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{"id":1310,"date":"2016-11-19T17:36:43","date_gmt":"2016-11-19T19:36:43","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1310"},"modified":"2021-01-12T18:13:19","modified_gmt":"2021-01-12T20:13:19","slug":"eclesiologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1310","title":{"rendered":"Eclesiologia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Dificuldades atuais da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Princ\u00edpios sociol\u00f3gicos e teol\u00f3gicos para compreender a Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Fundamentos b\u00edblicos da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Os tr\u00eas mil\u00eanios eclesiol\u00f3gicos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1 Primeiro mil\u00eanio: Igreja, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.2 Segundo mil\u00eanio: Igreja de Cristandade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.3 Terceiro mil\u00eanio: Igreja que volta a suas origens e se abre aos sinais dos tempos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Linhas de for\u00e7a da eclesiologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Desafios para a Igreja do futuro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come\u00e7ar a refletir sobre a matriz eclesiol\u00f3gica, gostar\u00edamos de dizer, para ser honestos, que nosso horizonte eclesiol\u00f3gico \u00e9 aberto e, embora apresente a eclesiologia desde a perspectiva cat\u00f3lica, poder\u00e1 ser enriquecido ecumenicamente por outras abordagens eclesiol\u00f3gicas protestantes, anglicanas e ortodoxas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Dificuldades atuais da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do entusiasmo eclesial do s\u00e9culo XIX (Vaticano I) e de in\u00edcios do XX, que culminou no conc\u00edlio eclesiol\u00f3gico Vaticano II, seguiu um tempo de crise eclesial, expressado em formula\u00e7\u00f5es como \u201cCristo sim, Igreja n\u00e3o\u201d, \u201ccren\u00e7a sem perten\u00e7a eclesial\u201d, \u201cespiritualidade sim, mas institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o\u201d, \u201ccrist\u00e3os do \u00e1trio\u201d, \u201cinverno eclesial\u201d, \u201ctodas as religi\u00f5es s\u00e3o iguais\u201d etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os motivos s\u00e3o numerosos e variados: esc\u00e2ndalos sexuais de ministros da Igreja e esc\u00e2ndalos econ\u00f4micos das finan\u00e7as vaticanas, pouco respeito aos direitos humanos dentro da Igreja, estreiteza de vis\u00e3o do magist\u00e9rio moral, patriarcalismo, autoritarismo e centralismo hier\u00e1rquico, alian\u00e7a da Igreja com os poderosos etc. Em todos estes casos se identifica a Igreja com a hierarquia (papa, c\u00faria vaticana, bispos, presb\u00edteros), embora\u00a0 n\u00e3o esteja constitu\u00edda apenas pela hierarquia, nem seja o Reino de Deus, nem\u00a0 possa substituir a Jesus Cristo, que \u00e9 \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo\u00a0 14,6). A Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o tem a exclusividade do Esp\u00edrito, pois ele tamb\u00e9m age fora da Igreja nas culturas e religi\u00f5es. O que \u00e9, ent\u00e3o, a Igreja?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Princ\u00edpios sociol\u00f3gicos e teol\u00f3gicos para compreender a Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista sociol\u00f3gico, qualquer iniciativa pessoal, tanto de ordem pol\u00edtica quanto cultural e religiosa, n\u00e3o pode ser duradoura se n\u00e3o se institucionaliza, pois toda institui\u00e7\u00e3o precisa de um centro de unidade e governo. Sem a institucionaliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, eclesial, o movimento iniciado por Jesus de Nazar\u00e9 teria desaparecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, teologicamente, \u00e9 preciso ir al\u00e9m: Deus \u00e9 um mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, \u00e9 uma comunidade trinit\u00e1ria e seu projeto de salva\u00e7\u00e3o (o Reino de Deus) \u00e9 comunit\u00e1rio no seu conte\u00fado (filia\u00e7\u00e3o divina e fraternidade humana) e encarnat\u00f3rio (se realiza em Cristo). Desta maneira, o des\u00edgnio divino se realiza na hist\u00f3ria impulsionada pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito nas comunidades: o Israel do Antigo ou Primeiro Testamento, a comunidade de Jesus e seus disc\u00edpulos, a Igreja comunidade vis\u00edvel e encarnada na hist\u00f3ria da humanidade. Seu centro \u00e9 o mandamento do amor, o amor trinit\u00e1rio que se abre e comunica \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma ideologia, mas um fato hist\u00f3rico. Por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender a Igreja sem recorrer \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja. No entanto, a Igreja n\u00e3o \u00e9 apenas um problema, mas um mist\u00e9rio que s\u00f3 pode ser acessado a partir da f\u00e9. E, por ser um mist\u00e9rio ligado ao mist\u00e9rio trinit\u00e1rio (<em>LG<\/em> I), a Igreja nunca pode ser plenamente apreendida nem definida. Assim, coexistem, tanto na Escritura quanto na Tradi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, diversas reflex\u00f5es sobre a Igreja (ou eclesiologias), que n\u00e3o s\u00e3o excludentes nem contradit\u00f3rias, mas que se complementam e enriquecem mutuamente. Por esta mesma raz\u00e3o, procuraremos nos aproximar metodologicamente da Igreja desde seus diversos momentos hist\u00f3ricos, desde as diversas eclesiologias que t\u00eam \u00a0aparecido. N\u00e3o apenas a partir das eclesiologias oficiais, mas tamb\u00e9m das eclesiologias que t\u00eam surgido da base do Povo de Deus e mais concretamente da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Fundamentos b\u00edblicos da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem entrar na quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o da Igreja de Jesus com as outras religi\u00f5es (matriz cf. di\u00e1logo inter-religioso), podemos dizer que a igreja crist\u00e3 tem uma longa pr\u00e9-hist\u00f3ria no Primeiro Testamento: do plano comunit\u00e1rio de salva\u00e7\u00e3o de Deus contido \u00a0simbolicamente nos 11 primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis (comunidade inter-humana, c\u00f3smica e religiosa) e que parece fracassar depois de Babel (Gn 11), Deus escolhe Abra\u00e3o para que seja cabe\u00e7a de um povo que lhe sirva com fidelidade e pratique a justi\u00e7a, de modo que seja luz para todas as na\u00e7\u00f5es (Gn 12,1-3;18,18). Este povo,\u00a0 libertado por Deus, atrav\u00e9s de Mois\u00e9s, da escravid\u00e3o do Egito (Ex 14), ser\u00e1 o Povo de Deus, com quem Yahweh estabelecer\u00e1 uma estreita alian\u00e7a (Ex 20). Contudo, o Povo de Deus, que passou da \u00e9poca da confedera\u00e7\u00e3o tribal \u00e0 monarquia, quebrou muitas vezes essa alian\u00e7a, sobretudo no tempo da monarquia e, apesar da voz cr\u00edtica dos profetas, terminou no ex\u00edlio (Sl 137). Yahweh o salva de novo, e do ex\u00edlio surge um resto de Israel fiel a Deus, os pobres de Yahweh (<em>anawim)<\/em>, do qual brotar\u00e3o Jo\u00e3o Batista, Maria e Jesus. No Antigo Testamento, j\u00e1 se prefigura e prepara a Igreja do futuro (<em>LG<\/em> 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus pertence ao povo de Israel e, com sua vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, abre um horizonte novo; forma uma comunidade de disc\u00edpulos (Mc 3,13-19 e paralelos) para renovar Israel: os doze representam as doze tribos de Israel; depois da P\u00e1scoa e Pentecostes, esses disc\u00edpulos constitu\u00edram a base da comunidade crist\u00e3, da Igreja (ver cristologia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Novo Testamento pressup\u00f5e a exist\u00eancia de comunidades crist\u00e3s e recolhe as reflex\u00f5es e exorta\u00e7\u00f5es pastorais das primeiras testemunhas de Jesus em torno \u00e0s diversas comunidades crist\u00e3s; o Novo Testamento se origina na tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja que antecedeu os escritos. O Esp\u00edrito ilumina e inspira os escritores em fun\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da Igreja. No Novo Testamento, n\u00e3o h\u00e1 uma eclesiologia sistem\u00e1tica, mas uma pluralidade de viv\u00eancias pastorais e de reflex\u00f5es eclesiol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Paulo, a Igreja \u00e9 Povo de Deus (Rm 11), Corpo de Cristo (1Cor 12,13) e Templo do Esp\u00edrito (1Cor 3,16). As Cartas pastorais, escritas em um momento posterior,\u00a0 apresentam a Igreja como Casa de Deus (1Tm\u00a0 3,5.15), que deve manter a fidelidade\u00a0 doutrinal e a estrutura ministerial de governo. As Cartas do cativeiro veem a Igreja como Corpo de Cristo (Cl 1,18) e Esposa do Senhor (Ef 5,21-23). Lucas \u2013 no seu evangelho \u2013 e, sobretudo, nos Atos dos Ap\u00f3stolos, nos apresenta o tempo da Igreja (At 1,8) que prossegue e leva adiante o tempo de Jesus, sob a for\u00e7a do Esp\u00edrito. Para Mateus, a Igreja \u00e9 o verdadeiro Israel (Mt 21,33-46), dentro do qual Pedro \u00e9 o rochedo e possui as chaves do Reino (Mt 16,19). A tradi\u00e7\u00e3o joanina reflete uma dimens\u00e3o mais pessoal da f\u00e9 como ades\u00e3o a Cristo, mas n\u00e3o faltam imagens com resson\u00e2ncia eclesial como o bom pastor (Jo 10), a alegoria da videira (Jo 15) e a par\u00e1bola eclesial da pesca milagrosa que culmina com o encargo a Pedro de apascentar as ovelhas (Jo 21). A 1\u00aa Carta de Pedro se dirige a uma comunidade crist\u00e3 em situa\u00e7\u00e3o de di\u00e1spora e a anima recordando-lhe que \u00e9 Povo de Deus, linhagem escolhida e sacerd\u00f3cio santo (1Pd 2,9-10). A Carta de Santiago salienta a prioridade dos pobres na Igreja (Tg 2,1-7). A Carta aos Hebreus apresenta Jesus como o sacerdote fiel e compassivo, que nos abriu a entrada ao santu\u00e1rio do c\u00e9u (Hb 9). Apocalipse quer consolar e animar uma Igreja em situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o pelo Imp\u00e9rio romano e oferece imagens femininas da Igreja: a mulher que vence o drag\u00e3o (Ap 12), a Esposa do Cordeiro (Ap 19), a Nova Jerusal\u00e9m (Ap 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s destes diversos escritos, aparecem os tra\u00e7os essenciais da Igreja do Novo Testamento: uma comunidade que vive uma radical igualdade e fraternidade entre todos seus membros, com pluralidade de carismas e minist\u00e9rios, um dos quais \u00e9 o governo que vela pela unidade de f\u00e9 e a comunh\u00e3o. \u00c9 uma comunidade centrada em Cristo e no Esp\u00edrito, uma comunidade encarnada na hist\u00f3ria que caminha para o Reino de Deus seguindo o estilo pobre e simples de Jesus de Nazar\u00e9, uma comunidade na qual os pobres ocupam um lugar privilegiado, uma comunidade que anuncia a boa nova do evangelho de Jesus, celebra a frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e serve o mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Os tr\u00eas mil\u00eanios eclesiol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o basta conhecer a eclesiologia b\u00edblica, nem a Igreja que Jesus queria, tamb\u00e9m \u00e9 preciso conhecer como a Igreja se desenvolveu na hist\u00f3ria atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Podemos distinguir tr\u00eas mil\u00eanios eclesiais e eclesiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1 Primeiro mil\u00eanio: Igreja mist\u00e9rio de comunh\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a passagem da Igreja Apost\u00f3lica \u00e0 Igreja p\u00f3s-apost\u00f3lica, quando a experi\u00eancia de Jesus \u00e9 refletida no Novo Testamento, a comunidade se organiza e se estrutura internamente (bispos, presb\u00edteros, di\u00e1conos). Abre-se a todos os povos e culturas, reage e se defende frente \u00e0s heresias trinit\u00e1rias e cristol\u00f3gicas, padece persegui\u00e7\u00f5es e mart\u00edrio.\u00a0 A mesma que, sobretudo depois da paz constantiniana, est\u00e1 dotada de grandes santos que tamb\u00e9m s\u00e3o pensadores e escritores, os denominados Padres da Igreja. Esta Igreja possui um impulso que durar\u00e1 at\u00e9 o ano mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma Igreja que se concebe como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, comunh\u00e3o eucar\u00edstica, comunh\u00e3o fraterna e pastoral, comunh\u00e3o solid\u00e1ria com os pobres. A reflex\u00e3o teol\u00f3gica, a eclesiologia, \u00e9 mais vital, pastoral, b\u00edblica e lit\u00fargica que sistem\u00e1tica. A Igreja se introduz no credo no terceiro artigo sobre a f\u00e9 no Esp\u00edrito, para expressar que ela existe sob a for\u00e7a do Esp\u00edrito que a santifica, unifica, a mant\u00e9m fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e aberta \u00e0 universalidade cat\u00f3lica: por isto se proclama una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram desenvolvidas pastoralmente algumas imagens da Igreja, como a lua que brilha, n\u00e3o com luz pr\u00f3pria, mas pela luz do sol que \u00e9 Jesus; a barca de Pedro, que atravessa o mar do mundo, guiada pelo piloto que \u00e9 Cristo e pela for\u00e7a do Esp\u00edrito; a Igreja que \u00e9 santa e pecadora, casta e prostituta, nunca abandonada pelo Esp\u00edrito. \u00c9 uma Igreja que vive fortemente a dimens\u00e3o local, mas reconhece a primazia na caridade da Igreja de Roma, uma sede santificada pelo mart\u00edrio de Pedro e Paulo. \u00c9 uma Igreja participativa e ativa que procura resolver as tens\u00f5es internas com esp\u00edrito de di\u00e1logo e que faz da eucaristia o lugar de comunh\u00e3o eclesial: a Igreja faz a eucaristia, a eucaristia faz a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 Segundo mil\u00eanio: Igreja de Cristandade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a Cristandade esteja enraizada no tempo de Constantino e Teod\u00f3sio (s\u00e9c. IV), ela n\u00e3o se consolidou definitivamente at\u00e9 o s\u00e9culo XI, com a reforma de Greg\u00f3rio VII, que, para defender a liberdade da Igreja contra os senhores feudais, centraliza a Igreja e refor\u00e7a a autoridade papal, em detrimento das igrejas locais e da participa\u00e7\u00e3o da comunidade. \u00c9 uma Igreja fortemente clerical, juridicista e triunfalista. A eclesiologia sistem\u00e1tica nasce no s\u00e9culo XIV como defesa do poder papal (o sol) contra o imperador (a lua).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta Igreja, come\u00e7a a divis\u00e3o entre cl\u00e9rigos e leigos, a ruptura entre a Igreja Ocidental Latina e a Igreja do Oriente, entre a Igreja Romana e as Igrejas da Reforma, entre a Igreja e a sociedade moderna ilustrada. Esta tend\u00eancia autorit\u00e1ria e fechada ao mundo secular aumenta depois da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (s\u00e9c. XVIII), se consolida no Conc\u00edlio Vaticano I (s\u00e9c. XIX) e atingir\u00e1 o seu auge com o pontificado de Pio XII. \u00c9 certamente a Igreja das catedrais e das sumas teol\u00f3gicas, uma Igreja com grandes santos e santas, m\u00edsticos e m\u00edsticas, mas \u00e9 tamb\u00e9m a Igreja das cruzadas, da Inquisi\u00e7\u00e3o, e das guerras de religi\u00e3o entre crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste segundo mil\u00eanio n\u00e3o faltam movimentos prof\u00e9ticos que pedem um retorno \u00e0s origens evang\u00e9licas: o monacato, os movimentos de leigos dos s\u00e9culos XI ao XIII, os mendicantes, a Reforma, os bispos e mission\u00e1rios do s\u00e9culo XVII defensores dos ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina, a minoria teol\u00f3gica do Vaticano I, que postulava uma Igreja mais comunit\u00e1ria, pneumatol\u00f3gica e trinit\u00e1ria. Em meados do s\u00e9culo XX, surgem, no contexto ocidental europeu, uma s\u00e9rie de movimentos teol\u00f3gicos e pastorais\u00a0 (movimento b\u00edblico, lit\u00fargico, patr\u00edstico, ecum\u00eanico, social\u2026) que se cristalizar\u00e3o no Vaticano II, convocado por Jo\u00e3o XXIII; o Vaticano II representa uma mudan\u00e7a de modelo eclesial, \u00e9 o fim da Cristandade, \u00e9 a passagem \u00e0 Igreja do Terceiro mil\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.3 Terceiro mil\u00eanio: Igreja que volta a suas origens e se abre aos sinais dos tempos<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) \u00e9 um verdadeiro Pentecostes eclesial que recupera a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da Igreja de comunh\u00e3o e dialoga com a sociedade moderna. De Igreja clerical passa a ser Igreja Povo de Deus (<em>LG<\/em> II); de Igreja juridicista passa a ser Igreja mist\u00e9rio e sacramento de unidade entre Deus e a humanidade (<em>LG<\/em> I, 1, 9, 48); de Igreja triunfalista passa a ser uma Igreja que peregrina em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escatologia (<em>LG<\/em> VII). A eclesiologia do conc\u00edlio \u00e9 uma eclesiologia de comunh\u00e3o. Uma s\u00e9rie de reformas conciliares configura um tempo de primavera eclesial que n\u00e3o durou muito, pois os movimentos reacion\u00e1rios e fundamentalistas que queriam voltar \u00e0 Igreja de Cristandade (como Lef\u00e8bvre) junto ao exagero de alguns grupos extremistas provocaram fortes tens\u00f5es eclesiais e, de Roma, come\u00e7a um recuo e freio do Vaticano II, por medo de rupturas internas e, sobretudo, por temor que a Igreja perdesse sua identidade crist\u00e3. Iniciou-se, assim, um longo inverno eclesial, uma hermen\u00eautica da continuidade do Vaticano II, muito afastada do <em>aggiornamento<\/em> ou atualiza\u00e7\u00e3o que queria Jo\u00e3o XXIII, e que se manteve vigente, sobretudo nos pontificados de Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nomea\u00e7\u00e3o de Francisco oxigenou o ambiente eclesial e h\u00e1 sintomas de uma nova primavera eclesial: \u00e9 retomado o impulso do Vaticano II e se deseja voltar \u00e0s atitudes evang\u00e9licas das origens da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que Francisco \u00e9 o primeiro papa latino-americano, uma vez que na Am\u00e9rica Latina houve uma recep\u00e7\u00e3o criativa e evang\u00e9lica do Conc\u00edlio Vaticano II, que resultou em ouvir o grito dos pobres (Medell\u00edn, 1968), na op\u00e7\u00e3o pelos pobres (Puebla, 1979), na incultura\u00e7\u00e3o nas culturas ind\u00edgenas e afro-americanas (Santo Domingo, 1992), no impulso para um discipulado mission\u00e1rio e numa Igreja em estado de miss\u00e3o (Aparecida, 2007). Nos anos 1960-80, surgiu na Am\u00e9rica Latina a imagem da Igreja dos pobres, com bispos que foram verdadeiros Santos Padres da Igreja dos pobres, comunidades eclesiais de base (CEBs), leigos empenhados na justi\u00e7a, mulheres defensoras dos direitos humanos, agentes pastorais e movimentos apost\u00f3licos, a teologia da liberta\u00e7\u00e3o e numerosos m\u00e1rtires\u2026 tudo o que lembra os momentos da Igreja do primeiro mil\u00eanio. Estas correntes teol\u00f3gicas e pastorais se abriram nas \u00faltimas d\u00e9cadas a novos sujeitos e a novos campos: \u00e0s mulheres, aos ind\u00edgenas e afro-americanos, aos jovens, \u00e0s novas identidades sexuais, \u00e0 ecologia, \u00e0 religiosidade do povo, \u00e0 piedade e m\u00edstica popular, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A eclesiologia de Am\u00e9rica Latina historizou a salva\u00e7\u00e3o (liberta\u00e7\u00e3o) e o pecado (estruturas que matam) e oferece uma imagem de Igreja dos pobres e diferentes, ao servi\u00e7o da vida, para que o povo tenha vida plena e em abund\u00e2ncia, come\u00e7ando pelo m\u00ednimo que \u00e9 o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Linhas de for\u00e7a da eclesiologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta diversidade de imagens e reflex\u00f5es eclesiais tem o risco de nos conduzir a uma dispers\u00e3o e relativismo eclesiol\u00f3gico, se n\u00e3o procuramos estabelecer os princ\u00edpios estruturadores da Igreja e da eclesiologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos dizer claramente que os princ\u00edpios estruturadores da Igreja s\u00e3o trinit\u00e1rios, a Igreja \u00e9 <em>Ecclesia de Trinitate<\/em>, mas esta Trindade se manifesta <em>ad extra<\/em>\u00a0 nas duas miss\u00f5es trinit\u00e1rias que constituem o princ\u00edpio cristol\u00f3gico e o princ\u00edpio pneumatol\u00f3gico, ou do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Princ\u00edpio cristol\u00f3gico: a Igreja \u00e9 a Igreja de Jesus, preparada e prefigurada profeticamente no Antigo Testamento, centrada em Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus e Palavra encarnada, enviado pelo Pai para realizar seu projeto de filia\u00e7\u00e3o e fraternidade universal, o Reino de Deus. A vida de Jesus de Nazar\u00e9, suas op\u00e7\u00f5es, sua cruz e sua ressurrei\u00e7\u00e3o revelam e fazem presente o projeto do Pai. Jesus n\u00e3o queria fundar uma comunidade separada de Israel, mas de fato sua comunidade de ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos, depois da P\u00e1scoa, ser\u00e1 o n\u00facleo da Igreja futura da qual Jesus \u00e9 fundamento e pedra angular. A Igreja \u00e9 o corpo comunit\u00e1rio de Jesus na hist\u00f3ria, at\u00e9 que chegue sua segunda vinda na Parusia. Jesus \u00e9 a riqueza, a beleza e a luz da Igreja, sem ele a Igreja \u00e9 est\u00e9ril e miser\u00e1vel, a Igreja n\u00e3o significa nada se n\u00e3o \u00e9 testemunha e sacramento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Princ\u00edpio pneumatol\u00f3gico: a Igreja n\u00e3o nasce em Bel\u00e9m ou Nazar\u00e9, mas na P\u00e1scoa com a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que preparou a vinda de Jesus, o ungiu no batismo, o guiou na sua vida e o ressuscitou dentre os mortos. Esse mesmo Esp\u00edrito faz nascer a Igreja e a guia atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, a santifica, vivifica e rejuvenesce continuamente com os sacramentos e com diversos carismas e dons (<em>LG<\/em> 12) para que realize o projeto do Pai inaugurado por Jesus (<em>LG<\/em> 4). Sem o Esp\u00edrito, a Igreja se reduziria a uma simples organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria e social que faz propaganda do evangelho. Com o Esp\u00edrito, a Igreja \u00e9 a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Sua miss\u00e3o \u00e9 um Pentecostes continuado. No entanto, o Esp\u00edrito age al\u00e9m da Igreja cat\u00f3lica e das Igrejas crist\u00e3s e faz com que a salva\u00e7\u00e3o chegue a todos os que, por caminhos misteriosos para n\u00f3s, podem ser associados ao mist\u00e9rio pascoal (<em>GS<\/em> 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 uma Igreja sem Esp\u00edrito (tenta\u00e7\u00e3o do cristomonismo ou de Cristo sozinho) nem um Esp\u00edrito sem Jesus (espiritualismo, iluminismo, gnosticismo, <em>new age<\/em>\u2026). O Filho encarnado em Jesus e no Esp\u00edrito s\u00e3o os dois bra\u00e7os do Pai que desde a cria\u00e7\u00e3o acompanham e guiam toda a humanidade (Irineu<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>). A Igreja \u00e9 \u00edcone da Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Igreja se manifesta como an\u00fancio e testemunha do evangelho (kerigma e mart\u00edrio), celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e sacramental (liturgia), servi\u00e7o ao mundo, sobretudo aos pobres (diaconia) e tudo isso em comunidade e comunh\u00e3o (<em>koinonia<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o Vaticano II, a Igreja pode ser definida como sacramento<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, isto \u00e9, um sinal e instrumento da uni\u00e3o com Deus e com a humanidade (<em>LG<\/em> 1; 9; 48), n\u00e3o \u00e9 uma simples institui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, nem um entusiasmo sem media\u00e7\u00e3o sacramental. N\u00e3o \u00e9 o Reino, mas semente do Reino (<em>LG<\/em> 5).\u00a0 \u00c9 sacramento hist\u00f3rico de liberta\u00e7\u00e3o (teologia da liberta\u00e7\u00e3o), foi convocada pelo Pai para fazer mem\u00f3ria e seguir o caminho de Jesus para o Reino, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito. Seu \u00edcone \u00e9 a figura de Maria, tipo e modelo da Igreja (<em>LG<\/em> VIII). S\u00e3o retomadas as imagens paulinas e trinit\u00e1rias da Igreja: Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Desafios da Igreja para o futuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o muitos os desafios atuais da Igreja para o futuro. Em geral, podemos dizer que o maior desafio \u00e9 levar a bom termo o que o Conc\u00edlio Vaticano II prop\u00f4s e ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel realizar, por exemplo, potencializar a colegialidade episcopal e as Igrejas locais, o desenvolvimento dos leigos, respeitar a leg\u00edtima autonomia da cria\u00e7\u00e3o\u2026 No entanto, h\u00e1 outros temas que o conc\u00edlio n\u00e3o abordou e que devem ser enfrentados hoje: reforma do Papado e da c\u00faria, promover a ordena\u00e7\u00e3o de homens casados (<em>viri probati<\/em>), revisar o papel da mulher na Igreja, repensar a moral e pastoral sexual e matrimonial, dialogar com os te\u00f3logos e te\u00f3logas, assumir o desafio ecol\u00f3gico\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, no momento de mudan\u00e7a epocal e axial que vivemos, a Igreja deve iniciar no mist\u00e9rio de Deus (mistagogia) e dialogar com todas as religi\u00f5es para procurar\u00a0 conjuntamente a justi\u00e7a, a paz e a integridade da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, podemos afirmar que todas estas mudan\u00e7as estruturais, ainda que sejam necess\u00e1rias, s\u00e3o insuficientes e, finalmente, invi\u00e1veis se a Igreja como Povo de Deus n\u00e3o volta de novo ao evangelho de Jesus de Nazar\u00e9 e se deixa guiar pelo Esp\u00edrito do Senhor. As mudan\u00e7as na Igreja e na sociedade normalmente v\u00eam de baixo. O Esp\u00edrito do Senhor age a partir de baixo. De uma Igreja convertida ao evangelho poder\u00e1 nascer uma Igreja simples, pobre e dos pobres, sincera, acolhedora, que promova o di\u00e1logo, a proximidade e a ternura, que sinta a alegria de conhecer, viver e anunciar o evangelho; uma Igreja que d\u00ea testemunho ao mundo do amor e da miseric\u00f3rdia do Pai, que suscite esperan\u00e7a, uma Igreja preocupada, antes de tudo, com dor e sofrimento humanos, que denuncie a idolatria do dinheiro e as estruturas econ\u00f4micas que excluem e matam o povo; uma Igreja que saia \u00e0s ruas, que possa ir \u00e0s fronteiras e \u00e0s margens sociais e existenciais, que respeite os que pensam diferente e n\u00e3o os julgue, uma Igreja que seja casa e lar de portas abertas e n\u00e3o queira reconquistar o poder e prest\u00edgio perdidos nem voltar a uma nova Cristandade, mas ser levedura e fermento em um mundo pluralista. N\u00e3o \u00e9 esta a imagem de Igreja que promove o Papa Francisco? A todos os batizados corresponde sermos audazes e criativos para ir configurando uma Igreja fiel \u00e0s suas origens e que possa discernir os novos sinais dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluamos com uma defini\u00e7\u00e3o de Igreja de Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, que pode resumir tudo o que discutimos: \u201cS\u00ednodo \u00e9 o nome da Igreja\u201d,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> \u00a0ou seja, uma comunidade unida pelo Esp\u00edrito do Senhor caminha com a humanidade para o Reino de Deus, dando testemunho do evangelho de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>V\u00edctor Codina sj. <\/em><em>Universidad Cat\u00f3lica de Bolivia<\/em><em>,<\/em> Cochabamba, Bolivia. Texto original espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CODINA, V\u00edctor. <em>Para compreender a Eclesiologia a partir da Am\u00e9rica Latina.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas,\u00a0 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Para comprender la eclesiolog\u00eda desde Am\u00e9rica Latina<\/em>. Estella: Verbo Divino, 2008. (nova edi\u00e7\u00e3o atualizada)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KASPER, Walter. <em>A Igreja cat\u00f3lica<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Leonardo. <em>Eclesiog\u00e9nesis.<\/em> Santander: Sal Terrae, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGAR, Yves-Marie. <em>Eclesiolog\u00eda desde San Agust\u00edn a nuestros d\u00edas<\/em>.\u00a0 Madrid: BAC,\u00a0 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE ALMEIDA, Antonio Jos\u00e9. <em>Lumen Gentium, a transi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE LUBAC, Henri. <em>Meditaci\u00f3n sobre la Iglesia<\/em>. Bilbao: DDB, 1959.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KEHL, Medard. <em>La Iglesia<\/em>. Eclesiolog\u00eda\u00a0 cat\u00f3lica. Salamanca: S\u00edgueme,\u00a0 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcNG, Hans. <em>La Iglesia<\/em>.\u00a0 Barcelona: Herder, 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MESTERS, Carlos. <em>Una Iglesia que nace del pueblo<\/em>. Lima: CEP, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MU\u00d1OZ, Ronaldo. <em>Iglesia en el pueblo<\/em>. Lima: CEP, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>MYSTERIUM SALUTIS<\/em> IV\/1. Madrid: Cristandade, 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PI\u00c9-NINOT, Salvador. <em>Eclesiolog\u00eda.<\/em> Salamanca: S\u00edgueme,\u00a0 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">QUIROZ, \u00c1lvaro. <em>Eclesiolog\u00eda en la teolog\u00eda latinoamericana de la liberaci\u00f3n<\/em>. Salamanca: S\u00edgueme, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, Karl.\u00a0 <em>Cambio estructural en la Iglesia<\/em>. Madrid: Cristandade, 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, Josef.\u00a0 <em>El nuevo Pueblo de Dios<\/em>. Barcelona: Herder, 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOBRINO, Jon. <em>Resurreccion de la verdadera Iglesia<\/em>. Santander: Sal Terrae, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Adv Haer IV,7,4;II, 25,1; IV 20,1.3.4; V 1,3; V 6,1;V 16,1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Essa concep\u00e7\u00e3o de Igreja-sacramento tem ra\u00edzes tradicionais na eclesiologia e nos anos anteriores ao Vaticano II foi elaborada principalmente por K. Rahner e Semmelroth.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> PG 55, 493.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Dificuldades atuais da Igreja 2 Princ\u00edpios sociol\u00f3gicos e teol\u00f3gicos para compreender a Igreja 3 Fundamentos b\u00edblicos da Igreja 4 Os tr\u00eas mil\u00eanios eclesiol\u00f3gicos 4.1 Primeiro mil\u00eanio: Igreja, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o 4.2 Segundo mil\u00eanio: Igreja de Cristandade 4.3 Terceiro mil\u00eanio: Igreja que volta a suas origens e se abre aos sinais dos tempos 5 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-1310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-sistematicadogmatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1310"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2146,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1310\/revisions\/2146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}