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{"id":1312,"date":"2016-11-19T17:44:49","date_gmt":"2016-11-19T19:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1312"},"modified":"2016-11-19T17:44:49","modified_gmt":"2016-11-19T19:44:49","slug":"liturgia-religiosidade-popular-e-culturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1312","title":{"rendered":"Liturgia, religiosidade popular e culturas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Pro\u00eamio<\/p>\n<p>1 Incultura\u00e7\u00e3o da liturgia<\/p>\n<p>1.1 Que entendemos por liturgia e por cultura<\/p>\n<p>1.2 Intera\u00e7\u00e3o entre liturgia e culturas<\/p>\n<p>1.3 Breve resenha hist\u00f3rica. Rumo \u00e0 \u00a0interculturalidade<\/p>\n<p>2 Criatividade lit\u00fargica<\/p>\n<p>2.1 Criatividade e novidade<\/p>\n<p>2.2 Quatro modalidades na criatividade lit\u00fargica<\/p>\n<p>2.3 Varia\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>3 Religiosidade popular, cultura e liturgia<\/p>\n<p>3.1 Import\u00e2ncia da religiosidade popular<\/p>\n<p>3.2 Religiosidade popular na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>3.3 Religiosidade popular e liturgia<\/p>\n<p>4 Encontro de f\u00e9 e cultura no simb\u00f3lico sacramental<\/p>\n<p>4.1 Import\u00e2ncia do simb\u00f3lico sacramental<\/p>\n<p>4.2 O evangelho nos chega atrav\u00e9s de s\u00edmbolos e ritos<\/p>\n<p>4.3 As culturas devem entrar no rito e progredir com ele.<\/p>\n<p>5 Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>6 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p><strong>Pro\u00eamio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para a f\u00e9 crist\u00e3 a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus \u00e9 um dado t\u00e3o importante que afeta todas as estruturas e elementos que a comp\u00f5em: o tempo, o espa\u00e7o, a cultura, \u00a0a religiosidade, o culto, as rela\u00e7\u00f5es sociais &#8230; Tudo \u00e9 permeado pelo fato de que Deus entrou em nossa hist\u00f3ria. A encarna\u00e7\u00e3o adquire o seu pleno significado na glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus. Mas para a f\u00e9 crist\u00e3 h\u00e1 outro fato, sem o qual n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendida, nem a pessoa de Jesus, nem a sua glorifica\u00e7\u00e3o, nem a Igreja nem o destino da humanidade: este fato \u00e9 a presen\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus na pessoa de Jesus na Igreja e no mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Se a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus tem uma transcend\u00eancia \u00fanica, mas enquadrada em um tempo e um espa\u00e7o concretos (Nazar\u00e9 ano tal), a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo \u00e9 algo que permeia toda a hist\u00f3ria e todos os povos, mesmo que o seu \u00e1pice mais significativo seja Pentecostes. N\u00f3s tendemos a ler os acontecimentos salv\u00edficos de forma linear sem conex\u00e3o: a cria\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria antes de Jesus, a presen\u00e7a de Jesus na Palestina h\u00e1 dois mil anos, a hist\u00f3ria e a vida da Igreja depois de Jesus. Estes est\u00e1gios s\u00e3o reais, mas somente o Esp\u00edrito Santo os unifica: Ele vai ser a chave para entender coisas t\u00e3o variadas como a presen\u00e7a de Deus na religiosidade do povo, a presen\u00e7a de Deus na liturgia, a presen\u00e7a de Deus em cada cora\u00e7\u00e3o e em todas as culturas, o destino da humanidade .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sempre, mas especialmente em tempos de r\u00e1pidas mudan\u00e7as hist\u00f3ricas, culturais e sociais, a Igreja, na sua evangeliza\u00e7\u00e3o, estrutura\u00e7\u00e3o e liturgia, precisa voltar a repensar a sua rela\u00e7\u00e3o com a cultura ou as culturas dos povos, com base na encarna\u00e7\u00e3o de Cristo e no dom do Esp\u00edrito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1 Incultura\u00e7a\u00f5 da liturgia <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>1.1 Que entendemos por liturgia e por cultura?<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A palavra <em>liturgia<\/em> tem significados diferentes para o n\u00edvel b\u00edblico e eclesial. Refere-se a realidades inter-relacionadas, mas n\u00e3o id\u00eanticas. Aqui por liturgia entendemos o significado que a Constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> do Vaticano II lhe atribui mesmo sem tentar definir o que ela \u00e9. Ela diz\u00a0 no n. 7:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com raz\u00e3o se considera a Liturgia como o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sens\u00edveis significam e, cada um \u00e0 sua maneira, realizam a santifica\u00e7\u00e3o dos homens; nela, o Corpo M\u00edstico de Jesus Cristo &#8211; cabe\u00e7a e membros &#8211; presta a Deus o culto p\u00fablico integral.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 palavras que devem ser levadas muito em conta nesta quase defini\u00e7\u00e3o: exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo, cabe\u00e7a e membros, santifica\u00e7\u00e3o e culto p\u00fablico, sinais sens\u00edveis que significam e realizam algo. A liturgia n\u00e3o pode ser reduzida a algo puramente interno ou individual; n\u00e3o \u00e9 uma mera lembran\u00e7a das a\u00e7\u00f5es salv\u00edficas de Jesus; \u00e9 atua\u00e7\u00e3o de Cristo hoje na sua Igreja; \u00e9 adora\u00e7\u00e3o e santifica\u00e7\u00e3o. O que Cristo fez na sua encarna\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o, o continua atualizando hoje na liturgia pela Igreja, que recebeu seu Esp\u00edrito. Odo Casel, grande precursor da renova\u00e7\u00e3o da teologia da liturgia,\u00a0 disse em 1928 que em cada um dos sacramentos \u00e9 dada &#8220;a presen\u00e7a do ato salvador divino sob o v\u00e9u dos s\u00edmbolos<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">e que &#8220;a liturgia \u00e9 o mist\u00e9rio cultual de Cristo na Igreja&#8221; (citado por FILTHAUT, p. 28-29). A Sacrosanctum Concilium por sua vez, diz que &#8220;Cristo est\u00e1 sempre presente na sua Igreja, sobretudo na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica&#8221; (SC 7).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A palavra <em>cultura<\/em> tem tido e tem significados muito diferentes. Limitando-nos ao \u00e2mbito do nosso estudo se poderia dizer que <em>\u00e9 o conjunto de express\u00f5es simb\u00f3licas (modo de vida e de trabalho, festas, artes, celebra\u00e7\u00f5es, forma\u00e7\u00e3o &#8230;) que caracterizam a forma de ser, de agir, de sentir e de valorizar de um o povo<\/em>. E mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 unanimidade ante o conceito de cultura, h\u00e1 algum acordo sobre certos tra\u00e7os que a caracterizam e que caracterizam todas as culturas: a cultura n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 racional; n\u00e3o \u00e9 um simples enfeite folcl\u00f3rico; n\u00e3o \u00e9 algo un\u00edvoco, mas plural e diversificado; a cultura \u00e9 um todo estruturado, mas \u00e9 mut\u00e1vel e evolutiva;\u00a0 deve ser participativa, se n\u00e3o quer ser manipulada; inclui as realidades profundas de um povo, realidades que a &#8220;moldam&#8221;, incluindo o fen\u00f3meno religioso;\u00a0 influenciam nela o meio ambiente e hist\u00f3ria<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>1.2 Intera\u00e7\u00e3o entre liturgia e culturas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A cultura como uma express\u00e3o do mais caracter\u00edstico e mais \u00edntimo do ser, agir, sentir e valorizar de um povo inclui, obviamente, a experi\u00eancia religiosa de um povo. Enquanto isso, tamb\u00e9m a religiosidade de um povo (expressa em seus livros, cren\u00e7as, festas e rituais) imprime de alguma forma a sua marca na cultura. Portanto, quando um povo tem recebido em sua hist\u00f3ria a f\u00e9 crist\u00e3, a sua liturgia interage com a cultura numa simbiose mais ou menos bem sucedida, mas real. Duas palavras-chave explicam como ele funciona, ou, pelo menos, como pode funcionar essa intera\u00e7\u00e3o: s\u00e3o as palavras <em>acultura\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>incultura\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Acultura\u00e7\u00e3o<\/em>: \u00c9 a introdu\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a ou modifica\u00e7\u00e3o em um rito lit\u00fargico para uma melhor inser\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na liturgia. Acultura\u00e7\u00e3o envolve sempre se mudan\u00e7as mais ou menos significativas no rito lit\u00fargico estabelecido. Um exemplo: a s\u00f3bria liturgia romana dos primeiros s\u00e9culos, quando em contato com povos evangelizados provenientes de outras culturas\u00a0 nos s\u00e9culos posteriores, aceitou ritos mais expressivos e textos mais exuberantes que de alguma forma mudaram o g\u00eanio do rito romano. Assim, a liturgia romana se &#8220;aculturou&#8221; (= acomodou-se) \u00e0 cultura desses povos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Incultura\u00e7\u00e3o<\/em>: \u00c9 a reinterpreta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de um rito n\u00e3o-crist\u00e3o para que ele possa tornar-se parte de um rito lit\u00fargico, mas de forma que expresse o mesmo que expressa o rito lit\u00fargico. A incultura\u00e7\u00e3o comporta mudan\u00e7as mais ou menos profundas do rito n\u00e3o-crist\u00e3o, mas respeitando a forma pr\u00f3pria de uma cultura. Para realizar a incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso, entre outras coisas que o g\u00eanio e a cultura de um povo e suas express\u00f5es simb\u00f3licas, lingu\u00edsticas e rituais sejam muito bem conhecidos. Um exemplo: A un\u00e7\u00e3o pr\u00e9-batismal n\u00e3o estava no rito batismal dos primeiros s\u00e9culos; ele foi tirado da cultura e ritualidade\u00a0 pag\u00e3s ; mas lhe foi dado um sentido crist\u00e3o<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>1.3 Breve resenha hist\u00f3rica. Rumo \u00e0\u00a0 interculturalidade<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Fam\u00edlias lit\u00fargicas<\/em>: Um fen\u00f4meno eloquente da intera\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura \u00e9, acima de tudo, a presen\u00e7a de v\u00e1rios ritos ou <em>fam\u00edlias<\/em> lit\u00fargicas na Igreja. Na verdade, por causa da diversidade teol\u00f3gica e cultural, existem desde os prim\u00f3rdios do cristianismo v\u00e1rias maneiras de celebrar a liturgia no Oriente e Ocidente: n\u00e3o se celebrava antes nem se celebra hoje da mesma forma nas igrejas de Roma, Constantinopla ( Istambul), Antioquia ou Alexandria. O Conc\u00edlio Vaticano II valoriza muito estes ritos e deseja que continuem (cf. Orientalium Ecclesiarum n. 1-2).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Acultura\u00e7\u00e3o<\/em>: Circunscrevendo-nos ao rito romano, a hist\u00f3ria da liturgia mostra que, apesar de que a liturgia ocidental tem sido muito resistente \u00e0s mudan\u00e7as, os ritos foram modificados ao longo dos s\u00e9culos: n\u00e3o se celebrava da mesma forma nos primeiros s\u00e9culos, que nos tempos medievais, depois do conc\u00edlio de Trento e depois da reforma conciliar do Vaticano II. A liturgia ocidental tem sido &#8220;aculturando\u201d aos diversos tempos e \u00e1s mudan\u00e7as cultural. Em particular, a reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio Vaticano II teve em conta as exig\u00eancias da cultura de hoje (uso de l\u00ednguas vern\u00e1culas, cria\u00e7\u00e3o e variedade de textos eucol\u00f3gicos, participa\u00e7\u00e3o, etc.).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Incultura\u00e7\u00e3o<\/em>: Sobre a incultura\u00e7\u00e3o, podemos dizer que o pr\u00f3prio Jesus fez uso de padr\u00f5es culturais anteriores e de seu\u00a0 tempo (incluindo banhos rituais de Israel, o batismo de penitencial e inici\u00e1tico de Jo\u00e3o Batista), mas dando lhes um novo sentido. Nos primeiros s\u00e9culos e limitando-nos ao patriarcado do Ocidente, a liturgia foi cautelosa em aceitar formas rituais de outras religi\u00f5es. Nos s\u00e9culos XVI e XVII destacam as controv\u00e9rsias sobre os ritos malabares e\u00a0 chineses que acabaram por ser desautorizados. Singularmente o Ritual do Matrimonio \u00a0do Vaticano II n\u00e3o est\u00e1 fechado para a possibilidade de aceitar um rito matrimonial tirado de outra cultura como forma do matrimonio, sob certas condi\u00e7\u00f5es, especialmente em pa\u00edses rec\u00e9m-evangelizados e culturalmente muito diversos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Rumo \u00e0\u00a0 interculturalidade<\/em>: Ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II foi discutida &#8211; nem sempre com precis\u00e3o nem com uma linguagem \u00fanica \u2013 a acultura\u00e7\u00e3o e a incultura\u00e7\u00e3o da liturgia. Hoje, no contexto da pluralidade cultural e eclesial, se tende tanto no n\u00edvel cultural e lit\u00fargico a falar mais de interculturalidade. Limitando-nos ao caso da liturgia, pode-se dizer que os termos acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o j\u00e1 expressam a rela\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o entre liturgia e culturas. Mas o termo interculturalidade expressa em si mesmo com mais clareza e reciprocidade a intera\u00e7\u00e3o entre duas ou mais culturas e evita o perigo real de domina\u00e7\u00e3o de uma cultura sobre a outra. A interculturalidade insiste que a rela\u00e7\u00e3o deve ser em ambos os sentidos, <em>sin\u00e9rgica, respeitosa, de enriquecimento m\u00fatuo<\/em> &#8230; Algu\u00e9m pode se perguntar at\u00e9 que ponto a interculturalidade (que fala de culturas) \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre uma cultura particular e liturgia da Igreja: \u00e9 a liturgia, sem maiores precis\u00f5es, uma cultura &#8230;? Sem entrar neste ponto, devemos reconhecer que a interculturalidade aplicada ao nosso caso pode ajudar \u00e0 liturgia oficial para ter um relacionamento mais aberto e uma atitude mais respeitosa para com os valores de cada cultura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>2 Criatividade lit\u00fargica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>2.1 Criatividade e novidade<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A palavra criatividade \u00e9 uma palavra muito ampla. A a\u00e7\u00e3o de criar, caracter\u00edstica de Deus, tamb\u00e9m se aplica ao homem, uma criatura de Deus. O homem cria, inventa, produz, institui, estrutura, organiza, recria. Criatividade e novidade est\u00e3o ligadas: <em>quando se cria se produz algo novo<\/em>. N\u00e3o podemos esquecer que Jesus \u00e9 a novidade e a novidade n\u00e3o passa: &#8216;Jesus Cristo \u00e9 o mesmo ontem, hoje, sempre &#8220;(Hb 13,8). Esta novidade que \u00e9 Cristo deve se expressar e manifestar na liturgia da Igreja que Ele preside.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A liturgia ocidental, como eu sugeri, nem sempre tem sido um modelo de criatividade lit\u00fargica. Esta falta de criatividade -, mas tamb\u00e9m de coragem e de clarivid\u00eancia &#8211; n\u00e3o fez nada para superar as divis\u00f5es na grave crise da Reforma (s XVI.). A hist\u00f3ria da liturgia p\u00f3s-tridentina, al\u00e9m do resultado infeliz dos ritos orientais chineses e malabares (s. XVII e XVIII), mostra algo que hoje parece estranho e ao qual tiveram que se submeter,\u00a0 mais mal do que bem, as gera\u00e7\u00f5es passadas. Trata-se do &#8220;fixismo&#8221; e imobilismo lit\u00fargico: l\u00edngua, ritos, normas, rubricas e m\u00fasica foram prescritos e regulamentados at\u00e9 os menores detalhes durante s\u00e9culos. A Constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> deu um grande passo ao estabelecer a reforma dos livros e ritos lit\u00fargicos e ao incentivar a participa\u00e7\u00e3o efetiva de todos os fi\u00e9is na liturgia.\u00a0 Mas\u00a0 <em>reforma<\/em> lit\u00fargica n\u00e3o significa automaticamente <em>renova\u00e7\u00e3o<\/em> lit\u00fargica. Muitos acreditavam ingenuamente que com a reforma dos livros lit\u00fargicos, mudando do latim para a l\u00edngua vern\u00e1cula e transformando alguns ritos ou a disposi\u00e7\u00e3o do local de culto, j\u00e1 tudo foi resolvido. Logo ficou claro que n\u00e3o era assim. Al\u00e9m disso, na Am\u00e9rica Latina a mudan\u00e7a nos pegou despreparados: faltava aprofundar na catequese, no modo de pregar e celebrar, na piedade popular, na rela\u00e7\u00e3o entre liturgia e vida, na forma\u00e7\u00e3o e catequese dos fi\u00e9is. Foi dada \u00eanfase \u00e0 reforma, mas n\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o; falava-se demais de criatividade, mas pouco de novidade; houve uma febre de mudan\u00e7as, mas n\u00e3o um esfor\u00e7o para alcan\u00e7ar uma melhor celebra\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. Hoje ainda resulta dif\u00edcil de entender que nem tudo pode ser resolvido com mudan\u00e7as e que n\u00e3o h\u00e1\u00a0 reforma verdadeira sem renova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>2.2 Quatro modalidades na criatividade lit\u00fargica<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Quatro modalidades:<\/em> Se a criatividade lit\u00fargica significa inventar novas formas rituais, devem distinguir-se os diferentes modos de criatividade: a. <em>Cria-se tudo, forma e conte\u00fado<\/em> (por exemplo, algumas inten\u00e7\u00f5es da ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is improvisadas); b. <em>Se ajusta uma forma ordin\u00e1ria ou &#8220;recria\u00e7\u00e3o parcial&#8221;<\/em> (por exemplo, se explicita uma ora\u00e7\u00e3o do missal muito abstrata ou muito concisa); c. <em>Escolhe-se entre v\u00e1rios elementos<\/em> (leituras, ora\u00e7\u00f5es, cantos, ritos); d. <em>Se reproduz algo j\u00e1 existente como se tivesse sido criado naquele momento<\/em> \u00e9poca (declama\u00e7\u00e3o de um salmo,\u00a0 interpreta\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica, recita\u00e7\u00e3o de uma ora\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Regra de Ouro da criatividade<\/em>: Dentro desses quatro modos indicados n\u00e3o existe uma hierarquia de valor ou efic\u00e1cia. Porque\u00a0 &#8220;<em>o valor lit\u00fargico de criatividade n\u00e3o flui a partir da quantidade de novidade,\u00a0 mas da capacidade de significar a novidade do invis\u00edvel<\/em>&#8220;. Ou, em linguagem simples: A novidade lit\u00fargica n\u00e3o consiste em fazer algo diferente todos os dias, mas faz\u00ea-lo cada vez de forma nova. O modo <em>a<\/em> n\u00e3o \u00e9 necessariamente melhor do que o modo <em>d<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Alguns exemplos<\/em>: \u00a01. Uma boa orquestra e coro interpretam dezenas de vezes a Nona Sinfonia de Beethoven, sem mudar nada; mas cada vez o faz de uma nova maneira, como se fosse a primeira vez. 2. Na comemora\u00e7\u00e3o de um anivers\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mudar os gestos estabelecidos, mas faz\u00ea-los com o entusiasmo para celebrar algo novo: o dom da vida. 3. As inten\u00e7\u00f5es da ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is improvisadas n\u00e3o necessariamente ajudam a suplicar melhor do que aquelas preparadas com anteced\u00eancia e anunciadas por um leitor. 4. Um c\u00e2ntico natalino novo o 25 de dezembro \u00e9 louv\u00e1vel, mas n\u00e3o necessariamente comove mais e expressa melhor a festa de Natal\u00a0 que o \u00a0cl\u00e1ssico &#8220;Noite de Paz&#8221; bem executado. Mas este n\u00e3o \u00e9 um convite para fazer sempre a mesma coisa: n\u00e3o podemos esquecer que ao rito lit\u00fargico sempre lhe espreita a \u00a0rotina e a\u00a0 banalidade, a simples repeti\u00e7\u00e3o do passado sem refer\u00eancia para o futuro, o olhar para n\u00f3s sem olhar para os outros e para o Outro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\"><em>2.3 Varia\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na prepara\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da liturgia deve ser \u00a0levado em conta, al\u00e9m do indicado sobre a criatividade e novidade, tr\u00eas elementos que as favorecem e indico a seguir:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>A varia\u00e7\u00e3o<\/em> (indicado nos livros lit\u00fargicos e pouco utilizado por alguns): N\u00e3o podemos repetir todos os dias o mesmo ritual, a mesma celebra\u00e7\u00e3o, os mesmos textos e os mesmos cantos sem cair na rotina. \u00c9 \u00a0necess\u00e1rio o uso de variantes. Os livros lit\u00fargicos atuais apresentam uma grande variedade de textos eucol\u00f3gicos (por exemplo: de uma ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica passou-se a treze). Al\u00e9m disso, a liturgia n\u00e3o deve ser reduzida \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia: rezar a Liturgia das Horas oferece uma estrutura diferente e enriquece a nossa ora\u00e7\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o de missas leva \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica &#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>A adapta\u00e7\u00e3o<\/em>: A missa n\u00e3o pode ser igual na par\u00f3quia, num convento de religiosas, com as crian\u00e7as, ou na pris\u00e3o &#8230; Os livros lit\u00fargicos o insinuam quando dizem nas rubricas: &#8220;segundo as circunstancias&#8221; ou &#8220;se for considerado adequado pastoralmente &#8221; e quando apresentam diversidade de ora\u00e7\u00f5es para acomodar um sacramento a quem o recebe. Um modelo de adapta\u00e7\u00e3o verdadeiramente exemplar \u00e9 o \u201cDiret\u00f3rio lit\u00fargico para as missas com participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as&#8221;, publicado pela Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino, em 1973. Ele merece ser levado mais em considera\u00e7\u00e3o nas escolas, na catequese e nas par\u00f3quias. Outra adapta\u00e7\u00e3o para ter presente \u00e9 o &#8220;Diret\u00f3rio para as celebra\u00e7\u00f5es dominicais na aus\u00eancia do presb\u00edtero&#8221;, publicado em 1988 pela Congrega\u00e7\u00e3o e que convida a exercer uma adapta\u00e7\u00e3o criativa e a evitar a imita\u00e7\u00e3o servil da missa dominical.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>A incultura\u00e7\u00e3o-acultura\u00e7\u00e3o<\/em>: Na Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia\u00a0 n\u00e3o aparece este tecnicismo; mas se fala a\u00ed de\u00a0 uma &#8220;adapta\u00e7\u00e3o mais profunda&#8221; \u00e0 mentalidade e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos povos em determinados lugares e circunst\u00e2ncias (cf. n. 37-40). Os n. 38-39 falam de uma adapta\u00e7\u00e3o do rito romano a uma cultura (acultura\u00e7\u00e3o); Os n. 37 e 40 falam da inclus\u00e3o de elementos de uma cultura no rito lit\u00fargico (incultura\u00e7\u00e3o). Para esta adapta\u00e7\u00e3o mais profunda se exigem\u00a0 certas condi\u00e7\u00f5es descritas em outros documentos. Um exemplo atual de recente incultura\u00e7\u00e3o e acultura\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrado no rito zairense da Eucaristia (hoje chamado rito congol\u00eas), na atual Rep. Dem. do Congo, em \u00c1frica (PALOMERA cf., p. 73-76). Em diversas culturas ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina t\u00eam-se permitido mudan\u00e7as limitadas, especialmente no campo dos textos eucol\u00f3gicos (tradu\u00e7\u00f5es din\u00e2micas).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>3 Religiosidade popular, cultura e liturgia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Falando das rela\u00e7\u00f5es entre religiosidade popular, cultura e liturgia, n\u00e3o faremos uma distin\u00e7\u00e3o entre religiosidade popular e religi\u00e3o do povo. Embora a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante para o n\u00edvel geral da antropologia religiosa, ao n\u00edvel da liturgia e da cultura dos povos da Am\u00e9rica Latina, a distin\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez menos n\u00edtida. O povo tende a expressar e\u00a0 viver a religi\u00e3o (f\u00e9, cren\u00e7as, sentido religioso) pela religiosidade (ritos, express\u00f5es simb\u00f3licas, festas) na liturgia oficial da Igreja e fora dela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 Import\u00e2ncia da religiosidade popular<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A religiosidade popular \u00e9 um fen\u00f4meno que atravessa todos os povos e que influi em todas as culturas. O documento de Puebla (n. 444)\u00a0 nos diz em palavras simples que &#8220;por religi\u00e3o do povo, religiosidade popular ou piedade popular, entendemos o conjunto de cren\u00e7as profundas marcadas por Deus, das atitudes b\u00e1sicas que derivam dessas convic\u00e7\u00f5es e as express\u00f5es que as manifestam&#8221;. E acrescenta: \u201cTrata-se da forma ou da exist\u00eancia cultural que a religi\u00e3o adota em um povo determinado.&#8221; A religiosidade popular tem acompanhado a liturgia da Igreja desde os seus inicios. No Oriente crist\u00e3o, a liturgia soube incorporar a religiosidade em sua liturgia ou caminhar em estreita uni\u00e3o com ela. No Ocidente, a liturgia, mais formal e elitista, n\u00e3o conseguiu essa simbiose: a religiosidade popular se desenvolveu em forma paralela \u00e0 liturgia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>3.2 Religiosidade popular na Am\u00e9rica Latina<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na Am\u00e9rica Latina, a religiosidade popular cat\u00f3lica impregnou tanto a cultura das diversas etnias e grupos sociais que \u00e9 um tra\u00e7o que marcou o catolicismo e as culturas latino-americanas. Os bispos reunidos em Medell\u00edn ap\u00f3s o Concilio alertaram sobre a necessidade de t\u00ea-la em conta para evitar um div\u00f3rcio entre o catolicismo e o povo dos batizados (cf. Doc. Medell\u00edn 6.3). Jo\u00e3o Paulo II a valorizava e a caracterizava com estas palavras:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Esta piedade popular n\u00e3o \u00e9 necessariamente um sentimento vago, carente de base doutrinal s\u00f3lida, como uma forma inferior de manifesta\u00e7\u00e3o religiosa. Pelo contr\u00e1rio, quantas vezes \u00e9 a express\u00e3o verdadeira da alma de um povo, enquanto tocada pela gra\u00e7a e forjada pelo encontro feliz entre a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o e a cultura local &#8220;(Homilia pronunciada em 30 de Janeiro de 1979, santu\u00e1rio de Nossa. Senhora de Zapopan, 2)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Papa Francisco fala na <em>Evangelii Gaudium <\/em>em termos altamente elogiosos da religiosidade popular na Am\u00e9rica Latina, dizendo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201caquele amado Continente, onde uma multid\u00e3o imensa de crist\u00e3os exprime a sua f\u00e9 atrav\u00e9s da piedade popular, os Bispos chamam-na tamb\u00e9m \u00abespiritualidade popular\u00bb ou \u00abm\u00edstica popular\u00bb. Trata-se de uma verdadeira \u00abespiritualidade encarnada na cultura dos simples\u00bb.\u201d (EG, 124).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Junto com elementos positivos n\u00e3o faltam elementos negativos na religiosidade popular. Entre os elementos positivos podemos apontar, entre outros, os seguintes: a presen\u00e7a trinit\u00e1ria em devo\u00e7\u00f5es e na iconografia; sentido da provid\u00eancia de Deus Pai; Cristo, celebrado no seu mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o, na sua crucifica\u00e7\u00e3o, na Eucaristia, na devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus; amor afetuoso e terno a Maria (talvez o tra\u00e7o mais caracter\u00edstico da religiosidade da Am\u00e9rica Latina); as festas patronais; as peregrina\u00e7\u00f5es; a f\u00e9 na vida ap\u00f3s a morte. Entre os aspectos negativos apontamos, entre outros, os de origem ancestral (supersti\u00e7\u00e3o, magia,\u00a0 fatalismo); aqueles resultantes de uma catequese pobres (ignor\u00e2ncia, sincretismo, redu\u00e7\u00e3o da f\u00e9 a um mero contrato, sacramentalismo vazio, ritualismo); os origem ambiental (incoer\u00eancia entre a f\u00e9 e a vida, falsos messias, alcoolismo em festas) (ver <em>Doc. Puebla<\/em> n. 454 e 456 e<em> Doc. Aparecida<\/em> n. 258-259).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>3.3 Religiosidade popular e liturgia<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os limites entre o lit\u00fargico e a religiosidade popular n\u00e3o devem tornar-se fronteiras. Nossas liturgias deveriam reconhecer mais plenamente a import\u00e2ncia da piedade popular, como insinua a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> (n. 9 e 13). Dever\u00edamos ter mais em conta as culturas, as etnias e as l\u00ednguas minorit\u00e1rias. Al\u00e9m disso, na religiosidade popular deveria promover-se a valoriza\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, a prega\u00e7\u00e3o,\u00a0 a participa\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e nas assembleias dominicais, a prepara\u00e7\u00e3o para os sacramentos, uma s\u00f3lida catequese no n\u00edvel dos ritos e a purifica\u00e7\u00e3o de aquilo que desmente a f\u00e9\u00a0 e a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>4 Encontro de f\u00e9 e cultura no simb\u00f3lico sacramental<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.1 Import\u00e2ncia do simb\u00f3lico sacramental<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A comunica\u00e7\u00e3o no n\u00edvel humano e\u00a0 religioso funciona por s\u00edmbolos. A pessoa humana \u00e9 um ser ritual. Se expressa e se disse atrav\u00e9s de sua corporeidade, da sua palavra, dos \u00a0seus gestos, dos seus s\u00edmbolos e dos seus ritos. Isto nos \u00e9 lembrado pela religiosidade e piedade popular de nossos povos: basta pensar na import\u00e2ncia das imagens, cantos, b\u00ean\u00e7\u00e3os, devo\u00e7\u00f5es,\u00a0 ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, prociss\u00f5es, confrarias, dan\u00e7as religiosas, festas patronais e santu\u00e1rios em cada cidade. Tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o no n\u00edvel divino salv\u00edfico funciona por s\u00edmbolos. Deus se mostrou atrav\u00e9s de sinais: a cria\u00e7\u00e3o, os profetas, a Palavra revelada, Cristo e seus gestos, a comunidade eclesial e humana, os gestos sacramentais, o pobre&#8230; Porque Deus nos fez corp\u00f3reos e se tornou corp\u00f3reo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.2 O evangelho chega at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s de s\u00edmbolos e \u00a0ritos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O evangelho n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma hist\u00f3ria de dois mil anos atr\u00e1s. A Boa Nova n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria de algo que aconteceu &#8220;<em>in illo tempore<\/em>&#8220;. Se fosse assim n\u00f3s admirar\u00edamos um homem excepcional, mas n\u00e3o mais. O que Jesus fez na Palestina \u00e9 atualizado hoje &#8220;<em>per ritus et preces<\/em>&#8221; (Sacrosanctum Concilium n. 48), ou seja, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de assembleias realizadas em seu nome e invocando a for\u00e7a do seu Esp\u00edrito nas celebra\u00e7\u00f5es. O S\u00edmbolo da F\u00e9 (Credo), n\u00e3o s\u00f3 <em>expressa<\/em> a f\u00e9 da Igreja: ao profess\u00e1-lo nos une, nos identifica e nos ajuda a <em>crescer <\/em>como Igreja. A liturgia \u00e9 isto: n\u00e3o \u00e9 simples cerim\u00f4nia, n\u00e3o \u00e9 mera mem\u00f3ria, e n\u00e3o \u00e9 mera repeti\u00e7\u00e3o. Cristo est\u00e1 presente no sinal da Palavra, Cristo nos alimenta com Seu p\u00e3o celestial, Cristo nos une em seu corpo pela for\u00e7a do seu Esp\u00edrito. Sem esses sinais e sem o Esp\u00edrito Santo, Cristo permaneceria distante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.3 As culturas devem entrar no rito e progredir com ele<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Hoje n\u00e3o podemos falar de uma \u00fanica cultura. Vivemos em um mundo plural. Tamb\u00e9m a igreja una \u00e9 uma Igreja plural. \u00c9 cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 porque ela se expresse em um idioma e cultura, mas porque na pluralidade de l\u00ednguas e culturas celebra uma mesma f\u00e9. Em Pentecostes, o dom de l\u00ednguas fez que cada povo entendesse em seu idioma a mensagem que os ap\u00f3stolos professavam em sua pr\u00f3pria l\u00edngua. Hoje, o dom de l\u00ednguas deve consistir em que a boa nova do Evangelho seja recebida, se celebre e se encarne na multiplicidade de l\u00ednguas, salvaguardada a f\u00e9. A Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 universal, porque nela h\u00e1 espa\u00e7o para cada cultura, l\u00edngua, express\u00e3o ritual e\u00a0 art\u00edstica. A incultura\u00e7\u00e3o ritual n\u00e3o \u00e9 moda; \u00e9 uma tarefa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus \u00e9 um fato que nos convida a concentrar-nos e encontrar-nos na pessoa de Jesus. A irrup\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Jesus na comunidade de Pentecostes nos convida a alargar o horizonte para ver que Jesus, presente na sua Igreja, abra\u00e7a todas as culturas, povos e l\u00ednguas e nos abre a humanizar e divinizar o mundo. A igreja na sua liturgia\u00a0 (embora n\u00e3o apenas nela) tem uma tarefa importante: mostrar que o Senhor est\u00e1 presente em nossa hist\u00f3ria, em nossas vidas, em nossas culturas. Para isso, a liturgia deve abra\u00e7ar cada cultura, encarnar-se nelas e traduzir a mensagem para a l\u00edngua de hoje, a de cada povo e cada cultura. \u00c1rdua miss\u00e3o, a longo prazo, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. Trata-se n\u00e3o de mudar tudo e desperdi\u00e7ar um tesouro de vinte s\u00e9culos; mas de evitar uma liturgia de museu (antiquada), inexpressiva (de rotina) ou discordante com a cultura de um povo : \u00e9 a tarefa de todos, especialmente dos que a presidem,\u00a0 especialmente se eles est\u00e3o inseridos pelo nascimento e batismo naquela cultura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L. Palomera, S.J. Universidad Catolica de Bol\u00edvia, Cochabamba, Bol\u00edvia. Texto original espanhol<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CHUPUNGCO, Anscar, \u201cAdaptaci\u00f3n\u201d en:<em> Nuevo Diccionario de Liturgia<\/em>, ed. D. Sartore y A.M. Triacca, Madrid: Paulinas, 1987.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">DI SANTE, Carmine, \u201cCultura y liturgia\u201d en: <em>Nuevo Diccionario de Liturgia<\/em>, ed. D. Sartore y A.M. Triacca, Madrid: Paulinas, 1987.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FILTHAUT, Teodoro, <em>Teolog\u00eda de los Misterios. Exposici\u00f3n de la controversia, <\/em>Bilbao: Descl\u00e9e de Brouwer, 1963.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PALOMERA,\u00a0 Luis, \u201c<em>Le rite za\u00efrois de la messe. Opinion d\u2019un liturgiste de l\u2019Am\u00e9rique latine<\/em>\u201d, en <em>Telema<\/em> 29 (1982) 73-76.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Para aprofundar mais:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ALDAZ\u00c1BAL, J. <em>et al.,<\/em> <em>La inculturaci\u00f3n en la liturgia<\/em>, Cuadernos Phase 35, Barcelona: Centre de Pastoral Lit\u00fargica , 1992.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CASEL, Odo, <em>El Misterio del culto cristiano<\/em>, San Sebasti\u00e1n: Dinor, 1953.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONSEJO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO, <em>Iglesia y Religiosidad popular en Am\u00e9rica Latina. Ponencias y Documento final<\/em>, Bogot\u00e1, 1977.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">DEPARTAMENTO DE LITURGIA DEL CELAM, <em>El Medell\u00edn de la Liturgia<\/em>, Bogot\u00e1, 1973.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">EQUIPO SELADOC, <em>Religiosidad popular<\/em>, Salamanca: S\u00edgueme, 1976.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para um maior aprofundamento cf. DI SANTE: p. 518-530.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para um maior aprofundamento cf. CHUPUNGCO: p. 45-48.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Pro\u00eamio 1 Incultura\u00e7\u00e3o da liturgia 1.1 Que entendemos por liturgia e por cultura 1.2 Intera\u00e7\u00e3o entre liturgia e culturas 1.3 Breve resenha hist\u00f3rica. Rumo \u00e0 \u00a0interculturalidade 2 Criatividade lit\u00fargica 2.1 Criatividade e novidade 2.2 Quatro modalidades na criatividade lit\u00fargica 2.3 Varia\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o 3 Religiosidade popular, cultura e liturgia 3.1 Import\u00e2ncia da religiosidade popular [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1312"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1313,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1312\/revisions\/1313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}