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{"id":1146,"date":"2016-04-09T18:17:41","date_gmt":"2016-04-09T21:17:41","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1146"},"modified":"2016-04-09T18:17:41","modified_gmt":"2016-04-09T21:17:41","slug":"a-riqueza-espiritual-das-religioes-o-que-nos-ensinam-as-outras-religioes-a-respeito-da-espiritualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1146","title":{"rendered":"A riqueza espiritual das religi\u00f5es. O que nos ensinam as outras religi\u00f5es a respeito da espiritualidade?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>2 O di\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa<\/p>\n<p>2.1 O olhar contemplativo<\/p>\n<p>2.2 O reconhecimento da transcend\u00eancia<\/p>\n<p>2.3 A d\u00e1diva e a sacralidade da vida<\/p>\n<p>2.4 A conex\u00e3o humanidade\/natureza<\/p>\n<p>2.5 O h\u00e1bito da ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>2.6 A pr\u00e1tica das virtudes<\/p>\n<p>2.7 A inicia\u00e7\u00e3o e o discipulado progressivo<\/p>\n<p>3 Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As religi\u00f5es preservam um patrim\u00f4nio espiritual valioso e plural, pois registram um conjunto significativo de experi\u00eancias, valores, m\u00e9todos e itiner\u00e1rios espirituais que, no curso dos s\u00e9culos, t\u00eam inspirado milhares de pessoas e comunidades. Ao lado do cristianismo, esse patrim\u00f4nio comp\u00f5e o tesouro milenar da experi\u00eancia religiosa humana, objeto n\u00e3o s\u00f3 de estudo, mas tamb\u00e9m de di\u00e1logo entre os seguidores das diferentes religi\u00f5es. Com efeito, o <em>di\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa<\/em> \u00e9 uma via espec\u00edfica do di\u00e1logo inter-religioso que tem promovido o encontro, a compreens\u00e3o rec\u00edproca e a converg\u00eancia das religi\u00f5es em aspectos comuns, como a valoriza\u00e7\u00e3o da transcend\u00eancia, a vis\u00e3o sagrada do tempo e do cosmos, o respeito pela pessoa humana, a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, o cuidado ecol\u00f3gico e a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando a abrang\u00eancia do tema para a Hist\u00f3ria das Religi\u00f5es, a Teologia e a Espiritualidade Crist\u00e3, buscou-se apresentar, aqui, uma sele\u00e7\u00e3o de elementos que nos permita perceber e apreciar a riqueza espiritual das religi\u00f5es, tendo presente nossa identidade crist\u00e3. Assim, foram elencados os elementos espirituais que respondam a dois crit\u00e9rios: de um lado, que sejam caracter\u00edsticos de um determinado credo, pertencendo \u00e0 sua heran\u00e7a pr\u00f3pria; de outro, que sejam significativos \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, porque dialogam com as perspectivas teol\u00f3gicas do cristianismo e favorecem o aprofundamento da pr\u00f3pria espiritualidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem admita que certos elementos da experi\u00eancia m\u00edstica das religi\u00f5es possam ser assumidos seletivamente pela f\u00e9 crist\u00e3, \u00e0 medida que \u2013 respeitado o dado revelado \u2013 contribuem para o aprimoramento de m\u00e9todos e percep\u00e7\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3, como a postura apof\u00e1tica diante do Absoluto (budismo), os m\u00e9todos de concentra\u00e7\u00e3o no ato de meditar (hindu\u00edsmo), o v\u00ednculo com a natureza criada (culto de Orix\u00e1s) ou o abandono confiante de si mesmo a Deus (Isl\u00e3 Sufi). Outros se posicionam mais no campo da observa\u00e7\u00e3o que da assun\u00e7\u00e3o: estudam e apreciam positivamente os elementos espirituais das religi\u00f5es, mas assumem somente aqueles t\u00edpicos da tradi\u00e7\u00e3o judaica j\u00e1 presentes nas Escrituras, na Liturgia e\/ou na tradi\u00e7\u00e3o Patr\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um debate em curso, que envolve fenomen\u00f3logos, te\u00f3logos e mission\u00e1rios crist\u00e3os (cf. CUTTAT, 1996; BASSET, 1996; NATALE TERRIN, 2003; DUPUIS, 2004). No passado, os ritos sacramentais assumiram material simb\u00f3lico dos cultos mediterr\u00e2neos, sem perder o sentido pascal; os hesicastas aplicavam disciplina mental e controle da respira\u00e7\u00e3o, ao modo oriental, para orar com a mente e o cora\u00e7\u00e3o; e Santo Agostinho integrou a perspectiva personalista do platonismo em seu caminho de convers\u00e3o ao Evangelho (cf. CUTTAT, 1996, p.763-73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, tanto o magist\u00e9rio da Igreja quanto a reflex\u00e3o teol\u00f3gica t\u00eam discernido essas quest\u00f5es \u00e0 luz das seguintes afirma\u00e7\u00f5es de f\u00e9: a vontade salv\u00edfica de Deus \u00e9 universal e h\u00e1 um s\u00f3 plano redentor para toda a humanidade (Ef 1,9-10; 1Tm 2,4-6); a media\u00e7\u00e3o salvadora de Jesus \u2013 o Verbo de Deus \u2013 \u00e9 objetivamente universal, at\u00e9 mesmo para quem n\u00e3o o conhece, nem o professa como Salvador (Jo 1,3-4; Col 1,15-17); o Esp\u00edrito Santo ilumina a intelig\u00eancia e suscita a ora\u00e7\u00e3o aut\u00eantica de todos os que buscam Deus com sinceridade, em qualquer cultura e credo (Sab 1,6-7; At 17,27-28); toda pessoa humana \u00e9 \u201cimago Dei\u201d (imagem e semelhan\u00e7a de Deus) enquanto criatura, j\u00e1 antes do batismo, destinada a conhecer e amar o Criador que a ela se revela (At 17,28; Col 1,15-16); enfim, que h\u00e1 uma Revela\u00e7\u00e3o geral de Deus a todos os povos, al\u00e9m da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, pela qual o Verbo se manifesta e estabelece com a humanidade um di\u00e1logo de salva\u00e7\u00e3o (Mt 2,1-2; Rm 1,19-20); pois \u201cDeus n\u00e3o faz discrimina\u00e7\u00e3o entre pessoas: pelo contr\u00e1rio, ele aceita quem o teme e pratica a justi\u00e7a, qualquer que seja a na\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7a\u201d (At 10,34-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se percebe, a explana\u00e7\u00e3o desses pontos supera as linhas deste verbete. Para um estudo mais detalhado, leiam-se os documentos: \u201cDi\u00e1logo e an\u00fancio\u201d (Pontif\u00edcio Conselho para o Di\u00e1logo Inter-religioso), \u201cO cristianismo e as religi\u00f5es\u201d (Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional) e \u201cCarta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d (Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>2 O di\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao lado da conviv\u00eancia cotidiana, da promo\u00e7\u00e3o conjunta do bem comum e do interc\u00e2mbio teol\u00f3gico, o di\u00e1logo inter-religioso se d\u00e1 tamb\u00e9m no n\u00edvel da \u201cexperi\u00eancia religiosa, onde pessoas radicadas nas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es religiosas compartilham as suas riquezas espirituais, por exemplo, no que se refere \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, \u00e0 f\u00e9 e aos caminhos da busca de Deus e do Absoluto\u201d (Di\u00e1logo e an\u00fancio n.42d). \u00c9 neste n\u00edvel que se pode indagar, como crist\u00e3os, o que as outras religi\u00f5es podem ensinar a respeito da espiritualidade, no sentido aproximativo esclarecido acima (cf. Carta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n.16). Em resposta a isso, propomos aqui sete t\u00f3picos de aprendizado dial\u00f3gico, em que a viv\u00eancia da espiritualidade crist\u00e3 se v\u00ea positivamente interpelada a desenvolver-se e aprofundar-se, com \u00eanfases distintas e\/ou complementares, em face das demais religi\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<em>2.1 O olhar contemplativo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas diversas culturas, as religi\u00f5es cultivaram o olhar contemplativo sobre o universo, o devir do tempo, as demais pessoas e as criaturas em geral. Desenvolveu-se, assim, uma abordagem da vida, do tempo e do espa\u00e7o n\u00e3o restrita ao que se pode medir e explicar por c\u00e1lculo, mas que descortina uma <em>episteme<\/em> (modo de conhecer) de estilo conjuntivo e simb\u00f3lico. O ser humano se percebe pequeno diante da imensid\u00e3o dos c\u00e9us, mas intimamente conexo com o mundo, o qual contempla com curiosidade e rever\u00eancia. Ao observar o c\u00e9u, intui-se o infinito; ao seguir o fluxo das esta\u00e7\u00f5es, percebe-se o impulso vital da natureza; ao celebrar nascimentos e mortes, indaga-se sobre o al\u00e9m. A vida revela-se muito mais fluente e complexa do que poderiam explicar as equa\u00e7\u00f5es da qu\u00edmica e da mec\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olhar contemplativo educa-nos a procurar as causas primeiras, o tempo antes do tempo, o come\u00e7o primordial de todas as coisas, a partir de onde podemos interpretar o presente e vislumbrar o futuro. Assim, as religi\u00f5es sugerem emblemas do mundo, em s\u00edmbolos e narrativas que comunicam sentido e educam \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o (cf. MA\u00c7ANEIRO, 2011, p.111-25). O Hindu\u00edsmo entrev\u00ea a unidade de todas as coisas por tr\u00e1s da multiplicidade dos fen\u00f4menos; o budismo fala da provisoriedade do tempo e do espa\u00e7o, cuja consist\u00eancia est\u00e1 al\u00e9m do que podemos enxergar; a cabala judaica descobre uma \u201ccadeia de esferas\u201d (<em>sephirot<\/em>) interligadas, contendo centelhas divinas que se combinam para criar os corpos, da pequena c\u00e9lula \u00e0s grandes estrelas; o Isl\u00e3 reverencia a pot\u00eancia criadora da Palavra divina, que fez o mundo vis\u00edvel e o invis\u00edvel; o culto de Orix\u00e1s diz que tudo se mant\u00e9m pela energia (<em>ax\u00e9<\/em>), que se direciona ao prop\u00f3sito de manter o equil\u00edbrio humano e c\u00f3smico (<em>ob\u00e1<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando que n\u00f3s, crist\u00e3os, vivemos predominantemente no Ocidente, dominado pela racionalidade anal\u00edtica e instrumental, aprendemos \u2013 com as demais religi\u00f5es \u2013 a preservar e atualizar nosso olhar contemplativo: intuitivo, mas n\u00e3o ing\u00eanuo; buscador das causas e aberto ao futuro; em di\u00e1logo com as ci\u00eancias, mas n\u00e3o reduzido \u00e0 parcela evidente da mat\u00e9ria, capaz de desvendar o sentido profundo dos fen\u00f4menos \u00e0 luz do querer benevolente do Criador (cf. Ef 1,3-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>2.2 O reconhecimento da transcend\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As religi\u00f5es declaram que a realidade vai al\u00e9m do quanto podemos medir, explicar e reproduzir. De fato, mesmo no campo cient\u00edfico, constatam-se ondas magn\u00e9ticas e varia\u00e7\u00f5es de energia invis\u00edveis ao olho humano, presentes no arranjo geral do cosmo e da vida planet\u00e1ria. Al\u00e9m disso, as religi\u00f5es entendem a transcend\u00eancia como o Todo que cont\u00e9m a parte, ou o sentido \u00faltimo da exist\u00eancia: a ci\u00eancia mostra o <em>como<\/em>; as religi\u00f5es decifram os <em>porqu\u00eas<\/em>. Surgem no\u00e7\u00f5es como o Tao:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olha-se e n\u00e3o se v\u00ea: chama-se invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escuta-se e n\u00e3o se ouve: chama-se inaud\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toca-se e n\u00e3o se sente: chama-se impalp\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas tr\u00eas coisas n\u00e3o se podem indagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, mescladas, formam juntas uma s\u00f3 coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No alto n\u00e3o \u00e9 claro,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo n\u00e3o \u00e9 escuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inesgot\u00e1vel e n\u00e3o pode ser nomeado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Remonta-se ao n\u00e3o-ser das coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chama-se forma sem forma; figura sem figura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode compreender: \u00e9 mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem o encara, n\u00e3o v\u00ea seu rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem o segue, n\u00e3o v\u00ea suas costas. (Tao-te-ching: Cap\u00edtulo IV, 1.5.3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O <em>Tao<\/em> n\u00e3o tem defini\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma intui\u00e7\u00e3o que afirma a Unidade que integra todos os seres e todos os fen\u00f4menos, anterior \u00e0s distin\u00e7\u00f5es que percebemos. Pois para o tao\u00edsmo, bem como para o hindu\u00edsmo e o budismo, a realidade n\u00e3o se define pelas formas aparentes; nem mesmo a Divindade \u00e9 um Ser ao modo dos demais seres: forma e figura se desfazem, apontando para um Absoluto que se mostra e se esconde ao mesmo tempo, fugindo de nossas representa\u00e7\u00f5es. Com outra abordagem, o juda\u00edsmo e o Isl\u00e3 se concentram nos atributos positivos do ser, inclusive de Deus, declarando-o Santo, Justo, Onisciente e Eterno. E, contudo, Deus abarca \u201co manifesto e o oculto\u201d (Alcor\u00e3o 57,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendemos, assim, a equilibrar m\u00edstica e teologia, intui\u00e7\u00e3o e conceito, para n\u00e3o sermos ref\u00e9ns de nossas representa\u00e7\u00f5es. Afinal, a verdade da f\u00e9 professada n\u00e3o est\u00e1 apenas <em>no termo<\/em> das formula\u00e7\u00f5es doutrinais, mas <em>no sentido <\/em>que os conceitos preservam. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a doutrina deve converter-se em caridade, na rela\u00e7\u00e3o com Deus e os semelhantes (cf. Lc 10,29-37; 1Jo 3,16-18). De outro modo, Deus seria apenas uma f\u00f3rmula professada, enquanto que \u00e9 mais que isto: \u00e9 Amor (cf. 1Jo 4,7-10). A linguagem das outras religi\u00f5es nos alerta sobre o valor da analogia e do s\u00edmbolo, em rela\u00e7\u00e3o aos termos e formula\u00e7\u00f5es, em vista de uma espiritualidade que equilibre afeto e intelig\u00eancia, saber e sabor, adora\u00e7\u00e3o e solidariedade. A s\u00edntese desses aspectos certamente favorece uma espiritualidade crist\u00e3 mais integral, respeitosa do mist\u00e9rio e disposta aos novos aprendizados do Esp\u00edrito Santo, o mestre interior (cf. Rm 8,26-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<em>2.3 A d\u00e1diva e a sacralidade da vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os elementos vitais s\u00e3o acolhidos como d\u00e1diva, pelas religi\u00f5es: a \u00e1gua, o solo, o ar, os gr\u00e3os, os f\u00e1rmacos, as fontes naturais de energia e a identidade gen\u00e9tica dos organismos. Nada disso pode ser produzido pelo engenho humano de uma forma absolutamente nova: nossa ci\u00eancia se limita a classificar e recombinar os componentes. Reconhecendo o valor desses bens naturais, as religi\u00f5es celebram a vida como d\u00e1diva e reverenciam a Divindade que a criou e a confiou aos nossos cuidados:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dono do mundo diante dos deuses,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor de alt\u00edssima casa na corte do c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrasador que fere \u00e0 direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrasador que fere \u00e0 esquerda. (Hino a Ogum: Culto de Orix\u00e1s)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Que o c\u00e9u se alegre! Que a terra exulte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estronde o mar e tudo o que ele cont\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o campo exulte, e o que nele existe!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00e1rvores da selva gritem de alegria,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">diante de Adonai \u2013 pois Ele vem! (Salmo 96,11-13: Juda\u00edsmo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Disse o Senhor Krishna:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu forne\u00e7o calor e retenho a chuva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou a imortalidade e a morte personificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o esp\u00edrito quanto a mat\u00e9ria est\u00e3o em mim. (Bhagavad-Gita 9,19: Hindu\u00edsmo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Foi Allah quem criou sete firmamentos e outro tanto de terras;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e seus des\u00edgnios se cumprem, nos c\u00e9us e na terra,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para que saibais que Deus \u00e9 onipotente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tudo abrange com sua onisci\u00eancia. (Alcor\u00e3o 65,12: Isl\u00e3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As religi\u00f5es nos falam da d\u00e1diva e do culto de louvor pela vida recebida. O hindu\u00edsmo nos recorda a dimens\u00e3o c\u00f3smica da exist\u00eancia, maior que o pequenino planeta Terra com seus habitantes e sua tecnologia t\u00e3o pretensiosa. O culto dos Orix\u00e1s aponta para o poder tremendo da Divindade, percebida na energia \u00edgnea que tudo derrete (<em>Ogum<\/em>) e na for\u00e7a das \u00e1guas abissais (<em>Ocum<\/em>): este poder encanta e faz tremer! Assim, a d\u00e1diva \u00e9 acompanhada de rever\u00eancia e respeito, redimensionando nossas pretens\u00f5es de dom\u00ednio e explora\u00e7\u00e3o da Natureza. Acolhendo a sabedoria das religi\u00f5es, n\u00f3s crist\u00e3os festejamos o Deus Criador recitando a mesma b\u00ean\u00e7\u00e3o proclamada por Israel: \u201cBendito sejais, Senhor nosso Deus, Rei do universo, pelo fruto da videira! Bendito sejais v\u00f3s, Senhor nosso Deus, Rei do universo, pelo fruto da terra!\u201d (<em>berakh\u00e1<\/em> judaica, retomada na apresenta\u00e7\u00e3o das oferendas do Rito Eucar\u00edstico). A d\u00e1diva \u00e9 reconhecida, e a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as se prolonga na vida preservada e partilhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>2.4 A conex\u00e3o humanidade\/natureza<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herdeiros do m\u00e9todo cient\u00edfico cartesiano e afoitos em consumir, n\u00f3s crist\u00e3os aderimos quase sem notar ao jogo financeiro que transforma a natureza em mercadoria. Mas no princ\u00edpio n\u00e3o era assim, pois a Sagrada Escritura prop\u00f5e o mundo como pomar a ser cultivado, declarando o ser humano guardi\u00e3o e jardineiro dos bens naturais (cf. Gn 2,8.15). Algo semelhante lemos no Alcor\u00e3o: \u201cAllah vos constituiu seus vice-regentes na terra\u201d (Sura 6,165), pois \u201cassim se comportam os servos do Misericordioso: eles pisam a terra com humildade\u201d (Alcor\u00e3o 25,63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto cientistas quanto te\u00f3logos admitem que o Ocidente tenha um d\u00e9ficit de espiritualidade em compara\u00e7\u00e3o com o Oriente, no que se refere, sobretudo, \u00e0 natureza (cf. NATALE TERRIN, 2003, p.89-90). Somos mais consumidores do que cultivadores; exploramos muito e reciclamos pouco; acumulamos mais do que partilhamos. A crise de recursos naturais, as anomalias clim\u00e1ticas e a pouca distribui\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e3o a\u00ed, alertando sobre uma espiritualidade desatenta \u00e0s conex\u00f5es entre humanidade e meio-ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, a releitura ecol\u00f3gica da B\u00edblia e a elabora\u00e7\u00e3o de uma Teologia da Cria\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica podem dialogar com a abordagem conectiva da cosmovis\u00e3o hindu\u00edsta e africana. Para o hindu\u00edsmo, tudo est\u00e1 ligado a tudo na constitui\u00e7\u00e3o do cosmos, que \u00e9 movido pelos princ\u00edpios de gera\u00e7\u00e3o e degenera\u00e7\u00e3o, ganho e perda de energia, nascimentos e mortes, personificados pelas divindades Vishnu e Shiva, respectivamente. O ser humano n\u00e3o se encontra fora deste movimento, mas dentro, ao lado das demais criaturas, embora se distinga delas pela racionalidade. J\u00e1 o culto de Orix\u00e1s vai \u00e0s ra\u00edzes da vida, da sa\u00fade e da fecundidade, conectando as habilidades humanas de plantar, ca\u00e7ar, forjar metais e preparar rem\u00e9dio \u00e0 sabedoria dos deuses e ancestrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o cristianismo, dialogar com estas perspectivas n\u00e3o significa negligenciar as fontes b\u00edblicas, nem disfar\u00e7ar algum tipo de pante\u00edsmo, mas acolher enfoques que otimizam ainda mais nossa confiss\u00e3o crist\u00e3 no Deus Criador. Assim, nossas releituras de Teologia da Cria\u00e7\u00e3o poder\u00e3o dialogar com as ci\u00eancias e tamb\u00e9m com as demais religi\u00f5es, em vista da preserva\u00e7\u00e3o da vida humana e planet\u00e1ria. Do ponto de vista da conex\u00e3o humanidade\/natureza podemos desenvolver melhor a Pneumatologia, tratando da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na cria\u00e7\u00e3o, como elo das criaturas entre si e destas com o Criador (cf. Gn 1,2; Sab 7,22 \u2013 8,1; Rm 8,22-23). Do ponto de vista do cultivo, da gera\u00e7\u00e3o e da cura, podemos valorizar o corpo como <em>locus<\/em> da experi\u00eancia de Deus, integrando a dimens\u00e3o terap\u00eautica na compreens\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o integral do cristianismo (cf. Mt 10,1; Lc 7,24-37; Rm 8,18-25; Tg 5,13-16). \u201cOu acaso n\u00e3o sabeis que vosso corpo \u00e9 templo do Esp\u00edrito Santo?\u201d (1Cor 6,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>2.5 O h\u00e1bito da ora\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma constante nas religi\u00f5es. Embora tenha diferentes sentidos e modalidades \u2013 como disciplina mental para o budismo zen, ou uni\u00e3o amorosa com o divino para o Isl\u00e3 Sufi \u2013 todas as religi\u00f5es a valorizam. Trata-se de uma pr\u00e1tica progressiva e habitual, rumo \u00e0 excel\u00eancia: ora\u00e7\u00e3o apaziguadora, transformadora e frutuosa. Enquanto o hindu\u00edsmo v\u00e9dico acentua a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica acompanhada de oferendas, o hindu\u00edsmo devocional se concentra na recorda\u00e7\u00e3o amorosa da Personalidade Divina (<em>Krishna<\/em>) atrav\u00e9s dos mantras e do afeto cordial. O budismo mon\u00e1stico, por sua vez, desenvolveu m\u00e9todos e ritos comunit\u00e1rios de ora\u00e7\u00e3o, sem descuidar da subjetividade espiritual de cada monge, cuja contempla\u00e7\u00e3o atinge n\u00edveis not\u00e1veis de sintonia psicossom\u00e1tica: a ora\u00e7\u00e3o budista segue estrita disciplina mental, supera o n\u00edvel das palavras e conceitos, pacifica as atividades mentais e desenvolve a consci\u00eancia corporal, com t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o. No juda\u00edsmo, temos a poesia dram\u00e1tica dos salmos (<em>tehilim<\/em>) e as ora\u00e7\u00f5es feitas na sinagoga ou em fam\u00edlia (<em>kidushim<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ocorre no cristianismo, encontramos nas religi\u00f5es diferentes graus oracionais: desde as ora\u00e7\u00f5es mais comuns at\u00e9 as formas elevadas de contempla\u00e7\u00e3o. A cabala judaica desenvolveu a ora\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e zelosa, pela qual o fiel (<em>hassid<\/em>) se associa \u00e0 gra\u00e7a redentora que envolve todos os homens, ciente de que a centelha divina que nele arde o aproxima de Deus e das demais criaturas. A prece do <em>hassid<\/em> vai da alegria \u00e0 compun\u00e7\u00e3o com l\u00e1grimas! (cf. SHOLEM, 1993, p.333-56). J\u00e1 os sufis mu\u00e7ulmanos usam do canto e da dan\u00e7a para orar juntos, rodopiando em sintonia com a \u00f3rbita dos astros: movem-se em c\u00edrculo (<em>sema<\/em>), ouvindo m\u00fasicas cadenciadas pela recorda\u00e7\u00e3o dos Nomes de Deus (<em>zikr<\/em>), em atitude de total abandono a Allah (cf. NATALE TERRIN, 2003, p.112-22; K\u00dcNG, 2010, p.381-93).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desses exemplos, aprendemos a valorizar a ora\u00e7\u00e3o e a desenvolver m\u00e9todos que a fa\u00e7am mais habitual e frutuosa. Tamb\u00e9m n\u00f3s, crist\u00e3os, concebemos a ora\u00e7\u00e3o como exerc\u00edcio integrador para a pessoa, no di\u00e1logo amoroso com Deus, na forma de louvor, peti\u00e7\u00e3o, agradecimento ou adora\u00e7\u00e3o. Preservadas as distin\u00e7\u00f5es, admitimos que a disciplina zen e a dedica\u00e7\u00e3o sufi \u00e0 ora\u00e7\u00e3o nos levam a avaliar a qualidade da nossa pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que temos tantos meios e itiner\u00e1rios para cumpri-la: invoca\u00e7\u00e3o do Nome de Jesus, recita\u00e7\u00e3o dos salmos, ros\u00e1rio ocidental e bizantino, contempla\u00e7\u00e3o dos \u00edcones, ora\u00e7\u00e3o de quietude, contempla\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios de Jesus no Evangelho, leitura orante da B\u00edblia (<em>lectio divina<\/em>), via sacra e ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Um dos desafios, al\u00e9m da disciplina que gera o h\u00e1bito, \u00e9 integrar mente e cora\u00e7\u00e3o numa ora\u00e7\u00e3o menos formalista e mais cordial, que seja verdadeiramente mistag\u00f3gica: enraizada na Palavra de Deus, animada pelo Esp\u00edrito Santo, integrada \u00e0 experi\u00eancia sacramental, inserida no cotidiano de cada crist\u00e3o, significativa para o sujeito e animadora da caridade fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>2.6 A pr\u00e1tica das virtudes<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As virtudes fazem do sujeito humano um <em>forte<\/em> \u2013 como ensina a raiz latina da palavra <em>virtus<\/em> (= for\u00e7a). Forte \u00e9 o labor do solo. Forte \u00e9 o amor dos genitores. Forte \u00e9 a alegria dos jovens. Forte \u00e9 o sacrif\u00edcio oferecido. Forte \u00e9 a dignidade dos anci\u00e3os. Forte \u00e9 o cavar po\u00e7os. Forte \u00e9 a forja do metal. Forte \u00e9 a paz sobre a guerra. Forte \u00e9 a compreens\u00e3o. Forte \u00e9 a sabedoria. Forte \u00e9 a palavra proferida. Forte \u00e9 a piedade sobre a impiedade. Forte \u00e9 o caminhar no deserto. Forte \u00e9 a r\u00e9cita das Escrituras. Forte \u00e9 a obla\u00e7\u00e3o. Forte \u00e9 a mem\u00f3ria celebrada. Forte \u00e9 a gratid\u00e3o. Forte \u00e9 a compaix\u00e3o. Forte \u00e9 a prece. Forte \u00e9 a virtude. Forte \u00e9 o virtuoso\u201d (MA\u00c7ANEIRO, 2011, p.135-6).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Todas essas nuances da virtude s\u00e3o ensinadas pelas religi\u00f5es:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala a verdade. Segue o caminho da retid\u00e3o. N\u00e3o negligencies a recita\u00e7\u00e3o das li\u00e7\u00f5es [os Vedas]. Depois de trazer a riqueza apreciada pelo teu mestre, n\u00e3o cortes os la\u00e7os. N\u00e3o negligencies a verdade. N\u00e3o negligencies a religi\u00e3o [o Dharma]. N\u00e3o negligencies o bem-estar de teu corpo. N\u00e3o negligencies a fortuna e a riqueza. N\u00e3o negligencies o estudo e o ensinamento dos textos sagrados. N\u00e3o negligencies os rituais para honrar os deuses ancestrais. Considera tua m\u00e3e como um deus; considera teu pai como um deus; considera teu mestre como um deus; considera os h\u00f3spedes como um deus. Pratica as a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o merecem censura, e n\u00e3o outras. Leva em considera\u00e7\u00e3o apenas o bem que v\u00eas nos outros (&#8230;). Partilha com f\u00e9; n\u00e3o partilhes sem f\u00e9. D\u00e1 com generosidade; d\u00e1 com mod\u00e9stia; d\u00e1 com temor; d\u00e1 com pleno conhecimento e compaix\u00e3o. (Taittirya Upanishad 1. 11. 1-3: Hindu\u00edsmo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem faz surgir o amor \u2014 sem medidas, cuidadoso (&#8230;) \u2014 mostrando amor a um ser vivo que seja, sem mal\u00edcia, j\u00e1 passa com isto a ser virtuoso. Compassivo em esp\u00edrito com todos os seres, alcan\u00e7a ricos m\u00e9ritos. Aqueles que, depois de vencer a terra com todas as suas multid\u00f5es, se fazem s\u00e1bios e reis, e oferecem sacrif\u00edcios, n\u00e3o possuem uma d\u00e9cima parte do valor de um \u00e2nimo am\u00e1vel e bondoso. Quem n\u00e3o mata, nem faz matar; quem n\u00e3o oprime, nem permite opress\u00e3o, mostra amor a todos os seres e n\u00e3o teme de ningu\u00e9m a inimizade. (Itivutaka, 27: Budismo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito de Adonai repousa sobre mim, porque Adonai me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres, a curar os quebrantados de cora\u00e7\u00e3o e proclamar a liberdade aos cativos, a liberta\u00e7\u00e3o aos que est\u00e3o encarcerados; enviou-me a proclamar um ano aceit\u00e1vel para o Senhor. (Isa\u00edas 61,1-2: Juda\u00edsmo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A piedade n\u00e3o consiste em voltar a face ao Oriente ou ao Ocidente. Piedoso \u00e9 aquele que cr\u00ea em Allah, no ju\u00edzo, nos anjos, no Livro e nos profetas; que, por amor a Deus, d\u00e1 de seus bens aos parentes, aos \u00f3rf\u00e3os, aos necessitados, aos peregrinos e aos mendigos; \u00e9 aquele que resgata os escravos, recita as preces e paga o tributo dos pobres; que cumpre suas obriga\u00e7\u00f5es, suportando adversidades, infort\u00fanios e perigos. Assim s\u00e3o os crentes e piedosos (Alcor\u00e3o 2,177: Isl\u00e3).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0V\u00ea-se claramente a distin\u00e7\u00e3o entre <em>pio<\/em> (justo e misericordioso) e <em>\u00edmpio<\/em> (injusto e perverso). Neste sentido, as religi\u00f5es convergem nas virtudes evang\u00e9licas e refor\u00e7am a convic\u00e7\u00e3o crist\u00e3 na caridade ativa e prof\u00e9tica, em vista do Reino de Deus no mundo. Esta converg\u00eancia de valores e atitudes consolida uma espiritualidade centrada no amor, e favorece a a\u00e7\u00e3o conjunta das religi\u00f5es em benef\u00edcio da justi\u00e7a e da paz:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois o di\u00e1logo inter-religioso, al\u00e9m de seu car\u00e1ter teol\u00f3gico, tem significado especial na constru\u00e7\u00e3o da nova humanidade: abre caminhos in\u00e9ditos de testemunho crist\u00e3o, promove a liberdade e dignidade dos povos, estimula a colabora\u00e7\u00e3o para o bem comum, supera a viol\u00eancia motivada por atitudes religiosas fundamentalistas, educa para a paz e para a conviv\u00eancia cidad\u00e3. (Documento de Aparecida n.239)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>2.7 A inicia\u00e7\u00e3o e o discipulado progressivo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata de espiritualidade, as religi\u00f5es alertam sobre os riscos do individualismo e das pretens\u00f5es desmedidas de quem pensa poder avan\u00e7ar sozinho. Da\u00ed os graus de inicia\u00e7\u00e3o e os est\u00e1gios a serem percorridos pelo <em>ne\u00f3fito<\/em> (disc\u00edpulo iniciante) sob a assist\u00eancia de um <em>mistagogo<\/em> (mestre iniciador). O hindu\u00edsmo v\u00e9dico valoriza a disciplina mental e corporal, com uma s\u00e9rie de passos: abstin\u00eancias (<em>yama<\/em>), observ\u00e2ncias asc\u00e9ticas (<em>niyama<\/em>), posi\u00e7\u00f5es do corpo (<em>asana<\/em>), controle da respira\u00e7\u00e3o (<em>pranayama<\/em>), controle dos sentidos (<em>pratyahara<\/em>), treino da concentra\u00e7\u00e3o (<em>dharana<\/em>), medita\u00e7\u00e3o (<em>dhyana<\/em>) e \u00eaxtase contemplativo (<em>samadhi<\/em>). Esses passos s\u00e3o acompanhados pelo estudo das Escrituras (<em>Vedas<\/em>), para que o disc\u00edpulo reconhe\u00e7a sua condi\u00e7\u00e3o humana, supere a ignor\u00e2ncia e os v\u00edcios, treine as virtudes e atinja o estado de liberta\u00e7\u00e3o, imerso no Uno c\u00f3smico-divino (<em>moksha<\/em>). J\u00e1 o hindu\u00edsmo devocional se concentra no conhecimento e adora\u00e7\u00e3o de Krishna, professado como divindade pessoal e misericordiosa: \u201cEu sou a meta, o sustentador, a testemunha, a morada, o ref\u00fagio e o amigo mais querido. Sou a cria\u00e7\u00e3o e a aniquila\u00e7\u00e3o, a base de tudo, o lugar onde se descansa e a semente eterna\u201d (<em>Bhagavad-Gita<\/em> 9,18). Enquanto o hindu\u00edsmo v\u00e9dico se volta ao Uno c\u00f3smico impessoal, o hindu\u00edsmo devocional adora Krishna como divindade pessoal, pr\u00f3xima e benevolente: Amado, Amigo e Companheiro. O discipulado segue um processo educativo, para aprimorar os bons h\u00e1bitos, a n\u00e3o viol\u00eancia e o amor por todas as criaturas vivas (<em>ahimsa<\/em>), a veracidade de pensamentos, palavras e a\u00e7\u00f5es (<em>satya<\/em>), a pureza mental e corporal (<em>shauca<\/em>), a miseric\u00f3rdia (<em>daya<\/em>), com o estudo simult\u00e2neo das Escrituras (<em>Bhagavad-Gita<\/em>). A finalidade \u00e9 superar o egocentrismo, e disciplinar a intelig\u00eancia e os afetos na adora\u00e7\u00e3o a Krishna, mediante a via unitiva: \u201cN\u00e3o posso adorar-te em teu templo, nem invocar-te diante de teus s\u00edmbolos, nem oferecer-te flores molhadas de orvalho, porque tu mesmo habitas o cora\u00e7\u00e3o das flores. Como posso juntar minhas m\u00e3os e inclinar-me em tua honra? Tudo isto \u00e9, de fato, um culto imperfeito, porque tu, Senhor, habitas em mim\u201d (Tayumana Swami, s\u00e9c. XVII, <em>apud<\/em> ACHARUPARAMBIL, 1984, p.560).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras coordenadas culturais, o culto de Orix\u00e1s pratica um longo per\u00edodo de inicia\u00e7\u00e3o, ritmado por semanas de aprendizado e retiro. O ne\u00f3fito disp\u00f5e seu tempo e sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o por parte dos Orix\u00e1s: s\u00e3o eles que escolhem o iniciante para determinados of\u00edcios religiosos, a servi\u00e7o do culto e da comunidade. Treina-se o respeito, a abnega\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o e o conhecimento das narrativas ancestrais. Como n\u00e3o h\u00e1 escrituras, \u00e9 de suma import\u00e2ncia executar os ritos com precis\u00e3o e transmitir os conte\u00fados essenciais na l\u00edngua lit\u00fargica (<em>yorub\u00e1<\/em>), atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o direta com os mestres. Ap\u00f3s a primeira inicia\u00e7\u00e3o, o adepto vai da fun\u00e7\u00e3o de auxiliar de culto (<em>ogan<\/em>) at\u00e9 o sacerd\u00f3cio ancestral, exercido por homens (<em>babalorix\u00e1s<\/em>) ou mulheres (<em>yalorix\u00e1s<\/em>). No culto africano original havia inclusive o of\u00edcio de mestre-iniciador (<em>babala\u00f4<\/em>), que interpretava os or\u00e1culos e transmitia a sabedoria \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es (cf. GON\u00c7ALVES DA SILVA, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo das religi\u00f5es abra\u00e2micas, a cabala judaica observa a inicia\u00e7\u00e3o tradicional com circuncis\u00e3o (<em>mil\u00e1<\/em>), maturidade (<em>bar-mitzva<\/em>) e banhos de purifica\u00e7\u00e3o (<em>mikve<\/em>), acompanhada do estudo da Lei (<em>Tor\u00e1<\/em>), dos Profetas (<em>Nebiim<\/em>) e dos Escritos Sapienciais (<em>Ketuvim<\/em>). H\u00e1 valoriza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo com a comunidade, sob a guia de um mestre carinhosamente chamado de <em>rebbe<\/em> (= meu estimado mestre). Na fase adulta, abre-se novo ciclo, com o estudo das doutrinas cabal\u00edsticas sobre Deus, a Cria\u00e7\u00e3o, a Alian\u00e7a, o Messias e a Reden\u00e7\u00e3o, conforme as diferentes escolas de ensino. Entram em cena, ent\u00e3o, novos textos a serem lidos e comentados, como o <em>Sefer Yetsira<\/em> (Livro da Cria\u00e7\u00e3o) e o <em>Sefer ha-Zohar<\/em> (Livro do Esplendor). Na pr\u00e1tica, a fase adulta do discipulado ultrapassa a idade de quarenta anos, num percurso cont\u00ednuo de estudos e aprimoramento, com os seguintes focos: a ora\u00e7\u00e3o em estado de uni\u00e3o com Deus (<em>kavana<\/em>); o mist\u00e9rio do Messias (<em>mashiah<\/em>); a celebra\u00e7\u00e3o semanal do s\u00e1bado, compreendido em sentido m\u00edstico (<em>shabat<\/em>); a santidade moral, pessoal e comunit\u00e1ria (<em>tzedak\u00e1<\/em>). Em suma, todas as religi\u00f5es valorizam a inicia\u00e7\u00e3o e o discipulado, tendendo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o continuada de seus adeptos num caminho de aprimoramento espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos aqui outro aspecto interessante para o cristianismo: n\u00e3o fixar-se em est\u00e1gios passados da evangeliza\u00e7\u00e3o, mas repropor o discipulado progressivo mediante uma \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d (cf. Documento de Aparecida, Parte VI). Neste sentido, articulam-se as seguintes fases, complementares entre si: <em>kerigma<\/em>, com an\u00fancio do amor salv\u00edfico de Deus e di\u00e1logo interpessoal; <em>didach\u00e9<\/em>, com a instru\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica que aprofunda o kerigma; <em>mistagogia<\/em>, com a escuta da Palavra de Deus e a experi\u00eancia sacramental, em comunidade (cf. Documento de Aparecida n.286-300; <em>Evangelii Gaudium<\/em> n.160-177).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>3 Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Os t\u00f3picos de aprendizado dial\u00f3gico (acima) mostram que crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">podem cooperar para a promo\u00e7\u00e3o dos valores humanos e espirituais; poderiam, por fim, levar tamb\u00e9m ao di\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa, em resposta \u00e0s grandes quest\u00f5es suscitadas no esp\u00edrito humano pelas circunst\u00e2ncias da vida. Os interc\u00e2mbios em n\u00edvel da experi\u00eancia religiosa podem tornar as discuss\u00f5es teol\u00f3gicas mais vivas. E estas, por sua vez, podem iluminar as experi\u00eancias e encorajar rela\u00e7\u00f5es mais estreitas. (Di\u00e1logo e an\u00fancio n.43)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O \u201cdi\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa\u201d nos possibilita reconhecer e discernir os valores espirituais das religi\u00f5es, pontuando as diferen\u00e7as e tamb\u00e9m as converg\u00eancias, j\u00e1 que \u201ca maior parte das grandes religi\u00f5es t\u00eam procurado a uni\u00e3o com Deus na ora\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m indicado os caminhos para obt\u00ea-la\u201d (Carta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n.16). Cientes de que \u201ca Igreja cat\u00f3lica nada rejeita do que nessas religi\u00f5es existe de verdadeiro e santo\u201d (<em>Nostra aetate<\/em> n.2), n\u00e3o conv\u00e9m \u201cdesprezar, sem pr\u00e9via considera\u00e7\u00e3o, tais indica\u00e7\u00f5es, s\u00f3 por n\u00e3o serem de origem crist\u00e3. Poder-se-\u00e1, ao contr\u00e1rio, colher nelas o que cont\u00eam de \u00fatil, tendo o cuidado de nunca perder de vista a concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da ora\u00e7\u00e3o, sua l\u00f3gica e suas exig\u00eancias, porque s\u00f3 dentro desta totalidade, esses fragmentos poder\u00e3o ser reformados e inclu\u00eddos\u201d (Carta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sugest\u00e3o importante para os crist\u00e3os \u201c\u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o humilde de um mestre experimentado na vida de ora\u00e7\u00e3o que conhe\u00e7a suas normas; desse aspecto sempre se teve consci\u00eancia na experi\u00eancia crist\u00e3, desde os tempos antigos, particularmente \u00e0 \u00e9poca dos Padres do deserto. O mestre \u2013 experimentado no <em>sentire cum ecclesia<\/em> [sentir com a Igreja] \u2013 n\u00e3o deve somente guiar e chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre certos perigos, mas, como pai espiritual, introduzir de maneira viva, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, na vida de ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 dom do Esp\u00edrito Santo\u201d (Carta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, o acompanhamento pessoal e comunit\u00e1rio dos processos de educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e da espiritualidade em geral tem sido uma necessidade, ainda mais nos nossos dias.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja dever\u00e1 iniciar os seus membros \u2013 sacerdotes, religiosos e leigos \u2013 nesta arte do acompanhamento, para que todos aprendam a descal\u00e7ar sempre as sand\u00e1lias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3,5). Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaix\u00e3o, mas que, ao mesmo tempo, cure, liberte a anime os irm\u00e3os a amadurecer na vida crist\u00e3. (<em>Evangelii Gaudium<\/em> n.169)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Outro resultado valioso do di\u00e1logo das experi\u00eancias religiosas s\u00e3o as solicita\u00e7\u00f5es de releitura e aprofundamento de nossa f\u00e9 crist\u00e3, em face da outra religi\u00e3o. No encontro e di\u00e1logo sobre os diferentes caminhos espirituais, as religi\u00f5es pedem de n\u00f3s o esclarecimento de pontos tradicionais do cristianismo, a respeito da Palavra de Deus, da Trindade, da comunica\u00e7\u00e3o\/encarna\u00e7\u00e3o do Verbo e da media\u00e7\u00e3o sacramental da Igreja. Al\u00e9m desses pontos tradicionais, h\u00e1 casos em que o di\u00e1logo inter-religioso solicita de n\u00f3s o desenvolvimento de novas perspectivas do dado revelado. Afinal,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a plenitude da verdade recebida em Jesus Cristo n\u00e3o d\u00e1 aos crist\u00e3os, individualmente, a garantia de terem assimilado de modo pleno esta mesma verdade. Em \u00faltima an\u00e1lise, a verdade n\u00e3o \u00e9 algo que possu\u00edmos, mas uma Pessoa por quem nos devemos deixar possuir. Trata-se, portanto, de um processo sem fim. Embora mantendo intacta a sua identidade, os crist\u00e3os devem estar dispostos a aprender e a receber dos outros e por interm\u00e9dio deles os valores positivos de suas tradi\u00e7\u00f5es. (Di\u00e1logo e an\u00fancio n.49)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre essas perspectivas, elencamos oito:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Pneumatologia: desenvolver a Teologia do Esp\u00edrito Santo a partir da Palavra de Deus e da Teologia da Gra\u00e7a, considerando a a\u00e7\u00e3o universal do <em>Pneuma<\/em> nos sujeitos, culturas e credos, inclusive seus ind\u00edcios na exemplaridade dos mestres de outras religi\u00f5es (cf. CTI, 1997, 50-52 e 82-84).<\/li>\n<li>b) Antropologia da \u201cimago Dei\u201d: examinar os dados da fenomenologia e teologia das religi\u00f5es, com foco na humanidade em geral e na pessoa humana, em particular, como <em>creatura Verbi<\/em> e <em>capax Dei<\/em>, interlocutora do di\u00e1logo de salva\u00e7\u00e3o aberto pela Trindade e, portanto, int\u00e9rprete da Revela\u00e7\u00e3o universal (cf. CTI, 1997, 48, 51, 88-92 e 110-112).<\/li>\n<li>c) Cristologia do Verbo: esclarecer a dimens\u00e3o c\u00f3smica e trans-hist\u00f3rica da presen\u00e7a do Verbo no universo e na humanidade, em cotejo com a cosmovis\u00e3o das demais religi\u00f5es, particularmente o hindu\u00edsmo e o budismo (cf. CTI, 1997, n.36 e 41-47).<\/li>\n<li>d) Teologia da Cria\u00e7\u00e3o: ampliar e tematizar a teologia b\u00edblica da Cria\u00e7\u00e3o, do Primeiro e do Novo testamentos, em di\u00e1logo com as narrativas criacionais\/cosmog\u00f4nicas das religi\u00f5es, individuando as distin\u00e7\u00f5es e as converg\u00eancias.<\/li>\n<li>e) Teologia da Revela\u00e7\u00e3o: pontuar os elementos de Revela\u00e7\u00e3o presentes nas narrativas, ritos e escrituras das religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s, \u00e0 luz da dogm\u00e1tica crist\u00e3 (cf. CTI, 1997, n.88-92).<\/li>\n<li>f) Fenomenologia da interioridade humana: sistematizar o quanto as religi\u00f5es registram sobre a interioridade humana (consci\u00eancia, vontade, busca da verdade, mem\u00f3ria, autoconhecimento, convers\u00e3o) numa perspectiva comparada, para dialogar com a teologia da gra\u00e7a e a teologia espiritual (cf. Di\u00e1logo e an\u00fancio n.15-18).<\/li>\n<li>g) Soteriologia: ponderar as linguagens de salva\u00e7\u00e3o do cristianismo (reden\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o, cura, nova cria\u00e7\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o, justifica\u00e7\u00e3o, recapitula\u00e7\u00e3o) em di\u00e1logo com os conceitos e as linguagens de salva\u00e7\u00e3o das diversas religi\u00f5es, como liberta\u00e7\u00e3o\/<em>moksha<\/em>, plenitude\/<em>nirvana<\/em>, despertar\/<em>bodhi<\/em>, benevol\u00eancia divina\/<em>rahmat<\/em> (Di\u00e1logo e an\u00fancio n.29).<\/li>\n<li>h) Escatologia: aproximar a escatologia pascal crist\u00e3 da perspectiva escatol\u00f3gica das religi\u00f5es, considerando seus emblemas de mundo, suas doutrinas ecol\u00f3gicas e suas prospectivas quanto ao futuro e aos fins, seja do cosmos, seja da humanidade (cf. CTI, 1997, n.113).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Marcial Ma\u00e7aneiro, <\/em>PUC Paran\u00e1. Original em portugu\u00eas.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ACHARUPARAMBIL, Daniel. L\u2019Induismo. In: ANCILLI, E.; PAPAROZZI, M. <em>La mistica<\/em> v.II. Roma: Citt\u00e0 Nuova Editrice, 1984. p.527-68.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARNALDEZ, Roger. La mistica musulmana. In: RAVIER, Andr\u00e9. <em>La mistica e le mistiche<\/em>. San Paolo: Milano, 1996. p.425-86.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BASSET, Jean-Claude. <em>Le dialogue interreligieux: <\/em>histoire at avenir. Paris: Cerf, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CELAM. <em>Documento de Aparecida<\/em>. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMISS\u00c3O TEOL\u00d3GICA INTERNACIONAL [CTI]. <em>O cristianismo e as religi\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A DOUTRINA DA F\u00c9. Carta sobre alguns aspectos da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3. In: <em>Documenta<\/em>. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, p. 344-57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CUTTAT, Jacques-Albert. L\u2019esperienza cristiana pu\u00f2 assumere la spiritualit\u00e0 orientale? In: RAVIER, Andr\u00e9 (org.). <em>La mistica e le mistiche<\/em>. San Paolo: Milano, 1996. p.629-776.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUPUIS, Jacques. <em>O cristianismo e as religi\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii gaudium<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GON\u00c7ALVES DA SILVA, Vagner. <em>Candombl\u00e9 e umbanda<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcNG, Hans. <em>O Isl\u00e3o: <\/em>passado, presente, futuro<em>.<\/em> Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MA\u00c7ANEIRO, Marcial. <em>Religi\u00f5es &amp; Ecologia: <\/em>cosmovis\u00e3o, valores, tarefas. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NATALE TERRIN, Aldo. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao estudo comparado das religi\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PONTIF\u00cdCIO CONSELHO PARA O DI\u00c1LOGO INTER-RELIGIOSO. <em>Documento Di\u00e1logo e An\u00fancio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAVIER, Andr\u00e9. <em>La mistica e le mistiche<\/em>. San Paolo: Milano, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SERUYA, Henri. <em>La cabala<\/em>. Roma: Edizioni Mediterranee, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SHOLEM, Gershom.<em> Le grandi correnti della mistica ebraica<\/em>. Torino: Einaudi, 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Introdu\u00e7\u00e3o 2 O di\u00e1logo da experi\u00eancia religiosa 2.1 O olhar contemplativo 2.2 O reconhecimento da transcend\u00eancia 2.3 A d\u00e1diva e a sacralidade da vida 2.4 A conex\u00e3o humanidade\/natureza 2.5 O h\u00e1bito da ora\u00e7\u00e3o 2.6 A pr\u00e1tica das virtudes 2.7 A inicia\u00e7\u00e3o e o discipulado progressivo 3 Conclus\u00e3o 4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 Introdu\u00e7\u00e3o As [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade-e-formacao-de-cristaos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1146"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1147,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1146\/revisions\/1147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}