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{"id":1244,"date":"2016-04-10T13:25:59","date_gmt":"2016-04-10T16:25:59","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1244"},"modified":"2016-04-10T13:25:59","modified_gmt":"2016-04-10T16:25:59","slug":"cristianismo-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1244","title":{"rendered":"Cristianismo antigo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Primeira comunidade crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 O que se entende por cristianismo antigo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 A quest\u00e3o da data\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 Primeira comunidade crist\u00e3 ou primeiras comunidades crist\u00e3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.4 Querigma, convers\u00e3o, f\u00e9 e batismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Primeira expans\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 O contexto da expans\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Um cristianismo plural num mundo plural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Protagonistas da miss\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.4 Minist\u00e9rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Paulo: viagens mission\u00e1rias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Tra\u00e7os biogr\u00e1ficos do Ap\u00f3stolo Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 As viagens mission\u00e1rias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3 As cartas paulinas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.4 Paulo: verdadeiro fundador do cristianismo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Cristianismo no mundo romano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 Um mundo plural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Cidad\u00e3os de outra cidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 As primeiras dissens\u00f5es e heresias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.4 Os conc\u00edlios e o nascimento da teologia crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 As persegui\u00e7\u00f5es na Antiguidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.1 Causas das persegui\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.2 As v\u00e1rias fases das persegui\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.3 O sangue dos m\u00e1rtires: semente de novos crist\u00e3os<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.4 O fim das persegui\u00e7\u00f5es e a \u201cguinada constantiniana\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Primeira Comunidade Crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 O que se entende por cristianismo antigo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira geral, por cristianismo antigo entende-se o cristianismo dos quatro primeiros s\u00e9culos da Era Crist\u00e3, cujo per\u00edodo vai desde o nascimento da Igreja, no evento Pentecostes (cf. At 2), em que os disc\u00edpulos de Jesus Cristo receberam o Esp\u00edrito Santo para anunciar o seu Evangelho (c. 30 dC) at\u00e9 a queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente (476 dC). Esse per\u00edodo de quatro s\u00e9culos e meio \u00e9 dividido, por sua vez, em duas grandes etapas: da prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica (c. 30 dC) \u00e0 \u201cguinada constantiniana\u201d (313 dC) ou at\u00e9 o Conc\u00edlio de Niceia (325) e da\u00ed at\u00e9 a queda de Roma (476 dC). Nesta se\u00e7\u00e3o iremos considerar a primeira etapa do cristianismo antigo. H\u00e1 autores que preferem falar desta primeira etapa como \u201ccristianismo primitivo\u201d ou \u201cpr\u00e9-niceno\u201d, como R. Markus, J. Hill ou H. Drobner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 A quest\u00e3o da data\u00e7\u00e3o <\/strong><\/em><strong><em>crist\u00e3\u00a0\u00a0<\/em> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os, inseridos no mundo greco-romano, utilizavam, no in\u00edcio, a data\u00e7\u00e3o comum das culturas nas quais se inseriam. Havia v\u00e1rios calend\u00e1rios, baseados no ciclo lunar e no ciclo solar. Dentre os mais comuns estavam o calend\u00e1rio Juliano e o calend\u00e1rio que contava as datas a partir da funda\u00e7\u00e3o de Roma (c. 753 aC). No s\u00e9culo VI, o monge Dion\u00edsio, o Pequeno, organizou os eventos da hist\u00f3ria conhecida a partir do evento central do cristianismo, a Encarna\u00e7\u00e3o de Cristo. Da\u00ed ser comum no Ocidente usar a terminologia \u201cantes de Cristo\u201d (aC), \u201cdepois de Cristo\u201d (dC), ou ainda \u201cEra Crist\u00e3\u201d ou \u201cEra Comum\u201d (EC).Nos seus c\u00f4mputos, o monge cometeu alguns erros, que viriam a ser corrigidos no s\u00e9culo XVII. Na verdade, Jesus Cristo nasceu 5 ou 6 anos antes da data proposta por Dion\u00edsio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.3 Primeira comunidade crist\u00e3 ou primeiras comunidades crist\u00e3s?<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus pregou na Galileia, Judeia, Samaria e em alguns territ\u00f3rios pag\u00e3os e terminou sua miss\u00e3o em Jerusal\u00e9m. A primeira comunidade crist\u00e3, apresentada de forma idealizada nos Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. At 2,42-47 e 4,32-35) espelha n\u00e3o apenas a comunidade de Jerusal\u00e9m, mas tamb\u00e9m as demais comunidades. O acontecimento de Pentecostes (cf At 2,1-13), que deu nascimento \u00e0 <em>Igreja<\/em>, com a vinda do Esp\u00edrito Santo, em que se encontravam pessoas de todas as partes, provavelmente ilustra os lugares onde os crist\u00e3os j\u00e1 haviam constitu\u00eddo comunidades. Podemos assim falar, j\u00e1 na primeira d\u00e9cada ap\u00f3s o \u201cevento pascal\u201d (morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus), do surgimento de comunidades crist\u00e3s nos lugares onde ele proclamara a Boa Nova do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.4 Querigma, convers\u00e3o, f\u00e9 e batismo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cristianismo primitivo se apresenta, desde o in\u00edcio, com uma grande vitalidade, ao ponto de continuamente receber novos convertidos (cf. At 2,41.47; 6,7). O entusiasmo da prega\u00e7\u00e3o acerca de Jesus Ressuscitado e o testemunho de vida fraterna das primeiras comunidades crist\u00e3s logo atra\u00edram n\u00e3o s\u00f3 judeus, mas tamb\u00e9m pag\u00e3os. O an\u00fancio do <em>querigma<\/em>, centrado na vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (cf.At 2,24-36; 3,13-26; 4,10-12; 5,30-32; 10,36-43; 13,17-41) constitu\u00eda a prega\u00e7\u00e3o fundamental, que suscitava a convers\u00e3o dos ouvintes. A f\u00e9 na pessoa e mensagem de Jesus levava \u00e0 entrada na comunidade crist\u00e3, atrav\u00e9s do batismo. Em torno da catequese batismal desenvolver-se-\u00e1 uma f\u00f3rmula que condensa a doutrina dos Ap\u00f3stolos: o <em>credo<\/em> ou s\u00edmbolo apost\u00f3lico. Logo, a catequese fundamental de prepara\u00e7\u00e3o ao batismo ser\u00e1 organizada no catecumenato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Primeira Expans\u00e3o Crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<em>2.1 O contexto da expans\u00e3o crist\u00e3<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus era constitu\u00edda de judeus. A primeira expans\u00e3o do cristianismo deu-se nesse ambiente, a l\u00edngua, costumes, tradi\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas judaicas foram reinterpretadas \u00e0 luz da mensagem de Jesus. Desde o s\u00e9culo II aC, os judeus encontravam-se espalhados pelo mundo helenizado (di\u00e1spora). Em Antioquia, capital da prov\u00edncia da S\u00edria, os seguidores de Cristo foram, pela primeira vez, chamados \u201ccrist\u00e3os\u201d (cf. At 11, 26). A partir das sinagogas e comunidades judaicas helenizadas, expandiu-se o cristianismo fora do contexto judaico tradicional. Por fim, o cristianismo expandiu-se at\u00e9 Roma, alcan\u00e7ando as fronteiras do Imp\u00e9rio Romano, no contexto do mundo gentio ou pag\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 Um cristianismo plural num mundo plural<\/em> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O eficiente sistema vi\u00e1rio do Imp\u00e9rio, a <em>koin\u00e9<\/em> (uma esp\u00e9cie de grego popular), o mundo urbano da bacia do Mediterr\u00e2neo e a cultura helenizada facilitaram o an\u00fancio crist\u00e3o. Diversificado era o juda\u00edsmo no qual se inseriam Jesus e seus primeiros disc\u00edpulos. Ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (70 dC) e a revolta de Bar Kochba (130 dC) o ramo farisaico representar\u00e1 o juda\u00edsmo tradicional. Muito mais diversificado era o mundo do Imp\u00e9rio Romano. O cristianismo da primeira expans\u00e3o apresenta-se assim tamb\u00e9m muito plural e diversificado. Os textos do Novo Testamento, a literatura dos Padres Apost\u00f3licos e Apologistas (I e II s\u00e9culos), bem como a literatura crist\u00e3 heterodoxa do II e III s\u00e9culos despertam um vivo interesse para o estudo do cristianismo antigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>2.3 Protagonistas da miss\u00e3o crist\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vivia cercado de seguidores: multid\u00f5es o seguiam em seus deslocamentos, havia disc\u00edpulos tempor\u00e1rios e disc\u00edpulos permanentes (cf. Mt 8,18-21; Lc 6,12-13.20; 8, 2-3;10,1; Jo 11,1; 12,1-11).Esses disc\u00edpulos e disc\u00edpulas foram os protagonistas iniciais da miss\u00e3o crist\u00e3. Dentre estes todos, ele escolheu <em>Doze<\/em>, constitu\u00eddos como os l\u00edderes do \u201cnovo Israel\u201d (cf. Mt 10,1-4; 20,17; Mc 3,14; Mc 6,7; 10,32.35-40; 11,11; 14,17; Lc 8,1; 22,28-30; Jo 6,67-68). O mandato de Jesus de \u201cfazer disc\u00edpulas todas as na\u00e7\u00f5es\u201d (cf. Mt 28, 19) expressa a convic\u00e7\u00e3o de que a sua mensagem n\u00e3o se circunscrevia apenas \u00e0 casa de Israel. A mensagem do Mestre da Galileia encontrou eco, pois, no contexto judaico, judaico helenizado e grande mundo gentio. Em cada um desses contextos surgiram novos disc\u00edpulos. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 conta que, ap\u00f3s Pentecostes, os <em>Doze<\/em>, depois de rezarem juntos, distribu\u00edram-se pelas v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo conhecido para cumprirem o mandato. Em cada lugar, acompanhados de disc\u00edpulos, fundavam comunidades. No final do s\u00e9culo I e in\u00edcio do s\u00e9culo II h\u00e1 not\u00edcias da presen\u00e7a crist\u00e3 para al\u00e9m das fronteiras do Imp\u00e9rio, como em Edessa, importante centro mercantil no reino de Osroene. Da\u00ed o cristianismo estendeu-se para a \u00c1sia, atingindo a P\u00e9rsia e a \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.4 Minist\u00e9rios<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Novo Testamento apresenta uma gama variada de minist\u00e9rios, ou servi\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s. No s\u00e9culo I, em cada contexto da expans\u00e3o crist\u00e3 vemos surgir formas de organiza\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os. Desde o in\u00edcio, o grupo dos <em>Doze<\/em> escolhidos por Jesus gozava de uma esp\u00e9cie de primazia de honra entre os disc\u00edpulos. N\u00e3o devem ser confundidos com os <em>ap\u00f3stolos<\/em>; a tradi\u00e7\u00e3o posterior, no final do s\u00e9c. I,identificou-os como \u201cdoze ap\u00f3stolos\u201d. Ap\u00f3s a trai\u00e7\u00e3o de Judas, foi necess\u00e1rio escolher outro para substitu\u00ed-lo e completar o n\u00famero \u201cdoze\u201d (cf. Mt, 28,16; Mc 16,14; Lc 24,9.33; Jo 20,19.24.26; 1 Cor 15,5; At 1,15-26). No contexto judaico, cujo modelo \u00e9 a comunidade de Jerusal\u00e9m, adotou-se o modelo do conselho de anci\u00e3os (presb\u00edteros), presidido por um anci\u00e3o (uma esp\u00e9cie de presb\u00edtero-bispo). No contexto do juda\u00edsmo helenizado, logo se associam aos <em>Doze<\/em> e aos presb\u00edteros os di\u00e1conos, esp\u00e9cie de administradores dos bens(At 6, 1-6). Nas comunidades fundadas por Paulo, destacam-se os <em>Ap\u00f3stolos<\/em> (mission\u00e1rios itinerantes, fundadores e respons\u00e1veis gerais das comunidades: cf. At 13,2; 14,27; 15,27; 18,22), <em>Profetas<\/em> (l\u00edderes locais e presidentes das celebra\u00e7\u00f5es: cf. 1 Cor 14,15-17.29-32) e <em>Doutores<\/em> (esp\u00e9cie de catequistas: At 13,1; 18,4; 22,3). No final do s\u00e9culo I, quando surgem as dissens\u00f5es, com os \u201cfalsos profetas\u201d e outros pregadores (cf. At 20, 29-31), instituem-se os vigilantes da \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d e do \u201cdep\u00f3sito da f\u00e9\u201d, os <em>ep\u00edskopoi<\/em> (bispos). Os mission\u00e1rios passam a ser chamados de evangelistas (Ef 4,11; 2 Tm 4,5). A evolu\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios chegar\u00e1, no final do s\u00e9culo II, \u00e0 estrutura que, em geral, ser\u00e1 adotada por todas as Igrejas: bispo-presb\u00edtero-di\u00e1cono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Paulo: viagens Mission\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.1 Tra\u00e7os biogr\u00e1ficos do Ap\u00f3stolo Paulo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo Paulo \u00e9, sem d\u00favida, a figura mais marcante do primeiro s\u00e9culo crist\u00e3o. As duas principais fontes sobre ele, nem sempre f\u00e1ceis de conciliar, s\u00e3o os Atos dos Ap\u00f3stolos e o grupo de escritos denominados <em>corpus paulinum<\/em>. Paulo \u00e9 natural de Tarso, cidade pr\u00f3xima a Antioquia. \u00c9 da mesma \u00e9poca de Jesus, ainda que n\u00e3o o tenha encontrado. H\u00e1bil fabricante de tendas, \u00e9 um t\u00edpico judeu da di\u00e1spora, um aut\u00eantico fariseu, que frequentou a escola do fariseu Gamaliel, em Jerusal\u00e9m. Foi um dos l\u00edderes que organizaram a persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os, na tentativa de suprimir a nova religi\u00e3o, assistindo ao mart\u00edrio de Est\u00eav\u00e3o (cf. At 9). No entanto, no caminho de Damasco, teve uma extraordin\u00e1ria experi\u00eancia m\u00edstica, na qual encontrou Jesus. Ao se converter, mudou o seu nome Saulo para <em>Paulo<\/em>. Logo ap\u00f3s o batismo come\u00e7ou a pregar o Cristo, primeiro na Ar\u00e1bia e depois em Damasco. Ap\u00f3s a primeira pris\u00e3o, foi a Jerusal\u00e9m para encontrar-se com os Ap\u00f3stolos e depois dirigiu-se a Tarso, onde permaneceu por v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.2 As viagens mission\u00e1rias<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de seus 40 anos, Paulo come\u00e7a as famosas tr\u00eas \u201cviagens mission\u00e1rias\u201d. Na verdade, essas constituem idas e vindas pelo Imp\u00e9rio Oriental, uma verdadeira jornada mission\u00e1ria, pregando o Evangelho, fundando comunidades, formando l\u00edderes, escrevendo cartas, elaborando sua teologia. Uma jornada que culminaria na sua pris\u00e3o definitiva e morte em Roma, por volta de 64-67 dC. Na primeira viagem, Paulo foi \u00e0 Anat\u00f3lia, depois a Jerusal\u00e9m e Antioquia. Nas outras duas, viajou pela pen\u00ednsula grega. As principais cidades por onde passou: Atenas, Corinto, \u00c9feso, Tessal\u00f4nica e Filipos. De volta a Jerusal\u00e9m, Paulo, sendo atacado por uma multid\u00e3o, alegando seus direitos como cidad\u00e3o romano, quis ser julgado em Roma, para onde foi levado preso. Esperava ser solto e continuar sua miss\u00e3o. Tradi\u00e7\u00f5es posteriores falam que ele teria ido \u00e0 Ib\u00e9ria e G\u00e1lia. No entanto, o mais seguro \u00e9 que tenha sido executado em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>3.3 As cartas paulinas<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas viagens, Paulo contou com v\u00e1rios companheiros, entre os quais Tim\u00f3teo, Tito, Barnab\u00e9, Lucas. Treze cartas ou ep\u00edstolas do Novo Testamento trazem o nome de Paulo. Os modernos estudiosos consideram como de sua autoria as seguintes: a carta aos Romanos, a 1\u00aa e 2\u00aa cartas aos Cor\u00edntios, uma aos Filipenses, uma aos G\u00e1latas, a 1\u00aa aos Tessalonicenses e a mais curta, uma esp\u00e9cie de bilhete a Fil\u00eamon. As cartas revelam suas experi\u00eancias mission\u00e1rias e testemunham suas preocupa\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas. Muitas de suas ideias foram usadas como respostas aos problemas pastorais de suas comunidades. O papel de Cristo crucificado e ressuscitado na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o ocupa um lugar central na teologia paulina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.4 Paulo: verdadeiro fundador do cristianismo?<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas vezes se afirmou que Paulo foi \u201co verdadeiro fundador do cristianismo\u201d, chegando a ofuscar a mensagem original de Jesus e o papel dos Ap\u00f3stolos, como se tivesse fundado uma \u201cnova religi\u00e3o\u201d. Paulo ocupa, sem d\u00favida, um lugar excepcional na difus\u00e3o do cristianismo primitivo. No entanto, ele mesmo fala que teve dificuldades em ser aceito como Ap\u00f3stolo (cf. Gl 1,15-24; 1 Cor 15,8;Ef 3,1-9). Uma das quest\u00f5es fundamentais levantadas por Paulo \u00e9 se, para ser um aut\u00eantico seguidor de Cristo, era necess\u00e1rio aceitar todas as prescri\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o judaica. O conflito encontrou uma solu\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o com os Ap\u00f3stolos em Jerusal\u00e9m, na qual se chegou a um consenso sobre os pontos fundamentais da vida e doutrina crist\u00e3s (cf. At 15; Gl 2,1-10). Esse acordo reconheceu a legitimidade da miss\u00e3o entre os gentios, garantindo a expans\u00e3o do cristianismo e estabelecendo crit\u00e9rios para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e a unidade entre as Igrejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Cristianismo no Mundo Romano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1 <\/strong><strong>Um mundo plural<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo no qual o cristianismo antigo se expandiu, apesar de sinais de decad\u00eancia, era um mundo vigoroso. No s\u00e9culo I da era crist\u00e3, a civiliza\u00e7\u00e3o romana, herdeira da civiliza\u00e7\u00e3o helen\u00edstica, tinha alcan\u00e7ado sua plena expans\u00e3o. Estamos sob o imp\u00e9rio de Augusto (30 aC) e Tib\u00e9rio (14-37dC). Roma estende seu dom\u00ednio civilizador, com a <em>pax augusta<\/em>, uma paz militarizada, aos confins do Oriente. No s\u00e9culo II, com os imperadores Antoninos, ainda temos a ordem, o direito e uma administra\u00e7\u00e3o eficaz, dentro de um Estado relativamente liberal. Mesmo com a grande crise do s\u00e9culo III, sob Diocleciano (284-305) sua hist\u00f3ria ganha um novo impulso: em seu governo instaura-se uma monarquia absoluta, apoiada em um poderoso aparelho administrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas culturas, muitos povos, muitos deuses. O Imp\u00e9rio romano tinha grande toler\u00e2ncia pela religi\u00e3o dos povos dominados. Tinham at\u00e9 em Roma um \u201cpante\u00e3o\u201d, um templo para todas as divindades do Imp\u00e9rio. Os romanos exigiam apenas que se observasse o culto imperial, de car\u00e1ter c\u00edvico, com suas cerim\u00f4nias p\u00fablicas, das quais todos os cidad\u00e3os do Imp\u00e9rio deveriam participar, para oferecer sacrif\u00edcios e rezar pelo Imperador: <em>dominus ac divus<\/em> (senhor e deus). A religi\u00e3o oficial era a base da unidade imperial. Atentar contra ela era crime. Os crist\u00e3os, ao afirmaram que seu \u00fanico Senhor era o Cristo, ser\u00e3o considerados suspeitos, estranhos e inimigos do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo marcado por muitas inseguran\u00e7as, mis\u00e9ria, opress\u00e3o e escravid\u00e3o, proliferavam muitas religi\u00f5es vindas do Oriente e que se tornaram muito populares. Eram os cultos de H\u00f3rus, \u00cdsis e Os\u00edris (Egito); Mitra (P\u00e9rsia); Ascl\u00e9pio e Escul\u00e1pio estavam entre os deuses \u201csalvadores\u201d mais populares. Essas religi\u00f5es tinham um car\u00e1ter inici\u00e1tico: exigiam convers\u00e3o ou uma passagem, um novo nascimento, um per\u00edodo de inicia\u00e7\u00e3o nos \u201cmist\u00e9rios\u201d e uma cerim\u00f4nia de inicia\u00e7\u00e3o. Os \u201ciniciados\u201d ingressavam na \u201cfraternidade\u201d, tornavam-se <em>irm\u00e3os<\/em>, associados \u00e0 divindade, sua vida ganhava um novo sentido, era-lhes prometida a eternidade. O Imp\u00e9rio tratava-as como <em>superstitio<\/em>, <em>religio nova<\/em>, e considerava-as il\u00edcitas. O cristianismo foi classificado como uma dessas religi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fil\u00f3sofos consideravam o polite\u00edsmo uma \u201calegoria\u201d das realidades superiores, que eles tinham superado atrav\u00e9s do exerc\u00edcio da ascese e da raz\u00e3o, em busca da verdadeira doutrina ou filosofia. Muitos sistemas filos\u00f3ficos procuravam responder \u00e0s grandes quest\u00f5es das origens e finalidade do universo, de todas as coisas, dos problemas ligados ao homem e suas rela\u00e7\u00f5es na <em>polis<\/em> e com o mundo divino, do significado da justi\u00e7a, da felicidade, da imortalidade. Normalmente postulavam a exist\u00eancia de um Deus, princ\u00edpio ou causa transcendente, com um mundo superior, imaterial. N\u00e3o poucas pessoas vindas desse universo cultural buscar\u00e3o a \u201cverdadeira filosofia\u201d, que encontrar\u00e3o no cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse universo plural, despertou no s\u00e9culo I um movimento de car\u00e1ter sincr\u00e9tico, que amalgamou elementos de muitas tradi\u00e7\u00f5es culturais, religiosas e filos\u00f3ficas. Era o gnosticismo: atrav\u00e9s da <em>gnose<\/em>, um conhecimento superior, revelado aos capazes desse conhecimento, os <em>gn\u00f3sticos<\/em>, o homem podia conhecer os mist\u00e9rios do mundo divino e salvar-se. No s\u00e9culo II e III h\u00e1 uma explos\u00e3o de seitas e grupos gn\u00f3sticos, existentes tanto entre os pag\u00e3os, como entre os judeus e crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 Cidad\u00e3os de outra cidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, apesar de oporem-se radicalmente ao \u201cmundo\u201d, \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o circunstante, n\u00e3o eram insens\u00edveis aos seus valores. Condenavam os limites e v\u00edcios dessa civiliza\u00e7\u00e3o pag\u00e3: as crueldades (combate dos gladiadores, abandono dos rec\u00e9m nascidos e idosos); a imoralidade dos costumes (devassid\u00f5es, lux\u00faria, orgias: cf. Rom 1, 2-32) e a idolatria e apego a este mundo passageiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja acolheu no princ\u00edpio os humildes, os pobres, as mulheres, os escravos. Mas logo tamb\u00e9m os comerciantes, os soldados, funcion\u00e1rios do Imp\u00e9rio e depois membros da aristocracia e da pr\u00f3pria casa imperial se converter\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o do Nazareno. Todos habitavam esse mundo, mas sentiam-se cidad\u00e3os de uma cidade imperec\u00edvel (cf. Carta a Diogneto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.3 As primeiras dissens\u00f5es e heresias<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus anunciou e inaugurou a Boa Nova do Reino num contexto plural. Sua mensagem difundiu-se num mundo plural. Sua mensagem e sua pessoa, sua vida foram transmitidas, primeiramente, numa mentalidade sem\u00edtica, tendo depois de buscar uma linguagem helenizada para se fazer compreender e da\u00ed, sucessivamente, germ\u00e2nica, c\u00e9ltica etc. \u00c9 natural que houvesse diferentes interpreta\u00e7\u00f5es de sua pessoa e sua obra. J\u00e1 no Novo Testamento encontramos v\u00e1rias \u201cteologias\u201d e advert\u00eancias contra os anticristos, falsos profetas. Dentre as primeiras \u201cescolhas\u201d parciais (\u201cheresias\u201d), que n\u00e3o davam conta de compreender corretamente Jesus Cristo e sua mensagem ou que extrapolavam seu conte\u00fado, encontramos os docetas (Jesus tinha \u201capar\u00eancia\u201d de homem, negavam portanto sua \u201chumanidade\u201d) e os ebionitas (era o Messias, um homem vindo de Deus, mas n\u00e3o o Filho de Deus, negavam sua \u201cdivindade\u201d). Em torno dessas duas verdades proclamadas e da maneira de viver e praticar a mensagem de Jesus, surgiram, nos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos, muitas heresias e dissens\u00f5es ou cismas: gnosticismo (v\u00e1rios ramos), montanismo, milenarismo, subordinacionismo, adocionismo, modalismo, manique\u00edsmo, entre tantas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>4.4 Os conc\u00edlios e o nascimento da teologia crist\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para enfrentar esses desafios, j\u00e1 no final do s\u00e9culo II e durante todo o s\u00e9culo III, as Igrejas realizam reuni\u00f5es com seus dirigentes, para buscar resolver os problemas e encontrar a unidade nas coisas essenciais. S\u00e3o os <em>s\u00ednodos<\/em> ou <em>conc\u00edlios<\/em>. Nesse sentido, o encontro ocorrido em Jerusal\u00e9m, por volta do ano 49dC, \u00e9 considerado, simbolicamente, o primeiro conc\u00edlio do cristianismo. Esses conc\u00edlios tratavam de quest\u00f5es doutrinais e quest\u00f5es da vida pr\u00e1tica. No final, davam determina\u00e7\u00f5es sobre os aspectos tratados, atrav\u00e9s dos c\u00e2nones dogm\u00e1ticos e disciplinares, com uma \u201ccarta sinodal\u201d a ser enviada \u00e0s Igrejas irm\u00e3s. Baseado nessa feliz experi\u00eancia, o Imperador Constantino convocar\u00e1, em 325, o 1\u00ba Conc\u00edlio Ecum\u00eanico, para enfrentar o problema do Arianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca de compreender o Cristo e sua mensagem, a salva\u00e7\u00e3o, o significado da Igreja, dando respostas \u00e0s heresias e dissens\u00f5es, aprofundando a f\u00e9 crist\u00e3, desenvolve-se a teologia crist\u00e3. Nesse sentido, o processo de elabora\u00e7\u00e3o da doutrina crist\u00e3 usar\u00e1 dos recursos culturais da civiliza\u00e7\u00e3o greco-romana: a l\u00edngua grega e latina, a ret\u00f3rica, a filosofia, o direito, pr\u00e1ticas, costumes, institui\u00e7\u00f5es. A esse apropriar-se da cultura, utilizando o que ela tem de melhor para expressar a mensagem de Cristo, desde dentro, comumente chama-se incultura\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno ser\u00e1 uma caracter\u00edstica constante da expans\u00e3o crist\u00e3. A pr\u00f3xima etapa dar-se-\u00e1 no mundo germ\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 As persegui\u00e7\u00f5es na Antiguidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>5.1 Causas das persegui\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os tr\u00eas primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, o cristianismo foi perseguido, primeiro pelos judeus e depois pelos romanos. At\u00e9 o inc\u00eandio de Roma, sob o governo de Nero (c. 64), os crist\u00e3os praticamente passaram despercebidos, confundidos com uma seita do juda\u00edsmo, que gozava de certa liberdade e alguns privil\u00e9gios. Possivelmente tenham sido os judeus a denunciarem a Nero os crist\u00e3os como causadores do inc\u00eandio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somaram-se a isso os preconceitos populares, que viam os crist\u00e3os como gente que odiava o g\u00eanero humano, ateus, \u00edmpios, sacr\u00edlegos e acusados de praticarem abomina\u00e7\u00f5es e inf\u00e2mias. Na verdade, os crist\u00e3os n\u00e3o eram \u201cseparatistas\u201d, mas n\u00e3o seguiam os costumes idol\u00e1tricos e pag\u00e3os, como certas festas p\u00fablicas, a frequ\u00eancia ao teatro, n\u00e3o aprovavam a luta de gladiadores, a prostitui\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas ou a diviniza\u00e7\u00e3o do imperador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corriam no meio do povo boatos de que, em suas reuni\u00f5es secretas, os crist\u00e3os adorariam a cabe\u00e7a de um asno, com sacrif\u00edcio de crian\u00e7as, seguido de canibalismo, com uni\u00f5es incestuosas e orgias (todos se chamavam \u201cirm\u00e3os\u201d e praticavam o \u201c\u00f3sculo da paz\u201d!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os intelectuais e as autoridades classificavam a religi\u00e3o dos crist\u00e3os como <em>superstitio<\/em>, sendo posteriormente condenada pelo Estado como <em>associatioillicita<\/em>, <em>religio nova<\/em> e <em>religioillicita,<\/em> por atentar contra a unidade e a sacralidade do Imp\u00e9rio. A legisla\u00e7\u00e3o evoluiu, no primeiro s\u00e9culo, de certa toler\u00e2ncia com o fato de ser crist\u00e3o at\u00e9 a condena\u00e7\u00e3o pelo simples fato de ser crist\u00e3o. Ser crist\u00e3o acabava sendo um crime de lesa majestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.2 As v\u00e1rias fases das persegui\u00e7\u00f5es<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As persegui\u00e7\u00f5es dos dois primeiros s\u00e9culos foram espor\u00e1dicas, locais ou regionais, intermitentes, motivadas por den\u00fancias ou a\u00e7\u00f5es pontuais. J\u00e1 as persegui\u00e7\u00f5es do terceiro s\u00e9culo e in\u00edcio do quarto foram desencadeadas pela autoridade imperial, atrav\u00e9s de decretos, de car\u00e1ter geral, com o objetivo de exterminar o cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira fase aconteciam por incitamento popular, submetidas posteriormente \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos magistrados. As autoridades visavam controlar a f\u00faria popular e as desordens p\u00fablicas. No entanto, o cristianismo j\u00e1 era considerado ilegal. Mas ainda s\u00e3o de car\u00e1ter intermitente, seguindo-se longos per\u00edodos de toler\u00e2ncia e de paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com S\u00e9timo Severo, em 202, inicia-se uma nova pr\u00e1tica: em certas ocasi\u00f5es a pr\u00f3pria autoridade promove as persegui\u00e7\u00f5es. Neste momento o alvo s\u00e3o os catec\u00famenos (os que se preparavam para o batismo), os ne\u00f3fitos (os rec\u00e9m-batizados) e os catequistas (que os preparavam). O objetivo era impedir que algu\u00e9m se tornasse crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meados do s\u00e9culo III, iniciam-se as persegui\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, com o objetivo de exterminar efetivamente o cristianismo. D\u00e9cio foi o primeiro a decretar uma persegui\u00e7\u00e3o geral (250-251). Apesar de curta, atingiu tal intensidade e extens\u00e3o nunca dantes vistas. O objetivo, mais do que fazer m\u00e1rtires, era fazer ap\u00f3statas. De fato, muitos sucumbiram e tra\u00edram sua f\u00e9 ou comunidade (os <em>lapsi<\/em>), abrindo-se um problema no interior da Igreja. Em 257, Valeriano desencadeou nova persegui\u00e7\u00e3o: visava principalmente o clero e as propriedades da Igreja, mas tamb\u00e9m afetava o povo, com uma s\u00e9rie de interdi\u00e7\u00f5es que colocavam em risco sua seguran\u00e7a, confisco de bens, ex\u00edlio, pris\u00f5es. A \u00faltima persegui\u00e7\u00e3o violenta foi a de Diocleciano (303-313).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calcula-se que o n\u00famero de m\u00e1rtires variasse entre cem e duzentos mil. De toda forma, ao longo de todo este per\u00edodo, os crist\u00e3os viveram em permanente inseguran\u00e7a e sofreram hostilidades por parte do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.3 O sangue dos m\u00e1rtires: semente de novos crist\u00e3os<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano de Cartago (\u0085220) observa que foi \u00e0 sombra do juda\u00edsmo que o cristianismo p\u00f4de dar seus primeiros passos sem confrontar-se com o Imp\u00e9rio. Junto com Justino de Roma, Aten\u00e1goras de Atenas, Te\u00f3filo de Antioquia, Irineu de Li\u00e3o e Or\u00edgenes de Alexandria, ele \u00e9 um pensadores, fil\u00f3sofo e te\u00f3logo que faz a <em>apologia<\/em> do cristianismo: defesa contra os ataques vindos do povo, dos judeus, dos fil\u00f3sofos e das autoridades; contra-ataque da imoralidade da religi\u00e3o pag\u00e3, das incoer\u00eancias do povo da antiga lei, absurdo das teorias sobre Deus e decad\u00eancia do Imp\u00e9rio, para apresentar a beleza, a sublimidade e a honestidade da religi\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais os crist\u00e3os s\u00e3o perseguidos e martirizados, mais se multiplicam. Nesse contexto, o pr\u00f3prio fato de entrar para o grupo de catec\u00famenos ou de pedir o batismo j\u00e1 demonstrava a seriedade dos candidatos. Somente ap\u00f3s as persegui\u00e7\u00f5es \u00e9 que a institui\u00e7\u00e3o do catecumenato veio a se tornar mais rigorosa, j\u00e1 num contexto de liberdade e maior frouxid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro modelo de santidade que encontramos no cristianismo antigo \u00e9 o mart\u00edrio. O m\u00e1rtir \u00e9 a testemunha por excel\u00eancia, que imita Cristo at\u00e9 o derramamento de sangue. M\u00e1rtires foram v\u00e1rios dos disc\u00edpulos que conviveram com Jesus, dos ap\u00f3stolos, chefes das Igrejas e gente desconhecida, homens, mulheres, crian\u00e7as, jovens, adultos, anci\u00e3os. Desenvolve-se desde cedo a \u201cespiritualidade do mart\u00edrio\u201d. O t\u00famulo dos m\u00e1rtires logo se transforma em lugar de peregrina\u00e7\u00f5es e culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de v\u00e1rias fontes antigas, as fontes privilegiadas para conhecer os m\u00e1rtires crist\u00e3os s\u00e3o as <em>acta martyrum<\/em>: documentos feitos pelas pr\u00f3prias autoridades no julgamento dos condenados e que depois eram lidos nas comunidades; as <em>gesta<\/em>: relatos escritos na \u00e9poca das persegui\u00e7\u00f5es e que misturam elementos hist\u00f3ricos e romanceados; e as <em>legenda<\/em>, a maior parte de \u00e9poca posterior, com muitos motivos fantasiosos, constituindo-se uma literatura de edifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.4 O fim das persegui\u00e7\u00f5es e a \u201cguinada constantiniana\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 313, os imperadores Lic\u00ednio e Constantino assinaram conjuntamente um documento, o Edito de Mil\u00e3o, que concedeu liberdade de culto aos crist\u00e3os e a outras religi\u00f5es. Chegava ao fim a era da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os. Iniciava-se uma nova etapa, denominada por alguns historiadores como a <em>guinada<\/em> ou <em>virada <\/em>constantiniana (cf. F. Pierini, H. Matos e D. Mondoni). Constantino concedeu aos crist\u00e3os, al\u00e9m da liberdade de culto, uma s\u00e9rie de isen\u00e7\u00f5es e privil\u00e9gios, dando terras, propriedades, prest\u00edgio e poder \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Em 380, o imperador Teod\u00f3sio transforma o cristianismo em religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano: \u00e9 a fase da \u201cIgreja Imperial\u201d ou \u201cEra de Ouro da Patr\u00edstica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa nova etapa, reformula-se o catecumenato; desenvolve-se a liturgia e a disciplina eclesi\u00e1stica; a teologia patr\u00edstica chega ao seu \u00e1pice; \u00e9 tamb\u00e9m o per\u00edodo de grandes cismas e heresias; os dogmas cristol\u00f3gicos e trinit\u00e1rios alcan\u00e7am sua formula\u00e7\u00e3o mais plena; aprimora-se a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja no territ\u00f3rio do Imp\u00e9rio, com as dioceses, par\u00f3quias e patriarcados; surge a vida religiosa, com o monacato; h\u00e1 um novo surto mission\u00e1rio em dire\u00e7\u00e3o aos povos \u201cb\u00e1rbaros\u201d. \u00c9 a \u00e9poca dos conc\u00edlios ecum\u00eanicos: Niceia (325), Constantinopla I (381); \u00c9feso (431) e Calced\u00f4nia (451).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Luiz Ant\u00f4nio Pinheiro, OSA. <\/em>ISTA. Texto original portugu\u00eas.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MATOS, Henrique Cristiano Jos\u00e9. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja<\/em>. v.1. 5.ed. Belo Horizonte: O Lutador, 1997. p.7-90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MONDONI, Danilo. <em>O cristianismo na antiguidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIERINI, Franco. <em>Curso de Hist\u00f3ria da Igreja I<\/em>. A idade antiga. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1998. p.5-129.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMBY, J.; LEMONON, J.-P. <em>Vida e religi\u00f5es no imp\u00e9rio romano no tempo das primeiras comunidades crist\u00e3s<\/em>. Documentos do Mundo da B\u00edblia 5. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COTHENET, E. <em>S\u00e3o Paulo e o seu tempo<\/em>. Cadernos B\u00edblicos 26. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DANI\u00c9LOU, J.; MARROU, H. <em>Dos prim\u00f3rdios a S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno<\/em>. Nova Hist\u00f3ria da Igreja. Tomo I. 3.ed. Petr\u00f3polis: Vozes. p.23-250.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROBNER, Hubertus R. <em>Manual de patrologia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LEZ, Justo L. <em>A era dos m\u00e1rtires<\/em>. Uma hist\u00f3ria ilustrada do cristianismo. v.1. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAMMAN, A.-G. <em>A vida cotidiana dos primeiros crist\u00e3os (95-197).<\/em>Patrologia. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HILL, Jonathan. <em>Hist\u00f3ria do cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Rosari, 2009. p.12-77.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOORNAERT, Eduardo. <em>A mem\u00f3ria do povo crist\u00e3o<\/em>. Cole\u00e7\u00e3o Teologia e Liberta\u00e7\u00e3o. S\u00e9rie I. Experi\u00eancia de Deus e Justi\u00e7a. Petr\u00f3polis: Vozes, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARKUS, Robert A. <em>O fim do cristianismo antigo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARROU, Henri Ir\u00e9n\u00e9e. A Igreja no seio de uma civiliza\u00e7\u00e3o helen\u00edstica e romana. In: <em>Concilium<\/em>, n.67, p. 840-50, Petr\u00f3polis. 1971\/7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEEKS, Wayne A. <em>Os primeiros crist\u00e3os urbanos<\/em>. O mundo social do ap\u00f3stolo Paulo. B\u00edblia e Sociologia. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIERINI, Franco. <em>Curso de hist\u00f3ria da Igreja I.<\/em> A Idade Antiga.Paulus: S\u00e3o Paulo, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POTEST\u00c0, G. L.; VIAN, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria do cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013. p.11-62.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Primeira comunidade crist\u00e3 1.1 O que se entende por cristianismo antigo 1.2 A quest\u00e3o da data\u00e7\u00e3o crist\u00e3 1.3 Primeira comunidade crist\u00e3 ou primeiras comunidades crist\u00e3s? 1.4 Querigma, convers\u00e3o, f\u00e9 e batismo 2 Primeira expans\u00e3o crist\u00e3 2.1 O contexto da expans\u00e3o crist\u00e3 2.2 Um cristianismo plural num mundo plural 2.3 Protagonistas da miss\u00e3o crist\u00e3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1244","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1244"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1245,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1244\/revisions\/1245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}