
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1298,"date":"2016-11-19T16:50:13","date_gmt":"2016-11-19T18:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1298"},"modified":"2016-11-19T16:54:31","modified_gmt":"2016-11-19T18:54:31","slug":"evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1298","title":{"rendered":"Evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Evangeliza\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 A Igreja vive para evangelizar e para ser evangelizada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 Objetivos prim\u00e1rios da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Evangeliza\u00e7\u00e3o no horizonte do mist\u00e9rio da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 A Trindade como paradigma de una evangeliza\u00e7\u00e3o integral<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Dimens\u00f5es da Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 Evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3 Evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Desafios e possibilidades de atualiza\u00e7\u00e3o da Boa Nova do Evangelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 Fazer do ser humano o caminho da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 O pluralismo como pressuposto, n\u00e3o apenas como abertura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Revaloriza\u00e7\u00e3o da Igreja local<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1<\/strong>\u00a0<\/span><strong>Evangeliza\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 A Igreja vive para Evangelizar e para ser evangelizada<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma das tarefas essenciais da Igreja entendida n\u00e3o apenas como corpo institucional ou hier\u00e1rquico, mas como Povo de Deus em marcha (cf. <em>Evangelii Gaudium <\/em>EG 111), \u00e9 Evangelizar. Nesta a\u00e7\u00e3o encontra a sua felicidade e identidade (<em>Evangelii Nuntiandi <\/em>EN 14). Evangelizar \u00e9 fundamentalmente comunicar a Boa Nova do Evangelho com obras e palavras. Este encargo \u00e9 dado a ela, como um imperativo de Jesus e nele se fundamenta: \u201cIde e pregai o Evangelho &#8230;&#8221; \u2026\u201d Portanto, n\u00e3o surge como estrat\u00e9gia ou como meio para justificar sua exist\u00eancia, mas justamente o contrario, vive para Evangelizar, esta \u00e9 sua miss\u00e3o fundamental sem a qual todas as outras a\u00e7\u00f5es pastorais perdem seu horizonte e for\u00e7a. \u00c9 verdade que esta miss\u00e3o tem sido muitas vezes confundida e limitada \u00e0 indoutrina\u00e7\u00e3o, reduzindo assim o conte\u00fado t\u00e3o rico e profundo da a\u00e7\u00e3o evangelizadora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Portanto, na a\u00e7\u00e3o evangelizadora, em vez de transmitir doutrinas ou verdades, trata-se de\u00a0 anunciar, transmitir com fatos e \u00a0palavras a confiss\u00e3o de f\u00e9 na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, sempre unido ao projeto do Reino. Assim, pode-se entender que as pr\u00e1ticas eclesiais voltadas para muitos horizontes e ambientes, realizados em diferentes contextos, devem ser a\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas essencialmente evangelizadoras, que d\u00e3o sentido e dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua identidade e miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O sujeito da evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a comunidade dos crentes, Povo de Deus constitu\u00eddo por todas e todos os batizados. \u00c9 um sujeito coletivo, onde todos somos respons\u00e1veis com diferentes of\u00edcios e encargos (cf. <em>Ad gentes <\/em>AG 5, 11-12). Isto requer que a Igreja, \u00e0 qual pertencemos, se posicione n\u00e3o apenas como mestra, mas tamb\u00e9m como disc\u00edpula. Neste sentido podemos dizer que todo crist\u00e3o, crist\u00e3, \u00e9 ao mesmo tempo evangelizador e evangelizado. Lembre-se o caso emblem\u00e1tico da convers\u00e3o de Corn\u00e9lio, onde Pedro, o evangelizador, tamb\u00e9m \u00e9 convertido e evangelizado neste encontro (At. 10, 34-43). Aqui o evangelista entra em di\u00e1logo com o evangelizado, p\u00f5e em jogo e em considera\u00e7\u00e3o sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o da f\u00e9. O an\u00fancio e o di\u00e1logo s\u00e3o dois elementos constitutivos da a\u00e7\u00e3o evangelizadora que, quando se articulam em uma atitude aberta, d\u00e3o muito fruto (cf. <em>Documento de Aparecida<\/em> DA 237). Antes da convers\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a conversa\u00e7\u00e3o (cf. EG 127).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Esta rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica ou confronta\u00e7\u00e3o s\u00e9ria entre evangelizando e evangelizador permite, como\u00a0 interlocutores, tomar uma atitude de mais humildade e vulnerabilidade, algo ao qual a Igreja est\u00e1 pouco acostumada. Esta atitude permite entrar e respeitar o mundo e a cosmovis\u00e3o do evangelizado, porque se n\u00e3o, como se pode esperar que quem o escuta esteja disposto a\u00a0 mudar a sua vida e pensamento se ele-o evangelizador- n\u00e3o est\u00e1 disposto a submeter-se a id\u00eantica disciplina?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Isto \u00e9 justamente o interessante e rico do processo\u00a0 evangelizador, que quem evangeliza, arrisca sua f\u00e9 no desempenho das suas fun\u00e7\u00f5es. Pois, se isso n\u00e3o acontecer, quando se evangeliza a partir de uma posi\u00e7\u00e3o fixa e inabal\u00e1vel, fechando-se a outras propostas ou an\u00e1lises cr\u00edticas, corre-se o risco de tornar-se n\u00e3o mais evangelizadores sen\u00e3o propagandistas de uma marca ou um produto. &#8220;Neste processo de evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe evangelizador e evangelizado, como duas fac\u00e7\u00f5es dentro da Igreja; uns e outros se \u00a0evangelizam \u00a0mutuamente, construindo assim uma Igreja como \u00a0Comunidade fraterna, toda ela ministerial, servidora e mission\u00e1ria &#8220;(Boff, L., 1991, p.77).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">1.2\u00a0<\/span>Objetivos prim\u00e1rios da Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Um primeiro objetivo que continua a ser v\u00e1lido e leg\u00edtimo no processo de evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a convers\u00e3o, isto \u00e9 introduzir as pessoas em uma determinada vis\u00e3o do mundo, a um certo estilo de vida que n\u00e3o se tinha antes. Trata-se de aderir-se a uma doutrina particular, a umas certas cren\u00e7as. Em um sentido geral, isto continua a ser v\u00e1lido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No entanto, esta finalidade de convers\u00e3o a Jesus e seu projeto do Reino, \u00e9 refor\u00e7ada com o afirmado no documento de Puebla (cf. DP 1145) quando diz que o melhor servi\u00e7o ao irm\u00e3o, e ao irm\u00e3o mais pobre, &#8221; \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o que o liberta das injusti\u00e7as, o promove integralmente e o disp\u00f5e como filho de Deus.&#8221; Aqui tamb\u00e9m se encontra um dos prop\u00f3sitos da Evangeliza\u00e7\u00e3o entendida como liberta\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do homem, para que se realizem\u00a0 plenamente como\u00a0 filha e filho de Deus. Nos documentos de Medell\u00edn encontramos esta mesma ideia, quando afirma que a Evangeliza\u00e7\u00e3o consiste principalmente em &#8220;passar de situa\u00e7\u00f5es menos humanas a situa\u00e7\u00f5es mais humanas&#8221; (<em>Documento de Medell\u00edn <\/em>Introdu\u00e7\u00e3o n.6; <em>Documento de Santo Domingo <\/em>n. 162).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o unida \u00e0 convers\u00e3o tem como objetivo principal a humaniza\u00e7\u00e3o de cada homem e do homem todo. Isso j\u00e1 nos foi lembrado muito claramente por Paulo VI na <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, afirmando que entre promo\u00e7\u00e3o humana e evangeliza\u00e7\u00e3o existe uma correla\u00e7\u00e3o profunda de ordem antropol\u00f3gica, teol\u00f3gica e evang\u00e9lica\u00a0 (EN 31).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O fundamental para a pr\u00e1tica evangelizadora \u00e9 o an\u00fancio da pessoa de Jesus e a den\u00fancia de tudo o que se op\u00f5e ao estabelecimento do seu Reino como projeto continuador da vontade do Pai, sob a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Anunciamos, portanto, n\u00e3o apenas umas verdades, mas, principalmente, a pessoa de Jesus que, a partir da nossa f\u00e9 e da nossa identidade como crist\u00e3os, representa uma confiss\u00e3o de f\u00e9, uma proposta entre muitas outros. Anunciamos a Boa Nova de Jesus, uma not\u00edcia e um evento de car\u00e1ter salv\u00edfico, na\u00a0 caminhada sob Evangelho (Ef 4.1;. Col 1,10; Gl 5:16).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No entanto, n\u00f3s n\u00e3o anunciamos apenas uma pessoa abstratamente. Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas o homem, mas o homem que viveu sujeito \u00e0s coordenadas do tempo e do espa\u00e7o de uma forma muito espec\u00edfica e concreta. N\u00f3s anunciamos Jesus com todos os seus componentes fundamentais. Um delas \u00e9 o projeto Reino que n\u00e3o \u00e9 identificado com a Igreja, ou o progresso da tecnologia, mas fundamentalmente a experi\u00eancia de algumas rela\u00e7\u00f5es novas, algumas op\u00e7\u00f5es Novas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O an\u00fancio de Jesus n\u00e3o \u00e9 um an\u00fancio qualquer, nem sob quaisquer circunst\u00e2ncias. \u00c9 o an\u00fancio de um Cristo, e este crucificado (I Cor 1,23.); \u00c9, portanto, um Jesus contextualizado, que &#8220;passou fazendo o bem&#8221; (Atos I Cor 2,2;. .. Gal 3,1). N\u00e3o \u00e9 um Jesus apenas de conceitos, mas um Jesus que sofreu, que foi crucificado, que morreu por uma causa concreta, que entrou em conflito com o centro, em suma, um Jesus que \u00e9 Deus e que est\u00e1 presente e ativo no hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Evangeliza\u00e7\u00e3o no horizonte do mist\u00e9rio da comunh\u00e3o<\/strong> <strong>trinit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>2.1\u00a0<\/em><\/strong><\/span><em><strong>A Trindade como paradigma de uma evangeliza\u00e7\u00e3o integral<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">De acordo com EN 26, \u201cevangelizar \u00e9, acima de tudo, para dar testemunho, de uma forma simples e direta, de Deus revelado por Jesus Cristo atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo\u201d. Neste ato testemunhal que j\u00e1 tem uma base trinit\u00e1ria, se d\u00e3o v\u00e1rios paradigmas ou pontos de refer\u00eancia para sua realiza\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 o paradigma o modelo trinit\u00e1rio no qual encontramos o princ\u00edpio b\u00e1sico de relacionalidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Este princ\u00edpio funciona no n\u00edvel de pessoas e no n\u00edvel de culturas. &#8220;Estas constituem um sistema completo, mas aberto a outros sistemas e culturas, j\u00e1 que nenhum deles esgota as potencialidades do ser humano pessoal e social. Entre as culturas deve reger o mesmo que\u00a0 governa o mist\u00e9rio trinit\u00e1rio, a radical relacionalidade entre as tr\u00eas Pessoas divinas. Cada um \u00e9 uma irredut\u00edvel, mas sempre em rela\u00e7\u00e3o e em &#8220;pericorese&#8221; com os outros &#8220;(Boff, L., 1991, p. 48).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A obra evangelizadora da Igreja tem a sua origem e fundamento no mist\u00e9rio da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, &#8220;na miss\u00e3o do Filho e a miss\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, de acordo com o plano de Deus Pai&#8221; (AG 2). Esta comunh\u00e3o trinit\u00e1ria \u00e9 o modelo de toda evangeliza\u00e7\u00e3o buscando a viv\u00eancia da f\u00e9 na dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, pois a voca\u00e7\u00e3o para viver e para participar nesta comunh\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 individualmente, mas em estreita conex\u00e3o m\u00fatua. &#8220;A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma chamada para a participa\u00e7\u00e3o na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria&#8221; (DP 218).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Jesus, enviado pelo Pai, armou a sua tenda no meio de n\u00f3s, assumindo toda a natureza humana, do mesmo modo como se d\u00e1 em n\u00f3s, exceto no pecado (Hb 4,5;. 9,28). O texto narrado pelo evangelista Lucas, quando Jesus entra na sinagoga de Nazar\u00e9, \u00e9 uma passagem program\u00e1tica e paradigm\u00e1tica, \u00e9 uma refer\u00eancia obrigat\u00f3ria e um programa para realizar a partir da evangeliza\u00e7\u00e3o. &#8220;O Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar aos pobres a Boa Nova, ele enviou-me para proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos, para libertar os oprimidos e para proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor &#8220;(Lc. 4,18-19).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Jesus \u00e9 o modelo de evangelizador e a refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para toda a\u00e7\u00e3o evangelizadora, a sua pessoa \u00e9 Boa Nova que se concretiza em palavras, gestos, atividades e eventos do seu minist\u00e9rio. Para Jesus o central e b\u00e1sico no horizonte de sua mensagem \u00e9 o reino ou reinado de Deus; tudo o resto \u00e9 relativo (Mt 5: 3-12, 8), e todas estas coisas vos ser\u00e3o acrescentadas (Mt 6:33).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os Evangelhos mostram a centralidade e a import\u00e2ncia do Reino de Deus (Mt 5,3-12; 5-7 &#8230;). O Reino \u00e9 dom misericordioso do Pai que salva e liberta homens e mulheres de toda\u00a0 opress\u00e3o; \u00e9 convite para se encontrar com Deus e se comprometer com o estabelecimento do Reino no meio da realidade\u00a0 social e pessoal, transformando, com a for\u00e7a do Evangelho, os crit\u00e9rios de ju\u00edzo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que est\u00e3o em contraste com a Palavra de Deus e o plano da Salva\u00e7\u00e3o &#8220;(EN 19).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para realizar este programa de evangeliza\u00e7\u00e3o, temos a presen\u00e7a santificadora do Esp\u00edrito Santo, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o protagonista de toda a aut\u00eantica evangeliza\u00e7\u00e3o, porque atrav\u00e9s da sua a\u00e7\u00e3o &#8220;unifica na comunh\u00e3o e no minist\u00e9rio e fornece dons hier\u00e1rquicos e carism\u00e1ticos para Igreja durante todos os tempos &#8220;(AG 4).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desta forma, a a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja tem no mist\u00e9rio da Trindade, o seu fundamento \u00faltimo no sentido de ser o modelo por excel\u00eancia de relacionalidade e de comunitariedade em que cada uma das pessoas contribui, fornecendo seu ser e sua presen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Dimens\u00f5es da Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\"><strong>3.1 Evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria completa se n\u00e3o considerar a interpela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca que, no curso dos tempos,\u00a0 \u00e9 estabelecida entre o Evangelho e\u00a0 a vida concreta,\u00a0 pessoal e social do homem&#8221; (EN 29). Esta afirma\u00e7\u00e3o da <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> tem o seu impacto real no nosso continente latino-americano ao expressar-se como Evangeliza\u00e7\u00e3o Libertadora, \u00e0 qual fazem um apelo os bispos reunidos em Puebla, quando reconhecem que a situa\u00e7\u00e3o vivida nos tempos da Confer\u00eancia Episcopal Latino-Americana em Medell\u00edn (1968) \u00e9 ainda\u00a0 muito mais grave. &#8220;Os pastores da Am\u00e9rica Latina temos raz\u00f5es grav\u00edssimas raz\u00f5es grav\u00edssimas para urgir a evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora, n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 necess\u00e1rio recordar o pecado individual e social, mas tamb\u00e9m porque de Medell\u00edn para c\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o se agravou na maioria de nossos pa\u00edses.&#8221; (DP 487). A partir desse momento at\u00e9 hoje, ainda poder\u00edamos afirmar a urg\u00eancia constante desta evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora, ou esta evangeliza\u00e7\u00e3o com dimens\u00e3o social, como indica o Papa Francisco (EG 176). Em que consiste fundamentalmente?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparecida nos d\u00e1 uma guia para entender o que \u00e9 quando afirma que o trabalho essencial da evangeliza\u00e7\u00e3o &#8220;inclui a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, a promo\u00e7\u00e3o humana integral e a aut\u00eantica liberta\u00e7\u00e3o crist\u00e3&#8221; (DA 146). Nestes tr\u00eas elementos reside fundamentalmente o conte\u00fado de uma evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora: em uma op\u00e7\u00e3o pelos pobres, em uma promo\u00e7\u00e3o humana e a liberta\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A luta pela justi\u00e7a e a participa\u00e7\u00e3o em favor da transforma\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 claramente uma dimens\u00e3o constitutiva da a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja. Isto foi afirmado por Jo\u00e3o Paulo II em seu discurso de abertura da Confer\u00eancia Episcopal Latino-Americano em Puebla (1979): &#8220;A miss\u00e3o evangelizadora tem como parte indispens\u00e1vel a\u00e7\u00e3o\u00a0 para a justi\u00e7a e as tarefas de promo\u00e7\u00e3o do homem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora envolve a supera\u00e7\u00e3o de uma evangeliza\u00e7\u00e3o puramente doutrinal e kerigm\u00e1tica sem ra\u00edzes na realidade. Seu ponto de ancoragem \u00e9 a de uma Igreja que vive no horizonte do Reino como projeto do Pai e busca a liberta\u00e7\u00e3o integral de homens e mulheres com a for\u00e7a do Ressuscitado e a presen\u00e7a ativa do Esp\u00edrito Santo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em suma, podemos dizer que a evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora n\u00e3o \u00e9 opcional, que a inclus\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o humana, os esfor\u00e7os da promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e a contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de moda ou de regi\u00f5es geogr\u00e1ficas, mas &#8220;parte integral &#8220;,&#8221; parte indispens\u00e1vel &#8220;&#8221; dimens\u00e3o constitutiva &#8220;sem a qual simplesmente n\u00e3o est\u00e1 completa a a\u00e7\u00e3o evangelizadora, faltando um componente importante e cr\u00edtico que lhe d\u00e1 identidade, orienta\u00e7\u00e3o e sentido. &#8220;Se esta dimens\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 devidamente explicitada, sempre corre o risco de desfigurar o sentido aut\u00eantico e integral que tem a miss\u00e3o evangelizadora&#8221; (EG 176).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\"><strong>3.2. Evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma das tarefas evangelizadoras da Igreja consiste em encarnar o Evangelho no cora\u00e7\u00e3o das culturas e, a partir da\u00ed, participar na conquista das grandes aspira\u00e7\u00f5es da humanidade. Portanto, ficam desautorizados s\u00e3o todos os tipos de vis\u00e3o m\u00edope e etnoc\u00eantrica e se imp\u00f5e a consci\u00eancia de que a Igreja, ao se fazer presente na diversidade de povos e culturas, \u00e9 tamb\u00e9m uma realidade multicultural. Em coer\u00eancia com o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, evangelizar n\u00e3o \u00e9, como dito acima, anunciar uma doutrina ou incorporar pessoas \u00e0 Igreja, mas acima de tudo, encarnar o Evangelho na diversidade de culturas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Trata-se de um processo, n\u00e3o na linha de &#8220;evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas&#8221;, mas de uma &#8220;evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada&#8221;. O primeiro paradigma parte do evangelho e se presta \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de uma igreja monocultural que n\u00e3o faz justi\u00e7a \u00e0 l\u00f3gica da encarna\u00e7\u00e3o (EG 117); os destinat\u00e1rios do Evangelho, neste caso, s\u00e3o reduzidos a receptores passivos de um\u00a0 evangelho j\u00e1 inculturado e concebidos como objetos da evangeliza\u00e7\u00e3o. O segundo,\u00a0 parte da cultura e de seus respectivos sujeitos, permitindo o aparecimento de Igrejas culturalmente novas. Aqui, n\u00e3o \u00e9 tanto o evangelho que a ignor\u00e2ncia, mas os sujeitos da cultura que incorporam, \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira, o evangelho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao contr\u00e1rio de uma determinada &#8220;nova evangeliza\u00e7\u00e3o&#8221; que\u00a0 acredita ser nova s\u00f3 porque incorpora meios inovadores para fazer o mesmo de sempre, uma evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada segue a pedagogia da <em>Evangelii Nuntiandi <\/em>respeitando primeiro o trabalho de Deus j\u00e1 presente nas culturas e o \u00absacr\u00e1rio da consci\u00eancia&#8221; dos interlocutores. &#8220;Acompanhar, cuidar e fortalecer as riquezas j\u00e1 existentes&#8221; (EG 69). Nesta mesma dire\u00e7\u00e3o, trata-se de realizar\u00a0 uma evangeliza\u00e7\u00e3o pelo testemunho (evangeliza\u00e7\u00e3o impl\u00edcita); mais tarde, na gratuidade por ter &#8220;recebido pela gra\u00e7a&#8221; o dom do evangelho, propor com delicadeza e amor, oferecendo os meios necess\u00e1rios para que os destinat\u00e1rios possam, a partir de livre ades\u00e3o, encarn\u00e1-lo em suas culturas (evangeliza\u00e7\u00e3o impl\u00edcita). Podem ser vislumbrados esses dois momentos nos seguintes passos (cf. BRIGHENTI, 1997, p.73-105):<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Como evangeliza\u00e7\u00e3o impl\u00edcita, implicaria, num primeiro passo, ser presen\u00e7a de testemunho ou de empatia, seguindo o dinamismo do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. Antes de tudo, evangelizar significa se inserir gratuita e respeitosamente no contexto no qual deseja desencadear um processo de evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada. Trata-se, de acordo com a <em>Gaudium et Spes<\/em>, de se solidarizar com os problemas, alegrias e tristezas, angustias e esperan\u00e7as do povo que se quer evangelizar, pois, evangelizar significa testemunhar uma atitude de respeito e acolhida das culturas por causa de Deus e da obra que Ele realizou\u00a0 no interior das culturas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Num segundo passo, trata-se de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica ou de simpatia entre os agentes e os membros da cultura, de modo que num clima de confian\u00e7a, ambas as partes expressem o seu modo existencial, pronunciem sua pr\u00f3pria palavra e cultivem a capacidade de escuta e de apropria\u00e7\u00e3o que requer toda aut\u00eantica convers\u00e3o. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 &#8220;ignorar nem se impor&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro passo \u00e9 identificar e reconhecer os valores da cultura como &#8220;sementes do Verbo&#8221;, porque sabemos que as culturas, tanto na sua dimens\u00e3o simb\u00f3lica quanto na sua dimens\u00e3o \u00e9tica, est\u00e3o ecoando a voz de Deus, que sempre se dirige \u00e0 sociedade e a cada subjetividade humana. As religi\u00f5es, como\u00a0 a alma das culturas, s\u00e3o, por acima de tudo,\u00a0 rea\u00e7\u00f5es \u00e0 a\u00e7\u00e3o primeira de Deus e\u00a0 caminho da divindade para as culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tendo em conta estes passos, \u00e9 poss\u00edvel passar ao segundo momento do processo, o de uma evangeliza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. Para isso, primeiro (quarto passo), trata-se de anunciar amorosa e respeitosamente as verdades do cristianismo. Depois de reafirmar que &#8220;o Deus da cultura&#8221; \u00e9 o Deus de Jesus Cristo, presente e ativo na hist\u00f3ria de todos os Povos, \u00e9 poss\u00edvel revelar explicitamente este Deus, isto \u00e9, dar a conhecer a positividade crist\u00e3. A tarefa do evangelizador, neste quarto passo consiste apenas em fornecer o texto da B\u00edblia, a hist\u00f3ria do texto, a tradi\u00e7\u00e3o sua interpreta\u00e7\u00e3o e criar o contexto eclesial comunit\u00e1rio de f\u00e9 necess\u00e1rio para ler e interpretar a Mensagem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O quinto passo \u00e9 chegar a uma mutua evangeliza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita ou reflex\u00e3o cr\u00edtica n\u00e3o s\u00f3 dos agentes em dire\u00e7\u00e3o aos membros da cultura, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios membros da cultura em agentes em rela\u00e7\u00e3o aos agentes. Trata-se de que cada uma das partes ajude \u00e0 outra para n\u00e3o absolutizar a pr\u00f3pria cultura ante a transcend\u00eancia do Evangelho, nem o seu modo de apropria\u00e7\u00e3o do mesmo, para evitar cair na &#8220;vaidosa sacraliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria cultura\u00a0 com o qual poderemos mostrar mais fanatismo do que aut\u00eantico fervor evangelizador &#8220;(EG 117). Por um lado, trata-se de inculturar a mensagem, e de outro, de\u00a0 expurg\u00e1-lo de vers\u00f5es ex\u00f3genas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Finalmente, num sexto passo, chega o momento da apropria\u00e7\u00e3o ou assimila\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica, que \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma simbiose entre Evangelho e cultura, tanto pelos membros da cultura que entram em contato com o Evangelho, quanto por parte dos evangelizadores que, mesmo que realmente estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica com os novos membros, n\u00e3o obtiveram os mesmos resultados deste encontro. N\u00e3o se d\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica, mas sint\u00e9tica. O resultado de um processo de evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada com este (s\u00e9timo passo) \u00e9 o surgimento ou crescimento de Igrejas culturalmente Novas, com &#8220;fisionomia pr\u00f3pria&#8221; (EN 63). Trata-se mais de &#8220;cria\u00e7\u00e3o&#8221; de uma Igreja particular aut\u00f3ctone, apoiada por uma eclesialidade pluriforme, do que simples &#8220;implanta\u00e7\u00e3o&#8221;. Do mesmo modo que a Encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 um &#8220;assumir sem aniquilar&#8221; o surgimento de uma Igreja com o &#8220;rosto pr\u00f3prio\u201d significa &#8220;inculturar sem identificar&#8221;. Um exemplo desse esfor\u00e7o, muitas vezes incompreendido, \u00e9 a diocese de San Crist\u00f3bal de las Casas, no M\u00e9xico (cf.RU\u00cdZ, 1999, p.113-127).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.3. Evangeliza\u00e7\u00e3o missionaria<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Assim como o documento de Puebla enfatiza a dimens\u00e3o libertadora da Evangeliza\u00e7\u00e3o, e <em>Santo Domingo<\/em> o da incultura\u00e7\u00e3o, o documento de <em>Aparecida<\/em> coloca a Evangeliza\u00e7\u00e3o em uma din\u00e2mica mission\u00e1ria (DA 13). Ele faz um forte apelo ao compromisso por &#8220;uma evangeliza\u00e7\u00e3o mais mission\u00e1ria, em di\u00e1logo com todos os crist\u00e3os e ao servi\u00e7o de todos os homens.&#8221; Esta dimens\u00e3o mission\u00e1ria deve ser entendida no seu devido lugar, porque n\u00e3o \u00e9 um movimento interior que busca o fortalecimento da Igreja como institui\u00e7\u00e3o, mas um movimento de sa\u00edda e de desconcentra\u00e7\u00e3o, onde a proposta n\u00e3o tenha o estilo de proselitismo , sen\u00e3o mais de contagio e atra\u00e7\u00e3o. Precisamos &#8220;deixar o confort\u00e1vel\u00a0 crit\u00e9rio do \u201csempre foi feito assim &#8216;, sendo mais ousados e criativos &#8220;(EG 33).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja cumpre essa miss\u00e3o evangelizadora seguindo os passos do seu Senhor e adotando suas atitudes (cf. Mt 9, 35-36).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Assim, a Igreja deve se proteger contra a tenta\u00e7\u00e3o de medir a gl\u00f3ria de Deus pela honra que a Ele se lhe rende, uma ideia que poderia induzi-la a concentrar todos os seus esfor\u00e7os com o \u00fanico objetivo de restaurar a sua for\u00e7a, sua credibilidade, seu prest\u00edgio, sua influ\u00eancia na sociedade. [&#8230;] Ela poderia ter pensado que sua miss\u00e3o era impor a sua presen\u00e7a no mundo com esplendor e poder de dar um testemunho definitivo da revela\u00e7\u00e3o cujo\u00a0 dep\u00f3sito custodia &#8220;( MOING, 2011, p. 295).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria envolve uma consci\u00eancia de ser disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de uma vez, porque &#8220;s\u00e3o dois lados da mesma moeda&#8221;, porque o disc\u00edpulo \u00e9 por natureza mission\u00e1ria e o mission\u00e1rio \u00e9 um fiel seguidor de Jesus, que o convida para prosseguir a causa do Reino. Esta chamada para fazer uma evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 moment\u00e2nea ou transit\u00f3ria, mas permanente (cf. DA 210). A consci\u00eancia mission\u00e1ria apesar de n\u00e3o negar a dimens\u00e3o territorial ou geogr\u00e1fica, n\u00e3o se reduz a ela. &#8220;De fato, os destinat\u00e1rios reais da atividade mission\u00e1ria do povo de Deus n\u00e3o s\u00e3o apenas os povos n\u00e3o-crist\u00e3os e as terras distantes, mas tamb\u00e9m os \u00e2mbitos socioculturais e, acima de tudo, os cora\u00e7\u00f5es.&#8221; Assim, as \u00e1reas de Miss\u00e3o n\u00e3o eles n\u00e3o est\u00e3o apenas ligados principalmente territorial, mas tamb\u00e9m para as realidades onde as pessoas vivem, as &#8220;periferias existenciais&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No DA encontramos dois elementos que poderiam traduzir-se em duas atitudes que formam uma mudan\u00e7a de paradigma no referente \u00e0 miss\u00e3o: &#8220;atra\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;irradia\u00e7\u00e3o&#8221; atrair-irradiar, dois verbos que indicam um movimento de ida e volta. No n\u00famero 159 Aparecida diz-nos que &#8220;a Igreja cresce n\u00e3o por proselitismo, mas pela atra\u00e7\u00e3o: como Cristo atrai todos a si com a for\u00e7a do seu amor. A Igreja atrai quando vive em comunh\u00e3o, pois os disc\u00edpulos de Jesus ser\u00e3o reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12: 4-13;. Jo 13, 34). &#8220;. Assim, \u00e9\u00a0 deixado para tr\u00e1s toda a din\u00e2mica proselitista e se prop\u00f5e a atra\u00e7\u00e3o, descobrindo no crist\u00e3o alguma singularidade que parece interessante no meio de tantas propostas. \u00c9 preciso ter essa for\u00e7a para atrair, para convencer. Hoje a evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 entendida atrav\u00e9s desta atra\u00e7\u00e3o-contagio. De vizinho para vizinho, nossa igreja n\u00e3o convence apenas com grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massa, grandes eventos. N\u00e3o \u00e9 esse tipo de atra\u00e7\u00e3o. &#8220;Trata-se de levar o Evangelho \u00e0s pessoas com as quais cada um se relaciona, tanto pr\u00f3ximos quanto estranhos. \u00c9 a predica\u00e7\u00e3o informal que pode ser feita no meio de uma conversa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m \u00e9 a que realiza um mission\u00e1rio ao visitar um lar &#8220;(EG 127).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sobre este movimento de irradia\u00e7\u00e3o, h\u00e1 duas express\u00f5es no documento, os dois referidos \u00e0 comunidade paroquial e sua miss\u00e3o: O DA\u00a0 pede &#8220;que as Par\u00f3quias sejam\u00a0 centros de irradia\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios&#8221; (DA306). &#8220;Necessitamos que cada comunidade crista se torne um poderoso centro de irradia\u00e7\u00e3o da vida em Cristo.&#8221; (DA 362). Isto significa, em primeiro lugar, que as comunidades paroquiais s\u00e3o iluminados pela vida de Cristo, que elas,\u00a0 primeiramente,\u00a0 experimentem a presen\u00e7a de Jesus em suas vidas e em seguida, expandam essa luz de Jesus, este verbo irradiar est\u00e1 em um sentido de respeito de expandir a luz sem imp\u00f5e-la, mas prop\u00f4-la como uma confiss\u00e3o de f\u00e9 para a humanidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Desafios e Possibilidades de atua\u00e7\u00e3o da Boa Nova do Evangelho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong style=\"color: #000000;\">4.1 Fazer do ser humano o caminho da Igreja<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Igreja hoje, mais do que nunca, precisa se mover para fora de seus assuntos internos e deixar de ser &#8220;auto-referencial&#8221; para entrar em sintonia com as grandes aspira\u00e7\u00f5es da humanidade. Se realmente quiser fazer uma aut\u00eantica evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00a0al\u00e9m de um simples verniz simples e de uma a\u00e7\u00e3o sup\u00e9rflua que n\u00e3o toca a realidade nem o essencial da mensagem de Jesus, deve ser uma Igreja \u201cem sa\u00edda&#8221;\u00a0 (EG 24). &#8220;O espa\u00e7o estritamente religioso ou intra-eclesial n\u00e3o esgota a miss\u00e3o da Igreja, sinal e instrumento do Reino de Deus no cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria: Deus quer salvar a todos, e a Igreja, como uma mediadora privilegiada, requer ser a Igreja de todos, mesmo daqueles que n\u00e3o s\u00e3o Igreja &#8220;( BRIGHENTI, 2009, p. 39).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Fazer do ser humano o caminho da Igreja \u00e9 tomar consci\u00eancia de tudo o que abrange a sua exist\u00eancia, em todas as suas dimens\u00f5es e \u00e2mbitos. &#8220;<em>Este homem \u00e9 o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer no cumprimento da sua miss\u00e3o, ele \u00e9 o primeiro e fundamental caminho para a Igreja<\/em>&#8221; (<em>Redemptor hominis RH<\/em> 13).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Esta estrada \u00e9 hoje um desafio e uma necessidade para a a\u00e7\u00e3o evangelizadora, \u00a0que requer superar os conhecidos paradigmas ontol\u00f3gicos e hermen\u00eauticos, a partir dos quais o ser humano \u00e9 visto apenas como uma categoria universal, sem rosto e sem p\u00e1tria. J\u00e1 os bispos reunidos em Puebla, punham em quest\u00e3o este tipo de &#8220;universalidade&#8221; no n\u00edvel cultural, que eles percebiam como &#8220;sin\u00f4nimo de nivela\u00e7\u00e3o e uniformidade que n\u00e3o respeita as diferentes culturas, enfraquecendo-as, absorvendo-as ou eliminando-as. Com maior raz\u00e3o, a Igreja n\u00e3o aceita aquela instrumenta\u00e7\u00e3o da universalidade que equivale \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o da humanidade atrav\u00e9s de uma injusta supremacia e domina\u00e7\u00e3o sobre uns povos ou setores sociais sobre outros povos e setores &#8220;(DP 427).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Fazer do ser humano o caminho da Igreja implica ter em conta a dimens\u00e3o da alteridade, uma quest\u00e3o que a teologia latino-americana leva muito a s\u00e9rio a ver que em muitos sectores, especialmente no econ\u00f4mico, foi negada a presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o do &#8221; outro &#8220;, ou seja, dos pobres ou melhor, dos empobrecidos, privando-os de seus direitos mais fundamentais. &#8220;\u00c9 hora de que a Igreja tire as consequ\u00eancias do\u00a0 Evangelho social de Jesus Cristo, para que que a religi\u00e3o crist\u00e3 seja de fato uma experi\u00eancia salv\u00edfica, tanto na esfera pessoal quanto na social. Est\u00e1 em jogo a credibilidade n\u00e3o s\u00f3 da Igreja, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio Evangelho &#8221; (BRIGHENTI, 2009, p. 40).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong style=\"color: #000000;\">4.2 O pluralismo como pressuposto, n\u00e3o s\u00f3 como abertura<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 dif\u00edcil ignorar o pluralismo como um fato \u00f3bvio hoje, quase ningu\u00e9m pode duvidar de sua influ\u00eancia em todos os \u00e2mbitos. Mas o importante \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 dar-se conta da sua exist\u00eancia, mas assumi-lo e consider\u00e1-lo como algo praticamente inevit\u00e1vel em todas as reflex\u00f5es e nas\u00a0 pr\u00e1ticas evangelizadoras, n\u00e3o \u00e9 suficiente apresent\u00e1-lo como uma atitude de abertura a novas ideias ou propostas pastorais, mas inclui-lo nos desenhos e elabora\u00e7\u00f5es evangelizadoras como um componente pr\u00f3prio da Igreja. &#8220;A Igreja do futuro ou ser\u00e1 pluralista, isto \u00e9, respeitosa e promotora do pluralismo, ou n\u00e3o ser\u00e1 cat\u00f3lica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O pluralismo -mais propriamente uma atitude pluralista- \u00e9 uma poss\u00edvel resposta ao fato da pluralidade. N\u00e3o \u00e9 uma concess\u00e3o \u00e0 realidade que prevalece, ou uma abertura a outras ofertas ou possibilidades, mas um pressuposto de nossas propostas evangelizadoras. Isto significa que a Igreja, antes de falar sobre si mesma e seus pr\u00f3prios projetos,\u00a0 tem que ouvir e considerar ao outro, n\u00e3o como uma prolonga\u00e7\u00e3o de si mesma, mas como algo diferente, totalmente outro. A atitude pluralista nos leva a considerar o diferente (cultura, l\u00edngua, s\u00edmbolo, pessoa) n\u00e3o como uma amea\u00e7a, uma concorr\u00eancia ou potencial inimigo, mas como um meio de enriquecimento e abertura para novas possibilidades pastorais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Assim, na a\u00e7\u00e3o evangelizadora, n\u00e3o h\u00e1 destinat\u00e1rios, mas interlocutores, como acontece na revela\u00e7\u00e3o. Para que exista revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9\u00a0 suficiente que Deus se manifeste; \u00e9 necess\u00e1ria a resposta humana. O ponto de partida da\u00a0 evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o outro e as suas circunst\u00e2ncias, suas necessidades, porque, enquanto comunica\u00e7\u00e3o, s\u00f3 acontece quando o outro responde.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A atitude que d\u00e1 o tom no encontro com o outro, o diferente, em vez da manipula\u00e7\u00e3o ou o proselitismo \u00e9, acima de tudo, o testemunho. O testemunho \u00e9 sempre a express\u00e3o da discreta a\u00e7\u00e3o misteriosa de Deus, sempre respeitoso da liberdade humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><span style=\"color: #000000;\">4.3\u00a0<\/span>Revaloriza\u00e7\u00e3o da Igreja local<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Conc\u00edlio Vaticano II (LG 23, CD 11) redescobriu o grande valor da Igreja particular, n\u00e3o como uma parte, mas como uma por\u00e7\u00e3o da Igreja universal, na qual se cont\u00e9m a Igreja toda, mas n\u00e3o toda a Igreja, pois nenhuma Igreja local pode esgotar o mist\u00e9rio eclesial. Daqui\u00a0 segue-se que a catolicidade da Igreja est\u00e1,\u00a0 a partir da Igreja local, \u00a0na comunh\u00e3o das Igrejas, uma vez que a Igreja de Jesus Cristo \u00e9 &#8220;Igreja de Igrejas&#8221; (cf. TILLARD, 1991).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, de acordo com o que mesmo Concilio nos lembra, a Igreja local est\u00e1 fundada sobre e constru\u00edda pela Palavra de Deus. A Igreja \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o da Palavra, que antecede \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Ela mesma \u00e9 um resultado da evangeliza\u00e7\u00e3o. Assim, precisamente da obra evangelizadora e mission\u00e1ria da Igreja local, surge a miss\u00e3o universal da Igreja surge. Esta \u00e9, em primeiro lugar, uma chamada para evangelizar-se continuamente, assumindo um rosto pr\u00f3prio em rela\u00e7\u00e3o com a alteridade das outras Igrejas; \u00a0em segundo lugar \u00e9 uma chamada que incita a ir a todos os Povos, a fim de fazer surgir comunidades que procurem inculturar a f\u00e9 em seu espa\u00e7o local, a partir de suas peculiaridades, que por sua vez ir\u00e1 remodelar a face da Igreja local.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma das exig\u00eancias da evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a conforma\u00e7\u00e3o de grupos\u00a0 a &#8220;escala humana&#8221; (cf. DA 180) como um meio privilegiado para a pr\u00e1tica evangelizadora da Igreja (cf. DA 307). A Igreja latino-americana, dependente da eclesiologia do Povo de Deus e\u00a0 de Comunh\u00e3o, queria ser uma Igreja viva e din\u00e2mica (cf. <em>Documento cf. de Santo Domingo<\/em> DSD 23),\u00a0 refletindo esse rosto nos v\u00e1rios n\u00edveis de Igreja, a partir da viv\u00eancia de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, feita especialmente atrav\u00e9s das pequenas comunidades eclesiais de base, que s\u00e3o consideradas como um sinal de vitalidade eclesial, instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o e ponto de partida para uma nova sociedade (cf. DSD 61).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Elas s\u00e3o, portanto, consideradas assim por v\u00e1rias raz\u00f5es: em primeiro lugar, essas comunidades descentralizam e articulam as &#8220;grandes comunidades&#8221; impessoais ou de massa, transformando-as em ambientes simples e de muita vitalidade, tornando-se assim num espa\u00e7o promotor do resgate da identidade,\u00a0 a dignidade e a autoestima. Em segundo lugar, abrem um espa\u00e7o para os exclu\u00eddos, seja por raz\u00f5es econ\u00f3micas, \u00e9tnicas, de idade, sexo, cultura. Dentro destas pequenas comunidades os pobres tornam-se sujeitos e atores de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, deixando de ser objeto de caridade ou de ajuda externa. Em terceiro lugar, as pequenas comunidades tentam unir f\u00e9 e vida, unindo a religiosidade ao sentido, conscientes de que Deus deseja a vida a partir do corpo. No seu seio, a \u00a0religi\u00e3o, longe de ser um meio de\u00a0 aliena\u00e7\u00e3o, assume um car\u00e1ter expl\u00edcito de liberta\u00e7\u00e3o, manifestando-se na hist\u00f3ria a parcialidade de Deus para com o pobre ante o sofrimento injusto. Em quarto lugar, as pequenas comunidades, ecoando o Concilio ao recuperar o sentido do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is, afirmam a urg\u00eancia do protagonismo dos leigos na miss\u00e3o evangelizadora (cf. LG 10 DSD 103,293).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ernesto Palafox, Pontificia Universidad de M\u00e9xico. M\u00e9xico. <\/em>Texto original espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ACTAS Y DOCUMENTOS PONTIFICIOS. <em>Evangelii Gaudium. La alegr\u00eda del Evangelio. Exhortaci\u00f3n Apost\u00f3lica del Santo Padre Francisco<\/em>, M\u00e9xico: San Pablo, 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BOFF, Leonardo. <em>Nueva Evangelizaci\u00f3n: <\/em>perspectiva de los oprimidos. M\u00e9xico: Palabra, 1991. 126p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BRIGHENTI, Agenor. <em>Por una Evangelizaci\u00f3n Inculturada. Principios Pedag\u00f3gicos y Pasos Metodol\u00f3gicos.<\/em> Bogot\u00e1: Paulinas, 1997. 139p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONFERENCIA DEL EPISCOPADO MEXICANO. <em>Aparecida. Documento conclusivo. V Conferencia General del Episcopado Latinoamericano y del Caribe<\/em>. M\u00e9xico: CEM, 2007.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONSEJO EPISCOPAL LATINOAMERICANO, <em>R\u00edo de Janeiro, Medell\u00edn, Puebla, Santo Domingo. Conferencias del Episcopado Latinoamericano, <\/em>Bogot\u00e1: CELAM, 1994.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">MOING, Joseph. <em>Dios que viene al hombre. II\/2 de la aparici\u00f3n al nacimiento de Dios. El nacimiento. <\/em>Salamanca: S\u00edgueme, 2011. 635p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PABLO VI, <em>Evangelii Nuntiandi. La evangelizaci\u00f3n en el mundo actual.<\/em> M\u00e9xico: Paulinas, 2000.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">RU\u00cdZ GARC\u00cdA, Samuel. <em>Mi trabajo pastoral en la Di\u00f3cesis de San Crist\u00f3bal de las Casas. Principios teol\u00f3gicos.<\/em> M\u00e9xico: Paulinas, 1999. 160p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">TILLARD, Jean-Marie R. <em>Iglesia de Iglesias. <\/em>Salamanca: S\u00edgueme, 1991. 356p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para aprofundar mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">AMALORPAVADASS, D. <em>Evangelizaci\u00f3n y cultura<\/em>, en <em>Concilium<\/em> 134 (1978), p.80-94.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ARENS, Eduardo. <em>Para que el mundo crea. Evangelizaci\u00f3n\u2026 desde el evangelio, <\/em>en <em>P\u00e1ginas<\/em> 171 (2001), p.76-90.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BRAVO GALLARDO, Carlos. <em>Discernir la evangelizaci\u00f3n<\/em>, en <em>Christus<\/em> 8 (1990), p.7-11.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BRIGHENTI, Agenor. <em>La Misi\u00f3n evangelizadora en el contexto actual. Realidades y desaf\u00edos desde la Am\u00e9rica Latina<\/em>. M\u00e9xico: Palabra, 2009. 56p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">COMBLIN, Jos\u00e9. <em>Evangelizar. <\/em>M\u00e9xico: Dabar, 2012. 132p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">COMBLIN, Jos\u00e9. <em>Teolog\u00eda de la misi\u00f3n. La evangelizaci\u00f3n<\/em>, Buenos Aires, 1974.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FLORIST\u00c1N, Casiano. <em>Evangelizaci\u00f3n<\/em>, Nuevo Diccionario de Pastoral, Madrid: Paulinas, 2002, p.550-559.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">GUIJARRO, Santiago. <em>La primera evangelizaci\u00f3n. <\/em>Salamanca: S\u00edgueme, 2013. 237p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">KELER, Miguel \u00c1ngel. <em>El proceso evangelizador de la Iglesia en Am\u00e9rica Latina. De R\u00edo a Santo Domingo<\/em>, en <em>Medell\u00edn <\/em>21 (1995) p.5-34.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">METTE, Norbert. <em>Evangelizaci\u00f3n y credibilidad de la Iglesia<\/em>, en <em>Concilium<\/em> 134 (1978), p.72-79.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">SASTRE, Jes\u00fas. <em>Evangelizaci\u00f3n<\/em>. Diccionario de Pastoral y Evangelizaci\u00f3n. Burgos: Monte Carmelo, 2000. p.410-424.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">VELASCO, Juan Mart\u00edn. <em>Increencia y evangelizaci\u00f3n: del di\u00e1logo al testimonio<\/em>, Santander: Sal Terrae, 1988. 252p.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Evangeliza\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o da Igreja 1.1 A Igreja vive para evangelizar e para ser evangelizada 1.2 Objetivos prim\u00e1rios da evangeliza\u00e7\u00e3o 2 Evangeliza\u00e7\u00e3o no horizonte do mist\u00e9rio da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria 2.1 A Trindade como paradigma de una evangeliza\u00e7\u00e3o integral 3 Dimens\u00f5es da Evangeliza\u00e7\u00e3o 3.1 Evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora 3.2 Evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada 3.3 Evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria 4 Desafios e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1298"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1302,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions\/1302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}