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{"id":1231,"date":"2016-04-10T11:40:50","date_gmt":"2016-04-10T14:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1231"},"modified":"2016-04-10T12:19:47","modified_gmt":"2016-04-10T15:19:47","slug":"comunidades-eclesiais-de-base-cebs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1231","title":{"rendered":"Comunidades eclesiais de base (CEBs) e op\u00e7\u00e3o pelos pobres"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Um pouco de hist\u00f3ria das CEBs no Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 G\u00eanese das CEBs<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A grande novidade da Igreja na Am\u00e9rica Latina e Caribe: a entrada (inser\u00e7\u00e3o) dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na luta pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Entrada nas pastorais sociais, nos movimentos populares, sindicais, partidos pol\u00edticos, movimento ecol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Liga\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2.1 Um novo modo de viver a f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2.2 Um novo modo de transmitir a f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2.3 Um novo modo de celebrar a f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Desafios para as CEBs no in\u00edcio do S\u00e9culo XXI<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Concluindo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Comunidades Eclesiais de Base nascem no Brasil e na Am\u00e9rica Latina e Caribe no final da d\u00e9cada de 1950 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, pelo impulso do Esp\u00edrito, e se apresentam como um processo significativo para a Igreja Cat\u00f3lica, para as outras Igrejas Crist\u00e3s [Verbete: ecumenismo na viv\u00eancia das CEBs: Cl\u00e1udio de Oliveira Ribeiro ou Marcelo Barros] e tamb\u00e9m para toda a sociedade. Esta consci\u00eancia de uma nova experi\u00eancia eclesial pr\u00f3pria da Am\u00e9rica Latina e Caribe se expressa no tema do 1\u00ba Encontro Intereclesial de CEBs: <em>Uma Igreja que nasce do povo pelo Esp\u00edrito de Deus<\/em> (Vit\u00f3ria-ES \u2013 6-8 jan 1975). Este processo pode ser considerado <em>hist\u00f3rico<\/em> e veio para ficar. Teologicamente, foi cunhado como <em>eclesiog\u00eanese <\/em>[Verbete Eclesiog\u00eanese: Leonardo Boff ou Francisco Aquino J\u00fanior]: uma nova experi\u00eancia eclesial, um renascer da pr\u00f3pria Igreja e, por isso mesmo, uma a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no horizonte dos sinais dos tempos preconizado pelo Vaticano II. Em se tratando de um processo de longo f\u00f4lego, torna-se necess\u00e1rio retomar a hist\u00f3ria desta caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Um pouco de hist\u00f3ria das CEBs no Brasil <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) surgem na conjuntura da sociedade contempor\u00e2nea que produziu uma atomiza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, um anonimato geral das pessoas e uma fragmenta\u00e7\u00e3o em praticamente todos os n\u00edveis da conviv\u00eancia humana, devido aos desafios vindos de uma sociedade globalizada e urbanizada onde a viv\u00eancia comunit\u00e1ria parecia n\u00e3o ter mais espa\u00e7o para existir. Como rea\u00e7\u00e3o a este fen\u00f4meno, h\u00e1 uma tend\u00eancia de se retomar as rela\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias entre as pessoas e buscar relacionamentos de reciprocidade. As CEBs representam esta rea\u00e7\u00e3o no interior da\/s Igreja\/s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 G\u00eanese das CEBs<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a) Gesta\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve um longo per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o do terreno para o aparecimento das CEBs. Entre outros elementos destacamos a experi\u00eancia da catequese popular (movimento catequ\u00e9tico), a contribui\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Brasileira, que assume o modelo belga, franc\u00eas e canadense da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica especializada (JAC \u2013 Juventude Agr\u00e1ria Cat\u00f3lica; JEC \u2013 Juventude Estudantil Cat\u00f3lica; JIC \u2013 Juventude Independente Cat\u00f3lica; JOC \u2013 Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica; JUC \u2013 Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica), o Movimento de Educa\u00e7\u00e3o de Base (MEB), o Movimento por um Mundo Melhor (MMM), os diferentes Planos de Pastoral da CNBB (Plano de Emerg\u00eancia &#8211; 1962, Plano de Pastoral de Conjunto &#8211; 1966), contando ainda com o Movimento B\u00edblico que busca novas formas de interpreta\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, e o Movimento Lit\u00fargico na Europa e tamb\u00e9m no Brasil. Este processo possibilitou que o terreno fosse amainado para o surgimento das Comunidades de Base.<\/p>\n<p><em>b) Nascimento<\/em><\/p>\n<p>Podemos localizar o nascimento das CEBs no final da d\u00e9cada de 1950 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. Elas surgiram em v\u00e1rios lugares do Brasil e em muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, no campo e na cidade.<\/p>\n<p><em>c) Batismo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O batismo das CEBs se deu com Medell\u00edn (1968). Inicialmente eram chamadas de Comunidades Crist\u00e3s de Base:<\/p>\n<p>Assim, a comunidade crist\u00e3 de base \u00e9 o primeiro e fundamental n\u00facleo eclesial, que deve, em seu pr\u00f3prio n\u00edvel, responsabilizar-se pela riqueza e expans\u00e3o da f\u00e9, como tamb\u00e9m pelo culto que \u00e9 sua express\u00e3o. \u00c9 ela , portanto, c\u00e9lula inicial de estrutura\u00e7\u00e3o eclesial e foco de evangeliza\u00e7\u00e3o e atualmente fator primordial de promo\u00e7\u00e3o humana e desenvolvimento (Medell\u00edn, 15.11).<\/p>\n<p><em>d) Confirma\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o se deu em Puebla (1979), mas antes as CEBs j\u00e1 haviam encontrado sua legitimidade na palavra do magist\u00e9rio universal na <em>Evangelii Nuntiandi, <\/em>n.58: \u201c(&#8230;) S\u00e3o solid\u00e1rias com a vida da mesma Igreja e alimentadas pela sua doutrina e conservam-se unidas aos seus pastores\u201d. O Documento de Puebla assim se expressa: \u201cAs comunidades eclesiais de base que em 1968 eram apenas uma experi\u00eancia incipiente amadureceram e multiplicaram-se sobretudo em alguns pa\u00edses. Em comunh\u00e3o com seus bispos e como o pedia Medell\u00edn, converteram-se em centros de evangeliza\u00e7\u00e3o e em motores de liberta\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento\u201d (Puebla, n.97; cf. tamb\u00e9m n.641-642).<\/p>\n<p><em>e) Maturidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maturidade das CEBs pode ser compreendida em tr\u00eas momentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro se d\u00e1 com o Documento da CNBB (1982): \u201cFen\u00f4meno estritamente eclesial, as CEBs em nosso pa\u00eds nasceram no seio da Igreja-institui\u00e7\u00e3o e tornaram-se \u2018um novo modo de ser Igreja\u2019. Pode-se afirmar que \u00e9 ao redor delas que se desenvolve, e se desenvolver\u00e1 cada vez mais, no futuro, a a\u00e7\u00e3o pastoral e evangelizadora da Igreja\u201d (CNBB, Doc.25, n.3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo momento acontece com o VI Encontro Intereclesial das CEBs, em Trindade-Go (1986), onde se cunhou a express\u00e3o \u201cCEBs: Um modo novo de toda a Igreja ser\u201d<em>.<\/em> Visava-se, com tal express\u00e3o, mostrar que o esp\u00edrito das CEBs deveria fermentar toda a institui\u00e7\u00e3o eclesial a partir da op\u00e7\u00e3o pelos pobres. As CEBs constituem-se num elemento-chave para a vida eclesial no Brasil e apontam para um novo modelo eclesial. Encontramo-nos aqui com o papel protag\u00f4nico das CEBs em vista de um novo paradigma de organiza\u00e7\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro momento pode ser compreendido a partir da feliz express\u00e3o de D. Pedro Casald\u00e1liga \u2013 \u201cCEBs: O modo normal de toda a Igreja ser\u201d. Esta express\u00e3o quer significar que as quest\u00f5es fundamentais defendidas pelas CEBs devem ser assimiladas por toda a Igreja-institui\u00e7\u00e3o, pois fazem parte da defesa da vida. Por detr\u00e1s desta viv\u00eancia est\u00e1 presente a intui\u00e7\u00e3o do Vaticano II, sobretudo da <em>Gaudium et Spes<\/em> (<em>GS<\/em>, n.1 e 11). Nesta mesma dire\u00e7\u00e3o, as CEBs s\u00e3o consideradas como inst\u00e2ncia primeira da Igreja, s\u00e3o sua express\u00e3o <em>originante<\/em> (At 2,42-47; 4,32-35). Dirigindo-se aos participantes do XIII Encontro Intereclesial, o Papa Francisco afirma que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs s\u00e3o um instrumento que permite ao povo \u201cchegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos servi\u00e7os leigos e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 dos adultos\u201d (n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base \u201ctrazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de di\u00e1logo com o mundo que renovam a Igreja (Exort. Ap. <em>Evangelii Gaudium<\/em>, n.29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a02 A grande novidade da Igreja na Am\u00e9rica Latina e Caribe: a entrada (inser\u00e7\u00e3o) dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na luta pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Para se compreender este novo modo de ser Igreja, \u00e9 preciso recordar o assumir da op\u00e7\u00e3o pelos pobres e exclu\u00eddos, que \u00e9 uma das marcas da Igreja na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (cf. Aparecida, n.391). A op\u00e7\u00e3o pelos pobres est\u00e1 tamb\u00e9m na base da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Ela aparece de modo latente durante o Vaticano II, especialmente no <em>Pacto das Catacumbas<\/em> (Verbete Pacto das Catacumbas \u2013 Jos\u00e9 Oscar Beozzo) e, tamb\u00e9m de modo especial, a partir de Medell\u00edn (1968), Puebla (1979) e, mais recentemente, em Aparecida (2007), gerando uma intensa discuss\u00e3o com muitas tens\u00f5es, incompreens\u00f5es e tentativas de amortecer suas implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Esta op\u00e7\u00e3o pelos pobres, expressa na d\u00e9cada de 1960, tem suas ra\u00edzes na B\u00edblia. Na caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), esta compreens\u00e3o est\u00e1 explicitada no canto: \u201cJav\u00e9, o Deus dos pobres, do povo sofredor, aqui nos reunimos para cantar o seu louvor. Pra nos dar esperan\u00e7a e contar com sua m\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o do Reino, Reino novo, povo irm\u00e3o\u201d. No livro do \u00caxodo, Deus se mostra como libertador, agindo na hist\u00f3ria: \u201cEu vi, eu vi mis\u00e9ria do meu povo que est\u00e1 no Egito. Ouvi seu grito por causa de seus opressores; pois eu conhe\u00e7o as suas ang\u00fastias. Por isso desci a fim de libert\u00e1-lo da m\u00e3o dos eg\u00edpcios, e para faz\u00ea-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel\u201d (\u00cax 3,7-8b). Esta tradi\u00e7\u00e3o do Deus libertador se expressa na profiss\u00e3o de f\u00e9 do povo libertado: \u201cEu sou Iahweh teu Deus que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravid\u00e3o\u201d (\u00cax 20,2). Gustavo Guti\u00e9rrez afirma que a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 teoc\u00eantrica, isto \u00e9, sai do cora\u00e7\u00e3o amoroso de Deus: \u201c\u00c9 uma op\u00e7\u00e3o teoc\u00eantrica e prof\u00e9tica que deita as ra\u00edzes na gratuidade do amor de Deus e \u00e9 exigida por ela\u201d (GUTI\u00c9RREZ, 2000, p.25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o pelos pobres tem estado no cen\u00e1rio da Igreja da Am\u00e9rica Latina e do Caribe durante as \u00faltimas d\u00e9cadas. Na Confer\u00eancia de Aparecida ela volta com maior intensidade, novo aprofundamento e novas exig\u00eancias frente ao novo contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico. Bento XVI afirma que a op\u00e7\u00e3o pelos pobres est\u00e1 impl\u00edcita na f\u00e9 crist\u00e3 e faz parte integrante do discipulado como seguimento de Jesus Cristo: \u201cNossa f\u00e9 proclama que \u2018Jesus Cristo \u00e9 o rosto humano de Deus e o rosto divino do ser humano\u2019\u201d (Aparecida, n.392). Por isso \u201ca op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres est\u00e1 impl\u00edcita na f\u00e9 cristol\u00f3gica naquele Deus que se fez pobre por n\u00f3s, enriquecendo-nos com sua pobreza. Esta op\u00e7\u00e3o nasce de nossa f\u00e9 em Jesus Cristo, o Deus feito humano, que se fez nosso irm\u00e3o (cf. Hb 2,11-12)\u201d (Aparecida, n.392). Bento XVI afirma que o Deus revelado em Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 \u201co Deus de rosto humano; \u00e9 o Deus-Conosco, o Deus do amor at\u00e9 a cruz\u201d (Bento XVI, Sess\u00e3o Inaugural dos Trabalhos da V Confer\u00eancia em Aparecida, 2007). Interessante observar que essa afirma\u00e7\u00e3o do Papa se aproxima do canto das CEBs: \u201cTu \u00e9s o Deus dos pequenos, o Deus humano e sofrido, o Deus de m\u00e3os calejadas, o Deus de rosto curtido. Por isso te falo eu, como te fala meu povo, porque \u00e9s o Deus roceiro, o Cristo trabalhador\u201d (Missa Campesina Nicaraguense) . Aproxima-se tamb\u00e9m da afirma\u00e7\u00e3o de Puebla n.31-39, retomada pela Confer\u00eancia de Aparecida, n.392-393 e assumida tamb\u00e9m pelo papa Francisco: \u201cPara a Igreja, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 mais uma categoria teol\u00f3gica que cultural, sociol\u00f3gica, pol\u00edtica ou filos\u00f3fica (&#8230;) A Igreja fez uma op\u00e7\u00e3o pelos pobres, entendida como uma \u2018forma especial de primado na pr\u00e1tica da caridade crist\u00e3, testemunhada por toda a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja\u2019\u201d (<em>EG<\/em>, n.198). Ao assumir o dinamismo mission\u00e1rio da Igreja, o papa Francisco afirma que \u201choje e sempre os pobres s\u00e3o os destinat\u00e1rios privilegiados do Evangelho, e a evangeliza\u00e7\u00e3o dirigida gratuitamente a eles \u00e9 sinal do Reino que Jesus veio trazer. H\u00e1 que afirmar sem rodeios que existe um v\u00ednculo indissol\u00favel entre a nossa f\u00e9 e os pobres. N\u00e3o os deixemos jamais sozinhos!\u201d (<em>EG<\/em>, n.48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo a reflex\u00e3o de Gustavo Guti\u00e9rrez que afirma ser teoc\u00eantrica a op\u00e7\u00e3o pelos pobres, podemos pens\u00e1-la como op\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria. A op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o de Deus Pai (cf. \u00cax 3,7-10; 20,2; Mt 11,25-26), do Filho, Jesus de Nazar\u00e9 (Lc 4,16-21) e do Esp\u00edrito Santo que envia Jesus para o meio dos pobres (Lc 4,18-19). \u00c9 interessante notarmos que na sequ\u00eancia da missa de Pentecostes, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 proclamado como Pai dos Pobres (<em>Pater Pauperum<\/em>)! Esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m mariol\u00f3gica e \u00e9 assumida por Maria, a M\u00e3e de Jesus (Lc 1,46-56). Esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 b\u00edblica e evang\u00e9lica e foi belamente descrita por Dona Luzia de Itumbiara-Go, ao dizer: \u201cA B\u00edblia \u00e9 o livro dos pobres, escrito para os pobres, dizendo para os pobres: chega de pobreza!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o pelos pobres continua sendo a pedra de toque da Igreja: \u201cA op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 uma das caracter\u00edsticas que marca o rosto da Igreja latino-americana e caribenha\u201d (Aparecida, n.391). \u00c9 a partir dela que se definem os modelos de Igreja. Certamente esta \u00e9 a raz\u00e3o dos in\u00fameros conflitos no interior da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o eclesial, pois ela exige um novo paradigma de organiza\u00e7\u00e3o eclesial diferente dos modelos existentes anteriormente, assim como tamb\u00e9m aponta para um novo modelo de sociedade. Neste sentido, os pobres se tornam os novos sujeitos eclesiais e tamb\u00e9m os novos sujeitos sociais. Na medida em que acreditamos nos pobres como sujeitos e protagonistas de sua pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o, compreendemos tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do di\u00e1logo ecum\u00eanico que abre possibilidades do testemunho comum e do di\u00e1logo inter-religioso [Verbete Di\u00e1logo inter-religioso = Faustino Teixeira] na constru\u00e7\u00e3o da nova humanidade. Diante da realidade de pobreza que vive a grande maioria dos jovens latino-americanos e caribenhos, entende-se tamb\u00e9m o valor da op\u00e7\u00e3o pelos pobres assumida pelos pr\u00f3prios jovens (cf. Aparecida, n.446,e). Frente \u00e0 dura realidade de mis\u00e9ria, pobreza gerada pela injusti\u00e7a social, assume-se tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o pelos pobres na defesa da ecologia, pois quem mais sofre com a devasta\u00e7\u00e3o da \u201cnossa irm\u00e3 m\u00e3e terra\u201d s\u00e3o os pobres, especialmente as mulheres, os camponeses e ind\u00edgenas. Podemos tamb\u00e9m verificar, \u00e0 luz da op\u00e7\u00e3o pelos pobres, todo o anseio por mudan\u00e7as que estamos percebendo na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Os pobres eram invisibilizados, mas hoje est\u00e3o se fazendo presentes em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos e caribenhos e indicam a necessidade de mudan\u00e7as estruturais, como tamb\u00e9m a possibilidade de <em>um outro mundo poss\u00edvel<\/em>, para que haja vida e vida abundante para todos os seres humanos e tamb\u00e9m vida para toda a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>2.1 Entrada nas pastorais sociais, nos movimentos populares, sindicais, partidos pol\u00edticos, movimento ecol\u00f3gico<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>As pastorais sociais, fruto do engajamento dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na concretiza\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o pelos pobres, colaboram na compreens\u00e3o do engajamento pol\u00edtico, na import\u00e2ncia de uma Igreja comprometida com as lutas populares e iniciam o processo de cidadania nas comunidades. Este processo se d\u00e1 pela liga\u00e7\u00e3o das pastorais sociais com os movimentos sociais populares. A partir da pastoral da sa\u00fade abre-se a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o nos conselhos de sa\u00fade local, municipal, estadual. Assumindo a pastoral da terra (CPT), os crist\u00e3os e crist\u00e3s tem a possibilidade de participar do Movimento dos Sem Terra (MST). Participando da Pastoral Oper\u00e1ria (PO), h\u00e1 a abertura para a participa\u00e7\u00e3o nos sindicatos. Estando na pastoral carcer\u00e1ria, abre-se a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o no Movimento Nacional de Direitos Humanos, Anistia Internacional, de relacionamento com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Da pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) entra-se no movimento da mulher, tem-se abertura para a Marcha Mundial das Mulheres. Ao participar da Pastoral da Crian\u00e7a, vislumbra-se a participa\u00e7\u00e3o nos conselhos da crian\u00e7a e do adolescente, como tamb\u00e9m no conselho tutelar. Da pastoral de f\u00e9 e pol\u00edtica, \u00e9tica e pol\u00edtica, abre-se o horizonte para a participa\u00e7\u00e3o nos partidos pol\u00edticos. Desta mesma forma, podemos ver a participa\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os e crist\u00e3s das CEBs na Semana Social Brasileira, no Grito dos Exclu\u00eddos, nas romarias da Terra e das \u00c1guas, nas romarias dos trabalhadores\/as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nome da f\u00e9, os crist\u00e3os e crist\u00e3s sa\u00eddos das CEBs assumem e apoiam as lutas dos movimentos populares, dos povos ind\u00edgenas, dos negros, das mulheres. Participam dos movimentos ecol\u00f3gicos. \u00c0 luz do Ensinamento Social da Igreja, participam do movimento sindical, dos partidos pol\u00edticos ligados aos interesses da classe trabalhadora e, em alguns casos espec\u00edficos, frente \u00e0 viol\u00eancia institucionalizada (<em>Medell\u00edn, <\/em>n.16) e ao <em>pecado social<\/em> (Puebla, n.28), h\u00e1 a recorr\u00eancia \u00e0 luta armada em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>2.2 Liga\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Vida<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>As CEBs utilizam o m\u00e9todo Ver, Julgar e Agir advindo da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica e referendada por Jo\u00e3o XXIII na Enc\u00edclica <em>Mater et Magistra<\/em> (<em>MM<\/em>, n.235-236). Esse m\u00e9todo est\u00e1 presente nas Confer\u00eancias do Episcopado Latino-americano e Caribenho desde Medell\u00edn (1968) at\u00e9 Aparecida (2007) e sempre presente nos Documentos da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). \u00c9 a partir desta liga\u00e7\u00e3o que houve uma nova experi\u00eancia da viv\u00eancia da f\u00e9 que gera um novo modelo eclesial e uma nova forma de fazer teologia. Gustavo Guti\u00e9rrez relata de forma magistral esta articula\u00e7\u00e3o entre a inser\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na luta de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos e este novo modo de viver, transmitir e celebrar a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inser\u00e7\u00e3o nas lutas populares pela liberta\u00e7\u00e3o tem sido \u2013 e \u00e9 \u2013 o in\u00edcio de um novo modo de viver, transmitir e celebrar a f\u00e9 para muitos crist\u00e3os da Am\u00e9rica Latina. Provenham eles das pr\u00f3prias camadas populares ou de outros setores sociais, em ambos os casos observa-se \u2013 embora com rupturas e por caminhos diferentes \u2013 uma consciente e clara identifica\u00e7\u00e3o com os interesses e combates dos oprimidos do continente. Esse \u00e9 o fato maior da comunidade crist\u00e3 da Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos anos. Esse fato tem sido e continua sendo a matriz do esfor\u00e7o de esclarecimento teol\u00f3gico que levou \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o (GUTI\u00c9RREZ, 1981, p.245).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>A liga\u00e7\u00e3o f\u00e9 e vida, incluindo nesta liga\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com a economia, a pol\u00edtica, a cultura e a ecologia, aponta que o horizonte da liberta\u00e7\u00e3o se amplia enormemente, exigindo uma liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural, pedag\u00f3gica, er\u00f3tico-sexual, ecol\u00f3gica (DUSSEL, 2011) e revela tamb\u00e9m a liga\u00e7\u00e3o entre evangeliza\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o presente no Vaticano II: \u201cTrabalhem os crist\u00e3os e crist\u00e3s e colaborem com todos os outros para estruturar com justi\u00e7a a vida econ\u00f4mica e social\u201d (<em>Ad Gentes<\/em>, n.12; cf. <em>Ad Gentes<\/em>, n.21) e confirmada pela <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> de Paulo VI: \u201cA evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria completa se ela n\u00e3o tomasse em considera\u00e7\u00e3o a interpela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida real\u201d (cf. <em>EN<\/em>, n.29). A <em>Evangelii Nuntiandi <\/em>indica que o compromisso com a liberta\u00e7\u00e3o em todas as dimens\u00f5es da vida humana (econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social, cultural-religiosa) n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o (cf. <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, n.30). Ainda confirma que entre evangeliza\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o h\u00e1 la\u00e7os de ordem antropol\u00f3gica (o ser humano a ser evangelizado n\u00e3o \u00e9 um ser abstrato, mas condicionado pelo conjunto dos problemas sociais e econ\u00f4micos), la\u00e7os de ordem teol\u00f3gica (n\u00e3o se pode separar o plano da cria\u00e7\u00e3o do plano da Salva\u00e7\u00e3o do ser humano), e tamb\u00e9m la\u00e7os de ordem eminentemente evang\u00e9lica (como proclamar o mandamento novo sem promover a justi\u00e7a, a paz?) (cf. <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, n.31). As CEBs, pela liga\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com a vida, esfor\u00e7am-se para que a liberta\u00e7\u00e3o possa abranger todas as dimens\u00f5es da vida do ser humano, buscando realizar o desejo expresso por Jesus que todos e todas possam ter vida e vida em abund\u00e2ncia e tamb\u00e9m buscam seguir S\u00e3o Paulo, preocupando-se hoje com toda a cria\u00e7\u00e3o (cf. Rm, 8,22-25). A participa\u00e7\u00e3o nas lutas acarreta muitas persegui\u00e7\u00f5es entre os pobres e entre aqueles e aquelas que, por livre op\u00e7\u00e3o, mesmo sendo de outras classes sociais, assumem o lado dos pobres e exclu\u00eddos. Por isso, em toda a Am\u00e9rica Latina e Caribe, encontramos m\u00e1rtires que, como Jesus de Nazar\u00e9, enfrentam a persegui\u00e7\u00e3o e chegam at\u00e9 o extremo do derramamento do sangue. S\u00e3o trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, ind\u00edgenas, negros e negras, advogados e advogadas, religiosas e religiosos, padres, bispos. Muitos destes\/as m\u00e1rtires s\u00e3o sa\u00eddos das CEBs e expressam a dimens\u00e3o prof\u00e9tica da\/s Igreja\/s. A entrada dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na luta de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos possibilita um novo modo de viver a f\u00e9, um novo modo de transmitir a f\u00e9 e um novo modo de celebrar a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>2.2.1 Um novo modo de viver a f\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz do Conc\u00edlio Vaticano II, os crist\u00e3os e crist\u00e3s das CEBs, movidos pelo Esp\u00edrito do Ressuscitado, preocupam-se com os problemas da vida em sociedade e tamb\u00e9m com os problemas relacionados com a natureza, descobrindo que \u201cas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e ang\u00fastias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo. N\u00e3o se encontra nada verdadeiramente humano que n\u00e3o lhes ressoe no cora\u00e7\u00e3o\u201d (<em>GS<\/em>, n.1). Com esta espiritualidade, a viv\u00eancia da f\u00e9 exige dar resposta \u00e0s necessidades em todas as dimens\u00f5es da vida humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>2.2.2 Um novo modo de transmitir a f\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a f\u00e9 relacionada a todas as necessidades humanas, a Palavra de Deus (B\u00edblia) come\u00e7a a ser lida com uma maior complexidade, buscando dar respostas \u00e0s quest\u00f5es da vida a partir da leitura feita pelos pobres (rela\u00e7\u00e3o de classe), pelas mulheres (rela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero), pelas diferentes culturas (rela\u00e7\u00e3o \u00e9tnica), a partir das crian\u00e7as, adolescentes, jovens, anci\u00e3os (rela\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o) e, tamb\u00e9m iluminados pela teologia da cria\u00e7\u00e3o, faz-se uma leitura da B\u00edblia a partir da defesa da vida da natureza (rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica). \u00c9 no bojo de todas essas leituras que vai surgindo tamb\u00e9m um novo modo de teologizar (Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o), como tamb\u00e9m uma nova catequese com uma dimens\u00e3o martirial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2.3 Um novo modo de celebrar a f\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liga\u00e7\u00e3o f\u00e9 e vida faz com que a liturgia seja vivida e se expresse a partir das diferentes culturas e celebre as lutas em defesa da vida, assumindo as express\u00f5es culturais do povo. Como afirma o papa Francisco, \u201cnatureza e cultura encontram-se intimamente ligadas. A gra\u00e7a sup\u00f5e a cultura, e o dom de Deus encarna-se na cultura de quem o recebe\u201d (<em>EG<\/em>, n.115).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 Desafios para as CEBs no in\u00edcio do S\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>A caminhada das CEBs, ao longo desse processo hist\u00f3rico, tem sido marcada por enfrentamentos e conflitos tanto no interior da Igreja como no seio da sociedade. No interior da Igreja, nota-se o confronto entre modelos de Igreja e a base deste confronto est\u00e1 na interpreta\u00e7\u00e3o dada aos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II. As CEBs tem um papel protag\u00f4nico na perspectiva de um novo modelo eclesial que assume a eclesiologia do Povo de Deus presente no Conc\u00edlio. Nesta busca de um novo modelo eclesial, surgem conflitos e persegui\u00e7\u00f5es. No seio da sociedade, as CEBs se articulam, em praticamente todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, com as for\u00e7as populares que apontam para um novo modelo de sociedade, na busca de <em>um outro mundo poss\u00edvel e urgente<\/em>, como tem proclamado o F\u00f3rum Social Mundial. [Verbete F\u00f3rum Social Mundial = Francisco Witacker]. Esta busca por outro modo de organiza\u00e7\u00e3o da vida em sociedade entra em confronto com o neoliberalismo ainda muito presente em pa\u00edses latino-americanos e caribenhos, acarretando conflitos e persegui\u00e7\u00f5es que podem levar ao mart\u00edrio. Deste modo, as Cebs s\u00e3o chamadas a fortalecer sua caminhada, neste novo momento eclesial em que o papa Francisco, em sua Mensagem \u00e0s CEBs por ocasi\u00e3o do 13\u00ba. Intereclesial, afirma que \u201cas CEBs s\u00e3o um instrumento que permite ao povo \u2018chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos servi\u00e7os leigos e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 dos adultos&#8217; (Aparecida, n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base \u2018trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de di\u00e1logo com o mundo que renovam a Igreja\u2019 (Exort. Ap. <em>Evangelii Gaudium<\/em>, n.29)\u201d. As CEBs procuram manter os pontos essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de um novo modelo eclesial e de um novo modelo de sociedade que tenham as marcas do Reino de Deus anunciado por Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Manuten\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o pelos pobres<\/p>\n<p>Diante da vulnerabilidade presente em nossa sociedade e frente ao neoliberalismo, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 fundamental para a resist\u00eancia dos povos e defesa da vida.<\/p>\n<p>b) Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m fruto da op\u00e7\u00e3o pelos pobres e necessita de novos aprofundamentos diante das novas exig\u00eancias do momento hist\u00f3rico atual, buscando dar respostas para as quest\u00f5es relacionadas com as culturas, a bio\u00e9tica, a sexualidade, a ecologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Minist\u00e9rios e a presen\u00e7a da mulher na Igreja e nas CEBs<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma presen\u00e7a majorit\u00e1ria de mulheres nos servi\u00e7os e coordena\u00e7\u00f5es nas CEBs, mas h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o entre a proclama\u00e7\u00e3o da igualdade e a realidade de desigualdade nas rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres no seio das Igrejas crist\u00e3s, mas especialmente no seio da Igreja cat\u00f3lica, onde a mulher, por ser mulher, n\u00e3o pode assumir determinadas tarefas e postos de decis\u00e3o, contrariando o princ\u00edpio do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>d) O di\u00e1logo inter-religioso e a luta pela defesa da vida e da natureza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este desafio \u00e9 o de todas as Igrejas e de todas as religi\u00f5es, pois n\u00e3o haver\u00e1 paz no mundo, se n\u00e3o houver paz entre as religi\u00f5es (Hans K\u00fcng, 2004).<\/p>\n<p><strong>4 Concluindo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>As CEBs s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo: \u201cUma Igreja que nasce do povo pelo Esp\u00edrito de Deus\u201d (I Intereclesial \u2013 Vit\u00f3ria, 1975). Elas traduzem uma nova experi\u00eancia eclesial a partir dos pa\u00edses latino-americanos e caribenhos, alicer\u00e7ada no sangue de muitos m\u00e1rtires que seguiram Jesus no compromisso com a justi\u00e7a e com a vida plena para todos e todas.<\/p>\n<p>As CEBs t\u00eam contribu\u00eddo em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, gestando lideran\u00e7as nos mais diferentes espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. S\u00e3o sementeiras de agentes de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As CEBs, com um papel protag\u00f4nico, t\u00eam colaborado na mudan\u00e7a do rosto das Igrejas locais e influenciado as Confer\u00eancias Episcopais Latino-americanas e Caribenhas na perspectiva de constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja Povo de Deus de acordo com os documentos do Vaticano II.<\/p>\n<p>As CEBs, no seguimento de Jesus de Nazar\u00e9, empenham-se na constru\u00e7\u00e3o de um <em>outro mundo poss\u00edvel e urgente<\/em> e que antecipe o Reino de Deus na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Benedito Ferraro. <\/em>PUC-Campinas. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a05 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>ANDRADE,WILLIAM C.. <em>O C\u00f3digo gen\u00e9tico das CEBs<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Oikos, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AZEVEDO, Marcelo. <em>Comunidades Eclesiais de Base e encultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9: <\/em>A realidade das CEBs e sua tematiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, na perspectiva de uma evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bento XVI. <em>Palavras do Papa Bento XVI no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Clodovis et al. <em>As Comunidades de Base em quest\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Leonardo. <em>Eclesiog\u00eanese: As comunidades eclesiais de base reiventam a Igreja<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DORNELAS, Nelito N. (org.). <em>Ecumenismo e evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada: Comunidades Eclesiais de Base<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: CEBI, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUSSEL, E. <em>Filosofia da liberta\u00e7\u00e3o: Cr\u00edtica \u00e0 ideologia da exclus\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUTI\u00c9RREZ, Gustavo. <em>A For\u00e7a hist\u00f3rica dos pobres<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o: Perspectivas. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcNG,H., <em>Religi\u00f5es no mundo: em busca dos pontos comuns<\/em>. Campinas-SP: Verus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OROFINO, Francisco; COUTINHO, S\u00e9rgio R.; RODRIGUES, Solange S. (Orgs.). <em>CEBs e os desafios do mundo contempor\u00e2neo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Iser Assessoria e Paulus, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TEIXEIRA, Faustino L.C. <em>A G\u00eanese das CEBs no Brasil: Elementos explicativos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Os Encontros Intereclesiais de CEBs no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Um pouco de hist\u00f3ria das CEBs no Brasil 1.1 G\u00eanese das CEBs 2 A grande novidade da Igreja na Am\u00e9rica Latina e Caribe: a entrada (inser\u00e7\u00e3o) dos crist\u00e3os e crist\u00e3s na luta pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos 2.1 Entrada nas pastorais sociais, nos movimentos populares, sindicais, partidos pol\u00edticos, movimento ecol\u00f3gico 2.2 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1231"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1243,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1231\/revisions\/1243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}