e3o e f\u00e9, raz\u00e3o e religi\u00e3o, que s\u00e3o convidadas a se purificar e regenerar mutuamente, que se necessitam reciprocamente e devem reconhec\u00ea-lo\u201d (RATZINGER, 2008, p.53). Mas se adverte que, no contexto intercultural de hoje, os dois atores principais, a f\u00e9 crist\u00e3 e a racionalidade secular ocidental, n\u00e3o podem ignorar outras culturas e devem escut\u00e1-las para n\u00e3o repetir um falso eurocentrismo. S\u00f3 com esta correla\u00e7\u00e3o polif\u00f4nica poder\u00e1 adquirir \u201cnova for\u00e7a efetiva entre os homens o que d\u00e1 coes\u00e3o ao mundo\u201d (RATZINGER, 2008, p.54). Ratzinger est\u00e1 falando aqui dos fundamentos morais e pr\u00e9-pol\u00edticos do estado liberal, da necessidade de \u201cencontrar uma evid\u00eancia \u00e9tica eficaz que tenha suficiente for\u00e7a de motiva\u00e7\u00e3o e que seja capaz de responder a estes desafios e ajudar a super\u00e1-los\u201d (RATZINGER, 2008, p.44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo existe uma dupla ajuda da raz\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e da f\u00e9 \u2013 e do amor \u2013 \u00e0 raz\u00e3o. \u00a0A raz\u00e3o pode ajudar a f\u00e9 eliminando contradi\u00e7\u00f5es err\u00f4neas ou sup\u00e9rfluas que dificultam e impedem que o mundo de hoje possa entender o Evangelho em toda a sua grandeza e beleza. A raz\u00e3o n\u00e3o pode abolir as contradi\u00e7\u00f5es entre o Evangelho e os erros e pecados dos seres humanos. A igreja se aproxima do mundo para servi-lo, anunciando a Boa Nova, evitando a tenta\u00e7\u00e3o de mundanizar-se. Existe a dist\u00e2ncia crist\u00e3, que preserva de qualquer acomoda\u00e7\u00e3o ou adapta\u00e7\u00e3o esp\u00faria, pois o Evangelho e a Igreja continuam sendo \u201csinal de contradi\u00e7\u00e3o\u201d. A raz\u00e3o s\u00f3 nos ajuda a eliminar falsos esc\u00e2ndalos (formas que serviam em outros tempos e que agora j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas) para que brilhe o verdadeiro esc\u00e2ndalo, a cruz que \u00e9 loucura para os gregos e esc\u00e2ndalo para os judeus. A reforma promovida pelo Conc\u00edlio para tornar compreens\u00edvel o Evangelho ao mundo de hoje \u00e9 um novo momento nesta longa hist\u00f3ria entre a f\u00e9 e a raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 no reino de Deus volta a abrir passagem entre o racionalismo e o fide\u00edsmo, contornando as diferentes vers\u00f5es que se repetem tanto na modernidade ilustrada (no positivismo cient\u00edfico, no marxismo totalit\u00e1rio ou no economicismo neoliberal) como no romantismo p\u00f3s-moderno (nos fanatismos e fundamentalismos religiosos ou nos fundamentalismo seculares de algumas vers\u00f5es do ecologismo, do indigenismo, do populismo). Al\u00e9m de se deixar ajudar para evitar que nela aconte\u00e7am \u201cpatologias da religi\u00e3o\u201d, a f\u00e9, o amor e a esperan\u00e7a crist\u00e3 podem ajudar a raz\u00e3o contempor\u00e2nea nos desafios que enfrenta o nosso mundo. Podem ajudar a detectar e denunciar as \u201cpatologias da raz\u00e3o\u201d, as desumaniza\u00e7\u00f5es que prejudicam o desenvolvimento integral. Podem colaborar na busca dessa \u201cevid\u00eancia \u00e9tica eficaz\u201d desses fundamentos morais e pr\u00e9-pol\u00edticos que n\u00e3o pretendem substituir a autonomia da moral e da pol\u00edtica, mas que podem enriquecer com amor a nossa busca por justi\u00e7a e impregnar de esperan\u00e7a os anseios de cada uma das nossas culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<em>Eduardo Silva S.J.\u00a0<\/em>Universidad Cat\u00f3lica de Chile y Universidad Alberto Hurtado, Chile. Texto original em espanhol<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Textos magisteriais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. Mensaje de navidad, 22 de diciembre, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. Fe, raz\u00f3n y universidad. Recuerdos y reflexiones. Discurso en la Universidad de Ratisbona (Regensburg), 12 de septiembre 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. <em>Caritas in veritate<\/em>, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CELAM. Documentos de Medellin, 1968; Puebla, 1980; Santo Domingo, 1992; Aparecida, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Lumen Fidei<\/em>, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Evangelii Gaudium<\/em>, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Catechesi Tradendae<\/em>,1979; Enc\u00edclica <em>Slavorum Apostoli<\/em>, 1985; <em>Redemptoris Missio<\/em>, 1990; <em>Fides et ratio, <\/em>1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O XXIII. <em>Gaudet Mater Ecclesia<\/em> (GME), 11 de octubre de 1962.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI. <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>RELATIO<\/em> <em>SYNODI<\/em> sobre la familia, 7 noviembre, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros textos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANSELMO, S. <em>Prosologio<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, L. <em>Nueva Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Paulinas, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHENU, M.-D. <em>La Parole de Dieu, I. La foi dans l\u2019Inteligence; II. L\u2019Evangile dans les Temps. <\/em>Paris: Editions du Cerf, 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE LA GARZA, M. T. <em>Pol\u00edtica de la memoria. <\/em>Una mirada sobre Occidente dese el margen. Barcelona: Anthropos,\u00a0 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELLACURIA, I. Historicidad de la salvaci\u00f3n cristiana.\u00a0 In: ELLACURIA, I.; SOBRINO,\u00a0 J. <em>Mysterium Liberationis. <\/em>Conceptos fundamentales de la Teolog\u00eda de la liberaci\u00f3n. Madrid: Trotta, 1994. p.323-372.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESTRADA, J. A. <em>Dios en las tradiciones filos\u00f3ficas. <\/em>2 &#8211; De la muerte de Dios a la crisis del sujeto. Madrid: Trotta, 196.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GEFFRE, C. <em>Un nouvel age de la th\u00e9ologie<\/em> Paris: Editions du Cerf, 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GEFFRE, C. <em>Le christianisme au risque de l\u2019interpr\u00e9tation<\/em>. Paris: Editions du Cerf, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GEFFRE, C. L\u2019entr\u00e9e de l\u2019hermen\u00e9utique en theologie. In: DORE, J. (dir.) Les cens ans de la facult\u00e9 de theologie. Paris: Beauchesne, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LEZ, A. El significado filos\u00f3fico de la teolog\u00eda de la libera\u00e7\u00e3o. In: COMBLIN, J. et al. <em>Cambio social y pensamiento cristiano en Am\u00e9rica Latina<\/em>. Madrid: Trotta, 1993. p.145-160<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LEZ, A. <em>El evangelho de la paz y el reinado de Dios<\/em>. Buenos Aires: Kairos, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GREISCH, J. <em>L\u2019age herm\u00e9neutique de la raison<\/em>.\u00a0 Paris: Editions du Cerf, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GREISCH, J. <em>Comprendre et interpr\u00e9ter. Le paradigme herm\u00e9neutique de la raison<\/em>. Paris:\u00a0 Beauchesne, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUTI\u00c9RREZ. G. <em>Teolog\u00eda de la liberaci\u00f3n<\/em>. Perspectivas. Salamanca: S\u00edgueme, 1972 (1990).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00dcNERMANN, P. <em>El Vaticano II como software de la iglesia actual<\/em>. Santiago: UAH, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KANT, E. <em>Critica de la facultad de juzgar<\/em>. Caracas: Monte \u00c1vila, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KNAUER, P. <em>Para comprender nossa f\u00e9<\/em>. M\u00e9xico: U. Iberoamericana, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">METZ, J. B. El problema de una \u201cteolog\u00eda pol\u00edtica\u201d. <em>Concilium<\/em>, n.36, 1968. p.385-403.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">METZ, J. B. <em>Teolog\u00eda del mundo<\/em>. Salamanca: S\u00edgueme, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">METZ, J. B. <em>Dios y tiempo. <\/em>Nueva teolog\u00eda pol\u00edtica. Madrid: Trotta, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOEMI, J. <em>Interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica del presente. <\/em>Introdu\u00e7\u00e3o al pensamiento de Paul Tillich. Anales de la Facultad de Teolog\u00eda UC (26), 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOEMI, J.\u00a0 Evangelho y libertad. In: ______. <em>\u00bfEs la esperanza crist\u00e3 liberadora?<\/em> Santiago: Paulinas,\u00a0 1990. p.11-24. (tamb\u00e9m em: NOEMI, J. Evangeliza\u00e7\u00e3o de la cultura. Presupuestos. <em>Teolog\u00eda y Vida<\/em> n.19, 1978. p.73-83).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, J. Lo que cohesiona al mundo. Los fundamentos morales y prepol\u00edticos del estado liberal. In: HABERMAS, J.; RATZINGER, J. <em>Entre raz\u00e3o y religi\u00f3n. <\/em>Dial\u00e9ctica de la seculariza\u00e7\u00e3o. FCE, 2008. p.35-54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAWLS, J. <em>Teor\u00eda de la justicia<\/em>. Cambridge: Harvard university press,1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Philosophie de la volont\u00e9. <\/em>1-Finitude et Culpabilit\u00e9 2-La Symbolique du mal<em>. <\/em>Paris: \u00a0Aubier, 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Temps et r\u00e9cit III<\/em>. Le temps racont\u00e9. Paris:\u00a0 Seuil, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Soi-m\u00eame comme un autre<\/em>. Paris: Seuil, 1990a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Amour et Justice<\/em>. Paris: Seuil, 1990b.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. V\u00e9rit\u00e9 et mensonge. <em>Esprit<\/em>, n.19. 1951. p.165-192. (Republicado em: <em>Historia\u00a0 verdade<\/em>. Madrid: Encuentro, 1990c. p.155-164).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P.\u00a0 \u00c9tica y pol\u00edtica. In: ______. <em>Lectures2. <\/em>La Contr\u00e9e des philosophies<em>. <\/em>Paris: Seuil, <em>\u00a0<\/em>1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Lectures 3. <\/em>Aux fronti\u00e8res de la philosophie. Paris: Seuil, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>R\u00e9flexion faite. <\/em>Autobiographie intellectuelle. Paris: Esprit, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Le juste 2<\/em>. Paris: Esprit, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROLF\u00c9S H. Nueva Evangeliza\u00e7\u00e3o. In: ROLF\u00c9S, Hanni; y otros. <em>La Nueva Evangeliza\u00e7\u00e3o. <\/em>Reflexiones, experiencias y testimonios desde el Peru. Lima: CEP, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCANNONE J. C. <em>Teolog\u00eda de la libera\u00e7\u00e3o y praxis popular<\/em>. Salamanca: S\u00edgueme, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCANNONE J. C. <em>Discernimiento filos\u00f3fico de la ac\u00e7\u00e3o y pasi\u00f3n hist\u00f3ricas. <\/em>Planteo para el mundo global desde Am\u00e9rica Latina. Barcelona: Anthropos, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOBRINO, J. Teolog\u00eda en un mudo sufriente. La Teolog\u00eda de la libera\u00e7\u00e3o como <em>intellectus amoris<\/em>. In: ______. <em>El principio misericordia<\/em>. Santander: Sal Terrae, 1992. p.47-80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAYLOR, C. <em>A Secular Age<\/em>. Cambridge: Harvard University Press, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRIGO, P. F\u00e9nomenolog\u00eda de las formas ambientales de religi\u00f3n en Am\u00e9rica Latina. In: DURAN, V.; SCANNONE, J. C.; SILVA, E. (comp.) <em>Problemas de filosof\u00eda de la religi\u00f3n desde Am\u00e9rica Latina<\/em>. Bogot\u00e1: Siglo del Hombre, 2004. p.37-121.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VERDUGO, F. <em>Relectura de la salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3 en Juan Luis Segundo<\/em>. Anales Teolog\u00eda UC, 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Quest\u00f5es fundamentais sobre a f\u00e9 no mundo de hoje 1.1 Introdu\u00e7\u00e3o 1.2 A virada hermen\u00eautica da raz\u00e3o: o terceiro horizonte do pensamento contempor\u00e2neo 2 F\u00e9 e raz\u00e3o 2.1 Dois modos complementares e n\u00e3o contradit\u00f3rios de acesso \u00e0 verdade 2.2 A hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e raz\u00e3o 2.3 A virada hermen\u00eautica da f\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-1332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1332"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1627,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1332\/revisions\/1627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}