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{"id":1296,"date":"2016-11-19T16:40:19","date_gmt":"2016-11-19T18:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1296"},"modified":"2018-01-13T17:45:32","modified_gmt":"2018-01-13T19:45:32","slug":"crer-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1296","title":{"rendered":"Crer na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Introdu\u00e7\u00e3o explicativa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Crer\/F\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Na Am\u00e9rica Latina: contexto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Hermen\u00eautica libertadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Desafios e perspectivas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o explicativa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, quando dizemos crer na Am\u00e9rica Latina (AL) afirmamos um lugar geogr\u00e1fico, ou melhor, uma vasta geografia em que a proposta da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi feita e tem feito hist\u00f3ria. A dificuldade de reduzir esta diversidade geogr\u00e1fica e humana a um conceito, AL, \u00e9 evidente. A diferen\u00e7a entre os pa\u00edses do continente e as ilhas do Caribe \u00e9 enorme e at\u00e9 dentro de um mesmo pa\u00eds, encontramos uma variedade de regi\u00f5es e estruturas humanas que s\u00e3o relutantes em desistir de sua particularidade irredut\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala de contexto social e eclesial da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, n\u00e3o se pode esquecer que \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, um recurso lingu\u00edstico que n\u00e3o representa a viva realidade de nossas terras. As imagens e os conceitos s\u00e3o necess\u00e1rios para a reflex\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, eles s\u00e3o deficientes e inadequados. Seria uma ilus\u00e3o intelectual, seja na sua vertente realista ou idealista, pensar que estas imagens encarnam o retrato pitoresco e animado da realidade viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desta dificuldade, erigida em mem\u00f3ria, que homenageia a complexidade da realidade e a insufici\u00eancia e fragmenta\u00e7\u00e3o de qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre isso, existe consenso em afirmar um \u201cesp\u00edrito latino-americano\u201d que, \u00e0 sombra desta complexidade, se manifesta como \u201cuma simplicidade permanente e, no entanto, constantemente criativo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, quando falamos de crer na AL, n\u00e3o estamos propondo uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre a especificidade da f\u00e9 (<em>fides qua, fides quae<\/em>) ou a f\u00e9 entendida e justificada, mas consideramos a f\u00e9 <em>quoad exercicium<\/em>, ou seja, como a resposta viva para uma proposta. Trata-se n\u00e3o de uma teoria sobre a f\u00e9 em geral, que n\u00e3o existe, ou sobre a f\u00e9 na AL, mas de buscar o que est\u00e1 impl\u00edcito, como exig\u00eancia e desafio, na resposta a essa proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Crer\/F\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o ser humano tem f\u00e9 em algo ou em algu\u00e9m, se diz que ele cr\u00ea. A correspond\u00eancia entre crer e ter f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas podemos dizer que o significado de ambos encontra uma determinada coincid\u00eancia enquanto se \u00a0relacionam com algo que n\u00e3o \u00e9 evidente. A partir deste ponto de vista, segundo o objeto de cren\u00e7a ou da f\u00e9, pode-se falar de uma f\u00e9 ou de uma cren\u00e7a humana e religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 tem uma caracter\u00edstica singular por seu car\u00e1ter teologal. Isto significa que ela n\u00e3o \u00e9 meramente humana ou religiosa. Quando humanamente se tem f\u00e9 em algo ou em algu\u00e9m\u00a0 n\u00e3o se pode garantir a fidelidade daquilo ou daquele em quem se cr\u00ea. Desde o ponto de vista religioso, crer numa divindade, em uma for\u00e7a superior e misteriosa n\u00e3o implica necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com essa divindade. Dizer que a f\u00e9 crist\u00e3 tem um car\u00e1ter teologal significa que: a) ela tem a sua origem em Deus, o pr\u00f3prio Deus quem se prop\u00f5e para ser crido (<em>credere Deum<\/em>); b) que a fidelidade de Deus \u00e9 garantida, cr\u00ea-se porque Deus \u00e9 a raz\u00e3o pela qual se cr\u00ea (<em>credere Deo<\/em>); e c) ela tem uma din\u00e2mica relacional em que a pr\u00f3pria divindade est\u00e1 envolvida promovendo, sustentando e encaminhando o assentimento a um fim que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus (<em>credere in Deum<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter teologal da f\u00e9, precisamente por <em>aquilo <\/em>que se cr\u00ea, <em>a <\/em>quem se cr\u00ea e <em>para<\/em> quem se cr\u00ea, tamb\u00e9m envolve uma escurid\u00e3o e uma certeza. Escurid\u00e3o, porque \u00e0 verdade do objeto da f\u00e9 n\u00e3o se chega pela evid\u00eancia da demonstra\u00e7\u00e3o, mas pela autoridade de quem se prop\u00f5e ser crido: \u201cA f\u00e9 \u00e9 certa, n\u00e3o porque implica a evid\u00eancia de uma coisa vista, sen\u00e3o porque \u00e9 a ades\u00e3o a uma pessoa que v\u00ea\u201d (MOROUX, 1939, p.83). A certeza da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9, portanto, uma evid\u00eancia baseada na vis\u00e3o do crente, mas na vis\u00e3o daquele em quem se cr\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A singularidade desta certeza \u00e9 extraordin\u00e1ria, porque a pessoa em quem se cr\u00ea se faz, por assim dizer, passiva de sua pr\u00f3pria vis\u00e3o. Crendo aquele que v\u00ea, vemos atrav\u00e9s dele, porque ele v\u00ea atrav\u00e9s de n\u00f3s. Em sentido estrito, a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 acompanhada pela d\u00favida, por este modo singular de vis\u00e3o aquele que cr\u00ea n\u00e3o tem d\u00favida. N\u00e3o se pode confundir a tend\u00eancia para procurar e compreender com um estado de d\u00favida, esta tend\u00eancia \u00e9 inerente \u00e0 natureza do mist\u00e9rio que n\u00e3o se deixa definir ou limitar nas nossas representa\u00e7\u00f5es. A certeza da f\u00e9 \u00e9 confirmada, n\u00e3o s\u00f3 na confiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m na pr\u00e1tica, o exerc\u00edcio da caridade traz uma maior coer\u00eancia e significado ao que se acredita. A <em>fides quaerens intellectum<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 <em>fides quaerens caritatem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estritamente falando, crer na AL ou a f\u00e9 na AL s\u00e3o equivalentes. Mas n\u00f3s preferimos o verbo crer precisamente porque queremos sublinhar o dinamismo prospectivo e ascendente\u00a0 da proposta que nos \u00e9 oferecida como o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14,6), e que o substantivo f\u00e9 poderia obscurecer, pela mesma fun\u00e7\u00e3o do substantivo no artif\u00edcio da linguagem, sugerimos a imagem ou a ideia de uma subst\u00e2ncia est\u00e1vel, de um fato adquirido, de um absoluto. O verbo nos d\u00e1 a imagem deste singular e \u00fanico (ato de f\u00e9) ato, mant\u00e9m o seu car\u00e1cter itinerante e tempor\u00e1rio, nos transmite o sentimento\u00a0 de que a resposta \u00e9 sempre algo que precisa ser restaurado e completado, nos\u00a0 abre \u00e0 inven\u00e7\u00e3o .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Na Am\u00e9rica Latina: contexto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta crist\u00e3 se configura numa trama hist\u00f3rica particular (hist\u00f3ria da elei\u00e7\u00e3o do povo de Israel) com uma pretens\u00e3o de universalidade. \u00c9 uma proposta que atinge todas as na\u00e7\u00f5es e, neste sentido, no contexto da sua configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o limita a possibilidade de se realizar em outros contextos. A universalidade da proposta, o seu sentido original,\u00a0 s\u00f3 pode ser recuperada se for compreendida nos novos contextos onde \u00e9 proposta.\u00a0 \u00c9, neste sentido, que se pode entender qualquer tipo de enunciado em que se explicitam as respostas \u00e0 proposta em um determinado contexto, neste caso, crer na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, apesar de hoje n\u00e3o entrar em discuss\u00e3o o car\u00e1ter contextual de todo o discurso teol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 questionada a legitimidade deste discurso de recorrer a outros saberes para explicar a f\u00e9. A reflex\u00e3o teol\u00f3gica latino-americana representou uma novidade por ampliar significativamente o leque de possibilidades de este recurso auxiliar em seu esfor\u00e7o intelectivo pr\u00e1tico da proposta crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consequ\u00eancia l\u00f3gica dessas afirma\u00e7\u00f5es \u00e9 que a resposta (crer) \u00e0 proposta da revela\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a um contexto relativo e que, sem este v\u00ednculo necess\u00e1rio, n\u00e3o seria poss\u00edvel responder de forma coerente nem honrar a pretens\u00e3o absoluta e universal da proposta. Esta tarefa requer um m\u00e9todo adequado para poder dar conta, dar raz\u00e3o da experi\u00eancia de f\u00e9, uma f\u00e9 enraizada e com base em todas as experi\u00eancias do passado, mas testemunhada no presente e projetada para um futuro de plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando afirmamos que toda reflex\u00e3o teol\u00f3gica, toda resposta de f\u00e9 \u00e0 proposta da revela\u00e7\u00e3o est\u00e1 situada em um contexto particular, isto implica uma pluralidade de modos, de s\u00edmbolos, de linguagem para\u00a0 comunicar, dar raz\u00e3o e testemunhar esta experi\u00eancia de f\u00e9. Nem a vida crente nem a reflex\u00e3o teol\u00f3gica t\u00eam o privil\u00e9gio de uma \u201cextraterritorialidade\u201d. Elas s\u00e3o parte da cultura e do contexto em que se desenvolvem. Esquecer esse relativismo, em nome do absoluto do conte\u00fado \u00e9, precisamente, cortar\u00a0 qualquer possibilidade de contato com o grupo humano relativo e concreto ao qual se destina a proposta e, portanto, condenar-se a uma forma conservadora de agir e pensar. A f\u00e9 praticada e pensada n\u00e3o foi nem \u00e9 aut\u00f4noma do seu \u00a0contexto. Esta vida e reflex\u00e3o n\u00e3o ocorrem dentro de um laborat\u00f3rio livre de contamina\u00e7\u00e3o, mas no meio de um mundo contaminado por todas as tend\u00eancias e lutas ideol\u00f3gicas. Mas, precisamente porque a f\u00e9 se \u201cmundaniza\u201d \u00e9 que ela respondeu e pode responder \u00e0s perguntas e desafios que t\u00eam surgido ou possam surgir ao longo de todos os momentos cruciais da hist\u00f3ria da humanidade. Entendendo como crucial este tempo atual, que, para al\u00e9m dos seus movimentos contradit\u00f3rios, como reconhece o Conc\u00edlio, \u00e9 marcado por uma busca sincera e profunda de significado (Cf. <em>GS<\/em> n.4-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Hermen\u00eautica libertadora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta, neste caso, crer, envolve j\u00e1 o estabelecimento de um di\u00e1logo. Isto significa que a proposta crist\u00e3, ao entrar em di\u00e1logo com um contexto social, cultural e espiritual, \u00e9 reinventada. Uma das caracter\u00edsticas principais deste di\u00e1logo-\u201cconversa\u201d \u00e9 a reinven\u00e7\u00e3o, esta mesma consequ\u00eancia do car\u00e1ter universal da proposta e, por assim dizer, o lugar de sua verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reinventar n\u00e3o \u00e9 prescindir de toda a prepara\u00e7\u00e3o que tornou poss\u00edvel chegar ao ponto da conversa, mas a ren\u00fancia a estabelecer como condi\u00e7\u00e3o que se cumpra a proposta, previamente lida e compreendida antes de ser acolhida. A inven\u00e7\u00e3o apresenta constantemente um car\u00e1cter imprevis\u00edvel, ao mesmo tempo em que permanece ligada a tudo o que a faz surgir. Para esta reinven\u00e7\u00e3o, o crente necessita uma teologia que se distinga mais pelo m\u00e9todo utilizado do que pela linguagem. Na AL, essa teologia \u00e9 conhecida como Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o (TdL) n\u00e3o porque, como observou Juan Luis Segundo h\u00e1 40 anos, o seu conte\u00fado seja a liberta\u00e7\u00e3o, mas porque ela tenta ser uma teologia libertadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo dessa teologia, proposto pelo pr\u00f3prio Segundo, \u00e9 um c\u00edrculo hermen\u00eautico definido como:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a mudan\u00e7a cont\u00ednua em nossa interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em fun\u00e7\u00e3o das cont\u00ednuas mudan\u00e7as de nossa realidade atual, tanto individual como social. Hermen\u00eautica significa interpreta\u00e7\u00e3o. E a natureza circular desta interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que cada nova realidade requer interpretar de novo a revela\u00e7\u00e3o de Deus,\u00a0 para mudar com ela a realidade e, assim, para voltar a reinterpretar &#8230; e assim por diante. (SEGUNDO, 1975, p.12)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo \u00e9 decisivo\u00a0 para manter e garantir o car\u00e1ter libertador da teologia. \u00c9 por este m\u00e9todo que o te\u00f3logo articula as disciplinas que lhe abrem ao passado e as disciplinas que lhe explicam o presente, armando-se com os crit\u00e9rios atuais que o tornam capaz de responder \u00e0s novas quest\u00f5es decorrentes do contato com a nova realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Segundo, fazer teologia libertadora ser\u00e1 sempre interpretar a palavra de Deus, dirigida ao homem de hoje em seu aqui e agora, de uma nova maneira. Esta novidade \u00e9 exigida pela nova realidade cujas perguntas ficariam sem respostas ou receberiam respostas in\u00fateis ou conservadoras, respostas que procurariam aprovar o que j\u00e1 n\u00e3o existe ou refutar o que existe. Em outras palavras, a incapacidade de responder \u00e0 nova realidade com uma nova maneira de interpretar a palavra de Deus equivaleria a responder a perguntas n\u00e3o feitas ou a determinar previamente as perguntas que deveriam ser colocadas, sem perceber que essas respostas, elas pr\u00f3prias, foram criadas em um determinado contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta falha significaria, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o fracasso da teologia e sua pretens\u00e3o de articular um discurso que anuncia e enuncia com sentido uma mensagem eloquente\u00a0 para o homem de hoje, eloquente para ser capaz de responder e representar com seriedade a quest\u00e3o pelo sentido e a finalidade\u00a0 \u00faltima da hist\u00f3ria humana tecida em uma multiplicidade de contextos. A teologia falha quando dilui a proposta da f\u00e9 (<em>kerygma<\/em>) ao priv\u00e1-la de sua universalidade e car\u00e1ter absoluto ou, o que \u00e9 o mesmo, privando-a de sua natureza hist\u00f3rica, renunciando a historicizar-se. O conte\u00fado absoluto, revela\u00e7\u00e3o de Deus, destina-se \u2013 por ser proposta \u2013 a ser relativizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este car\u00e1ter circular do m\u00e9todo teol\u00f3gico tamb\u00e9m foi expresso por Ratzinger em termos de discurso escatol\u00f3gico, como a necess\u00e1ria tens\u00e3o entre a palavra-esquema e realidade. A palavra-esquema \u00e9 o relato de uma hist\u00f3ria posterior, e por esta raz\u00e3o s\u00f3 \u00e9 preenchida de conte\u00fado pela pr\u00f3pria experi\u00eancia hist\u00f3rica (realidade). No entanto, a palavra n\u00e3o \u00e9 desprovida de conte\u00fado, ela \u00e9 a fonte do crist\u00e3o e sua norma. A palavra-esquema incorpora a realidade como a hist\u00f3ria posterior que, por sua vez, revela a amplitude e o alcance da palavra. A experi\u00eancia hist\u00f3rica da progressiva\u00a0 realidade est\u00e1 chamada a ser superada pela palavra com conte\u00fado que transmite o esquema; esse conte\u00fado \u00e9 suficientemente claro e abrangente para incorporar toda a realidade e, ao mesmo tempo, deixar que seja esclarecido seu pleno sentido pela incorpora\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esquema clama a realidade e, portanto, tem de cont\u00e1-la como\u00a0 hist\u00f3ria posterior, mas, ao mesmo tempo, este esquema s\u00f3 \u00e9 preenchido de conte\u00fado pela experi\u00eancia hist\u00f3rica:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 somente assim, como o esquema \u00e9 preenchido pela realidade. Ficaria, pelo contr\u00e1rio, um vazio esquem\u00e1tico se pretendesse deduzir o conte\u00fado exclusivamente a partir do texto reconstru\u00eddo em sua forma mais primitiva. Assim, o pr\u00f3prio leitor \u00e9 arrastado para a aventura da palavra, n\u00e3o podendo compreend\u00ea-la, mas como um copart\u00edcipe e n\u00e3o como um mero espectador. (RATZINGER, \u00a02007, p.63-4).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Desafios e perspectivas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir destas considera\u00e7\u00f5es, podemos nos perguntar pelos desafios que se enfrenta e se tem que responder \u00e0 vida crente em nosso continente, em outras palavras, o que significa crer na AL? Ou em que implica ou quais s\u00e3o as exig\u00eancias para responder \u00e0 proposta pessoal, e n\u00e3o individual, para seguir Jesus?\u00a0 \u00c9 claro que esta quest\u00e3o n\u00e3o se formularia sem um m\u00ednimo de invent\u00e1rio da realidade. Se algu\u00e9m perguntar o que fazer ou qual seria a resposta que deveria dar em uma determinada situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque j\u00e1 o pr\u00f3prio contexto est\u00e1 a colocar novas quest\u00f5es que exigem novas respostas. Experimenta-se uma insatisfa\u00e7\u00e3o e o sentimento de n\u00e3o estar \u00e0 altura das exig\u00eancias do que se cr\u00ea e, portanto, a necessidade de interpretar para que o testemunho da esperan\u00e7a seja coerente com ela (c\u00edrculo hermen\u00eautico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 \u00e9, em si mesma, enquanto vida com sentido, dar raz\u00e3o do que se cr\u00ea ou o do que se espera porque se cr\u00ea. Embora o \u201cdar raz\u00e3o\u201d (apologia) apare\u00e7a no NT em um contexto de defesa, pode ser entendido em um contexto de di\u00e1logo, comunicar, dar\u00a0 not\u00edcia, explicar a esperan\u00e7a para quem est\u00e1 interessado nela (1Pd 3,15). Essa conversa nos coloca na din\u00e2mica de um duplo movimento. Por um lado, \u00e9 dada a not\u00edcia que se acredita e, ao mesmo tempo, se entra em uma busca da pr\u00f3pria identidade, o que significa entrar em um caminho de convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na AL, esse motivo de esperan\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o relacionado com a dimens\u00e3o racional, entendida como coer\u00eancia l\u00f3gica, conveni\u00eancia,\u00a0 plausibilidade do que \u00e9 proposto para ser acreditado, quanto com o div\u00f3rcio da proposta da vida crente e seu esfor\u00e7o por \u00a0humanizar o mundo ou, o que \u00e9 o mesmo, faz\u00ea-lo segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A TdL tentou colocar o desafio de f\u00e9 e da teologia neste contexto latino-americano, no n\u00edvel das condi\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a em que vive a maioria do nosso povo. A racionalidade e a credibilidade de crer na AL dependem da for\u00e7a da f\u00e9 para ajudar a transformar o mundo de injusti\u00e7a. N\u00e3o se trata de defender ou justificar a racionalidade e credibilidade da f\u00e9 contra aqueles que eliminam a Deus do mundo ou o consideram uma fantasia infantil e est\u00e9ril, mas, e aqui est\u00e1 o drama do nosso contexto, aos que\u00a0 t\u00eam criado \u00a0e mant\u00e9m a \u201cinjusti\u00e7a estrutural\u201d e que, ao mesmo tempo, se confessam crentes. Em outras palavras, se confessa a f\u00e9, os seus conte\u00fados (<em>fides quae<\/em>), mas n\u00e3o h\u00e1 um ato de f\u00e9 (<em>fides qua<\/em>). Esse div\u00f3rcio n\u00e3o faz mais do que revelar uma incredulidade disfar\u00e7ada de credulidade ou, o que \u00e9 o mesmo, acreditar em um falso deus ou em um deus que n\u00e3o existe e para quem a \u201cinjusti\u00e7a institucionalizada\u201d torna-se a realidade que o desmascara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Motivada pelo esp\u00edrito do Conc\u00edlio Vaticano II, a Igreja latino-americana quis ser\u00a0 protagonista do processo de humaniza\u00e7\u00e3o exigido pelo Conc\u00edlio:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a raz\u00e3o por que este sagrado Conc\u00edlio, proclamando a sublime voca\u00e7\u00e3o do homem, e afirmando que nele est\u00e1 depositado um germe divino, oferece ao g\u00eanero humano a sincera coopera\u00e7\u00e3o da Igreja, a fim de instaurar a fraternidade universal que a esta voca\u00e7\u00e3o corresponde. Nenhuma ambi\u00e7\u00e3o terrena move a Igreja, mas unicamente este objetivo: continuar, sob a dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e n\u00e3o para julgar, para servir e n\u00e3o para ser servido. (<em>GS,<\/em> n.3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na AL, crer traduziu-se em uma op\u00e7\u00e3o: \u201cop\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\u201d, uma op\u00e7\u00e3o que \u00e9 \u201cintrinsecamente cristol\u00f3gica\u201d. No documento final da Confer\u00eancia Episcopal da Am\u00e9rica Latina e do Caribe reunida\u00a0 em\u00a0 Aparecida, se afirma: \u201cTudo o que tenha rela\u00e7\u00e3o com Cristo tem rela\u00e7\u00e3o com os pobres e tudo o que est\u00e1 relacionado com os pobres reivindica a Jesus Cristo\u201d (DA, n.393).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres tem sido a forma como a f\u00e9 na AL encontrou sua realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e assim seguiu o esp\u00edrito do Conc\u00edlio, quando afirma: \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, <em>sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem<\/em>, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo\u201d (<em>GS<\/em>, n.1) A op\u00e7\u00e3o preferencial pelo pobre, sem eufemismo e sem necessidade de notas explicativas, \u00e9 o\u00a0 \u201cfato maior\u201d, o \u201csinal dos tempos\u201d da \u00e9poca e da realidade latino-americana e do Caribe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmar que a f\u00e9 tem uma realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica significa que ela n\u00e3o \u00e9 independente do contexto m\u00f3vel no qual \u00e9 anunciada, e que as aut\u00eanticas aspira\u00e7\u00f5es humanas encontram uma afinidade com o que \u00e9 proposto. A proposta de f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 aut\u00f4noma ou independente destas aspira\u00e7\u00f5es. Em um sentido crist\u00e3o, deve ser afirmado que essas aspira\u00e7\u00f5es s\u00e3o o resultado de uma f\u00e9 impl\u00edcita, s\u00e3o o fruto da <em>seminas verbi<\/em> que o Semeador plantou no ser humano. Nisto consiste precisamente a universalidade da proposta, porque, em \u00faltima an\u00e1lise, a proposta e a aut\u00eantica aspira\u00e7\u00e3o humana se reconhecem. Este poderia ser o profundo sentido da afirma\u00e7\u00e3o de Paulo VI, \u201ca Igreja \u00e9 perita em humanidade\u201d, ou das palavras do Conc\u00edlio:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>. Porque a sua comunidade \u00e9 formada por homens, que, reunidos em Cristo, s\u00e3o guiados pelo Esp\u00edrito Santo na sua peregrina\u00e7\u00e3o em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salva\u00e7\u00e3o para comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao g\u00eanero humano e \u00e0 sua hist\u00f3ria. (<em>GS<\/em>, n.1)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua proposta \u00e9 plenamente humana e ela se encontra com a busca aut\u00eantica da humanidade, como duas equipes perfurando um t\u00fanel a partir dos lados opostos da montanha, mas que se encontram na escurid\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 habilidade do engenheiro (cf. BLONDEL, 1893, p.30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de tentar um diagn\u00f3stico do contexto latino-americano, j\u00e1 David Tracy disse, no in\u00edcio da d\u00e9cada de noventa, que era imposs\u00edvel dar um nome para o presente, queremos aqui insistir na import\u00e2ncia\u00a0 do m\u00e9todo para moldar uma resposta libertadora \u00e0 proposta da f\u00e9. Nas palavras de J. L. Segundo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a \u00fanica coisa que pode indefinidamente manter o car\u00e1ter libertador de uma teologia, n\u00e3o \u00e9 seu conte\u00fado, mas seu m\u00e9todo. Nele est\u00e1 a garantia de que qualquer que seja o vocabul\u00e1rio utilizado, e quaisquer que sejam as tentativas do sistema para reabsorv\u00ea-lo, o sistema em si continuar\u00e1 a aparecer no horizonte teol\u00f3gico como opressor. E nisto est\u00e1\u00a0 a maior esperan\u00e7a teol\u00f3gica para o futuro. (1975, p.48)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Segundo, o m\u00e9todo (c\u00edrculo hermen\u00eautico) \u00e9 o que permite resgatar a soberana\u00a0 liberdade da palavra de Deus para dizer, qualquer que seja o nome dado ao contexto, o que \u00e9 criativamente libertador nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A din\u00e2mica encarnat\u00f3ria da f\u00e9 n\u00e3o poderia ser honrada sem a insist\u00eancia na responsabilidade crente, como dizia I. Ellacur\u00eda e como diz Jon Sobrino, \u00a0para assumir a realidade, carregar a realidade, encarregar-se da realidade e deixar-se carregar por ela. Deus se manifestou definitivamente (Hb 1,1-6) na Palavra que se fez carne (Jo 1,1-4). Acreditando nesta proposta, qualquer que seja o contexto em que esta resposta \u00e9 a vida acontecer, ele ser\u00e1 sempre uma maneira de incorporar a sua universalidade (Mt 13,33) e universalizar sua encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Eugenio Rivas, SJ<\/em>. FAJE, Brasil. Texto original em espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERRIOS, F.; COSTADOAT, J.; GARC\u00cdA, D. (eds.) <em>Signos de estos tiempos. <\/em>Interpretaci\u00f3n teol\u00f3gica de nuestra \u00e9poca. Santiago: Centro Teol\u00f3gico Manuel Larra\u00edn, Ediciones Universidad Alberto Hurtado, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BLONDEL, M. <em>L\u2019Action. <\/em>Essai d\u2019une science de la pratique et d\u2019une critique de la vie. Paris: Presse Universitaire de France, 1893.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CELAM. Documento Conclusivo: V Conferencia general del Episcopado Latinoamericano y del Caribe. Aparecida, 2007. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.celam.org\/aparecida\/Espanol.pdf\">http:\/\/www.celam.org\/aparecida\/Espanol.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 14 ago 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CHENU, B. <em>Teolog\u00edas cristianas de los Terceros Mundos<\/em>. Barcelona: Herder, \u00a01989.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em>. Dipon\u00edvel em:\u00a0 &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_sp.html\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_sp.html<\/a>&gt;. Acesso : 14 agosto 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">COSTADOAT, J. La hermen\u00e9utica en las teolog\u00edas contextuales de la liberaci\u00f3n. <em>Teolog\u00eda y Vida<\/em>, n.46, p.56-74, 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Seguimiento de Cristo en Am\u00e9rica Latina. <em>Gregorianum, <\/em>v.3, n.93, p.573-92, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Valoraci\u00f3n teol\u00f3gica del pluralismo. <em>Anales de la Facultad de Teolog\u00eda<\/em>, n.1, p.605-21, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAGUNA, J. <em>Hacerse car<span style=\"color: #000000;\">go, cargar y encargarse de la realidad. <\/span><\/em><span style=\"color: #000000;\">Hoja de ruta samaritana para otro mundo posible. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.cristianismeijusticia.net\/files\/es172.pdf\">http:\/\/www.cristianismeijusticia.net\/files\/es172.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 14 ago 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ELLACUR\u00cdA, I. <\/span><em><span style=\"color: #000000;\">Hacia u<\/span>na fundamentaci\u00f3n filos\u00f3fica del m\u00e9todo teol\u00f3gico latino-americano<\/em>. El Salvador: UCA, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELLACUR\u00cdA, I.; J. SOBRINO. (eds.) <em>Mysterium Liberationis. <\/em>Conceptos fundamentales de la Teolog\u00eda de la Liberaci\u00f3n. Madrid: Trotta 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MOUROUX, J. Structure \u00abpersonnelle\u00bb de la foi. <em>Recherches de Science Religieuse<\/em>, n.29 p.59-107, 1939.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PARRA, A. El contexto de situaci\u00f3n: acci\u00f3n y transformaci\u00f3n. In: ______. <em>Textos, Contextos y Pretextos<\/em>: Teolog\u00eda Fundamental. Bogot\u00e1: Universidad Javeriana, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, J. <em>Escatolog\u00eda. <\/em>La muerte y la vida eterna. Barcelona: Herder, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SEGUNDO, J. L. <em>Liberaci\u00f3n de la teolog\u00eda<\/em>. Buenos Aires: Ediciones C. Lohl\u00e9, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOBRINO, J. Teolog\u00eda desde la realidade. In:\u00a0NAVARRO, J. B; TAMAYO-ACOSTA, J. J. <em>Panorama de\u00a0la Teolog\u00eda Latinoamericana<\/em>. Navarra: Verbo Divino, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. El pueblo crucificado y la civilizaci\u00f3n de la pobreza (el \u00abhacerse cargo de a realidad\u00bb de Ignacio Ellacur\u00eda). In: ______. <em>Fuera de los pobres no hay salvaci\u00f3n. <\/em>Peque\u00f1os ensayos ut\u00f3picos-prof\u00e9ticos. Madri: Trotta, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRACY, D. Dar nombre al presente. <em>Concilium<\/em>, n. 227, p.81-7, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00c9LEZ C., O. C. Teolog\u00edas y m\u00e9todos. <em>Theologica Xaveriana<\/em>, n.153, p.29-52, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Introdu\u00e7\u00e3o explicativa 2 Crer\/F\u00e9 3 Na Am\u00e9rica Latina: contexto 4 Hermen\u00eautica libertadora 5 Desafios e perspectivas 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Introdu\u00e7\u00e3o explicativa Em primeiro lugar, quando dizemos crer na Am\u00e9rica Latina (AL) afirmamos um lugar geogr\u00e1fico, ou melhor, uma vasta geografia em que a proposta da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi feita e tem feito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-1296","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1296"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1577,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1296\/revisions\/1577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}