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{"id":1205,"date":"2016-04-10T10:05:16","date_gmt":"2016-04-10T13:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1205"},"modified":"2016-04-10T10:05:16","modified_gmt":"2016-04-10T13:05:16","slug":"a-biblia-na-america-latina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1205","title":{"rendered":"A B\u00edblia na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 Mem\u00f3rias da caminhada<\/p>\n<p>1.1 Tradi\u00e7\u00f5es resgatadas: ind\u00edgenas e africanas<\/p>\n<p>1.2 Heran\u00e7as estrangeiras: catolicismos e protestantismos<\/p>\n<p>1.3 Afirma\u00e7\u00e3o continental: legado estrangeiro e movimento latino-americano<\/p>\n<p>2 Leituras evang\u00e9licas e leituras cat\u00f3licas<\/p>\n<p>2.1 A B\u00edblia e as igrejas evang\u00e9licas pentecostais na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>2.2 A descoberta da B\u00edblia pela Igreja Cat\u00f3lica depois do Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p>3 Leituras populares e leituras eruditas<\/p>\n<p>3.1 As duas realidades: livro m\u00e1gico e livro libertador<\/p>\n<p>3.2 As duas sabedorias: express\u00f5es populares e pesquisas universit\u00e1rias<\/p>\n<p>4 A leitura da B\u00edblia nas comunidades<\/p>\n<p>4.1 Realidade, comunidade e B\u00edblia<\/p>\n<p>4.2 M\u00e9todo s\u00f3cio-hist\u00f3rico<\/p>\n<p>4.3 Leitura a partir de novos sujeitos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Mem\u00f3rias da caminhada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.1 Tradi\u00e7\u00f5es resgatadas: ind\u00edgenas e africanas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os habitantes originais destas terras e as popula\u00e7\u00f5es africanas escravizadas tiveram suas tradi\u00e7\u00f5es suplantadas, com rela\u00e7\u00e3o a seus mitos, ritos, cantos, contos, dan\u00e7as, \u00e9tica e divindades. Nisso se incluem as palavras sagradas, que fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o de tantos povos que constru\u00edram a grande p\u00e1tria latino-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contato com a B\u00edblia crist\u00e3, n\u00e3o raro as experi\u00eancias foram traum\u00e1ticas. Alguns textos b\u00edblicos serviram para libert\u00e1-los, a maioria, por\u00e9m, foi utilizada para justificar a pacifica\u00e7\u00e3o e a escravid\u00e3o (SILVA, 1994, p.26-59).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos mais recentes, h\u00e1 renovado interesse tanto pelas tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas quanto pelas afrodescendentes. Merecem destaque os di\u00e1logos entre suas falas sagradas e a B\u00edblia crist\u00e3. \u201cA palavra se fez \u00edndia\u201d, estabelece o di\u00e1logo entre a B\u00edblia e as tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina (JIM\u00c9NEZ, 1997). \u201cRa\u00edzes afro-asi\u00e1ticas no mundo b\u00edblico\u201d destaca a presen\u00e7a de povos afro-asi\u00e1ticos na pr\u00f3pria B\u00edblia (MENA L\u00d3PEZ, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.2 Heran\u00e7as estrangeiras: catolicismos e protestantismos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia Sagrada chegou \u00e0 Am\u00e9rica Latina com as caravelas dos primeiros colonizadores, e seguiu, principalmente, em m\u00e3os de mission\u00e1rios franciscanos, jesu\u00edtas e de outras congrega\u00e7\u00f5es religiosas. O catolicismo romano que se implantou hegemonicamente nas col\u00f4nias trouxe as marcas das na\u00e7\u00f5es de origem, quer espanhola, quer portuguesa, com suas caracter\u00edsticas espec\u00edficas. De modo geral, valorizava-se mais a prega\u00e7\u00e3o em torno \u00e0 B\u00edblia do que propriamente a leitura do texto b\u00edblico. O princ\u00edpio hermen\u00eautico cat\u00f3lico buscou manter o equil\u00edbrio entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio, posteriormente explicitado no documento <em>Dei Verbum<\/em>, do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O protestantismo teve diversas entradas na Am\u00e9rica Latina, priorizando a divulga\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, com o princ\u00edpio da livre interpreta\u00e7\u00e3o e da cr\u00edtica exeg\u00e9tica. Inicialmente, o protestantismo de imigra\u00e7\u00e3o trouxe a B\u00edblia junto com a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica reformada. Em seguida, o protestantismo de miss\u00e3o empenhou-se em divulgar o livro b\u00edblico junto aos habitantes do novo Continente. A partir de cada movimento mission\u00e1rio, as igrejas adquiriram formas latino-americanas, manifestadas recentemente nas diversas igrejas e movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento de expans\u00e3o mission\u00e1ria, teve grande influ\u00eancia o protestantismo norte-americano sobre o sul do Continente. Motivados pela ideia da Am\u00e9rica Latina como terra de miss\u00e3o, sociedades mission\u00e1rias protestantes envidaram esfor\u00e7os no sentido de evangelizar essas na\u00e7\u00f5es nos s\u00e9culos XIX e XX. A presen\u00e7a da B\u00edblia, naturalmente, foi substancial nesse movimento, com tend\u00eancia geralmente pentecostal (PIEDRA, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.3 Afirma\u00e7\u00e3o continental: legado estrangeiro e movimento latino-americano<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente, a Am\u00e9rica Latina deu largos passos em vista de uma hermen\u00eautica pr\u00f3pria da B\u00edblia, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es das igrejas. No universo cat\u00f3lico, isso se notabilizou nos documentos de Medell\u00edn, Puebla, Santo Domingo e Aparecida, com a emblem\u00e1tica \u201cevang\u00e9lica op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\u201d. Tamb\u00e9m se caracteriza pelo m\u00e9todo ver, julgar e agir e pelo espa\u00e7o criado pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), mas, sobretudo, pelo protagonismo de novos sujeitos da leitura, a partir das diversas realidades do povo pobre (RICHARD, 2005, p.11-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo evang\u00e9lico, a centralidade da B\u00edblia se destaca em igrejas, movimentos e interven\u00e7\u00f5es sociais. Fi\u00e9is a esse princ\u00edpio da Reforma, as igrejas evang\u00e9licas convivem, de maneira multiforme, com diversas linhas teol\u00f3gicas interpretativas. O liberalismo mant\u00e9m a leitura cr\u00edtica da B\u00edblia; o fundamentalismo identifica a palavra da B\u00edblia com a Palavra de Deus; a neo-ortodoxia ou teologia dial\u00e9tica afirma a comunica\u00e7\u00e3o de Deus pela B\u00edblia, apesar das falhas que essa pode conter; o evangelismo, com o m\u00e9todo hist\u00f3rico-gramatical, afirma a inspira\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito Santo, no que diz respeito \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o prioriza os aspectos sociopol\u00edticos e econ\u00f4micos a partir da realidade do povo (BAIL\u00c3O, 2013, p.246-56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recente movimento b\u00edblico latino-americano, em seu conjunto, se caracteriza pela proposta de leitura ecum\u00eanica da B\u00edblia, numa tentativa de reunir for\u00e7as em vista de uma nova hermen\u00eautica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Leituras evang\u00e9licas e leituras cat\u00f3licas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>2.1 A B\u00edblia e as igrejas evang\u00e9licas pentecostais na Am\u00e9rica Latina<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As igrejas evang\u00e9licas pentecostais, de maneira geral, se firmaram, na Am\u00e9rica Latina, sobre a centralidade da B\u00edblia. \u201cOs pentecostais constituem comunidades biblioc\u00eantricas e bibliocr\u00e1ticas em que o Livro sagrado \u00e9 regra de f\u00e9 e conduta e fonte \u00faltima de autoridade e legitima\u00e7\u00e3o\u201d (BENATTE, 2012, p.26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 Popularizou-se, no \u00faltimo s\u00e9culo, o estere\u00f3tipo do crente que carrega a B\u00edblia debaixo do bra\u00e7o e argumenta com cadeia de vers\u00edculos citados de cor. Essas pessoas, denominadas crentes, s\u00e3o, em sua origem, protestantes populares, tamb\u00e9m denominados evang\u00e9licos, ou ainda carism\u00e1ticos, em geral reconhecidos como pentecostais e, mais recentemente, como neopentecostais. A leitura que fazem da B\u00edblia, por\u00e9m, vai muito al\u00e9m do estere\u00f3tipo popularizado. Essa leitura da B\u00edblia \u00e9 feita a partir dos problemas concretos da vida, em especial no combate aos v\u00edcios, como \u00e1lcool, fumo, jogatina e drogas. Indiv\u00edduos, fam\u00edlias e comunidades s\u00e3o recuperados de depend\u00eancias diversas, gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a da palavra que liberta dos v\u00edcios (PIXLEY, 1991, p.90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 O dom das l\u00ednguas, conhecido como glossolalia e o batismo no Esp\u00edrito provocam a transforma\u00e7\u00e3o da pessoa, pela busca da vontade de Deus atrav\u00e9s dos textos das Escrituras Sagradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela leitura da B\u00edblia, numerosa popula\u00e7\u00e3o iletrada se apossa da palavra, que lhe permite expressar a sua voz e afirmar os seus direitos. Popula\u00e7\u00e3o pobre e marginalizada, por sua vez, \u00e9 inclu\u00edda na sociedade, passando gradativamente por transforma\u00e7\u00f5es sociais e culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia d\u00e1 acesso \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos minist\u00e9rios, mesmo de pessoas leigas e analfabetas. Nessa quebra do clericalismo e do monop\u00f3lio da palavra, pessoas comuns, em sua simplicidade, exercem minist\u00e9rios diversos a servi\u00e7o da igreja e da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O respeito \u00e0 B\u00edblia leva \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o literal, frequentemente taxada de fundamentalismo. Mas, se por um lado h\u00e1 um apego \u00e0 palavra tal qual foi escrita, h\u00e1, por outro lado, a abertura para novas interpreta\u00e7\u00f5es, com as reinterpreta\u00e7\u00f5es da B\u00edblia para as novas situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>2.2 A descoberta da B\u00edblia pela Igreja Cat\u00f3lica depois do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8220;Nos documentos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a leitura da B\u00edblia percebe-se uma evolu\u00e7\u00e3o. Do temor diante dos m\u00e9todos hist\u00f3rico-cr\u00edticos, pelo perigo que poderiam representar \u00e0 f\u00e9, passa-se a reconhecer a sua import\u00e2ncia para a correta interpreta\u00e7\u00e3o e o an\u00fancio da f\u00e9\u201d (GARMUS, 2013, p.244).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 compreens\u00e3o da B\u00edblia pela Igreja Cat\u00f3lica, expressa nos documentos universais, come\u00e7a pela Enc\u00edclica <em>Providentissimus Deus<\/em> (1893) e ganha destaque na <em>Divino Afflante Spiritu<\/em> (1943). Mas o auge dessa mudan\u00e7a acontece no Conc\u00edlio Vaticano II, com a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Dei Verbum<\/em> (1965). Seguiram-se importantes documentos como <em>A interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Igreja<\/em> (1993) da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica, e a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Verbum Domini<\/em> (2008). Hoje, reconhecidamente, a B\u00edblia fundamenta toda a a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja, como afirma a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, do Papa Francisco (2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os documentos mais recentes s\u00e3o divulgados nos diversos pa\u00edses do continente latino-americano, com tradu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es populares. Esse reconhecimento da centralidade da Palavra de Deus na vida e miss\u00e3o da Igreja se faz sentir nas confer\u00eancias do Episcopado Latino Americano. E se alastra pelas dioceses, par\u00f3quias e comunidades, com publica\u00e7\u00f5es, congressos, comiss\u00f5es, campanhas, escolas, grupos de reflex\u00e3o, c\u00edrculos b\u00edblicos e tantas outras iniciativas. Particular destaque merece a divulga\u00e7\u00e3o do texto b\u00edblico, com novas edi\u00e7\u00f5es, tradu\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caracteriza a leitura cat\u00f3lica da B\u00edblia a compreens\u00e3o segundo a qual a palavra de Deus \u00e9 mais ampla do que a B\u00edblia. \u201cA B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica \u00e0 palavra de Deus; a palavra de Deus abrange mais do que a B\u00edblia, \u00e9 anal\u00f3gica\u201d (KONINGS, 2012, p.240). Isso leva \u00e0 compreens\u00e3o de que Deus pode se revelar de outros modos, para al\u00e9m da sua palavra escrita. Essa manifesta\u00e7\u00e3o divina pode acontecer de maneira natural, na cria\u00e7\u00e3o, de maneira prof\u00e9tica, na hist\u00f3ria, e de maneira definitiva, na pessoa de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra convic\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio. Tradi\u00e7\u00e3o oral e Palavra escrita prov\u00eam da mesma fonte e confluem para o mesmo fim, enquanto o Magist\u00e9rio vivo da Igreja, a servi\u00e7o da Palavra, deve auscultar, guardar e expor essa mesma Palavra (<em>Dei Verbum<\/em>, n.9 e 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Leituras populares e leituras eruditas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 As duas realidades: livro m\u00e1gico e livro libertador<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia \u00e9 vista, popularmente, como um livro que possui for\u00e7a e poder em si mesmo, independente de sua leitura ou interpreta\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma esp\u00e9cie de objeto m\u00e1gico, numa vis\u00e3o de tend\u00eancia fundamentalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia tem poder em si mesma, pois alivia ang\u00fastias, cura doen\u00e7as, opera milagres. Ela funciona como talism\u00e3 ou como calmante, por sua for\u00e7a m\u00e1gica. Serve para aben\u00e7oar, como para amaldi\u00e7oar e para jurar, com as m\u00e3os sobre ela, embora ela mesma pro\u00edba o juramento (Mt 5,34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa vis\u00e3o, a B\u00edblia \u00e9 usada como hor\u00f3scopo, como anest\u00e9sico, ou como enfeite de estante, e at\u00e9 mesmo como receita para emagrecer. Permite o repouso que relaxa e restaura as for\u00e7as. Trata-se da interpreta\u00e7\u00e3o com tend\u00eancia mais carism\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na outra m\u00e3o, a B\u00edblia \u00e9 utilizada como livro libertador. Esse \u00e2ngulo de an\u00e1lise \u00e9 aplicado principalmente pela Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Desse ponto de vista, ela \u00e9 mais um estopim revolucion\u00e1rio. Dessa forma a leem grupos de sem-terra, negros, ind\u00edgenas, mulheres, homossexuais e l\u00e9sbicas, favelados, ecologistas, oper\u00e1rios, pescadores e outras categorias sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aliada em grandes quest\u00f5es, tais como a luta pela justi\u00e7a, a defesa da vida, o combate \u00e0s drogas, os direitos de minorias etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse m\u00e9todo de leitura parte da observa\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e atua\u00e7\u00e3o sobre a realidade, pelo m\u00e9todo ver, julgar e agir; considera a B\u00edblia intrinsecamente ligada \u00e0 realidade do povo, pela chamada leitura popular da B\u00edblia; integra a leitura sociol\u00f3gica da B\u00edblia, pelo modelo conflitual (FERREIRA, 2012, p.14-7). Surgem da\u00ed leituras diversas, de acordo com o olhar hermen\u00eautico aplicado \u2013 ind\u00edgena, negritude, feminismo, g\u00eanero, etnia, gera\u00e7\u00e3o. Esta leitura da B\u00edblia, na \u00f3tica da liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 feita intencionalmente pelo CEBI (Centro de Estudos B\u00edblicos), al\u00e9m de outros setores das igrejas e da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 As duas sabedorias: express\u00f5es populares e pesquisas universit\u00e1rias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia \u00e9, de um ponto de vista, um livro de origem popular. Do mesmo ponto de vista, ela tamb\u00e9m inspira setores populares. Na Am\u00e9rica Latina, como em outros Continentes, a B\u00edblia \u00e9, de longe, o livro mais divulgado de todos os tempos. Isso significa que ela est\u00e1 nas m\u00e3os do povo, n\u00e3o s\u00f3 como texto escrito, mas tamb\u00e9m como referencial para ditos e prov\u00e9rbios, para express\u00f5es art\u00edsticas, como pintura, literatura e cinema. Isso sem contar, evidentemente, com o seu uso mais difundido nas igrejas, seja como texto lit\u00fargico, seja como livro de ora\u00e7\u00f5es e de catequese, seja, enfim, como inspiradora de toda a\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para exemplificar a maneira como a B\u00edblia perpassa a cultura popular, seguem algumas express\u00f5es de uso corrente, sendo por vezes c\u00f3pias literais, outras vezes adapta\u00e7\u00f5es e outras ainda cria\u00e7\u00f5es livres. Algumas fazem parte da cultura popular, de tal forma que nem s\u00e3o reconhecidas como b\u00edblicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA costela de Ad\u00e3o\u201d tem reflexos na \u201ccara metade\u201d. \u201cComer a ma\u00e7\u00e3\u201d reporta ao fruto proibido do para\u00edso terrestre. A chuva muito abundante \u00e9 \u201cum dil\u00favio\u201d. A confus\u00e3o vira \u201ctorre de Babel\u201d. H\u00e1 o \u201ctempo das vacas magras\u201d como h\u00e1 o \u201cdas vacas gordas\u201d. A resigna\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cpaci\u00eancia de J\u00f3\u201d, que de fato n\u00e3o era assim t\u00e3o paciente. Enfim, n\u00e3o se deve \u201cchorar as cebolas do Egito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelas vias do Novo Testamento, quem n\u00e3o quer pagar as contas diz \u201cn\u00e3o ser o Cristo\u201d. O incr\u00e9dulo total \u00e9 o \u201cTom\u00e9\u201d, pois s\u00f3 acredita vendo e metendo o dedo na ferida. Se o lugar for realmente dif\u00edcil \u00e9 l\u00e1 \u201conde Judas perdeu as botas\u201d. Quem sofre demais \u201cvai vivendo o seu calv\u00e1rio\u201d, ou \u201ccarregando a sua cruz\u201d. H\u00e1 ainda \u201co bom ladr\u00e3o\u201d. Para distinguir bem as coisas, \u00e9 preciso \u201cdar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d. Diz-se tamb\u00e9m que \u00e9 preciso \u201cseparar o joio do trigo\u201d. Para tirar o corpo fora, basta dizer \u201clavo minhas m\u00e3os\u201d. Se a decep\u00e7\u00e3o for muito grande, a pessoa pode \u201ccair do cavalo\u201d. Com rela\u00e7\u00e3o ao fim do mundo, dizia-se \u201cmil chegar\u00e1, dois mil n\u00e3o passar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a B\u00edblia \u00e9 tamb\u00e9m fonte de pesquisas acad\u00eamicas e cient\u00edficas. Nos cursos de Teologia, naturalmente, a B\u00edblia sempre ocupa um lugar central. H\u00e1 institui\u00e7\u00f5es dedicadas prioritariamente ao seu estudo, a exemplo do ISEDET, na Argentina e da UBILA, na Costa Rica. Tamb\u00e9m n\u00e3o faltam, em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, associa\u00e7\u00f5es de biblistas, com congressos e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos cursos de especializa\u00e7\u00e3o <em>lato sensu<\/em> promovem o estudo da B\u00edblia, inclusive com reconhecimento pelos \u00f3rg\u00e3os federais. A pesquisa b\u00edblica, entretanto, ultrapassa os muros dos semin\u00e1rios, e se situa tamb\u00e9m nas universidades, em cursos de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o e de Teologia. V\u00e1rios cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o <em>stricto sensu<\/em> possuem linhas de pesquisa sobre literatura sagrada, para forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de mestrado e doutorado, incluindo institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito das pesquisas acad\u00eamicas, a \u00e1rea denominada mais comumente de Literatura Sagrada, ao inv\u00e9s de B\u00edblia, amplia-se para a leitura de outras \u201cb\u00edblias\u201d, isto \u00e9, para os livros sagrados de outras religi\u00f5es da humanidade. Disserta\u00e7\u00f5es e teses discutem desde os detalhes da exegese do texto b\u00edblico original at\u00e9 as suas aplica\u00e7\u00f5es hermen\u00eauticas nas diversas situa\u00e7\u00f5es do continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio de confrontar B\u00edblia e ci\u00eancia tem hoje novos enfoques. O interesse pela B\u00edblia prov\u00e9m, por vezes, de outras \u00e1reas, como sa\u00fade, direito, ci\u00eancias exatas, al\u00e9m das ci\u00eancias humanas. Em vista disso, o \u00e2mbito dos estudos inclui, mais explicitamente, contribui\u00e7\u00f5es de outras \u00e1reas, como literatura, hist\u00f3ria, sociologia, antropologia e filosofia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito das publica\u00e7\u00f5es, merecem destaque alguns projetos de \u00e2mbito continental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>RIBLA<\/em> (Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana) \u00e9 uma revista de hermen\u00eautica b\u00edblica, parte da experi\u00eancia crist\u00e3 radicada na B\u00edblia e estabelece um elo de interliga\u00e7\u00e3o da diversidade cultural latino-americana e caribenha. \u00c9 uma revista ecum\u00eanica, tanto na autoria dos artigos, quanto na \u00f3tica de sua reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cBibliografia B\u00edblica Latino-Americana\u201d \u00e9 um projeto que visa reunir as publica\u00e7\u00f5es da \u00e1rea b\u00edblica da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, junto \u00e0 Umesp (Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo), para disponibilizar o elenco dessas publica\u00e7\u00f5es, acompanhado de breve resumo de cada uma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cComent\u00e1rio B\u00edblico Latino-americano\u201d \u00e9 uma proposta de comentar todos os livros da B\u00edblia na \u00f3tica das comunidades dos pobres na Am\u00e9rica Latina, com enfoque ecum\u00eanico, pr\u00e1tico e pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo acad\u00eamico, destacam-se publica\u00e7\u00f5es de leituras eruditas da B\u00edblia, em suas diversas formas. H\u00e1 edi\u00e7\u00f5es do texto b\u00edblico, assim como tradu\u00e7\u00f5es diversas, incluindo vers\u00f5es para l\u00ednguas ind\u00edgenas. Os manuais de exegese abordam desde a cr\u00edtica textual at\u00e9 as variadas aplica\u00e7\u00f5es hermen\u00eauticas. Podem-se consultar dicion\u00e1rios b\u00edblicos, concord\u00e2ncias e atlas produzidos na \u00f3tica latino-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A Leitura da B\u00edblia nas comunidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1 Realidade, comunidade e B\u00edblia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura da B\u00edblia inspira toda a a\u00e7\u00e3o pastoral das igrejas, mas, na realidade latino-americana, ela anima, sobretudo, as Comunidades Eclesiais de Base. Esse processo de forma\u00e7\u00e3o de pequenas comunidades come\u00e7a com uma sementeira de C\u00edrculos B\u00edblicos, onde se re\u00fanem pequenos grupos, para ler a Palavra de Deus \u00e0 luz da realidade vivida no cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia envolve tr\u00eas fatores, intimamente entrela\u00e7ados. O primeiro \u00e9 o contexto da realidade vivida pela comunidade, que constitui o pr\u00e9-texto da leitura. O segundo elemento \u00e9 a leitura e aprofundamento da B\u00edblia, enquanto texto, que ilumina essa realidade. O terceiro fator \u00e9 a comunidade que l\u00ea, formando o contexto da leitura da B\u00edblia (MESTERS, 1983, p.42-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tri\u00e2ngulo hermen\u00eautico pressup\u00f5e, portanto, que a leitura da B\u00edblia seja sempre ligada aos problemas das comunidades. Pressup\u00f5e, portanto, que a B\u00edblia \u00e9 o livro segundo, pois o primeiro livro \u00e9 a realidade vivida, seja a cria\u00e7\u00e3o, seja a hist\u00f3ria, ou o dia a dia. Pressup\u00f5e, ainda, que a B\u00edblia prov\u00e9m de um contexto comunit\u00e1rio e foi escrita em vista da forma\u00e7\u00e3o de vida comunit\u00e1ria. Da\u00ed resulta, como consequ\u00eancia, uma leitura engajada e comprometida com a luta pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.2 M\u00e9todo s\u00f3cio-hist\u00f3rico<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dos diversos m\u00e9todos exeg\u00e9ticos, a leitura b\u00edblica latino-americana privilegia o m\u00e9todo que favorece a compreens\u00e3o dos diversos aspectos da B\u00edblia, tais como o social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico. N\u00e3o raro se aplica a leitura sociol\u00f3gica pelo modelo conflitual, para perceber melhor a vontade de Deus em determinada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem desprezar a exegese, sobretudo o m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, a leitura feita nas comunidades tende a aplicar os textos diretamente para a vida, com tend\u00eancia \u00e0 hermen\u00eautica. Trata-se de uma aplica\u00e7\u00e3o dos textos \u00e0 realidade de pessoas, fam\u00edlias, igrejas e sociedades, na busca de uma espiritualidade socialmente engajada (REYES ARCHILA, 1997, p.9-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.3 Leitura a partir de novos sujeitos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro sagrado \u00e9 visto a partir de outros \u00e2ngulos, privilegiando pessoas que permaneciam no anonimato. Trata-se, inicialmente, de uma op\u00e7\u00e3o de classe, conforme o eixo econ\u00f4mico-social, na \u00f3tica das camadas empobrecidas. Mas tamb\u00e9m outras categorias sociais buscam identifica\u00e7\u00e3o e for\u00e7a na palavra de Deus. Pode-se falar ent\u00e3o de uma leitura ind\u00edgena da B\u00edblia, valorizando o ponto de vista \u00e9tnico. A mesma chave \u00e9tnica revela uma leitura a partir da negritude. Especial visibilidade tem alcan\u00e7ado a leitura a partir da mulher, na \u00f3tica de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o se expande na \u00f3tica de novos sujeitos que se encontram na interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Vale destacar crian\u00e7as, as preferidas no Reino dos C\u00e9us; idosos, pois com eles est\u00e1 a sabedoria; estrangeiros e minorias \u00e9tnicas; deficientes para serem integrados; pessoas discriminadas por sua orienta\u00e7\u00e3o sexual; sem-terra e sem-teto, em busca de direitos fundamentais; ecologistas, na defesa do meio ambiente; e tantas outras categorias (RICHTER REIMER; SCHWANTES, 2005).<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Valmor da Silva<\/em>. PUC Goi\u00e1s. Texto original portugu\u00eas.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAIL\u00c3O, Marcos Paulo Monteiro da Cruz. O lugar da B\u00edblia na Igreja e no mundo: uma vis\u00e3o protestante. In: MARIANNO, L\u00edlia Dias (org.). <em>B\u00edblia, viol\u00eancia e direitos humanos<\/em>: contribui\u00e7\u00f5es ao V Congresso Brasileiro de Pesquisa B\u00edblica. Rio de Janeiro: Eagle Books, 2013, p. 246-56. Livro digital dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.furnkranz.com\">www.furnkranz.com<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENATTE, Antonio Paulo. Os pentecostais e a B\u00edblia no Brasil: aproxima\u00e7\u00f5es mediante a est\u00e9tica da recep\u00e7\u00e3o. <em>Rever,<\/em> S\u00e3o Paulo, v.12, n.1, p.9-30, jan\/jun. 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FERREIRA, Joel Ant\u00f4nio. Transforma\u00e7\u00e3o social e a literatura b\u00edblica. In: FERREIRA, Joel Ant\u00f4nio; RICHTER REIMER, Ivoni (org.). <em>Transforma\u00e7\u00e3o social, economia e literatura sagrada<\/em>: VI Congresso Internacional em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. S\u00e3o Leopoldo: Oikos; Goi\u00e2nia: PUC Goi\u00e1s, 2012. p.11-31.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GARMUS, Ludovico. A leitura da B\u00edblia na Igreja Cat\u00f3lica: como ler e interpretar a B\u00edblia na Igreja. In: MARIANNO, L\u00edlia Dias (org.). <em>B\u00edblia, viol\u00eancia e direitos humanos<\/em>: contribui\u00e7\u00f5es ao V Congresso Brasileiro de Pesquisa B\u00edblica. Rio de Janeiro: Eagle Books, 2013. p.210-45. Livro digital dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.furnkranz.com\">www.furnkranz.com<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JIM\u00c9NEZ, Luz (coord.). A palavra se fez \u00edndia. <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.26, n.1. 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KONINGS, Johan. Interpretar a B\u00edblia aos cinquenta anos do Conc\u00edlio Vaticano II. <em>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/em>, Belo Horizonte, v.44, n.123, p. 237-56, mai\/ago. 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MENA L\u00d3PEZ, Maricel (coord.). Ra\u00edzes afro-asi\u00e1ticas no mundo b\u00edblico. <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.54, n.2. 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MESTERS, Carlos. <em>Flor sem defesa<\/em>: uma explica\u00e7\u00e3o da B\u00edblia a partir do povo. Petr\u00f3polis: Vozes, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIEDRA, Arturo. <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o protestante na Am\u00e9rica Latina<\/em>: an\u00e1lise das raz\u00f5es que justificaram e promoveram a expans\u00e3o protestante (1930-1960). S\u00e3o Leopoldo\/Quito: Sinodal\/CLAI, 2006. v.3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIXLEY, Jorge. Um chamado a lan\u00e7ar as redes (o novo protestantismo e a leitura popular da B\u00edblia). <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.10, n.3, p.86-93. 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REYES ARCHILA, Francisco. Hermen\u00eautica e exegese: um di\u00e1logo necess\u00e1rio. <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.28, n.3, p.9-37. 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICHARD, Pablo. RIBLA: 19 anos de trabalho e 50 n\u00fameros publicados \u2013 s\u00edntese de nossos ganhos mais significativos. <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.50, n.1, p.11-9. 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICHTER REIMER, Ivoni; SCHWANTES, Milton (org.) Leituras b\u00edblicas latino-americanas e caribenhas. <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>, Petr\u00f3polis, v.50, n.1. 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Valmor da. Historia de la lectura de la Biblia en Am\u00e9rica Latina. <em>La Palabra Hoy<\/em>, Bogot\u00e1, v.19, n.71\/72, p.26-59.1994.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Mem\u00f3rias da caminhada 1.1 Tradi\u00e7\u00f5es resgatadas: ind\u00edgenas e africanas 1.2 Heran\u00e7as estrangeiras: catolicismos e protestantismos 1.3 Afirma\u00e7\u00e3o continental: legado estrangeiro e movimento latino-americano 2 Leituras evang\u00e9licas e leituras cat\u00f3licas 2.1 A B\u00edblia e as igrejas evang\u00e9licas pentecostais na Am\u00e9rica Latina 2.2 A descoberta da B\u00edblia pela Igreja Cat\u00f3lica depois do Conc\u00edlio Vaticano II [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1205"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1206,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1205\/revisions\/1206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}