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{"id":1217,"date":"2016-04-10T10:44:23","date_gmt":"2016-04-10T13:44:23","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1217"},"modified":"2016-04-10T10:44:59","modified_gmt":"2016-04-10T13:44:59","slug":"sacramentos-centro-da-liturgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1217","title":{"rendered":"Sacramentos, centro da liturgia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a01 A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Os sete sacramentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A eucaristia, memorial da P\u00e1scoa do Senhor, sacramento dos sacramentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pelo batismo e a un\u00e7\u00e3o com o santo crisma<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Os outros sacramentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Resumindo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>1 A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O que \u00e9 a liturgia? O Conc\u00edlio Vaticano II, sabiamente, n\u00e3o prop\u00f5e uma defini\u00e7\u00e3o da liturgia. Definir significa delimitar a partir de conceitos, e como delimitar as insond\u00e1veis riquezas do mist\u00e9rio de Cristo, que \u00e9 o mist\u00e9rio de nossa salva\u00e7\u00e3o celebrado na Liturgia? Mas \u2012 ao mostrar, desde diversos \u00e2ngulos, como a liturgia torna presente no mundo, mediante a Igreja, o mist\u00e9rio de Cristo \u2012 o Conc\u00edlio abre um caminho fecundo \u00e0 teologia dos sacramentos, apresentados na Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Sacrosanctum Concilium <\/em>como o n\u00facleo da liturgia. O caminho que deve ser procurado na tradi\u00e7\u00e3o eclesial da pr\u00f3pria pr\u00e1tica lit\u00fargica, em sua rica diversidade. Afirma-se no documento conciliar que pela liturgia, principalmente no divino Sacrif\u00edcio da eucaristia, \u201cse atua a obra de nossa Reden\u00e7\u00e3o\u201d, com uma express\u00e3o tirada dos pr\u00f3prios textos lit\u00fargicos, a ora\u00e7\u00e3o sobre as oferendas do segundo domingo depois de Pentecostes do antigo Missal. A Liturgia \u2012 afirma tamb\u00e9m a Constitui\u00e7\u00e3o \u2012 \u00e9 \u201co cume para o se encaminha a a\u00e7\u00e3o da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua for\u00e7a\u201d (<em>SC<\/em> n.10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao apresentar os sacramentos como centro da Liturgia, caracterizada como fonte e cume da vida eclesial, o Conc\u00edlio indica \u00e0 Teologia o ponto de partida da reflex\u00e3o sobre os sacramentos: o mist\u00e9rio pascal de Cristo celebrado na pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Superam-se, assim, as limita\u00e7\u00f5es da apresenta\u00e7\u00e3o dos sacramentos a partir de conceitos da filosofia escol\u00e1stica e devolve-se \u00e0 liturgia a sua grandeza e a sua relev\u00e2ncia teol\u00f3gica. Consequentemente, a <em>SC<\/em> determina que a Liturgia seja estudada, nas faculdades de Teologia e nos semin\u00e1rios, como uma das disciplinas mais importantes \u201ctanto no aspecto teol\u00f3gico e hist\u00f3rico, quanto espiritual, pastoral e jur\u00eddico\u201d (n.16). Determina\u00e7\u00e3o \u00f3bvia da compreens\u00e3o da Liturgia em conson\u00e2ncia com a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o. Segundo o conhecido aforismo dos Pais da Igreja: <em>a eucaristia faz a Igreja, a Igreja faz a eucaristia<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 um passado relativamente recente, em muitas faculdades de Teologia e semin\u00e1rios, a disciplina da Liturgia limitava-se ao estudo das rubricas e os sacramentos eram estudados sem muita rela\u00e7\u00e3o com a forma concreta da celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo na liturgia. O tratado dogm\u00e1tico dos sacramentos era introduzido por uma no\u00e7\u00e3o comum de sacramento, que, embora anal\u00f3gica, tendia a ocultar a singularidade da manifesta\u00e7\u00e3o do <em>mist\u00e9rio<\/em> celebrada em cada sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reforma lit\u00fargica promovida pela <em>Sacrosantum Conc\u00edlium<\/em> tende a aproximar as liturgias do Ocidente e do Oriente, devendo-se isso, em parte, \u00e0 presen\u00e7a no Conc\u00edlio de Bispos orientais. Enquanto nas Igrejas de rito latino os sacramentos se compreendem a partir da no\u00e7\u00e3o de <em>sacramento<\/em>, no oriente se mant\u00e9m o termo mais b\u00edblico <em>mysterium<\/em>, que os relaciona mais intuitivamente com o mist\u00e9rio do Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do Conc\u00edlio de Trento, no ocidente o crist\u00e3o aprendia no catecismo que os sacramentos eram sete e tanto a pr\u00e1tica lit\u00fargica como a reflex\u00e3o foram influenciadas pela forma fragmentada de v\u00ea-los. Se algu\u00e9m perguntasse a um crist\u00e3o dos primeiros s\u00e9culos pelos \u201csete sacramentos\u201d esse ficaria surpreso e n\u00e3o saberia como responder. Falaria, por\u00e9m, com entusiasmo dos <em>santos mist\u00e9rios<\/em>, celebrados de forma eminente na ceia do Senhor, como presen\u00e7a viva e atuante do mist\u00e9rio de Cristo, e do batismo que esteve unido desde muito cedo \u00e0 un\u00e7\u00e3o com o <em>myron<\/em> ou santo crisma. Em torno a eles, outros muitos ritos, de forma diversa, celebravam esse \u00fanico mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo latino <em>sacramentum, <\/em>contudo, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o do termo grego <em>myst\u0113rion,<\/em> cujo sentido original \u00e9 o de <em>consagra\u00e7\u00e3o,<\/em> e aproxima-se, assim, do sentido de <em>myst\u0113rion<\/em>. Tendo, por\u00e9m, um aspecto mais est\u00e1tico, ir\u00e1 acentuando, no ocidente crist\u00e3o, o aspecto jur\u00eddico, embora somente nos s\u00e9culo XII e XIII, por influ\u00eancia da filosofia aristot\u00e9lica, esse aspecto se tornasse predominante. Os sacramentos foram definidos como <em>sinais exteriores da santifica\u00e7\u00e3o interior realizada por Cristo<\/em>. A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 correta, mas s\u00f3 revelar\u00e1 o sentido profundo do sacramento quando sinal for entendido como s\u00edmbolo, criador de comunh\u00e3o e for melhor articulada a rela\u00e7\u00e3o entre <em>s\u00edmbolo e sacramento<\/em>, o que s\u00f3 acontecer\u00e1 com o desenvolvimento da filosofia da linguagem e do corpo como lugar das rela\u00e7\u00f5es inter-humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>2 Os sete sacramentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A defini\u00e7\u00e3o dos sete sacramentos teve o m\u00e9rito de destacar, dentre as muitas a\u00e7\u00f5es sacramentais da Igreja, as mais importantes para a vida crist\u00e3 e para a miss\u00e3o da Igreja. Em contrapartida, trouxe o inconveniente de desvalorizar algumas a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas em que se manifesta a a\u00e7\u00e3o de Cristo na vida crist\u00e3. Essas foram denominadas, com um adjetivo substantivado, \u201csacramentais\u201d, em contraposi\u00e7\u00e3o aos \u201csacramentos\u201d. Inconveniente maior foi reduzir a um denominador comum os sete sacramentos, na tentativa de encontrar uma defini\u00e7\u00e3o de sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 na base da apresenta\u00e7\u00e3o conciliar dos sacramentos \u00e9 que a totalidade da a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 compreendida como sacramental (<em>Lumen gentium <\/em>n.1): \u201cA Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00eanero humano\u201d. O Vaticano II afasta-se da apresenta\u00e7\u00e3o preponderantemente jur\u00eddica dos sacramentos ao afastar-se da vis\u00e3o da Igreja como sociedade perfeita, vendo-a preferentemente como <em>myst\u0113rion <\/em>ou sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que significa isso? Significa que a Igreja n\u00e3o oferece ao mundo uma salva\u00e7\u00e3o da qual seria a autora e que poderia reivindicar como pr\u00f3pria, mas que todas as suas palavras, gestos e a\u00e7\u00f5es querem manifestar e tornar presente a a\u00e7\u00e3o de outro: o Cristo, que viveu, morreu e ressuscitou para a salva\u00e7\u00e3o do mundo, ou seja, o mist\u00e9rio pascal. A Igreja realiza a miss\u00e3o de ser o Sacramento do Cristo n\u00e3o apenas com os sete sacramentos, mas com toda a sua vida. Quando isso n\u00e3o acontece, a Igreja trai sua miss\u00e3o. Por isso deve reconhecer-se santa e pecadora, necessitada em cada instante de receber o perd\u00e3o e a santifica\u00e7\u00e3o do Cristo, para ser seu sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, no ocidente, reservou a designa\u00e7\u00e3o de sacramentos \u00e0s a\u00e7\u00f5es sacramentais que s\u00e3o a fonte e manifesta\u00e7\u00e3o privilegiada do agir da Igreja como sacramento de Cristo. Nem tudo \u00e9 liturgia afirmou o Conc\u00edlio. Mas a liturgia mostra que toda a a\u00e7\u00e3o de Igreja nasce da liturgia. O trabalho <em>crist\u00e3o<\/em> pela justi\u00e7a nasce da \u201cvida em Cristo\u201d que nos \u00e9 dada pelo batismo e celebramos na eucaristia. Se a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia n\u00e3o conduz ao viver cotidiano em comunh\u00e3o fraterna deixa de ser a mesa do Senhor, como sugere a censura de Paulo aos Cor\u00edntios pelo modo como se comportavam em algumas das suas celebra\u00e7\u00f5es (Cf. 1 Cor 11, 19 s). Por a\u00ed se v\u00ea a complexidade da compreens\u00e3o dos sacramentos e a impossibilidade de classific\u00e1-los a partir de uma no\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As ambiguidades come\u00e7am ao aplicar-se aos sacramentos, por um lado, as categorias aristot\u00e9licas do hilemorfismo e, por outro, os conceitos de causa eficiente e principal ou instrumental, que dificilmente escapam de representa\u00e7\u00f5es produtivistas e objetivantes. Sob o vi\u00e9s do hilemorfismo, a palavra de Cristo \u00e9 considerada a <em>forma<\/em> do sacramento que unida \u00e0 <em>mat\u00e9ria<\/em> (o elemento vis\u00edvel: \u00e1gua, p\u00e3o etc.) o constitui como sinal da salva\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista da causalidade, Deus \u00e9 afirmado como agente principal do sacramento, sendo o ministro seu instrumento. N\u00e3o que isso seja falso. Mas \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o exterior ao mist\u00e9rio, que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o mist\u00e9rio pascal que se torna presente no memorial que a Igreja faz dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ambiguidades aumentaram ao querer distinguir as a\u00e7\u00f5es sagradas \u201cinstitu\u00eddas\u201d por Cristo (os sete sacramentos) de outras que seriam criadas pela Igreja. Na \u201cinstitui\u00e7\u00e3o por Cristo\u201d, buscavam alguns uma a\u00e7\u00e3o do Jesus hist\u00f3rico, o que levou \u00e0 dissid\u00eancia luterana nesse ponto e a admitir s\u00f3 dois sacramentos: a eucaristia e o batismo \u2013 do qual, no entanto, n\u00e3o se pode afirmar a institui\u00e7\u00e3o por Jesus em sua vida terrena. Em realidade, na teologia dos grandes escol\u00e1sticos, pense-se em Tom\u00e1s de Aquino \u2012 ao dizer que os sacramentos s\u00e3o institu\u00eddos \u2012, afirma-se que Cristo \u00e9 o <em>autor, <\/em>\u201cautor\u201d no sentido de \u201cator\u201d, dos sacramentos, aquele que realiza a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica visibilizada pelo sinal sacramental. A igreja n\u00e3o inventa os sacramentos, como n\u00e3o inventa nenhuma a\u00e7\u00e3o que pretenda tornar presente a a\u00e7\u00e3o salvadora de Cristo: os recebe do Cristo na miss\u00e3o de ser sacramento do mist\u00e9rio pascal do Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativiza-se assim (n\u00e3o se suprime), a distin\u00e7\u00e3o dos sete sacramentos de outras muitas a\u00e7\u00f5es de Cristo pelo car\u00e1ter de institu\u00eddos por Cristo, e tamb\u00e9m a proced\u00eancia da efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es dos sacramentos em rela\u00e7\u00e3o a outras a\u00e7\u00f5es da Igreja que celebram e manifestam na liturgia sua miss\u00e3o de ser sacramento da salva\u00e7\u00e3o. A efic\u00e1cia das primeiras era chamada <em>ex opere<\/em> <em>operato<\/em> e a das \u00faltimas <em>ex opere <\/em><em>operantis Ecclesiae<\/em>, distin\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas no interior do sistema escol\u00e1stico, expostas \u00e0 deturpa\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o se domina a terminologia do sistema. A no\u00e7\u00e3o de <em>ex opere<\/em> <em>operato<\/em> mostra que a efic\u00e1cia do sacramento procede do fato de ser a\u00e7\u00e3o de Cristo. Mal entendida, abriu as portas a <em>sacramentalismo,<\/em> com a concep\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia quase-m\u00e1gica dos sacramentos, esquecendo que tamb\u00e9m os sacramentais recebem sua efic\u00e1cia do fato de serem a\u00e7\u00f5es de Cristo e que, tanto uns como os outros, s\u00e3o sinais do agir do Cristo e exigem a viv\u00eancia da f\u00e9 no seio da Igreja. Exigem sempre dois atores: Deus agindo por seu filho Jesus Cristo e a Igreja movida pela f\u00e9, dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fragilidade das sutis distin\u00e7\u00f5es da escol\u00e1stica torna-se evidente quando a teologia, ajudada pela hermen\u00eautica b\u00edblica, compreende n\u00e3o ser poss\u00edvel distinguir os sacramentos de outras a\u00e7\u00f5es de Cristo a partir de um ato instituinte de Jesus, no tempo da sua vida mortal, e que a efic\u00e1cia <em>ex opere operato<\/em> \u00e9 propriedade da gra\u00e7a divina e consequentemente de toda a\u00e7\u00e3o de Cristo mediante a sua Igreja. Mais ainda, \u00e9 propriedade de toda a\u00e7\u00e3o divina para salva\u00e7\u00e3o da humanidade presente no mundo desde a sua origem, dentro ou fora da Igreja. E todas elas postulam do homem a livre acolhida do dom divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas distin\u00e7\u00f5es surgiram ao tentar explicar os sacramentos com ajuda da causalidade eficiente (principal ou instrumental), deixando na sombra que os sacramentos, os <em>myst\u0113ria<\/em> da terminologia grega, mais enraizada na linguagem b\u00edblica, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es sagradas simb\u00f3licas, que agem mediante o mesmo ato de simbolizar. Em outras palavras: s\u00e3o sacramento e memorial do mist\u00e9rio do Cristo, \u201co segredo (<em>myst\u0113rion<\/em>) escondido por s\u00e9culos e gera\u00e7\u00f5es, e agora revelado aos seus santos (\u2026) que \u00e9 Cristo para v\u00f3s, esperan\u00e7a da gl\u00f3ria\u201d (Cl 1, 26s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 A eucaristia, memorial da P\u00e1scoa do Senhor, sacramento dos sacramentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> situa-se nessa perspectiva: a liturgia \u00e9 presen\u00e7a e revela\u00e7\u00e3o do <em>Myst\u0113rion<\/em> que \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo. Ao tratar dos sacramentos, a <em>SC<\/em> come\u00e7a pela eucaristia e s\u00f3 depois fala dos outros sacramentos, principiando pelo batismo que, com o santo Crisma, inicia a vida crist\u00e3 introduzindo o catec\u00fameno na assembleia lit\u00fargica, mediante a participa\u00e7\u00e3o progressiva na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica (a liturgia da palavra \u00e9 parte constitutiva desta), at\u00e9 a plena participa\u00e7\u00e3o \u201cpela comunh\u00e3o do corpo e sangue do Senhor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A eucaristia, conforme a vis\u00e3o dos primeiros s\u00e9culos, que permanece at\u00e9 hoje viva na Igreja \u2012 embora de maneira mais acentuada talvez na Igreja oriental \u2012, n\u00e3o \u00e9 um <em>myst\u0113rion<\/em> na Igreja (um dos sete sacramentos), mas o <em>myst\u0113rion<\/em> ou sacramento da mesma Igreja. \u00c9 o <em>myst\u0113rion<\/em> dos <em>myst\u0113ria<\/em>, o sacramento dos sacramentos. Isso significa que todos os outros sacramentos est\u00e3o ordenados \u00e0 eucaristia e encontram nela sua plenitude. Em consequ\u00eancia, todo sacramento \u00e9 sempre um evento da Igreja, na Igreja e para a Igreja, aspectos ocultados tanto pela pr\u00e1tica sacramental da igreja latina, quanto pela teologia dos sacramentos anteriores ao Conc\u00edlio, que a reforma lit\u00fargica tenta reestabelecer, embora ainda reste um longo e \u00e1rduo caminho a percorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9rito da reforma conciliar foi p\u00f4r em evid\u00eancia essa conex\u00e3o \u00edntima de todos os sacramentos com a eucaristia. Os novos rituais recomendam, por exemplo, a celebra\u00e7\u00e3o do batismo na assembleia eucar\u00edstica e preveem tamb\u00e9m uma forma de celebra\u00e7\u00e3o da un\u00e7\u00e3o dos enfermos dentro da missa. As ordena\u00e7\u00f5es, a confirma\u00e7\u00e3o e, com frequ\u00eancia, o matrim\u00f4nio j\u00e1 vinham celebrando-se tradicionalmente dessa forma. A penit\u00eancia \u00e9 o \u00fanico sacramento cuja celebra\u00e7\u00e3o dentro da eucaristia, estranhamente, n\u00e3o \u00e9 prevista pelos novos rituais. Na antiguidade, a penit\u00eancia realizava-se como longo processo de convers\u00e3o que come\u00e7ava pela exclus\u00e3o da <em>comunh\u00e3o<\/em> (eclesial e eucar\u00edstica) e terminava pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do bispo. Desde o s\u00e9culo IV esta <em>reconciliatio altaris <\/em>tinha lugar no contexto da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica da quinta-feira santa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que o sacramento \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que age significando, implica afirmar que a Palavra b\u00edblica proclamada na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos tem car\u00e1ter sacramental, faz parte constitutiva do sacramento e que sua acolhida na f\u00e9 (s\u00f3 poss\u00edvel como dom do Esp\u00edrito) \u00e9 um dos meios pelo qual Deus age mediante o sacramento. Claro que isso implica estender o car\u00e1ter de sacramento ao conjunto dos ritos que formam sua celebra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o reduzi-lo \u00e0s palavras que a teologia cl\u00e1ssica considerava como a \u201cmat\u00e9ria e forma\u201d do sacramento, exigidos pelo direito para a validez. Esta forma de conceber os sacramentos deve ser superada e a melhor maneira de compreender a raz\u00e3o disso \u00e9 pensar o sacramento como <em>myst\u0113rion<\/em>: memorial sacramental do mist\u00e9rio de Cristo para a salva\u00e7\u00e3o do mundo confiado \u00e0 Igreja. Os escritos dos Pais da Igreja sobre os sacramentos testemunham essa concep\u00e7\u00e3o ampla e o cuidado que se tinha para que todo o ritual fosse revelador do mist\u00e9rio celebrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreende-se facilmente agora o que significa afirmar que os sacramentos s\u00e3o institu\u00eddos por Cristo, embora n\u00e3o seja poss\u00edvel encontrar atos instituintes de Jesus na sua vida terrena determinando-lhes o ritual. Na atual hermen\u00eautica da Escritura, nem o batismo pode ser reconduzido a uma institui\u00e7\u00e3o verbal do Cristo e na g\u00eanese da eucaristia p\u00f3s-pascal n\u00e3o deve ser procurada apenas a \u00faltima ceia. A Ceia n\u00e3o \u00e9 a primeira de uma s\u00e9rie de eucaristias, mas o fundamento de sua institui\u00e7\u00e3o, junto com: 1) a experi\u00eancia das frequentes refei\u00e7\u00f5es de Jesus com os disc\u00edpulos, abertas aos pecadores e publicanos, como sinal da abertura da mesa messi\u00e2nica a todos e, sobretudo, 2) a experi\u00eancia p\u00f3s-pascal da presen\u00e7a do Ressuscitado na assembleia dos disc\u00edpulos reunidos em seu nome, em virtude da promessa da ceia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos v\u00e3o nascendo da obedi\u00eancia da Igreja p\u00f3s-pascal ao testamento do Cristo na Ceia. Num gesto simb\u00f3lico, enraizado na celebra\u00e7\u00e3o da p\u00e1scoa judaica e levando-a \u00e0 plenitude, Jesus, obediente \u00e0 vontade do Pai, entrega aos disc\u00edpulos a sua morte, acolhida livremente como gesto derradeiro do seu amor. Com o gesto da ceia, Jesus d\u00e1 sentido \u00e0 morte violenta, absurda e sem-sentido, que lhe \u00e9 injustamente imposta, e pede aos disc\u00edpulos que fa\u00e7am, em sua mem\u00f3ria, o que ele fez: viver para os demais at\u00e9 a entrega da pr\u00f3pria vida se for preciso. O mandato dado na Ceia \u00e9 mais que repetir um ritual. \u00c9 imitar a entrega do Senhor na cruz em favor da humanidade. Da obedi\u00eancia criativa, inspirada pelo esp\u00edrito dos disc\u00edpulos de Jesus, ir\u00e3o surgindo na Igreja os sacramentos como celebra\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria do mist\u00e9rio pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos pelo sacramento dos sacramentos. <em>A Igreja faz a eucaristia<\/em> por mandato do Senhor. N\u00e3o a inventa. Celebra a eucaristia por fidelidade ao testamento de Jesus na \u00faltima ceia: amar como o seu Senhor, at\u00e9 a entrega da vida se for preciso. O desenvolvimento progressivo e diferenciado do ritual \u00e9 gerado pelo cuidado de reencontrar, em cada celebra\u00e7\u00e3o, o significado que Jesus deu ao gesto do p\u00e3o e do vinho: como sacramentos da sua entrega na cruz. O ritual expressar\u00e1 que comunh\u00e3o no sacramento da entrega do Cristo na cruz faz da Igreja o corpo de Cristo pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. E o suplicar\u00e1, de diversas formas nas ora\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzir ou mesmo apenas focar o sacramento da eucaristia na transforma\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho no corpo e sangue sacramentais de Cristo deturpa o gesto de Jesus na Ceia. Oculta a miss\u00e3o da Igreja de ser, com toda sua vida, sacramento do Cristo para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade. Isto foi, sem d\u00favida, em maior ou menor grau, uma das consequ\u00eancias da teologia dos sacramentos que n\u00e3o se deixou guiar totalmente pela pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas lit\u00fargicas na sua rica variedade eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se compreende a a\u00e7\u00e3o sacramental da eucaristia a partir da sua celebra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mediante teologias e pr\u00e1ticas lit\u00fargicas redutoras, ao querer determinar o m\u00ednimo essencial para a validade do sacramento, as palavras precisas que realizam o sacramento e o momento exato em que isso acontece, superam-se muitas dificuldades e controv\u00e9rsias entre oriente e ocidente. Pense-se na dilatada controv\u00e9rsia entre as igrejas do oriente e ocidente, de saber se s\u00e3o as palavras da institui\u00e7\u00e3o ou a epiclese as que consagram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica lit\u00fargica mostra que o sacramento da eucaristia \u00e9 constitu\u00eddo pela a\u00e7\u00e3o do Cristo, presente como anfitri\u00e3o da Ceia desde o come\u00e7o e ao longo de toda a celebra\u00e7\u00e3o, em di\u00e1logo com a assembleia, convidando-a a acolher o dom se sua vida \u201cpor n\u00f3s e para nossa salva\u00e7\u00e3o\u201d, que culminou na Cruz, e a deixar-se transformar pela comunh\u00e3o do sacramento do seu corpo e do seu sangue entregues na cruz por amor de todos. Eternizado na ressurrei\u00e7\u00e3o, o gesto de Cristo na ceia, consumado na cruz, se torna presente em cada assembleia lit\u00fargica, para fazer da Igreja o seu corpo, pelo Esp\u00edrito que jorra da Cruz. A ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as mediante o memorial da a\u00e7\u00e3o redentora de Cristo, acolhido na f\u00e9. Uma f\u00e9 que deve ir crescendo no desenrolar da vida pela a\u00e7\u00e3o do sacramento e, por isso, a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra divina, \u201ca mem\u00f3ria dos atos e palavras de Jesus (Justino), e a escuta amorosa dessa Palavra foram, desde as origens, momentos constitutivos do sacramento da eucaristia, e n\u00e3o apenas pre\u00e2mbulos, cf. IGMR n.8. N\u00e3o se pode negar o car\u00e1ter sacramental a toda a celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso vale analogicamente para o batismo e para os outros sacramentos. Todos s\u00e3o sacramentos do mist\u00e9rio pascal nas diversas circunst\u00e2ncias, minist\u00e9rios e miss\u00f5es da Igreja. S\u00edmbolos da miss\u00e3o a ela confiada pelo Senhor, de ser seu sacramento em todas as conjunturas da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pelo batismo e a un\u00e7\u00e3o com o santo crisma <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A partir desse princ\u00edpio \u00e9 f\u00e1cil compreender o batismo, na diversidade de suas configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. O batismo na \u00e1gua desde as origens \u00e9 acompanhado da un\u00e7\u00e3o com o santo Crisma, e ordenado \u00e0 eucaristia, configurando-se assim como sacramento da inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na comunidade crist\u00e3. No catecumenato antigo, que inspirou o rito atual do batismo de adultos, era celebrado em etapas sucessivas ap\u00f3s a liturgia da Palavra da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Essa forma tradicional da celebra\u00e7\u00e3o mostra claramente que a eucaristia \u00e9 o sacramento dos sacramentos. Ela n\u00e3o pode ser simplesmente catalogada como um a mais entre os sete sacramentos, nem sequer como um entre os sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os atores que configuram e constituem a \u201ca\u00e7\u00e3o sacramental\u201d do batismo \u2012 como acontece em todos os sacramentos \u2012 s\u00e3o sempre o Cristo e a Igreja, presencializada pela assembleia lit\u00fargica, mesmo quando o sacramento visa a conferir um dom, uma miss\u00e3o, um servi\u00e7o a um ou v\u00e1rios membros da assembleia. A celebra\u00e7\u00e3o do batismo na missa da comunidade paroquial torna transparente o sentido do batismo de uma crian\u00e7a nascida no seio de uma fam\u00edlia crist\u00e3. Cristo a acolhe enquanto crian\u00e7a, no mesmo ato da comunidade que a acolhe e compromete-se em inici\u00e1-la progressivamente \u00e0 pr\u00f3pria vida de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A un\u00e7\u00e3o com o santo crisma manifesta e confere o dom do Esp\u00edrito, que mediante a catequese, iniciada na fam\u00edlia e continuada na comunidade, ir\u00e1 configurando, progressivamente, o pensar e o agir da crian\u00e7a \u00e0 vida da Igreja enquanto corpo de Cristo. Para isso a catequese, desde seus come\u00e7os, configurou-se como <em>hist\u00f3ria<\/em> de Jesus, como mostram os quatro evangelhos. Com que argumentos se negaria o car\u00e1ter e a efic\u00e1cia sacramentais a essa un\u00e7\u00e3o que segue o batismo, acompanhada das palavras do ritual que explicitam seu sentido e seu alcance? \u201cPelo batismo, Deus Pai te libertou do pecado e te fez renascer pela \u00e1gua e pelo Esp\u00edrito Santo. Fazes agora parte do povo de Deus. Que ele te consagre com o \u00f3leo santo, para que, como membro do Cristo sacerdote, profeta e rei, continues no seu povo at\u00e9 a vida eterna\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a pr\u00e1tica atual do rito latino, na adolesc\u00eancia ou na idade adulta, celebra-se o sacramento da confirma\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o esvazia de maneira alguma, antes confirma, a <em>validade<\/em> da un\u00e7\u00e3o recebida na inf\u00e2ncia e seu car\u00e1ter de sacramento. Ao confirmar o crist\u00e3o, ao chegar \u00e0 idade adulta, a f\u00e9 recebida na inf\u00e2ncia, Deus confirma o dom, agora melhor compreendido. Aparece, assim, a relativa liberdade da Igreja na configura\u00e7\u00e3o dos sacramentos a partir da obedi\u00eancia ao mandato de configurar sua vida pelo mist\u00e9rio pascal. Abre-se, ao mesmo tempo, um caminho para o di\u00e1logo ecum\u00eanico entre as Igrejas e suas diferentes pr\u00e1tica sacramentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o na mesa eucar\u00edstica pela comunh\u00e3o do corpo e sangue do Senhor deveria acontecer logo que a crian\u00e7a for capaz de distinguir o p\u00e3o eucar\u00edstico do p\u00e3o comum \u2012 permito-me emprestar uma express\u00e3o de Pio X \u2012, sem esperar \u00e0 conclus\u00e3o de uma determinada etapa da catequese. Comungando ela ira aprendendo com Jesus, que entregou sua vida por n\u00f3s, a sair do ego\u00edsmo e viver para os demais. Isso deveria ser \u00f3bvio para todo disc\u00edpulo daquele que corrigiu severamente os disc\u00edpulos que queriam impedir que as crian\u00e7as chegassem perto dele. Uma assembleia que p\u00f5e barreiras \u00e0s crian\u00e7as em suas celebra\u00e7\u00f5es n\u00e3o se configura como Igreja de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica diversa da Igreja oriental de dar a comunh\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as mostra, de outra forma, a efic\u00e1cia do sacramento por ser a\u00e7\u00e3o de Cristo em di\u00e1logo com a f\u00e9 da comunidade que acolhe no colo as crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>5 Os outros sacramentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Os outros sacramentos que completam o n\u00famero de sete, segundo a defini\u00e7\u00e3o de Trento, s\u00e3o: a ordena\u00e7\u00e3o, o matrim\u00f4nio, a penit\u00eancia e a un\u00e7\u00e3o dos enfermos<strong>. <\/strong>Quando a Igreja, em Trento, os define como as sete a\u00e7\u00f5es sacramentais baseia-se, em primeiro lugar, na pr\u00e1tica eclesial recebida da tradi\u00e7\u00e3o. As raz\u00f5es que na \u00e9poca se davam para a defini\u00e7\u00e3o dos sete sacramentos podem ser questionadas. A teologia atual mostra a import\u00e2ncia desses sacramentos pelo fato deles manifestarem a sacramentalidade da Igreja como sacramento de Cristo, por sua import\u00e2ncia para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e para a viv\u00eancia do ser crist\u00e3o em momentos essenciais da vida. N\u00e3o podem ser compreendidos a partir de um conceito un\u00edvoco de sacramento. Aqui apresentaremos brevissimamente sua rela\u00e7\u00e3o com a sacramentalidade da Igreja manifestada plenamente na eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cordena\u00e7\u00e3o\u201d relaciona-se imediatamente com a eucaristia e se ordena a ela. A eucaristia \u00e9 celebrada por toda a assembleia lit\u00fargica, mas nem ela, nem qualquer um dos seus membros, a poderia celebrar sem a presid\u00eancia do Cristo. O minist\u00e9rio ordenado manifesta que todo o poder de celebrar a ceia do Senhor procede do Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacramento do \u201cmatrim\u00f4nio\u201d faz que a uni\u00e3o conjugal do homem e da mulher, renascidos no batismo para a nova vida do Ressuscitado, seja imagem da uni\u00e3o do Cristo e da Igreja. Ao mesmo tempo manifesta na menor comunidade dos disc\u00edpulos, a fam\u00edlia crist\u00e3, que Cristo \u00e9 a rocha sobre a qual se edifica a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A un\u00e7\u00e3o dos enfermos mostra a presen\u00e7a especial de Jesus na situa\u00e7\u00e3o crucial da doen\u00e7a, que mesmo n\u00e3o sendo muito grave, coloca o ser humano diante da sua condi\u00e7\u00e3o mortal. Como n\u00e3o sentir, nesse momento, a necessidade da presen\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o da Igreja e do apoio acolhedor de seus bra\u00e7os, sacramento dos bra\u00e7os abertos na cruz do pr\u00f3prio Cristo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de um sacramento para a reconcilia\u00e7\u00e3o foi inspirada pelo Esp\u00edrito \u00e0 Igreja, perante a situa\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os que tendo recebido no batismo o dom inestim\u00e1vel do perd\u00e3o divino e a vida nova em Cristo o rejeitaram pelo pecado, \u00e0s vezes at\u00e9 nega\u00e7\u00e3o da f\u00e9, e sentiram-se na imin\u00eancia de cair no desespero, rejeitados por Deus e pela Igreja de Cristo. Por isso, o sacramento nasce como reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, que passa pela reconcilia\u00e7\u00e3o com a Igreja. Mais tarde, o sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o foi configurando-se de formas muito diversas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sacramentalidade de alguns dos ritos sacramentais, que passaram na Igreja por configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, s\u00f3 pode ser compreendida no estudo hist\u00f3rico e teol\u00f3gico de cada um deles. A sua celebra\u00e7\u00e3o apresenta problemas especiais para que, como postula a <em>SC<\/em> (n.34), \u201cos ritos resplande\u00e7am de nobre simplicidade, sejam transparentes por sua brevidade e evitem as repeti\u00e7\u00f5es in\u00fateis, sejam acomodados \u00e0 compreens\u00e3o dos fi\u00e9is e, em geral, n\u00e3o care\u00e7am de muitas explica\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos os sacramentos deveria ser transparente que se celebra o mist\u00e9rio pascal, que os atores s\u00e3o sempre Cristo e a Igreja e que se ordenam \u00e0 eucaristia. Na implementa\u00e7\u00e3o da reforma lit\u00fargica, que desde os seus come\u00e7os se apresentou conflitiva ap\u00f3s s\u00e9culos de rigidez ritual, a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> afirma <em>prudentemente<\/em>, para n\u00e3o dizer <em>condescendentemente<\/em>, que na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos <em>se prefira<\/em> a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Nesse mesmo esp\u00edrito, os rituais <em>recomendam<\/em> a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos na eucaristia dominical da comunidade. Se a pr\u00e1tica se tornar comum, ir-se-\u00e3o abrindo caminhos surpreendentes para sua compreens\u00e3o. Claro que isto exigir\u00e1 uma renova\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios para que toda comunidade possa celebrar facilmente a eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>6 Resumindo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se quer-se recuperar a riqueza da teologia contida na pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica das a\u00e7\u00f5es sacramentais que concretizam a a\u00e7\u00e3o da Igreja enquanto sacramento do Cristo, deve-se obedecer aos seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Toda a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 de alguma forma a\u00e7\u00e3o sacramental enquanto a\u00e7\u00e3o de Cristo realizada mediante a sua Igreja para a edifica\u00e7\u00e3o do seu corpo, para anunciar e tornar presente a salva\u00e7\u00e3o em todas as realidades da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) A teologia deve abandonar definitivamente a explica\u00e7\u00e3o os sacramentos a partir de uma previa no\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica do sacramento aplicada a cada um deles, mesmo com a ressalva de ser aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Para melhor compreens\u00e3o dos sacramentos, \u00e9 conveniente come\u00e7ar, como faz a <em>SC<\/em>, pela eucaristia, memorial do mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, o mist\u00e9rio dos mist\u00e9rios ou o sacramento dos sacramentos, por ser o sacramento da pr\u00f3pria Igreja e conter, como dizia Tom\u00e1s de Aquino, <em>totum mysterium nostrae salutis<\/em>, \u201ca totalidade do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o\u201d ou, como afirmavam os Pais, porque a eucaristia faz a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Juan Ruiz de Gopegui, SJ. <\/em>FAJE. Texto original portugu\u00eas.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>CHAUVET, Louis-Marie. <em>Symbole et sacrement. <\/em>Une relecture sacramentelle de l&#8217;existence chr\u00e9tienne. Paris:\u00a0Cerf, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOTZ, Robert.<em> Los sacramentos en nuevas perspectivas<\/em>. La riqueza sacramental de Oriente e Occidente. Salamanca: S\u00edgueme, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BIRMELL\u00c9, Andr\u00e9. La articulation entre \u00c9criture et sacraments dans la lturgie lutherienne. In: BORDEYNE, Philippe; MORRILL, Bruce T. <em>Les Sacrements, r\u00e9v\u00e9lation de l&#8217;humanit\u00e9 de Dieu<\/em><strong>, <\/strong>volume offert \u00e0 Louis-Marie Chauvet. Paris: Cerf, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, Karl. <em>Curso fundamental da f\u00e9<\/em>. Introdu\u00e7\u00e3o ao conceito de cristianismo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1989. p.476-97. A vida sacramental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SEGUNDO, Juan Luis. <em>Teolog\u00eda abierta para el laico adulto<\/em>, IV. Los Sacramentos hoy. Buenos Aires: Carlos Lohl\u00e9, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUIZ DE COPEGUI, Juan A. <em>Eukharistia<\/em>, Verdade e caminho da Igreja. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TABORDA, Francisco. <em>O memorial da P\u00e1scoa do Senhor<\/em>. Ensaios lit\u00fargico-teol\u00f3gicos sobre a eucaristia. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio \u00a01 A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia 2 Os sete sacramentos 3 A eucaristia, memorial da P\u00e1scoa do Senhor, sacramento dos sacramentos 4 Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pelo batismo e a un\u00e7\u00e3o com o santo crisma 5 Os outros sacramentos 6 Resumindo 7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas \u00a01 A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia \u00a0O que \u00e9 a liturgia? 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