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{"id":1306,"date":"2016-11-19T17:08:18","date_gmt":"2016-11-19T19:08:18","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1306"},"modified":"2016-11-19T17:08:18","modified_gmt":"2016-11-19T19:08:18","slug":"maria-mae-de-jesus-mariologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1306","title":{"rendered":"Maria M\u00e3e de Jesus (Mariologia)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117198\">1 Mariologi<\/a>a<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117199\">1.1 Mariologia na atualidade<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117200\">1.2 Ecumenismo<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117201\">1.3 Dogmas marianos<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117202\">1.4 Mariologia popular<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117203\">1.5. Mar\u00eda nas Conferencias Episcopais Latinoamericanas<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_Toc403117204\">1.6 Mar\u00eda e a mulher<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">2. Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Mariologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denomina-se Mariologia aos estudos sistem\u00e1ticos sobre a m\u00e3e de Jesus, a Virgem Maria, com base na Palavra de Deus, a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, os santos Padres, o Magist\u00e9rio, a teologia e a f\u00e9 dos fi\u00e9is. Ao longo da hist\u00f3ria foi colocada a pregunta\u00a0 sobre o lugar da mariologia dentro da teologia, sobre se tinha o seu pr\u00f3prio espa\u00e7o ou se ela estava ligada com a eclesiologia, como fez o Concilio Vaticano II, que a incorporou em um cap\u00edtulo da Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen Gentium.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1.1 Mariologia na <\/strong><strong>atualidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo Mariologia surgiu para indicar um tratado diferente e separado de acordo com o m\u00e9todo escol\u00e1stico e seu uso tem variado ao longo da hist\u00f3ria. No s\u00e9culo XX, observa-se uma fase de ascens\u00e3o da mariologia representado pelo desenvolvimento de tratado de mariologia e sua introdu\u00e7\u00e3o nas escolas de teologia. Bem como outra fase de contesta\u00e7\u00e3o \u00a0que a coloca em crise e outra de recupera\u00e7\u00e3o mariol\u00f3gico sobre umas novas bases e uma nova abordagem. Na Mariologia atual tem aparecido um crescente interesse em investigar a vida concreta de Maria e seu significado salv\u00edfico. Tamb\u00e9m est\u00e1 se recuperando a sua imagem hist\u00f3rica, existencial, raz\u00e3o pela qual \u00a0foram publicadas desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX v\u00e1rias &#8220;Vidas de Maria&#8221;. Atrav\u00e9s das fontes b\u00edblicas fizeram-se incurs\u00f5es na sua vida hist\u00f3rica, referidas a Jesus, e que \u00a0ajuda a conhecer o seu lugar na vida da Igreja. Foram elaborados &#8220;retratos espirituais&#8221;, &#8220;\u00edcones isolados da sua figura&#8221; que n\u00e3o s\u00e3o biografias, mas que nos aproximam de sua figura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1.2 Ecumenismo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos s\u00e9culos, a Mariologia e o culto mariano, juntamente com outras quest\u00f5es relacionadas com o papado e os minist\u00e9rios da Igreja, foram apresentadas como dificuldades no caminho da unifica\u00e7\u00e3o da Cristandade. Tanto \u00e9 assim que as diferen\u00e7as entre protestantes e postura cat\u00f3lica frente \u00e0 m\u00e3e do Senhor, podem ser consideradas insuper\u00e1veis apesar dos esfor\u00e7os do ecumenismo. Uma das dificuldades citadas por K. Barth e W. von Lowenich \u00e9 a media\u00e7\u00e3o de Maria. Para J. Dani\u00e9lou, este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do problema de diverg\u00eancia entre as duas (NAPI\u00d3RKOWSKI, S., 2001, p. 644).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Dentro das ra\u00edzes do problema se encontram metodologias teol\u00f3gicas incompat\u00edveis, tais como a que afirma que,\u00a0 apenas atrav\u00e9s da Escritura (sola Scriptura), a Revela\u00e7\u00e3o Divina \u00e9 interpretada,\u00a0 sem a Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a vis\u00e3o antropol\u00f3gica que considera o ser humano cooperador de Deus (cooperatio), ou seja, que\u00a0 com a ajuda da gra\u00e7a, pode merecer e\u00a0 intermediar, levando a salva\u00e7\u00e3o de Jesus aos outros. Assim como a doutrina da comunh\u00e3o dos santos (communio sanctorum) que une em amizade aqueles que j\u00e1 vivem junto de\u00a0 Deus e aqueles que\u00a0 peregrinam na terra. Ambas as vis\u00f5es s\u00e3o contr\u00e1rias aos princ\u00edpios protestantes de que somente atrav\u00e9s de Cristo (Solus Christus), unicamente pela sua gra\u00e7a (sola gratia) e s\u00f3 pela f\u00e9 (sola fides), Deus salva. O princ\u00edpio que afirma a Cristo como o \u00fanico Mediador (Christus o unus Mediator) \u00e9 considerado, em particular, como uma interpreta\u00e7\u00e3o exclusivista e antimariol\u00f3gica. Ele enfatiza que Maria n\u00e3o exerce nenhum papel mediador e exclui a possibilidade de que os crentes podem recorrer a ela ou aos santos atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o. .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Quanto \u00e0s dificuldades relacionadas com os conceitos mariol\u00f3gicos e as pr\u00e1ticas devocionais existem v\u00e1rias causas, algumas s\u00e3o o resultado de abusos do catolicismo, que promoveu maximizar a piedade mariana. Um exemplo \u00e9 a m\u00e1xima de S\u00e3o Bernardo de Clairvaux quando afirmou que para dizer que a respeito de Maria nunca \u00e9 dito o suficiente\u00a0 (De Maria numquam satism).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na base dessas diferen\u00e7as encontramos a falta de conhecimento e compreens\u00e3o m\u00fatua entre cat\u00f3licos e n\u00e3o-cat\u00f3licos que impossibilita alcan\u00e7ar acordos. Cometeram-se erros em ambos os lados e, ao longo dos anos, tem havido reuni\u00f5es e di\u00e1logos ecum\u00eanicos que deixaram espa\u00e7os abertos para continuar a discuss\u00e3o mariol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O decreto do Vaticano II sobre o ecumenismo, <em>Unitatis redintegratio<\/em> 11 recorda que &#8220;h\u00e1 uma ordem ou&#8221; hierarquia &#8220;de verdades na doutrina cat\u00f3lica, por ser diversa sua conex\u00e3o com o fundamento da f\u00e9.&#8221; Esta frase refere-se a situa\u00e7\u00f5es de desconhecimento dos fi\u00e9is das verdades da f\u00e9 que possam ser reinterpretadas em suas a\u00e7\u00f5es, tais como a ora\u00e7\u00e3o em frente dos altares laterais da Virgem e dos santos e n\u00e3o diante do Sant\u00edssimo Sacramento em sua tabern\u00e1culo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span>As atitudes pol\u00e9micas continuam em ambos os lados. O retorno \u00e0s fontes b\u00edblicas para a interpreta\u00e7\u00e3o da mariologia tem ajudado no di\u00e1logo ecum\u00eanico. Devemos mencionar o grupo ecum\u00eanico de Dombes (1936), pioneiro na busca da unidade eclesial entre protestantes e cat\u00f3licos. O documento sobre &#8220;Maria no plano de Deus e a comunh\u00e3o dos santos&#8221;, (1998) de sua autoria, foi uma contribui\u00e7\u00e3o positiva em uma das quest\u00f5es mais controversas, abrindo o caminho para o di\u00e1logo ecum\u00eanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os avan\u00e7os na reinterpreta\u00e7\u00e3o dos dogmas s\u00e3o espa\u00e7os que se abrem na busca da unidade, tal como expresso nas conclus\u00f5es de congressos mariol\u00f3gicos internacionais com participa\u00e7\u00e3o de protestantes e ortodoxos: &#8220;A declara\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica sobre o papel de Maria na obra de reden\u00e7\u00e3o &#8220;, Roma 16 de maio de 1975, e &#8221; declara\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica sobre a venera\u00e7\u00e3o de Maria\u201d, , Zaragosa, 9 de outubro de 1979. Nos EUA, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico teve in\u00edcio em 1965 com o patroc\u00ednio do comit\u00ea nacional da Federa\u00e7\u00e3o Luterana mundial e a confer\u00eancia dos Bispos dos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resolver a situa\u00e7\u00e3o da Mariologia e procurar a unidade desejada no ecumenismo, os problemas a serem resolvidos de acordo com o mari\u00f3logo Nap\u00edorkowski,(cfr. (NAPI\u00d3RKOWSKI, S., 2001, pp. 652-653), seriam:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8211; Admitir a exist\u00eancia do pluralismo teol\u00f3gico nas igrejas e assim tamb\u00e9m, atrav\u00e9s das v\u00e1rias estruturas de pensamento, \u00e9 dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel um pleno acordo. Aproxima\u00e7\u00f5es podem ser\u00a0 alcan\u00e7adas, mas n\u00e3o se consegue uma identifica\u00e7\u00e3o completa como, por exemplo, com os dogmas da imaculada ou da assun\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 necess\u00e1rio uma corre\u00e7\u00e3o do modelo de\u00a0 media\u00e7\u00e3o de Maria, uma vez que o modelo por Maria a Cristo tem dificuldades teol\u00f3gicas, pastorais e ecum\u00eanicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8211; \u00c9 necess\u00e1rio evitar qualquer falso exagero como expressa LG 67 &#8221; Evitem com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da aut\u00eantica doutrina da Igreja os irm\u00e3os separados ou quaisquer outros.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8211; A necessidade de realizar estudos aprofundados sobre a religiosidade popular, porque nela est\u00e3o as maiores reservas de f\u00e9 mariana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><strong>1.3 Dogmas marianos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a vida de Maria est\u00e1 referenciada a Jesus e \u00e0 Igreja atrav\u00e9s dos dogmas da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Maternidade divina (<em>Theot\u00f3kos<\/em>), Virgindade perp\u00e9tua e Assun\u00e7\u00e3o ao C\u00e9u, que continuam afirmando o mist\u00e9rio de Deus operado em Maria. Paulo VI afirma que &#8220;a verdadeira piedade crist\u00e3 nunca deixou de destacar o v\u00ednculo indissol\u00favel e refer\u00eancia essencial da Virgem ao Divino Salvador&#8221; (MC 25). Segundo s\u00e3o Jo\u00e3o Damasceno, Maria \u00e9 o comp\u00eandio de todos os dogmas: &#8220;O \u00fanico nome <em>Theot\u00f3kos<\/em>, M\u00e3e de Deus, cont\u00e9m todo o mist\u00e9rio da&#8221; economia &#8220;(DAMASCENO, Joao, La fe ortodoxa III, 12: PG 94, 1029c9). Esta defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica teve lugar no Concilio de \u00c9feso, em 431. Cirilo de Alexandria debateu com Nest\u00f3rio, patriarca de Constantinopla, quem manteve a tese de cham\u00e1-la \u00a0<em>Christotokos<\/em>, que significa &#8220;M\u00e3e de Cristo&#8221;, para restringir seu papel como m\u00e3e s\u00f3 da natureza humana de Cristo e n\u00e3o da sua natureza divina. O termo <em>Theot\u00f3kos<\/em> (<em>Deipara, Mater Dei<\/em>), que significa &#8220;portadora de Deus&#8221;, foi o que melhor descreveu a uni\u00e3o insepar\u00e1vel e perfeita da natureza humana e divina de Jesus. Podemos dizer que &#8220;Deus \u00e9 revelado n\u00e3o como uma id\u00e9ia desencarnada, um ideal de santidade extra-mundana , uma eternidade separada da hist\u00f3ria, mas como a Vida originaria que \u00e9 encarnada por Maria na\u00a0 carne concreta da hist\u00f3ria. Portanto, buscar a Deus \u00e9 descobrir sua presen\u00e7a na mesma hist\u00f3ria e realidade humana, \u00a0nos eventos que v\u00e3o se realizando \u00a0dentro da hist\u00f3ria. Isto \u00e9 o que manifesta o Conc\u00edlio de \u00c9feso com o dogma crist\u00e3o da <em>Theot\u00f3kos<\/em>, dogma que nos leva al\u00e9m de qualquer tentativa esp\u00edritualista &#8220;(TEMPORELLI, M. C., 2008, p.57).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O dogma da virgindade perp\u00e9tua antes do parto, durante o parto e ap\u00f3s o parto, &#8220;<em> virginitas ante partum, in partu et post partum<\/em> &#8221; (cfr. DS 251) pertence \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 desde as origens da Igreja. A defini\u00e7\u00e3o\u00a0 &#8220;virgindade antes do nascimento&#8221;, <em>virginitas ante partum<\/em> , \u00e9\u00a0 entendida a partir da f\u00e9 baseada na Escritura especialmente dos Evangelhos de Mateus (1,18 a 25) e Lucas (1,26-38). Esta refer\u00eancia trata sobre o aspecto f\u00edsico, isto \u00e9, que Jesus n\u00e3o foi fruto de uma rela\u00e7\u00e3o marital com Jos\u00e9, mas o fruto do Esp\u00edrito Santo no seu seio virginal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para entender a defini\u00e7\u00e3o de &#8220;virgindade no parto&#8221;, <em>virginitas in partu<\/em>, deve-se distinguir entre as representa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis que foram dadas da mesma e a afirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9. \u00c9 uma verdade de f\u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que Maria permaneceu virgem f\u00edsica e moralmente durante o parto, o que foi definido no ano 649 pelo Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (DS 503).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A defini\u00e7\u00e3o\u00a0 virgindade ap\u00f3s o parto, , <em>virginitas post partum<\/em> perdura desde tempos imemoriais reconhecendo que Maria ap\u00f3s o nascimento de Jesus\u00a0 n\u00e3o teve mais filhos nem consumou seu casamento com Jos\u00e9. A Palavra de Deus n\u00e3o expressa especificamente esta situa\u00e7\u00e3o, mas tornou-se uma verdade de f\u00e9 como evidencia teol\u00f3gica de que a vida de Maria foi orientada para a maternidade de Jesus. Mesmo quando o evangelho nomeia os irm\u00e3os de Jesus (cf. Mt 12: 46-50;. Lc.8 19-20, Mc.3, 31-35), sabemos pela exegese que s\u00e3o seus primos em diversos \u00a0graus.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em suma, a virgindade de Maria nos fala de uma maneira de ser, de existir, de realizar-se, de fazer. \u00c9 a assimila\u00e7\u00e3o do modo de vida que Jesus tinha. \u00c9 a forma radical de pensar, sentir e agir a partir de crit\u00e9rios evang\u00e9licos que v\u00eam a permear toda a pessoa, (cfr. TEMPORELLI, M. C., 2008, p.105).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, proclamado por Pio XI em 08 de dezembro de 1854:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua concei\u00e7\u00e3o, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular gra\u00e7a e privil\u00e9gio do Deus Onipotente, em vista dos m\u00e9ritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina est\u00e1 contida na Revela\u00e7\u00e3o Divina, devendo, portanto, ser crida firme e para sempre por todos os fi\u00e9is\u201d (DS 2803).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span>A interpreta\u00e7\u00e3o desta defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica leva em conta que Maria, atrav\u00e9s dos m\u00e9ritos de Cristo, foi preservada do pecado original por decis\u00e3o divina ao ser escolhido como a m\u00e3e de seu filho, sem ser mencionadas as consequ\u00eancias desse pecado original. &#8220;O mist\u00e9rio da&#8221; cheia de gra\u00e7a &#8220;que come\u00e7a no momento da sua concep\u00e7\u00e3o, se desdobra ao longo de toda sua hist\u00f3ria, e sentiu-se no \u00e2mbito da alian\u00e7a que envolve a escuta e a resposta como pessoas que se realiza livremente na hist\u00f3ria. (&#8230;) A Imaculada traz uma vis\u00e3o positiva sobre o surgimento humano e as nossas origens, superando a liga\u00e7\u00e3o gera\u00e7\u00e3o-pecado, e nos permite recuperar o sentido positivo da corporeidade e da sexualidade. Afirma a nossa confian\u00e7a no valor da vida em geral e das pessoas. &#8220;(Cfr. TEMPORELLI, M. C., 2008, p.145).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O dogma da Assun\u00e7\u00e3o de Maria, proclamada pelo Papa Pio XII em 1950: &#8220;\u00c9 um dogma divinamente revelado que Maria, a m\u00e3e de Deus, imaculada e sempre virgem, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do curso terreno de sua vida, foi levada em corpo e alma \u00e0 gl\u00f3ria celestial &#8220;(DS 2803). Esta f\u00f3rmula n\u00e3o aborda o problema da morte de Maria, n\u00e3o diz explicitamente se ela morreu. Esta quest\u00e3o fica na interpreta\u00e7\u00e3o livre da discuss\u00e3o teol\u00f3gica. A palavra <em>assun\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 um conceito teol\u00f3gico que n\u00e3o expressa a ideia de mudan\u00e7a de lugar, mas de estado. Podemos dizer que a Assun\u00e7\u00e3o significa uma integra\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es mortais do ser humano nas suas aspira\u00e7\u00f5es \u00e0 felicidade e, ao mesmo tempo, o esfor\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o de toda a vitalidade humana, de modo que, sem negar a verdade da dor, o sofrimento e a morte, o ser humano pode interpretar seu pr\u00f3prio fim, sem dar \u00e2 morte a \u00faltima palavra &#8220;, (TEMPORELLI, MC, 2008, p. 194).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><strong>1.4 Mariologia popular<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0A<\/span>\u00a0mariologia popular refere-se \u00e0 maneira como o povo vive a sua f\u00e9 e amor \u00e0 Virgem Maria, tornando vivido o que recebeu atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e do lugar que Maria tem no conjunto da religi\u00e3o do povo. Se expressa nas manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 \u00e0 Virgem Maria, atrav\u00e9s das quais o povo f\u00f3rmula a sua compreens\u00e3o popular de Maria, identidade que, naturalmente, o povo lhe d\u00e1 a partir da imagem que tem dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A religi\u00e3o popular \u00e9 um assunto de pesquisa multidisciplinar, portanto, precisa incorporar no estudo a contribui\u00e7\u00e3o de outras ci\u00eancias e disciplinas que se relacionam com o ser humano como a hist\u00f3ria, a antropologia, a sociologia, a teologia, a filosofia, a psicologia, entre outras. \u00c9 uma quest\u00e3o complexa, requerendo uma metodologia adequada para ser entendido corretamente e n\u00e3o estar sujeito a an\u00e1lise que distor\u00e7a a sua riqueza original. (Cfr. SILVEIRA, M. P. 2013).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.5. Maria nas Conferencias Episcopais Latino-americanas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos documentos das Confer\u00eancias Episcopais da Am\u00e9rica Latina, desde a primeira confer\u00eancia no Rio de Janeiro ate Aparecida (1955-2007), se encontram refer\u00eancias \u00e0 Virgem Maria (cfr. DE FIORES, S. 2008, p. 65-76). A Igreja da Am\u00e9rica Latina, ao difundi-las, colaborou na forma\u00e7\u00e3o da imagem da Virgem e que o povo da Am\u00e9rica Latina assumiu como pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O documento do Rio de Janeiro (1955) cita Maria esporadicamente e sem relev\u00e2ncia teol\u00f3gica. Fala-se dela pela primeira vez em um par\u00e1grafo que diz: &#8220;confiado no Sant\u00edssimo \u00a0Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e na Imaculada Virgem Maria, M\u00e3e de Deus, Rainha da Am\u00e9rica&#8221;. A segunda cita\u00e7\u00e3o \u00e9 criticada porque visa difundir a &#8220;Obra do Apostolado do Mar, sob o \u00a0patroc\u00ednio da Virgem Maria, Stella Maris&#8221; (CELAM, 1955).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O documento de Medell\u00edn (1968) refere-se apenas \u00e0 sua prote\u00e7\u00e3o na apresenta\u00e7\u00e3o do documento e, em seguida, h\u00e1 um &#8220;sil\u00eancio inexplic\u00e1vel&#8221; sobre sua figura (CELAM, 1968). No documento de Puebla (1979) \u00e9 apresentada como &#8220;m\u00e3e e modelo da Igreja&#8221;, destacando sua figura da &#8220;mulher e m\u00e3e,&#8221; que desperta &#8220;o cora\u00e7\u00e3o filial que dorme em cada homem&#8221; (DP 295). \u00c9 a &#8220;pedagoga do Evangelho na Am\u00e9rica Latina&#8221; (DP 290). O documento reconhece \u00e0 \u201cIgreja fam\u00edlia cuja m\u00e3e \u00e9 a M\u00e3e de Deus&#8221; (DP 285). Se esbo\u00e7a sua \u00a0figura de &#8220;crente e disc\u00edpula perfeita que se abre para a palavra e se deixa penetrar pelo seu dinamismo&#8221; (DP 296). Tamb\u00e9m se afirma que \u00e9 um modelo de comunh\u00e3o, \u201centretecendo uma hist\u00f3ria de amor com Cristo, \u00edntima y santa, verdadeiramente \u00fanica culminando na gl\u00f3ria&#8221; (DP 292). Afirma que em Maria e em Cristo todos obt\u00e9m &#8220;os grandes tra\u00e7os da verdadeira imagem do homem e da mulher&#8221; (DP 330) .E na &#8220;hora da nova evangeliza\u00e7\u00e3o&#8221; e do novo Pentecostes, citando Paulo VI, pede \u201cque\u00a0 Maria seja neste caminho Estrela da Evangeliza\u00e7\u00e3o sempre renovada&#8221; &#8220;(EN 81) (DP 303).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento Santo Domingo (1992) apresenta Maria como modelo de evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura. Afirma que ela &#8220;pertence \u00e0 identidade crist\u00e3 dos nossos povos latino-americanos,&#8221; sendo &#8220;modelo de vida para os consagrados e apoios seguros da sua fidelidade&#8221; (SD 283 e 85). Coloca-a no papel de &#8220;protagonista da hist\u00f3ria pela sua coopera\u00e7\u00e3o livre, elevada \u00e0 m\u00e1xima participa\u00e7\u00e3o com Cristo.&#8221; Esta \u00e9 a &#8220;primeira redimida e crente,&#8221; est\u00e1 presente na piedade popular (SD 15 e 53). No final do documento, h\u00e1 uma profiss\u00e3o de f\u00e9, pedindo &#8220;a prote\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora de Guadalupe&#8221; (SD 104 e 289).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No documento de Aparecida (2007), sua figura \u00e9 de &#8220;disc\u00edpula mission\u00e1ria, formadora de disc\u00edpulos mission\u00e1rios.&#8221; Diante dos problemas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe se convida, a partir de Cristo e para se identificar com ele, de acordo com o plano de salva\u00e7\u00e3o, emerge a figura de Maria (dA 41). O seu papel \u00e9 unificar e reconciliar os povos por sua &#8220;presen\u00e7a materna indispens\u00e1vel e decisiva na gesta\u00e7\u00e3o de um povo de filhos e irm\u00e3os, disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de seu Filho&#8221; (DA 574). Sua figura se destaca sendo &#8220;a disc\u00edpula mais perfeita e o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo.&#8221; &#8220;Mulher livre e forte, conscientemente orientada ao seguimento de Cristo&#8221; (DA 266 e 269. &#8220;Esplendida imagem de configura\u00e7\u00e3o segundo o projeto trinit\u00e1rio que se realiza em Cristo&#8221; (DA 141). &#8220;Seguidora mais radical de Cristo e seu magist\u00e9rio&#8221;, pelo qual Bento XVI \u00a0convida a &#8220;permanecer na escola de Maria&#8221; (DA 270). Sendo disc\u00edpula entre os disc\u00edpulos, colabora \u00a0na recupera\u00e7\u00e3o da &#8220;dignidade da mulher e seu valor na Igreja.&#8221; Compromete-se com &#8220;sua realidade com voz prof\u00e9tica&#8221; (DA 451) como no Magnificat. Quando se enfrenta o problema de dignidade e participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida da comunidade, considera-se \u00a0Maria como uma refer\u00eancia para &#8220;ouvir o clamor silenciado das mulheres sujeitas \u00e0 exclus\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia&#8221; (DA 454). No final do documento, os bispos pedem sua &#8220;companhia sempre perto, cheia de compaix\u00e3o e ternura&#8221; para que ela &#8220;nos ensine a sair de n\u00f3s mesmos em caminho sacrif\u00edcio, amor e servi\u00e7o&#8221; (DA 453)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.6 Maria e a mulher<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a ado\u00e7\u00e3o de filhos\u201d (Gl 4, 4). Contemplando o dom singular que Deus fez a Maria como a M\u00e3e do Senhor, \u00e9 evidente a partir do testemunho de sua vida, o respeito que Deus tem para a mulher e sua alta estima, dando-lhe um lugar t\u00e3o importante na hist\u00f3ria da humanidade. &#8220;Mas o Pai das miseric\u00f3rdias quis que a aceita\u00e7\u00e3o, por parte da que Ele predestinara para m\u00e3e, precedesse a encarna\u00e7\u00e3o, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, tamb\u00e9m outra mulher contribu\u00edsse para a vida&#8221; (LG 56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 interpretado aqui que tanto a mulher como o homem desobedeceram\u00a0 experimentando o afastamento do Criador, e<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">em Maria, Deus suscitou uma personalidade feminina que supera em muito a condi\u00e7\u00e3o normal das mulheres, como visto na cria\u00e7\u00e3o de Eva. A excel\u00eancia \u00fanica de Maria no mundo da gra\u00e7a e sua perfei\u00e7\u00e3o s\u00e3o o resultado da particular benevol\u00eancia, que quer elevar a todos, homens e mulheres, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o moral e \u00e0 santidade pr\u00f3prias dos filhos adoptivos de Deus. Maria \u00e9 &#8220;bendita entre as mulheres&#8221;, no entanto, em certa medida, toda mulher participa da sua sublime dignidade no plano divino. (JO\u00c3O PAULO II, 1998, p. 44).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao escolher Maria como a M\u00e3e do Redentor, se est\u00e1 recriando e enriquecendo a dignidade humana fr\u00e1gil e limitada, uma vez que ela \u00e9 o ponto de encontro &#8220;entre a riqueza da comunidade divina e a pobreza da sua condi\u00e7\u00e3o humana.&#8221; \u00c9 o que diz a te\u00f3loga Lina Boff, com base na carta de Paulo aos Cor\u00edntios: &#8220;.. a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por n\u00f3s, para nos enriquecer com a sua pobreza&#8221; (cf. 2 Cor 8,9 ). Os Padres da Igreja (Greg\u00f3rio de Nazianzo e os Padres da Capad\u00f3cia), a partir dessa frase, desenvolveram a &#8221; \u201cteologia do interc\u00e2mbio&#8221; aplicando-a de uma maneira especial para o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, onde Maria \u00e9 o lugar onde a ocorre a troca admir\u00e1vel. Em seu corpo, o Filho de Deus tomou corpo humano com sua carne e sangue, Jesus recebeu a experi\u00eancia do seu amor cotidiano ao compartilhar a vida com as suas limita\u00e7\u00f5es e dificuldades por muitos anos (cfr. BOFF, Li., 2001, p. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o enriquece a dignidade humana, pois possibilita a eleva\u00e7\u00e3o sobrenatural \u00e0 uni\u00e3o com Deus em Jesus Cristo, que determina a finalidade t\u00e3o profunda da exist\u00eancia de cada pessoa, tanto na terra e na eternidade. Seguindo este pensamento, a mulher \u00e9 a representante e o arqu\u00e9tipo de toda a humanidade, ou seja, representa aquela humanidade que \u00e9 pr\u00f3pria de todos os seres humanos, sejam eles homens ou mulheres (MD 4). Se perdermos\u00a0 de vista este fato, surgem vis\u00f5es err\u00f4neas que desprezam o papel da mulher em rela\u00e7\u00e3o ao homem, desvalorizando suas capacidades, colocando-a em uma escala inferior. E dizer, que o dualismo no pensamento,\u00a0 resultado de uma concep\u00e7\u00e3o patriarcal, pode influenciar na compreens\u00e3o da mulher idealizando ou desvalorizando sua condi\u00e7\u00e3o real. O desafio \u00e9 descrev\u00ea-la a partir de uma antropologia centrada no humano, realista, unificadora, pluridimensional, igualit\u00e1ria e de companheirismo (Cfr. Johnson, E., 2005, p. 94).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A obra de Leonardo Boff<em>, O rosto materno de Deus ensaio interdisciplinar sobre as formas femininas e religiosas<\/em> (BOFF, L., 1979) fornece elementos para uma an\u00e1lise e discuss\u00e3o sobre a figura de Maria-mulher, pessoa hist\u00f3rica e objeto f\u00e9. \u00c9 uma primeira tentativa de um tratado de mariologia adaptado ao nosso tempo recuperando os dados da tradi\u00e7\u00e3o eclesial e resgatando a import\u00e2ncia da figura de Maria para os crist\u00e3os hoje. Foi muito discutida sua hip\u00f3tese sobre uma rela\u00e7\u00e3o hipost\u00e1tica entre Maria e o Esp\u00edrito Santo. Essa discuss\u00e3o leva a interpreta\u00e7\u00f5es que empurram \u00e0 Mariologia a uma transforma\u00e7\u00e3o radical, tanto na sua estrutura como no conte\u00fado, o m\u00e9todo, a\u00a0 linguagem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A figura de Maria manifesta uma t\u00e3o grande estima de Deus pelas mulheres, que qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o fica sem base te\u00f3rica (&#8230;) Contemplando a M\u00e3e do Senhor, as mulheres v\u00e3o entender melhor a sua dignidade e a grandeza de sua miss\u00e3o. Mas os homens, \u00e0 luz da Virgem M\u00e3e, poder\u00e3o ter uma vis\u00e3o mais completa e equilibrada da sua identidade, da fam\u00edlia, da sociedade (JUAN PABLO II, 1998, p. 45).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evento da Encarna\u00e7\u00e3o, em que o &#8220;Filho, consubstancial ao Pai,&#8221; homem &#8220;nascido de mulher&#8221; constitui o ponto culminante e definitivo da auto revela\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0 humanidade (&#8230;), que tem um car\u00e1cter salv\u00edfico. &#8220;(MD 3). A mulher, ent\u00e3o, est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o deste evento salv\u00edfico, porque de uma mulher, Maria, o Filho de Deus se fez homem, com necessidade de seu corpo, de sua vida para nascer. Ela, como toda mulher tem a capacidade de gerar, acolhendo em seu corpo o novo ser. Constitutivamente seu corpo est\u00e1 condicionado para receber a vida e acolh\u00ea-la na \u00a0interioridade. Colabora com sua gesta\u00e7\u00e3o, alimentando-o com o seu sangue e distinguindo sua alteridade, \u00e9 um ser diferente, embora esteja &#8220;dentro&#8221; do seu corpo. Assim, o corpo da mulher \u00e9 um &#8220;espa\u00e7o aberto&#8221; que pode ser habit\u00e1vel e onde ela mant\u00e9m, protege e nutre a criatura. Na forma\u00e7\u00e3o da nova vida ela n\u00e3o \u00e9 passivo nem autossuficiente, precisa de um homem para a sua concep\u00e7\u00e3o. Pode se dizer que \u00a0&#8220;o interior da \u00a0mulher \u00e9 a primeira morada de cada ser humano, seja homem ou mulher&#8221; (PORCILE, T., 1995, p.188).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em Maria, a maternidade do Filho de Deus \u00e9 um dom, o fruto do Esp\u00edrito Santo e sua vida, \u00e9 entendida a partir desse mist\u00e9rio. O &#8220;espa\u00e7o interior&#8221; onde a vida se gesta cont\u00e9m caracter\u00edsticas como o calor, ternura, amor, paci\u00eancia,\u00a0 tempo de fecundidade,\u00a0\u00a0 doa\u00e7\u00e3o de si mesma com risco de vida, capacidade de dar \u00e0 luz e de sofrer. No seu\u00a0 ventre vive o Deus vivo, o autor da Vida naquela mulher, criatura criada com a capacidade de gerar e ser m\u00e3e. &#8220;Desde o in\u00edcio da revela\u00e7\u00e3o a\u00a0 mulher\u00a0 est\u00e1 ligada \u00e0 gera\u00e7\u00e3o da vida, \u00e9 considerada a m\u00e3e dos viventes, a m\u00e3e de vida, por isso conhece as condi\u00e7\u00f5es de que esta exige no seu germinar lento&#8221; (TEMPORELLI, MC, 2008, p.45).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Puebla \u00e9 dito que &#8220;Maria \u00e9 mulher (&#8230;) Nela, Deus dignificou \u00e0 mulher em dimens\u00f5es inimagin\u00e1veis. Em Maria, o Evangelho penetrou a feminilidade, a redimiu e exaltou (&#8230;). Maria \u00e9 uma garantia de grandeza feminina, mostra a forma espec\u00edfica de ser mulher, com essa voca\u00e7\u00e3o de ser alma, entrega que espiritualiza a carne e encarne o esp\u00edrito &#8220;(DP 299).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No ventre de Maria se inaugura uma nova alian\u00e7a com a humanidade, porque gra\u00e7as a seu <em>fiat<\/em>, o Filho pode se tornar homem e dizer ao Pai: &#8220;um corpo me preparaste. Aqui estou, vim para fazer a tua vontade, \u00f3 Deus &#8220;(cf. Heb. 10: 5-7). A virgindade e a maternidade coexistem nela, ao igual que seu ser esposa e filha, de modo que sua figura \u00e9 pr\u00f3xima a cada ser humano. Maria &#8220;\u00e9 da nossa estirpe&#8221;, &#8220;uma verdadeira filha de Eva&#8221; e &#8220;verdadeiramente a nossa irm\u00e3, que compartilhou em tudo, como mulher humilde e pobre, a nossa condi\u00e7\u00e3o&#8221; (cfr. MC 56).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mar\u00eda del Pilar Silveira, Facultad de Teolog\u00eda de la Universidad Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello, Caracas, Venezuela. Texto original Espa\u00f1ol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/span>BOFF, Lina. <em>Mar\u00eda na vida do povo. Ensaios de mariologia na \u00f3tica latino-americana e caribenha.<\/em> S\u00e4o Paulo: Paulus, 2001, p. 23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">D<\/span>E FIORES, S., MEO ELISEO TOUR\u00d3N, S. <em>Nuevo Diccionario de Mariologia.<\/em> Madrid: Ediciones San Pablo, 2001, p. 1272-1304.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE FIORES, S. \u201cMar\u00eda disc\u00edpula y misionera en el camino pastoral de Am\u00e9rica Latina.\u201d En <em>Luces para Am\u00e9rica Latina<\/em>, compilado por la Pontificia Comisi\u00f3n para Am\u00e9rica Latina, 65-76. Roma: librer\u00eda Editrice Vaticana 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LEZ DORADO, A. <em>De Mar\u00eda conquistadora a Mar\u00eda liberadora.<\/em> Madrid: ediciones Sal T\u00e9rrea, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVEIRA, M. P. <em>Mariologia popular Latinoamericana. Fisonom\u00eda de la Mariologia popular venezolana<\/em>, Caracas: UCAB-Arquidi\u00f3cesis de M\u00e9rida, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TEMPORELLI, M. C. <em>Mar\u00eda, mujer de Dios y de los pobres. Relectura de los dogmas marianos<\/em>. Buenos Aires: Editorial San Pablo, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para aprofundar mais <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Leonardo. <em>El Rostro materno de Dios: ensayo interdisciplinar sobre lo femenino y sus formas religiosas. <\/em>San Pablo: Ediciones Paulinas, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CELAM. <em>Mar\u00eda, Madre de disc\u00edpulos. Encuentro continental de pastoral mariana y congreso teol\u00f3gico pastoral-mariano<\/em>. Bogot\u00e1: colecci\u00f3n Quinta Conferencia, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. <em>RIo de Janeiro<\/em> Documento Conclusivo, <em>\u00a0<\/em>1955, http:\/\/www.celam.org\/nueva\/Celam\/conferencia_rio.php (consultado el 7 de junio de 2014).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_________, <em>Medell\u00edn.<\/em> Documento Conclusivo. Montevideo: ed. Paulinas,\u00a0 1968<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_________, <em>Conclusiones de la III Conferencia General del Episcopado Latinoamericano<\/em>. La evangelizaci\u00f3n en el presente y en el futuro de Am\u00e9rica Latina. Montevideo: Ed. Paulinas, 1979, 285, 290, 292, 295, 296, 299, 303, 330.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>__________, Santo Domingo. <\/em>Documento Conclusivo. Montevideo: ed. Paulinas, 1992, 15, 85, 53,104, 283, 289.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_________, <em>Aparecida<\/em>. Documento Conclusivo. Bogot\u00e1: Centro de Publicaciones del CELAM, 2007, 41,141, 266, 269, 270, 451, 454, 524<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.casadellibro.com\/libros\/denzinger-heinrich\/denzinger32heinrich\">DENZINGER, H<\/a>. y <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.casadellibro.com\/libros\/hunermann-peter\/hunermann32peter\">HUNERMANN, P.<\/a> <em>El Magisterio de la Iglesia: Enchiridion Symbolorum Definitionume et Declarationum de rebus fidei et morum<\/em> (ed. multiling\u00fce). Barcelona: Herder, 2006, 251, 503, 2803.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUAN PABLO II. <em>La Virgen Mar\u00eda. <\/em>Madrid: ed. Palabra, 1998, p. 44-45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________, <em>Mulieris Dignitatem. <\/em>Carta apost\u00f3lica, Montevideo: Ed. Paulinas, 1988, 3-4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JOHNSON, E.A. <em>Verdadera hermana nuestra. Teolog\u00eda de Mar\u00eda en la comuni\u00f3n de los santos.<\/em> Barcelona: editorial Herder, 2005, p. 94.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NAPI\u00d3RKOWSKI, S. <em>\u201cEcumenismo.\u201d<\/em> En NDM. Madrid: Ediciones San Pablo, 2001, p. 644, 652, 654.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PABLO VI.<em> Marialis Cultus<\/em>, Exhortaci\u00f3n Apost\u00f3lica. Montevideo: Ed. Paulinas, 1974, 56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PORCILE SANTISO, Mar\u00eda Teresa. <em>La mujer, espacio de salvaci\u00f3n. Misi\u00f3n de la mujer en la Iglesia, una perspectiva antropol\u00f3gica.<\/em> Madrid: Publicaciones Claretianas, 1995, p. 188.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, K. \u201cSobre el problema de la evoluci\u00f3n del dogma.\u201d En <em>Escritos de teolog\u00eda, <\/em>Vol. I.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCH\u00d6KEL, L. A. <em>La Biblia de Nuestro Pueblo.<\/em> Bilbao: Ed. Mensajero, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VATICANO II. <em>Documentos Conciliares.<\/em> Constituci\u00f3n Dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium<\/em>, 56;\u00a0 Decreto <em>Unitatis redintegratio <\/em>11. <em>\u00a0<\/em>Buenos Aires: Ediciones Paulinas, 1988.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Mariologia 1.1 Mariologia na atualidade 1.2 Ecumenismo 1.3 Dogmas marianos 1.4 Mariologia popular 1.5. Mar\u00eda nas Conferencias Episcopais Latinoamericanas 1.6 Mar\u00eda e a mulher 2. Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas 1 Mariologia Denomina-se Mariologia aos estudos sistem\u00e1ticos sobre a m\u00e3e de Jesus, a Virgem Maria, com base na Palavra de Deus, a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-1306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-sistematicadogmatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1306"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1307,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1306\/revisions\/1307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}