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{"id":1202,"date":"2016-04-10T09:55:28","date_gmt":"2016-04-10T12:55:28","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1202"},"modified":"2016-04-10T09:55:28","modified_gmt":"2016-04-10T12:55:28","slug":"catequese-e-iniciacao-crista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1202","title":{"rendered":"Catequese e inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 Fundamento da catequese na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p>2 Parte da evangeliza\u00e7\u00e3o e uma de suas formas<\/p>\n<p>3 Origem e lugar dos catecismos<\/p>\n<p>4 Catequese narrativa; inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de disc\u00edpulos de Cristo<\/p>\n<p>5 Resumindo<\/p>\n<p>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Fundamento da catequese na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A catequese nasceu, na Igreja, ligada \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o que equivale a dizer que nasceu como an\u00fancio do evangelho de Jesus Cristo, ou seja, da boa not\u00edcia que \u00e9 Jesus Cristo (<em>Evangelii Nuntiandi<\/em> n.7). An\u00fancio proclamado pelo pr\u00f3prio Deus em seu Filho Jesus Cristo, mediante a totalidade de vida da Igreja, que constitui a tradi\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Segundo a Carta de Paulo aos Colossenses, essa proclama\u00e7\u00e3o tem como finalidade iniciar uma vida, um caminho \u2013 a vida em Cristo: \u201cComo, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim tamb\u00e9m andai nele\u201d. O verbo \u201creceber\u201d (<em>paralamban\u014d<\/em>) junto com o verbo \u201ctransmitir\u201d (<em>parad\u00edd\u014dmi<\/em>) s\u00e3o os termos t\u00e9cnicos que designam o processo da tradi\u00e7\u00e3o da f\u00e9. A f\u00e9 crist\u00e3 recebida na tradi\u00e7\u00e3o, constitu\u00edda por toda a vida da Igreja, \u00e9 um caminhar, uma forma de vida antes de ser formulada em conceitos. Os primeiros crist\u00e3os s\u00e3o chamados \u201cseguidores do caminho\u201d (cf. At 9,2; 24,14). Em At 18, 25 diz-se de Apolo que \u201cera catequizado no caminho do Senhor\u201d (<em>katekh\u0113m\u00e9nos ten hodon tou kyr\u00edou<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese, pois, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, consiste em iniciar algu\u00e9m a seguir o caminho do Senhor, e essa inicia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo mera instru\u00e7\u00e3o, como mostra o catecumenato dos primeiros s\u00e9culos, mas inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus por palavras e atos: participa\u00e7\u00e3o na liturgia da palavra junto \u00e0 comunidade reunida aos domingos para a celebra\u00e7\u00e3o da Ceia, inicia\u00e7\u00e3o ao <em>ethos<\/em> da comunidade pela pr\u00e1tica dos mandamentos, levados \u00e0 plenitude no mandamento de Jesus (amar como ele amou), e outros atos sacramentais: imposi\u00e7\u00e3o do sinal da cruz, escrut\u00ednios, entrega do s\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos, celebrados sempre na liturgia da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>2 Parte da evangeliza\u00e7\u00e3o e uma de suas formas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A Igreja, nascida da a\u00e7\u00e3o evangelizadora de Jesus e dos Doze (EN n.15) anuncia o evangelho como Jesus, com toda a sua vida. Desde o nascimento da Igreja, a catequese \u00e9 uma das formas da evangeliza\u00e7\u00e3o e, por isso, partilha com ela a sua carater\u00edstica singular, a descentra\u00e7\u00e3o da palavra da Igreja perante a Palavra de Deus. Somente assim pode nascer a f\u00e9 como resposta a Deus que se revela (<em>Dei Verbum<\/em> n.5). \u00c9 muito prov\u00e1vel que essa caracter\u00edstica da catequese explique, como sugere Jungmann, o uso do verbo <em>kath\u0113khein<\/em> para falar da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em lugar de verbos como ensinar ou instruir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em grego profano, o termo <em>kat\u0113khein<\/em>, usado raramente, conserva seu primitivo significado de retumbar, ressoar (cf. <em>\u0113khos<\/em>, eco). N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que da\u00ed deriva o significado corrente do termo catequese no uso eclesi\u00e1stico: a mensagem de Deus deve soar ou ressoar diante dos ouvidos humanos, segundo as palavras da ora\u00e7\u00e3o do of\u00edcio lit\u00fargico pr\u00f3prio dos Ap\u00f3stolos, tomadas do salmo 18(19): <em>in omnem terram exivit sonus eorum<\/em> (sua proclama\u00e7\u00e3o saiu por toda a terra). Nas palavras da catequese deve ecoar outra palavra: a Palavra que transcende as palavras humanas e que, no entanto, s\u00f3 nelas pode ser reconhecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta da f\u00e9 crist\u00e3 nasce do ensinamento do pr\u00f3prio Deus, como resposta \u00e0 sua Palavra, que se manifesta em Jesus Cristo. Por acaso n\u00e3o disse ele: \u201cTodos ser\u00e3o ensinados por Deus\u201d (Jo 6,45)? A catequese, pondo diante do catec\u00fameno o ensinamento de Jesus em atos e palavras, ratificado por sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, deve conduzi-lo \u00e0 escuta da Palavra do pr\u00f3prio Deus. \u201cQuem ouve o Pai e aprende vem a mim\u201d continua dizendo Jesus (Jo 6,45), e assim se cumpre a profecia de Isa\u00edas (54,13). Esse \u00e9 o humilde servi\u00e7o que a catequese pode prestar ao Evangelho. Reside a\u00ed a sua grandeza e a sua dificuldade, ao envolver, de forma que seja significativa, em cada \u00e9poca e em cada lugar do vasto mundo, a vida e a\u00e7\u00e3o da Igreja enquanto sacramento do Cristo. A catequese deve entender-se, pois, como servi\u00e7o \u00e0 Palavra divina em Jesus Cristo, consciente de que a Palavra \u00e9 mais do que a letra da B\u00edblia. A Palavra brota dos l\u00e1bios divinos e ressoa no cora\u00e7\u00e3o humano mediante o humilde servi\u00e7o do an\u00fancio do Evangelho, que deve conjugar a palavra normativa da B\u00edblia, o testemunho da vida eclesial recebido no processo ininterrupto da tradi\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a aten\u00e7\u00e3o sol\u00edcita \u00e0s ang\u00fastias e esperan\u00e7as do ouvinte da Palavra, de cuja salva\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria Igreja \u00e9 chamada em cada instante a ser sacramento. As dificuldades da catequese s\u00f3 se superam facilmente quando o an\u00fancio do Evangelho \u00e9 vivido como tarefa de uma comunidade ciente da responsabilidade de sua miss\u00e3o evangelizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese assim entendida \u00e9 parte da evangeliza\u00e7\u00e3o e uma de suas formas. O alvo da catequese, como o da evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201canunciar o Mist\u00e9rio de Cristo\u201d (<em>Catechesi tradendae<\/em> n.5), \u201cexpor \u00e0 luz, diante de todos, qual seja a disposi\u00e7\u00e3o divina, o Mist\u00e9rio (\u2026) Compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade (\u2026) conhecer a caridade de Cristo, que ultrapassa qualquer conhecimento (\u2026) [e entrar em] toda a plenitude de Deus (Ef 3,9.18 s.)\u201d (<em>Catechesi tradendae<\/em> n.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ampla do que a catequese, que \u00e9 uma das suas formas. A Igreja anuncia o Evangelho com toda sua vida \u2012 o tr\u00edplice servi\u00e7o da palavra, da liturgia e da caridade \u2012 a exemplo do pr\u00f3prio Cristo, que viveu e morreu por n\u00f3s e por nossa salva\u00e7\u00e3o. Paulo diz da eucaristia: \u201cTodas as vezes que comerdes este p\u00e3o e beberdes este c\u00e1lice anunciais a morte do Senhor, at\u00e9 que venha\u201d (Cor 11,26). A eucaristia \u00e9 o ponto culminante do an\u00fancio eclesial da boa nova de Deus em Jesus Cristo, porque, segundo o ad\u00e1gio dos pais da Igreja a eucaristia faz a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 Origem e lugar dos catecismos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Tudo isto transparece da pr\u00e1tica catequ\u00e9tica da Igreja primitiva: basta ler as catequeses batismais e mistag\u00f3gicas de Cirilo de Jerusal\u00e9m e de Ambr\u00f3sio para ver como concebiam a catequese. Na medida em que foi decaindo o catecumenato, no regime da cristandade, ao dar por suposto que nascer num pa\u00eds crist\u00e3o equivalia a viver a f\u00e9 crist\u00e3, a catequese como inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida segundo o Evangelho foi esvaziando-se. Se, na Idade M\u00e9dia, ao menos nos ambientes verdadeiramente crist\u00e3os, continuou a florescer a vida crist\u00e3, foi devido, em parte, ao fato de a pr\u00f3pria liturgia, a vida familiar e o ambiente crist\u00e3o da vida social suprirem o que, antes, o catecumenato fazia, enquanto inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na comunidade crist\u00e3. Mas, com o desconhecimento progressivo da l\u00edngua da liturgia e a crescente descristianiza\u00e7\u00e3o dos costumes, foi-se sentindo a necessidade de uma reforma concebida como volta ao Evangelho. Muitos movimentos inspirados em Francisco de Assis, a reforma teresiana do Carmelo, a ordem dos Jesu\u00edtas com os exerc\u00edcios espirituais de In\u00e1cio e os movimentos de reforma inspirados por Lutero s\u00e3o testemunhos disso. Essa conjuntura explica o surgimento dos catecismos e sua utilidade. Por\u00e9m, isolados das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas em que nasceram, eles desvirtuam o sentido da catequese. A vis\u00e3o descontextualizada dos catecismos \u00e9 respons\u00e1vel at\u00e9 hoje por pensar a catequese como doutrina ou ensino em contraposi\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio do evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Novo Testamento n\u00e3o existe esta contraposi\u00e7\u00e3o. Jesus anuncia a boa nova de Deus tanto quando proclama o serm\u00e3o da Montanha como quando ensina aos disc\u00edpulos, quando conversa com as gentes, quando cura um doente ou liberta algu\u00e9m afligido por um \u201cesp\u00edrito impuro\u201d. Em Marcos 1,27, este gesto \u00e9 reconhecido como \u201censinamento novo\u201d. Al\u00e9m de proclamar, anunciar, ensinar, o NT utiliza mais de trinta verbos para designar o que hoje se entende por evangelizar (FRIEDRICH, 1969).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O surgimento dos catecismos foi oportuno numa \u00e9poca em que, embora sem ser questionada, a ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 sofria s\u00e9rias deforma\u00e7\u00f5es, originadas principalmente da falta de transpar\u00eancia do testemunho da institui\u00e7\u00e3o eclesial, cuja miss\u00e3o \u00e9 ser, com toda a sua vida, sacramento do Cristo. Essa situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel exigia reforma urgente, que, por n\u00e3o ter sido feita a tempo, causou dolorosa divis\u00e3o entre os crist\u00e3os. Tanto no campo cat\u00f3lico da reforma, quanto no protestante, os catecismos, conjugados com outras iniciativas, tiveram uma fun\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica, ao mostrar o que se deve crer e como se deve agir e orar para ser disc\u00edpulo de Cristo. Hoje, num mundo de exacerbado pluralismo de cren\u00e7as e caminhos religiosos, volta imperiosa a necessidade que tiveram os disc\u00edpulos do Crucificado: mostrar que, em Jesus Cristo, Deus se revela e oferece a salva\u00e7\u00e3o a todo ser humano. Quem n\u00e3o \u00e9 capaz de viver a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como servi\u00e7o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o de todos na pluralidade das op\u00e7\u00f5es religiosas n\u00e3o \u00e9 verdadeiro disc\u00edpulo do Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 Catequese narrativa; inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de disc\u00edpulos de Cristo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Os evangelhos mostram que o reconhecimento de Jesus como Filho de Deus s\u00f3 pode acontecer para quem se torna disc\u00edpulo e se disp\u00f5e a segui-lo como caminho de vida. A catequese deve ser sempre um processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida dos disc\u00edpulos de Cristo. Deus n\u00e3o pode ser reconhecido em Jesus Cristo, que morreu crucificado por ter dedicado sua vida aos demais, pondo em primeiro lugar os pobres e exclu\u00eddos, para mostrar que \u00e9 o caminho para Deus, a n\u00e3o ser por quem a esse caminho abra o cora\u00e7\u00e3o e ponha nele, como op\u00e7\u00e3o preferencial, os pobres e os exclu\u00eddos, em conson\u00e2ncia com a orienta\u00e7\u00e3o do episcopado latino-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese, por isso, deve ser narrativa, ou seja, deve mostrar \u2012 n\u00e3o apenas afirmar \u2012 a partir dos atos e palavras de Jesus que, nele, Deus se revela, porque somente assim pode nascer, como op\u00e7\u00e3o livre e como dom divino, a obedi\u00eancia da f\u00e9. N\u00e3o se trata apenas de contar a vida de Jesus, mas de mostrar que em Jesus o caminho da f\u00e9 de Israel, arraigado no caminhar hist\u00f3rico de Israel e de todas as religi\u00f5es, chega \u00e0 sua plenitude e revela o caminho salvador de Deus, presente desde sempre de diversas formas (cf. Hb 1,2). Por isso os evangelhos e as cartas dos ap\u00f3stolos \u2012 primeiros subs\u00eddios da catequese \u2012 mostram, com a insistente repeti\u00e7\u00e3o da frase \u201cpara que se cumpram as Escrituras\u201d, que, em Jesus, chega \u00e0 plenitude o caminho da autocomunica\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o s\u00f3 para Israel, mas para a humanidade. Isso explica tamb\u00e9m que as Escrituras de Israel falem de personagens como No\u00e9, Abel, Adam, que n\u00e3o s\u00e3o ancestrais do povo, para mostrar, na figura simb\u00f3lica de Ad\u00e3o (que em hebraico significa homem), que a revela\u00e7\u00e3o testemunhada nas p\u00e1ginas do Livro transcende o povo que nelas as consignou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um desafio da catequese para hoje, quando a pluralidade das culturas e das religi\u00f5es, na era da comunica\u00e7\u00e3o irrestrita e globalizada, apresenta-se diante dos olhos de todo ouvinte da Palavra. Se os crist\u00e3os s\u00e3o os seguidores do Caminho, que \u00e9 Jesus, a Igreja, ao reconhecer seus limites geogr\u00e1ficos, hist\u00f3ricos e culturais enquanto caminho singular de salva\u00e7\u00e3o, deve superar as fronteiras da salva\u00e7\u00e3o que anuncia, para que resplande\u00e7a a verdade do seu caminho como fonte de vida para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>5 Resumindo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Resumindo o que foi dito, podem-se enumerar algumas caracter\u00edsticas fundamentais da catequese:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) A catequese \u00e9 <em>an\u00fancio do evangelho<\/em> de Jesus Cristo. Deve aparecer como alegre not\u00edcia do amor de Deus, que transcende \u201cos pensamentos humanos\u201d (cf. Mc 8, 27), a tal ponto que se revela no seu Filho condenado a morrer crucificado, denunciando como idol\u00e1trica toda ideia do divino oriunda da proje\u00e7\u00e3o ao infinito das aspira\u00e7\u00f5es humanas de poder e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) A catequese deve ser <em>inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na comunidade crist\u00e3<\/em>. Por isso n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. Sujeito agente da catequese \u00e9 toda a comunidade. A eucaristia, sem a qual a Igreja n\u00e3o pode existir nem crescer, porque \u201ca eucaristia faz a Igreja\u201d, \u00e9 lugar eminente de catequese, catequese mistag\u00f3gica ou de inicia\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio, que \u00e9 o Cristo revelador de Deus. A eucaristia \u00e9 o lugar proeminente da forma\u00e7\u00e3o da comunidade, tamb\u00e9m dos catequistas, sem que se negue com isso a necessidade de outros subs\u00eddios para a forma\u00e7\u00e3o desses. Consequ\u00eancia \u00f3bvia disso \u00e9 a necessidade de uma mudan\u00e7a nos minist\u00e9rios, para que toda comunidade tenha possibilidade de celebrar a eucaristia como express\u00e3o significante do seu pr\u00f3prio mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Em cada circunst\u00e2ncia da vida, a reposta da f\u00e9 \u2013 o reconhecimento do Crucificado como salvador e Filho de Deus \u2013 apresenta desafios novos, \u00e0s vezes surpreendentes; por isso, a catequese dever\u00e1 continuar em outras de suas v\u00e1rias formas: escola dominical da f\u00e9 para adultos, cursos, retiros espirituais etc. No entanto, no mundo agitado de hoje, em que a sobreviv\u00eancia pr\u00f3pria e a dos filhos \u00e9 devoradora desumana do tempo dos humanos, a \u00fanica forma poss\u00edvel de catequese ser\u00e1, para muitos, a catequese mistag\u00f3gica da eucaristia. Ela ser\u00e1 suficiente se a celebra\u00e7\u00e3o dominical for mais do que mera rotina de cumprimento de um preceito. Eis de novo um desafio para a Igreja e a revis\u00e3o dos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Passado o regime da cristandade, a fam\u00edlia crist\u00e3 que batiza uma crian\u00e7a deve se comprometer, com ajuda da comunidade, na educa\u00e7\u00e3o para inicia\u00e7\u00e3o progressiva \u00e0 vida crist\u00e3. Da\u00ed a import\u00e2ncia da fam\u00edlia, que dever\u00e1 ser ajudada por alguma inst\u00e2ncia pastoral da comunidade na delicada tarefa de iniciar as crian\u00e7as na f\u00e9 crist\u00e3, de maneira que o resultado seja a alegria da boa not\u00edcia do amor de Deus revelado em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) Por volta dos 5 ou 6 anos de idade dever\u00e1 come\u00e7ar, na comunidade, a catequese ou catecumenato para as crian\u00e7as batizadas em tenra idade, que as ajude a continuar a viv\u00eancia crist\u00e3 iniciada no seio da fam\u00edlia. \u00c0 semelhan\u00e7a do catecumenato antigo, a catequese n\u00e3o consistir\u00e1 apenas em ensinamentos. Elemento fundamental ser\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com os pais na eucaristia dominical, na qual deveriam comungar logo que manifestarem desejo e forem capazes, como dizia Pio X, de distinguir o p\u00e3o eucar\u00edstico do p\u00e3o comum. N\u00e3o se pode fazer da eucaristia um pr\u00eamio para quem, por determinado tempo, aprendeu o catecismo ou frequentou a catequese. Consequentemente, a catequese n\u00e3o pode ser pensada como \u201ccatequese para a primeira comunh\u00e3o\u201d e dever\u00e1 continuar durante toda a inf\u00e2ncia e, em configura\u00e7\u00e3o diferente, na adolesc\u00eancia. Pode-se falar em duas fases da catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) A catequese na adolesc\u00eancia \u00e9 de suma import\u00e2ncia, por ser o per\u00edodo do questionamento da educa\u00e7\u00e3o recebida dos pais e da crise salutar que, bem orientada, conduzir\u00e1 a uma op\u00e7\u00e3o adulta da f\u00e9, \u00e0 sua confirma\u00e7\u00e3o, que poder\u00e1 ser coroada com o sacramento da confirma\u00e7\u00e3o. Por isso, tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 conveniente definir a catequese desse per\u00edodo como prepara\u00e7\u00e3o para a confirma\u00e7\u00e3o. A catequese ou catecumenato continuado nos seus diversos per\u00edodos visa a formar o crist\u00e3o adulto, capaz de discernir na sua vida o que Deus quer dele. E, por isso, tamb\u00e9m capaz de decidir quando se encontra disposto para assumir de forma adulta a miss\u00e3o do servi\u00e7o do evangelho para a salva\u00e7\u00e3o do mundo e pedir, \u00e0 Igreja, o sacramento da confirma\u00e7\u00e3o do batismo. Essa vis\u00e3o da catequese, que ganharia ao chamar-se de catecumenato, pode parecer ut\u00f3pica, mas deve ser posta em pr\u00e1tica \u2012 e j\u00e1 existem experi\u00eancias nesta dire\u00e7\u00e3o \u2012 pelas comunidades que quiserem superar a constante frustra\u00e7\u00e3o da inefic\u00e1cia de tantos caminhos de catequese baseados apenas na transmiss\u00e3o de conhecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) Na medida em que o batismo tornar-se uma op\u00e7\u00e3o consciente por iniciar os filhos na viv\u00eancia eclesial da f\u00e9 crist\u00e3, haver\u00e1 cada vez mais adolescentes, jovens e adultos n\u00e3o batizados que despertar\u00e3o para a f\u00e9 crist\u00e3 e pedir\u00e3o para serem nela iniciados. Ao lado do catecumenato dos batizados, as par\u00f3quias dever\u00e3o organizar o catecumenato de adultos, que normalmente dever\u00e1 durar pelo menos um ano. H\u00e1 experi\u00eancias bem sucedidas e promissoras na atualidade. O espec\u00edfico do catecumenato, como foi apresentado aqui, \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na comunidade crist\u00e3. Se, nos primeiros tempos da Igreja, o catecumenato configurou-se como prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos pascais e se, na Idade M\u00e9dia, em situa\u00e7\u00e3o de cristandade, a fam\u00edlia e a sociedade supriam de alguma forma a fun\u00e7\u00e3o da comunidade, no mundo pluralista de hoje a Igreja dever\u00e1 encontrar as formas mais condizentes de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3. A Igreja recebe de Cristo os sacramentos, ao ser chamada, na P\u00e1scoa, a ser sacramento do Cristo. Por isso afirma que os sacramentos s\u00e3o institu\u00eddos pelo Senhor, n\u00e3o inventados por ela. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o a dispensa de encontrar as formas de configura\u00e7\u00e3o que, em cada \u00e9poca, s\u00e3o significantes da P\u00e1scoa do Cristo. E isto vale para a configura\u00e7\u00e3o da catequese ou catecumenato para a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O\u00a0\u201cRitual de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3\u00a0de Adultos\u201d (RICA) \u00e9 exemplar, neste sentido, ao permitir e sugerir variedade de formas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na base de todos esses itens h\u00e1 uma verdade fundamental, f\u00e1cil de ser esquecida: a catequese deve ter a humildade de permitir a Deus que fale por meio de seu Filho Jesus Cristo, o Crucificado, mediante o dom do Esp\u00edrito, ao cora\u00e7\u00e3o do catec\u00fameno. Somente assim a f\u00e9 pode ser resposta a Deus que se revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juan Ruiz de Gopegui, SJ. FAJE. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>CELAM, V Conferencia general del \u00a0Episcopado Latinoamericano \u00a0y del Caribe. <em>Documento Conclusivo. Disc\u00edpulos y Misioneros de Jesucristo para que nuestros pueblos en \u00c9l tengan vida \u201cYo soy el Camino, la Verdad y la Vida\u201d (Jn 16,4).<\/em> Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.celam.org\/aparecida\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. <em>Catequese Renovada<\/em>. Doc. n.26 da\u00a0CNBB. 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Diretrizes gerais da a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015<\/em>. Documentos CNBB, 94. Bras\u00edlia: Ed. CNBB, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica\u00a0Dei Verbum<\/em>. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/\">http:\/\/www.vatican.va\/<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium<\/em>. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/\">http:\/\/www.vatican.va\/<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRIEDRICH, Gerhard, <em>k\u0113ryss\u014d<\/em>. In: KITTEL, G.; FRIEDRICH, G.<em> Grande Lessico del Nuovo Testamento<\/em>, v.5, p.441-2. Brescia: Paideia,1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI, <em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<\/em> <em>Evangelii nuntiandi sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo<\/em>. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/\">http:\/\/www.vatican.va\/<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Catechesi tradendae<\/em>. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/\">http:\/\/www.vatican.va\/<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUNGMANN, Joseph A. <em>Catequ\u00e9tica<\/em>. Finalidad e m\u00e9todo de la instrucci\u00f3n religiosa. Barcelona: Herder, 1963.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASSOS, Mauro (org.). <em>Uma Hist\u00f3ria no plural<\/em>. 500 anos do movimento catequ\u00e9tico brasileiro. Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUIZ DE GOPEGUI, Juan A. <em>Experi\u00eancia de Deus e Catequese narrativa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUIZ DE GOPEGUI, Juan A. Catequese e Comunidade crist\u00e3. <em>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/em>, v.37, n.103, p.315-36. 2005<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUIZ DE GOPEGUI, Juan A. Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <em>Revista de Catequese<\/em>, n.9, p.3-18. 2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Fundamento da catequese na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 2 Parte da evangeliza\u00e7\u00e3o e uma de suas formas 3 Origem e lugar dos catecismos 4 Catequese narrativa; inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de disc\u00edpulos de Cristo 5 Resumindo 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Fundamento da catequese na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00a0A catequese nasceu, na Igreja, ligada \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1203,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1202\/revisions\/1203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}